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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Olho na Águia: Ezequiel Garay


Ezequiel Garay começou por dar os primeiros passos no futebol profissional aos 18 anos no Club Atlético Newell's Old Boys, competindo no Torneio Apertura decorria o ano 2004. Não realizou muitos jogos com a camisola do Newell´s e a fim de 13 partidas ingressou em Dezembro de 2005 no Racing de Santander de Espanha. Nos anos seguintes teve uma utilização cada vez mais regular, constituindo-se como o principal esteio da defesa do Santander, apesar da sua juventude. 60 partidas e 12 golos depois, o Real Madrid avançou para a sua contratação em Maio de 2008, deixando no entanto o jogador emprestado por mais uma temporada no Racing de forma a competir regularmente e continuar a sua evolução.

Chegado ao Bernabéu não foi fácil a vida de Garay. Não só porque a concorrência era feroz, mas também porque foi tendo alguns problemas físicos que não ajudaram à consolidação do seu estatuto num clube que não dá muito tempo aos jogadores para vingarem. Apesar de tudo na sua primeira época como merengue disputou 23 jogos, acabando por ser titular muitas vezes no final da temporada de 2009/2010. Contudo o ano seguinte, que coincidiu com a entrada de José Mourinho no Real Madrid, foi atribulado, ficou muito tempo de fora devido a uma grave lesão e perdeu espaço na equipa. Não foi de espantar portanto que aquando do interesse do clube de Madrid em Coentrão, que fosse um dos jogadores incluídos na negociação, e por intermédio desse negócio, aterra na Luz aos 24 anos.

Com uma boa presença física (1.88 cm/83 kg), Garay é um central que prima pelo seu bom posicionamento na disputa dos lances. Forte na antecipação e bom no desarme, é um jogador duro na abordagem a cada jogada, um central que dá pouco espaço aos avançados, agressivo nos confrontos directos com os adversários. É de facto um jogador inteligente na forma como lê o jogo, não é o típico central argentino que baseia o seu jogo quase exclusivamente numa forte marcação, tem mais armas no seu arsenal, que lhe permite ser um tipo de jogador que encaixará bem ao lado de Luisão. Forte no jogo aéreo, Garay costuma ser eficaz no jogo pelo ar, fruto também da sua boa capacidade de impulsão, diria eu um dos seus pontos fortes.

Tecnicamente é um jogador evoluído, sabe tratar bem a bola, se necessário for pode ser o primeiro jogador a iniciar os movimentos ofensivos da equipa. Hoje em dia é fundamental que um central tenha essa capacidade e Garay é um jogador competente nesses momentos. Em termos de velocidade, não é um central lento, longe disso, tem a facilidade de ganhar grande parte dos duelos nesse particular, mas não é propriamente um jogador muito veloz, ainda num meio termo. No entanto é bom subilinhar que a sua capacidade de aranque, ou seja, o seu pique em velocidade é acima da média, o que lhe permite aliado ao seu bom jogo a nível táctico, ser um central difícil de ultrapassar e quando embalado mais difícil ainda.

Importante perceber os seus pontos menos fortes, com vista a melhorá-los. Garay é um jogador que denota em certas alturas uma capacidade de concentração instável, o que para alguém que ocupa a posição que ele ocupa, pode ser extremamente perigoso para a sua equipa. Acho mesmo que este é o aspecto a trabalhar com mais atenção por Jorge Jesus. Além disso mostra em algumas ocasiões e resultado do excesso de confiança nas suas capacidades, demasiada sobranceria nas saídas de bola, apesar de como anteriormente referi, ser forte nesse aspecto. Se formos a ver tudo isto está ligado à sua capacidade de concentração no jogo. Melhorando substancialmente este pormenor e teremos um central para muitos anos.

Veredicto: Aprovado.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Olho na Águia: Enzo Pérez

 

Enzo Nicolás Pérez nasceu para o futebol no Godoy Cruz, clube modesto argentino onde esteve durante 4 temporadas entre 2003 e 2007. Enzo não demorou muito a impor-se no futebol profissional e a ser um titular indiscutível na equipa, e conseguiu fazer história ao marcar o primeiro golo do Godoy na primeira divisão do seu país a 9 de Setembro de 2006. 84 jogos e 34 golos depois, em 2007 ingressou no Estudiantes de La Plata, e o seu impacto foi de novo imediato, constituíndo-se como um das pilares da equipa nos recentes sucessos, entre eles a fantástica conquista da Copa Libertadores em 2009.

