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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Shaffer, JL Fernandez e ... Yacob


É caso para dizer que à terceira, pode ser de vez. Será que finalmente vamos acertar no jogador que realmente vem acrescentar alguma coisa, proveniente do Racing Avellaneda?
Tem o meu aval, ainda para mais a "custo zero". Bom trinco, com bons pés, chuta forte e é um líder.


AQUI!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Like-Dislike #1

Inauguramos hoje uma nova rubrica no Eterno Benfica. Uma vez por mês convidamos um blogger ou um leitor para discutir um assunto que é motivo de discórdia ou divergência entre um blogger desta casa e alguém de fora. O assunto desta semana é a contratação de Yannick Djaló, o convidado é o Sammer. Eis os pontos de vista:

«É provavelmente uma das transferências mais sonantes do mercado interno, sobretudo pelo clube que representou e pelo que se passou com o jogador nos últimos meses. Terá sido uma contratação mais com intuito psicológico, pois é uma alfinetada ao Sporting, do que propriamente com interesse na vertente desportiva. Mas analisando o jogador, pode ser uma mais valia. É um jogador veloz, com uma enorme capacidade de explosão, e que consegue tirar proveito disso para marcar alguns golos (é jogador para fazer 10/12 golos por época). Não é um goleador, como se vê pelos números, nem tem faro de golo como Óscar Cardozo, não é muito dotado tecnicamente, mas não fica nada aquém de nomes que recentemente passaram pelo Benfica e inclusive foram cruciais (como Weldon). Temos que ver também que, pelo ambiente em que se situava, não conseguia expor ao máximo o seu futebol. Pelo mal-estar em Alvalade, pela mentalidade do clube, pelo treinador, entre outros. E em relação ao treinador, Jorge Jesus pode ser muito importante com Djaló. Jesus sabe potenciar os jogadores, consegue tirar-lhes todo o seu "sumo", fazendo que tenham grande rendimento. Isto, se for possível. E no caso do Djaló parece-me que sim. Para além disso, é português (sim, é importante) e conhece bem o campeonato. Não necessita de adaptação. Precisa sim de treinar, visto que, após estes meses, a forma física não deve ser a melhor. Ainda para mais, é uma contratação a custo 0 (com os devidos detalhes dessas transferências). A opção parece-me válida. E o próprio Yannick vai melhorar bastante com esta passagem pelo Benfica. Que tenha sorte e consiga ajudar a equipa a atingir os objectivos propostos.»

Sammer

«Sempre considerei Djaló um grande jogador... até o ver jogar à bola pela primeira vez. Desde cedo, quando o jovem avançado envergou a camisola verde-e-branca pela primeira vez, se criou um mito acerca da sua qualidade. Como é aliás hábito em Alvalade. Mal uma criança se estreia é logo a nova coqueluche do Sporting. Djaló não foi excepção e eu, inicialmente, embalei nesta cantilena. Para avançado tem um grande defeito: não consegue controlar uma bola. Quando lhe passam a redondinha, ela bate no seu pé de tijolo e afasta-se rapidamente da sua posse. Não é garantia de golos apontados nem costuma fazer parte da construção de jogadas de ataque que levam a golo. Claro que a sua contratação era algo apetecível por alguns aspectos que não são de menosprezar, como o facto de ser a custo zero e ter características físicas que permitem uma abordagem diferente em alguns jogos, mas no global, a não ser que Jesus consiga potenciar este atleta, não lhe vejo grandes perspectivas de sucesso na Luz.

E ultrapassando um pouco a esfera da contratação de Yannick, não era dele que o Benfica precisava. Não só por já ter Cardozo, Saviola, Rodrigo e Nélson Oliveira para o ataque e Gaitán, Nolito, César e Perez para as alas, mas também pelas visíveis deficiências não colmatadas em Janeiro. Maxi continua sem suplente, com a agravante da saída de Amorim não ter sido devidamente acautelada. Se Capdevila não conta para Jesus, e Emerson é a única solução... não estamos mal. Estamos péssimo. Por estes motivos parece-me que a contratação de Yannick não era prioritária.»

JNF

Digam de vossa justiça.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Yannick Djaló assina pelo Benfica

Yannick Djaló reforçou o plantel do Sport Lisboa e Benfica nesta janela de transferências de Janeiro, tendo assinado contrato até 2016. Digam de vossa justiça.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dor (I de III)

A saída de Rúben Amorim causa em mim um cocktail de sentimentos difícil de descrever. Nem tanto para onde vai mas sim pela forma como sai. É triste ver um benfiquista, com um número de sócio mais baixo que o meu e que a maioria dos consócios, sair desta maneira devido a uma situação onde ele próprio se meteu e que foi também despoletada (ou estupidamente não evitada) pelo treinador e pelo presidente. Rúben sai pela porta pequena e não volta. Um ano e meio é demasiado tempo e assim que o empréstimo findar não tenho a mais pequena dúvida que o jogador não quererá regressar e que o Benfica também não quererá o jogador. Ver partir um jogador do qual gosto imenso não só pelas qualidades futebolísticas mas pelo amor que sempre demonstrou ao Benfica dentro de campo causa-me dor. Literalmente.

As culpas de treinador e presidente bem como a forma como o negócio foi dirigido e as consequências para a restante época desportiva ficam para outros posts, a publicar ainda hoje.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Djaniny

O jovem promissor avançado cabo-verdiano ao serviço da União de Leiria assinou pelo Benfica. Gostem ou não dele, e goste ele ou não de nós, comprometeu-se, é nosso e tem um contrato a cumprir. Mas vamos por partes.

Como já tinha destacado, Djaniny é um jogador que aprecio. E penso que confirmou no jogo contra o Benfica, onde por acaso (só por acaso) foi o melhor elemento da União, aquilo que tinha dito: é rápido sem ser tão veloz quanto um jogador com a sua idade e fisionomia aparenta, possui um toque de bola muito interessante sabendo escondê-la dos adversários e tem sentido de equipa, rematando com alguma facilidade. Terá qualidade para jogar no Benfica? Sim, tem. Não como titular por enquanto, mas integrando-o no plantel, jogando minutos pela equipa principal e também pela equipa B.

