Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sporting. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Deixar o Sporting na ignorância...

... e seguir em frente em busca dos nossos objectivos. O Sporting enquanto clube procura acordar e nada melhor do que entrar em polémica com o Benfica, para de alguma forma espicaçar os sócios e adeptos daquele clube. O Benfica, depois de tudo o que aconteceu recentemente, precisa apenas preocupar-se consigo próprio. Entrar em guerras com o Sporting é ajudar de forma indirecta o rival mais a norte do País. Devemos sim tirar as conclusões necessárias de tudo o que se passou, nomeadamente, os actos de vandalismo praticados por adeptos do Sporting na Luz, mas sem nos desviarmos do nosso rumo. Godinho Lopes sabe o que está a fazer... fazendo barulho envolvendo o nome de Luís Filipe Vieira, faz com que a recente derrota para o campeonato seja relativizada, colocando o Sporting no papel de eterna vítima. Se é esse o caminho que eles querem seguir, o problema será deles, ao Benfica não interessa entrar nestes joguinhos de bastidores e o clube tem tido a reposta adequada até ao momento.

Não nos esqueçamos que o rival a abater é o Porto. Nada do que possa acontecer nas relações entre Benfica e Sporting pode sequer abanar essa ideia. O Sportinguismo puro, hoje em dia, é coisa rara. Os seus adeptos, vivem entre o anti-benfiquismo primário e a ideia de serem diferentes por ideal, que nada mais é do que uma ilusão que os ajuda a ultrapassar os insucessos. Sportinguistas a sério, daqueles que respiram e pensam apenas no Sporting são poucos, a perda de identidade, a falta de cultura vencedora é um facto pelas bandas de Alvalade. A maneira como querem ultrapassar isso? Através do Benfica... afinal de contas os Sportinguistas reagem sempre ao Benfica e aí é que está o erro deles... deviam reagir apenas pelo Sporting, procurando os valores pelos quais um dia foram fundados. Reagir por intermédio de um rival é dar mais uma prova do quanto está a tornar-se cada vez mais pequena, a mentalidade que paira sobre a grande maioria dos Sportinguistas. Como um Sportinguista se sente vivo por estes dias? Atingindo o Benfica. Como um Sportinguista devia sentir-e vivo? Problematizando o Sporting, debatendo a dormência que tem existindo no clube, percebendo as causas de ganharem cada vez menos títulos. E são algumas.

Se um Sportinguista me estiver a ler, que pergunte a si próprio a razão de agora serem em termos de títulos internos, a terceira força nacional, porque isso aconteceu... foi por causa do Benfica? Foi por causa das atitudes das claques antes e depois dos jogos? De tanto pensarem no Benfica, esquecem-se de quem são, perdem identidade. Eu tenho pena, porque essa mentalidade, não desaparecendo é tornar o Sporting enquanto instituição cada vez mais um Belenenses, cada vez menos Sporting Clube de Portugal. Problema vosso.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O perigo dos estatutos do SL Benfica

[Adenda] Notas prévias face à confusão que se instalou:

1 - no decorrer deste texto irá encontrar a expressão "adeptos senis dos 25 votos". Veja a frase e o parágrafo em que está a dita expressão e veja a quem se refere. Adeptos do Sporting que votaram em Godinho Lopes.

2 - os adeptos burros de que falo no Benfica são aqueles que votam no candidato da continuidade por ser o da continuidade sem olhar a programas ou ideias, mesmo que tenha feito uma data de falcatruas e atirado o Benfica para a lama. Qualquer outra interpretação está errada.

Ao ver aquela palhaçada a que chamaram de eleições, como o José Eduardo dos Santos também costuma chamar, não pude deixar de pensar "e se isto acontecesse no nosso clube?". Já esteve bem perto de acontecer e poderá mesmo voltar a ocorrer no futuro.

Em alguns clubes de futebol, como sabemos, o sistema de votos não é igual aos das outras eleições comuns. No nosso caso, não havendo no plano teórico sócios benfiquistas de primeira ou de segunda, a verdade é que essa divisão é efectivamente feita pelos nossos estatutos. E como diria George Orwell, "todos os sócios são iguais, mas uns são mais iguais que outros". O facto é que nem todos os sócios têm os mesmos direitos no nosso clube, algo que me parece pouco democrático. E mesmo perigoso.

Como podemos ver nas eleições do Sporting, nem sempre o candidato no qual mais gente vota ganha as eleições. Porquê? Porque também há, pelos vistos, "sportinguistas mais iguais que outros". E foi isso que levou a que Godinho Lopes, o candidato da continuidade e da morte lenta e agonizante do Sporting, fosse eleito por um mísero número de votos que muito provavelmente foram conseguidos graças a adeptos senis dos 25 votos. E isto até poderá vir a acontecer, a médio-prazo, no nosso clube. Este sistema de 20 e agora de 50 votos que foi recentemente aprovado em AG é uma fantochada que visa perpetuar o presidente vigente num regime tipo ditatorial, onde os mais velhos (mais desinformados, mais avessos à mudança, mais burros em geral) votarão sempre no candidato da continuidade. Se um dia voltarmos a estar na lama, os velhotes elegerão sempre o atrasado mental que nos levou a esse ponto. É fundamental impedir que isso aconteça.

Nas eleições de 2000, se bem se lembram, a distância que separou Manuel Vilarinho de João Vale e Azevedo não foi assim tão grande. E porquê? Porque, uma vez mais, os mais velhos, os resistentes e avessos à mudança, preferiam continuar com o que já lá tinham. Vilarinho ganhou as eleições por dois motivos: o apoio de Eusébio e, sobretudo, a grande mentira da contratação de Mário Jardel. Sem isso, não teria ganho. O facto de provar que as contas estavam miseráveis, que o clube estava desportivamente e financeiramente na lama de nada serviriam porque os sócios dos 20 votos estavam incondicionalmente do lado de Vale e Azevedo. É fundamental acabar com este sistema anti-democrático, apesar de, como sabermos, esta ideia não agradar à actual direcção, que não só afastou recentemente figuras incómodas do seu caminho como também, não satisfeitos com os 20 votos, passou a dar 50 aos sócios com mais de 25 anos de filiação.