Enzo é um médio extremamente versátil capaz de actuar em diversas posições do meio campo. No Estudiantes desempenhou variadas funções, desde médio interior com mais preocupações defensivas, a médio ala por ambos os flancos, ou até mesmo actuando atrás dos avançados como se de um playmaker se tratasse. Actualmente a sua zona de acção é sobretudo o flanco direito, mas não propriamente como um extremo típico, antes como um médio ala, capaz de diambulações muito perigosas da direita para o centro, aparecendo muito bem nas zonas de finalização, resultado da sua velocidade e capacidade de finalização. Não é um jogador que se assemelhe muito a Salvio, mas pode ser um excelente substituto para Toto, ainda para mais porque as suas características são mais necessárias à equipa. Já volto a esse assunto mais adiante.

Aprofundando as suas características ofensivas, Enzo é um jogador que consegue progredir bem com a bola em velocidade, pois tecnicamente é evoluído, o que faz com que seja muito assertivo no controle de bola e domínio da mesma, não importando se está em movimento ou não. Isso distingue os bons jogadores dos outros. É muito forte no primeiro pique em velocidade, e quando embalado muito difícil de parar, embora seja muito mais perigoso quando recebe a bola de frente, não tanto quando lançado em profundidade, com passes nas suas costas. Senhor de uma forte meia distância, não se inibe de rematar à baliza, o que aliado à sua frieza no último terço do terreno, coloca muitas dores de cabeça aos guarda redes adversários. Apesar de gostar como anteriormente referi de efectuar movimentos oblíquos da faixa para dentro, tem uma boa precisão no cruzamento caso procure a linha de fundo, e sabe assistir com acerto os avançados, o que dá ao seu jogo uma grande dose de imprevisibilidade, perfeito para o 4-1-3-2 de Jorge Jesus.

Desde a saída de Ramires que é tão falada a necessidade do Benfica contratar alguém que conseguisse impor ao jogo da equipa a mesma dinâmica seja nos momentos de pressão sem bola, seja na capacidade de desiquilíbrio com ela. Pois bem, vejo em Enzo, um misto entre Ramires e Salvio, alguém igualmente competente nesses dois domínios, e por isso pensar que face à contratação de Nolito e o regresso de Urreta, para não referir Gaitán, que o Benfica precisava não tanto de um extremo típico como Salvio (não está em causa a sua grande qualidade), mas de um outro tipo de jogador, que fosse capaz de equilibrar a equipa, dando uma ajuda preciosa a Javi Garcia ou ao médio que ocupar a posição "6", e se possível ter quase a mesma perigosidade nos movimentos ofensivos.

Ora no Estudiantes, Enzo já tem essas rotinas, já jogou inúmeras vezes sendo esse tal médio com essa dupla função. Estamos a falar de um futebolista com uma intensidade de jogo muito elevada, capaz de pressionar o adversário de forma intensa, essencial nas alturas em que é preciso recuperar a bola. A tal pressão alta que era tão bem feita com  Di Maria e Ramires, e que não era possível ser feita da mesma forma com Gaitán e Salvio, agora pode ser reeditada com a ajuda deste futebolista. Enzo dá a Jesus a possibilidade de esticar o jogo da equipa, de conferir às transicções defesa-ataque a velocidade necessária para desiquilibrar os adversários, e ao mesmo tempo utilizar essa mesma velocidade no sentido inverso, recuando rapidamente no terreno, fechando o seu flanco com critério.

Dentro do actual mercado, são muito poucos os jogadores na relação preço/qualidade, com a mesma qualidade de Enzo Pérez. Tive a oportunidade de há uns dias e observando esse mercado de falar nele como possível grande reforço para o Benfica, e foi com muita satisfação que verifiquei que o clube avançou de forma incisiva para a sua contratação, assegurando não só um dos melhores jogadores do campeonato argentino da actualidade, como um jogador de selecção argentina, que pelas suas características, não precisará de muito tempo para se adaptar à forma como se joga na Europa.

Poderá desta forma, estar resolvido um dos grandes défices do plantel na época anterior. Com esta aquisição, não acho que fosse incompatível caso existisse essa disponibilidade financeira, a entrada de Salvio, pois são jogadores que podem perfeitamente caber no mesmo plantel e no mesmo onze titular. Mas se foi feita uma escolha entre um e outro, e optou-se pela contratação de Enzo Pérez, apesar de ser um admirador das qualidades de Toto Salvio, não posso deixar de dizer que entenderia perfeitamente essa preferência.

