Há dois anos, no Verão, fiz uma viagem ao centro da Europa para visitar cidades, regiões e países aos quais nunca tinha ido, Praga, Áustria e Baviera. A viagem é fantástica, aconselho a faze-la, vêem-se paisagens lindíssimas, respira-se uma cultura diferente e conhecem-se pessoas que têm autênticas histórias de vida.
Conheci nessa viagem o Sr. Folgosa, casado, com dois filhos, é um benfiquista fervoroso. Respira futebol, vive o seu clube, tem lugar cativo no Estádio da Luz há já muitos anos, sabe de cor os lances, as jogadas, descreve-as na perfeição. Fala à Benfica, vive à Benfica. É um super-adepto. Passados quase dois anos e milhares de quilómetros depois, voltei a encontra-lo nas sempre complicadas entradas do lado do Colombo do nosso Estádio, na zona antes de passar os primeiros stewards. Dois ou três dedos de conversa e lá foi cada um para sua bancada.
Durante o jogo passou-se aquilo que nós sabemos. Numa claque organizada, que são, mesmo que o desmintam eles mesmos ou na TV, um grupo de elementos, um bando de arruaceiros, vadios, conspurcadores do nome "Benfica", resolveu voltar a manchar o nome do clube. Não que todas as pessoas pertencentes à claque se identifiquem com aquele comportamento, mas não é nenhum grupo de anjinhos que ali está. Depois da pouca vergonha que foi, ainda tiveram a lata de cantar "Todos querem saber quem nós somos", mostrando-se uns valentões, quais criancinhas. "Há pessoas que se dedicam à claque e gastam muitas horas, para aparecer meia dúzia de otários de vez em quando a estragar tudo", já dizia o mítico líder do grupo. Pelos vistos, os otários dos petardos, do tráfico de armas e do tráfico de droga pululam na claque. Tenho muitas dúvidas que gostem mais do clube que da própria claque.
E não me venham dizer sem as claques estaríamos na "ópera" tal seria o silêncio. Viram o que aconteceu em Inglaterra? A partir do dia em que acabaram com as claques, as famílias passaram a poder ir ao futebol descansadas, o espectáculo é garantido e o ambiente é sem dúvida o melhor do mundo. É a festa do futebol em estado puro. Sem claques.
O Benfica, clube ecléctico e presente em todas as áreas e estratos sociais, tem um grupo de adeptos tudo menos homogéneo. Queremos adeptos como os No Name, ou queremos adeptos como o senhor Folgosa, que tem cativo, que ouve o público, sente o ambiente, fala à Benfica, vive à Benfica, mas não pode ver o Benfica porque é cego? Afinal de contas, de que tipo de adeptos precisamos?
Quem não se sente completamente lixado, mas com "F" bem grande, então que esteja calado se fizer o favor, porque há quem tenha chorado com o falhanço do Cardozo e tenha chegado a vias de facto com a mesa da sala. O que eu disse sobre o Cardozo foi simplesmente aquilo que está escrito ali mesmo: não o posso ver nem pintado de vermelho por hoje. Querem saber mais? Tenho uma lista de posts a publicar brevemente e um deles chama-se "Cardozo: quem te viu e quem te vê", sobre a evolução do avançado paraguaio desde que chegou ao Benfica em 2007 até aos dias de hoje. Amanhã ou depois já esqueci o que se passou no Sado. Vivo o Benfica intensamente, é assim a minha maneira de viver o Clube, e o que vi hoje em Setúbal deixou-me de rastos. Eu vi o Zoro a progredir com bola por uns bons 40 metros e a obrigar o Aimar a fazer carrinhos para o parar, tendo visto o amarelo. Eu vi uma exibição igualzinha a uma que uma vez motivou uma capa de um jornal desportivo com o título de "Exibição Miserável", lembram-se? E desculpem lá qualquer coisa que tenha dito e que vos possa ter ofendido, eu hoje estou intratável, fico assim quando o Benfica perde pontos desta maneira. Quando o Luís Filipe deu aquela abébia em Nuremberga o comando da sala sofreu muito, quando acabou o 5-3 em Alvalade estive mais de uma hora no sofá sem conseguir falar com ninguém, é assim mesmo. Mas não é por isso que deixo de acreditar que em Maio estaremos no ali a fazer a festa. E nesse dia, este post será recordado.