Pondo-se o problema de haver a remota possibilidade de adeptos de outros clubes se inscreverem como sócios do Benfica só para poderem votar nas nossas eleições e assim elegerem um cavalo de Tróia, que sistema poderíamos e deveríamos implementar? Na minha opinião deveria passar pelo seguinte:

- sistema de 1 sócio - 1 voto;
- apenas sócios com mais de 3 anos de filiação ininterruptos poderiam votar;
- criação de uma espécie de "Conselho Leonino" no Benfica que tivesse como única função poder derrubar um presidente eleito. Uma comissão de 5 ou 7 "notáveis", gente reputada, benfiquista sem qualquer espaço para dúvidas.

Se no Benfica os adeptos afirmam que não são mais benfiquistas que outros, então está aqui uma óptima oportunidade para demonstrar isso mesmo. Porque o valor da vida num clube manifesta-se pelo voto. E não há razão para uns terem direito a um e outros a cinquenta. O dinheiro gasto nas mensalidades não é justificação, porque o indivíduo que é sócio a pensar no dinheiro que gasta em quotas nem deveria sequer ser sócio. É um orgulho, não uma obrigação.

domingo, 27 de março de 2011

Nem conseguem vencer as eleições em casa


RIP Sporting (1906 - 2011)

Confesso que a minha última madrugada foi muito bem passada. Não a ver uma comédia do Jim Carrey ou do Eddie Murphy mas a desfrutar de um outro filme igualmente rasca: as eleições do Sporting. Nas últimas semanas assistimos a uma campanha selvagem entre candidatos mais preocupados em atacar os outros e a apresentar treinadores, jogadores e argumentos financeiros que projectos desportivos. Não admira, portanto, que o Sporting esteja na situação que todos sabemos.

A máscara do clube da elite voltou a cair ao chão. Nem falo do baixo nível da campanha ou das inúmeras gaffes, falo sim do que os próprios adeptos, que se consideram de um clube diferente, e que uma vez mais rebentaram petardos, agrediram jornalistas, polícias e consócios, contribuindo um pouco mais para o clima insuportável que se vive no futebol português. Se Benfica e Porto estão em guerra um contra o outro, o Sporting está em guerra consigo mesmo, uma guerra civil que parece se eternizar.

O circo montado pela comunicação social foi fascinante. Mal surgiu a previsão do Record que indicava a vitória de Bruno de Carvalho, afirmei e escrevi que a vitória não escaparia certamente a Godinho Lopes. Fácil, é o Record. E durante a noite, à medida que a vitória do empresário de 39 anos ia deixando menos dúvidas, com o avançar da noite, as dúvidas adensavam-se. Foi penoso assistir aos comentários de Rui Oliveira e Costa na televisão e dos sportinguistas à volta do estádio. De que falaram? Vá, é fácil, pensem um bocadinho: de que falam os sportinguistas no dia de eleições do seu clube? Do Benfica, claro está. Desde a traição de Simão que foi bem pior que a de Moutinho ao facto de o Sporting ter conseguido uma vitória no futebol de praia que não teve o devido destaque na Comunicação Social, ao contrário do que aconteceria se a vitória fosse do Benfica, tudo serviu para atacar o maior clube de Portugal. Foi uma noite bem passada. Às 4:20 da manhã o sono venceu-me e fui-me deitar com a certeza de que, fosse qual fosse o resultado das eleições, o Sporting não se endireitaria tão depressa.

Quando acordei na manhã seguinte, nem queria acreditar no sucedido. Godinho Lopes tinha ganho. Sim, o Godinho que apoia as claques que invadiram as salas de votos, o Godinho que é o maior rosto da continuidade e do projecto Roquette. Os sportinguistas, uma vez mais, preferiram (ainda que não a maioria) votar na continuidade da mediocridade. Votar no homem que construiu o estádio que eles tanto amaldiçoam. A continuidade de Bettencourt está assegurada e a previsão de Dias da Cunha parece cada vez mais certa. O Sporting, mais cedo ou mais tarde, vai morrer. E com a complacência dos seus sócios. A esta hora, Artur Agostinho estará às voltas no caixão. Descansa em paz, Sporting.

quinta-feira, 24 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Faleceu Artur Agostinho

Há pessoas com as quais, mesmo vestindo as cores dos nossos adversários, é impossível não simpatizar. Artur Agostinho era uma dessas pessoas. O homem dos filmes antigos, dos relatos na rádio, do desporto e das novelas, um verdadeiro sportinguista que amava o seu clube, não um lagarto que vive do ódio ao Benfica, faleceu hoje de manhã. De Artur Agostinho não guardo as memórias dos relatos, porque não sou desse tempo, mas recordarei eternamente a figura simpática de um homem que, actuasse no palco do teatro ou do desporto, conseguia ser um verdadeiro profissional como poucos, agradando a quase todos, sempre sorridente. Descanse em paz, Artur Agostinho.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Negação

Todas as equipas têm o seu "toca a reunir". Em situações de maior aperto, há sempre um grito de revolta ou uma campainha que soa para que todos se unam para combater o inimigo. Mesmo que não haja inimigo nenhum. A estratégia de fuga para a frente do Sporting é a mesma de há anos: mais do que o azar, mais do que as arbitragens, mais do que o Benfica, é o azar com as arbitragens nos jogos com o Benfica. Isso justifica tudo. Inclusivamente os famosos 28 pontos.
No jogo contra o Benfica, as declarações de Couceiro e de alguns adeptos sportinguistas foram dignas de um sketch. Diz que não fala de arbitragens e a única coisa de que falou foi... arbitragem. E como não havia motivos reais para o alarido que fez, limitou-se a atirar umas bujardas para o ar, como fazem os desorientados, sem referir acontecimentos precisos. Porque se houvesse alguma coisa digna de registo a assinalar, era o que está na imagem.

