Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Benfica 2010 - De A a Z

A, de Atlético de Madrid - O segundo clube da capital de Espanha teve um ano em que se cruzou com o Benfica por várias vezes, demasiadas, se calhar. No defeso conseguiu vender Roberto por um valor inflacionadíssimo, 8,5 milhões de euros, depois surgiram as notícias de O Lado Opaco, em que o presidente do Benfica estaria supostamente ligado a negócios pouco claros com o presidente do Atlético, depois o empréstimo de Salvio que já custou uma parte do passe do argentino e por fim o roubo do "nosso" Elias, que demorou meses a negociar e que em dois minutos assinou pelo Atlético, dizendo na apresentação que era parecido com... Ramires.

B, de Boicote - Face à arbitragem escandalosa de Olegário Benquerença em Guimarães, que prejudicou objectivamente o Benfica, os encarnados declararam um boicote dos seus adeptos aos jogos fora. Não resultou. Os adeptos compareceram em bom número em Faro, Funchal, Aveiro e os números desceram drasticamente na Luz. Má ideia, apesar da intenção.

C, de Campeão - Campeão, campeão, campeão! Finalmente, cinco anos depois, o Benfica sagrou-se campeão nacional de futebol. Um campeonato memorável em todos os aspectos, exibições de gala, emoção nos momentos decisivos, golos, golos e mais golos, muitos pontos numa época inesquecível.

D, de Di María - Para mim foi o jogasdor decisivo, foi o abre-latas sempre que a equipa precisava. Arrancava pelo corredor esquerdo em velocidade, deixava vários adversários pelo caminho e os seus lances terminavam invariavelmente em golo. Era Di Magia, um jogador único. Acabou por ser vendido ao Real Madrid naquela que é a maior transferência de sempre do futebol português. 2010 foi o seu ano.

E, de Escutas - Foi o ano da publicação de várias escutas importantíssimas no que ao caso Apito Dourado diz respeito. Por três vezes durante o ano, vários vídeos contendo as escutas serviram para exibir ao público um pouco mais da teia nojenta que comanda o futebol português. Fruta, café, chocolatinhos, casa da Madalena, o meu Braguinha e outras expressões estão imortalizadas no léxico do futebol nacional.

F, de Fábio Coentrão - Ano de afirmação para o jovem caxineiro. Praticamente condenado ao insucesso no futebol, destinado a passar ao lado de uma enorme carreira, conseguiu agarrar a oportunidade e hoje é um dos melhores jogadores na posição de defesa esquerdo. Mais de 50 jogos oficiais na época, chamada ao Mundial e distinção pelo reputado jornal francês L'Équipe como o melhor defesa esquerdo do ano fazem de Fábio Coentrão um senhor jogador.

G, de Golos - Não há memória de um ano com tantos golos neste futebol, moderno. Muitos e bons golos marcados pelo Benfica no ano de 2010, muitos deles graças a Óscar Cardozo, o homem-golo do plantel.

H, de Henrique Vieira - O treinador de Basquetebol é uma das figuras do ano ao conseguir conquistar o bicampeonato nacional da modalidade e ao assegurar a presença do Benfica nas provas europeias passados alguns anos. Adversários difícieis como o Ferro, o Tartu Rock e o Lugano Basket foram eliminados. Vitórias com o Lukoil em casa, Porto e Ovarense fora marcam este ano de 2010. Parabéns a Henrique Vieira.

I, de Inventar - Inventar é bom, mas tem os seus risco. O Benfica "inventou" muito desde Junho. Inventou uma abordagem ao mercado de transferências que se revelou negativa, inventou um esquema de jogo que deixou de utilizar de repente, inventou no Dragão e levou cinco, enfim, invenções a mais.

J, de Jorge Jesus - É a figura do ano pela diferenças de mentalidade que conseguiu impôr no Benfica, mentalidade ganhadora, algo que não se via há muito. Veio, viu e venceu, assim é Jesus. Campeão Nacional e vencedor da Taça da Liga no ano de estreia, merece os louros pelas conquistas, mais do que ninguém.

L, de Liga dos Campeões - 2010 foi o ano da pior participação de sempre no Benfica na Liga dos Campeões. Um plantel sem capacidade para melhor que aquilo fruto da inexperiência de muitos e incapacidade física de outros, resultou na tristeza de jogos, exibições e resultados que observámos. Triste regresso à prova maior do futebol europeu.

M, de Marseille - Adversário duríssimo, campeão francês em 2010, derrotado pelo Benfica nos oitavos da Liga Europa numa das melhores exibições internacionais dos encarnados na última vintena de anos. Memorável, tal como vinte anos antes, quando Vata marcou o golo com a mão. Kardec foi o nosso Vata, em 2010. E em Marselha ninguém pode ouvir falar de nós.

N, de Nervos - Foi um ano em que os nervos dos adeptos foram testados até ao máximo: no primeiro semestre devido a algumas exibições como na Figueira da Foz, Coimbra e Porto, com a incerteza do resultado, o nervosismo era grande; no segundo semestre já foi por outros motivos que os adeptos tiveram razões para ficarem enervados.

O, de Opinião - É um delito, infelizmente. Quem não pensa o que um determinado grupo pensa é um abutre, um anti, enfim, uma verborreia de disparates que alguns benfiquistas ainda proferem, talvez por não perceberem que ambas as partes querem o mesmo objectivo mas acham que é melhor alcançá-lo por caminhos diferentes, apenas isto. Depois lá vêm as insinuações torpes, as faltas de respeito de gente que não conhece um dos principais valores deste clube: Democracia.

P, de Pobreza (Jogo Contra) - Um dos momentos marcantes de 2010, o Benfica acolheu o Jogo Contra a Pobreza para ajudar o Haiti. Foram reunidos mais de 500.000 euros numa partida entre estrelas do futebol actual, jogadores do Benfica, antigas glórias do Benfica e alguns famosos não futebolistas. Numa noite memorável, quem ganhou foi mesmo o Haiti e os espectadores que tiveram a oportunidade de assistir a um bonito jogo.

Q, de Quim - Foram seis épocas de águia ao peito de um guarda-redes que, sem ser fenomenal nem ser de grandes e vistosas defesas, cumpriu o seu papel de forma profissional sempre. Quim foi um dos melhores exemplos de profissionalismo que passou pelo Benfica dos últimos anos. O seu low profile nunca cativou os adeptos, mas foi um bom guarda-redes.

R, de Roberto - O guardião espanhol foi a figura do defeso ao protagonizar uma das contratações mais caras de sempre do futebol português, 8,5 milhões de euros gastos num jogador com menos de 30 jogos como profissional, uma aposta bastante arriscada. Começou por dar vários frangos em série, depois estabilizou e conseguiu exibições muito positivas, seguiu-se mais um deslize, voltou aos bons jogos, enfim, foram seis meses de sobe e desce exibicional e psicológico. Esperemos que entre no novo ano com a mesma segurança e confiança com que terminou este.

S, de Sistema - No segundo semestre do ano mostrou-se bem vivo. O sistema está aí e veio para ficar, as exibições do clube que se assume como corrupto são boas mas sem a mãozinha da arbitragem não teriam a folga pontual que têm. A meu ver os objectivos estão bem definidos: ganhar tudo a nível interno sem derrotas. Isso explica as arbitragens na Liga e os sorteios milagrosamente fáceis nas Taças.

T, de Taça da Liga - Conquistada com mestria e classe depois de uma vitória por 1-4 em Alvalade e oir 3-0 em terreno neutro contra o Porto. O Benfica tornou-se assim nu clube que mais vezes conquistou esta prova no seu curto historial.

U, de UEFA Futsal Cup - Memorável percurso dos comandados por André Lima, que após terem conseguido a presença na final four derrotaram os campeões italianos, Luparense, de Vampeta, Baptistella e Humberto na meia-final e o campeão espanhol e melhor equipa europeia, o Interviú, de Jordi Torras, Betão e Schumacher. O Benfica sagrou-se campeão europeu de Futsal.

V, de Vitória - A águia Vitória também foi protagonista em 2010, ao ter ficado em terra depois de algumas divergências entre o seu tratador, Juan Barnabé, e os dirigentes encarnados. Num caso mal gerido e que chegou à praça pública exposto de uma forma que manchou o bom nome do Benfica, o tratador da águia, ao que se sabe, não tem razão, apesar de os métodos utilizados pelos nossos dirigentes terem sido muito pouco correctos.

W, de Weldon - O avançado brasileiro, aposta pessoal de Jorge Jesus, mostrou-se fundamental na conquista do 32º campeonato encarnado, com golos decisivos nomeadamente no final da temporada à Naval e frente à Académica. A sua mobilidade e velocidade constituíram uma ameaça constante às redes adversárias e o camisola "19" teve os seus momentos de glória de águia ao peito.

Y, de Youtube - O site mágico onde estão todas as escutas referentes ao processo Apito Dourado, local proibido para Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, entre outros. Felizmente ainda há democracia na Internet, a prova disse está naquele belo site de ícone vermelho e branco onde se vê quedas monumentais, miúdos anestesiados depois da ida ao dentista, freaks a pedirem para deixarem Britney Spears em paz e presidentes de clubes de futebol a corromperem árbitros.

Z, de "ZZZZZZZZZZZZZZ" - O Benfica adormeceu no mercado de transferências e deixou-se ultrpassar pelo Porto. Com uma oportunidade única para dar uma machadada no rival, deixá-mo-lo voltar a ganhar ascendente no futebol português.

Figura do Ano 2010

Por tudo. Pelo que nos deu, pelo que ganhou, pelo que ensinou, pelo que aprendeu, pelo que conquistou, pela mística devolvida, pelo bom futebol, pela liderança, pelo Benfica. Jorge Jesus é a Figura do Ano do Benfica de 2010.

