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segunda-feira, 12 de março de 2012

Uma questão interessante

Atentem neste post.

O Benfica tem a melhor linha defensiva do campeonato nacional. Artur está ao nível de Hélton, o outro grande guarda-redes do campeonato, sendo superior a qualquer outro. Maxi é indiscutivelmente o melhor defesa direito da prova. Luisão e Garay também são, a meu ver, os melhores centrais. Não só se complementam como também são a nível individual os dois melhores. Emerson não é um dos três melhores do campeonato na sua posição (e até estou a ser muito lisonjeiro), mas não é por ele que o Benfica deixa de ter a melhor defesa da competição. Javi e Witsel constituem a melhor dupla de médios-centro a actuar em Portugal. Posto isto, por que motivo sofre o Benfica tantos golos?

Ontem vimos porquê. O Benfica defende mal. Não basta ter o melhor conjunto de individualidades, têm de ser trabalhadas. Há dois momentos do jogo em que o Benfica defende particularmente mal: em (des)organização defensiva com especial destaque para a transição ataque-defesa, os nossos jogadores são demasiadas vezes apanhados em contrapé. Vimos ontem o golo de Michel, foi numa dessas jogadas em que a equipa se balanceia loucamente para o ataque e deixa a defesa completamente desguarnecida. Tal como aconteceu no golo de James Rodriguez. O outro momento do jogo são as bolas paradas defensivas, onde a marcação zonal efectuada deixa muito a desejar. Na Mata Real, tal como em Guimarães ou em tantos outros jogos, revelámos debilidades nos lances de bola parada defensivos. Dos 20 golos sofridos nesta época para a Liga, lembram-se de algum que tenha sido fruto de uma jogada de ataque organizado do adversário? Estando eu longe de ser um catedrático da bola, pergunto-me porque não fazer uma marcação mista (à zona e homem-a-homem a alguns jogadores)? Fica a opinião e a pergunta.

P.S. O nosso escriba PB decidiu criar um projecto próprio e assim fundou o seu blog, o Catedráticos. Obrigado pela colaboração com o Eterno Benfica e boa sorte para o novo projecto.

terça-feira, 6 de março de 2012

Like-Dislike #2


Para o mês de Março, o nosso convidado para participar no Like-Dislike é um conhecido das caixas de comentários do Eterno Benfica, John Wakefield. A propósito de um comentário feito pelo John há umas semanas a esta parte sobre a importância que o Benfica deve prestar à Champions League, achei interessante convidá-lo para partilhar a sua opinião num post visto termos visões antagónicas sobre este assunto. Os textos que se seguem foram escritos antes do empate em Coimbra, no entanto penso que as opiniões se mantêm.

«Antes demais, é necessário salientar que qualquer benfiquista que se preze, sonharia vencer ambas as competições. Seria fantástico se assim o fosse! Todavia, é praticamente impossível erguer os dois ceptros em simultâneo, e por isso, o Benfica poderá, a breve/médio prazo, ser forçado a fazer uma escolha seguramente difícil. Essa mesma decisão será tomada quando os jogadores começarem a acusar fadiga, algo que tem sido evidente nas equipas comandadas por Jorge Jesus. Assim sendo, a questão impõe-se: nessa situação, deverá o Benfica concentrar as baterias no Campeonato ou na Champions? Por outras palavras, deve o Benfica apostar tudo no campeonato português, que alguns dizem ser a prioridade mais realista, ou na Liga dos Campeões Europeus, competição de clubes mais importante do mundo? Como já o referi, não é fácil nem consensual encontrar uma resposta para este debate seguramente interessante. Na minha perspectiva, creio que o Benfica deve privilegiar o campeonato, por ser uma competição onde temos hipóteses realísticas de a vencer. Infelizmente, o resultado em Guimarães veio trazer mais discussão e incerteza, e por isso, teremos um campeonato renhido até ao fim. Pequenos pormenores poderão fazer a diferença na atribuição do título nacional. Neste momento, vejo o Porto e o Braga na porta da saída da UEFA, algo que me preocupa visto que poderão concentrar, desde cedo, todas as suas aspirações nesta segunda volta do campeonato. Por outro lado, a Champions é, a meu ver, uma meta irrealista para o Benfica e qualquer clube português, enquanto existir um super-Barça ou um incrível Real Madrid, equipas 98 ou 99% imbatíveis. Assim sendo, as hipóteses de sucesso total na Champions são muito remotas e tendo em conta que o Benfica atingirá o objectivo traçado (que passava pela passagem aos oitavos/quartos da Liga dos Campeões), creio que o clube encarnado deve agora fazer os possíveis para cumprir a sua meta no campeonato que passa por segurar o lugar no topo.»

John Wakefield

«Se vos dessem a escolher entre vencer o campeonato ou a Champions League, por qual das provas optariam? Muito provavelmente a Champions. Recuperar o troféu erguido por José Águas 50 anos depois da última conquista seria um feito a todos os níveis maravilhoso. Realisticamente tal é impossível, no entanto, sou dos que pensam que o Benfica deve meter as fichas na Champions League até porque, dada a conjuntura actual, não vejo o Benfica com tão boas hipóteses de voltar a encontrar um cenário tão favorável na maior prova europeia de clubes. Se eliminarmos o Zenit, teremos pela frente um de sete adversários possíveis. Dados os resultados da primeira mão dos oitavos-de-final, arriscaria dizer que provavelmente Barcelona, Real Madrid, AC Milan, Napoli, Lyon, Marseille e Basel seguirão em frente. Quantos destes é que verdadeiramente assustam? A meu ver, apenas os dois colossos espanhóis. O AC Milan não está ao nível do Milan de Ancelotti, o Lyon já não é o mesmo bicho-papão que ganhou o heptacampeonato em França, Napoli e Marseille não são globalmente melhores que nós nem têm experiência nestas andanças e o Basel... é o Basel, tendo conseguido resultados fabulosos com o United e com o Bayern, mas não deixa de ser o Basel, uma equipa ao nosso alcance. Estar nos quartos-de-final da Champions é uma raridade, vamos deixar escapar esta oportunidade que até nos pode trazer uma janela para as meias? Nunca. Não devemos negligenciar o campeonato de forma alguma, é para ganhar, mas desperdiçar uma oportunidade de ouro como a que temos actualmente seria uma lástima.»

JNF

Digam de vossa justiça.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O surrealismo recuperado

Não era preciso ninguém dizê-lo, mas a conferência de imprensa de antevisão do jogo de amanhã comprova-o: Jesus está completamente descontrolado, desorientado, acagaçado e esgotado.

Além de achar que o Benfica não chega aos quartos de final há 20 anos, não explicou a opção continuada por Emerson, assumindo mesmo que nem aos jogadores explica as suas opções. Já o sabíamos, claro. Jesus está nos antípodas do que deve ser um condutor de pessoas. Mas ter o desplante de o assumir, dá contornos de surrealismo a todo o momento actual.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o que há a fazer com Jesus no fim da época, mesmo que ganhe o campeonato, aconselho uma reflexão sobre tudo o que ele tem dito e feito.

Gostaria muito que Jesus fosse o nosso Salvador Dali, mas este manifesto surrealista de Jesus pode esbarrar já amanhã no Zenit. E, se querem que seja sincero, estou-me bastante nas tintas. Tirando o dinheiro da Champions, o que queria mesmo foi o que falhou na 6ª feira.

domingo, 4 de março de 2012

Crónica de uma morte anunciada

... ou, como diria o nosso Querido Líder, crónica do que estava escrito nas estrelas.

