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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tão perto

Dezassete anos depois, o Benfica está com pé e meio numas meias-finais europeias. Com todas as "peripécias" que esta época nos tem presenteado, nunca pensei que o Benfica, com todas as condicionantes, pudesse chegar tão longe na Europa. Mas estamos quase, quase lá.

Pela primeira vez na fase a eliminar, o Benfica não deu os primeiros 45 minutos de avanço na Luz como fizera contra o Stuttgart e PSG. A diferença foi notória. Apesar de bem organizado defensivamente, o PSV não conseguiu travar as investidas do Benfica, que soube esperar e gerir o jogo quando as linhas holandesas estavam mais fechadas e carregar sobre o adversário quando sentia que o PSV poderia ceder. Vitória da força, da qualidade e da inteligência.

A entrada forte em campo sugeriu que, impulsionados por 60.000 adeptos, o Benfica poderia partir para um grande jogo. Desde cedo que Saviola se mostrou com uma confiança ainda não vista esta época, que lhe permitiu arrancar a melhor exibição da temporada. O Conejo, sempre muito interventivo, atirou uma bola ao poste logo nos minutos iniciais e apareceu ora à esquerda ora à direita com muito mais velocidade que o habitual, a desbaratar a defesa holandesa. Não foi Saviola a marcar (o primeiro), mas sim o seu amigo Aimar, após jogada de entendimento entre Coentrão e Gaitán, com o camisola "10" a finalizar após falhanço de Cardozo, num remate a passar entre as pernas de dois adversários. Isto sim é o túnel da Luz. Salvio ampliou a contagem pouco antes do intervalo num golo de classe (toque de calcanhar) após mais uma investida de Fábio Coentrão. 2-0 ao intervalo era mais que justo para aquilo que o Benfica tinha feito e para o que o PSV não tinha feito.

No segundo tempo mais do mesmo, o Benfica voltou a entrar forte e cedo ampliou a vantagem em mais um lance de génio de Salvio, que rompeu a permeável defesa holandesa e bateu Isaksson sem hipótese de defesa para o sueco. Com 3-0 no marcador no início do segundo tempo, voltaram a surgir os fantasmas de Lyon. Conseguiria o Benfica manter o ritmo alto ou gerir o jogo em vez de quebrar e ceder física e mentalmente? A verdade é que não foi por quebra do Benfica mas sim por mérito do PSV, nomeadamente pelo seu médio defensivo Hutchinson, um verdadeiro poço de força e de qualidade, que começámos a sentir mais dificuldades. Primeiro foi Berg a isolar-se mas a ver Luisão tirar-lhe o pão da boca naquela que foi, provavelmente, a melhor defesa da noite, depois foi Coentrão in extremis a fazer o mesmo que o capitão de equipa e por fim foi a sorte a proteger as nossas redes num pontapé de bicicleta falhado por Lens. Com o crescimento do PSV, Jesus mexeu na equipa e tentou ganhar mais consistência no meio-campo, colocando Peixoto, e mais velocidade para poder sair no contra ataque ao colocar Jara no lugar de Gaitán. Mas os planos saíram logo furados. No mesmo minuto, Fred Rutten colocou em campo o jogador que, um minuto depois, devolveria o PSV ao jogo e à eliminatória, em mais um lance em que Roberto é mal batido. Os assobios voltaram, a intranquilidade regressou. Felizmente, para terminar o jogo na perfeição, já com Felipe Menezes em campo, Maxi Pereira (que jogo!) fez mais um pico de velocidade, aos 94 minutos, e serviu Saviola que fez a rotação e marcou um golo merecidíssimo. 4-1, excelente resultado, estamos com pé e meio nas meias.

Há toda uma geração de jovens benfiquistas que está a viver, pela primeira vez, este momento de uma meia-final europeia, que apesar de ainda não ser uma realidade, dificilmente escapará. Numa altura de domínio interno quase total do FC Porto, que se estende desde meados dos anos 90 até hoje, e depois de esses mesmos jovens terem assistido às vitórias do Porto na UEFA e na Champions, à final perdida pelo Sporting em Alvalade e até mesmo à chega do Boavista às meias de uma UEFA, chega agora a vez de o Benfica lá. Sinto que se está a fazer história. E sinto que poderemos fazer parte dessa mesma história. Com o nosso nome gravado a letras de ouro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Esgotados

Fui um dos muitos benfiquistas que se dirigiram às bilheteiras do Estádio da Luz, agora localizadas na Megastore, para tentar adquirir mais uns bilhetes para dar a amigos para que pudessem ir à Luz apoiar o Benfica neste momento que tem tanto de importante como de difícil. Cheguei às 13h40, mais coisa menos coisa, com a fila a atingir o início da rampa das "antigas" bilheteiras, e perto das 14h00 chega a informação de que já não havia bilhetes. Nem um para amostra.

Isto leva-me a pensar no seguinte: há uma grande fome de bola e uma grande paixão e benfiquismo entre nós, mas nem toda a gente pode (neste momento a palavra "pode" é adequada) comprar os bilhetes. E se formos a ver, os preços para este jogo estavam muito longe de serem acessíveis. Penso que é importante rever esta situação. Com a actual situação económica, colocar bilhetes para não-sócios ao preço a que estes estavam, é um abuso para a grande maioria dos portugueses, nomeadamente aqueles que vão para o estádio apoiar o Benfica em vez de comer croquetes. Por outro lado, toda esta histeria a que assisti parece-me, no mínimo, excessiva. Com tanta vontade de ir à Luz, não era mesmo possível comprar o bilhetinho? Sinceramente, não acredito que toda a gente que ali estava estivesse assim tão desesperada ao ponto de querer ir ao jogo e não poder mesmo comprar o bilhete.

A direcção e o departamento de marketing tomaram uma decisão arriscada. Obviamente que todos queremos ver o estádio cheio e isso é o mais importante, sendo que eu acredito que, com maior apoio na Luz, as nossas possibilidades em singrar nesta prova aumentam exponencialmente. Por outro lado, a posição de desagrado do sócio que paga as quotas, que compra o Red Pass e que dá 20€ para ir ao jogo com os holandeses tem de ser compreendida uma vez que alguns não-sócios que só se interessam pelo Benfica uma vez por ano (geralmente quando ganhamos) acabam por ir ver uns quartos-de-final de uma prova europeia à borla. E a candonga andará aí em força, à semelhança do que aconteceu no ano passado com o Liverpool, quando os bilhetes eram de acompanhante e não de sócio. Por isso, em vez dos esperados 65 mil bilhetes, não acredito que tenhamos mais de 57 mil adeptos na Luz. Além disso, não foram 10, 100 ou 1000 bilhetes disponibilizados. É melhor nem dizer quantos foram senão ainda vos dá um ataquezinho desse lado do computador.

P.S. Tanto se tem criticado o Braga pelas "borlas" que dá aos seus adeptos e agora isto...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Estudo e Análise ao adversário PSV Eindhoven

Organização Ofensiva:

Equipa organizada em 4x2x3x1. Esquema consistente e com bons resultados no capitulo da finalização. Motivação abalada após terem perdido o primeiro lugar na penúltima jornada do campeonato, na derrota com o Twente. Equipa com alguma vocação ofensiva, gosta de ter a bola e pressiona o adversário quando não a tem em seu poder. A construção de jogo é normalmente lenta, mecânica e organizada, sobressaindo o passe curto. O jogador alvo é o médio ofensivo esquerdo, Dzsudzsák, sendo este o grande impulsionador do jogo do PSV Eindhoven.

A construção de jogo curto tem o 1º passe para os centrais. Marcelo é mais vulnerável sob pressão que o Bouma, isto porque tenta o passe longo e com pouco sucesso. A construção de jogo por parte de Bouma é uma ameaça, seja através do passe curto, seja através do longo. As segundas bolas são muito agressivas com o Engelaar e Hutchinson a reagirem rapidamente e a organizarem o jogo.

Da 2ª para a 3ª fase, há um padrão na construção do jogo. Normalmente optam pelo passe curto e pelo jogo directo. Os centrais gostam de circular a bola com o lateral mais perto ou, preferencialmente, com os médios centro. Os laterais são competentes no plano defensivo e um bom auxílio nos movimentos atacantes. Se o espaço for apertado, os defesas vão circulando a bola em busca de uma oportunidade, sendo que a finalidade é procurar espaços nas alas (principalmente na esquerda). É importante retirar profundidade ao Bouma.