O problema é que o Sporting está em negação. Os seus adeptos vão na cantiga e acreditam. Depois, acabam os campeonatos a 28 pontos do líder, e há algo que me diz que este ano ainda vai ser mais. Esmiuçando os lances do jogo, não existem motivos de queixa: Javi não agride Matías, aliás, nem lhe toca com o cotovelo na cara, mas no peito, e num movimento natural; o penalty de Polga é muito bem assinalado (e gostava de ver os lances de bola parada na área do Sporting, para ver melhor os abraços do Torsiglieri ao Cardozo); os amarelos são objectivamente bem mostrados, por palavras ou por faltas grosseiras, que não dependem do minuto a que são feitas (eu pelo menos não me lembro de nenhum sportinguista reclamar com o facto de o mesmo ter acontecido ao Benfica em Alvalade, com a diferença de que algumas faltas não serem para cartão).

P.S. Como toda a regra tem sua excepção, vejam este post de um sportinguista, vá, inteligente.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não há Carnaval sem cabeçudos

Tenho visto muito pouco futebol nacional este ano, por falta de tempo. Se me dizem que esta exibição do Sporting foi a melhor da época, então tenho de admitir que este ano ainda não tinha visto futebol. Sou pragmático ao ponto de admitir que uma equipa que joga 90 minutos à defesa e ganha o jogo, merece se o fizer bem, mas não se pode considerar uma grande exibição. Se estacionar o autocarro com 11 jogadores atrás da linha de meio-campo e jogar boccia com Postiga lá na frente é uma grande exibição, então eu tenho os padrõezinhos de exigência muito lá em cima.

O Benfica que se apresentou na Luz foi o mesmo que se apresentou em Alvalade há semana e meia. O mesmo onze, com Martins a iniciar a partida e Aimar no banco de suplentes. Frente a um Sporting mudado não só dentro de campo, com os regressos de Carriço e Evaldo, mas com a importante perda de Pedro Mendes, e também diferente fora de campo, com a entrada de Couceiro, os leões sabiam que o jogo era de vida ou morte, era a última oportunidade de se agarrarem a uma competição e tentarem salvar a época. Sabendo da diferença de qualidade que os separa dos rivais, montaram a estratégia que as equipas ditas pequenas adoptam sempre que se deslocam à Luz: defender com onze jogadores atrás da linha da bola, no seu meio-campo defensivo, e lançar o ataque através de passes longos para a velocidade dos avançados. E o Sporting conseguiu mesmo chegar à vantagem, num lance duplamente irregular, pois não há falta sobre o médio leonino que se estende no relvado e há fora-de-jogo de Postiga no momento em que o livre é cobrado. De qualquer das formas, mais um golo sofrido de bola parada fruto de desentendimentos entre o guarda-redes (principal culpado) e a defesa (que não fica isenta de culpas). Pelo terceiro jogo consecutivo na Luz, o Benfica começava a perder.

Claramente sem a frescura física que gostaríamos de ver, o Benfica apresentou-se, ainda assim, a um nível muito bom para esta fase da época atendendo à quantidade de jogos já efectuados. Conseguiu carregar sobre o rival e criou oportunidades que permitiram chegar ao golo. Polga colaborou e fez questão de abraçar Javi Garcia na área já depois de ter sido avisado por duas vezes. Burro, hein? Só de pensar que esteve para vir para o Benfica... medo! E se Cardozo fez o que tem feito com frequência este ano no que toca a marcar penalties (falhar), de seguida redimiu-se e apontou, de cabeça, o primeiro golo encarnado, com a colaboração de Evaldo (ao qual se aplica o mesmo que disse sobre Polga). Com a igualdade, o Benfica carregou e arrancou mais bons lances e boas oportunidades, mas sem sucesso. O resultado era justo ao intervalo, mas se tivesse de haver alguém em vantagem, seria o Benfica.

A segunda parte foi de altos e baixos. Se é verdade que o Benfica não conseguiu imprimir o ritmo pedido pelo treinador, o Sporting também não fez muito pela vida, com apenas um par de ocasões perigosas, a começar e a terminar estes 45 minutos. Postiga foi a maior (única?) ameaça do lado leonino, enquanto que o Benfica viu Gaitán e Cardozo diminuírem de produção, ao contrário de Coentrão, que apareceu muito mais em jogo no segundo tempo. E foi precisamente pela lateral esquerda que surgiram os ataques benfiquistas, especialmente com a inclusão de Jara em campo. Fruto do balanceamento ofensivo do Benfica, nomeadamente no final da partida, seria de esperar um golo. O Sporting teve a sua oportunidade de ouro num lance que Matías desperdiça na cara de Roberto. O Benfica teve a sua na bota de Javi garcia, que na área, à ponta-de-lança, teve o sangue frio que faltou ao chileno do Sporting e bateu Patrício. O nosso destino é mesmo o de vencer.

(Carlos Martins a imitar Anderson Polga)

Queria deixar a pergunta aos nossos rivais que não se entendem: como está o Benfica? Uns dizem que está de rastos, que não consegue pressionar alto. Outros dizem que chega ao final dos jogos em alta rotação e que tal só é possível graças ao doping. Vá lá, entendam-se. O que eu vejo é que a equipa está forte e que vai em 18 vitórias consecutivas para todas as competições. Os temíveis meses de Janeiro e Fevereiro foram passados sem empatar ou perder. E para desvalorizar o indesvalorizável, lá vem o choradinho da arbitragem. Sintomático de quem não é grande.

