Era difícil exigir mais ao Futsal Benfica em 2009/2010: campeões europeus de clubes, em Lisboa, frente à Luparense, Araz e ao grande Interviú Movistar. Só isto encheu-me as medidas, era o título que todos ambicionávamos mas em que poucos acreditavam realisticamente. Depois disto poderia acontecer aquilo que quisessem, que eu já estava muito satisfeito com a época. Não é desleixo nem falta de ambição, mas esta conquista foi algo de surreal, foi simplesmente o título mais importante da História das Modalidades do Benfica. Era o mesmo que ganhar a Liga dos Campeões em Wembley, no futebol este ano e acabar em segundo o campeonato, dizendo que a época ficou aquém das expectativas. Não ficou, tanto que as superou largamente. Fomos grandes? Não fomos enormes! O Futsal Benfica deu-me uma das maiores alegrias desportivas da minha vida, eu que estive lá tanto na sexta como no domingo, a assistir aos jogos. Perante quase 10.000 espectadores, o Benfica sagrou-se campeão europeu no Pavilhão Atlântico frente a uma verdadeira constelação de jogadores, sendo que, para terem noção dos orçamentos, apenas um jogador desta equipa espanhola, Betão do Interviú, custou mais do que o orçamento inteiro do Benfica para toda a época.
O Benfica iniciou a época como principal candidato em três frentes: Supertaça, Campeonato e Taça de Portugal. No primeiro troféu, vitória por 1-0 frente ao Belenenses graças à magia de Ricardinho, ele que, como sabemos, acabou por sair no final desta época para rumar ao Nagoya, do Japão. Na Taça de Portugal o Benfica chegou à final, sendo que no seu percurso deixou pelo caminho o Sporting, num jogo marcado pela agressão dos adeptos do clube diferente ao nosso guarda-redes, Bebé, e pela cuspidela desse verme chamado Cardinal ao nosso treinador André Lima. Na final derrota com o Belenenses após prolongamento, com o golo decisivo a ser sofrido a seis segundos do final, num lance em que houve claramente displicência de alguns jogadores, pela forma como o golo é sofrido. No campeonato, e após uma fase regular complicada que culminou no terceiro lugar, também fruto de várias competições mais importantes que se interpuseram pelo caminho (casos da UEFA Futsal Cup ou do Europeu de Selecções, em que Portugal ficou em segundo lugar apesar de uma participação bastante fraca, nomeadamente na primeira fase), seguiram-se os playoff. Aí, o Benfica derrotou o Fundão nos quartos-de-final por 2-1, com uma derrota embaraçosa na Luz, num jogo marcado por muita desinspiração, seguindo-se o Belenenses. Aí, muitos sentenciaram o fim do Benfica, que teria a difíl tarefa de ganhar no Acácio Rosa para passar à final. Curiosamente, a resposta da equipa foi categórica, com vitórias limpinhas na Luz e a seguir no Restelo, num grande jogo de futsal.
Por fim as finais, a 5 jogos, com o Sporting: o primeiro jogo em Loures sorriu, e "sorriu" é realmente a melhor palavra para descrever, ao Sporting, por 4-3, numa partida em que os leões marcaram três dos seus quatro golos às três tabelas, e o Benfica enviou quatro bolas aos ferros. No dia seguinte, novamente em Loures, o Benfica conseguiu confirmar a ideia deixada no primeiro jogo e venceu por igual resultado ao da derrota averbada no dia anterior, novamente 4-3, num jogo em que nos últimos 25 segundos houve três golos, um dos quais (o do Benfica) alcançado num lance de génio. A final estava empatada e o Benfica levava a decisão final para a Luz, onde poderia sagrar-se tetracampeão. No terceiro jogo da final, primeiro em casa, o Benfica esteve sempre na frente do marcador mas alguns erros infelizes e decisões de arbitragem pouco felizes também (ou algo premeditadas), marcaram o jogo, e o Sporitng teve novamente a felicidade de vencer a partida, desta feita nos penalties, ficando o Benfica a defender um match-point na Luz, no dia seguinte. E o facto é que não conseguiu salva-lo. Num jogo que ficou novamente marcado por lances muito polémicos, a roçar a fraude e a vergonha, o Benfica saiu derrotado pela equipa de arbitragem que branqueou pelo menos dois penalties, um dos quais a seis segundos do fim, e ainda conseguiu expulsar Ricardinho, por, imaginem, palavras a um adversário, quando durante o jogo todo outros jogadores do Sporting, nomeadamente aquele porco que todos sabemos quem é, ter ameaçado de morte um jogador do Benfica. O resultado foi o que sabemos, e logo ali, na festa do Sporting na Luz, ficámos a perceber pelas palavras do treinador leonino, Paulo Fernandes, que iria haver mudanças no Benfica para 2010/2011.
2010/2011 está a ser marcado por mudanças e renovação do plantel. Sem os mesmo argumentos financeiros que o Sporting, onde se pagam ordenados acima dos 25 mil euros, graças à CGD, o Benfica perdeu a sua estrela maior, Ricardinho, que um dia voltará, e ainda Zé Maria, o mítico "7" encarnado, um benfiquista desde pequenino como nós e ainda não se sabe se o guardião Zé Carlos fica. Em termos de entradas, estão confirmadas três, e provavelmente ainda poderão vir mais um ou dois jogadores. Mas dizia eu, confirmados estão já Vítor Hugo, guarda-redes português ex-Fundação, ele que é dos melhores na sua posição actualmente mas que parece não conseguir tirar, neste momento, a titularidade a Bebé, Diece, jovem ala brasileiro que vai espalhar muita magia pelos pavilhões de Portugal, ele que é um fantasista à semelhança do que é Ricardinho, e ainda o ex-belenense Diego Sol, jogador já muito contestado por uma boa parte dos benfiquistas, mas que para mim tem uma qualidade indiscutível e um grande respeito por esta casa, ele que sabe bem a dimensão do clube que vem representar. Como aconteceu com Gonçalo há uns anos, Diego vai encarnar a camisola e a mística benfiquista, estou bastante seguro disso, visto ser um bom profissional.
Por isso, as expectativas para 2010/2011 serão as mesmas que as de 2009/2010: vencer as duas competições nacionais em que estamos inseridos e chegar o mais longe possível na UEFA Futsal Cup, onde defenderemos o título de campeões como cabeças de série. Ambição exige-se, e vitórias também. Sob o comando de Paulo Fernandes, a missão tem de ser a de vencer. Afinal de contas, esse é o nosso destino.