12 meses, 12 imagens

Janeiro: como clube solidário com Fundação própria, o Benfica acolhe o Jogo Contra a Pobreza juntando na Luz antigas glórias do clube com grandes jogadores da actualidade no dia de aniversário do Rei Eusébio. Resultado? Vitória do Haiti com mais de 55 mil nas bancadas para a festa do futebol, foi o jogo deste género com mais adeptos de sempre, graças ao Sport Lisboa e Benfica.

Fevereiro: goleada em Alvalade nas meias-finais da Taça da Liga. O Sporting desde cedo se viu em desvantagem numérica por agressão de João Pereira a Ramires e o Benfica marcou um, dois, três, quatro golos que selaram a passagem à final da prova, numa tareia futebolística que fica na memória.

Março: o Porto, ferido no orgulho, prometera vingança depois do sucedido em Dezembro de 2010 a contar para o campeonato. Jesus poupa alguns titulares e mesmo assim ganha por 3-0 aos dragões, conquistando a segunda Taça da Liga consecutiva e colocando o Benfica como o clube que mais vezes venceu esta competição.

Abril: feito inédito nas modalidades de pavilhão, o Benfica torna-se a primeira equipa portuguesa a conquistar a UEFA Futsal Cup, o equivalente à Champions League de futebol, ao derrotar no Pavilhão Atlântico a Luparense nas meias-finais e a constelação de estrelas internacionais do Interviú na final. André Lima, Ricardinho, Pedro Costa e companhia estão imortalizados na História do desporto nacional.

Maio: cinco anos depois o Benfica volta a sagrar-se campeão nacional de futebol ao vencer o Rio Ave na Luz por 2-1. Os comandados de Jorge Jesus terminaram assim uma campanha gloriosa iniciada no ano anterior, conquistando 76 pontos em 90 possíveis, a melhor percentagem das últimas duas décadas. Benfica, um justo campeão.

Junho: sete anos depois, o Hóquei em Patins venceu, finalmente, um troféu oficial, a Taça de Portugal. Os nossos jogadores conseguiram um feito incrível numa época em que tudo correu muito mal, desde acusações graves de alguns jogadores até à péssima classificação da equipa no campeonato.

Julho: foi o mês de Roberto. Uma contratação que custou 8,5 milhões quando se fala, inicialmente, em 2 a 4 milhões que começou a desiludir muita gente com frangos atrás de frangos. Felizmente daria a volta por cima. E voltou a dar uns frangos. E voltou a melhorar. Terá a montanha russa acabado? Parece que sim, felizmente.

Agosto: derrotas, derrotas e mais derrotas. Na Supertaça com o Porto num jogo em que se confirmaram as piores expectativas quanto às carências do plantel, para a Liga com a Académica na Luz, com o já tradicional mau arranque de campeonato, e com o Nacional na Madeira. Mau demais para ser verdade.

Setembro: se há algo que marca este mês é a decisão do boicote. Só quem não conhece a mística do Benfica é que poderia pensar que esta medida teria sucesso. Não teve. Os estádios adversários continuaram com as mesmas taxas de ocupação que noutras épocas "normais" e a Luz esteve abaixo dos 30.000 adeptos em três jogos consecutivos. Compreende-se a ideia de querer combater o sistema instalado no futebol português, mas a acção tomada foi um tiro no pé.

Outubro: depois do atribulado início de campeonato, o Benfica consegue estabilizar o rendimento nas provas nacionais e alcança o segundo lugar aquando da recepção e vitória sobre o Braga de Domingos, com o golo de Carlos Martins.

Novembro: filme de terror no Dragão com o Benfica a ser goleado por 5-0 numa das piores noites da história do clube. Não há palavras para descrever o misto de resignação, inferioridade e raiva que aquela derrota causou.

Dezembro: um Benfica sem estofo europeu abandonou a Liga dos Campeões pela porta pequena. jesus tinha afirmado em Maio que queria ganhar a prova, mas esteve a poucos minutos de nem sequer garantir o apuramento para a Liga Europa. Muito mau.

Uma década de... treinadores

Dez anos marcados por muitos treinadores, como vem sendo hábito no Sport Lisboa e Benfica. A instabilidade que se vive fruto da pressão e da dimensão do cargo justificam em parte a grande rotatividade a que os lugares da esquerda do banco de suplente da Luz estão sujeitos. Eis uma análise que não é feita do pior para o melhor, mas sim por ordem temporal. Este é longo, desculpem lá.

Toni

Toni foi o primeiro treinador da década. Mas este não era o mesmo Toni que levara o Benfica ao título em anos anteriores. A promessa de Manuel Vilarinho revelou-se um autêntico tiro no pé, os resultados foram precisamente o oposto do esperado. Por culpa de quem? De todos. O plantel não ajudava minimamente, a defesa era horrível, enfim, um sem-número de problemas. Até final de 2000/2001, Toni conseguiu derrotas humilhantes, com Paços e Alverca em casa, e ainda goleadas contra Sporting, Gil Vicente, Braga (com dois golos de... Luís Filipe) e Porto, esta última para a Taça). Mau demais. Mesmo assim, Vilarinho manteve a aposta em Toni para a época seguinte e renovou o plantel por completo, para bem melhor, diga-se. Os resultados é que voltaram a ficar aquém do esperado. O campeonato inicia-se aos ziguezagues num ano em que todos os candidatos revelavam graves insuficiências. Mas uma série de derrotas (Paços, Boavista e Marítimo, este para a Taça) e o empate com o Sporting na Luz, naquela fabulosa exibição de Duarte Gomes, precipitam a saída de Toni. A sua última passagem pela Luz foi um autêntico desastre, mas isso não apaga o que fez de [muito] bom durante os excelentes anos que passou na Luz. Não belisca minimamente a sua reputação.

Jesualdo Ferreira

Adjunto de Toni, foi também ele o seu sucessor. Pois, é difícil falar deste senhor, não é? Primeiro porque não é senhor nenhum, é um hipócrita vendido. Depois, porque treinador vale zero? Tricampeão no Porto também a minha vizinha era, com o esquema todo montado. Lá fora foi o que se viu: no Málaga não durou até ao fim de Outubro. No Panathinaikos os adeptos já o perseguem, literalmente. Este alcoólico crónico teve a felicidade de treinar o Benfica (para nossa infelicidade) em 2001/2002, após a saída de Toni, e acabou no quarto lugar.

Prepara a época de 2002/2003 que começa em bom estilo, mas a sorte não poderia durar muito. Consegue uma série negra de 2V 2E e 3D para a liga sendo que na semana seguinte, para a Taça de Portugal, comete a proeza de perder, em casa, com o Gondomar. Obviamente demitido. Em boa hora. Porque o treinador seguinte iniciou, com grande mérito, uma autêntica revolução que daria frutos por bons anos.

Fernando Chalana

Dirigiu o Benfica por um jogo apenas, frente ao Braga, vitória por 3-0. Que importância teve no meio disto tudo? Muita. Montou um esquema com 3 defesas-centrais, retirando João Manuel Pinto e lançando Hélder, sendo que Miguel fez boa parte da ala direita, incluindo a posição de defesa direito. E colocou Mantorras a extremo direito. Estranho? Muito, mas resultou.

José Antonio Camacho

Um treinador que mudou a face perdedora e a mentalidade do Benfica dos últimos anos para algo muito melhor. Introduziu benfiquismo ao Benfica, muito provavelmente fruto do madridismo que bebeu durante muitos anos no "Benfica de Espanha". Camacho veio, viu e venceu. Com ele alterou-se tudo, posições de jogadores, mentalidades, espectáculo, foi uma lufada de ar fresco no Benfica. Pegou numa equipa desfeita e em pouco tempo monta o seu 4x2x3x1, imagem de marca: Moreira; Miguel, Argel, Hélder e Ricardo Rocha; Petit e Tiago; Geovanni, Zahovic e Simão; Nuno Gomes. Vence o Gil Vicente na estreia e num curto espaço de tempo a equipa joga um futebol atractivo e eficaz, com vitórias em Alavalade por 0-2, nos Barreiros (quebrando o maldito enguiço), em Setúbal por 2-6 depois de estar a perder por 2-0, no Restelo por 2-4, frente ao Vitória de Guimarães por 4-0 e contra o Braga de Jesualdo, em Braga, por 1-3. O Benfica alcança uns magníficos 75 pontos que em outros anos dariam para ser campeão.

Arranca para a época seguinte com poucas alterações na estrutura e no seu onze base. O campeonato foi renhido desde início e nivelado por cima. O Porto descolou da concorrência bem cedo e o Benfica tentou acompanhar como pôde, tal como o Sporting. O verdadeiro campeonato era o da 2ª circular, e esse estava ao rubro. Camacho devolveu o Benfica à Europa e às grandes noites europeias, algo que era impensável depois de algum tempo sem ir a estas provas. 2003/2004 fica marcado pela vitória frente ao Rosenborg numa eliminatória em que Nuno Gomes cometeu um erro de amador quase imperdoável, Moreira fez os jogos da vida dele e Karadas se deu a conhecer ao Benfica. Seguiu-se o Inter de Milão com um 0-0 na Luz (se aquele balázio do Petit entrasse...) e uma derrota por 4-3 em Milão, num jogo de grande carácter dos encarnados. Com a distracção europeia, o Benfica ficou com sete pontos de atraso para o Sporting quando faltavam apenas 8 jornadas para o final. Uma surpreendente derrota leonina por 4-0 em Vila do Conde anima o Benfica, mas voltaríamos a perder pontos na terra de Dom Fábio Coentrão (1-1), ficando a seis pontos do Sporting com apenas quatro jornadas por jogar. E eis que... o impensável acontece. O Sporting perde no Bessa e em Leiria consecutivamente, e o Benfica vence o Estrela e goleia o Braga de Jeusaldo na cidade dos arcebispos. Com 70 pontos à entrada para a 33ª jornada, o derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Só a vitória interessava pois um empate mantinha-nos atrás devido à derrota com o rival na Luz. Um campeonato com tanta luta, com tanto suor, com tanto Camacho não poderia ser perdido assim. Com uma gigantesca exibição de Moreira (nota 9 para A Bola, algo que muito raramente acontece), o Benfica segura o empate até aos 88 minutos, quando Geovanni, a 30 metros da baliza, estoira para o golo, para a vitória e para o segundo lugar, roubado ali, em Alvalade, debaixo das barbas leoninas. Mas, mais importante que isto, Camacho devolveu o Benfica aos títulos oito anos depois. Vitória na final da Taça de Portugal frente ao Porto de José Mourinho que se sagraria campeão europeu poucos dias depois. Era o regresso do Benfica à Benfica, pela mão de José Antonio Camacho.