Veredicto: Aprovado.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Olho na Águia: Nuno Coelho

 

Nuno Coelho deu os primeiros passos como jogador no Sporting da Covilhã, de onde é natural. Após ainda muito novo ter chegado à primeira equipa da sua terra natal e com alguns jogos realizados (21), chamou a atenção do Porto em 2005, onde foi terminar a sua formação, acabando por posteriormente jogar pelo então Porto B, e não, não me estou a referir ao Braga. Nunca foi aposta a sério no clube nortenho, e nas três épocas seguintes foi sucessivamente emprestado, quer ao Leiria onde jogou muito pouco, quer ao Portimonense, por duas vezes numa altura em que o clube algarvio competia na segunda divisão.

Em Julho de 2009, Nuno Coelho foi novamente empestado, desta vez ao Villarreal, mas a transferência acabou por falhar e antes do fecho das inscrições decidiu seguir novo rumo. Retornou por isso a Portugal e assinou com a Académica de Coimbra por 2 anos, a título definitivo, desvinculando-se do Porto e iniciando uma nova etapa na sua carreira, desta vez tendo a possibilidade de se impor numa equipa do primeiro escalão português. E assim aconteceu. Progressivamente conquistou o seu espaço na Briosa, e tornou-se numa das peças fundamentais dos estudantes, realizando exibições que chamaram a atenção de Jorge Jesus, levando-o a assinar pelo Benfica quando estava em fim de contrato com a Académica.

Na Briosa, actuou sobretudo a médio defensivo, sendo o pivot da equipa, o primeiro homem de construção de jogo após a recuperação de bola, embora a forma de jogar da Académica fosse completamente distinta. Fá-lo porque tem a capacidade técnica para isso, é portador de uma boa saída de bola, um jogo curto através de passes simples, mas se assim for necessário não tem qualquer receio em arriscar passes longos, encurtando dessa forma as transicções defesa-ataque. Não é um jogador que faça da capacidade de pressão sobre o adversário a sua principal arma, embora obviamente o tenha que fazer, fruto da sua habitual posição no campo. É mais pela forma como se posiciona no terreno de jogo, tentando antecipar as jogadas, lendo tacticamente o jogo do adversário, que normalmente intercepta as bolas. É sobretudo um jogador tacticamente inteligente.

Por isso mesmo é um futebolista distinto de Javi Garcia, que faz da sua presença física e do constante pressing, as suas principais valências, o que o torna indiscutível dentro do Benfica. Nuno Coelho por sua vez, apesar de ter um bom porte atlético (1,83cm/74kg) não faz dos despiques físicos a sua guerra, não é esse o ponto mais forte do seu jogo e isso no habitual sistema de Jorge Jesus pode em muitas ocasiões ser um problema, pois não raras são as vezes que o jogador que ocupa a posição "6" no 4-1-3-2, vê-se confrontado com a ausência de ajuda nos momentos defensivos, e pela sua presença, tem que por si só, na maior parte dos lances que disputa, resolver os problemas que possam ocorrer, na grande maioria em inferioridade numérica perante o meio campo das equipas adversárias.

Ganha o Benfica por outro lado, maior segurança de passe, quando a bola está nos seus pés, algo que efectivamente falha por vezes no Benfica de Jorge Jesus mas não é isso que me preocupa no seu jogo, mas sim o momento anterior, o recuperar o esférico. Quando pressionado, consegue sair do aperto relativamente bem, em processos simples, nunca complicando muito. Nuno Coelho, pode também ocupar a espaços outros terrenos, pode ser um médio centro com menos preocupações defensivas (sinceramente essa para mim é a melhor posição para ele) ou então pode desempenhar a função de interior, embora as suas características não o beneficiem em particular para o desempenho dessa função específica, a não ser que estivéssemos a abordar a questão tendo em vista outro modelo de jogo, estando apoiado por um médio de cobertura, conferindo às transicções defesa-ataque maior qualidade no transporte de bola, oferecendo à equipa a capacidade de "meter gelo no jogo" desde as zonas mais recuadas, pois Nuno Coelho tem dentro do seu reportório, as ferramentas necessárias para interpretar bem esse tipo de jogo.