Respeito

Sim, eu sei, o Sporting não ganha há 7 jogos, têm o plantel mais fraco da sua história. Sim, eu sei, o Benfica está fortíssimo, vem de 17 vitórias consecutivas, record na sua história. De qualquer das formas, é mais um jogo, é mais um adversário e há que o respeitar. Só assim se pode vencer. Vamos às grandes questões:

1 - Moreira ou Roberto?

Roberto, sem dúvida. Está num belíssimo momento de forma, está muito seguro e o Benfica tem sofrido poucos golos com ele nos últimos jogos. Só a presença de um segundo ou terceiro guarda-redes poderia servir de estímulo ao Sporting. O Benfica tem de entrar com os mais fortes se estiverem aptos, e Roberto faz parte desse lote. Sem desprimor para o Moreira, que é bom guarda-redes, Roberto é melhor e o Benfica está pertíssimo de vencer esta competição. Neste momento, não há razões para facilitismos, é apostar nos melhores.

2 - Airton de fora. Porquê?

É das tais coisas que não consigo compreender por muito que me esforce. O brasileiro já mostrou ter uma qualidade acima do normal, é bastante novo e além de médio-defensivo também pode jogar a lateral direito. Qual é o problema com o rapaz? Por que fica tantas vezes fora dos convocados, sem ter concorrência no banco?

3 - Quem precisa de descanso?

Só mesmo quem está cansado, não há motivos para poupar jogadores que estejam em boa forma. Por isso, eu apenas pouparia Nico Gaitán, que terminou dois dos três últimos jogos sem conseguir correr (Alvalade e Marítimo).

4 - Quem precisa de minutos?

Martins, claramente. Dá sinais de que pode ser alternativa até final do campeonato, mas para tal precisa de minutos. E sem Gaitán, recairia a minha escolha sobre o camisola "17", para que jogasse num dos flancos, com Salvio no outro. Jara e Kardec também podem ser hipóteses para a equipa titular, apesar de terem menos hipóteses. A sua inclusão não retira grande qualidade ao habitual onze titular, mas não deixa de ser um risco, e os comentários aparecerão caso o Benfica não seja bem sucedido.

5 - Cadê os reforços?

Carole e Fernández, reforços de Inverno, ainda não tiveram nenhuma oportunidade digna desse nome. Numa altura em que o Benfica se debate com algumas lesões e algum cansaço, era importante que os reforços já tivessem o mínimo de integração. Claro que lançá-los num derby tem tanto de arriscado como de louco, mas do que se tem visto, os dois reforços não fazem, para já, parte das opções de Jesus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Como é possível?

Como? Como é possível? Depois do que todos vimos em Alvalade, como é possível que a Liga tenha multado o Benfica em 1650 € por comportamento incorrecto dos seus adeptos enquanto o Sporting se ficou pelos 1500€?

Então depois de tochas arremessadas em direcção a outros adeptos, depois de bolas de golfe atiradas para o relvado, depois dos petardos e de meia hora de carga policial e contra-carga por parte dos adeptos da claque, como é possível haver este tipo de sanções? E já agora, estando a Juve Leo supostamente identificada, como é que alguns não são detidos, como é o caso do líder Fernando Mendes, o Viagra fora de prazo? Haja vergonha.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Nosso Destino é o de Vencer

Fomos Benfica. Foi dos dias, foi dos jogos em que mais senti o Benfica e o benfiquismo, como a fotografia abaixo o demonstra. Milhares de benfiquistas na casa do histórico rival de Lisboa apoiando uma equipa que se mostrou muitíssimo madura e inteligente, fazendo o tipo de jogo que era necessário para vencer o oponente. O Benfica mantém-se forte e alcança a décima vitória consecutiva na Liga, algo que sinceramente não tenho memória de ter ocorrido.

Jorge Jesus apostou no onze aqui lançado na antevisão, com o onze habitualmente titular excepção feita a Aimar que cedeu o seu lugar a Carlos Martins. Sem grandes alterações, era de esperar que o Benfica fosse fiel aos seus princípios de jogo e soubesse conjugar aquilo que de tão bem tinha feito no Dragão com o que costuma fazer nos jogos fora: ter um elevado nível de agressividade associado a transições rápidas com os laterais muito interventivos. Assim foi. E tal como no Dragão, há duas semanas atrás, a vitória surgiu.

Logo aos cinco minutos o Benfica deu o primeiro sinal de perigo numa jogada que surgiu da esquerda, com o remate de Gaitán a passar bem perto do poste. Logo aí deu para perceber que, em Alvalade, para além dos milhares de benfiquistas concentrados no local habitualmente destinado aos visitantes, muitos mais estavam aqui e ali, em todo o lado. No meu sector, B28, ouviu-se um enorme "bruá" nesse lance. E o mote estava dado.

Pouco tardou até surgir o primeiro golo encarnado. Num lance bem construído uma vez mais pelo lado esquerdo, na sequência de uma má reposição de Patrício, Gaitán cruza para a área com a bola a sobrar para Salvio que, mais rápido e inteligente que Grimi, conseguiu chegar primeiro à bola e fez o primeiro.

O Benfica soube gerir muito bem a vantagem e não se remeteu em exclusivo à defesa, bem pelo contrário, as melhores jogadas e ataques foram dos nossos jogadores. No entanto o jogo começou a ficar cada vez mais desinteressante com os acontecimentos nas bancadas a ganharem protagonismo, fruto da estupidez crónica dos elementos da claque do Sporting, Juve Leo. A verdade é que os adeptos do Sporting não foram os únicos a reclamar o protagonismo, com Artur Soares Dias (quem não o conhecer, que o compre), em plano de destaque, com muitas decisões erradas e que, sinceramente, creio que foram premeditadamente erradas. A distribuição aleatória de cartões amarelos para os jogadores do Benfica no final do primeiro tempo foi a prova disso, com Sidnei a ser expulso, sendo que o primeiro cartão é muito mal mostrado.