Quanto às declarações do seu pai, há que contextualizar a situação. Temos de compreender que esta negociação foi feita, ao que parece, à revelia ou com parcial desconhecimento do empresário de Djaniny. Aliando isto ao facto de o jovem e sua família serem de origens muito humildes e com escolaridade baixa... dá nisto. São facilmente manipuláveis e produzem declarações "quentes" sem intenção nem necessidade.

P.S. Jogar numa equipa B não é vergonha para ninguém. Pelo menos não deve ser. Um sistema de rotação como o que se faz em Barcelona é ideal. Mas isso fica para outro post.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Rodrigo, ano e meio depois

Ano e meio depois da sua polémica compra ao Real Madrid, hoje ninguém duvida que temos um grande talento nas mãos. Rodrigo é um dos jovens avançados com mais mobilidade e talento na alta roda do futebol mundial. Independentemente do preço a que foi contratado, não pensando no valor real actual do jogador e no valor demonstrado à altura da sua compra, sabemos que o Benfica vai fazer bastante dinheiro com a sua venda, que ocorrerá, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde. Hoje estamos contentes: Rodrigo dá golos, dá vitórias, dá pontos.

Mas (e há sempre um "mas"), a verdade é que no ano passado se gastaram 6 milhões de euros num jogador que não nos foi útil. Poderíamos ter perdido Rodrigo mas, em contra-partida, com o dinheiro que sobraria, poderíamos ter ganho um verdadeiro substituto de Ramires, que nunca chegou. Em 2010/2011 vimos um Benfica desequilibrado defensivamente e que sofreu muitas humilhações em campo fruto de uma equipa não compensada. A questão que vos ponho é a seguinte: sabendo do valor actual de Rodrigo e das humilhações sofridas no ano passado, estariam dispostos, voltando atrás no tempo, a abdicar da contratação do hispano-brasileiro para ter um médio equilibrador como Ramires? Digam de vossa justiça.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

15 jogadores interessantes na Liga ZON Sagres

A Liga está nivelada por baixo, a qualidade é pouca, mas felizmente há excepções. Pontualmente vemos algumas equipas a praticar bom futebol e com alguns jogadores interessantes. O foco do mercado encarnado está claramente na América do Sul, onde há muitos jogadores jovens e com algum potencial a baixo preço. E na nossa Liga? Não haverá? Também há. Ocasionalmente encontra-se um Paneira no Vizela ou um Vata no Varzim e daí se fazem bons ou grandes jogadores. Que atletas se destacaram nesta primeira volta da Liga? Eis uma lista de 15 jogadores que me pareceram interessantes:

Adrien Silva (Académica) - o jovem médio pertencente ao Sporting tem-se destacado neste início de temporada. É o "cérebro" da Académica. Numa equipa que pauta o seu jogo pelo físico, Adrien sobressai pela leveza com que trata a bola e como consegue criar perigo. Já apontou 8 golos desde o início da época, o que para um jovem da sua posição é extraordinário. Nunca pensei que pudesse chegar a este nível.

Babá (Marítimo) - Já dispensa apresentações. Rápido, com remate fácil, Babá tem atraído o interesse de vários clubes por essa Europa fora, mas permanece na pérola do Atlântico. Até quando? Ninguém sabe. Por agora vai fazendo golos atrás de golos, sendo o melhor marcador da Liga. Ora aqui está um jogador que o Benfica podia ter em atenção, fruto das boas relações que tem com o Marítimo.

Caiçara (Gil Vicente) - Este lateral esquerdo pode parecer frágil pela sua fisionomia, mas a atitude agressiva com que espalha o seu futebol compensa as possíveis carências físicas. Forte na antecipação, gosta de subir no terreno e tem um bom remate de pé direito (o seu melhor pé), algo invulgar num lateral.

Candeias (Nacional) - Não está a corresponder este ano, mas o jovem Candeias já deu mostras de ser um jogador com qualidade acima da média. Não tem medo de atacar a defesa contrária com a bola em posse, sempre junto ao pé. Não precisa de grande ajuda de um defesa lateral pois partindo de fora para dentro, à esquerda ou à direita, acaba por rematar ou cruzar com alguma facilidade. Adivinho um grande futuro para este jogador.

Cauê (Olhanense) - Benfica, Porto, ingleses, alemães. Mercado não parece faltar a Cauê. Percebe-se: fisicamente possante, forte no um-contra-um defensivo, corta a bola e entrega-a a outro médio. Faz o "jogo sujo" que poucos gostam de fazer. Muito inteligente e, sobretudo, sereno, fruto de um posicionamento invulgarmente bom para um jovem jogador de uma equipa do meio da tabela. Este não engana mesmo.

Danilo Dias (Marítimo) - Deixou de ser o número 10 da equipa e passou a jogar sobre a ala, esquerda ou direita, alternando com Sami. Danilo Dias é rápido e dotado tecnicamente, sendo o rei das assistências no Marítimo. Parece mais talhado para jogar em contra-ataque, onde pode fazer uso da sua velocidade e aproveitar a mesma característica dos companheiros.

Djaniny (U. Leiria) - Não me pareceu um velocista apesar de fisicamente poder indicar isso mesmo. Djaniny sabe ter a bola, sabe progredir e entregá-la, não sendo excessivamente individualista. Tem sentido de baliza e remata forte tanto com o pé direito como com o esquerdo, mas sem grande pontaria. Se for bem explorado, tem potencial para se tornar num jogador muito interessante.

Éder (Académica) - É um ponta-de-lança intrigante. Parece rápido mas não é assim tão veloz. É alto mas não é um cabeceador nato. Parece um goleador... mas não é. Oito golos em 74 jogos nas últimas duas épocas e meia deixam muito a desejar. Este ano já facturou por 7 vezes em 18 jogos tendo estado em bom plano. Mas será mesmo um jogador com capacidade para um grande? Duvido muito. Imenso. Mas nunca se sabe.