A primeira nota vai para o JNF. Ele é o Vieira dos blogues. Vieira vai à televisão puxar dos seus louros, e perdemos o campeonato nas três semanas seguintes. O JNF vai ao mercado, contrata-me, e o Benfica perde o campeonato nas duas semanas seguintes. Não sei se é coincidência, mas vejo aqui um padrão.

Infelizmente esta crónica versa sobre algo que era muito previsível. Mesmo com Vitor Pereira a comandar um dos Portos mais ridículos da história (o que não é igual a ser um dos mais fracos), velhos hábitos e teimosias voltam a puxar-nos para o lugar que, queiramos ou não, é o nosso por direito: o segundo lugar.

Estava escrito nas estrelas que um treinador que ostracizou, entre outros, Carole, Martins, Amorim, Urreta e Nuno Coelho, para dar o lugar a Emerson, Bruno César, Matic ou Djaló, só por mero acaso voltaria a repetir êxitos passados. Não há pachorra para tanta cretinice de um homem cujo currículo aos 50 e tal anos se resume a um campeonato nacional, muito embora ele se auto-considere como um novo Rinus Michels.

Estava escrito nas estrelas que apoios a Fernando Gomes e Vitor Pereira, como no passado a Valentim Loureiro e outros que tais, certamente não iria contribuir para deitar abaixo o sistema. Quando muito, poderia incluir-nos a nós no sistema (levante o braço quem acha isto boa ideia). Mas tal como quando o Benfica opta por tácticas de guerrilha contra o Porto, também neste campo Vieira estupidamente combate numa guerra que não é a nossa. E perde. Perdeu ontem, perde hoje, e continuará a perder amanhã, sem apelo nem agravo, e por muito que nos prometa que o próximo ciclo é que é.

Estava escrito nas estrelas que há três semanas quando Vieira elogiou a arbitragem nacional, toda e qualquer crítica que pudesse fazer quando as derrotas aparecessem (e infelizmente não tardaram!) estaria destinada à descredibilização.

Estava escrito nas estrelas que uma equipa numa fase crucial da época ao começar a perder pontos, deve cerrar fileiras e se necessário for, como em situações passadas, realizar estágios mais longos. Nada que tenha preocupado o Benfica. Até se antecipou o jogo do campeonato, afinal de contas um jogo sem interesse nenhum, para termos mais tempo para jogar a Champions. Qual é a prioridade, mesmo?...

Estava escrito nas estrelas que após deitarmos ao lixo os cinco pontos de avanço para o lixo, jogando apenas 25 minutos (em Coimbra) num total de 180, o Estádio da Luz seria novamente palco de mais uma humilhação, mesmo que desta vez muito à conta de Pedro Proença.

Contabilizando as humilhações destas últimas duas épocas, fica para mim claro que nem Jorge Jesus nem Luís Filipe Vieira podem continuar no Benfica. Tudo tem o seu tempo e o deles, passou.

Sim, o campeonato ainda não acabou. Sim, ainda podemos chegar lá. Mas aconteça o que acontecer, o Benfica tem demasiado dinheiro investido para andar à mercê desta loucura patrocinada por Vieira e Jesus. Corre riscos desnecessários pela incompetência, pela soberba e pela loucura de duas personagens que partilham imensas características.

A conclusão que tiro, é que no nosso clube ninguém sabe ler. Se tudo está escrito nas estrelas, como Luís Filipe Vieira no ano passado afirmou, só mesmo o analfabetismo pode desculpar tanta estupidez junta. Estou farto.

sábado, 3 de março de 2012

A Dama de Ferro

Foi uma numa das fases mais conturbadas da História da Inglaterra que uma mulher subiu ao poder. Margaret Thatcher, a Dama de Ferro, tinha uma liderança conservadora, de punho fechado. Amada por uns, odiada por outros, era dona um cabelo volumoso e de uma personalidade irascível. Tantas semelhanças com Jorge Jesus...

O que fazer com a Dama de Ferro do Benfica? Jesus tem os seus méritos e os seus defeitos. Deu-nos um campeonato, humilhou-nos noutro e deixou escapar uma vantagem de cinco pontos para nos colocar a três (e meio) da liderança. A meu ver, tem tanto de conhecimento táctico como de bazófia, o que leva a que, mesmo tendo os melhores jogadores do ponto de vista defensivo do campeonato, a nossa defesa seja, em campo, um desastre. Podemos ambicionar algo melhorzinho que Jesus? Sim. Podemos ter? Dificilmente. A questão que coloco neste momento é: haverá algum treinador que seja capaz de fazer melhor que Jesus? Se sim, quero-o no Benfica. O problema é que não vejo ninguém. Ou até vejo, perdido pelas Arábias, um conhecedor da Mística do Benfica que já deu provas como treinador principal. O problema é que os árabes não parecem dispostos a cedê-lo.

Que dizem? Jesus é para continuar ou para sair? E se sair, quem deverá ser o seu sucessor?

Os treinadores passam, a Corrupção fica

Percebo a indignação para com Jorge Jesus. Cometeu alguns erros no jogo de ontem, o mais escandaloso de todos terá sido, a meu ver, a não colocação de Matic a defesa esquerdo aquando da expulsão de Emerson. Preferiu deixar Gaitán, frágil no plano defensivo e já sem velocidade, na zona de acção de Hulk. E graças a uma tentativa de sair a jogar com bola na posição de defesa esquerdo, sem cobertura defensiva, perdeu a bola e fez a falta que originou o terceiro golo portista. Não podemos branquear os erros por nós cometidos. Da mesma forma que não devemos deixar passar outros erros que nos são alheios e que muito nos lesam.

Só em Portugal é que uma equipa como este Porto pode ser campeã. O que jogou o Porto ontem? O Porto são cinco jogadores, ponto final. Hulk, em quem colocam a bola quando há dificuldades, Lucho, o cérebro e organizador que mesmo sem conseguir meter a terceira velocidade transpira classe e trouxe uma enorme evolução ao meio-campo portista (só um burro não vê isso), Álvaro Pereira, de longe o melhor lateral da Liga, Moutinho, o jogador que Vieira recusou no Benfica e Hélton, melhor guarda-redes da Liga a par de Artur. Mas o que joga este Porto? Zero. É uma equipa com enormes fragilidades, sobretudo do ponto de vista defensivo e das bolas paradas. Não sei se repararam, mas na primeira parte o Benfica ganhou no meio-campo defensivo do Porto mais bolas de cabeça do que as que costuma ganhar num jogo inteiro contra um Setúbal. Rolando é um defesa ao nível de Paulo Madeira e Maicon não é melhor que o Sousa. A defesa do Porto é uma anedota e o seu treinador uma piada de mau gosto, um nabo perdedor que não conseguiu subir o Espinho quando tinha obrigação para tal e que perdeu a subida do seu Santa Clara à Primeira Liga de forma escandalosa em 2009, e também em 2010. Um perdedor. Vamos perder o campeonato para um perdedor.

O problema é que, em Portugal, os treinadores passam e a Corrupção fica. Muito bem, vamos despedir Jesus, contratamos um novo treinador e continuamos a perder. Basicamente é isto que vai acontecer. Já tivemos Koeman, Santos, Quique e Camacho nos últimos anos. Podem nem ser grandes treinadores, não são, mas não são piores que Jesualdo, Co Adriaanse ou Vítor Pereira. Nem os plantéis são assim tão desequilibrados, por vezes. Basta ver que, este ano, tendo melhor plantel e melhor treinador que o Porto, não vamos ser campeões.