Giovanni Trapattoni

O que traz um treinador com uma carreira recheadíssima de sucessos para um país como Portugal para treinar um clube que não ganha o campeonato há onze anos? Vem treinar o Benfica, porque o Benfica é... o Benfica. A explicação é simples e a justificação difícil, mas é assim que as coisas são. Trapattoni fez aquilo que milhões de benfiquistas sonhavam com um plantel muito, muito fraco. Campeão onze anos depois. Se há obreiro neste título, ele é Trapattoni. Conseguiu, com um plantel composto por 15 jogadores apenas (Moreira, Quim, Miguel, João Pereira, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Geovanni, Simão, Nuno Assis ou Zahovic, Nuno Gomes, Karadas e Mantorras), visto que os outros não contavam e constituíam apenas uma dor de cabeça, ser campeão. Expremeu a equipa ao máximo. No seu onze base, os jogadores estavam completamente estoirados no final da época. Foi uma tortura. E foi lindo. Perdeu a Supertaça para o Porto graças a uma birra de Ricardo Rocha que o obrigou a jogar com Argel (que levou um nó gigante de Quaresma, no golo da derrota), foi eliminado na qualificação da Champions pelo Anderlecht e ao fim de poucas semanas já se pedia a cabeça do italiano. Resistiu a iniciou o campeonato em bom estilo com bastantes vitórias e o primeiro lugar isolado, algo que não acontecia há anos, literalmente. Com alguns deslizes (Porto na Luz, grande exibição de Benquerença e Belenenses no Restelo, o dos 4-1), voltou-se a pedir a cabeça de Trapattoni. E ele resistiu, apesar de haver vontade dos altos quadros do Benfica em demiti-lo. Dobra a primeria volta com o mesmo número de pontos de Porto e Sporting e com mais um que Boavista e Braga, num ano muito renhido, fruto de um nivelamento por baixo do nosso futebol. O povo estava entusiasmado e vai à Luz para mostrar o apoio à equipa e partilhar a crença na possibilidade de ser campeão onze anos depois. Resultado? Benfica 0-2 Tanque Silva. Assobios, lenços brancos, quinto lugar e pede-se a cabeça do italiano. Mas ele resiste. Nas jornadas seguintes, o Benfica ocupa praticamente todas as posições do top-5 da tabela: foi quinto, quarto, segundo e terceiro, e eis que chega o dia da derrota anunciada. O Benfica desloca-se ao Dragão para perder uma vez mais contra o Porto. E, surpresa das surpresas, empata, algo que não acontecia há mais de uma década. Sinais de mudança? E à 25ª jornada, um quadro bonito: o Benfica vence o Gil por 2-0, com Mantorras a desloquear o jogo, o Sporting recebe e perde com o aflito Penafiel, num jogo com a marca de Hugo, e o Porto é goleado em casa pelo Nacional da Madeira. O Benfica estava novamente isolado no topo da tabela, com três pontos de vantagem sobre o segundo, o Porto. Na jornada seguinte o Porto perde novamente e o Benfica mostra estrelinha de campeão em Setúbal, ficando com seis pontos de avanço sobre o quarteto de segundos classificados num abrir e fechar de olhos. Surpresa das surpresas, seria este ano? Mas a tremideira começou: vitória por 4-3 na Luz com o Marítimo, com um golo de Mantorras no último minuto, derrota em Vila do Conde com arbitragem vergonhosa ("há que averiguar", disse Petit) e empate no último minuto em casa com a União de Leiria, graças a Mantorras. O Benfica segurava a liderança por um fio. Vence o Estoril com golos de Luisão e Mantorras, o Belenenses com golo de Simão e... perde em Penafiel graças ao sócio Pedro Proença. À entrada para a 33ª jornada, um cenário em tudo semelhante ao da 33ª jornada do campeonato anterior. O derby dos derbies, o Benfica x Sporting, com o Benfica obrigado a ganhar para ser campeão. O jogo é tenso e com poucas chances de golo para ambos os lados. Mas ao cair do pano, no minuto 83, o mesmo minuto da Mão de Vata, Luisão cabeceia com sucesso após livre de Petit para dar a liderança ao Benfica. O Sporting protesta sem razão, alegando mão, depois falta, depois outra coisa qualquer. Com o modo histérico ligado, são capazes de tudo. O Benfica só precisava de um empate na última jornada para se sagrar campeão. Contra tudo e contra todos, onze anos depois. E assim foi, o Benfica de serviços mínimos de Trap, a jogar sobre brasas, consegue empatar no Bessa e sagra-se campeão. Um clube que esteve para acabar, que esteve onze anos sem ganhar o campeonato e oito anos sem ganhar nada, por fim campeão, reerguido e no lugar que merecia. Uma semana de festejos fez com que a equipa não se apresentasse na melhor forma para a final da Taça que acabou por ir para Setúbal, impossibilitando a dobradinha que foge desde os tempos de Mortimore, mas o Benfica tinha alcançado feitos incríveis esta época. Trapattoni agradece aos jogadores, à estrutura e aos adeptos, diferentes de todos os outros e que fizeram a festa mais bonita de sempre, segundo o italiano. Mas era hora de partir, por vontade própria. Quis guardar uma imagem de perfeição junto dos adeptos e saiu. Fez bem. Será sempre recordado como o senhor que nos deu o título.

Ronald Koeman

Durante dias a fio se falou do sucessor de Trapattoni. Seria Koeman? Seria Zaccheroni? Seria Paul Le Guen? Veio o que eu menos queria, Ronald Koeman. E, para mim, foi uma autêntica desilusão. A participação na Champions foi de sonho, fez recordar o Benfica de outros tempos. Na fase de grupos e vindo do Pote 4, conseguiu a qualificação depois de algumas exibições soberbas. Perde em Manchester apenas no último minuto, perde na Luz com o Villareal fruto de um frango do inexperiente Rui Nereu, empata em Espanha com um golaço de Manuel Fernandes e empata também com o Lille num estádio repleto de benfiquistas em que alinhou com [pasmem-se!] Quim; Alcides, Luisão, Anderson, Ricardo Rocha; Petit, Manuel Fernandes, Nélson e Léo; Simão e Nuno Gomes. Vence em casa o Lille com golo de Miccoli no último minuto e consegue uma vitória de sonho na última jornada. Necessitado de ganhar para seguir em frente, como poderia o Benfica derrotar em casa o todo poderoso Manchester United, sem Simão, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Moreira e Miccoli? A Luz vestiu-se de gala e com as bancadas completamente cheias, 65 000 benfiquistas fizeram o Inferno da Luz. O United adiantou-se cedo no marcador, mas ainda antes da primeira parte o Benfica já tinha dado a volta: primeiro Geovanni, que mergulhou para um cabeceamento vitorioso após cruzamento de Nélson, depois o surpreendente Beto, com um tiro de fora da área a bater Van der Sar. Léo secou Ronaldo, meteu-o no bolso e por lá ficou o português. Substituído, teve uma atitude indesculpável para com os adeptos da Luz, revelando quão bem formado é. O Benfica venceu o Manchester colocando-se na fase seguinte da Liga dos Campeões. O sorteio ditou o Liverpool como adversário. Depois do Manchester, o campeão europeu! Como? Como era possível eliminar o mítico Liverpool? Na Luz foi Luisão quem deu a receita. Reeditou com Petit o famoso lance que deu a vitória no campeonato e após cruzamento do camisola "6", Luisão surpreende ao aparecer entre os defesas para cabecear nem hipóteses para Reina. A Luz, cheia, entrou em delírio. O Benfica vencia o campeão europeu por 1-0. Na segunda mão, na terra dos Beatles, Koeman teve a sorte dos campeões e o Benfica a felicidade de não ter sofrido cinco golos em meia hora. Aliás, não sofreu nenhum e ainda viu Léo ganhar lances de cabeça a Peter Crouch. Os Beatles, que namoraram Simão durante todo o defeso, aliás, o capitão encarnado chegou a estar no avião rumo a Liverpool, acabaram por ser "traídos" pelo "20" encarnado. Num momento de inspiração, após passe de Nuno Gomes que arrastou a marcação, Simão vê uma brecha e dispara em arco para um dos golos mais bonitos e marcantes da década. No segundo tempo foi Miccoli a confirmar, com um pontapé de moínho, a passagem aos quartos-de-final da Champions. Era o Benfica de volta aos grandes voos do passado. Sucumbiu apenas frente ao poderoso Barcelona de Ronaldinho e companhia, com a mãozinha de Thiago Motta que Steve Bennett deixou passar. "Eu vi, tu viste, ele não viu", escreveu A Bola no dia seguinte a esse empate caseiro, aludindo ao tal lance da grande penalidade que ficou por marcar. Quem sabe o que poderia ter acontecido se o Benfica tivesse partido em vantagem para essa segunda mão.