Como vejo as coisas, a incorporação de Nuno Coelho no plantel do Benfica é desnecessária, pois Airton era um bom substituto de Javi, e não penso que ele seja melhor que o brasileiro como médio defensivo, sinceramente. É mais uma daquelas decisões onde fico sem perceber qual o critério utilizado. De qualquer forma está encontrada a alternativa directa a Javi Garcia, mas coloco sérias dúvidas de que seja a mais correcta. Se o obectivo fosse abandonar o 4-1-3-2, vamos supor em detrimento de um 4-3-3, penso que faria muito mais sentido a contratação deste jogador, como não acredito que iremos ter alguma variante táctica, acho que a sua importância dentro do plantel será reduzida, e o seu tempo de Benfica seriamente comprometido. Que fique claro, acho que o Nuno Coelho tem qualidade, mas não penso que tenha as características necessárias para encaixar no sistema predilecto de Jorge Jesus.

Veredicto: No fio da navalha!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olho na Águia: Nemanja Matić


Matić é um futebolista sérvio de 22 anos, que na temporada passada evoluiu no Vitesse da Holanda, por empréstimo do Chelsea, e chega ao Benfica, envolvido na transferência de David Luiz para o clube londrino. Começou por dar os primeiros passos no FK Koloubara no seu país em 2004, e apesar de apenas ter realizado 16 jogos em três épocas, chamou a atenção do clube eslovaco MFK Košice e por aí permaneceu 2 temporadas, jogando regularmente, prova disso os 67 jogos disputados, sendo que marcou 4 golos durante esse período.

Após vencer a taça da Eslováquia pelo Košice ao FC Artmedia, qualificando o clube para as competições europeias, no caso a UEFA Europa League, Matić teve um período à experiência no Middlesbrough, onde não permaneceu muito tempo, pois foi chamado à sua selecção para um jogo com a Dinamarca e posteriormente não retornou ao clube inglês. Mas o seu destino seria mesmo a terra de sua Majestade, e depois de muita especulação, assinou com o Chelsea em Agosto de 2009, sendo muito poucas vezes utilizado (2 jogos), acabando por ser emprestado na temporada passada ao Vitesse, com vista a ter minutos nas pernas, o que aconteceu, como mostra as 27 partidas disputadas na equipa holandesa.

Matić é um médio centro, mas que pode ocupar a posição de médio defensivo ou de médio interior, no Vitesse desempenhou essas duas funções, e chegou mesmo a actuar algumas vezes, mais adiantado no terreno. É um jogador que pelo seu físico 194 cm/83 kg, tem características muito particulares. Imponente fisicamente, tem dificuldades no pique de velocidade, é um futebolista não muito rápido, demora a arrancar, mas que quando o faz, pela sua passada larga, consegue ocupar bem os espaços no campo.

Com um sentido posicional razoável, sabe o que tem que fazer a nível táctico, o que aliado à sua boa capacidade técnica, faz com que seja bastante assertivo nos momentos com bola, nas transições defesa - ataque. Sem bola a coisa funciona de forma diferente, pois é sobretudo um jogador mais posicional do que de procurar o esférico. O seu jogo aéreo é forte, consegue ser muito útil no auxílio à sua defesa nas bolas paradas, e é perigoso a nível ofensivo. Sabe na maior parte das vezes, utilizar bem o seu corpo, embora a sua técnica de cabeceamento no que toca ao remate possa ser mais aprimorada, não faz a diferença na cara do golo como poderia fazer, face às suas qualidades e características físicas.

Lançando um olhar em jeito mais conclusivo, tenho muita dificuldade em perceber como pode encaixar o sérvio no esquema de Jesus. Como médio defensivo, não tem a intensidade necessária para pressionar o adversário, não está no seu ADN andar em constantes correrias na tentativa de recuperar a bola, como muitas vezes vemos Javi fazer. Em termos de marcação, sofre as dificuldades normais, perante jogadores mais rápidos, pelo que não vejo como possa ser um "6" no 4-1-3-2. Como médio mais interior, poderá ser mais útil, mas ainda assim, e perante a sua forma de jogar, será difícil constituir-se como uma opção válida para essa posição. Onde podia render?

Num sistema de duplo pivot, sendo o segundo médio, não tendo tantas preocupações defensivas, podendo ter mais liberdade seja com bola, seja sem ela, oferecendo ao médio mais defensivo uma protecção maior, um pouco à semelhança do que César Peixoto fez no dragão para a taça de Portugal, quando fomos vencer por 2-0. O problema é que raramente o Benfica joga dessa forma, os tempos de Quique já lá vão. Posso estar a ser muito pessimista, mas não acredito muito no sucesso do sérvio no Benfica, sobretudo olhando à nossa forma de jogar, muito mais do que pela sua qualidade como jogador.