Apesar da natureza do sistema de jogo, os médios centro procuram, por vezes, penetrações laterais a fim de se abrirem espaços ou para se efectuarem algumas triangulações. Engelaar é excelente nisso. Hutchinson é o elemento mais defensivo do meio campo e tem uma boa leitura do jogo.

Toivonen, apesar de tentar o último passe várias vezes, não é um organizador de jogo. É antes um segundo avançado, forte e que procura o remate sempre que tem oportunidade.

Dzsudzsák é o principal desequilibrador da equipa, muito forte no um para um, principalmente quando embalado. É o elemento mais rematador, embora também seja muito activo a assistir os colegas. É imprevisível, tanto pode ir à linha como procurar por diagonais. Do outro lado, o Lens, faz da velocidade a sua principal arma. No entanto, normalmente provoca menos desequilíbrios e joga mais em esforço que o Dzsudzsák.

Berg tem bons índices de velocidade e agressividade. Porém, não é um homem golo, dos que aparece sempre no sítio certo. É mais um avançado esforçado e que procura por espaços. Não faz do jogo de cabeça uma arma a ter em atenção. Sempre que surge uma oportunidade, remata à baliza.

Transição Ofensiva:

Mudança de atitude rápida e agressiva. As movimentações de Dzsudzsák são um perigo constante e está sempre a ser seguido pelos colegas de equipa. Embora premeiem uma construção de jogo lenta e segura, se lhes for dado espaço para tal, também o fazem realizando transições directas e rápidas como aconteceu no golo frente ao Rangers e que lhes deu a vitória (Pieters- Dzsudzsák- Lens).

Boa dinâmica colectiva. Avançam com segurança e sempre com apoios. Particularmente o central que vem detrás, que sobe para colocar a bola nos espaços (Engelaar dobra o Bouma várias vezes). São organizados mas falta imprevisibilidade e criatividade (a excepção é Dzsudzsák).

Na defesa, cometem erros e podem acusar a pressão desde que esta seja bem realizada.

Transições do Guarda-Redes. Passe longo imediato para as alas ou costas. Passe curto para os centrais ou alas. Passe longo não é uma ameaça directa.

Organização Defensiva:

Equipa organizada como um bloco alto. No entanto e apesar de alguma vocação ofensiva, não é fácil apanhá-los em desvantagem numérica uma vez que, quando perdem a bola, os elementos centrais do meio campo estão regularmente bem posicionados e fazem as devidas compensações. A equipa mistura agressividade com passividade, dependendo do opositor. Por vezes dão a iniciativa de jogo e, quando têm o mesmo controlado, mudam de atitude, acabando por exercer pressão apenas a meio campo e não a campo inteiro.

Marcelo é o central mais posicional enquanto Bouma joga na antecipação. A equipa condecora a marcação à zona, embora também façam marcações homem a homem. As bolas aéreas são praticamente sempre ganhas por Engelaar. Defesa consistente.

Será importante que a nossa equipa pressione bem o Engelaar e o Bouma, jogue com os sectores próximos a fim de ganhar as segundas bolas. A construção de jogo longo não é um recurso a se ter em conta. Devemos antes usar o drible, a imprevisibilidade e a explosão nas mudanças de direcção, pois o PSV é uma equipa muito mecânica e são um pouco lentos a reagir.

Transição Defensiva – Após perder a posse da bola:

No jogo frente ao Rangers, Tamata demonstrou algumas dificuldades em recuperar a posição. No entanto, o titular é o Manolev e tanto este como o Pieters têm uma boa transição defensiva e energia para recuperar ou para fechar no meio.

Embora estes tenham presença no ataque e tendo em conta o equilíbrio dado pelos médios centro, as bolas devem ser preferencialmente colocadas nas alas, procurando aproveitar os espaços deixados. Manolev sobe mais que o Pieters. A largura da equipa é normal e a defesa é em linha, apesar do Bouma e do Marcelo darem cobertura várias vezes, através de bons timings e de julgamentos válidos. Não tentam muitas vezes explorar o fora de jogo na equipa adversária.

Bolas Paradas:

Não querendo ser tão minucioso no 5to elemento do jogo, as movimentações ofensivas são batidas, geralmente, por Dzsudzsák. Na vertente defensiva, Engelaar é o elemento mais forte e aquele que mais vezes se antecipa nos lances aéreos.

Observações:

Bouma saiu lesionado frente ao Twente e Toivonen está em dúvida. Se o primeiro joga quase de certeza, Toivonen caso não jogue, deve dar lugar a Bakkal.


Para a realização deste relatório bem como a pesquisa e a análise do PSV Eindhoven, tive a colaboração do Phant, bloguer da Chama Gloriosa, com quem trabalhei nestes últimos dias e com quem tenho tido o privilégio de aprender bastante sobre este desporto que tanto gostamos.

Fica aqui o link do seu relatório e os meus agradecimentos especiais ao mesmo: http://chamagloriosa.blogspot.com/2011/04/estudo-do-adversario-psv-eindhoven.html

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ainda há muita época por disputar. O que fazer?

Apesar do desempenho titubeante no campeonato, que culminou com a entrega das quinas ao Porto em plena Luz, chegamos a Abril ainda em três frentes, algo que se não é inédito na história recente do Benfica, anda lá perto. E além de estar nas três frentes, tem boas hipóteses de vencer qualquer uma delas: na Taça da Liga enfrentamos um adversário que, apesar da sua valia óbvia, não deverá, num dia "normal", constituir oposição temível ao Benfica; na Taça de Portugal temos uma excelente vantagem adquirida na primeira mão e só num dia realmente muito mau poderemos desperdiçá-la; na Liga Europa as ambições são naturalmente mais moderadas face à valia dos adversários, mas a verdade é que, em relação a outras edições desta prova, a qualidade desta está nivelada por baixo, pois não há um único "tubarão" sobrevivente dos que já participaram esta época, como por exemplo o Liverpool, a Juventus ou o Manchester City.

Por tudo isto, e analisando umas questões que deixei noutro post, que deve o Benfica fazer até final da época? Que linhas temos de redefinir? Essencialmente, penso que é fundamental (re)vêr três questões:

Há jogadores que precisam de ir para o banco?

Sim, a meu ver, sim. Não necessariamente nos jogos fundamentais desta época, nesses devem jogar os melhores disponíveis para cada jogo. Mas parece-me desnecessário continuar a apostar em jogadores mais cansados ou com lesões para o campeonato. Exemplos flagrantes? Os extremos Gaitán e Salvio, que já se arrastam há algumas jornadas, Cardozo, pelas mesmas razões mas não tão evidentes, Carlos Martins, Aimar e Maxi Pereira essencialmente pelo estado clínico recente. Depois há casos de jogadores como Coentrão, Saviola, Javi Garcia ou Luisão que, mesmo com muitos jogos nas pernas, continuam a demonstrar uma forma física muito boa, mas na minha opinião, mesmo esses, deveriam descansar. Por isso, na Liga, o onze base deveria ser qualquer coisa como: Roberto/Júlio César/Moreira: Luís Filipe, Jardel, Sidnei e Carole; Airton, Peixoto e Menezes; Jara, Weldon e Kardec.

Pode o Benfica continuar a jogar só com um médio de características defensivas?

Nos jogos em casa até pode fazer isso, mas nos jogos fora é impensável. Praticamente todas as grandes equipas europeias jogam com um médio defensivo e um de características defensivas ou que seja box-to-box tanto em casa como fora, evitando jogar com um número 10 puro, dois extremos e dois avançados como faz o Benfica, num esquema que tantos desequilíbrios cria. Por exemplo: no Real jogam Khedira e Xabi Alonso, no Barcelona jogam Busquets e Xavi, no Chelsea jogam Essien e Lampard, no Manchester actuam Carrick e Scholes, no Milan temos Pirlo e Gattuso e no Inter há Motta e Cambiasso. No Benfica só há Javi Garcia. E isto cria os desequilíbrios que temos visto esta época. Ao lado de Javi tem de estar um jogador que consiga dar consistência defensiva. Quem? Depende das circunstâncias. Rúben Amorim seria o ideal, mas como está de fora terá de jogar Airton, Carlos Martins, ou mesmo com Peixoto à semelhança do que aconteceu no Dragão. Num jogo fora, apostaria em Airton se tivéssemos ganho vantagem na primeira mão, caso contrário a escolha recairia sobre Martins apesar de tudo isto depender do adversário em questão, algo a que Jesus parece não dar grande relevância, uma vez que, qualquer que seja o adversário, o onze é sempre o mesmo.