Posto isto, como é possível afirmar que Koeman foi uma desilusão? Porque utilizou o Benfica para se promover em vez de promover o Benfica. Koeman colocou-se em bicos de pés, menosprezou o futebol português e não foi campeão com um grande plantel. A estrutura base manteve-se e recebeu quatro grandes presentes: o defesa central Anderson, que justificou a escolha com grandes exibições, o médio grego Karagounis, incrivelmente preterido por Beto, o médio russo Karyaka, tão mal aproveitado, e o ponta-de-lança italiano Miccoli, que ainda hoje deixa saudades. Com este plantel e com esta estrutura, Koeman não foi campeão, tendo ficado a mais de dez pontos do Porto e com o segundo lugar praticamente perdido desde Março. É certo que para a História ficam as vitórias no Dragão, a primeira desde César Brito em 1991, com bis de Nuno Gomes e na Luz sobre o Porto, com golo de Laurent Robert. Mas o desprezo que apresentou para com o nosso campeonato e a falta de preparação dos jogos mais pequenos ditaram dois empates com a Naval, duas derrotas com o Sporting, uma derrota caseira com o Gil Vicente e mais um conjunto de péssimo resultados, com o Benfica a perder pontos com 12 dos 17 adversários em prova. Um treinador que usa o Benfica para se promover, como fez com o Valência e com o AZ Alkmaar, não merece as loas que muitos lhe tecem. Koeman não me deixa saudades. Os resultados europeus sim, ele não.

Fernando Santos

Amado por uns, odiado por outros, incompetente em Portugal, Deus na Grécia, é assim a vida de um treinador. Fernando Santos chegou ao Benfica como sucessor de Koeman, que fora literalmente vendido ao PSV por meio milhão de euros, salvo erro. Pessoalmente, senti-me aliviado com a vinda do Engenheiro por duas razões: primeiro, significava que Koeman saía, ele que havia prometido que com ele o Benfica passaria a jogar em 3x5x2 (medo!); segundo, porque a SIC falou todo o santo dia que Carlos Queiroz seria o treinador do Benfica e que estava a assinar contrato com Vieira dentro do estádio. Menos mal, veio o Fernando Santos, de quem não era fã, longe disso, mas que tem as suas qualidades e os seus defeitos. Infelizmente, os defeitos custaram-nos o campeonato. A sua passagem pelo Benfica resume-se a uma época com altos e baixos: na Europa o Benfica foi eliminado da Champions num grupo que estava ao nosso alcance, e uma vez relegados para a Taça UEFA conseguímos uma eliminatória muito bem conseguida frente ao PSG (com aquele golaço de Petit aqui referido), mas caímos aos pés do Espanyol com dois jogos terríveis, primeiro em Barcelona, onde sofremos três golos que revelaram falta de concentração e vontade, depois na Luz foi o festival de golos falhados, com Nuno Gomes, Mantorras, Simão, Miccoli e Rui Costa com oportunidades para matar a eliminatória, a falharem. Na Liga, o Benfica começou o campeonato muito mal com derrotas no Bessa (por 3-0), no Dragão (3-2), em Braga (3-1) e um empate em Paços de Ferreira (1-1), ficando a 9 pontos do Porto à 10ª jornada, com um jogo em atraso fruto do Caso Mateus. A partir daqui, o Benfica encetou uma recuperação memorável, com 10 vitórias e 2 empates em 12 jogos, incluindo a banhada de bola em Alvalade (0-2), chegando ao clássico da 23ª jornada, frente ao Porto, a um ponto do líder azul-e-branco. O Benfica deu meia parte de avanço ao adversário que conseguiu o empate na casa do rival, não obstante a grande segunda parte encarnada. E o Benfica não voltou a ver os dragões, fruto de uma série terrível de quatro empates em cinco jogos que além de tornarem o título numa miragem, impossibilitaram o segundo lugar. Onde é que Fernando Santos tem culpa? Essencialmente falta de coragem. Colocou Luisão a jogar quando o camisola "4" estava preso por arames e perdeu-o, lesionado, lançando em campo David Luiz, que não tinha a confiança de Santos. David Luiz acabou por surpreender pela positiva e foi sofrível vê-lo tomar conta da defesa com o central Anderson, que fez birra e não queria jogar, comprometendo a equipa. Houvesse coragem desde início, e teríamos Luisão para estes jogos finais, podendo ser campeão. Não foi assim. Vieira é, no entanto, o outro grande responsável pela não-conquista do campeonato, ao vender Ricardo Rocha e Alcides em Janeiro, deixando o Benfica quase sem centrais. Genial. A época termina com o Benfica em terceiro e com Santos sobre enorme pressão. Vieira mantém o seu treinador contra a vontade dos sócios e quem sabe, se contra a sua vontade ou não, nunca percebemos.

Fernando Santos inicia a nova época como treinador do Benfica, sendo o primeiro treinador do Benfica desde Artur Jorge (94-95) que consegue realizar uma época completa e iniciar a seguinte. Desde cedo se criam grandes expectativas sobre a equipa, esperanças essas fundamentadas, com um plantel fortíssimo especialmente no meio-campo, com Simão, Rui Costa, Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Karagounis, mas também no ataque, com Cardozo, Bergessio, Nuno Gomes e a possibilidade Miccoli. Vieira diz que é a equipa mais forte dos últimos dez anos, sobe a fasquia. Santos diz que perder Simão seria uma catástrofe, Vieira promete que o capitão fica. Três dias depois, Simão sai e Vieira não tem coragem para dizê-lo a Santos. Karagounis é dado a custo zero ao Panathinaikos e Manuel Fernandes vendido para Inglaterra. Em poucos dias, Vieira destrói a equipa, destrói a base de Camacho, como Geovanni aludiu e bem nessa altura. Fernando Santos empata com o Leixões na primeira jornada e já sem Veiga no Benfica, Vieira escolhe o caminho mais fácil e demite o treinador, decisão apoiada pela grande maioria dos sócios (eu incluído). A decisão revelar-se-ia parcialmente correcta, o modo foi asqueroso, foi sacudir a água do capote de uma forma baixa. E assim terminou mais uma relação de amizade. Fernando Santos não voltaria a treinar em Portugal.

José Antonio Camacho

Destruída a base de Camacho, Vieira chama... Camacho, amigo pessoal, com quem havia passado férias, para liderar o futebol benfiquista. Sem Veiga à vista, era a altura ideal para trazer o homem-forte do banco e das decisões do futebol, para agrado dos sócios (eu incluído) que sempre viram no espanhol o Dom Sebastião que precisávamos. Podia ser fraco em termos tácticos, mas a garra e paixão que tinha, a capacidade ímpar em motivar atletas, era preciosíssima. O plantel era fraco, os melhores anos dos melhores jogadores já tinham passado e os melhores anos dos outros jogadores ainda não tinham chegado. Um misto de experiência e juventude que estava destinado ao fracasso desde início. Um jogador sul-americano precisa, regra geral, de um ano de adaptação quando chega à Europa. O Benfica trouxe, nesse ano, Cardozo, Di Maria, Maxi Pereira, Edcarlos, Andrés Diaz, Bergessio e o norte-americano Freddy Adu. Com tanta gente nova que nunca tinha jogado na Europa, não era de esperar um milagre. No entanto, ao contrário do que se faz crer, a segunda passagem de Camacho pelo Benfica não foi má. Claro que não foi positiva, longe disso, mas não foi tão má quanto a pintam. Nos 21 jogos que fez para o campeonato, Camacho averbou apenas duas derrotas. Muitos empates, mas deixa o Benfica à 22ª jornada e nos oitavos-de-final da Taça UEFA. Por que razão sai? Cansado, farto de não conseguir motivar os jogadores. Se Camacho não consegue motivar jogadores, quem consegue? Ninguém. Zangou-se e teve a hombridade de sair. Camacho sentiu-se sozinho, desamparado, sem o apoio dos jogadores nem da Direcção. Mais uma amizade de Vieira que ruiu.

Fernando Chalana

Camacho deixou o Benfica no segundo lugar da Liga depois de ter empatado com a União de Leiria (último classificado) na Luz e já depois de ter empatado em Alvalade. Tinha dois pontos de vantagem sobre o Guimarães e seis sobre o Sporting. Posto este cenário, o que fazer? Contratar um treinador já a pensar na época seguinte ou colocar um interino? A segunda opção foi a escolhida e Chalana assumiu os comandos do Benfica. Em má hora, dizemos hoje. Chalana averba 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas com o Benfica a cair para o quarto lugar final. Como se isto não bastasse, é humilhado em Alvalade por 5-3 na meia-final da Taça de Portugal depois de estar a ganhar por 0-2 ao intervalo. Chalana sairia da equipa técnica na época seguinte.