Veredicto: Chumbado.

sábado, 4 de junho de 2011

Olho na Águia: André Almeida


André Almeida é um médio oriundo do Belenenses, clube onde se estreou ainda na primeira divisão como profissional, numa altura em que a equipa do restelo foi despromovida à actual Liga Orangina, divisão onde o jogador competiu nesta temporada que terminou recentemente. Antes de crescer no clube da Cruz de Cristo, André Almeida teve passagens pelos escalões de formação do Sporting (infantis de segundo ano) e Alverca (1 ano de formação).

Com 186 cm/75 kg, é um futebolista bem constituído fisicamente, capaz de se impor nas disputas de bola e ganhar alguns duelos no choque físico. Quando olhamos para aquilo que é hoje como jogador, é quase inevitável a comparação com Rúben Amorim pois como este, para além de jogar como médio, pode também fazer a posição de lateral direito. Foi aliás com José Mota em Belém, que começou a ser utilizado nessa posição, tendo uma utilização regular e níveis exibicionais positivos, contrastando com aquilo que aconteceu com Rui Gregório, treinador que não apostou muito nas suas qualidades.

André Almeida é um médio de formação, aquilo que podemos chamar de médio ofensivo, foi assim que surgiu na primeira equipa do Belenenses. Contudo, dada à sua polivalência, pode fazer todas as posições do sector intermédio, sendo que muitas vezes foi utilizado em posições mais interiores, descaído sobre o lado direito e se calhar por isso mesmo, José Mota viu nele um potencial lateral. O seu ponto forte, é a forma como pensa rápido e joga simples, o que aliado à sua razoável técnica, seja no passe, seja na recepção, permite-lhe ser assertivo e perder poucas bolas durante esses processos.

Os pontos fracos? Tacticamente é imaturo, algo normal para um jogador com a sua idade, diria eu. Não acho que seja alguém que transporte bem o jogo, capaz de progredir com perigo com a bola nos pés, embora a partir do momento em que foi adaptado à lateral direita, tenha melhorado nesse particular. O seu jogo aéreo é fraco tanto a defender como a atacar, talvez seja mesmo o seu ponto mais débil e onde mais precisa trabalhar com vista a evoluir, sobretudo se a carreira no flanco direito for para ser levada a sério.

Dito isto, não consigo perceber esta aquisição. Não acredito que tenha alguma vez a possibilidade de integrar o plantel principal, e não vejo como possa ter qualidade para vestir a nossa camisola, embora tenha uma natural margem de progressão. Dizer que esta é uma contratação de risco, é afirmar algo óbvio. Entre competir na Liga Orangina pelo Belenenses e pelo Benfica na primeira divisão vai uma grande distância. Gosto de ver futebolistas portugueses no Benfica, mas precisam ter a qualidade necessária para poder jogar pelo clube, sinceramente não me parece ser este o caso, oxalá me engane.

Veredicto: Chumbado.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Olho na Águia: Rodrigo Mora


Rodrigo Nicanor Mora é um avançado uruguaio de 23 anos que chega ao Benfica, depois de terminar o seu contrato com o Defensor Sporting, equipa aliás de onde também chegou Maxi Pereira. Mora começou por dar nas vistas nas categorias inferiores do clube da sua terra, o Juventud de Las Piedras e cedo se percebeu que estava destinado a voos mais altos. Chegou ao Defensor em 2008 e deixou imediatamente a sua marca, como mostram os 14 golos em 36 jogos durante a época de 2008-2009, mas é na temporada seguinte aquando do seu empréstimo ao Cerro, que dá seriamente nas vistas.

No Torneio Clausura 2010 marcou 9 golos e na liga pré-libertadores outros 4 ajudando a sua modesta equipa a entrar na competição mais importante a nível de clubes na américa do sul. Foi natural o seu regresso ao Defensor, onde continuou na senda dos golos, como mostra o seu registo na copa sudamericana, 6 golos. O seu contrato estava prestes a expirar, e Mora resolveu não o renovar, abrindo caminho a que o Benfica o contratasse, o que provocou uma ruptura com o Defensor Sporting, que obrigou o jogador a ficar fora da equipa e a manter a sua forma física por outros caminhos.

Mora é um avançado explosivo, capaz de súbitas mudanças de velocidade, de mexer com o jogo através do seu repentismo, levando sempre a bola coladinha no pé direito, em busca de contornar os adversários. E fá-lo com uma astúcia que o seu físico à primeira vista não deixa adivinhar (171 cm/71 kg). É um jogador muito talentoso, tecnicamente evoluído, o que faz com que seja muito forte nos duelos individuais, pois possui uma capacidade de drible assinalável, mas sobretudo uma finta curta que ilude o seu marcador, escondendo a bola e a sua intenção real em cada lance. Mora é alguém que gosta de vir embalado de trás para a frente, penetrando as defesas, em movimentos oblíquos da faixa para o centro, sempre com a baliza nos olhos. Não é alguém que esteja reduzido a um determinado raio de acção, é um vagabundo na frente de ataque.