Edgar Silva (Vitória SC) - Ao contrário de Éder, sobre o qual as dúvidas se adensam, sobre Edgar a minha posição é muito clara: é bom jogador. Serve para um grande? Aí a conversa já é outra. O que é facto é que este avançado que esteve (?) nas cogitações do Benfica há uns 4 ou 5 anos vai marcando golos pelas equipas que vai representando. Esguio, com boa técnica e velocidade, é um atleta interessante.

Fabiano (Olhanense) - Uma das boas surpresas deste campeonato está na baliza do Olhanense. Fabiano tem apenas 23 anos e 1,97 metros. Enche a baliza. É rápido, concentrado, elástico. Sabe sair da baliza e fechar o ângulo aos avançados. Mas não lhe peçam para sair com segurança a bolas aéreas, isso é que não. Falha completamente. Precisa de treinar (muito) essa componente.

Hugo Vieira (Gil Vicente) - Tem tanto de bom jogador quanto de mau profissional. Hugo Vieira é um miúdo com imenso talento, com capacidade para virar jogos e para guiar a sua equipa, mas sem os pés assentes na terra. Aos 22 anos já tem desentendimentos com treinadores e empresários, uma lesão grave e uma passagem frustrante por França para contar. Regressou a Portugal para jogar nas distritais e captou a atenção dos gilistas, com os quais ainda tem vínculo.

João Guilherme (Marítimo) - Dos poucos defesas que conseguiram captar a minha atenção. Não sendo propriamente uma torre, é um central com "caparro" mas rápido e ágil, possui bom sentido posicional e é forte no jogo aéreo. Na minha opinião, seria titular em qualquer equipa da nossa Liga com excepção do Benfica. Fez parte da selecção brasileira que conquistou o campeonato do mundo sub-17 em 2003.

João Silva (Vitória FC) - Da Vila das Aves para Liverpool foi um pequeno passo para este jovem e possante ponta-de-lança português. Emprestado esta época pelo Everton ao Setúbal, já o vi jogar tanto pelos sadinos como pela selecção sub-21 e pareceu ter nível para voos mais altos. Pode e sabe actuar como avançado móvel, apesar da sua constituição física.

Melgarejo (Paços de Ferreira) - Este é nosso e não nos foge. Melgarejo chegou à Europa e impôs-se na capital do móvel com grande facilidade. O jovem paraguaio faz uso da sua velocidade e da técnica que possui para passar por adversários. Tem sentido e faro pelo golo, actua com grande liberdade de movimentos e pode jogar na ala ou como segundo avançado.

Pape Sow (Académica) - Se o registo foi feito a tempo e horas, Pape Sow é um jogador senegalês de 26 anos que ingressou na União de Leiria em 2009. Transferiu-se para a Académica na época passada mas só nesta pegou de estaca na formação de Pedro Emanuel. Fisicamente possante, não se pense que Pape Sow só sabe distribuir fruta pelo meio-campo. Não. Faz muito mais que isso. Os seus passes longos, pelo ar, impressionam. Quem viu a Académica receber o Sporting viu um extraordinário jogo deste atleta. A ter em conta.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma sandes de paio e um Sumol de ananás por Emerson. Vendias?

Emerson não é um dos jogadores mais acarinhados pela massa adepta do Benfica. É fácil fazer um título jocoso sobre o defesa esquerdo ex-Lille, como se pode ver por este post. Claro que é um título estúpido: uma sandes de paio ainda compreendia, um Sumol de ananás é que já é pedir demais. Ou não? Valerá Emerson este lanchinho e muito mais ou nem isso?

É uma das dúvidas que me atacam. Só que eu, ao contrário de Emerson, não as deixo passar. Tenho lido em vários sítios muita gente indignada com as críticas injustas (?!) ao defesa esquerdo titular do Benfica, e ao ler esses mesmos indignados, pergunto-me: acham mesmo que Emerson é um defesa esquerdo com qualidades para ser titular no Benfica ou só estão indignados porque se tem de defender um jogador do nosso clube mesmo que ele não jogue mais que o Escalona? É que entre acreditar piamente na qualidade de Emerson e defendê-lo por ser masoquista e gostar de levar com barretes na lateral esquerda... vai um grande caminho.

Sócios: acho que há limites razoáveis para defender um atleta. Pelo que tenho ouvido, parece que ainda hoje poderíamos estar a jogar com Bossio, Gary Charles, Edcarlos, José Soares, Escalona, Machairidis, Marco Freitas, Leónidas, Jamir, Pringle e Mawete Júnior. Afinal de contas "eles só precisam de tempo".

Como é? Alguém confia mesmo nas qualidades de Emerson? Dá-vos garantias?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

35 milhões por Gaitán. Vendias?

Tem-se falado na imprensa que o Manchester United prepara uma oferta de 35 milhões de euros (30 pagos a pronto e 5 divididos por objectivos) para levar Nico Gaitán para Old Trafford no final da época. Atendendo à actual situação financeira do clube, conhecendo o potencial e a qualidade do jogador e o que tem mostrado neste ano e meio de Benfica, a questão que se põe é simples: vendias Gaitán nestes moldes já em Janeiro?

Eu venderia, sem dúvida. A irregularidade exibicional com que Gaitán nos tem brindado fazem com que os 35 milhões sejam irrecusáveis. Hoje não vale nem de perto nem de longe essa quantia absurda. E duvido seriamente que Nico valerá sequer todo este dinheiro um dia. Vendia na hora. E com a verba arrecadada sempre dava para contratar um miúdo de 21 anos que não é titular absoluto em Madrid.

A caixa de comentários é vossa.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Apostar no presente antes do futuro

Victor Lindelof é um jovem lateral direito de 17 anos que milita no Vasteras, penúltimo classificado da segunda divisão sueca e que vê o seu nome associado a uma possível transferência para o Benfica. Independentemente de o interesse do Benfica ser ou não verdadeiro, esta notícia é um excelente ponto de partida para um tema importante que tem sido bastante discutido mas onde fica sempre por referir uma questão importante.