Phil Jackson, mítico treinador dos Chicago Bulls e LA Lakers disse uma vez que "os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos". Em Portugal viu-se ontem perfeitamente que quem decide jogos e campeonatos não são ataques ou defesas. O Porto vai ser campeão com Maicon e Rolando a titulares e Pereira no banco. Por muito bons que sejam os nossos plantéis, por muito bons que sejam os nossos treinadores, quando o Porto precisar de um empurrãozinho, irá tê-lo. Os treinadores continuarão a passar pelo Benfica. Enquanto a Corrupção não acabar, não poderemos pensar na hegemonia nacional. E os campeonatos surgirão pontualmente, a cada cinco anos, sob a forma de milagre.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pedidos para Coimbra

A vida está cara, mas não podia faltar ao jogo de Coimbra.

Só peço meia dúzia de coisas ao Jesus:

  • Por o Javi Garcia, nem que esteja de muletas;
  • Por o Capdevila, nem que esteja de muletas. Mas aceito como plano B a adaptação de um jogador ao lugar de lateral esquerdo. Se é uma posição para queimar, que se queime a dar ritmo e motivação a outros jogadores. A minha aposta cairia no Saviola;
  • Não poupar o Witsel. O seleccionador belga que vá mamar na quinta pata do Matic;
  • Poupar o Jardel para os treinos de meio da semana. Não vamos ter alguns internacionais a treinar, e ele precisa de estar fresco para os treinos. Que avance o Miguel Vitor;
  • Golear. É o mínimo que podemos exigir com o Benfica a jogar perante uma maioria Benfiquista em Coimbra, e após aquele espectáculo degradante de Guimarães.
Nem chegou à meia dúzia de pedidos. Carrega, Benfica !


PS: Quem é que raio no Benfica achou boa ideia jogar dia 2? Jogando dia 3 tínhamos ainda 72 horas até ao jogo do Zenit, e não arriscávamos jogar com dois jogadores nucleares todos partidos das selecções: Witsel e Maxi. Se correr mal, quero ver quem se chega à frente para assumir este erro estúpido...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Tudo para ser campeão

Apesar da derrota em Guimarães, as hipóteses de o Benfica se sagrar campeão não foram beliscadas, diminuídas ou alteradas. Continuamos com tudo para sermos campeões pela segunda vez em três anos, algo que não acontece desde o triénio 1989-1991. É melhor ter dois pontos de vantagem que dois de desvantagem. É melhor receber o Porto que visitá-lo. É melhor ter um calendário mais fácil que mais difícil. E apesar das casmurrices, é melhor ter Jesus no banco que Vítor Pereira.

Estamos numa posição privilegiada como poucas vezes estivemos nos últimos anos. Quando foi a última vez que viram o Benfica liderar o campeonato em Fevereiro? Tenho plena convicção de que temos tudo para estar a festejar o 33º no Marquês em Maio. Racionalmente, olhando para a tabela, para o plantel e para o calendário, temos esperanças legítimas. Não tenho é tantas certezas de que o conseguiremos. E o meu medo não foi pela derrota em si, mas sim da forma como aconteceu. O Benfica tremeu numa altura em que não era suposto tremer, mostrou fraquezas que deveriam estar há muito resolvidas ou pelo menos escondidas. Mostrou um treinador frágil no pré-jogo, desastroso na abordagem ao jogo e inconsciente no pós-jogo. A defesa mostrou as debilidades que se conhecem. Nas últimas três épocas e meia, o Braga sofreu menos golos no campeonato que o Benfica. Porquê? O meio-campo revelou-se inoperante e pouco imaginativo. Mesmo o ataque esteve pobre, com Cardozo num daqueles dias-não e Rodrigo esforçado mas inconsequente.

Todos temos o direito a ter um dia mau. Não podemos é provocá-lo. Perdemos pontos por desleixo. O sufoco que sinto neste momento passa pelo facto de, mesmo estando a fazer um campeonato quase perfeito, um erro deitar tudo a perder, como vimos em Guimarães. É esta a diferença para o Porto. Noutros Fevereiros, o Porto, com a nossa pontuação, já seria campeão ainda que oficiosamente. Nós, mesmo estando à beira da perfeição, temos a corda na garganta. E ainda assim com tudo para ser campeão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A paixão pelo risco

Estreio-me aqui no Eterno Benfica numa duríssima ressaca de uma azia com que, garantidamente, não contava. Não porque estivesse confiante para o jogo de ontem, que não estava, mas porque pensava que a equipa e o seu treinador estavam num patamar competitivo que desse pelo menos para ir a Guimarães dar luta.

Bom, mas em primeiro lugar quero agradecer o simpático e honroso convite do JNF para me juntar a este blog. A minha escrita não é, por norma, muito regular, e menos ainda costuma ser optimista. Tenho para mim que um optimista é um pessimista desinformado, e prefiro que a vida me surpreenda pela positiva do que não me preparar para o que de negativo possa acontecer.

Em segundo lugar, o meu post inaugural acabará por versar mais sobre a lei de Murphy, do que propriamente sobre o jogo de ontem. Sou novo o suficiente para ter passado 90% da minha vida a ver o Benfica levar no lombo como gente grande, e portanto em matéria de Benfica claramente que aquilo que pode correr mal, acabará por correr mal.

Recordo por exemplo 2009/10. Cheguei ao final da época a considerar, como Ricardo Araújo Pereira, que o Jorge Jesus era o melhor ser humano de todos os tempos. Tenho esta característica, pauto toda a minha existência pela racionalidade, porventura excessiva muitas vezes, mas volta e meia gosto de me lançar à irracionalidade total. E acho que faz bem, não convém sermos demasiado sérios, porque senão morremos novos. Mas um olhar muito racional a essa época, diz-nos que o que havia para correr mal, também correu mal. Não tivemos concorrência de nenhuma das equipas habituais, mas tivemos de lutar até ao fim com o improvável Braga. Acreditámos que jogar com um pino na baliza a época toda não ameaçaria muito os nossos objectivos, desde que fôssemos fortes daí para a frente. Levámos banho na Liga Europa de um Liverpool patético à conta disso, não ferimos o orgulho dos andrades conquistando o campeonato no curral deles por causa daquele meco paraplégico que tínhamos na baliza e no campeonato o estrago não foi maior porque tivemos em Di Maria o jogador em melhor forma, em absoluto, que vimos no Benfica nos últimos 20 anos, e que cilindrou sozinho muitos adversários no último terço da época, quando o resto da equipa fraquejou e as debilidades da baliza se exibiram.

Tudo isto para dizer que mesmo em 2009/10, com uma época com futebol à Benfica e um super saboroso triunfo, houve espaço para as coisas correrem mal. E chegaram mesmo a correr mal. Tivemos foi um predestinado que no campeonato conseguiu minorar o prejuízo.

Agora passando para 2011/12. Também certamente verão nos meus posts que desprezo o suficiente o chamado "futebolês" para não só não o utilizar nas minhas análises, como para nem perder tempo com o futebolês de outros. Estou-me absolutamente nas tintas. Não há nada de mais puro do que a análise à moda do café de bairro. É aliás o principal ponto onde me revejo no nosso treinador. O Jesus também se está bem cagando para teóricos, porque no futebol no fim do dia 80% das opções tomadas são meras intuições.