Quando olho para Rodrigo Mora vejo um jogador que pode ser determinante no actual sistema táctico, como segundo avançado, por detrás de um ponta de lança, no fundo fazendo o papel de Saviola. É certo que pode jogar descaído sob o flanco direito, mas colocá-lo nessa zona é desperdiçar o seu sentido de finalização e a forma como consegue aparecer na cara de golo de forma muito oportuna. O urugauio gosta de ter a bola nos pés, mas não tem a capacidade de pautar o jogo, de ser um organizador, a sua praia é outra. O seu ponte forte é partir para cima dos defesas, é ser um jogador de desequilíbrios, criar movimentos de ruptura e com a sua movimentação, abrir espaços. Juntando a tudo isto o facto de ser voluntarioso, torna-o uma autêntica carraça para as defesas contrárias.

Não existem jogadores perfeitos no entanto. Mora tem obviamente coisas a melhorar no seu jogo. Apesar de ter uma boa resistência física, a meu ver pode e deve e melhorar ainda mais a sua endurance, porque se o fizer, será capaz de impor mais vezes e por mais tempo, o ritmo diabólico que tanto gosta de colocar no jogo. Por outro lado, o jogo aéreo é algo onde precisa melhorar, apesar de normalmente os jogadores com a sua estatura não serem fortes nesse aspecto. Não é que não saiba usar a cabeça, sabe, mas se trabalhar a sua impulsão, o momento certo para saltar, antes de disputar esse tipo de lances, colherá muitos mais frutos, como por exemplo tão bem sabia fazer João Vieira Pinto. Não lhe faria mal algum também, em certos momentos do jogo, ser mais pragmático na definição dos lances, por vezes tenta florear cada jogada em demasia, o que motiva algumas perdas de bola. Algo para Jesus ter em atenção.

Algumas pessoas poderão por em causa a sua qualidade, olhando ao facto de não ser habitualmente chamado à sua selecção. A verdade é que o conflito com o Defensor, e o não poder competir nos últimos seis meses o prejudicou - é igualmente verdade que a concorrência no ataque do Uruguai é fortíssima. Dito isto não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que será uma questão de tempo até conquistar o seu espaço, quer no Benfica, quer na sua selecção, até porque é um jogador com características muito particulares, como anteriormente descrevi. Saiba o Benfica enquadrar devidamente o jogador, e o seu treinador obter do seu potencial o máximo rendimento possível, porque talento tem para dar e vender.

Veredicto: Aprovado.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Olho na Águia: Daniel Wass


Daniel Wass é um lateral direito dinamarquês de 21 anos que chega ao ao Benfica em fim de contrato com o seu anterior clube, o Brøndby IF, equipa onde fez a sua formação. A sua estreia como profissional surgiu em 2007, conquistando progressivamente o seu espaço no plantel e foi utilizado regulamente durante a temporada de 2007-2008. Contudo na época seguinte, teve o infortúnio de contraír uma grave lesão e assim no verão de 2009 foi emprestado ao Fredrikstad FK da Noruega, onde jogou pouco, cerca de 3 jogos, marcando 1 golo.

Depois de regressar à casa mãe, Daniel Wass que começou por ser um média ala, foi adaptado com sucesso à posição de lateral direito pelo então treinador Tom Kohlert, e a partir desse momento, o seu rendimento aumentou substancialmente e o seu futebol ganhou muito com o recuar de alguns metros no terreno. Um pouco à semelhança de Miguel, se bem que este era um extremo típico antes de Chalana apostar nele como lateral e Daniel Wass funcionava mais como um interior direito. Em boa hora isso aconteceu para o jogador dinamarquês.

Fruto da sua formação como médio, Wass tem um pendor ofensivo que não é de menosprezar, é um jogador que consegue ser acutilante no ataque pelo seu corredor, algo que é fundamental para o esquema de Jorge Jesus, onde os laterais funcionam muitas vezes como desiquilibradores e não se limitam apenas a defender posicionalmente. Daniel tem essa capacidade e por isso será grande a probabilidade de encaixar bem na forma como o Benfica costuma jogar e no habitual 4-1-3-2 que Jesus gosta de utilizar.