O mercado mudou muito nos últimos 20 anos. Hoje em dia, com mais empresários, mais tecnologia e maior facilidade em fazer fluir informação, qualquer jogador escondido na recôndita 4ª divisão brasileira pode chegar ao futebol português num abrir e fechar de olhos (vide Kanu). Passámos de uma prospecção sobretudo nacional para uma global que ia até às primeiras divisões de campeonatos de outros países, nomeadamente dos campeonatos sul-americanos e escandinavos (no caso do Benfica) e hoje alargou-se esta pesquisa às divisões inferiores desses mesmos campeonatos.

Num mercado claramente sobrevalorizado, onde qualquer coxo vale o seu peso em ouro, é cada vez mais difícil conseguir contratar a baixo custo um jogador que se comece a destacar numa divisão principal de um qualquer campeonato sul-americano. Sidnei, por exemplo, custou aos cofres do Benfica cerca de 5 milhões de euros por metade do passe, mais ou menos o mesmo que o Porto pagou por Otamendi. Edcarlos, Sepsi, Kardec ou Éder Luiz, todos eles jogadores de qualidade duvidosa, custaram algum dinheiro mal deram três toques numa bola. Como contornar este problema e contratar bom e barato?

Fazer o que o Benfica faz: contratar jovens, mesmo que em divisões inferiores. Jovens esses que, na maioria das vezes, são demasiado jovens. Lindelof é um bom exemplo. Como é Urreta, Fellipe Bastos, Oblak, Derlis, Wass, Patric, David Luiz ou Freddy Adu. É a maneira mais fácil: os vídeos passam rapidamente o Atlântico e poupa-se dinheiro uma vez que os jogadores, apesar do potencial, demonstraram muito pouco.

E o reverso da medalha? Existe? Claro que sim. Muitos deles não chegam a confirmar o valor que lhes era auspiciado. Vejam Sepsi, Patric, Adu ou Edcarlos. Ninguém tem dúvidas que nenhum destes quatro irá longe. E nesta brincadeira perdemos quase 5 milhões de euros, dinheiro que dava para comprar, por exemplo, um grande defesa esquerdo (e se precisamos de um, se precisamos...). Ganhámos pontualmente, nomeadamente com David Luiz e Di María, talvez os expoentes desta política de contratações, mas será que, mesmo estes atletas que deram retorno financeiro avultado, se revelaram desportivamente "rentáveis" enquanto actuaram pelo Benfica?

Na minha opinião, não. Passo a explicar: o retorno desportivo dado por estes super-atletas é fraco. David Luiz esteve quatro épocas no Benfica e apenas uma foi verdadeiramente espectacular. Di María esteve três e produziu apenas uma de grande qualidade. Neste tempo todo conquistámos apenas um grande título, o campeonato 2009/2010, sendo que pelo meio ainda tivemos de suportar a humilhação que foi o quarto lugar em 2008. E depois? Tanto o brasileiro como o argentino foram às suas vidas. É a lei de mercado. Os tubarões observam, pagam e levam.

Voltando a Lindelof. Se o lateral sueco vier para o Benfica e confirmar o talento que tem, quanto tempo teremos de esperar para o ter em grande forma e com grande qualidade? Quatro, cinco anos? E depois disso sai para um colosso europeu? Andamos quatro ou cinco anos a ver os outros ganharem campeonatos e quando temos jogadores aptos para sermos campeões eles deixam o clube no ano seguinte? Formamos jogadores, temos retorno financeiro mas não obtemos os títulos que permitam dominar o futebol português.

Sou mais favorável à contratação de "Witseis". Jogadores europeus, rodados, a custo médio-elevado mas com garantias de qualidade no imediato. Talvez seja mais difícil, talvez seja mais arriscado, mas parece-me o mais indicado se queremos dominar o futebol português.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Treinador de Teclado

No estádio ou no sofá, todos somos treinadores de bancada. Damos bitaites sobre as substituições, o esquema táctico, a performance individual de cada jogador. Antes da época começar é normal assistir nos blogs e nos fóruns a um montar e desmontar de plantéis. Afinal de contas, todos somos treinadores ou directores desportivos de teclado. «Jogador "x" de reforçar o meu clube, jogador "y" deve sair», por aí adiante. E é isso que faço hoje no blog, lançando o repto para que façam o mesmo na caixa de comentários. Componham o vosso plantel para 2011/2012: digam quem fica, quem sai, por quanto sai, quem vem e por quanto vem. Sabendo que só erra quem arrisca, eis o meu plantel para a próxima época (nota: tenho esta equipa feita desde o dia em que fomos eliminados da Liga Europa, 5 de Maio de 2011).

Permanências: Júlio César, Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Fábio Coentrão, César Peixoto, Javi Garcia, Rúben Amorim, Carlos Martins, Nico Gaitán, Pablo Aimar, Franco Jara, Nuno Gomes, Óscar Cardozo.

Empréstimos (principais): Oblak (2ª Liga), Fábio Faria (1ª Liga), Jardel (1ª Liga), Roderick Miranda (1ª Liga ou 2ª Liga), Carole (1ª Liga), Airton (1ª Liga), Leandro Pimenta (2ª Liga), Miguel Rosa (1ª Liga), Ishmael Yartey (1ª Liga), Alan Kardec (1ª Liga).

Saídas: Roberto (6 M), Sidnei (5 M), Marc Zoro (0 M), Luís Filipe (0 M), Jorge Ribeiro (0,5 M), Javier Balboa (0 M), Fernández (1,5 M), Felipe Menezes (2,5 M), Weldon (0 M), Saviola (5 M).

Entradas: Artur Moraes (0 M), Rodriguez (0 M), Ezequiel Garay (0 M, empréstimo), Miguel Vítor (0 M), Stankevicius (2 M), Hassan Yebda (0 M), Miguel Veloso (7 M), Vieirinha (4 M), Danny (7 M), David Simão (0 M), Nenê (5,5 M), Nélson Oliveira (0 M).