Em 2011/12, era fácil de ver que Emerson não chegaria. Não foi por ele que perdemos ontem, claro. Numa exibição tão má, individualizar culpas (mesmo que fazendo isso aos 11 jogadores) é patético. Mas o que acho extraordinário é que no início de época tenham achado que este meco servia. Nem para suplente! Como raio pode ser um bom suplente sendo tão fraco? Assisti na altura a acesas discussões para defender o status-quo da altura, que era a opção pelo Emerson. A maioria baseava-se no suposto mau profissionalismo de um trintão contratado este ano que por todo o lado onde passou sempre foi tido como uma referência em termos de profissionalismo e bom balneário. E parece que nem o presidente ter dito, na televisão, que Capdevila é um profissional de excelência, fez calar quem quer esconder o óbvio: como opção técnica, a opção por Emerson é uma aberração.

Na pré-época tínhamos no plantel os seguintes jogadores para o meio campo defensivo/central: Javi Garcia, Ruben Amorim, David Simão, Matic, Airton, Witsel e Nuno Coelho. Daqui, Jorge Jesus fez as suas escolhas. Ficou com Javi Garcia e Matic para trincos, deixando de fora Airton e Nuno Coelho. Matic nem para 8 serve, quanto mais para 6. Para o lugar de Witsel, aparentemente escolheu só Witsel. David Simão e Amorim este ano nunca contaram para essa posição, Matic estava como alternativa a Javi. Ora, como Matic não é alternativa a Javi, era bom de perceber que em jogos onde precisássemos de um trinco a sério e Javi não estivesse disponível iríamos sofrer. Vimos isso na Rússia. Ontem, menos... correu tudo mal.

Claro que mesmo assim podemos ganhar o campeonato. Acho aliás que somos os favoritos e temos tudo a nosso favor para o conseguirmos. Jogo com o Porto em casa, e daí para a frente um calendário teoricamente mais acessível que o dos andrades. O que me irrita é esta vontade de jogar no risco. O Benfica ainda não tem hábitos de vitória enraizados, e já queremos jogar no risco? Porque não jogar pelo seguro desde o início? Espero que daqui a uns anos possamos estar num patamar em que além de possível, seja desejável na pré-época não escolhermos os melhores jogadores, só para o campeonato meter mais pica. Mas neste momento em que precisamos de ganhar para voltarmos a ser o que éramos? Bitch, please...

É esta paixão pelo risco que me enerva verdadeiramente. Dia 2 de Março podíamos receber o Porto com o único objectivo de matar o campeonato. Assim, o objectivo será antes demais sobreviver. Percebem a diferença? Entre termos como objectivo um capricho burguês de matar o campeonato em Março, poderemos estar a jogar com a corda na garganta logo em Março. Isto porque sabemos bem que Porto na frente, é Porto campeão. Mesmo com o calendário que têm depois pela frente. Ignorar isto é não conhecer o adversário que temos do outro lado.

PS: O que sobra em arrogância ao nosso treinador falta-lhe em sensatez. O super Benfica de Jorge Jesus, que se auto-intitula como criador de novos momentos do futebol e o diabo a quatro, está dois pontos à frente do Porto horrível do adjunto Vitor Pereira. Para reflectir.

Jorge Jekyll & Jesus Hyde

Perder pontos em Guimarães é normal. O Vitória tem um bom onze, é orientado por um dos melhores treinadores portugueses da actualidade e jogar na cidade berço é complicado fruto da qualidade e agressividade de jogadores e adeptos locais. O Benfica perdeu e perdeu bem. É uma derrota natural e merece destaque por ser a primeira no campeonato ao fim de quase 20 jornadas. Até aqui tudo bem. O principal problema, o que me deixa verdadeiramente preocupado, não é o facto de termos perdido 3 pontos, de termos agora apenas dois de vantagem para o Porto ou o ciclo de jogos difíceis que aí vem. O que me deixa desconfiado e apoquentado é ter visto o renascer de Jesus Hyde.

Todos conhecem a história e não é preciso contá-la, mas vamos apenas contextualizar: Jesus é um treinador que admiro em vários aspectos e já aqui referi por diversas vezes. Quando se falava em despedi-lo após o começo da época passada, manifestei-me contra. Quando o apedrejaram por ter feito a rotação contra o Marítimo na Taça, eu elogiei-o mesmo depois do resultado final. Mas o que se passou em Guimarães roçou a demência. Foi o reeditar de 2010/2011. Estavam os ingredientes todos e proporcionou-se aquilo que esperava.

A não-inclusão de Witsel no onze foi um autêntico disparate que qualquer pessoa poderia ter previsto antes do jogo começar. É preciso um médio que equilibre o jogo a meio-campo, Jesus deveria saber isso. Dos quatro jogos em que perdemos pontos esta época para o campeonato, Witsel não foi titular em dois deles. Elucidativo. Não é com Matic (ainda por cima Matic...) sozinho que se consegue travar as investidas ofensivas do adversário. Assistimos a contra-ataques perigosíssimos, dificuldades imensas em travar o ímpeto adversário e a gigantes espaços concedidos no meio-campo e defesa. Mas a importância de Witsel não se resume apenas no capítulo defensivo. Quando a bola passa pelos seus pés, descansa. Espera, temporiza, lê o jogo tranquilamente. Foi o que nos faltou tantas vezes na época passada. E a 31 de Janeiro já se tinha dado conta deste problema: "Uma lesão de Witsel arruina esta temporada por completo. Se tal infortúnio vier a acontecer ao belga, encontrar-nos-emos na mesma situação de 2010/2011: sem um pêndulo que equilibre o jogo ofensivo e o defensivo. E as consequências são as que sabemos: nos jogos grandes ou mais importantes, vamos passar por maus bocados. O Benfica deixará de ter capacidade para segurar jogo, para ter a bola no pé e saber descansar com ela em posse."

Jesus é um óptimo treinador e provavelmente o melhor português ao nosso alcance. Tem méritos inquestionáveis. Tem garra, paixão e, sobretudo, conhecimento. Foi uma das melhores coisas que aconteceu ao Benfica nos últimos anos. Mas a derrota em Guimarães é culpa sua. Errou na abordagem ao jogo, errou nas substituições (especialmente no timing) e teve um desempenho desastroso na flash e na conferência de imprensa, revelando uma postura que julgava estar ultrapassada. A questão que vos deixo, e que peço sinceramente que me respondam é: porque é que Jesus deixou Witsel no banco? Gostaria de perceber e não consigo.

Estou plenamente confiante de que o Benfica saberá dar a resposta em Coimbra. Tenho para mim como certo de que, após este erro, Jesus e os jogadores saberão dar a volta por cima e trazer os três pontos para a Luz. O jogo na Luz será mais decisivo do que aquilo que se pensa. O título decide-se a 2 de Março.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Lei da Rolha


O Benfica vai em primeiro. Não há melhor tónico para um país em depressão que o Benfica em primeiro lugar. Todos o sabem, desde o bebé ao avozinho passando pelo atrasado mental do Luís Olim. E parece que quando o Benfica está em primeiro é preciso união. E o que é união? É calar quem não concorda com certas tomadas de decisão do presidente. Também podia ser do treinador, mas é sobretudo do presidente. É este o conceito de união. Porque todos sabemos que Vieira, Jesus, Cardozo, Aimar, Emerson, Nazaré, enfim, todos os profissionais do Sport Lisboa e Benfica vêm à internet lêr o Eterno Benfica e se sentem constantemente atormentados e constrangidos pelas críticas que fazemos. É algo que nos orgulha muito.