Quem deve ser o guarda-redes titular?

Todos merecem uma segunda oportunidade. Roberto já vai na sétima ou oitava oportunidade. Parece-me um bocadinho demais. As grandes defesas que faz não são suficientes para compensar os grandes e caros frangos que dá, especialmente em jogos grandes ou importantes. Já comprometeu com o Lyon, Sporting, Porto e Braga, tudo na mesma época. É demais, não há desculpas. Não estão em causa as qualidades. O problema são os defeitos. Não é consistente e a consistência deve ser a primeira característica que um guarda-redes deve ter. Nem dá segurança. Olho para a baliza com Júlio César e sinto tranquilidade e serenidade no sector defensivo. Atendendo à quantidade de jogos importantes até final, a solução pode passar pela troca de guarda-redes quer seja por premiar a qualidade de Júlio César que contrasta com a inconstância de Roberto, quer seja por um aspecto meramente mental e que sirva para abanar com a equipa, tal como Trapattoni disse e fez em 2004/2005 com os efeitos conhecidos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desta vez será diferente

Em 1988, depois de uma final dominada pelo PSV Eindhoven de Guus Hiddink, o Benfica conseguiu levar a decisão para as grandes penalidades. Finda a série de cinco grandes penalidades sem qualquer falha deles ou nossa, nenhum jogador do Benfica foi capaz de tomar a responsabilidade de dizer, "eu marco o penalty" na morte súbita. Como capitão, António Veloso deu o passo em frente mas permitiu a defesa de Van Breukelen. O Benfica perdia assim a possibilidade de conquistar a terceira Taça dos Campeões Europeus.

Desta vez será diferente. Passados 23 anos da fatídica final de Stuttgart, o Benfica reencontra os holandeses numa altura em que tudo mudou no futebol europeu. O Benfica perdeu o estatuto europeu que havia reconquistado no final da década de 80 e o próprio PSV nunca mais voltou a jogar numa final europeia, sem, no entanto, ter perdido grande estatuto, apesar de o futebol holandês já não conseguir prender nos seus clubes os grandes craques formados no país.

Tivemos alguma sorte no sorteio. Villarreal e Porto, adversários mais complicados na minha opinião, ficaram do outro lado do quadro. Nas meias defrontaremos o vencedor do Dynamo Kyiv - Sporting de Braga. A final está à vista. "Só" temos de preparar os jogos com competência e ser mais forte que os adversários. É difícil, mas possível. Eu acredito. Rumo a Dublin!

Quartos e meias-de-final da Liga Europa

De um percurso que, para o Benfica, começou com 32 equipas, sobram apenas oito. Esta quinta-feira foi dado mais um passo importante rumo à conquista da Liga Europa, e acredito que tal aconteceu não só graças à qualidade dos nossos jogadores e treinador mas também devido à sorte que tivemos nos sorteios. Sejamos honestos: o Stuttgart e o PSG não eram equipas com qualidade suficiente para eliminar o Benfica. Os germânicos viviam (e ainda vivem) com a corda na garganta enquanto que o PSG não deu sinais de grande qualidade em nenhum dos jogos. Pior seria se tivéssemos de jogar contra o Manchester City, Liverpool ou Zenit, por exemplo.

A partir de agora, é game on. Sobram sete adversários e eu continuo a preferir os mais fáceis. Não gosto de ouvir, ou por outra, não percebo os adeptos que pedem o adversário mais difícil. O que interessa é acabar com o troféu nas mãos e isso é sem dúvida mais fácil e mais provável se defrontarmos os adversários mais acessíveis. Ganhar uma Champions como o Inter ganhou o ano passado, depois de defrontar e derrotar Chelsea, Barcelona e Bayern, tem o mesmo significado que vence-la a derrotar equipas "normais" como o Lyon (da altura), o Deportivo (já financeiramente semi-falido) e o Mónaco (quem?!). O que conta é o troféu na prateleira. Teria o Porto ganho esse título se tivesse defrontado o Real ou o Milan, por exemplo? Provavelmente não.

Por isso, quero que o Benfica tenha muita sorte no sorteio de amanhã e que nos calhe o adversário mais fraco. Qual é ele? O Sporting de Braga. E a evitar? Sobretudo o Villarreal e o Porto, por esta ordem. São as duas equipas mais fortes em prova e os dois maiores candidatos ao título neste momento.

Ordem de preferência: Sporting de Braga, Spartak Moskva, FC Twente, PSV Eindhoven, Dynamo Kyiv, FC Porto e Villarreal.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maior que Portugal

É pelos nossos adeptos que somos maiores que Portugal. Os quase 30.000 que estiveram hoje presentes no Parc des Princes, estádio do Paris Saint-Germain, demonstraram uma vez mais a nossa grandeza. Em tempo de crise há muito por onde cortar, menos no amor a um clube. E é por isso que na Luz, em Paços de Ferreira, em Braga, ou em Paris, o Benfica é maior que Portugal. Há um sentimento de amor que não consigo ver em nenhum outro clube. Somos mais que um clube. Nas palavras de Bela Guttmann, «Não há nenhum clube do Mundo que possua mística igual à do Benfica. E é este, afinal, um dos grandes segredos dos seus êxitos e da sua força. Tentarei explicar algumas das suas manifestações exteriores mais palpáveis. Veja, por exemplo, a sua massa associativa. Chove? Está frio? Faz calor? Que importa? Nem que o jogo seja no fim do Mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do Inferno, por terra, por mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa associativa!»

Imagino a cara de alguns jogadores quando entraram no campo parisiense e se aperceberam de que, mesmo a mais de 1000 km de Lisboa, na terra do oponente, estavam a jogar "em casa". Com quantos clubes no mundo é que esta situação acontece? Só conheço um. E partindo para o jogo com a vantagem alcançada na Luz, a tarefa seria teoricamente mais fácil.

Mas não foi. Um Benfica estranhamente desinspirado não foi capaz de travar com êxito as investidas iniciais dos franceses, que começaram o jogo a todo o gás, sem grande engenho, é verdade, mas com muita vontade, chegando à área de Roberto com relativa facilidade. Mas acabou por ser um pouco contra a corrente de jogo que, num lance com alguma felicidade à mistura, o Benfica chegou ao golo, por Nico Gaitán, que, após olhar para a área à procura de um colega, decidiu-se pelo remate e apanhou Édel em contrapé, tendo feito o golo. E depois disto, o Benfica desapareceu quase por completo, muito por culpa da falta de inspiração de Aimar e Saviola (jogo miserável deste último), e pelo cansaço de Salvio e Gaitán, mais notório no primeiro que no segundo. O PSG aproveitou e chegou ao empate num lance que fica marcado pela péssima abordagem de Sidnei (outra vez...), que ficou a olhar para o lance enquanto tudo se passava nas suas barbas.

No segundo tempo o Benfica apareceu com outra atitude e determinação em campo, criando três boas oportunidades de golo logo nos primeiros 15 minutos de jogo, desperdiçadas por Cardozo (duas) e Saviola. O Benfica crescia no jogo e o PSG já não conseguia atacar com tanto perigo, pelo que Kombouaré fez entrar duas unidades perigosas, o veterano Giuly e o ponta-de-lança Hoarau, que havia marcado o golo que eliminara o Braga de Jesus há três anos. E pouco depois o Benfica só não perdeu a vantagem que tinha na eliminatória graças a uma enorme defesa de Roberto, que encheu a baliza e impediu que Hoarau, a menos de cinco metros da linha de golo, conseguisse concretizar a ocasião. Jesus apercebeu-se que o jogo não estava para brincadeiras e resolve dar centímetros à defesa, colocando Jardel. Até final foi aguentar e sofrer bastante, com os parisienses a falharem uma nova grande ocasião ao minuto 95, quando Maurice, já isolado, escorregou na altura de rematar à baliza. Pode dizer-se que, nesse lance, a estrelinha da sorte esteve connosco.

Empate justo no jogo e eliminatória passada também com justiça. Frente a um adversário que mostrou vontade mas pouco futebol, o Benfica conseguiu cumprir os objectivos e chega aos quartos-de-final de uma prova europeia pelo segundo ano consecutivo, algo que, nos últimos anos, só aconteceu em 2006 e 2007. E este ano podemos ir mais longe. Que a sorte e o engenho nos acompanhem.