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O actual onze titular do Benfica está longe de ser mau. Pelo contrário, é bom. Um dos problemas, por ventura o maior, é a falta de qualidade das "segundas opções". E é por isso que, do actual plantel, comigo só transitavam 14 jogadores, sendo que apenas Moreira, Peixoto e Martins é que fazem parte dessas segundas opções. E há casos que neste momento só por burrice desmesurada se manteriam no plantel. Roberto, por exemplo. Saviola, outro, jogador que nos últimos 7 anos só fez uma boa época. E mesmo Jardel, no qual acredito, mas que precisa de maturar primeiro noutra equipa da Liga, pois parece que deu um salto maior que a perna, apesar de poder vir mais tarde a confirmar a qualidade que aparenta ter. Sidnei é um caso quase perdido de um miúdo com talento mas que não se quer afirmar, preferindo a boa vida ao profissionalismo. Menezes é Menezes, um falso lento, pois parece lento mas na realidade joga parado. Luís Filipe, Weldon, Zoro, Fernández, e Balboa são para vender rapidamente. Para que tenham noção, neste pacote de luxo de cinco jogadores, pouparíamos cerca de 200 mil euros por mês.

Quanto aos empréstimos há dois tipos de jogadores a emprestar: um conjunto formado por atletas mais jovens ou das nossas escolas, como Oblak, Roderick Miranda, Leandro Pimenta e Ishmael Yartey, que ainda têm bastante a provar e que deveriam rodar em equipas com ambições altas na Liga Orangina ou que não quisessem descer a essa divisão, e um conjunto de jogadores com alguma qualidade já mostrada, como Fábio Faria, Jardel, Carole, Airton, Miguel Rosa e Alan Kardec, que deveriam rodar em equipas com ambições europeias ou que ambicionem um lugar sólido na tabela.

Por fim, as entradas. Começando pelos "retornados", Miguel Vítor, Hassan Yebda, David Simão e Nélson Oliveira demonstraram, nos clubes por que passaram, qualidades que justificam a sua integração no nosso plantel: Miguel Vítor jogou poucas vezes na equipa de Eriksson pois esteve lesionado durante boa parte da época, mas sempre que foi chamado cumpriu muitíssimo bem, confirmando o que já tinha mostrado na época de Quique Flores. Alguém se lembra de ver o nosso jogador falhar ou ficar mal num lance em que tenhamos sofrido um golo? Pois. Yebda foi "só" eleito a melhor aquisição este ano em Itália. Preciso dizer mais alguma coisa? Os dois "pacenses" mostraram boas indicações esta época. Mais David Simão, que pegou na batuta da equipa, mas também Nélson Oliveira, com muitos golos decisivos que deram pontos aos pacenses.

A custo zero viriam ainda três jogadores: Artur Moraes, que se confirmou, e que a meu ver poderia lutar pela titularidade com Júlio César; o central peruano Rodriguez, que demonstrou uma serenidade aliada à sua óbvia qualidade durante estes anos de Braga, também em final de contrato, seria uma excelente opção; e por fim o argentino Garay, que já se tinha destacado no Racing, possivelmente por empréstimo do Real Madrid e que não foi opção para Mourinho, que contava com Carvalho, Pepe e Albiol, mas que encaixaria que nem uma luva ao lado de Luisão, por ter características muito diferentes das do número 4. A juntar a estes quatro reforços, um lateral direito suplente de boa qualidade que pertence aos quadros da Sampdoria e que esteve emprestado ao Valencia: o lituano Stankevicius, de 29 anos. Deveria ser possível contratar por 2 milhões, especulo eu.

Por fim, os mais caros: foi visível durante toda a época que faltava um apoio a Javi Garcia. O substituto de Ramires não veio e poderia mesmo ter vindo. Chamava-se Moutinho e foi muito graças a ele que o Porto venceu. A ajuda de Javi Garcia poderia chamar-se Miguel Veloso. Claro que vai aparecer gente indignadíssima na caixa de comentários a dizer cobras e lagartos do Veloso (como disseram do Moutinho na pré-época!!), mas que tem uma qualidade inegável, isso tem. Rui Costa já expressou a admiração que tem pelo filho do ex-colega, que já desvalorizou o suficiente em Génova para ser um alvo não muito difícil para o Benfica. Basta querer. Outros jogadores são Vieirinha e Danny, extremos portugueses que estão no estrangeiro mas que podem dar ao Benfica uma solução que vamos perder com a saída de Salvio: profundidade nas alas. Danny já afirmou que quer sair da Rússia e vai entrar no último ano de contrato, já Vieirinha é mais um dos talentos que o Porto esbanjou. Por fim, um jogador que me chamou a atenção quando defrontou o Benfica esta época: Nenê. É uma espécie de segundo avançado que pode jogar como médio esquerdo, marcando muitos golos por temporada. Fê-lo no Monaco e voltou a repetir a proeza no PSG. Com quase 30 anos, seria uma boa solução a curto e médio prazo para fazer dupla com Cardozo, ou para jogar na ala. Vi alguns jogos do PSG e este jogador não engana, é muito bom mesmo.

Um hipotético onze titular, em 4x3x3, seria isto: Júlio César; Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay, Fábio Coentrão; Javi Garcia, Miguel Veloso e Pablo Aimar; Danny, Nico Gaitán e Óscar Cardozo. Suplentes: Artur Moraes, Stankevicius, Rodriguez, Hassan Yebda, Rúben Amorim, Jara e Nenê.

Façam os vossos plantéis.

sábado, 21 de maio de 2011

Salvio, Madrid e Benfica

Finda a temporada, Salvio regressa à capital espanhola para debelar a lesão contraída em Eindhoven e dá (terá dado?) uma entrevista ao site oficial do seu clube, o Atlético de Madrid, dizendo que queria ganhar um lugar nos colchoneros na próxima época. Isto não foi inventado pela imprensa portuguesa nem pelos mauzões dos blogs que não dizem "sim" a tudo o que a direcção do Benfica lhes impõe, etc. Isto li eu e podem ler vocês mesmos aqui.