Comecei propositadamente por falar nas suas capacidades ofensivas, para poder contrabalançar com a forma como defende. Daniel Wass, é um jogador tacticamente muito rigoroso, ou não fossem assim quase todos os jogadores nórdicos, alguém que é forte na marcação e muito inteligente na forma como se dá a essa marcação, apostando sempre por ganhar os lances pela sua boa leitura de jogo e facilidade no desarme, quase sempre no momento certo. É um jogador com pique rápido, pelo que não se deixa bater facilmente em velocidade, o que aliado a sua inteligência na maneira como ocupa os espaços, torna a vida muito difícil para quem cair sob o seu flanco.

Tecnicamente é um futebolista com boas bases, ou seja, tem qualidade seja no passe, seja nas recepções e principalmente nos cruzamentos. Neste aspecto em particular costuma ser um jogador assertivo e capaz de asssitir os seus colegas com propriedade pois sabe definir bem os momentos entre o ficar na defesa e subir ao ataque.

Quais os seus pontos menos fortes? O seu jogo aéreo não é perfeito apesar de ter 1.81cm/84 kg, a forma como por vezes dobra os seus centrais não é ainda muito bem feita, não raras vezes chega atrasado a essas coberturas, embora tenha evoluído naturalmente nos últimos tempos. Será mesmo este o principal aspecto que a meu ver Jesus precisa aprimorar no seu jogo. Também acho que nos confrontos físicos podia impor-se mais, pois nem sempre o ser veloz chega para neutralizar o adversário. Mas tudo coisas que podem ser trabalhadas, pois é ainda um jogador muito jovem e com margem de progressão.

Veredicto: Aprovado.

sábado, 21 de maio de 2011

Olho na Águia: Artur Moraes


Artur Moraes, é um guarda redes de 30 anos contratado pelo Benfica ao Sporting Clube de Braga, clube onde chegou no início da temporada passada, proveniente da Roma de Itália. Não foi uma passagem com muito sucesso no clube da capital italiana como mostram os 12 jogos realizados entre 2008 e 2010. A concorrência foi sempre muito apertada, com os outros dois brasileiros, Doni e Júlio Sérgio.

Moraes começou a sua carreira como profissional no Cruzeiro de Belo Horizonte em 2003 e manteve-se sob contrato com o clube da Raposa até 2007, e não se pode dizer que tenha sido um indiscutível, já que em 3 épocas disputou 43 jogos. Aliás na época de 2006-2007 foi mesmo emprestado ao Coritiba, permanecendo na Coxa até expirar o seu vínculo com o Cruzeiro. Foi nessa altura que emigrou para Itália rumo ao Siena, sendo rapidamente emprestado ao Cesena e ali jogou a segunda metade da temporada de 2007-2008. Acabada essa temporada, atraiu a atenção da Roma que o contratou ao Siena, sem ele ter realizado um único jogo pelo clube. O resto é história.

A medida que ia escrevendo o parágrafo anterior, fui ficando cada vez mais preocupado, pois apercebi-me que a carreira de Artur Moraes até ao momento tem sido marcada pela indefinição, mais do que qualquer outra coisa. É preocupante olhar para ele, e entender que aos 30 anos de idade, não se conseguiu impor de forma categórica em nenhum clube e que tem vagueado de equipa para equipa. Chega ao Benfica depois de 6 meses de Braga, pelo que pergunto: Não estaremos aqui a cometer o mesmo erro que cometemos com Roberto quando o avaliamos por 6 meses em Zaragoza? A diferença é que Artur chega a "custo 0"...

Depois de Felipe ter ido para o Flamengo, Artur Moraes conquistou a titularidade no Minho, e há que o reconhecer realizou, boas exibições, constituindo-se como uma mais valia na equipa bracarense. Mostrou ter bons reflexos entre os postes, alguma serenidade nas horas de pressão, propensão para sair-se fora dos postes de forma mais ou menos assertiva e um bom jogo de pés. Chega para o Benfica? Não estou convicto disso, o que eu vi foi insuficiente para eu poder dizer sem dúvida alguma de que acertamos em cheio nesta contratação. Não o consigo afirmar e mais uma vez acho que falhamos no perfil de guarda redes a contratar.

Quando eu outras vezes referi que seria melhor chegar um guarda redes experiente, estava a presumir de que ele tivesse isso mesmo, muita experiência de jogo, e que a sua qualidade tivesse sido comprovada ao mais alto nível. É o caso de Artur Moraes? Não. É uma completa incógnita o que se poderá passar no futuro, e cada vez menos percebo o critério do Benfica no ataque ao mercado no que toca a esta posição específica. Percebe-se que depois do esbanjamento de dinheiro em Roberto, que era preciso face à sua intermitência, encontrar uma solução económica e fiável. Económica será, mas garantia de fiabilidade? Não há quem o possa garantir, se calhar nem o próprio jogador.