Por isso temos de nos calar. Ou então elogiar. Elogiar o quê? Tudo. Quem não elogia o que se passa no Benfica é um pseudo-benfiquista, um benfiquista de pacotilha. Vieira dá um peido? É um peido presidencial, fantástico, forte, pujante, por vezes aromático e que mostra a saúde do Benfica e dos intestinos do nosso querido líder. Jesus tem madeixas novas? É um treinador moderno que está a par das últimas tendências tácticas e da moda. Provavelmente aprendeu ambas com Cruyff. Emers... esqueçam, é tabu.

Haja paciência. Quem gosta de cá vir é muito bem-vindo. Quem quer discordar dos nossos textos tem as portas abertas desde que discuta sem verborreia, insultos ou insinuações. Quem quer concordar que venha também, claro. Quem quer unanimismos, lambe-botismo e opinião camaleónica tem muito por onde escolher. Mas aqui não.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Apoiar por fora e já agora lá dentro também

A ideia em si, que muito provavelmente vocês já conhecem, é nobre e tem justificações mais que suficientes para que os adeptos não compareçam no interior do estádio do Feirense: vivemos tempos de crise, os bilhetes são excessivamente caros e há um claro aproveitamento dos clubes em relação ao Benfica e aos seus adeptos.

Mas a questão que eu ponho é a mesma que coloquei aquando do boicote patrocinado por Luís Filipe Vieira. Apesar de serem situações diametralmente opostas (Vieira não pediu um boicote contra os clubes adversários, ao contrário deste movimento), entroncam no mesmo ponto: e quem é que apoia o Benfica dentro do Estádio? Estamos num momento crucial da época. Três dos próximos quatro jogos são fora, com duas deslocações complicadíssimas a Coimbra e Guimarães e este jogo na caixa de fósforos da Feira, um estádio típico do período pré-2004 onde era muito difícil conquistar pontos (lembram-se do Mário Duarte, do São Luís, do Vidal Pinheiro, etc?). É, na minha opinião, fundamental que os benfiquistas compareçam em força em Santa Maria da Feira e que encham o estádio apoiando o nosso clube, apoiando os nossos jogdores. Lá dentro. É aí que se faz a diferença. Até porque a Feira pode ser a nova Trofa.

E do ponto de vista prático, a concretização deste projecto com êxito tem tanto de complicado como o Sporting vencer este campeonato. Sejamos objectivos: quem é que quer sair de casa numa noite de inverno e fazer vários quilómetros para ficar à porta de um estádio sem ver o jogo? Os benfiquistas que vêm à internet ler blogs não representam 0,5% dos benfiquistas de Portugal. E estas ideias nascidas na internet, sem a divulgação daqueles que são actualmente os grandes meios de comunicação (jornais e televisão), estão condenadas ao fracasso. Até porque, atendendo ao actual momento da equipa do Sport Lisboa e Benfica, parece-me impossível que os bilhetes não esgotem. Não é com duas mãos que se pára o Mar Vermelho.

Não me interpretem mal. Na minha lista de prioridades, a vitória no campo do Feirense é o objectivo mais importante. Atendendo ao enquadramento deste jogo, creio que é fundamental que os adeptos estejam presentes no estádio a apoiar a equipa. Desejo que este movimento tenha o maior dos sucessos possível até porque é uma ideia pertinente e que tem toda a razão de ser. Ficaria orgulhoso pelos benfiquistas que participariam (e que participarão) nesta iniciativa, mas a sua realização e arriscar não apoiar o Benfica num jogo tão complicado...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Gaitán? Só se for a defesa esquerdo!

É um exagero, claro está, mas parece-me que tendo em conta o momento de forma de Nolito e de Bruno César, Nico Gaitán tem (ou deveria ter) o seu lugar cativo no onze em risco. Tanto o espanhol como o brasileiro têm-se exibido a bom nível, mostrando muita vontade, qualidade e golos, aparecendo nos momentos mais importantes dos jogos. É certo que a qualidade de Gaitán é inquestionável, mas fará sentido abdicar dos outros dois alas para entregar a titularidade de mão beijada ao camsiola 20?

Na minha opinião, não. Gaitán é um jogador inconstante em termos exibicionais. Varia entre o muito bom e o muito mau, por vezes no mesmo jogo. Já nos deu pontos e golos importantes esta época, como no Dragão e com o Manchester, mas não é raro vê-lo eclipsar-se em alguns jogos, nomeadamente contra adversários menos talentosos. A Nico falta-lhe, a meu ver, algum sentido colectivo de jogo, pois esquece-se frequentemente que está a jogar para uma grande equipa e não é suposto ter uma grande equipa a jogar exclusivamente para si, recuperando as bolas que infantilmente perde após alguns disparates. Não menosprezando o valor que o jogador tem, não acho que se deva entregar a titularidade só porque nas suas costas aparece o nome "Gaitán". Nolito e Bruno César merecem que se continue a apostar neles, deram conta do recado e foram os titulares naquele período que acabou por ser o melhor do Benfica esta época, tanto em termos exibicionais como de resultados.

Jesus tem de se lembrar que o objectivo prioritário para esta época passa não por vender Gaitán por 40 milhões ao United mas sim por ser campeão. E para ser campeão não pode olhar a nomes, algo que tem sabido gerir bem nestes dois anos e meio de Benfica, salvo uma ou outra excepção.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Apostar no presente antes do futuro

Victor Lindelof é um jovem lateral direito de 17 anos que milita no Vasteras, penúltimo classificado da segunda divisão sueca e que vê o seu nome associado a uma possível transferência para o Benfica. Independentemente de o interesse do Benfica ser ou não verdadeiro, esta notícia é um excelente ponto de partida para um tema importante que tem sido bastante discutido mas onde fica sempre por referir uma questão importante.

O mercado mudou muito nos últimos 20 anos. Hoje em dia, com mais empresários, mais tecnologia e maior facilidade em fazer fluir informação, qualquer jogador escondido na recôndita 4ª divisão brasileira pode chegar ao futebol português num abrir e fechar de olhos (vide Kanu). Passámos de uma prospecção sobretudo nacional para uma global que ia até às primeiras divisões de campeonatos de outros países, nomeadamente dos campeonatos sul-americanos e escandinavos (no caso do Benfica) e hoje alargou-se esta pesquisa às divisões inferiores desses mesmos campeonatos.

Num mercado claramente sobrevalorizado, onde qualquer coxo vale o seu peso em ouro, é cada vez mais difícil conseguir contratar a baixo custo um jogador que se comece a destacar numa divisão principal de um qualquer campeonato sul-americano. Sidnei, por exemplo, custou aos cofres do Benfica cerca de 5 milhões de euros por metade do passe, mais ou menos o mesmo que o Porto pagou por Otamendi. Edcarlos, Sepsi, Kardec ou Éder Luiz, todos eles jogadores de qualidade duvidosa, custaram algum dinheiro mal deram três toques numa bola. Como contornar este problema e contratar bom e barato?

Fazer o que o Benfica faz: contratar jovens, mesmo que em divisões inferiores. Jovens esses que, na maioria das vezes, são demasiado jovens. Lindelof é um bom exemplo. Como é Urreta, Fellipe Bastos, Oblak, Derlis, Wass, Patric, David Luiz ou Freddy Adu. É a maneira mais fácil: os vídeos passam rapidamente o Atlântico e poupa-se dinheiro uma vez que os jogadores, apesar do potencial, demonstraram muito pouco.