Entretanto Salvio desmentiu a entrevista dada ao site oficial do próprio clube. Das duas uma: ou o autor da notícia do clube de Madrid mentiu, algo que me custa a acreditar, eu pelo menos não imagino que se faça uma coisa destas no site do Benfica, ou o jovem Salvio, fruto da inexperiência de 20 anos de vida, quis agradar a gregos e troianos, dizendo a uns que queria ficar com quem lhe paga o salário e a outros que queria ficar com aqueles que tinham sido a sua casa em 2010/2011. Vou mais pela segunda hipótese.

Mas sobre Salvio mantenho o mesmo que disse desde o seu primeiro dia de Benfica, o mesmo que aprendi com os empréstimos de Miccoli, Reyes e Suazo: é bom, é caro e não vai ficar no Benfica. Infelizmente parece-me que será assim. É jovem, tem um salário muito elevado, é hispânico e pode optar por um clube de uma liga periférica onde se geram gigantes expectativas e onde os títulos escasseiam e a frustração abunda ou por um clube da melhor liga do mundo, com dos melhores jogadores do mundo, que compra jogadores ao Benfica e que, apesar de não ganhar títulos, tem uma Supertaça Europeia e uma Liga Europa ganhas no ano passado.

A mim parece-me óbvio onde vai jogar em 2011/2012 desde o dia em que chegou ao Benfica. Se não demos os 6,5 milhões pelo Reyes vamos dar os 10 ou 15 pelo Salvio? Não vamos nem podemos.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Impasse





Os sinais são por demais evidentes. Maxi Pereira quer continuar na Luz. Resta saber por que motivo, quatro anos após o seu ingresso no clube, ainda não teve nenhuma revisão de contrato. Desde o primeiro dia tem sido um profissional aplicado, tornou-se figura importante do onze na segunda temporada e é titular indiscutível há já 3 anos. Vai iniciar a quinta época de águia ao peito e em Janeiro de 2012 será um jogador livre de assinar por quem quiser a custo zero. Será que os incompetentes que pululam nos corredores do Estádio têm essa noção?

Não me venham com tangas do empresário dele ser um mauzão e coiso e tal. Maxi já disse que quer continuar no Benfica e está à espera de uma proposta que ainda não lhe chegou às mãos. Mais: se o Benfica não vai renovar com o internacional uruguaio, é porque não quer. E se não o faz devido ao empresário Paco Casal, os nossos dirigentes deveriam ter vergonha na cara de negociarem com outros chulos e de se sentarem com eles ou pernoitar nos seus hotéis, se é que me faço entender. Quero ver Maxi por muitos e bons anos no Benfica e não há desculpa para que tal não aconteça.

Eu bem avisei... #3

Sem querer questionar o seu valor, esta contratação, apesar de poder vir a ser útil no futuro, não acrescenta, a meu ver, nada de novo ao actual leque de defesas do nosso plantel, pois não acredito que Miguel Vítor (que foi sempre titular nos sub-21 ao contrário de Fábio Faria) seja inferior em nada.

in Fábio Faria, 17 de Julho de 2010

[Sobre Rodrigo] Não percebo qual é a razão para gastar seis milhões de euros num avançado que, mesmo podendo ser bom, não vai entrar de caras no onze, provavelmente nem no banco se vai sentar e que vai acabar por tapar um talento da formação chamado Nélson Oliveira. [...] Por isso, qual é o interesse em gastar seis milhões de euros no "enésimo" ponta-de-lança? Se calhar era mais útil contratar um defesa-direito que fizesse concorrência a Maxi, ou um médio esquerdo, não?

in Seis é bom, sete não será demais?, 31 de Julho de 2010

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pizzi - o bom exemplo do que não aproveitamos

Joga em Portugal, é português, é jovem, é barato, tem qualidade. Cinco atributos que deveriam fazer com que o Benfica equacionasse a possibilidade de o contratar, em vez de preencher espaço no plantel com estrangeiros inúteis como Fernández ou Menezes, que à falta de qualidade juntam a falta de ambição, de entrega e um preço obsceno. Por que não contratar mais Pizzis e menos Menezes? Não dá comissão? Bom, se calhar temos de alterar algumas mentalidades...

Quem diz Pizzi diz mais uns três ou quatro jogadores de qualidade para posições carenciadas. Tinham o Sílvio para defesa esquerdo, mas não o aproveitaram. Tinham o João Pereira para defesa direito. Têm ainda bons jogadores como o Rui Miguel do Vitória, o Candeias do Portimonense, o Bruno Gama do Rio Ave.

Não têm o nome que alguns dos nossos têm, mas qualidade e ambição não lhes falta. Basta ver que ao longo dos últimos anos, e apesar de também investir muito no mercado externo, o Porto tem potenciado muitos dos jogadores nacionais. Ainda hoje, nos habituais eleitos de AVB, têm um jogador que foram buscar ao Leiria, um ao Belenenses, dois ao Nacional, e dois ao Sporting, sendo que um destes até foi dispensado. E vejam também o plantel do Braga, finalista da Liga Europa, que tem vários jogadores que eram apenas "mais uns" nas suas equipas (Lima, Paulo César, Alan, Mossoró, Vandinho, Sílvio, Salino, Custódio ou Meyong).

sábado, 16 de abril de 2011

O Futre até tem graça

Grande personagem, este Paulo Futre. A história que conta sobre o chinês é tão recambolesca que nem uma criança de 5 anos acreditaria nela. No entanto fica a nota de boa disposição e de uma estratégia que, se não tivesse sido apresentada de forma estapafúrdia, até poderia ter recebido uma boa aceitação. Basta ver os casos de Ji-Sung Park, Nagatomo, Hasebe ou Kagawa, jogadores de qualidade mas que, mais que isso, são uma aposta em termos de popularidade noutros mercados.