Quebrar a tradição

O Benfica parte para o jogo em Paris na máxima força uma vez que não tem nenhum jogador lesionado ou castigado. Para além disso, irão comparecer mais de 30 mil apoiantes do Glorioso, num estádio que leva aproximadamente 48 mil pessoas. Um feito que certamente enche de orgulho qualquer Benfiquista, visto não ser qualquer equipa que se pode dar ao luxo de jogar duas vezes em casa, numa eliminatória.
Apesar dos brilhantes meses de Janeiro e de Fevereiro, ultimamente o Benfica tem vindo a dar mostras de algum cansaço e também é verdade que alguns dos nossos jogadores, como o Saviola ou o Cardozo, por exemplo, não estão no seu melhor momento de forma. No entanto, o facto de se ter poupado a maioria dos titulares frente ao Portimonense, faz com que acredite que o Benfica apresente, nesta quinta-feira, bons níveis físicos e que volte o futebol espectáculo, com a pressão e as notas artísticas que tanto caracterizam a nossa equipa.
Embora considere que se trata de um jogo difícil, até por ser a contar para a Liga Europa, o PSG é um adversário que está perfeitamente ao nosso alcance. É uma equipa permeável no sector defensivo. Nos últimos cinco jogos, o conjunto orientado por Antoine Kombouaré, venceu dois, perdeu outros tantos e empatou um, tendo sofrido e marcado 5 golos, no total. Acredito que o Benfica vai apresentar o seu onze e a sua táctica habitual, sem quaisquer precauções especiais. A maior dúvida estará na utilização ou não de Pablo Aimar, sobretudo por este ter actuado de início no Domingo, enquanto os seus colegas habitualmente titulares foram poupados. Mas mesmo assim acredito que será ele o titular.
Em termos históricos, o Benfica tem contas a ajustar com os gauleses que nunca perderam, em sua casa, com equipas portuguesas. Também no Parc des Princes, os franceses possuem o feito de não perderem, em jogos internacionais, desde o dia 23 de Novembro de 2006, mais concretamente há 14 jogos.
A última vez que o Benfica se defrontou com o PSG, em Paris, fora a 08 de Março de 2007, onde perdeu por 2-1, acabando por passar a eliminatória após um triunfo, em casa, por 3-1.
Desta vez chegamos a Paris com uma vantagem de 2-1 na bagagem e, conforme sucedeu diante do Estugarda, o Benfica vem com a finalidade de quebrar a tradição e contará com o apoio da grande e fantástica massa adepta Benfiquista.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Uma lição para o futuro

Todos nós sabemos que desrespeitar um adversário, é meio caminho andado para a derrota. Independentemente do valor individual de uma equipa, a prestação da mesma será mais ou menos acertada, consoante os níveis de entrega, a atitude e a raça demonstrada na disputa dos lances com o adversário. No entanto, saber isto não chega. Mais que isso, é necessário conseguir-se passar da teórica para a prática. Incutir essa mensagem nos jogadores que, por vezes, inconscientemente se esquecem e menosprezam o adversário, é uma das muitas funções de um bom treinador.

Não me interpretem mal pois não quero com isto culpabilizar o Jesus. Até porque estamos a falar de um jogo a contar para a Liga Europa, competição que passou a ser a nossa primeira prioridade. Certamente que os jogadores foram alertados que, principalmente nestes jogos, a concentração é decisiva e determinante. Ainda para mais, jogávamos em casa e convinha não sofrermos golos.

Porém, enquanto seres humanos e por mais que estes sejam constantemente avisados, este erro é cometido frequentemente pelas equipas teoricamente mais fortes. Penso que foi isto que se passou ontem, na Luz.

Poderíamos pensar que o menor rendimento apresentado pelos jogadores, sobretudo nos primeiros quarenta minutos de jogo, se deveu à fadiga acumulada que estes têm vindo a sofrer, proveniente da sequência de jogos e da pouca rotação que se tem verificado no plantel. E também é verdade que algumas unidades estiveram debilitadas fisicamente, sendo que o Gaitán e o Sálvio, acabaram inclusivamente por ser substituídos, após apresentarem dificuldades. Mas o certo é que a equipa correu e lutou muito mais na segunda parte do que o fez na primeira.

Assim, não me parece errado concluir que, quando as pernas e a cabeça começaram a falhar, valeu-nos o facto desta equipa ter uma grande alma, muita qualidade e determinação. Estes factores acabaram por compensar algum desleixo inicial e que poderia ter comprometido a eliminatória.

Este desleixo também pode ser explicado com a quebra emocional que o jogo em Braga produziu nos jogadores. Como se costuma dizer, elas não matam mas moem. A forma como escandalosamente fomos roubados e tratados, pode ter deixado algumas marcas iniciais.

O maior exemplo de hoje não só para os jogadores, mas também para os adeptos que, tal como eu, pensavam que este jogo seria ganho com alguma facilidade e sem se sofrer golos, consequência do facto do PSG ter poupado titulares a pensar no campeonato, foi o pequeno grande Maxi Pereira.

Desde cedo soube ser igual a si próprio, oferecendo muita entrega, vontade e raça e fora premiado com um golo, após uma excelente assistência do Carlos Martins. E não deixa de ser curioso o facto do autor do segundo golo do Benfica, ter sido outro jogador que normalmente também costuma deixar a pele em campo, o Jara.

Que nos sirva então de exemplo para o futuro, pois temos um sonho que queremos concretizar. E não basta sermos melhores no papel, temos que o provar sempre em campo. Espero que o Jesus poupe vários jogadores no Domingo, para que no dia 17 estes estejam fresquinhos que nem uma alface.

quinta-feira, 10 de março de 2011

E deram o berro

Meses e meses a pressionar alto, a jogar bonito, a correr que nem doidos e com pouca rotatividade do plantel, algum dia os jogadores dariam o berro. Foi hoje. Não foi aos 90 minutos, aos 80, aos 70 nem aos 45, hoje, alguns (muitos) jogadores do Benfica entraram em campo verdadeiramente cansados. Visível, notório, indesmentível. Se há uns jogos atrás víamos Gaitán fazer excelentes primeiras partes como em Alvalade ou em Stuttgart, e depois cair de rendimento na segunda, acabando fisicamente aos 70 minutos, hoje constatámos que aos 10 minutos, Gaitán já não conseguia fazer aquelas primeiras partes dos últimos tempos, nem conseguia ajudar a defender. "Estão completamente rotos", dizia um senhor uns lugares ao lado do meu. E estavam. Gaitán, Salvio e Cardozo, sobretudo estes três. A juntar aos "casos" Aimar e Martins, que têm de ser geridos com pinças, a equipa está à beira do colapso físico. Pode passar em Paris? Perfeitamente, se não jogarem pior do que hoje (e este PSG é bem fraquinho, diga-se) e desde que se poupem jogadores contra o Portimonense.

Em jogo importante a contar para a prova mais difícil e na qual o Benfica, ainda assim, alimenta legítimas esperanças de vencer, o público não compareceu como deveria para apoiar a equipa. Provavelmente nem se deslocaram à Luz 40.000 espectadores, talvez ainda combalidos do desaire em Braga. O que é certo é que nem Benfica nem adeptos se apresentaram à altura do desafio: a equipa fisicamente esteve de rastos e nervosa, nervosismo esse que transpareceu para os adeptos, impacientes e intolerantes, que assobiaram vários lances menos conseguidos. Mas não há que andar com paninhos quentes: o jogo foi mesmo mau, o Benfica esteve muito abaixo daquilo que sabe e pode dar e enfrentámos uma equipa que não é, ou pelo menos não pareceu ser, mais forte que o Vitória de Guimarães, por exemplo. E num dia normal, o PSG seria aviado com quatro golos.

Na primeira parte, a equipa (sobre)viveu sobretudo das iniciativas de Maxi Pereira e Fábio Coentrão, mas com maior ênfase para o trabalho do uruguaio. Carlos Martins também foi dos mais inconformados tentando transportar bola de trás para a frente, mas sem grande sucesso. O PSG só conseguia criar perigo quando a bola estava nos pés de Nenê, que teve a infelicidade de ser marcado por Maxi, que o anulou em quase todas as jogadas. Assim, em 45 minutos de mau futebol, não foi surpreendente ver o Benfica sofrer um golo (mais um) fruto de uma iniciativa individual de Nenê e empatar por autoria do caçador de franceses, Maxi Pereira.