E o reverso da medalha? Existe? Claro que sim. Muitos deles não chegam a confirmar o valor que lhes era auspiciado. Vejam Sepsi, Patric, Adu ou Edcarlos. Ninguém tem dúvidas que nenhum destes quatro irá longe. E nesta brincadeira perdemos quase 5 milhões de euros, dinheiro que dava para comprar, por exemplo, um grande defesa esquerdo (e se precisamos de um, se precisamos...). Ganhámos pontualmente, nomeadamente com David Luiz e Di María, talvez os expoentes desta política de contratações, mas será que, mesmo estes atletas que deram retorno financeiro avultado, se revelaram desportivamente "rentáveis" enquanto actuaram pelo Benfica?

Na minha opinião, não. Passo a explicar: o retorno desportivo dado por estes super-atletas é fraco. David Luiz esteve quatro épocas no Benfica e apenas uma foi verdadeiramente espectacular. Di María esteve três e produziu apenas uma de grande qualidade. Neste tempo todo conquistámos apenas um grande título, o campeonato 2009/2010, sendo que pelo meio ainda tivemos de suportar a humilhação que foi o quarto lugar em 2008. E depois? Tanto o brasileiro como o argentino foram às suas vidas. É a lei de mercado. Os tubarões observam, pagam e levam.

Voltando a Lindelof. Se o lateral sueco vier para o Benfica e confirmar o talento que tem, quanto tempo teremos de esperar para o ter em grande forma e com grande qualidade? Quatro, cinco anos? E depois disso sai para um colosso europeu? Andamos quatro ou cinco anos a ver os outros ganharem campeonatos e quando temos jogadores aptos para sermos campeões eles deixam o clube no ano seguinte? Formamos jogadores, temos retorno financeiro mas não obtemos os títulos que permitam dominar o futebol português.

Sou mais favorável à contratação de "Witseis". Jogadores europeus, rodados, a custo médio-elevado mas com garantias de qualidade no imediato. Talvez seja mais difícil, talvez seja mais arriscado, mas parece-me o mais indicado se queremos dominar o futebol português.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Estás acabado

Lamento. O teu tempo já passou.

Saviola foi um grande jogador. Assisti ao seu nascimento futebolístico na célebre equipa dos Millonarios onde brilhava e pontificava um tal de Pablo Aimar, vi-o crescer em Barcelona e eclipsar-se na Cidade Condal, passear pelo Monaco e por Sevilla, assinar pelos merengues e renascer na Luz onde foi uma peça vital na conquista do campeonato de 2010. Saviola foi um grande jogador. E poderia ter sido ainda maior.

O que assistimos na Madeira foi um remake do filme protagonizado por El Conejo na época passada: sem velocidade, sem explosão, sem conseguir fazer uma passe em condições, fraco, frágil, sem forças para se manter em pé. Quem quer este Saviola? É, neste momento, uma sombra do que foi e não tenho dúvidas em afirmar que, no Benfica, não vai passar disto. Tendo dois miúdos de grande talento a despontar, não faz sentido manter este Saviola. É finito.

P.S.: Não tendo o Benfica defesa esquerdo, visto um não ser suficientemente bom e o outro não constituir opção para Jorge Jesus, libertar Saviola já em Janeiro permitiria além do encaixe financeiro uma folga na pauta salarial que seria suficiente para contratar um titular indiscutível. Ansaldi, por exemplo.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Vendedor Ambulante e O Elo Mais Fraco

O Vendedor Ambulante

Foi noticiado, no passado sábado, que Luís Filipe Vieira estava em Madrid a negociar Fábio Coentrão. O mesmo homem que sorrateiramente segredou ao jogador das Caxinas na Gala do Benfica para dizer que queria um contrato vitalício, deslocou-se à capital espanhola, local de tão bons negócios para o Benfica presidente, para vender o melhor jogador do plantel. Se ainda fosse para despachar Menezes, eu percebia, a vontade é grande, mas já este desespero para vender um jogador com uma cláusula que nem é assim tão inatingível parece-me de quem tem contas para pagar. O que choca com aquela teoria de que as nossas finanças são a 8ª maravilha da Terra. Adiante. Foi com agrado que vi o desmentido da deslocação a Madrid para negociar a venda de Coentrão. Vá lá, já não sai. Nunca o Benfica emitiria um comunicado em que mentiria descaradamente aos seus sócios. Excepto quando foi o Ramires. E o David Luiz. Mas fora isso, jamais!

O Elo Mais Fraco

Também já foi escolhido. Neste momento tem duas hipóteses de ouro para ficar na História do Benfica como o homem que perdeu uma meia-final para uns aprendizes de corruptos ou como o homem que perdeu a final para o arqui-inimigo. Seja qual for o desfecho em caso de derrota, o cenário não é muito animador. O presidente, todo fanfarrão, tinha avisado que falaria só depois da segunda mão da meia-final da Taça de Portugal. O resultado foi o que sabemos, e quando há derrota do Benfica, o rato esconde-se, deixando as balas para os seus subordinados. Do que já li por aí, a blogosfera já escolheu o elo mais fraco. Uns porque o atacam directamente, outros porque se escondem ao contrário do que faziam há tempos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Saborear a derrota, redefinir linhas, voltar ao campo de batalha

Saborear a derrota

O que não nos mata torna-nos mais fortes. Já no ano passado, depois do jogo 4 da final dos playoff de Futsal, que o Benfica perdeu com o Sporting, fiquei um bom bocado no pavilhão da Luz, semi-apático, a ver a festa leonina. Ontem, uma vez mais, não saí a meio do jogo ao contrário de muitos milhares de benfiquistas. O que se passou ontem em campo foi uma lição: os nossos jogadores e os resistentes adeptos que foram e que ficaram até fim tiveram de ver a festa do novo campeão nacional, algo que não imaginaríamos no início da época. E espero que sirva de lição para todos. Saborear o amargo da derrota só nos deveria tornar mais fortes: aos jogadores para perceberem que, no jogo, foram inferiores e que têm de dar mais que aquilo que mostraram; aos adeptos cobardes que falataram à chamada e não se deslocaram à Luz para apoiar os seus jogadores e também aos adeptos apáticos que foram à Luz e pareciam estar num funeral, tal foi o silêncio e a falta de energia que demonstraram durante 90 minutos. Vimos o que é ser campeão nacional mesmo debaixo dos nossos narizes. Não foi fácil, custou. Saboreie-se esta derrota para que possamos sair daqui mais fortes, até porque ainda há uma época por jogar.

Redefinir linhas

Para além da falta de competência fora das quatro linhas demonstrada ao longo dos anos pelos nossos dirigentes (isso ficará pra outras núpcias), houve, durante esta época, uma boa dose de incompetência mostrada dentro de campo. Pelos jogadores, que não jogaram tudo o que sabiam e também por Jesus, que fez, não raras vezes, más escolhas. Posto isto é importante decidir como vamos e quem vai jogar até final da época. Há questões importantes que devem ser revistas. Quem deve ser o guarda-redes titular? Pode o Benfica continuar a jogar só com um médio de características defensivas? Há jogadores que precisam de ir para o banco?

Voltar ao campo de batalha

É necessário assimilar estas ideias. Se queremos vencer, temos de voltar mais fortes, dentro e fora de campo. É possível vencer as duas taças internas e ainda a Liga Europa. Mas vai ser preciso muita força, nomeadamente psicológica. É necessário que, à primeira contraiedade, não se perca a cabeça, como vimos no Dragão e cá com o Porto novamente. Cabeça fria, acima de tudo. Um clube com a História e com a ambição do Benfica não pode ficar contente com a situação que vive hoje. Há que dar a volta por cima e isso só pode ser feito no campo de batalha. Temos de vencer. Falhar não é opção.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Onze segundas opções

Um jogo normal, num dia normal, com um adversário normal, num cenário que já vem sendo mais ou menos habitual no Benfica dos últimos anos: chegar a cinco, seis ou sete jornadas do fim com o campeão já encontrado. Jesus rodou e rodou bem, era o que tinha de fazer, não podia sujeitar os habituais titulares a mais um desgaste físico com o objectivo de... sem objectivo. Porque o Benfica 2010/2011 está envolvido em três competições, e nenhuma delas é o campeonato. É necessário gerir e rodar o plantel com inteligência, como feito feito hoje. Por isso, face a esta segunda oportunidade que alguns jogadores tiveram, eis o que me parece sobre o que estes atletas ainda podem dar ao Benfica.