E o Benfica, onde encaixa nisto? Bom, o facto é que já tentámos fazer isto mesmo em três continentes diferentes. Com o chinês Yu Dabao, o "Grande Tesouro", que marcava golos e mais golos nos juniores mas que se eclipsou pouco depois, com o australiano Kaz Patafta, a grande promessa de um continente, que acabou por se revelar um flop, e por fim, Freddy Adu, a grande aposta de marketing que acabou por não surtir efeito. Uma estratégia interessante e que demonstra inteligência. Pena que tenhamos apostado nos cavalos errados.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vendam este cepo, vendam...

... que eu quero ver quanto tempo é que vamos demorar para encontrar um igual que meta a redondinha lá dentro com tanta frequência. 20 anos, é bom?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fantasminha Brincalhão

Num plantel onde todos têm oportunidades (e quando digo todos, são mesmo todos, até o Luís Filipe e o Menezes) num campeonato que já está morto e enterrado, José Luis Fernández, jogador que 95% dos benfiquistas deste país nunca ouviu falar, nem tem direito a um mísero minuto. Se não fosse aquele jogo com o Aves para a Taça da Liga, arrisco dizer que seria o novo King. O que é facto é que parece confirmar-se o que disse aquando da sua vinda: este é o Andrés Diaz de um negócio em que o Di María era o Funes Mori. Temos é um pequeno problema em mãos: Funes Mori não veio (nem queria que viesse, avançados é coisa que não nos falta) mas ficámos com o emplastro por 1,5 milhões. E atendendo ao que foi o mercado, acho que este não veio a pedido de Jesus. Se Saviola é "El Conejo", se Aimar é "El Mago", Fernández arrisca-se a ficar conhecido por "El Fantasma". 1,5 milhões deitados ao lixo. E de milhão em milhão já tínhamos uma vaquinha feita para comprar o Salvio.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Desta vez estou seriamente preocupado

Como todos sabemos, o campeonato já acabou e à falta de melhor assunto os jornalistas desportivos vão puxando pela imaginação e anunciado concorrentes a candidatos a possíveis transferências para o Benfica. Num dia é o empresário que confirma o interesse do Benfica, no dia seguinte é o jogador que já tem tudo apalavrado e só falta assinar, no terceiro dia o jogador acaba por rumar a outro lado qualquer. Costuma ser assim, já estou habituado e nem me preocupa. O que me preocupa é outra coisa.

Prevejo uma pré-temporada com muitas mexidas na Luz. Muitas mesmo, algumas das quais que envolverão alguns dos nomes mais sonantes. Tendo um presidente que tem um gosto especial em negociar muitos jogadores e um treinador que ano sim ano sim traz e manda embora demasiados atletas (basta ver o que fez no Belenenses, em Braga e agora no Benfica), temo que tenhamos alguns amargos de boca neste verão. São vários os jogadores, uns mais consensuais entre os adeptos e outros menos, que poderão sair:

- Maxi Pereira: com o contrato a acabar em 2012, a proposta de renovação de contrato tarda em aparecer. Não sei se por o próprio Maxi já ter dito que não quer renovar (algo que não acredito) ou por manifesta incompetência da direcção que está a fazer disto uma guerra pessoal com o empresário do uruguaio, o que seria um acto de egoísmo pessoal no qual os interesses do Benfica não estariam a ser salvaguardados. Seja o que fôr, se não houver interesse em renovar com Maxi, algo que ainda não foi manifestado, o camisola "14" poderá ser transferido no verão.

- Miguel Vítor: adoro este jogador e não é por ser da formação do Benfica. Miguel Vítor não é um pré-destinado, mas é um jogador extremamente aplicado, profissional e eficaz apesar de algumas limitações. Sempre que foi chamado, cumpriu, sendo difícil recordar-me de um lance de golo sofrido em que tenha ficado mal na fotografia (só contra o AEK na Luz). É português, é nosso e sai barato. O problema é que Jesus não vai à bola com ele desde do primeiro dia de trabalho.

- Fábio Coentrão: não há muito a dizer. Coentrão vai sair queiramos ou não. A política do clube assim o dita e não censuro a direcção por causa disso, mas a verdade é que o Benfica vai perder aquele que é, provavelmente, o seu melhor jogador. Há que saber colmatar a vaga, mas será muito difícil contratar alguém com a qualidade do Fábio. Que seja bem vendido, é o que espero. Sem "moedas de troca", prestações ad eternum, cláusulas misteriosas, manhosas e inconcretizáveis, etc.

- César Peixoto: eu também gosto do "patinho feio". Já disse por mais de uma vez que é com "Peixotos" que há campeões. Tecnicamente evoluído, tem o handicap de ter uma mulher bonita e o facto de não fazer correrias à maluca. E adepto do Benfica que é adepto do Benfica não admite um jogador que não faça correrias mesmo que sejam despropositadas. Se nem o Nené era poupado, esperavam que o Peixoto fosse? Nem pensar. Tem mais que qualidade para ser um bom suplente a defesa ou a médio.

- Javi García: Airton parece um jovem com potencial e seguro no plantel. Matic, jogador contratado ao Chelsea, parece-me ter as características de "6" e não de "8" como já vi por aí escrito. Ora, se Jesus quer ter dois médios-defensivos, será "natural" a saída do mais caro para fazer uma boa receita e equilibrar as contas. Não acho que Javi esteja desesperado por sair do Benfica, bem pelo contrário, mas pode haver a vontade de alguém acima dele em fazer dinheiro, e aí a sua saída poderá ser irreversível.

- Salvio: a sua saída não me preocupa por aí além, pois além de achar que o Benfica precisa de um jogador com outras características para garantir maior segurança à defesa, o seu preço está inflacionado. No entanto isso não significa que venhamos a ter sucesso com o seu substituto, se não ficar. Tenho algumas dúvidas, veremos.

- Fernández: não aquece nem arrefece, é um jogador do qual ainda não sei nada e que ainda não mostrou nada. Uma incógnita total.