No segundo tempo, o Benfica, consciente da sua superioridade em relação aos comandados de Kombouaré, partiu para cima do adversário que se revelava defensivamente permeável, sobretudo em lances de bola corrida pelo centro, algo que é raro encontrar nos dias de hoje. E assim que deu para perceber isso, foi rezar para que Jesus colocasse Aimar ao lado de Martins no meio-campo. A entrada de Jara para o lugar de Salvio, visivelmente estoirado, também ajudou a imprimir velocidade ao flanco, e fruto de boas combinações dos médios e de Saviola com Cardozo, que esteve bem no jogo de costas para a baliza (mas terrível no resto, tal como Saviola), foi possível criar alguns lances de perigo, inclusive um penalty que ficou por assinalar sobre o camisola "30" encarnado. Com o Benfica claramente por cima, o golo acabou por surgir naturalmente, como acontecera com o Stuttgart: Aimar combinou com Jara que, com tempo, soube ajeitar a bola e rematar com classe e tranquilidade para a baliza.

A vitória acaba por pecar por escassa face ao que o Benfica vale e face ao que este PSG (que poupou Giuly, Makélélé, Hoarau, entre outros) não vale. O pouquíssimo futebol dos franceses, cujas maiores ocasiões de perigo foram lances protagonizados por Sidnei, não justifica o golo que levam para Paris. Uma coisa é certa: no Parc des Princes, com muitos milhares de benfiquistas a apoiar, o Benfica tem razões para se sentir em casa e passar esta eliminatória, até porque, fazendo fé nas palavras de Carlos Martins, é mesmo muito difícil ganhar a esta equipa.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Objectivo: Liga Europa

O Benfica não chega às meias-finais de uma prova europeia há 16 anos. A última vez que tal aconteceu foi na grande época de 93/94, quando após uma campanha memorável na já extinta Taça das Taças, onde eliminámos o Bayer Leverkusen, sucumbimos aos pés do poderoso Parma de Sensini, Zola e Asprilla, num jogo marcado pela expulsão precoce de Mozer.

Desde então, as campanhas europeias do Benfica têm sido, regra geral, medíocres salvo quatro honrosas excepções. Em 1995, eliminados nos quartos da Champions pelo Milan, em 1997, eliminados nos quartos da Taça das Taças pela Fiorentina, em 2006, eliminados nos quartos da Champions pelo Barcelona e em 2007, eliminados nos quartos da Taça UEFA pelo Espanyol. Quatro vezes nos quartos, meias nunca mais. Desde 1994, o Porto, o Sporting e até o Boavista atingiram, em provas europeias, esse patamar que o Benfica não atingiu.

Hoje, sem o campeonato a servir de pano de fundo para desculpas ou outras preocupações, o Benfica tem o dever de voltar a estar no lugar europeu que merece. Dezasseis anos depois, há que matar novo borrego. O objectivo tem de ser a Liga Europa.

terça-feira, 8 de março de 2011

Liverpool 2000/2001

Há clubes com os quais nos identificamos. Eu sou Benfica e apenas Benfica, não sou nerazzurri, madridista, mancuniano, o que for. Apenas e só Benfica. Mas há clubes estrangeiros com os quais nos identificamos por uma razão ou por outra. Em Inglaterra, há um em particular que atravessou (e atravessa) uma crise semelhante à que o Benfica atravessou no final da década de 90 e início do novo século, o Liverpool. Campeões ingleses pela última vez em 1989/1990, acompanharam o jejum do Benfica que se iniciou em 1994 durante os onze anos que nos lembramos. Nós ganhámos o campeonato, eles não. Apesar de tudo, a grandeza de ambos os clubes nunca esteve em causa no período negro, e muito se deveu aos excelentes adeptos de ambas as equipas.

Em 2000/2001, o Liverpool, como vinha sendo hábito, foi rapidamente afastado da corrida pelo título. A inconstância da equipa não permitia lutar pelo lugar cimeiro em Inglaterra. No entanto, com um bom conjunto de jogadores e com um técnico competente e experiente, era possível almejar algo mais. E assim foi. Focando as atenções nas provas em que tinham reais possibilidades, a equipa da cidade dos Beatles levou de vencida a Taça da Liga, a Taça de Inglaterra e a Taça UEFA, tendo batido nesta última prova a Roma, o Porto, o Barcelona e o Alavés.

É isto que o Benfica tem de fazer, imitar o Liverpool de 2000/2001. Difícil, mas não impossível. Concentrando as atenções na Liga Europa e não negligenciando as duas taças internas, é possível alcançar este feito. Implica jogar com habituais suplentes no campeonato? Que se faça isso, já está perdido (desde Agosto).

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

«Estamos de parabéns pela maturidade»

A frase é de Luisão, capitão no campo, e reflecte precisamente aquilo que venho dizendo há muito tempo: maturidade. Foi isto que faltou na Champions e no Dragão, até Novembro, e que hoje conseguimos conquistar e demonstrar, maturidade. A qualidade está neste grupo de trabalho desde início, a capacidade de ter maturidade para a evidenciar e exponenciar a qualidade é que não existiam. Hoje, a situação é bem diferente, para melhor. Nem sei bem o que dizer, estou felicíssimo, não caibo em mim de contentamento. O Benfica acaba de concluir um ciclo de três deslocações dificílimas, em três semanas, ao Dragão, a Alvalade e a Stuttgart, todas com vitórias por 0-2. Porquê? Maturidade. O meu "obrigado" a este grupo de trabalho e nomeadamente a Jorge Jesus. Muito, muito obrigado. Hoje faleceu um borrego com mais de cinquenta anos de história europeia. Acabou o pesadelo e o trauma alemão. Morreu a ideia da incapacidade em ganhar em solo germânico. Obrigado, Jorge Jesus.

Depois da vitória suada arrancada na Luz uma semana antes, o Benfica deslocou-se à Alemanha, onde nunca ganhara antes a uma equipa germânica, para tentar inverter a história. Depois de dezoito jogos de tentativas frustradas, era a vez de, como Jesus previra na conferência de imprensa do dia anterior, mudar a história. Na cidade maldita onde Veloso falhou o fatídico penalty da final da Taça dos Campeões Europeus de 1988, o Benfica escreveu a primeira bela página europeia desta década.

Privado de Saviola por indisposição de última hora, Jorge Jesus manteve-se fiel ao esquema de jogo habitual e lançou Jara na partida, no lugar de El Conejo. No entanto, as principais dúvidas residiam na forma como a equipa se apresentaria. Estaria o Benfica em boas condições físicas para bater os alemães, depois do desgastante derby de segunda-feira? Como aqui dissemos, fisicamente este Benfica não está bem nem muito bem: está quase perfeito. É isso que permite que Coentrão faça sprints aos 90+3 minutos em que passa por três adversários, é isso que permite que Gaitán, mesmo depois de ter descansado menos de 72 horas após o duelo de Alvalade, em que acabou visivelmente estoirado, se apresente fresco que nem uma alface.

O Benfica entrou forte e pressionou o Stuttgart bem alto desde início, tendo conseguido as melhores oportunidades do primeiro tempo. Fábio Coentrão deu o primeiro sinal de golo, mas não conseguiu repetir aquilo que já fez este ano noutros jogos grandes (Porto e Lyon). Curiosamente foi na sequência de um pontapé de canto que o Benfica chegou à vantagem, com um remate fortíssimo de Salvio, rasteiro, sem hipóteses de defesa. Em vantagem na eliminatória, os alemães teriam de marcar três golos para passar.

No segundo tempo, logo no recomeço, foi Jara quem testou os reflexos do guarda-redes alemão, que sairia lesionado após um choque aparatoso com Gaitán e com Delpierre. O Benfica sabia defender bem e saía para o ataque sempre com muito perigo, tendo Luisão desperdiçado uma oportunidade soberana para matar a eliminatória, ao falhar um golo quase feito após uma desmarcação perfeita na sequência de um livre. O Benfica acreditava e sabia que um golo sentenciava a partida. Cardozo testou a qualidade de Ulreich, num remate alto e forte, com aparatosa defesa do camisola "1". E tantas vezes o cântaro foi à fonte que acabou por partir, num livre perfeito de Cardozo, mais fácil que um penalty, com a bola a bater no poste e a entrar junto ao outro. Execução sublime, dança da galinha, 0-2 e primeira vitória na Alemanha. Era o coroar de uma exibição quase perfeita, com classe, magia e pragmatismo.