Moreira - O Moreira de hoje é um jogador regularmente mediano. Podia ter sido muito bom, tinha bom jogo de mãos, bons reflexos e uma enorme margem de progressão, mas as lesões nos joelhos deitaram tudo a perder. Serve perfeitamente como suplente ou terceiro guarda-redes, mas para um Benfica que se quer Europeu, não pode ser titular. Não estorva, não cria ondas no balneário, é claramente para ficar.

Luís Filipe - Provavelmente será um bom profissional, uma jóia de moço, um bom colega e tudo mais. Mas para futebolista do Benfica não serve, algo que já sabemos desde 2007. Nem para titular ocasional nem para suplente. Quatro anos depois da estreia, Luís Filipe mantém-se como jogador do Benfica. Porquê? Não sei. Até a forma de correr é ridícula. O que sei é que este é o último ano de Benfica, pois o contrato acaba em Junho do presente ano.

Roderick Miranda - Vê-se a milhas que é um jogador com muito talento e que irá evoluir muito. Mas a defesa ainda treme quando este jovem tem de jogar, algo que não acontecia quando Miguel Vítor, jogador inexplicavelmente excluído por Jesus, era titular. É alto e tem dois excelente pés, que podem ser muito úteis para a saída de jogo. Precisa essencialmente de desenvolver três aspectos: agressividade, músculo e velocidade. Se conseguir, poderá ser top mundial.

Jardel - Continuo sem perceber quanto vale este atleta. Para defender em bloco baixo parece ser muito bom, é durão e forte no jogo aéreo. Para defender como este Benfica defende parece ser um erro de casting. Lento e duro de rins, com claras dificuldades quando joga contra adversários móveis e rápidos. Está a adaptar-se a um novo clube e uma nova realidade, a de jogar num grande. Mesmo não me parecendo melhor que Sidnei ou Miguel Vítor na actualidade, acredito no potencial de Jardel.

Carole - Um jogo não dá para ver praticamente nada.

Airton - Tem de ser convocado mais vezes e também tem de jogar muitos mais minutos. Tem apenas 20 anos e uma qualidade incrível. Quando entra, sem ser em jogos "a brincar" como este, a equipa adversária deixa de conseguir chegar à baliza. É um muro autêntico, este portento brasileiro. Gosto muito do seu estilo, e tanto sozinho como com Javi Garcia ao lado, poderia ser um jogador muito útil ao Benfica.

Felipe Menezes - Esta "excelente oportunidade de negócio", nas palavras de Rui Costa, é uma nulidade futebolística autêntica. Neste momento, não calçava no Paços de Ferreira. Três velocidades (lento, muito lento e parado) que não se usam no futebol, falta de imaginação, incapacidade em perceber o jogo, uma nulidade autêntica. Será provavelmente o pior "número 10" da história do Benfica. Uma coisa é certa: já deu lucro. Vendemos 30% do passe deste coxo ao Fundo por uns incríveis 1,5 milhões. Foram comidos.

César Peixoto - Deixem jogar o Peixoto. Todos sabemos que não vai fazer arrancadas fabulosas, fintar três adversários e marcar, fazer tabelinhas supersónicas. Peixoto não é isso. Mas no futebol não é só de Maradonas que uma equipa precisa, aliás, é também graças aos "Peixotos" que se ganham campeonatos. Peixoto sabe manter a posição, sabe ler o jogo e tem um excelente pé esquerdo. Peca na velocidade, o seu handicap mais evidente. Mas para mim, serve como alternativa, como demonstrou, por exemplo, no Dragão. Para ficar.

Franco Jara - Outro jogador com muita qualidade e com boa margem de progressão. Tem aquele sangue quente típico dos argentinos e uma garra gigantesca que lhe permite abordar os lances com a crença de que os pode ganhar. Cada vez gosto mais dele. No entanto continua a revelar, a espaços, um individualismo excessivo que lhe pode custar caro. Tem de jogar mais com a equipa, não pode jogar só para si, é essa a grande diferença do futebol europeu para o sul-americano. Que aprenda depressa!

Alan Kardec - Como explicar? Veio no ano passado e jogou a espaços mostrando boas indicações. Na pré-época esteve muitíssimo bem, marcou golos, jogou e fez jogar, era visto como uma alternativa sólida e credível a Cardozo. Mas este ano, nos jogos a doer, foi uma autêntica nódoa. Péssimo, escondeu-se sempre do jogo, não recebia a bola em condições, não passava, não marcava, nada. O jogo de cabeça é de facto bastante bom, mas e o resto? O que se passa com Kardec?

Nuno Gomes - Face ao sub rendimento de Kardec e a todos os problemas que têm afectado o ataque do Benfica este ano, é incompreensível o ostracismo a que foi votado. Nuno Gomes oferece soluções que poucos avançados do actual plantel podem dar: manutenção da posse de bola no ataque, tabelas, desmarcação. Além da apetência para marcar golos quando vem do banco de suplentes, algo que não é de hoje, sempre foi assim em toda a sua carreira. Dizem que o melhor é não jogar porque faz parte do passado e há que dar oportunidades aos atletas que nos representarão no futuro. Tretas. Antes do futuro vem o presente, e actualmente, o Benfica bem precisa de Nuno Gomes.

P.S. Aproveitem e leiam esta excelente análise do trainmaniac.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Segurar Jesus a todo o custo

Pinto da Costa voltou a elogiar Jorge Jesus, treinador do Benfica, dizendo que a actual classificação e pontuação do campeão nacional na Liga se deve principalmente ao seu treinador e que sem ele as coisas estariam bem piores. Em grande parte, é verdade. O Benfica vem de 9 vitórias em 10 jogos naquela que é a melhor série da época, um feito surpreendente tendo em conta a má planificação da temporada e os vários desequilíbrios no plantel. E Jesus está a conseguir resultados. Pinto da Costa sabe-o, e sabe também que sem as encomendas contra a Académica e Guimarães o Benfica estaria bem mais perto do primeiro lugar, mordendo os calcanhares ao actual líder (sem contar com as grandes arbitragens dos jogos do FCP, algo habitual no futebol português).

Pinto da Costa estará a cumprir os últimos anos de mandato. Perto dos 73 anos já não deverá dirigir os destinos do dragão por muito mais tempo. Seis anos, talvez. É uma possibilidade. E como tal estará disposto a fazer tudo para cumprir os seus últimos desejos. E qual será o maior desses desejos? Ter Jorge Jesus como treinador do FC Porto. Porquê? Vários motivos: primeiro e mais importante de todos, é o melhor treinador em Portugal e o segundo melhor português da actualidade; segundo, porque é um amigo pessoal de longa data do presidente portista; terceiro e igualmente importantíssimo, Pinto da Costa quer dar uma facada gigantesca no Benfica ao roubar-lhe o treinador que, por momentos, teletransportou equipa e adeptos de volta às épocas gloriosas. E este último ponto é talvez o mais importante de todos, já que pode significar que hoje, entre Benfica e Porto, as pessoas escolhem o Porto. Isto não nos pode acontecer.