O Benfica chegou ao intervalo com um golo de vantagem mas com menos um jogador. Jardel já aquecia e iria entrar, colocando-se a questão de quem ficaria de fora. Saviola foi o escolhido, e na minha opinião Jesus tomou a decisão correcta, uma vez que tirar um médio seria uma enorme asneira e a sair um avançado teria de ser Saviola, pois Cardozo era capaz de segurar jogo na frente.

O Sporting, com mais um elemento (dois, se contarmos com Artur Soares Dias), tentou assumir o jogo, mas chamar "assumir o jogo" àquilo, enfim, é forçado. Se a táctica de Paulo Sérgio se resume a chutar bolas para a frente para a cabeça de Postiga ou para a velocidade de Djaló, resta-me concluir que o Sporting é cada vez mais um Paços de Ferreira e cada vez menos o Sporting. É uma equipa sem matriz, sem chama, sem princípios. E quando as primeiras oportunidades surgiram, com um belo lance de Matías para fabulosa intervenção de Roberto, daquelas que dá pontos, e depois num cabeceamento de Postiga a passar bem perto do poste, Jesus fez mais uma escolha decisiva e chama Airton ao banco de suplentes. Mas antes que pudesse fazer a substituição, Carlos Martins bate um livre contra a barreira, a bola sobra para Javi que entrega a Maxi que cruza para a área onde Gaitán remata para o segundo, o golo da tranquilidade.

Com 0-2 e com a entrada de Airton, o Sporting não criou mais nenhum lance de golo até final. O Benfica, sem bola, soube gerir perfeitamente o jogo com uma tranquilidade assustadora. Não raras vezes me esqueci que, no meio disto tudo, só estávamos a jogar com dez homens. Entrega, inteligência e algo que ainda não ouvi muita gente dizer, de tão óbvia que esta constatação é: este Benfica é muitíssimo superior a este Sporting, que, arrisco-me a dizer, tem o pior plantel da sua história e pratica o pior futebol desde que os vejo jogar.

Maravilhoso Benfica em mais uma noite de magia na casa-de-banho. Agora é manter a atitude e a qualidade frente ao Stuttgart e a passagem aos oitavos-de-final da Liga Europa será uma realidade. Basta sermos Benfica.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Derby e o pós-derby

Estarei hoje em Alvalade para assistir ao derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Seja em campismo, andebol, chinquilho, hóquei ou futebol, um Sporting x Benfica é sempre, mais que um jogo, uma rivalidade que se vive diariamente aqui em Lisboa. Desde pequeno que sinto isso, este jogo faz parar a cidade não só no dia mas como na semana que o antecede. Não há confronto de religiões ou crenças que supere um Sporting x Benfica, este jogo é muito mais que isso, muito mais que um jogo.

Para o Benfica, o campeonato não é, na minha opinião, a prioridade. Estamos a 11 pontos do líder, o FC Porto, com menos um jogo, e com 12 confortáveis pontos de vantagem sobre o Sporting. A meu ver, a probabilidade de chegar ao primeiro lugar é tão forte quanto a de cair para terceiro, ou seja, quase nula. É em segundo que estamos e é em segundo que iremos acabar com maior ou menor esforço. Cerca de 10 pontos em 10 jornadas é algo extremamente difícil de ganhar ou perder para dois adversários , um tão forte e o outro tão fraco, respectivamente. A meu ver, as grandes prioridades deste Benfica são as duas Taças internas. Porquê? Porque tanto numa como na outra estamos numa posição privilegiada para vencer. Na da Liga, recebemos o Sporting na Luz, defrontando em seguida o Nacional ou o Paços na final. Na de Portugal recebemos o Porto com uma vantagem de 2-0 conseguida no Dragão, defrontando na final o Vitória de Guimarães ou a Académica de Coimbra. Em ambas as competições, o Benfica parte como favorito à vitória e realisticamente falando, é para ganhar não por uma questão de acreditar e de fé mas por uma questão de obrigação. Somos melhores e temos vantagem, não podemos desperdiçar a oportunidade. A propósito, há quantos anos é que o Benfica não vence dois troféus oficiais em duas épocas consecutivas?

E a Liga Europa? A equipa continua a mostrar alguma falta de estofo ou cultura europeia, mas o sorteio que nos coube foi bastante simpático e favorável. Dificilmente poderíamos pedir melhor que uma equipa que luta para não descer e por um adversário que vem de um país com o qual nos temos dado bem num passado europeu recente. Acho que este Benfica tem boas hipóteses de passar aos quartos-de-final, depois disso, dependendo dos sorteios, logo se verá.

Com o jogo decisivo a ser disputado no sul da Alemanha 72 horas depois do encontro de Alvalade, há que saber gerir o plantel. Acredito que é na prova europeia que o Benfica deve concentrar a sua atenção, mais que no campeonato. E assim sendo, deverá Jesus poupar jogadores no clássico de hoje?

A meu ver, não. Uma boa parte dos adeptos fala em poupar os jogadores e alinhar com uma equipa maioritariamente constituída por suplentes em Alvalade. Não vejo razão para isso por um factor especial: este Benfica, fisicamente, está fortíssimo. Os jogos mais recentes, com Guimarães e Stuttgart foram a prova disso, com a equipa a mostrar índices físicos altíssimos. Na defesa, tanto Coentrão como Maxi estão com rendimento elevado. No meio-campo, Javi vem a subir de forma e os extremos, sem deslumbrarem, têm estado bem. Saviola vem fresco para Alvalade depois de ter cumprido castigo europeu, e Cardozo também está em forma. A poupar alguém, seria apenas Aimar, não por estar a jogar mal ou por estar em má forma física, mas porque precisamos do melhor Aimar na Alemanha e porque Martins também necessita de minutos para ser opção.