Queria ainda destacar a exibição de dois jogadores: primeiro, Roberto, que fez quatro defesas que garantiram a continuidade nesta prova. A defesa a cabeceamento de Okazaki é de um grau de dificuldade elevadíssimo, só ao alcance de um grande guarda-redes. O espanhol mostra-se cada vez mais confiante entre os postes, apesar de nas bolas aéreas ainda andar, não raras vezes, aos papéis. O segundo a destacar é Nico Gaitán, jogador que tem sido comparado a Di María. Não me parece que sejam minimamente parecidos, aliás, vejo em Gaitán um estilo de jogo muito parecido (com potencial para ser bem melhor) com o de Deco. Gaitán parece-me cada vez mais um "10", e ontem teve mais um jogo com nota artística. Bravo!

16ª vitória consecutiva em todas as competições, novo record do clube. Numa época com tantas dificuldades, este é um feito magnífico, muito graças ao treinador que soube refazer uma equipa, potenciando jogadores que tinham acabado de chegar. Bravo Jesus!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Derby e o pós-derby

Estarei hoje em Alvalade para assistir ao derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Seja em campismo, andebol, chinquilho, hóquei ou futebol, um Sporting x Benfica é sempre, mais que um jogo, uma rivalidade que se vive diariamente aqui em Lisboa. Desde pequeno que sinto isso, este jogo faz parar a cidade não só no dia mas como na semana que o antecede. Não há confronto de religiões ou crenças que supere um Sporting x Benfica, este jogo é muito mais que isso, muito mais que um jogo.

Para o Benfica, o campeonato não é, na minha opinião, a prioridade. Estamos a 11 pontos do líder, o FC Porto, com menos um jogo, e com 12 confortáveis pontos de vantagem sobre o Sporting. A meu ver, a probabilidade de chegar ao primeiro lugar é tão forte quanto a de cair para terceiro, ou seja, quase nula. É em segundo que estamos e é em segundo que iremos acabar com maior ou menor esforço. Cerca de 10 pontos em 10 jornadas é algo extremamente difícil de ganhar ou perder para dois adversários , um tão forte e o outro tão fraco, respectivamente. A meu ver, as grandes prioridades deste Benfica são as duas Taças internas. Porquê? Porque tanto numa como na outra estamos numa posição privilegiada para vencer. Na da Liga, recebemos o Sporting na Luz, defrontando em seguida o Nacional ou o Paços na final. Na de Portugal recebemos o Porto com uma vantagem de 2-0 conseguida no Dragão, defrontando na final o Vitória de Guimarães ou a Académica de Coimbra. Em ambas as competições, o Benfica parte como favorito à vitória e realisticamente falando, é para ganhar não por uma questão de acreditar e de fé mas por uma questão de obrigação. Somos melhores e temos vantagem, não podemos desperdiçar a oportunidade. A propósito, há quantos anos é que o Benfica não vence dois troféus oficiais em duas épocas consecutivas?

E a Liga Europa? A equipa continua a mostrar alguma falta de estofo ou cultura europeia, mas o sorteio que nos coube foi bastante simpático e favorável. Dificilmente poderíamos pedir melhor que uma equipa que luta para não descer e por um adversário que vem de um país com o qual nos temos dado bem num passado europeu recente. Acho que este Benfica tem boas hipóteses de passar aos quartos-de-final, depois disso, dependendo dos sorteios, logo se verá.

Com o jogo decisivo a ser disputado no sul da Alemanha 72 horas depois do encontro de Alvalade, há que saber gerir o plantel. Acredito que é na prova europeia que o Benfica deve concentrar a sua atenção, mais que no campeonato. E assim sendo, deverá Jesus poupar jogadores no clássico de hoje?

A meu ver, não. Uma boa parte dos adeptos fala em poupar os jogadores e alinhar com uma equipa maioritariamente constituída por suplentes em Alvalade. Não vejo razão para isso por um factor especial: este Benfica, fisicamente, está fortíssimo. Os jogos mais recentes, com Guimarães e Stuttgart foram a prova disso, com a equipa a mostrar índices físicos altíssimos. Na defesa, tanto Coentrão como Maxi estão com rendimento elevado. No meio-campo, Javi vem a subir de forma e os extremos, sem deslumbrarem, têm estado bem. Saviola vem fresco para Alvalade depois de ter cumprido castigo europeu, e Cardozo também está em forma. A poupar alguém, seria apenas Aimar, não por estar a jogar mal ou por estar em má forma física, mas porque precisamos do melhor Aimar na Alemanha e porque Martins também necessita de minutos para ser opção.

O meu onze: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei e Fábio Coentrão; Javi Garcia, Salvio, Nico Gaitán e Carlos Martins; Javier Saviola e Óscar Cardozo

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Em aberto

Jogar contra o Stuttgart não é o mesmo que jogar contra o Vitória de Guimarães ou o Rio Ave: as desatenções pagam-se caro e é necessário manter os índices de concentração elevados durante os 90 minutos. Quando assim não acontece, o resultado pode ser algo que não desejamos. Ficou uma vez mais provada a diferença abissal entre a nossa liga de futebol e a alemã, uma das do big five. Mas também se provou que este Benfica, ainda sem maturidade europeia, pode fazer "coisas bonitas", nas palavras do poeta Artur. A vantagem de 2-1 é um resultado perigoso, sobretudo num local onde o Benfica nunca ganhou. Para a semana há mais, com o desejo de passar a eliminatória e com a certeza de que, para o fazer, será necessário um desempenho ainda melhor do que o conseguido na Luz, sobretudo na primeira parte.

Cerca de 45 mil adeptos benfiquistas deslocaram-se ao estádio num final de tarde de trabalho, a uma 5ª feira, para assistir ao primeiro jogo europeu deste ano, com a esperança de verem o Benfica rubricar uma exibição e um resultado melhores que aqueles que conseguidos nas provas europeias desta temporada. No entanto, a primeira parte, não trouxe grandes melhorias face ao que já tínhamos visto: incapacidade constante em "mandar" no jogo uma vez que a circulação de bola no meio campo adversário era uma miragem. Raras foram as vezes que o Benfica conseguiu 4 passes consecutivos no meio-campo dos alemães, muito por culpa da desinspiração de Aimar, muito bem anulado, e Salvio, mais por demérito próprio que por mérito alheio. Jara, sempre muito interventivo, revelou-se algo trapalhão e infantil na hora de decidir, preferindo não raras vezes atirar-se ao chão a lutar pelo lance. Defensivamente, os mesmos erros de sempre quando jogamos contra equipas mais evoluídas que o Rio Ave ou o Guimarães: transição falhada, Javi demasiado desapoiado, dificuldade em bolas aéreas por culpa da posição da linha defensiva, que é excelente para jogos nacionais mas que para encontros internacionais é um problema, como se revelou no golo alemão.

No segundo tempo foi quase tudo diferente. O Benfica apresentou-se com outra cara e quis mandar no jogo, pondo o guardião do Stuttgart em sentido por várias ocasiões. Fábio Coentrão, Pablo Aimar, Óscar Cardozo e Nico Gaitán tentaram a sua sorte logo nos primeiros minutos, mas sem sucesso. Por volta do minuto 65, o Benfica massacrava. E foi com o dedo de Jesus, com a mudança de Salvio para a esquerda e de Gaitán para a direita, que esse rendimento foi incrementado. O golo surge precisamente de um cruzamento de Nico na direita, com a bola a sobrar para Cardozo, que à ponta-de-lança, fez o golo. Com o empate, Jesus fez um compasso de espera nas substituições e lançou Kardec e Carlos Martins para os lugares de Salvio e Aimar, colocando uma frente de ataque com três homens (Cardozo, Kardec e Jara). E quando este último tinha acabado de dar o berro, com cãibras, queixando-se no chão, Cardozo impede que o colega seja assistido, levanta-o e incentiva-o. A vontade de ganhar era notória. E quando há vontade e engenho, há golo. Assim foi, Jara remata forte a 25 metros da baliza, com a bola a tabelar num alemão, e a passar por cima de Ulreich, batendo na trave e entrando na baliza, voltando a sair. Nem o árbitro, nem o fiscal-de-linha, nem o badameco que está a passar frio atrás da linha de fundo, nenhum deles viu. Felizmente estava lá Cardozo, que não se fez rogado e confirmou o golo do colega argentino. 2-1 no marcador, o Benfica estava finalmente com a vantagem que já merecia.