Quique Flores

Enrique Sánchez Flores foi o escolhido por Rui Costa, quando o ex-camisola "10" assumiu a pasta de director desportivo. O espanhol veio e mostrou-se um treinador bastante diferente de todos os antecessores, nomeadamente no que ao discurso diz respeito. Mostrou sempre uma atitude construtiva, mas os resultados ficaram muito longe das expectativas. Nas taças internas, foi eliminado na de Portugal pelo surpreendente Leixões, mas venceu a da Liga numa final memorável por todas as razões contra o Sporting. Mas as provas europeias foram a grande desgraça: apesar de ter conseguido o apuramento frente ao complicado Napoli, numa eliminatória marcada por muita violência na primeira mão e pelo talento de Reyes e Nuno Gomes na segunda, com os golos da vitória, a fase de grupos revelou-se uma tragédia. Um empate (com o Hertha) e três derrotas (com Galatasaray, Olympiakos de goleada e o desconhecido Metalist Kharkiv). No campeonato tenho uma opinião diferente da da maioria dos benfiquistas: acho que o Benfica, apesar do futebol de fraca qualidade que apresentava, só não foi campeão porque não deixaram, porque cortaram-nos as pernas quando nos podíamos isolar na liderança. Com o Nacional da Madeira, na Luz, Pedro Henriques anula mal um golo a Cardozo aos 90 minutos que deixaria o Benfica com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e depois no Dragão, com o Porto, há o célebre penalty fantasma de Yebda sobre Lisandro. Duas oportunidades de ouro desperdiçadas não por culpa própria, mas por culpa da arbitragem. O campeonato iniciou-se praticamente com a recepção ao Porto de... Cristián Rodriguez, que tinha saído do Benfica para vestir de azul-e-branco. E num jogo de nervos, em que Rodriguez foi humilhado (soube bem por acaso) o Benfica empatou com os dragões num jogo que fica na memória por metade da nossa equipa ter ficado completamente de rastos. Seguiu-se um excelente ciclo de bons resultados que colocou o Benfica na liderança, mas o empate imposto pelo Nacional na Luz (que referimos anteriormente) e a derrota humilhante contra o Trofense fizeram com que o Benfica descolásse da liderança. O empate no Dragão deitou por terras as esperanças, e de seguida a derrota em Alvalade desmobilizou os benfiquistas, fartos de promessas e más exibições. Derrotas na Luz com o Guimarães e Académica fizeram aumentar as nuvens negras, agora, mais que o título, o segundo lugar parecia longe, quatro pontos pareciam uma montanha uma vez que o Benfica não jogava nada. A Bola fez a sua campanha asquerosa para tentar despedir Quique, nem nas vitórias o largavam, lembro-me das parangongas "Exibição Miserável" depois da vitória contra o Estrela na Reboleira, o treinador espanhol estava condenado ao despedimento. Com a vitória na final da Taça da Liga pelo meio, o Sporting fez o choradinho que faz sempre e o Benfica ficou, naturalmente mal visto. Resultado? O Benfica vence seis dos últimos dez jogos, o Sporting venceu... nove. Esclarecedor. Quem não chora não mama. Os últimos dias de Quique pareceram um enterro. "O último take" e outras capas foram feitas. Com o lugar em risco, Quique sente-se ameaçado pelo treinador do Braga, Jorge Jesus, que é dado como cada vez mais certo na Luz. E aí, perde as estribeiras no Braga x Benfica da 29ª jornada, numa demonstração de outro Quique. Não lhe valeu de nada, acabou despedido pela estrutura, num processo que de pacífico e consensual teve muito pouco. Mais uma vez, ninguém ficou bem na fotografia. Jorge Jesus seria a personagem seguinte.

Jorge Jesus

Entrou na Luz com "a certeza de que seria campeão nesta casa", palavras do mesmo. E foi. Chegou, viu e venceu, como nos filmes. Pôs o Benfica a jogar mais do que o dobro e venceu com classe, a jogar um futebol de qualidade que não se viu desde havia 20 anos, com goleadas, com emoção, com a maré vermelha a invadir estádios. Foi um ano lindo, proporcionado por Jesus, o maior responsável pelo sucesso desportivo. A ele se aliaram e conjugaram todos os factores: contratações de grande qualidade como Javi Garcia, Ramires e Saviola, a confirmação de Di Maria e o aparecimento de Fábio Coentrão, vindo do "mundo dos mortos" do futebol. Cardozo numa grande forma, Aimar a estar próximo do Aimar dos tempos de Valência, David Luiz a fazer, finalmente, uma época completa a defesa central, Luisão num dos melhores momentos da carreira, Maxi em bom plano e até Quim salvou o Benfica por algumas vezes, como em Alvalade ou na Choupana. A nível interno o Benfica limpou a Taça da Liga e o campeonato. Na Taça da Liga ficam na memória as goleadas nas meias ao Sporting em Alvalade (1-4) e na final contra o Porto (3-0), no Estádio do Algarve. Vitória justíssima nesta prova. No campeonato, começou a tremer com um empate caseiro frente ao Marítimo e uma vitória no último minuto em Guimarães, mas seguiu-se o rolo compressor com os famosos oito ao Vitória sadino. Depois, goleadas atrás de goleadas, ao Belenenses, ao Leixões, ao Nacional, ao Marítimo, Académica, Olhanense, todos provaram do veneno do Benfica. O Braga não nos largou e foi um candidato duro de roer, mas há jogos que, pela força demonstrada, pelo querer e pela qualidade marcam esta época: em Olhão, num jogo de nervos, foi Nuno Gomes quem falou mais alto e deu o empate que nos deixava à frente do Porto antes do clássico; depois, frente aos dragões, Saviola mostrou toda a sua classe ao derrotar o campeão com um golo oportuno numa autêntica batalha num ambiente infernal e de dilúvio; frente à Naval, a equipa tem dois jogos memoráveis, primeiro na Luz com o golo da vitória no último minuto, autoria de Javi, e depois na Figueira, em que recupera de 2-0 para 2-4, muito graças a Weldon, o 1-0 ao Braga, com golo de Luisão, os 2-0 ao Sporting, de Cardozo e Aimar, enfim, a lista é gigantesca e como se pode ver, todos os jogadores tiveram acção directa importante no título. Mas a revolução de mentalidade, de atitude, de dinâmica de ganhar foi introduzida por Jesus, e por isso ele é o obreiro maior do título. O título só foi conseguido na última jornada, mas em beleza, com a vitória por 2-1 sobre o Rio Ave, com dois golos de Cardozo que conquistou A Bola de Prata, sucedendo a Rui Águas, o último benfiquista a ganhar o troféu. A nível europeu, o Benfica venceu com uma facilidade incrível a fase de grupos da Liga Europa e derrotou também com facilidade o Hertha nos 16-avos. Depois, na eliminatória seguinte, um dos jogos da década, com os encarnados a derrotarem o Marseille no Vélodrome por 1-2, numa das melhores exibições europeias da última vintena de anos. Cairíamos aos pés do Liverpool que soube dar a volta à eliminatória, não dando hipóteses a um Benfica colectivamente mais forte mas sem capacidade defensiva para superar os reds. Chegava ao fim uma época de ouro, a recordar os 60's gloriosos da nossa História.

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Mozer na Liga Zon Sagres

Mozer, antigo central do Sport Lisboa e Benfica do final da década de 80 e início da década de 90, é o novo treinador da Naval. O ex-adjunto de José Mourinho aquando da sua passagem pelo Benfica, consegue assim o seu primeiro emprego num clube português enquanto treinador principal, ele que já tinha conseguido bons resultados, nomeadamente no Interclube de Luanda, que se sagrou campeão angolano pela primeira vez na sua história.

Enquanto benfiquista, desejo as maiores felicidades a Carlos Mozer e que salve a Naval da descida. Seria positivo ver mais ex-jogadores encarnados como treinadores de clubes da Primeira Divisão.

Di Maria

É com grande satisfação que vejo a notícia que diz que o Benfica recebeu recentemente mais uma avultada quantia de dinheiro relativa à transferência de Di Maria.

O problema é saber se a mesma é verdadeira ou não. Leiam a notícia. Que provas é que dá? Ninguém teve acesso às cláusulas, o comunicado à CMVM não é preciso e exacto no que às condições de vencimento das cláusulas diz respeito, além de que a própria notícia tem erros relativos aos golos de Di Maria e aos valores que o Benfica recebeu, que ainda não são, seguramente, de 33 milhões, dado que o passe não pertencia na totalidade ao Benfica.

Gostava muito que esta notícia fosse verdade, no entanto tenho fortes motivos para desconfiar da mesma.

Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Uma década de... grandes figuras das modalidades

Que critérios podem servir para eleger um conjunto de figuras, neste caso, as 10 melhores da década no que às modalidades do Benfica diz respeito? Títulos? Tempo no clube? Jogar à Benfica? Qualidade técnica e táctica? Liderança? O exercício que se segue é subjectivo e não é fácil. Eis aqueles que são, na minha opinião, os dez melhores de uma década de modalidades colectivas de pavilhão no Benfica:

10 - Carlos Carneiro

Não houve jogador que se destacasse tanto no Andebol do Benfica como Carlos Carneiro. O camisola "18" é o jogador que todos procuram em campo, os colegas querem que ele resolva os jogos, os adversários querem impedi-lo de rematar à baliza. Na posição de central, desempenhou um papel importantíssimo no título conquistado em 2008 sobre o comando de Donner e vem assumindo importância crescente no andebol encarnado. Este vimarenense formado no ABC já adquiriu um lugar de ouro no quadro de honra dos melhores atletas das modalidades do Benfica.

9 - Sérgio Ramos

Regressou ao clube que o lançou para a ribalta do basquetebol em boa hora para liderar, dentro de campo, a equipa rumo aos títulos que já escapavam há algum tempo. O camisola "6" encarnado deixou o Benfica no final da década passada e regressa quase dez anos depois de uma carreira recheada de sucessos e presenças nos melhores campeonatos europeus (Itália e Espanha). Dentro de campo é vê-lo lançar de dois, fazer triplos, conseguir ressaltos e roubos de bola. Para quem aprecia basquetebol, é um jogador que vale mesmo a pena ver jogar. E quando não pode dar o seu contributo à equipa é impressionante a forma como sofre pelo Benfica. Liderou a equipa nos dois títulos nacionais conquistados esta década.