O meu onze: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei e Fábio Coentrão; Javi Garcia, Salvio, Nico Gaitán e Carlos Martins; Javier Saviola e Óscar Cardozo

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Respeitar quem não se dá ao respeito

Nos últimos dias vimos um presidente demissionário, candidatos a roçar o ridículo, uma entrevista em que o director desportivo arrasa o próprio clube e é despedido, o abono de família a sair depois de sete anos de muitos golos e muita falta de profissionalismo, um adepto a festejar o empate com a Naval como se tratasse de uma vitória na final da Liga dos Campeões, o treinador-forcado a saltar as barreiras quando o BoiQuerença se chegou a ele e o regresso do tradicional choradinho mesmo quando conseguiram empatar com um golo em fora-de-jogo. É possível ter respeito por esta gente?

Não sei se é, mas é fundamental ter respeito por eles. Mesmo que nem se consigam respeitar a si mesmos. Nos últimos anos, apenas por uma vez tive certezas absolutas em relação à vitória do Benfica sobre um Sporting abatido. Foi em Janeiro de 2006, com Ronald Koeman ao leme. Perdemos 1-3 em casa, depois de estarmos a vencer ao intervalo. Há jogos e jogos, depois há "o" jogo. Para o Sporting, mais que para o Benfica, o derby da capital assume actualmente uma importância cada vez maior, uma vez que do outro lado da 2ª Circular continua a existir aquele sentimento de anti-benfiquismo que se sobrepõe, não raras vezes, ao sportinguismo. Para o Benfica, o campeonato são trinta jornadas. Para o Sporting são duas.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lapidar nº 31

"O que o Ricardo e o Sá Pinto me dizem é que o Luisão marcou o golo com a mão e no final do jogo o senhor Manolo Vidal, responsável pelo futebol do Sporting, deu-me os parabéns, enquanto o José Peseiro foi excepcional e disse que eu não saía do jogo com qualquer peso de consciência".

"Disse-me que me tinha desfeito todo quando falou aos jornalistas e que afinal tinha visto bem o lance e que eu tinha decidido bem".

"Disse-lhe que iria ter uma oportunidade para se emenda mas quatro dias depois o Sporting jogava a final da Taça UEFA e era necessário naquela altura recuperar o guarda-redes do Sporting".

"O lance só começou a ser eventualmente falta na 2.ª feira e uma mentira dita muitas vezes passa a ser verdade para alguns".

"Terei tido algum raio cósmico que me ajudou a decidir esse lance e tenho a consciência que serei sempre conhecido por esse falso erro".

Paulo Paraty


Não que as declarações constituam novidade, aliás, quem se lembra do que aconteceu poucos dias depois do 14 de Maio de 2005 recordar-se-á que estas declarações foram do conhecimento público e que além de Manolo Vidal houve um vice-presidente do Sporting (que era... Filipe Soares Franco) que tinha também reconhecido que o clube estava a fazer mais uma figura triste procurando razão num caso em que não tinha. Mas oh meu Deus! E agora? O que vai ser das centenas de milhar de sportinguistas que juram a pés juntos e gritam histericamente, ainda hoje, passados sete anos, que esse campeonato lhes foi roubado? Suicídios em massa? Não sei não. Pelo menos há um, o não-caucasiano, que parece que bateu com a moleirinha nas paredes e começou a dizer o que lhe ia na alma. Daqui a bocado ainda ouço o Ernesto das Modalidades da Silva dizer que gostava de ser benfiquista e que esse seu desejo reprimido é que o leva à conduta deplorável que ainda hoje tem.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Grave e Esclarecedor

Grave: Há caldeirada no Caldeirão dos Barreiros. Kléber, avançado que representa o Marítimo por empréstimo do Atlético Mineiro, está no epicentro de um conflito que envolve os dois clubes supracitados, o Porto e ainda o Sporting. O presidente do clube brasileiro afirmou que o Atlético recebeu duas propostas pelo jogador, uma do Porto e uma do Sporting, sendo que esta última seria, nas palavras do mesmo, ridiculamente baixa. Quem assiste a toda esta situação é o Marítimo, que não teve conhecimento da proposta do Porto apresentada em Junho de 2010 (que queria assim aliciar e roubar o jogador) mas que teve conhecimento da proposta do Sporting, de Janeiro de 2011. Onde é que isto é grave? Alexandre Kalil, o presidente, mentiu deliberada e propositadamente. A proposta do Sporting, como mostram os docomentos, era superior.

Esclarecedor: isto mostra três coisas em relação a cada um dos três grandes. O Porto, com os seus negócios obscuros, consegue em Portugal e no estrangeiro favores estranhos e pouco claros. O que justifica que o presidente de um clube minta propositadamente para com isso, além de prejudicar o clube, beneficiar um clube estrangeiro que lhe é "estranho"? Muito suspeito. Em relação ao Benfica, há muitas transferências em que ficam por explicar os motivos pelos quais os jogadores acabaram por ir para o Porto (assim de repente, Falcao, Álvaro Pereira, James Rodriguez, Edgar, Kaz e outros). Finalmente, o Sporting, depois de tantos anos a viver de joelhos sem dignidade sendo o que o Porto queria, começa a morrer e sem perceber que uma das causas que levou os leões a este estado foi a aliança que fizeram com o Porto.

Para combater o actual estado do futebol português, o Benfica precisa da ajuda do Sporting. Mas uma vez que do outro lado da 2ª Circular não há vontade, as coisas tornam-se mais difíceis.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Via Verde