Veredicto: No fio da navalha.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Olho na Águia: Bruno César


Bruno César é um jogador contratado pelo Benfica ao Corinthians de São Paulo. Trata-se de um médio ofensivo de 22 anos, que joga predominantemente na posição vulgarmente chamada de playmaker. Bruno César começou por destacar-se no campeonato Paulista no Nororeste em 2009, onde chamou a atenção do Santo Andre, clube para onde viria a transferir-se nesse mesmo ano. E foi também após um grande campeonato paulista onde o Santo André sagrou-se vice-campeão que despertou a cobiça do timão, que apostou imediatamente na sua contratação.

Não tardou muito a ter grande impacto no Corinthians, a sua afirmação foi rápida e contundente, como mostra a sua campanha no brasileirão de 2010, onde foi nada mais, nada menos do que o melhor marcador da equipa com 15 golos em 34 jogos disputados, números capazes de fazer inveja a muito ponta de lança. Foi sem surpresa que após o término do brasileirão foi considerado a revelação brasileira de 2010 e o craque do campeonato.

Possuidor de excelente técnica, boa visão de jogo, alia essas qualidades a uma capacidade de finalização assinalável, o que lhe permite marcar muitos golos, como demonstra o registo acima referido. Não fosse suficiente e tem uma facilidade de ser decisivo nas bolas paradas, o que no futebol contemporâneo é sempre uma qualidade extra que qualquer equipa procura num jogador. Tacticamente falando e jogando sem bola, precisa de evoluir, e Jesus terá consciência disso mesmo, no entanto é um jogador inteligente, logo não será difícil para ele assimilar as naturais diferenças entre o futebol praticado no Brasil e o futebol praticado na Europa, bem como os métodos de trabalho do seu futuro treinador.

Onde pode melhorar? Na forma como algumas vezes corre muito mas mal, na ânsia que tem de ir à todas as bolas (daí a conotação com Tevez), ou seja, precisa dosear melhor a forma como analisa o jogo sem bola, por vezes perde o discernimento necessário uma vez recuperada a posse do esférico, resultado do cansaço que teve no momento anterior do jogo. Melhorou no entanto nesse aspecto, a partir do momento em que tornou-se um indiscutível no Coringão, talvez porque conquistou o seu espaço e porque sobretudo amadureceu sob o comando de Mano Menezes (actual seleccionador brasileiro), que soube olhar para o jogador e atacar os seus pontos menos fortes. Com Tite não foi bem assim.

Dito isto, é importante referir que não é um tipico médio ofensivo brasileiro, ou seja, não estamos a falar de um jogador que joga à sombra da bananeira, dormindo no pedaço, que tenha falta de intensidade de jogo, que seja molengão. Esta minha referência serve para afastar qualquer receio, que alguns benfiquistas possam ter deste jogador poder ser um novo Felipe Menezes. Nada a ver, Bruno César é infinitivamente melhor não só nesse aspecto, como em todos os outros. É um jogador aguerrido, que raramente está parado no campo, que joga a um ritmo alto e que está sempre em constantes movimentações, com um futebol muito adulto e diria eu europeizado, é aquele jogador que quando tem a bola tem processos rápidos, joga bem ao primeiro toque, curto ou longo, razão pela qual prevejo que não seja necessário, grande período de adaptação, como habitualmente costuma acontecer aos jogadores provinientes da América do Sul.

Olhando para o actual sistema táctico de Jorge Jesus (4-1-3-2) e partindo do pressuposto que o vai manter, Bruno César, será uma óptima opção para o lugar desempenhado por Aimar, espero é que isso não signifique a saída de El Mago. Zanaki (seu sobrenome) confere qualidade no último terço do terreno, e tem dentro das suas qualidades, as ferramentas necessárias para gerir os ritmos da partida conforme a equipa necessita, embora não seja um jogador tão cerebral como Aimar. Em comparação com este, oferece outras coisas:  poder de fogo, maior rapidez e mais resistência física, e por outro lado um controle de bola também ele excelente (Aimar nisso é insuperável) e uma grande facilidade e assertividade no passe. Tudo somado, estas sim são as oportunidades de negócio que o Benfica pode e deve aproveitar.

Veredicto: Aprovado.