Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno de Carvalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bruno de Carvalho. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de março de 2011

Nem conseguem vencer as eleições em casa


RIP Sporting (1906 - 2011)

Confesso que a minha última madrugada foi muito bem passada. Não a ver uma comédia do Jim Carrey ou do Eddie Murphy mas a desfrutar de um outro filme igualmente rasca: as eleições do Sporting. Nas últimas semanas assistimos a uma campanha selvagem entre candidatos mais preocupados em atacar os outros e a apresentar treinadores, jogadores e argumentos financeiros que projectos desportivos. Não admira, portanto, que o Sporting esteja na situação que todos sabemos.

A máscara do clube da elite voltou a cair ao chão. Nem falo do baixo nível da campanha ou das inúmeras gaffes, falo sim do que os próprios adeptos, que se consideram de um clube diferente, e que uma vez mais rebentaram petardos, agrediram jornalistas, polícias e consócios, contribuindo um pouco mais para o clima insuportável que se vive no futebol português. Se Benfica e Porto estão em guerra um contra o outro, o Sporting está em guerra consigo mesmo, uma guerra civil que parece se eternizar.

O circo montado pela comunicação social foi fascinante. Mal surgiu a previsão do Record que indicava a vitória de Bruno de Carvalho, afirmei e escrevi que a vitória não escaparia certamente a Godinho Lopes. Fácil, é o Record. E durante a noite, à medida que a vitória do empresário de 39 anos ia deixando menos dúvidas, com o avançar da noite, as dúvidas adensavam-se. Foi penoso assistir aos comentários de Rui Oliveira e Costa na televisão e dos sportinguistas à volta do estádio. De que falaram? Vá, é fácil, pensem um bocadinho: de que falam os sportinguistas no dia de eleições do seu clube? Do Benfica, claro está. Desde a traição de Simão que foi bem pior que a de Moutinho ao facto de o Sporting ter conseguido uma vitória no futebol de praia que não teve o devido destaque na Comunicação Social, ao contrário do que aconteceria se a vitória fosse do Benfica, tudo serviu para atacar o maior clube de Portugal. Foi uma noite bem passada. Às 4:20 da manhã o sono venceu-me e fui-me deitar com a certeza de que, fosse qual fosse o resultado das eleições, o Sporting não se endireitaria tão depressa.

Quando acordei na manhã seguinte, nem queria acreditar no sucedido. Godinho Lopes tinha ganho. Sim, o Godinho que apoia as claques que invadiram as salas de votos, o Godinho que é o maior rosto da continuidade e do projecto Roquette. Os sportinguistas, uma vez mais, preferiram (ainda que não a maioria) votar na continuidade da mediocridade. Votar no homem que construiu o estádio que eles tanto amaldiçoam. A continuidade de Bettencourt está assegurada e a previsão de Dias da Cunha parece cada vez mais certa. O Sporting, mais cedo ou mais tarde, vai morrer. E com a complacência dos seus sócios. A esta hora, Artur Agostinho estará às voltas no caixão. Descansa em paz, Sporting.