Até final do jogo, o Benfica ainda procurou o ataque e poderia ter marcado por duas ocasiões, primeiro com Kardec, a falhar o cabeceamento, e depois por Menezes, que obrigou o guarda-redes germânico a uma boa defesa. A equipa divida-se entre os que queriam marcar o terceiro e os que queriam a manutenção do resultado, com Roberto a ser assobiado por retardar a reposição da bola em jogo. O jogo terminaria com a justíssima vitória do Benfica, mas com um resultado que é extremamente perigoso, especialmente na terra dos boches, onde nunca ganhámos. Como há sempre uma primeira vez para tudo, acredito piamente que será desta vez que vamos matar e esfolar este borrego com mais de 50 anos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Antevisão SL Benfica x Estugarda


Se é verdade que o Benfica tem vindo a melhorar ao longo desta época e esteve sublime no último jogo frente ao Vitória de Guimarães, também não deixa de ser verdade que o Benfica tem estado muito aquém das expectativas nos jogos internacionais esta temporada.

Parece-me que o Benfica tem um sistema demasiado ofensivo para este tipo de jogos. É verdade que é o mesmo sistema do ano passado. No entanto, se antes nas alas tínhamos um jogador que auxiliava o Javi Garcia nas tarefas defensivas e que era o elo de ligação defesa-ataque da equipa, este ano contamos com dois jogadores de características ofensivas.

Claro que, contra as equipas mais pequenas do nosso campeonato e que jogam muito recuadas no terreno, o sistema actual de 4-4-2 formação diamante, faz sentido, principalmente quando jogamos na Catedral. Mas contra adversários mais fortes, com outros argumentos, parece-me importante reforçar o nosso meio campo com um jogador que o equilibre mais e seja a bengala do nosso número seis. Ou pelo menos, introduzir um jogador com características mais defensivas.

À partida, o elemento que garantia mais consistência e força seria o Airton. No entanto, não só este poderia ser incompatível com o Javi Garcia, como a equipa adversária, caso saiba pressionar e seja tacticamente organizada, poderia criar-nos dificuldades a sair a jogar, na primeira fase de construção do jogo.

Parece-me que a solução ideal seria utilizar o Rúben Amorim por ser um box-to-box, alguém que, não só é competente no posicionamento e na marcação, mas também sabe sair a jogar. Estando lesionado, Jesus poderá apostar no jogador do plantel mais semelhante ao Rúben, conforme fizera no dragão, ou seja, em César Peixoto.

Igualmente importante para amanhã é termos uma equipa solidária, coesa e que saiba alternar o fato de gala com o fato-macaco, consoante nos esteja a correr o jogo. É necessário controlar a ansiedade e ter inteligência. É confortante sabermos que podemos contar com a liderança de Luisão e com a experiência de Aimar e Saviola.

Orgulho-me de ser um crente em Jesus. Já era “o meu treinador” antes de vir para o Benfica e acredito que terá aprendido com alguns dos erros cometidos este ano. Como tal, tenho muita confiança nas suas capacidades e tenho a certeza que encontrará a solução ideal para vencermos amanhã.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Melhor era impossível

O Benfica teve muita sorte no sorteio dos 16-avos e oitavos de final da Liga Europa. Face ao cenário aqui descrito, poder chegar aos quartos-de-final sem defrontar nenhuma daquelas que eram, a meu ver, as 9 equipas mais fortes, é extremamente positivo. Mas pensando a curto-prazo, jogo a jogo, o importante é ver que vamos defrontar uma equipa que está perfeitamente ao nosso alcance, o Stuttgart.
A malapata encarnada na Alemanha é mais que conhecida: 50 anos sem conseguir uma vitória na terra dos Boches. No entanto vejo com alguma esperança que pode ser desta vez que a maldição seja quebrada. A equipa do sudoeste alemão encontra-se num péssimo momento de forma ocupando um incrível 17º lugar na Bundsliga em 18 possíveis, o equivalente ao Nurnberg que defrontámos em 2008 na Taça UEFA. E não sendo o actual Stuttgart tão fraco como o adversário de 2008, também este Benfica é mais forte que o Benfica de 2008. Diria que ambas as equipas estão ainda bem longe do potencial que têm, resta saber qual delas vai conseguir evoluir mais até Fevereiro. Espero e acredito que será o Benfica. Os alemães treinados por Bruno Labbadia, ex-treinador do Hamburg não têm das equipas mais homogéneas da prova. Na baliza estão longe de estarem bem servidos, o titular Ulreich não inspira muita confiança, e esse poderá mesmo ser um ponto fraco a explorar. Na defesa há alguns jogadores conhecidos como o holandês Boulahrouz, Boka, Molinaro, ou um conjunto de jovens alemães de uma nova geração que surgiu para "renovar" o futebol germânico: Trasch, Niedermeier e, o mais conhecido deles todos, Tasci, constituem um trio de qualidade acima do resto dos colegas de sector. Quem segue o futebol internacional também já ouviu alguns dos nomes do meio campo: Camoranesi é o mais sonante de todos, mas o internacional italiano, já com 34 anos, não tem constituído opção regular na equipa inicial; Gebhart, Gentner (campeão pelo Wolfsburg em 2009) e Kuzmanovic, este último de grande qualidade, a meu ver, são outros dos jogadores mais sonantes. No ataque há Cacau, ele que já fazia parte da equipa que derrotou o Benfica na Taça UEFA de 2004/2005 e ainda dois outros atletas com mais dificuldades em assegurar um lugar no onze, casos de Marica, internacional romeno, e Pogrebnyak, o russo que se deu a conhecer ao mundo do futebol em 2008 com vários golos na campanha gloriosa do Zenit nesta prova.


Posto isto, o Benfica parece-me melhor que o Stuttgart. No entanto, a falta de mentalidade europeia, a falta de força física em campo e a desorganização defensiva podem jogar contra nós. Com a primeira mão a ser disputada na Luz, é necessário vencer em casa para, na Alemanha, ter mentalidade e sangue frio para jogar contra os alemães e contra a História.


P.S. Sem bolas quentes ou frias fica mais difícil, não fica? O Porto, sendo cabeça-de-série, teve um sorteio bem mais difícil que o Benfica. O do Sporting não aquece nem arrefece, 50% de hipóteses para cada um. O do Braga é mais difícil do que o que parece, apesar de eu não conhecer nada do Lech a não ser os resultados da fase de grupos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sorteio da Liga Europa

Observando os adversários que nos podem calhar em sorte no sorteio que decorrerá sexta-feira de manhã, parece ficar bem claro que, independentemente do oponente, o Benfica terá uma tarefa bem complicada para seguir em frente na Liga Europa.

Manchester City, Liverpool, Villareal, PSG, Bayer Leverkusen, Stuttgart, Ajax, PSV Eindhoven, Twente, CSKA, Zenit, Spartak e Dynamo Kyiv. Uma destas 13 equipas terá de defrontar o Benfica. E olhando ao lote de disponíveis, nenhum deles me parece acessível à primeira vista.

Do duo inglês, os citizens parecem ser mais perigosos que os reds, sendo ambos bem superiores ao Benfica, pese embora a má classificação interna do Liverpool. Sinceramente, são as duas equipas que deveríamos evitar a todo o custo.

De Espanha e de França os ventos não são favoráveis. O Villareal vem consolidando o seu estatuto no país vizinho e marca presença na prova europeia sem ter descuidado a participação na Liga, como fica evidente pelo terceiro lugar que ocupa, atrás dos poderosos Barcelona e Real Madrid. O PSG é uma incógnita para mim, como são todas as equipas francesas. Apesar de estarem à frente do Lyon, em segundo lugar, estão atrás do Lille, ex-adversário do Sporting, que pareceu bem tenrinho. Atendendo ao plantel que a equipa da capital francesa tem, penso que, deste grupo, até poderiam ser um adversário relativamente simpático.

O Benfica tem um trauma alemão sobejamente conhecido. Em mais de 50 anos de provas europeias, nem um triunfo nas terras germânicas. O Bayer Leverkusen do nosso conhecido Jupp Heynckes, tem um plantel fortíssimo e segue na perseguição ao líder Dortmund em segundo lugar. Já o Stuttgart mostra uma irregularidade incrível, indo já no terceiro treinador da temporada, e apesar do plantel equilibrado que tem, até poderá estar ao acesso do Benfica. É penúltimo na Bundesliga.