- Miguel Rosa: este jogador porventura mais desconhecido para alguns benfiquistas, anda a rodar no segundo escalão em Portugal há já três épocas. Começou bem no Estoril, foi o abono de família no Carregado e mantém o Belenenses a salvo da descida esta época. É reconhecidamente um jogador de qualidade que nem sequer teve uma mísera oportunidade num Paços, Naval, Académica, o que for. Porquê não sei, mas acho que foi mais um caso de um jogador que saiu da formação e não foi devidamente acompanhado. Poderia ser útil mas dificilmente pertencerá ao plantel.

- Carlos Martins: se Bruno César custou 5,3 milhões ao Corinthians e já assinou pelo Benfica, isso significa que Martins ou mesmo Aimar poderão estar de saída. Não me parece que o Benfica queira manter três números dez de tão grande qualidade. E a saída de Martins poderá mesmo ser a solução. Uma má solução, diria.

- Pablo Aimar: Aimar vai entrar na sua última época de Benfica, uma vez que o seu contrato acaba em Junho de 2012. A antecipação do seu regresso ao clube do coração, o River Plate, ou mesmo uma ida para as arábias ou para os states não são de descartar, até porque Pablito não deverá renovar para lá de 2012. Veremos...

- Felipe Menezes: adeus e boa viagem.

- David Simão: outro jogador que tem qualidade e que até poderá vir a integrar o plantel do Benfica caso as palavras de Vieira, quando disse que teríamos quatro a cinco jogadores da formação no plantel da próxima temporada, sejam verdade (amanhã até acredito no que ele disser, diga o que diga). David Simão tem qualidade, impôs-se no Paços, joga nos sub-21 e penso que deveria ser aproveitado e integrado numa lógica de aprendizagem com Aimar. Veremos se algum deles estará cá para o ano.

- Weldon: foi um dos jogadores chave no campeonato de 2009/2010 e desapareceu estranhamente nesta temporada quando até poderia ter sido útil. Porquê? Não sei. Acaba contrato este ano e deverá sair.

- Nuno Gomes: já manifestou o seu desejo em terminar o seu percurso de Benfica. Se manifestar igual interesse em terminar a carreira, o Benfica deverá deixá-lo ir. Mas se tiver vontade em continuar a jogar, acho despropositado deixar sair um símbolo do clube que se tem revelado muito útil e que mantém qualidades técnicas e psicológicas para ser opção válida.

- Óscar Cardozo: o seu representante, Pedro Aldave, semana sim semana não vem debitar disparates para a imprensa. Estou farto desta personagem abjecta que representa Tacuara. Todos os anos pode sair, mais parece a novela Luisão, mas vai ficando. Pode ser que saia um dia e que esse dia seja no verão de 2011, mas espero que não. No entanto há que manter as opções em aberto.

- Alan Kardec: deverá rodar noutra equipa da primeira divisão. Boa decisão, parece-me. O Kardec que vimos na pré-época não mais apareceu durante a temporada competitiva. Acho que o camisola "31" vale bem mais daquilo que mostrou nos jogos oficiais, é tecnicamente capaz, tem bom jogo aéreo e não tem medo de rematar à baliza. No entanto, o facto é que não se conseguiu impor. Penso que faz bem em sair emprestado para uma equipa com ambições na primeira Liga.

Obviamente que nem todos os jogadores sairão. Provavelmente, deste lote de 16 jogadores, acredito que cerca de 10 poderão mesmo abandonar o clube, a título definitivo ou por empréstimo. Serão bastantes mexidas e acho que isso poderá vir a manifestar-se num início de temporada titubeante. Vamos ver, o tempo dirá se tenho razão.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Salvio: eu não pagava

Dos muitos empréstimos que o Benfica tem feito uso nos últimos anos, raros são os jogadores que não se conseguem afirmar. Geovanni, Miccoli, Reyes, Suazo e agora Salvio são exemplos disso mesmo. E afirmam-se porque são jogadores consagrados (a maioria), com muita qualidade e que querem dar um novo rumo às suas carreiras.

Mas a qualidade tem um preço. E foi por isso que o Benfica não comprou a maioria dos jogadores supracitados. Os quatro milhões de euros por Miccoli eram, no entender da Direcção, dinheiro a mais (mas já os havia para o Marcel...), Reyes não justificava os seis milhões e meio de euros até porque Di María ia "explodir", Suazo acabou por ser vítima de lesões e de um estilo de jogo que não o favorecia e de uma equipa que jogava mau futebol, apesar de mostrar qualidade. E Salvio?

É, na minha opinião, uma faca de dois gumes. Salvio mostrou qualidade nesta temporada, mas falta-lhe a magia nos pés que os grandes extremos do futebol mundial têm. Há querer, há luta, há vontade, há qualidade, mas não há magia. Não que seja uma característica fundamental, mas para um jogador valer o dinheiro que o Atlético pede, eu acho que deveria ter mais qualquer coisinha nos pés. Os quinze milhões que o Atlético pede são um exagero. A meu ver, tudo o que for acima de oito milhões é dinheiro a mais.

E há outro argumento importante. O Benfica precisa, a meu ver, de um médio com outro tipo de características. Precisa de um box-to-box, um jogador que não seja um extremo puro mas que consiga desempenhar um papel ofensivo e defensivo na linha do que Ramires fazia. Basicamente, quero um novo Ramires, um jogador que nos dê mais consistência defensiva (algo que Salvio não consegue dar) e que consiga equilibrar a equipa nomeadamente na transição ataque-defesa, uma das grandes falhas do Benfica desta época e que nos custou demasiados golos. É aqui que deve estar a grande prioridade.

Não se pense com isto que não gosto de Salvio. Gosto bastante do jogador e acho que, mesmo sem ser um daqueles extremos mágicos, tem uma raça e capacidade de luta invulgares e que lhe permitem ganhar inúmeros lances. Se vale 15 milhões de euros? Nem pensar. Se valerá? Não sei. O Benfica precisa de Salvio? Precisa, mas pode e deve escolher um jogador com características diferentes e que ofereça outro tipo de soluções. E atendendo ao histórico de negociações de jogadores emprestados, penso que será mais ou menos isto que se irá passar. Jesus, Rui Costa e Vieira têm a palavra.