Nuno Coelho deu os primeiros passos como jogador no Sporting da Covilhã, de onde é natural. Após ainda muito novo ter chegado à primeira equipa da sua terra natal e com alguns jogos realizados (21), chamou a atenção do Porto em 2005, onde foi terminar a sua formação, acabando por posteriormente jogar pelo então Porto B, e não, não me estou a referir ao Braga. Nunca foi aposta a sério no clube nortenho, e nas três épocas seguintes foi sucessivamente emprestado, quer ao Leiria onde jogou muito pouco, quer ao Portimonense, por duas vezes numa altura em que o clube algarvio competia na segunda divisão.
Em Julho de 2009, Nuno Coelho foi novamente empestado, desta vez ao Villarreal, mas a transferência acabou por falhar e antes do fecho das inscrições decidiu seguir novo rumo. Retornou por isso a Portugal e assinou com a Académica de Coimbra por 2 anos, a título definitivo, desvinculando-se do Porto e iniciando uma nova etapa na sua carreira, desta vez tendo a possibilidade de se impor numa equipa do primeiro escalão português. E assim aconteceu. Progressivamente conquistou o seu espaço na Briosa, e tornou-se numa das peças fundamentais dos estudantes, realizando exibições que chamaram a atenção de Jorge Jesus, levando-o a assinar pelo Benfica quando estava em fim de contrato com a Académica.
Na Briosa, actuou sobretudo a médio defensivo, sendo o
pivot da equipa, o primeiro homem de construção de jogo após a recuperação de bola, embora a forma de jogar da Académica fosse completamente distinta. Fá-lo porque tem a capacidade técnica para isso, é portador de uma boa saída de bola, um jogo curto através de passes simples, mas se assim for necessário não tem qualquer receio em arriscar passes longos, encurtando dessa forma as transicções defesa-ataque. Não é um jogador que faça da capacidade de pressão sobre o adversário a sua principal arma, embora obviamente o tenha que fazer, fruto da sua habitual posição no campo. É mais pela forma como se posiciona no terreno de jogo, tentando antecipar as jogadas, lendo tacticamente o jogo do adversário, que normalmente intercepta as bolas. É sobretudo um jogador tacticamente inteligente.
Por isso mesmo é um futebolista distinto de Javi Garcia, que faz da sua presença física e do constante
pressing, as suas principais valências, o que o torna indiscutível dentro do Benfica. Nuno Coelho por sua vez, apesar de ter um bom porte atlético (1,83cm/74kg) não faz dos despiques físicos a sua guerra, não é esse o ponto mais forte do seu jogo e isso no habitual sistema de Jorge Jesus pode em muitas ocasiões ser um problema, pois não raras são as vezes que o jogador que ocupa a posição "6" no 4-1-3-2, vê-se confrontado com a ausência de ajuda nos momentos defensivos, e pela sua presença, tem que por si só, na maior parte dos lances que disputa, resolver os problemas que possam ocorrer, na grande maioria em inferioridade numérica perante o meio campo das equipas adversárias.
Ganha o Benfica por outro lado, maior segurança de passe, quando a bola está nos seus pés, algo que efectivamente falha por vezes no Benfica de Jorge Jesus mas não é isso que me preocupa no seu jogo, mas sim o momento anterior, o recuperar o esférico. Quando pressionado, consegue sair do aperto relativamente bem, em processos simples, nunca complicando muito. Nuno Coelho, pode também ocupar a espaços outros terrenos, pode ser um médio centro com menos preocupações defensivas (sinceramente essa para mim é a melhor posição para ele) ou então pode desempenhar a função de interior, embora as suas características não o beneficiem em particular para o desempenho dessa função específica, a não ser que estivéssemos a abordar a questão tendo em vista outro modelo de jogo, estando apoiado por um médio de cobertura, conferindo às transicções defesa-ataque maior qualidade no transporte de bola, oferecendo à equipa a capacidade de "meter gelo no jogo" desde as zonas mais recuadas, pois Nuno Coelho tem dentro do seu reportório, as ferramentas necessárias para interpretar bem esse tipo de jogo.
Como vejo as coisas, a incorporação de Nuno Coelho no plantel do Benfica é desnecessária, pois Airton era um bom substituto de Javi, e não penso que ele seja melhor que o brasileiro como médio defensivo, sinceramente. É mais uma daquelas decisões onde fico sem perceber qual o critério utilizado. De qualquer forma está encontrada a alternativa directa a Javi Garcia, mas coloco sérias dúvidas de que seja a mais correcta. Se o obectivo fosse abandonar o 4-1-3-2, vamos supor em detrimento de um 4-3-3, penso que faria muito mais sentido a contratação deste jogador, como não acredito que iremos ter alguma variante táctica, acho que a sua importância dentro do plantel será reduzida, e o seu tempo de Benfica seriamente comprometido. Que fique claro, acho que o Nuno Coelho tem qualidade, mas não penso que tenha as características necessárias para encaixar no sistema predilecto de Jorge Jesus.
Veredicto: No fio da navalha!