Depois da vitória conseguida ontem frente à Olhanense, num jogo que envolveu a rotação do plantel, o que permitiu que alguns jogadores pudessem recarregar baterias, casos de Cardozo ou Saviola, por exemplo, o Benfica ficou com seis pontos e precisa apenas de um empate no último jogo na Vila das Aves, sendo que até a derrota pode servir. Muito dificilmente o Benfica deixará escapar a oportunidade de marcar presença nas meias-finais da prova.
Nos outros grupos, o Nacional precisa de um empate em Aveiro, frente ao Beira-Mar que já nem tem possibilidades de passar esta fase, e se assim o conseguir deixa pelo caminho o FC Porto. O Paços de Ferreira, depois da vitória alcançada em Braga, precisa também de um empate em casa frente ao Vitória de Guimarães para seguir em frente e se assim o conseguir irá à Choupana defrontar os alvinegros. O Sporting também deverá conseguir passar esta fase, pois tem o grupo mais acessível de todos e lidera-o.
Assim sendo, o alinhamento para as meias-finais seria Nacional x Paços de Ferreira e Benfica x Sporting. Sem querer menosprezar os nossos adversários, o Benfica tem fortíssimas hipóteses de marcar presença na final da Taça da Liga pelo terceiro ano consecutivo, onde deverá eliminar, com maior ou menor dificuldade, o Nacional ou o Paços. O alinhamento não é difícil, resta agora cumprir o que temos de fazer e esperar que não haja surpresas de última hora nos outros grupos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sejamos pragmáticos (II)

Lembram-se de há uns dias ter dito que o Benfica deveria preocupar-se com o segundo lugar uma vez que o primeiro era praticamente impossível? Esqueçam. O primeiro continua a ser uma miragem, mas o segundo é impossível de perder, atendendo ao estado do rival do outro lado da 2ª Circular. Com maior ou menor esforço, este ano o segundo lugar será nosso, resta focar atenções nas três outras provas em disputa. Se na Taça da Liga somos claramente favoritos, na de Portugal o sorteio não foi favorável e na Liga Europa... vamos ver.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Sporting está a morrer

"Para ser grande, sê inteiro: Nada teu exagera ou exclui" Fernando Pessoa


Escrevo este post, sobre o Sporting, pois a situação que atravessa é grave a nível financeiro, directivo, futebolístico e, sobretudo, ideológico.

O actual momento do Sporting já nem me dá alegria, apenas me entristece. Sinceramente. Eu olho para o Sporting e vejo-o morrer. Se fosse o Porto, a esta hora estaria no Marquês a festejar, mas é o Sporting, o rival com o qual vivi desde pequenino, que eu respeito e desprezo. Não se trata de simpatia pelo clube, claro que não, talvez eu padeça daquele sentimento tipicamente português que é sentir pena de alguém ou algo que percebemos que vai acabar ou morrer. Se calhar é isto.

Bettencourt demitiu-se. No curto espaço de um ano e meio conseguiu agudizar todos os problemas e vícios acumulados pelo clube de Alvalade ao longo dos últimos 30 anos. Ganhou as eleições com 90% dos votos, disse "Bento Forever", contratou dois dos piores treinadores de sempre do clube, acabou em 4º lugar, cometeu gaffes atrás de gaffes, bailou ao som das maracas, chamou "maçã podre" ao capitão que vendeu ao rival Porto, trouxe a armada ex-Porto, resgatou Costinha e Couceiro e, mais grave que tudo, distanciou-se, irremediavelmente, de Benfica e Porto.

Não há forma de negar: hoje, em Portugal, há dois grandes, o Benfica e o Porto. O Sporting, na era Bettencourt, agudizou a belenização crónica. Ninguém respeita o Sporting, ficou descolado de tudo em relação aos rivais e cada vez mais próximo de Braga e Guimarães. E porquê? Essencialmente porque o Sporting cuspiu na sua própria ideologia, não quis ser inteiro, preferiu ir a reboque do Porto, num processo iniciado por Roquette e finalizado por Bettencourt. Gente como Dias da Cunha foi denegrida em praça pública por criticar o Sistema. Os resultados estão há vista. O Sporting não foi inteiro, excluiu os seus valores fundamentais, vendeu-se.

Pejado de incompetentes, com a corda na garganta em termos financeiros, desportivamente na lama e com o prestígio nacional e internacional arrasado, o Sporting vive uma situação gravíssima, tão grave quanto a vivida pelo Benfica na viragem do milénio, apesar de esta ter diferentes causas. Mas é igualmente grave. O Benfica tinha uma força que o Sporting não tem, a da sua massa associativa. O que pode fazer com que o Sporting saia definitivamente do buraco? Não vejo nada.

O meu sonho é ver o Benfica a ganhar, com o Sporting, e não o Porto, como seu grande rival. O Sporting a ombrear com o Benfica, mas nós a ganhar, sempre. Cresci e vivi em Lisboa desde sempre, onde o Porto, enquanto clube, ainda não tem a dimensão que os portistas queriam que tivesse. Aqui, hoje, Lisboa é Benfica e Sporting. E poderá passar a ser só Benfica em breve.

Escrevo isto porque esta situação do Sporting me faz lembrar o momento vivido pelo Benfica no final do milénio. Apesar das diferenças, as semelhanças em termos de consequências são bem reais.

Ah, antes que cheguem os mais indignados a dizer que estou a defender o Sporting, deixo já o esclarecimento: o Benfica, nomeadamente a sua Direcção devem fazer o que deve ser feito. "Se não estão connosco, estão contra nós". O projecto Roquette tentou matar o Benfica e o Sporting nunca se colocou do nosso lado no processo Apito Dourado. Há que dar a machadada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sejamos pragmáticos

Quinze jogos depois, com 33 pontos amealhados, pode dizer-se que o Benfica acabou por fazer uma primeira volta, olhando apenas ao número de pontos, positiva. Objectivamente. Não dando para liderar muitos campeonatos de edições anteriores, estes 33 pontos também não deixam, salvo raras excepções, os líderes desses campeonatos com uma grande folga. Em comparação com 2009/2010, o actual Benfica tem apenas menos 3 pontos, e o mesmo número de vitórias. Não é assim tão mau, face a todas as condicionantes. No entanto, este é o actual campeonato, no qual estamos a 8 pontos do líder, o Porto, que terá de perder, na segunda volta, mais do dobro dos pontos que perdeu na primeira, sendo que o Benfica terá de somar por vitórias todos os jogos que disputar até Maio. Impossível? Não. Provável? Só em sonhos.