P.S. Não admito que digam que sou menos benfiquista que algum de vocês. Nunca vos acusei de tal coisa, é um absurdo ridículo. Sou sócio, com quotas pagas, lugar cativo e frequentemente vou aos pavilhões. Escrevo no blog desde Janeiro de 2007, perdi muitas horas a escrever textos que centenas comentaram e milhares leram, valessem eles alguma coisa ou não. Não faço isto por dinheiro, porque ninguém na blogosfera do Benfica é remunerado, nem por obrigação: faço-o por gosto, porque amo o Benfica e gosto de discutir o Clube. E por isso não aceito aquilo que escreveram sobre mim.
O vídeo, do Bakero, autor do blog Memória Gloriosa, é sobejamente conhecido, mas coloco-o agora como vídeo do Mês de Fevereiro 2010 pois é nesta altura que mais precisamos de apoiar a equipa. Já não há a mesma força do início dos anos 90, o futebol mudou muito, mas eu quero ver o Estádio da Luz cheio, sempre cheio. 52 000 não é suficiente, tudo o que for abaixo dos 60 000 até final do campeonato fica aquém daquilo que eu quero e o Benfica precisa.
Mais que um orgulho, é um privilégio em Ser Benfiquista. Quantos clubes conseguem colocar mais de 50 mil pessoas num jogo amigável, numa segunda-feira à noite no gelado mês de Janeiro? Poucos, talvez apenas um. É certo que havia sportinguistas, portistas e muitos, mas muitos brasileiros, mas para se ter ouvido o Glorioso SLB no Estádio da Luz.
Sinceramente não esperava tanta gente na Luz. As últimas edições do jogo contra a pobreza tinham sido marcados por assistências muito... pobrezinhas: cerca de 20 000 pessoas em Fez, Marrocos, na última edição, pouco mais de 30 000 em Marselha, em 2007. Por aqui dá para ver a magnitude desta assistência na Luz. O povo português, apesar dos seus muito defeitos, quando tem de ajudar, ajuda mesmo, aí não falha. Gosto.
E que bom foi entrar e ver aquele grupo de jogadores e ex-jogadores em campo: uma equipa capitaneada por Humberto Coelho, Dimas a defesa-esquerdo marcando Luís Figo, Katsouranis e Karagounis, o duo grego, que espalhava classe na Luz e que foi tão mal aproveitado, o mítico Paneira, e aquela "sociedade" do golo, Nuno Gomes/Miccoli, que tão bom futebol jogava, ajudados pelo maestro Rui Costa.
Depois foi o assistir de outras vedetas (e alguns marretas) mais antigos: Neno voltou em grande à baliza tendo feito uma enorme defesa a remate forte de Zinedine Zidane, Mozer ajudado pelo jovem Miguel Vítor também esteve em bom plano, e a ovação do jogo para o extremo-esquerdo Chalana, já sem a velocidade e técnica de outros tempos, mas com a boa disposição necessária para o jogo, ele que foi o herói de muitas gerações. Ramires deu mais juventude, substituindo o visivelmente fatigado Paneira e ainda assistimos ao regresso do mítico Abel "Faisal" Xavier, inconfundível, ele que granjeou grande apoio e simpatia neste regresso.
No segundo tempo a equipa mudou radicalmente: entraram Moreira, já depois de Quim e Neno terem actuado, Veloso para lateral-direito onde esteve lutador levando o jogo muito a sério, o ex-capitão Hélder, o enorme Shéu, que demonstrou uma forma física invejável para a idade que tem, o sueco Stefan Schwarz, um dos últimos grandes defesas-esquerdos do clube, Karel Poborsky, que ainda revelou alguma velocidade, bem como os actuais jogadores Éder Luís, Saviola e Óscar Cardozo.A dança das substituições na parava, e entraram Abel Silva, que ainda revelou alguma habilidade, Valdo, classe pura e o goleador Rui Águas, que felizmente foi mais aplaudido que vaiado. Pietra, Valido e Paulo Madeira também fizeram parte do espectáculo, sendo que os momentos que mais gostei foram as entradas do senhor com mais jogos efectuados com a camisola vermelha da águia, Nené, e claro, de Mats Magnusson, o goleador sueco que agora, com os quilinhos a mais teve muita dificuldade de movimentação, mas presenteou-nos com o seu bom humor.