O Porto vai bem lançado (e bem empurrado) para se sagrar campeão nacional. Então e se o Porto comandado por André Villas-Boas conseguir mesmo ganhar o título, como poderá Pinto da Costa assegurar os serviços de Jorge Jesus? Fácil, despede AVB. Não tem problema nenhum. O ciclo de vida de um treinador do Porto, mesmo sendo campeão, costuma ser curto. Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, José Mourinho e Co Adriaanse, são os melhores exemplos disso mesmo, todos foram campeões pelos dragões, a maioria bicampeões até, e todos acabaram por sair após terem ganho o campeonato. Despedir André Villas-Boas não seria problema.

E o Benfica? Até final desta época muita coisa ainda vai ocorrer. É objectivo do Porto desgastar cada vez mais a imagem de Jesus junto dos adeptos e direcção encarnada e para isso preparem-se para mais arbitragens encomendadas. Finda a época, logo se verá em que lugar e a quantos pontos do título ficará o Benfica. Se os resultados forem significativamente maus, Luís Filipe Vieira poderá mesmo, face à pressão dos sócios, despedir Jesus. Não, esperem, ele não precisa da pressão de ninguém, simplesmente despede treinadores num piscar de olhos, especialmente se tiver de salvar a sua imagem junto do eleitorado. "Mas Vieira e Jesus sempre foram e são grandes amigos!", há-de dizer, muito bem, alguém. Pois são, mas Vieira também era amicíssimo de Fernando Santos e de José Antonio Camacho e hoje parece que nem se falam. E eis-nos chegados à tal situação. Com Jesus no desemprego, Pinto da Costa despede o treinador campeão e contrata o seu "sonho de menino", provavelmente o último, e dá uma enorme machadada no Benfica e no benfiquismo. E todos sabemos as qualidades de Jesus, que implementado num sistema forte conseguirá aquilo que quer.

Para onde se volta Vieira? No mercado internacional há sempre muitos nomes disponíveis e com a ambição de treinar o Benfica. Desde os melhores, como Trapattoni, aos piores, como Quique ou Koeman, personagens que, uma pela falta de compreensão do futebol português e outra pela ambição única de se projectar a si mesmo e não ao clube, não singraram. Com o risco que é o mercado internacional, se calhar o melhor é mesmo apostar no mercado nacional. E em quem? Que treinador português é que ainda não passou pelo Benfica, tem a ambição e capacidade para treinar o nosso clube e pode de facto rivalizar com o Porto? Nem Humberto Coelho, nem Manuel José, nem Manuel Cajuda, nem Manuel Machado nem nenhum outro Manuel. Sobra um nome. Alguém novo, se calhar demasiado novo para merecer a confiança de um colosso europeu e que acabou de ser campeão pelo FC Porto: André Villas-Boas. Seria uma espécie de contra-machadada no Porto.

Isto tudo não acontece se algo for assegurado: a continuidade de Jesus no Benfica. É isso que Luís Filipe Vieira, Rui Costa e restantes elementos da direcção do clube têm de fazer a todo o custo, segurar o treinador. Porque se ele sair, imagino para onde irá e receio que o "novo ciclo" no futebol português fique irremediavelmente adiado por mais uns bons anos. Rebuscado? Sim. Possível? Também. Provável? A meu ver, bastante. Ou então é melhor ir dormir porque já estou a fazer filmes.

Ou não.

P.S. Não sei se estão recordados, mas há já uns tempos levantei o véu sobre este assunto na caixa de comentários deste post. As possibilidades de AVB ser, hipoteticamente, treinador do Benfica num futuro próximo não me parecem assim tão fracas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um clube não pode girar à volta de uma pessoa

Mas o nosso gira, é isso que acontece, infelizmente. O Benfica é, neste momento, um clube absolutista. Tem um líder e todos os que estão no clube vêem a sua vida, que se mistura naturalmente com a vida do clube, girar à volta de Luís Filipe Vieira. Ele diz, ele decide, ele ordena, ele manda. E quem não concordar ou cumprir as leis de Vieira não fica no Benfica. Isto é sinal de total descontrolo e falta de sentido crítico, algo que se espalha para quem segue o pastor, como podem e poderão ver.

É a "liderança eucalipto": seca e mata tudo o que está à volta, algo que encontra semelhanças na política portuguesa dos anos 90 e que tem ainda hoje efeitos. E o alcance de Vieira é fabuloso. Dou-vos o seguinte exemplo: viram a capa do jornal A Bola de hoje? Lembram-se da capa e título desse mesmo jornal há uns meses, que dizia "Rui Costa foi buscar Hleb"? Lembram-se do despedimento de Fernando Santos? Vieira é brilhante a sacudir a água do capote e consegue que as pessoas fiquem a pensar que, afinal de contas, até era ele que tinha razão. Mentira. "Erro" é uma palavra que não consta do dicionário do nosso presidente, não porque não os comete (se comete! Em catadupa!) mas porque não os reconhece. Tal como Jesus.

A actual estrutura encarnada está toda direccionada para Vieira. A crítica interna é algo que não existe, ou se existe é ignorada. Quem não concorda com as ideias de Vieira é chutado para canto, vide Rui Costa. Eu lembro-me de ver o Rui ser afastado por quem está acima dele. Eu lembro-me de José Nuno Martins ser enxovalhado por ter criticado fortemente o estado do Benfica em Janeiro de 2008 depois daquele infeliz episódio entre Luisão e Katsouranis no Bonfim. Eu lembro-me de ver o senhor Gaspar Ramos ser humilhado por um indivíduo que não fez nem fará metade do que Gaspar Ramos fez pelo Benfica. Lembro-me de que um ex-boy do PS que criticou abertamente Vieira e a construção do novo Estádio está agora inequivocamente do lado de LFV, lembro-me de um dragão de ouro conseguir chegar a um dos cargos mais altos no Benfica, lembro-me de ver um homem trabalhar na prospecção internacional e dizer que a sua religião era o FC Porto (com todas as agravantes do desvio de jogadores dos últimos anos), lembro-me de que um advogado que colocou uma providência cautelar contra o Benfica e ponderou candidatar-se contra LFV está, hoje, inequivoca e inexplicavelmente do lado de Vieira e, pasmem-se, critica ferozmente todos os que têm ideias contrárias às do presidente, lembro-me de um fanático boavisteiro de quem o nosso presidente nem queria ouvir falar e que trabalha hoje no Benfica, lembro-me de ver crítica construitiva hoje totalmente e infelizmente transformada em unanimismo. Vejo um jornal e um canal completamente virados não para o clube, não para os sócios mas para o presidente, onde se criticam e enxovalham adeptos por pensarem de maneira diferente.

É preciso abandonar de vez o discurso do coitadinho, chega de auto-elogio, "fiz isto", "fiz aquilo", "lembram-se quando?", "e eu fiz", "antes de mim", "que seria se" são expressões utilizadas vezes sem fim nos discursos do presidente. "Eu, eu e mais eu". Já percebemos, já todos vimos que os seus mandatos foram os mandatos do betão, muito obrigado. Mas não foram os mandatos das vitórias, algo para qual não está minimamente habilitado. Vamos viver de palavras e promessas ocas até ao fim dos tempos? Chega, por favor, chega. Os jogadores passam, os treinadores passam, os presidentes passam, os adeptos passam, o clube fica. Não fique com ele.