Olhando para a tabela vemos o ridículo Sporting, ainda mais fraco que na época passada, com piores jogadores (depois das perdas de Moutinho e Veloso) e pior treinador (sim, Paulo Sérgio consegue ser mais fraquinho que o Carvalhal), com mais 4 pontos que em igual período da época passada. Onde os foi buscar? Na Figueira, onde foi escandalosamente beneficiado, em casa com a Olhanense, onde anularam um golo limpíssimo aos algarvios, e agora com o Braga, onde no mesmo lance houve dois fora-de-jogo, a Vukcevic e João Pereira, que não foram sancionados. São os efeitos da "cláusula Moutinho", como bem referiram no Ndrangheta e no GB.

Não tenho muitas dúvidas do que nos espera até final do campeonato. Enquanto muitos benfiquistas ainda pensam no Marquês, eu prefiro o pragmatismo do segundo lugar. Não é pensar "à pequeno", é a triste realidade. A machadada que nos foi dada no início do campeonato e as sucessivas ajudas que o Porto tem benfeciado retiram-me as esperanças. E olhando aos jogos do Sporting, menos dúvidas ficam.

Vendo o calendário do Benfica, neste início da segunda volta, os objectivos parecem-me claros: segurar o segundo lugar, num conjunto de jogos onde perdemos muitos pontos. Académica fora, Nacional e Guimarães na Luz, e as deslocações ao Sado, a Alvalade e a Braga constituem ameaças sérias aos nossos objectivos. Estamos fortes? Sim. Mas é fácil abater este Benfica. E Vítor Pereira até já deu o aviso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tudo por causa de uma caneta

Há coisas do outro mundo. Se na Luz, em dia de jogo de futebol, já não há revistas por parte dos agentes de segurança, no futsal há excesso de zelo que roça a estupidez. Sou a favor de que se façam revistas aos adeptos que se deslocam ao estádio ou ao pavilhão, é uma medida de segurança preventiva que deveria ser respeitada apesar de a larguíssima maioria dos adeptos não se deslocar para lá com o propósito de fazer mal ou magoar alguém. Agora imaginem o que se passou...

Ao sermos revistados, foi pedido que tirássemos tudo dos bolsos. Tudo bem, normal, numa Era em que as bolas de golf estão tão na moda, até percebo. Agora, apontar para uma pen drive e perguntar o que era aquilo com um ar desconfiado já roça a estupidez. Não contava é que quando o segurança viu que o meu pai levava uma... granada caneta, lhe fosse dizer que não poderia entrar porque a caneta era, e passo a citar, "um perigoso objecto de arremesso". Logo aí mostrei-lhe objectos perigosos que eu mesmo transportava, como as chaves de casa ou o telemóvel, mas a besta de segurança não se importou. Aquela caneta é que era perigosa, a malvada.

E assim foi, tive de levar a dita ao "bengaleiro", que nem o segurança idiota sabia bem onde era "é já ali, só virar ali". Léxico complicado como "direita", "esquerda" ou "ao fundo" não faziam parte do dicionário do idiota. Para quem não sabe, o bengaleiro é... a bilheteira. Fiquei hoje a saber. E foram tão prestáveis que colaram um post-it na dita caneta.

Quem esteve lá no pavilhão ficou a saber que objectos perigosos como caneta ou mesmo copos de plástico com cerveja não podem entrar, apesar de as ditas cervejas serem vendidas dentro do pavilhão, como os sempre perigosos Magnum's, esse gelado em forma de míssil. É assim, é a segurança que temos. Canetas, não! Tochas verdes arremessadas contra crianças no sector 7, sim! E lá virão os idiotas do costume dizer "ah, mas não matámos ninguém". Pois não, porque ainda não calhou, porque intenção não vos faltava, bando de filhos da puta. Depois querem que as famílias vão ver desporto. Ainda hoje vi o pai sair a fugir com os seus dois filhos pequenos. Não foi, redjan?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Triste fim do jornal A Bola

Quando era pequeno não havia sábado em que não acordasse às sete da manhã. Os desenhos animados começavam bem cedo e ainda estavam os meus pais a dormir já a televisão estava ligada com o "pequenito" a ver o que a RTP tinha. O meu pai ia às compras de manhã antes do pequeno-almoço e quando ouvia o elevador a regressar os desenhos animados já não interessavam para nada: vinha aí o jornal A Bola. Ainda em pijama, pegava no jornal e como era demasiado grande para as minhas mãozinhas de seis anos, altura em que comecei a ler o diário desportivo, deitava-me no chão da cozinha a lê-lo.

Hoje já não faço isso. Nem me deito não chão da cozinha nem voltarei a comprar o dito jornal. Hoje foi a última vez, se calhar até o guardarei, quem sabe. O silenciamento do qual foi alvo Zé Diogo Quintela na sua crónica é algo de tão abjecto e tão anti-democrático que não cabe na cabeça de ninguém (a não ser na de Vítor Serpa, mas esse muito espaço por preencher na cabeça e pouco no abdómen). O jornal que eu tinha como referência preferiu tomar parte pelo lado de um indivíduo abjecto. Não que o facto de os portistas defenderem o Porto seja abjecto, não é, é óbvio que os seus adeptos vão continuar a defender todas aquelas trafulhices, não esperem o contrário, o que me choca é que o jornal que eu tinha como referência de jornalismo preferiu escolher a má-educação (chamou "rafeiros" a RAP e ZDQ), a deturpação de factos e o conflito moral (escutas do Apito Dourado e outras) à crítica sagaz e ao humor fino e inteligente. E fê-lo da pior das maneiras, censurando o texto de um dos artistas.

É uma vergonha que o jornal A Bola tenha tomado esta decisão e concordo e apoio os dois humoristas. São opções que se tomam. Eu já tomei a minha. Nunca mais receberão os meus 80 cêntimos até que o sr. Serpa saia. Nem os meus nem os de milhares de benfiquistas.