8 - Alípio Matos

Existe, entre os benfiquistas, uma enorme ingratidão para com Alípio Matos. O seu estilo chorão e de ataque constante às arbitragens acabou por criar anticorpos nos benfiquistas. A verdade é que Alípio ganha e faz milagres por onde passa. Foi ele um dos pais da modalidade mais bem sucedida nesta década, o Futsal. Impulsionou o projecto e deu-lhe forma levando o Benfica ao seu primeiro título nacional e à primeira final europeia. Manteve-se depois no clube com outras funções, de director do Futsal, e sagrou-se novamente campeão mas já com Adil Amarante ao leme. Para mim, vou recordá-lo como o "pai" do Futsal encarnado, ele que ajudou de diversas maneiras a que o Benfica tivesse nesta modalidade o sucesso que tem hoje.

7 - Aleksander Donner

Antes dele, o Benfica pouco ou nada ganhava. Depois dele, pouco ou nada consegue ganhar. Pena que só tenha passado dois anos da sua brilhante carreira no Benfica, mas esse tempo serviu para quebrar o jejum de 18 anos sem vencer o campeonato nacional da modalidade. Fruto de uma disciplina férrea, autoritária e de pulso firme e forte, Donner manteve-se fiel aos seus princípios e conduziu a equipa ao triunfo derrotando adversários mais experientes e mais fortes. O seu mau feitio intolerável acabou por ditar a sua dispensa. Ficámos com um treinador mais simpático, mas que não consegue valer metade do que Donner valia. Para ganhar é preciso sacrifício e abdicar de algumas coisas. Donner sabe-o. Os dirigentes que o demitiram, não.

6 - Arnaldo Pereira

O Expresso de Bragança é um dos jogadores que marcam a década encarnada da sua modalidade mais bem sucedida, o Futsal. Veio em 2002/2003 do campeão Freixieiro, na mesma época em que André Lima chega ao clube e montam desde logo uma dupla de sucesso que em ano de estreia de águia ao peito daria o primeiro campeonato da modalidade ao Benfica. Conhecido por aparecer nos momentos mais decisivos, marcou vários golos bastante importantes que nos valeram títulos, como em 2008 frente ao Belenenses ou no dia 25 de Abril de 2010, data da vitória na UEFA Futsal Cup.

5 - Panchito Velasquez

Um verdadeiro artista, o Maradona do Hóquei em Patins. Nascido na terra de Diego, Panchito Velasquez foi o menino-maravilha do hóquei benfiquista no início do século. Era capaz de tudo com o stick na mão. Golos impossíveis marcaram a sua passagem pelo Glorioso, como aquele em que, depois de fintar meia equipa do Porto, muda o stick de mão e deixa Edu Bosch pregado ao solo. Fez parte de uma época dourada no nosso hóquei onde pontificavam figuras imortais como Luís Ferreira, Vítor Fortunato, Paulo Almeida, José Carlos ou Filipe Gaidão. Pena que só tenha jogado por duas épocas completas no Benfica e não ter conseguido ganhar o campeonato nacional, mas os momentos de excelente hóquei eram a sua imagem de marca. Recordaremos para sempre os 7-4 e os 12-4 ao Porto, o regresso dos relatos na rádio, as transmissões na RTP1. Tudo por causa do hóquei de excelência praticado por este senhor jogador.

4 - Henrique Vieira

O actual treinador de Basquetebol é mais um imortal da História das Modalidades do Benfica. Enquanto jogador pertenceu àquele fantástico grupo liderado por Carlos Lisboa que venceu campeonatos atrás de campeonatos. Enquanto treinador devolveu o Benfica aos títulos e à Europa do Basquetebol. Foi campeão 14 anos depois do último título alcançado (sem uma única derrota na fase regular) e revalidou o título no ano seguinte de forma categórica. Como se não bastasse, devolveu o Benfica à alta roda europeia, colocando o nosso clube nos 16 melhores da EuroChallange, algo completamente impensável há uns anos. Depois de épocas sem fim preparadas em cima do joelho, Henrique Vieira trouxe sede de vencer e de devolver o Basquetebol encarnado aos seus bons velhos tempos.

3 - Pedro Costa

Não é um jogador que dê nas vistas pelas fintas, pelos golos, mas merece um enorme destaque por ser um "jogador à Benfica" semelhante àqueles que vimos e ouvimos falar no passado do futebol. De uma entrega ao jogo, ao clube e à profissão inexcedíveis, Pedro Costa tornou-se por mérito próprio capitão e líder de uma grande equipa de futsal. O baixinho camisola "4" é e foi, durante vários anos, o dínamo encarnado que jogava, jogava, jogava, jogava sem parar, sem se cansar. É um daqueles jogadores que pode passar despercebido aos olhos dos adeptos durante os jogos mas que é a alma da equipa. 5 campeonatos em 7 anos e uma UEFA Futsal Cup são motivos para o admirar.

2 - Ricardinho

O maior mágico da história do Futsal Português. É esta a melhor descrição que se pode fazer de Ricardinho. Se no futebol houve Maradona, no futsal há Ricardinho, o homem dos golos impossíveis, dos passes impossíveis, das jogadas impossíveis. Um miúdo franzino a quem foram fechadas muitas portas ao longo da vida fruto da baixa estatura, subiu na carreira fazendo-se mais do que um artista de futebol de rua, um senhor jogador. Nos sete anos que equipou de águia ao peito venceu quatro campeonatos e liderou dentro de campo a sua equipa rumo ao maior título europeu de clubes que se pode alcançar no Futsal. Hoje espalha magia no Japão, onde continua a mostrar que o sucesso e a qualidade se conseguem com trabalho e dedicação. Um profissional de mão cheia que soube colocar todo o seu talento ao dispor da equipa.

1 - André Lima

É indiscutivelmente o número 1. Chegou ao Futsal Benfica numa fase embrionária do projecto e foi ele quem ajudou, dentro de campo, mais que qualquer colega, a tornar o sonho realidade. Conduziu a equipa, dentro de campo, rumo ao primeiro campeonato nacional de Futsal da História do Benfica e nos seis anos em que envergou a camisola "5" e a braçadeira de capitão venceu por quatro vezes este troféu. Lembro-me de um mítico jogo em 2005, na final do primeiro campeonato ganho da nossa História, em que André Lima, já no prolongamento, e após momentos de grande tensão no pavilhão da Luz, desempata o jogo e grita "GOOOOLO!" a plenos pulmões juntos dos ouvidos do capitão sportinguista Zezinho. Jogo esse que o Benfica venceu por 7-5 com 5 golos de André Lima. A juntar a todos estes feitos, enquanto treinador encarnado, em apenas duas épocas, conquistou tudo o que havia para ganhar: campeonato, Taça de Portugal, Supertaça e UEFA Futsal Cup, a maior prova europeia de clubes que lhe havia fugido enquanto jogador no ano de 2004 ao perder na final. Um jogador à Benfica, ganhou tudo o que havia para ganhar. E isto faz dele o número 1.

P.S. O meu agradecimento especial ao Faneca que ajudou a elaborar este post.

Fundação Benfica já está online


A Fundação Benfica, projecto que orgulha certamente todos os benfiquistas, já tem o seu próprio site na Internet. Ter um projecto destes, sólido, de pé e a desempenhar a sua função, é extraordinário.

Passivo

Não sendo barra a economia, longe disso, aliás, de economia percebo pouco mais que zero, os números do passivo benfiquista assustam. Como assustam os do Sporting e os do Porto, mas fico mais preocupado com os do Benfica por serem os do meu clube e serem os maiores. Por isso, deixo aqui um conjunto de questões que gostava que fossem respondidas por bloggers ou comentadores que sabem mais sobre este assunto ou que mesmo não percebendo muito disto, foi-lhes explicado.

1 - Por que razão é o passivo do Benfica o maior dos 3 grandes?

2 - Por que motivo aumentou tanto desde 2008?

3 - É o actual passivo maior do que em 2000? Se sim, por que razão não estamos mais perto da falência? E por que é que Vieira diz que as contas estão melhores?

4 - Como planeia o Benfica pagar as dívidas que tem?

5 - Por que se fundiram a Benfica SAD e a Benfica Estádio?

A quem responder, desde já o meu obrigado.

Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Uma década de... grandes flops

Nesta década também houve grandes flops, alguns deles pelo que prometeram e não jogaram, outros pelo que simplesmente não jogaram e outros ainda pelo que custaram. Somados todos os atributos, eis o top-10 da marretice e aselhice no Benfica desta década:

10 - Edcarlos, o homem que acompanhava a bola com os olhos

Edcarlos chegou ao Benfica depois de ter sido considerado como o melhor em campo na final da Taça Intercontinental que opôs o São Paulo ao Liverpool. Defesa-central, brasileiro, acabou por se revelar o melhor amigo dos avançados contrários. Acompanhava os lances com os olhos, um número sempre arriscado e que nos custou alguns golos (Leiria, por exemplo). E jamais me esquecerei do dia em que resolveu acompanhar Ytalo por uns 50 metros, lado a lado, sem fazer nada. Um craque. Hoje espalha magia no Cruzeiro.

9 - Zach Thornton, nunca se percebeu para que veio

Não se sabe quem o trouxe, ao que veio, para que veio, como veio nem como se foi embora. Sei que esteve cá, mas nunca calçou as luvas neste magnífico período em que conheceu a Europa. Sobre ele sabemos apenas que era grande, mas não era grande coisa. Nem ao pobre Bossio conseguiu tirar o lugar no banco de suplentes.