Da Holanda, um trio bem diferente e bem semelhante. Separados por apenas três pontos na Liga, eles que na temporada passada foram os três primeiros da Eredivisie, têm plantéis de qualidade mas uma experiência europeia bem distinta. O PSV é o mais experiente dos três fruto de ser o habitual campeão e de ter boas participações europeias, nomeadamente com umas meias-finais da Liga dos Campeões há uns anos. E tem, a meu ver, o plantel mais equilibrado, sendo que aqueles 10-0 aplicados ao Feyenoord também assustam. O Ajax é a equipa com mais História na Holanda, e nem o facto de terem despedido Martin Jol (erro incompreensível) os deve tornar muito mais fracos. Vieram da Champions e ganharam em Milão nessa prova, tendo o temível Luís Suaréz no ataque e o ex-defesa Frank de Boer como treinador. O Twente é o campeão em título, treinado pelo nosso conhecido Michael Preud'homme. Apesar de no seu plantel não haver um conjunto de estrelas famosas, têm uma formação interessante que é capaz de ombrear com qualquer outro rival na Europa. Mesmo assim, a falta de tarimba nesta competição pode jogar contra o Twente.

Do frio vêm quatro equipas. Da Ucrânia surge o Dynamo Kyiv, que não vem num moento positivo na liga local, estando já a 12 pontos do líder Shakthar. Parece-me ser, de todas as equipas do Pote 1, a mais fácil de derrotar. Da Rússia três equipas todas elas bem diferentes: o CSKA com a tarimba europeia que adquiriu há já 6 anos mantém-se na elite do futebol europeu arrancando boas participações na Europa de forma consistente, mantendo um conjunto de jogadores base há já algum tempo, casos de Akinfeev, Ignashevich, irmãos Berezutski, Aldonin, Sembreas, Rahimic e Vagner Love, todos eles presentes na final da Taça UEFA de Alvalade. O Zenit, treinado pelo italiano Spalletti, é o campeão em título e conta com o trio de portugueses (Meira, Bruno Alves e Danny) bem como com um conjunto de jogadores da selecção russa, casos de Semak, Denisov, Zyryanov, Bukharov, Kerzhakov, Bystrov e outros -ov, tudo jogadores bastante bons. O Spartak parece-me o mais fraco do trio russo, mas sinceramente é a equipa que conheço pior destas 16 do Pote 1. No entanto, parecem-me "apetecíveis".

Resumindo, por ordem decrescente de preferências: Dynamo Kyiv, Spartak, Stuttgart, PSG, Twente, Ajax, Villareal, Zenit, PSV Eindhoven, CSKA, Bayer Leverkusen, Liverpool e Manchester City.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Não querem ou não podem?

Não querem. Nem podem. Época terrivelmente mal planeada como foi dito aqui neste blog por diferentes pessoas durante todo o Verão. Erros crassos que só quem tem palas nos olhos é que pode negar. Incompetência a gerir, a ordenar e a executar. Quando olho para a equipa do Benfica não consigo apontar especificamente para um jogador e dizer que ele está efectivamente a "fazer a cama ao treinador". Mas olhando para a equipa como um todo, parece-me amorfa, sem vontade nem capacidade para mais. Vejo diferentes situações no plantel: Luisão é o líder dentro de campo, faz o que melhor sabe e pode, dá tudo e é provavelmente o melhor jogador actualmente; David Luiz é um bom rapaz, é profissional e tem aguentado estoicamente as parvoíces que têm sido escritas sobre ele. Não duvido nem por um minuto do seu empenho. Dá tudo em campo, mas está com a infelicidade de lhe sair quase tudo mal; Coentrão está visivelmente estoirado depois de um ano de 2010 com, até ao momento, 50 jogos oficiais sem pausa para férias; Saviola regressou àquilo que foi nos últimos anos, um jogador acomodado; Cardozo é Cardozo, capaz de um golo e de 85 minutos de ocaso, mas que marca, marca!

Os "objectivos mais altos de sempre", citados em Agosto último pelo nosso presidente, revelaram-se uma patetice épica. Estivemos a dois míseros minutos de ser eliminados não só da Champions League como também da Liga Europa, ou seja, chegaríamos a Janeiro sem a frente europeia por disputar, algo que, desde 2003, se verificou apenas por uma ocasião, quando treinados por Quique Sanchéz Flores. Logo aqui se vê quão miserável está a ser esta época.

Jesus tinha afirmado antes do jogo que as suas previsões estavam correctas: quem perdesse pontos com o Hapoel seria eliminado da fase seguinte da grande prova de clubes. Não esperava ele, certamente, que ao minuto 88 a frase mais correcta seria "quem perdesse mais pontos com o Benfica ficaria de fora". Triste mas verdade.

Perdemos e eis que chega o "escudo humano" do presidente, o senhor Rui Costa, posto na prateleira no momento das vitórias, chamado de urgência nas derrotas, com a vida pessoal vergonhosamente exposta nos jornais e revistas do país. Não sei como te prestas a este serviço, caro Rui. De dia para dia consigo admirar mais as suas capacidades e a sua coragem em detrimento da fuga constante de outros nos momentos difíceis. Se houve alguém que passou naquilo a que chamei de teste de carácter foi o nosso Director Desportivo, porque presidente, treinador, jogadores e adeptos reprovaram. Uns escondem-se nos momentos difíceis, outros aparecem. É esta a diferença entre os Homens e os ratos.

Será Jesus parte do problema? Manuel José, Paulo Autuori, Graeme Souness, Jupp Heynckes, José Mourinho, Toni, Jesualdo Ferreira, José Antonio Camacho, Giovanni Trapattoni, Ronald Koeman, Fernando Santos, Fernando Chalana e Quique Flores também foram. Por isso é que foram corridos a pontapé ou tentaram correr com eles. O problema é a falta de mentalidade. Com esta mentalidade perdedora, nem com Guardiola de manhã e Ferguson à tarde o Benfica ganhava.

Nem chegámos ao final do ano de 2010 e o Benfica já conta com nove derrotas, mais uma que em toda a temporada de Quique e menos uma que em toda a temporada de Santos/Camacho/Chalana. Mais grave que isto é haver benfiquistas a colocarem paninhos quentes e a dizer que "foi só mais uma derrota", "melhores dias virão", "é só uma má fase". O Benfica está nesta situação miserável crónica há já dezasseis anos. São dezasseis anos de derrotas, vexames e humilhações, são dezasseis anos de Benfiquinha, com a complacência de muitos de vós, adeptos.

Os adeptos ficaram contentes, ou pelo menos mais aliviados, com a passagem à Liga Europa. "Do mal o menos", dizem alguns. Percebo perfeitamente, é esse o me sentimento em termos práticos. Mas eis que olho para a lista de possíveis opositores vindos do Pote 1 (porque nem cabeças-de-série vamos ser neste sorteio) e vejo Manchester City, Liverpool, Bayer Leverkusen e PSV Eindhoven. Quatro potenciais Celtas de Vigo. Podem pensar que é a Liga Europa, que em jogos a duas mãos até nos podemos safar, mas a realidade nua e crua é esta: nem com Lyon, nem com Schalke nem mesmo com o Hapoel o Benfica venceu no confronto directo. Mau demais para ser verdade.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pensar o Benfica na actualidade

Sem querer desviar as atenções do post do JNF, que sintetiza na perfeição o que tem sido a Champions para o Benfica desde que este formato foi introduzido (e aquela vitória em Highbury Park com golos do Kulkov e Isaias que nos deu acesso á primeira fase de grupos na Champions, hein??? ca ganda jogatana!!!!!), e sem perder de vista que daqui a oito horas temos um jogo fundamental para as nossas aspirações de seguir em frente na Champions, gostaria de lançar a seguinte pergunta:
O que será melhor para o Benfica?
Seguir em frente na Champions e a seguir apanhar um Real, Barcelona, Manchester, Bayern, Chelsea, etc., sabendo que, á priori, iremos ser eliminados e, porventura, por numeros assaz categóricos. Ou então,
Transitar para a Europa League, onde, quanto a mim, temos hipoteses reais de ganhar.
A favor da segunda hipótese pesa, sobretudo, a questão desportiva. Na primeira, pesará a "estaleca" que se poderá ganhar a médio prazo e a, importantissima, questão financeira.
Quanto ao prestigio, se não formos humilhados como o Sporting foi com o Bayern e Barcelona provando que ainda tem o estatuto de menor para estas andanças, considero que em ambas está assegurado.
Este post não serve para lançar a discórdia. Visa apenas estimular a discussão e convidar todos a "pensar o actual Benfica".