8 - Marc Zoro, a debulhadora humana

E eis que chega Marc Zoro, a debulhadora humana trazida por José Veiga a custo zero. Brilhante aquisição. Custo zero sai sempre barato, não é? Bom, excepto quando se ganha quase 100.000 € ao fim do mês. Pudera, ninguém lhe pega hoje e estamos a contar os dias para que o seu contrato acabe. Tão depressa é emprestado ao Setúbal como se fala no interesse do Marselha, PSG, Juventus ou Bayern. Só gostava de conhecer o seu agente, podia ser que até eu fizesse carreira no mundo do futebol.

7 - Emanuele Pesaresi, faltavam adjectivos para o classificar

Este é um daqueles marretas inesquecíveis. Dois tijolos nos pés e uma dificuldade grave de locomoção que faziam dó. Mas este senhor que até chegou a ser treinado em Itália por Eriksson conseguiu um feito especial no nosso clube que nenhum outro atleta conseguiu: foi expulso na estreia e na despedida. E não estou a falar do mesmo jogo, infelizmente. Com tanto talento, hoje anda pelas divisões italianas inferiores.

6 - Paulo Almeida, Mr. Platini mas com dois pés esquerdos

Chegou com pompa e circunstância para ser o médio-defensivo chave da equipa de Trapattoni rumo ao título de 2005. Contratado ainda sobre a alçada de Camacho, Mr. Platini era o capitão do Santos e constituía a esperança benfiquista em ter um meio-campo mais sólido. Mas estamos a falar de Paulo Almeida. E quando se fala de Paulo Almeida fala-se em lentidão de corrida, de processos, de tudo. Um jogador das ligas amadoras de domingo. Depois de uma época nesse mítico clube brasileiro, o União Rondonópolis, hoje está a "jogar" no Irão.

5 - Everson, quando a comissão é boa...

Outro. Mais um jogador que se sagrou campeão sem saber ler, escrever ou jogar futebol. Tinha um percurso discreto no futebol profissional mas vinha rotulado de craque com um pé esquerdo fortíssimo, um soberbo marcador de livres. Mas nunca o vi jogar à bola ou coisa parecida. Depois de sair do Benfica foi sempre a descer, passou pela Suíça, Tunísia, e divisões inferiores da Alemanha e França.

4 - Ivan Dudic, quase conseguiu ser campeão

Provavelmente todos nos lembramos daquela terrível época de 2000/2001 em que levámos uma ensaboadela de Dudic até ficarmos tontos. Mas o facto é que este sérvio esteve por cá até... 2005! Sim, a treinar com a equipa B, mas a chupar milhares de euros todos os meses. Trazia bom currículo, mas esse não joga.

3 - Alejandro Escalona, o pior defesa-esquerdo da história do Benfica

Defesa-esquerdo chileno, o pior da história encarnada, Escalona fez aquilo que os chilenos tão bem sabem fazer: abrir buracos. Sempre que jogávamos com ele, a faixa esquerda tinha via verde. Será sempre recordado pela brilhante manchete do Record que dizia que tinha um pé esquerdo como o de Roberto Carlos e também pelo 6º lugar alcançado. A juntar ao ramalhete, conseguiu ter problemas com o passaporte, numa contratação típica de Vale e Azevedo.

2 - Carlos Bossio, o nosso maior pesadelo

Quando me falam em Bossio, a primeiro coisa ue faço é dar graças por ter jogado tão poucos jogos. Chegou em 1999 para ser titular da baliza encarnada, mas as suas qualidades ficavam à vista até nos treinos. Na estreia, substituiu Preud'homme no seu jogo de despedida e... pumba, um frango monumental. Sem surpresas, Enke, jovem alemão também ele contratado nesse ano para ser o suplente de Bossio, agarra a titularidade. E depois foi vê-lo penar no banco de suplentes e fazer um ou outro jogo quando o Benfica já tinha assegurado o segundo ou terceiro lugar. Só não ganha o prémio de maior flop porque até era bastante eficiente a chamar os colegas que estavam no aquecimento para as substituições. Provavelmente a única qualidade deste moço.

1 - Javier Balboa, o homem que já jogou no Real e no Benfica

Quando daqui a uns anos perguntarem a este atleta o que fez na sua carreira, ele responderá "joguei no Real Madrid e no Benfica". E pouco mais. Quique pediu e Vieira deu 4 milhões de euros por esta nulidade futebolística. Se era bom por ser rápido mais valia estar na secção de atletismo, porque na de futebol não tem utilidade nenhuma. O próprio Quique raramente apostou nele e quando o fez chegou a substituí-lo ainda antes do intervalo. Zero, zero, zero. Não vale nada. Pagava para que saísse do clube.

P.S. O meu agradecimento especial ao Shoky, que ajudou a elaborar este post.

Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Uma década de... grandes golos

Termina daqui a uns dias mais uma década. Como não há post em que não haja confusão já estou preparado para argumentar sobre a data do fim desta década, se foi a 31 de Dezembro de 2009 ou se será a 31 de Dezembro de 2010. Venham de lá essas teorias.

Mas este será o primeiro de um conjunto de posts que aqui aparecerão até ao dia 31 de Dezembro sobre o resumo de mais uma década de Benfica. Em forma de top-10, o post de hoje é sobre os 10 melhores golos desta década. E eles são...

10 - A força da técnica e a técnica da força, por Karadas - 24 de Outubro de 2004. O recém chegado Azar Karadas era ainda uma incógnita para muitos benfiquistas. A linha que separava o tosco do génio ainda não estava bem traçada, mas este golo deixou os mais cépticos rendidos ao norueguês. Mal saberíamos nós que afinal o nórdico era um semi-barrete.



9 - Apontar, disparar, fogo, de Mantorras - Na viragem da década anterior, o Benfica tinha contratado uma pérola angolana ao Alverca de seu nome Pedro Mantorras. Num jogo em casa frente ao Vitória de Setúbal, Mantorras apontou os três golos da suada vitória encarnada por 3-2 frente aos sadinos, mas um deles permaneceu na memória. O terceiro golo é num livre frontal a cerca de 30 metros da baliza. Mantorras frente à barreira e Marco Tábuas e... pum, um disparo gigantesco com a bola (ainda daquelas pesadas, pré-Fevernova) a sair disparada a uma velocidade estonteante. A bola entra entre a barra e a mão do guarda-redes, um golo memorável.

8 - Nem dez, vinte ou trinta, foram os quarenta metros de Laurent Robert - "Robert baaaaaaaaaaaaaate, gooooooooloooooooo!" Parece que ainda estou a ouvir o relato da Antena1 desse jogo. Livre frontal a mais de 40 metros da baliza de Vítor Baía. Robert enche-se de fé e remata a bola a uma velocidade incrível, com Baía a ficar mal na fotografia apesar dos desvios que esta sofreu no seu trajecto. Era a primeira vitória do Benfica sobre o Porto na Luz em jogos para o campeonato em alguns anos.



7 - O belissimo cappello de Miccoli - Num jogo como tantos outros, num estádio semi-vazio como tantos outros, há sempre um jogador que valia o preço que se paga por um bilhete. E Miccoli era esse jogador, proporcionava momentos de génio. Como este belíssimo chapéu em Leiria. Perfeito, sem espinhas.



6 - Di Letra de Di Maria - Três épocas de Luz, mas só numa delas conseguiu provar toda a sua categoria. Já o disse noutras ocasiões, Di Maria foi o jogador mais importante no 32º campeonato encarnado. Era o abre latas quando as coisas não sucediam como queríamos. E este foi mais um jogo em que exemplificou isso mesmo de que falo. Foi também na Liga Europa que Di Maria brilhou alto ao marcar este golaço. Classe, muita classe que hoje passeia por Madrid.



5 - Simplesmente Rui Costa - Rui Costa é sinónimo de arte. Foi provavelmente o último grande artista da velha guarda, um número dez com características únicas. O seu jogo era classe pura. E este golo é um excelente exemplo dos vários momentos de magia que nos deu ao longo de muitos anos de bom futebol. O golo do jogador que não sabia jogar mal.



4 - Pontapé de moinho rumo aos quartos, por Miccoli - A vitória e a passagem aos quartos estavam garantidos, mas Miccoli, com a classe que o caracterizava, decidiu abrilhantar as coisas ainda um pouco mais. Após passe (que até era um remate) de Beto, o italiano recebe a bola no ar e dispara um pontapé de moínho sem hipóteses de defesa para Reina. Caía o campeão europeu, levantava-se o campeão nacional.



3 - Corre corre, Saviola - Já vi muitos jogadores correrem desalmadamente para no final da jogada... falharem. Mas não daquela vez em que Saviola pegou na bola ainda antes do meio campo e fez aquilo que todos recordamos. Um golo que nem se faz na PlayStation. Que golo!



2 - Para inglês ver... e rever e rever, por Simão - O Liverpool teve oportunidade de contratar Simão Sabrosa no final da época de 2005. Não o fez. Felizmente para nós, diria eu. E infelizmente para os reds da cidade dos Beatles. O destino quis que o Benfica e o campeão europeu se encontrassem nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Depois da vitória por 1-0 na primeira mão, o Benfica deslocou-se a Anfield e escreveu uma página de História que tem tanto de belo como de inacreditável. Derrotou o Liverpool por 0-2, com um golão de Simão Sabrosa. Era o destino.



1 - Grande Petit - Quando em frente à baliza de Landreau, Petit recebeu a bola, todos pensámos para nós mesmos: "chuta Petit, chuta com força!". Era o seu hábito. De frente para a baliza e com algum espaço, Petit disparava em força e para golo. Mas não desta vez. Petit fez um golo do tamanho do estádio e o chapéu ao guarda-redes do PSG foi o golo mais mágico da década.



P.S. O meu agradecimento especial ao Shoky, que ajudou a elaborar este post.

Um Bagão Félix à Benfica

«Em vez de comprar um kit de jogadores sul-americanos ou outra nacionalidade, com esse dinheiro todo comprava um craque, que resolvesse jogos, que chamasse multidões e amanhã pudesse ser transferido por um valor mais alto.»;

«Lembro-me do Thern, do Schwartz, do Magnusson...Agora não interessa apostar nesse mercado, os jogadores são baratos e as contratações estão dependentes do valor da comissão»;

«Confrange-me é o Benfica servir de alavanca de empolamento para transacções que depois não são para nós. O Benfica não pode servir de isco aos empresários inflacionadores»;

Alguma vez pensou em ocupar a cadeira da presidência do clube?
-Pensei, pensei..:Cheguei a encarar essa hipótese. E tinha vontade. Acontece que preciso de trabalhar para ganhar o meu dinheiro, não tenho bens para além do meu trabalho e, em Portugal, infelizmente, isso inviabiliza uma candidatura. Na altura em que pensei nisso, a questão colocou-se assim.

Bagão Félix concedeu uma entrevista ao jornal A Bola em que aborda diversos aspectos da gestão do Benfica. Como é seu hábito, falou bem, disse as verdades de forma correcta, abordou os assuntos de forma inteligente e, mais do que criticar, apontou saídas, indicou o caminho, deu soluções. Para azia de muitos, alguns dos quais benfiquistas, que não suportam nem toleram que se diga que nem tudo o que o Benfica faz está certo. E como é hábito nesta gente, à falta de melhor, criticam-se fait divers idiotas: desde a "cor" política, a altura, a voz, enfim, um chorrilho de disparates. O que é importante, ou seja, as ideias, ficam de fora. Nem vale a pena analisar as ideias de alguém que não segue a corrente. Porque os que não o fazem são, nas palavras dessa gente intelectualmente superior, "abutres", "anti-benfiquistas" e outros disparates. Ao estilo Salazar, estão a ver? Gente sem coluna vertebral.

Num clube democrático tem de haver voz para todos. Não significa isso que se acolha toda a gente que pensa de maneira diferente, claro está. Mas tentar calar ou menosprezar a opinião válida e ainda por cima correcta de alguém como Bagão Félix recorrendo a argumentos baixos é idiota. Dizer que é um "betinho" é um atestado de estupidez tão grande, é cuspir na presidência de grandes senhores como o Dr. Borges Coutinho, entre outros.

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Feliz Natal

É o desejo da equipa do Eterno Benfica para todos os seus leitores.

Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010

Segurar Jesus a todo o custo

Pinto da Costa voltou a elogiar Jorge Jesus, treinador do Benfica, dizendo que a actual classificação e pontuação do campeão nacional na Liga se deve principalmente ao seu treinador e que sem ele as coisas estariam bem piores. Em grande parte, é verdade. O Benfica vem de 9 vitórias em 10 jogos naquela que é a melhor série da época, um feito surpreendente tendo em conta a má planificação da temporada e os vários desequilíbrios no plantel. E Jesus está a conseguir resultados. Pinto da Costa sabe-o, e sabe também que sem as encomendas contra a Académica e Guimarães o Benfica estaria bem mais perto do primeiro lugar, mordendo os calcanhares ao actual líder (sem contar com as grandes arbitragens dos jogos do FCP, algo habitual no futebol português).

Pinto da Costa estará a cumprir os últimos anos de mandato. Perto dos 73 anos já não deverá dirigir os destinos do dragão por muito mais tempo. Seis anos, talvez. É uma possibilidade. E como tal estará disposto a fazer tudo para cumprir os seus últimos desejos. E qual será o maior desses desejos? Ter Jorge Jesus como treinador do FC Porto. Porquê? Vários motivos: primeiro e mais importante de todos, é o melhor treinador em Portugal e o segundo melhor português da actualidade; segundo, porque é um amigo pessoal de longa data do presidente portista; terceiro e igualmente importantíssimo, Pinto da Costa quer dar uma facada gigantesca no Benfica ao roubar-lhe o treinador que, por momentos, teletransportou equipa e adeptos de volta às épocas gloriosas. E este último ponto é talvez o mais importante de todos, já que pode significar que hoje, entre Benfica e Porto, as pessoas escolhem o Porto. Isto não nos pode acontecer.

O Porto vai bem lançado (e bem empurrado) para se sagrar campeão nacional. Então e se o Porto comandado por André Villas-Boas conseguir mesmo ganhar o título, como poderá Pinto da Costa assegurar os serviços de Jorge Jesus? Fácil, despede AVB. Não tem problema nenhum. O ciclo de vida de um treinador do Porto, mesmo sendo campeão, costuma ser curto. Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, José Mourinho e Co Adriaanse, são os melhores exemplos disso mesmo, todos foram campeões pelos dragões, a maioria bicampeões até, e todos acabaram por sair após terem ganho o campeonato. Despedir André Villas-Boas não seria problema.

E o Benfica? Até final desta época muita coisa ainda vai ocorrer. É objectivo do Porto desgastar cada vez mais a imagem de Jesus junto dos adeptos e direcção encarnada e para isso preparem-se para mais arbitragens encomendadas. Finda a época, logo se verá em que lugar e a quantos pontos do título ficará o Benfica. Se os resultados forem significativamente maus, Luís Filipe Vieira poderá mesmo, face à pressão dos sócios, despedir Jesus. Não, esperem, ele não precisa da pressão de ninguém, simplesmente despede treinadores num piscar de olhos, especialmente se tiver de salvar a sua imagem junto do eleitorado. "Mas Vieira e Jesus sempre foram e são grandes amigos!", há-de dizer, muito bem, alguém. Pois são, mas Vieira também era amicíssimo de Fernando Santos e de José Antonio Camacho e hoje parece que nem se falam. E eis-nos chegados à tal situação. Com Jesus no desemprego, Pinto da Costa despede o treinador campeão e contrata o seu "sonho de menino", provavelmente o último, e dá uma enorme machadada no Benfica e no benfiquismo. E todos sabemos as qualidades de Jesus, que implementado num sistema forte conseguirá aquilo que quer.

Para onde se volta Vieira? No mercado internacional há sempre muitos nomes disponíveis e com a ambição de treinar o Benfica. Desde os melhores, como Trapattoni, aos piores, como Quique ou Koeman, personagens que, uma pela falta de compreensão do futebol português e outra pela ambição única de se projectar a si mesmo e não ao clube, não singraram. Com o risco que é o mercado internacional, se calhar o melhor é mesmo apostar no mercado nacional. E em quem? Que treinador português é que ainda não passou pelo Benfica, tem a ambição e capacidade para treinar o nosso clube e pode de facto rivalizar com o Porto? Nem Humberto Coelho, nem Manuel José, nem Manuel Cajuda, nem Manuel Machado nem nenhum outro Manuel. Sobra um nome. Alguém novo, se calhar demasiado novo para merecer a confiança de um colosso europeu e que acabou de ser campeão pelo FC Porto: André Villas-Boas. Seria uma espécie de contra-machadada no Porto.

Isto tudo não acontece se algo for assegurado: a continuidade de Jesus no Benfica. É isso que Luís Filipe Vieira, Rui Costa e restantes elementos da direcção do clube têm de fazer a todo o custo, segurar o treinador. Porque se ele sair, imagino para onde irá e receio que o "novo ciclo" no futebol português fique irremediavelmente adiado por mais uns bons anos. Rebuscado? Sim. Possível? Também. Provável? A meu ver, bastante. Ou então é melhor ir dormir porque já estou a fazer filmes.

Ou não.

P.S. Não sei se estão recordados, mas há já uns tempos levantei o véu sobre este assunto na caixa de comentários deste post. As possibilidades de AVB ser, hipoteticamente, treinador do Benfica num futuro próximo não me parecem assim tão fracas.

Aprender a comunicar

O Benfica tem um grave défice de comunicação que é sobejamente conhecido por todos há vários anos. Nos momentos mais difíceis e nos quais se exige o aparecimento de alguém que, pela sua posição no clube, imponha respeito, essa pessoa esconde-se. Ou diz uma coisa qualquer para o ar e lança Rui Costa para a frente de guerra. Falo de Vieira, obviamente. Uma coisa é assumir uma posição de maior low profile, algo que já vinha acontecendo desde o final da época de Quique Flores, com Vieira mais na sombra, mais distante dos microfones, o que até era bom dada a aptidão para deslizar nas declarações. João Gabriel foi o escolhido, à altura, para bater em tudo o que mexia. Não gostando do estilo trauliteiro nem desta maneira de estar no futebol, é a única que nos permite sobreviver neste mesmo futebol, sem recorrer a meios ilícitos, claro. Quando as coisas não nos correm bem, por culpa própria ou por culpa alheia, é preciso saber usar o poder de comunicar, saber usar a comunicação social a nosso favor como por exemplo o Sporting, pela pessoa de Paulo Bento, soube fazer de um modo absolutamente brilhante.

Onde é que isto vai dar? Quanto mais se protesta, tendo ou não razão, quanto mais se tenta intoxicar a opinião pública com uma ideia mesmo que não corresponda totalmente à verdade, mais fácil fica alcançar os objectivos. É assim que Portugal funciona. No futebol e para lá dele. Não é ilegal, é inteligente. E o Benfica deste ano bem que precisava disto. Mas infelizmente o nosso treinador não chega para as encomendas nem tem de falar sobre os jogos dos outros e o presidente, pessoa com mais poder mediático, está calado, incompreensivelmente calado quando deveria estar a queixar-se na comunicação social. Acham isto sem nexo? Então vejam:



É isto, aplicado ao Benfica.