Queria ainda deixar uma nota sobre dois jogadores: Miguel e Manuel Fernandes jogaram pelo Benfica, na Luz. Foram timidamente assobiados, mas, sabendo que ambos saíram bastante a mal com a actual Direcção do Benfica, de quem partiu a ideia de os convidar? Havia discoteca a seguir? E por que é que aceitaram? Falta de vergonha ou um pedido de desculpa? E que curioso, no mesmo dia em que se dá este jogo, surgirem notícias nos jornais que dão como certa a saída de Manuel Fernandes?
"O Benfica é o maior do mundo!!!" Já todos ouvimos isto várias vezes. Muitos o dizem, mas será que o sentem mesmo? Será que estão mesmo convictos do que dizem? Então vamos lá ver se o Benfica é ou não o maior clube do mundo. Quando se fala de maior clube do mundo, afinal, fala-se de quê? De títulos ganhos? Do número de sócios ou adeptos? De capacidade financeira? Vamos então fazer uma análise àqueles que são comummente aceites como sendo os clubes mais importantes do Mundo. Comecemos pelo Real Madrid. O Real Madrid é o clube com mais títulos europeus, tendo sido por 9 vezes Campeão Europeu. O Real Madrid tem igualmente uma enorme capacidade financeira, tendo até alegadamente feito uma oferta de 100 milhões de euros para comprar o passe de Cristiano Ronaldo. Mas isso faz do Real Madrid o maior clube do mundo? Há uns anos atrás, numa conversa com Camacho, em Madrid, ele disse-me uma coisa que não me saiu da cabeça. Ele disse-me que o Real Madrid era muito grande e muito importante, mas que fora da cidade de Madrid o Real não era número 1 em lado nenhum. Camacho disse-me mais: o Real Madrid é respeitado e temido pelo mundo fora, mas não é amado. Com o Manchester United ou Liverpool passa-se algo de semelhante com a diferença de terem ganho menos que o Real Madrid. Onde estão os verdadeiros adeptos do Manchester ou do Liverpool, a não ser nas respectivas cidades? Haverá algum sítio do mundo em que esses clubes são o emblema mais importante para além das suas cidades? Mesmo em Inglaterra, será que em Newcastle, Birmingham ou Leeds as pessoas são maciçamente do Manchester ou Liverpool? Tenho a certeza que não. E o Barcelona? Se fossemos olhar para os títulos o Barcelona está muito longe do Real Madrid e em termos sociais ainda vale muito menos que o Real. O Barcelona é um clube parecido com o Porto, assim como o Atlético de Madrid é parecido com o Sporting. De facto, o Barcelona representa um sentimento regionalista e com isso domina na Catalunha e vive por oposição ao Real Madrid. O Porto tem um papel semelhante em Portugal, tem no Benfica a sua obsessão, mas ao contrário do Barcelona não consegue sequer dominar o Norte de Portugal nem ter a capacidade financeira do clube catalão. Quem quiser confirmar o que digo que vá a Braga, a Famalicão, Viana do Castelo, Mirandela, Bragança ou Vila Real e verifique qual é o clube com mais adeptos. É, de longe, o Benfica. Mas ter mais adeptos será um critério suficiente para se ser o maior clube do mundo? Manuel José, treinador do Al-Ahly, dizia há uns tempos que este clube do Cairo era enorme porque tinha cerca de 40 milhões de adeptos no Egipto. Mas fará isso do Al-Ahly um grande clube?Seguramente que não. Se fizesse, rapidamente qualquer clube chinês ou indiano poderia vir a dizer que é o maior clube do mundo. Outros clubes como o Milão, Inter, Juventus, Bayern de Munique, Boca Juniors, Flamengo ou São Paulo têm o mesmo problema. São muito importantes nas suas regiões ou nos seus países, já ganharam muita coisa, alguns têm muito dinheiro, mas fora da sua área de influência directa não são nada. São muito respeitados. São adversários temíveis. Mas têm aquela coisa especial que faz deles o maior clube do mundo? A resposta é não. Então, afinal, qual é o maior do clube do mundo? É o Benfica. E porquê? O Benfica é o maior clube do mundo não por causa de qualquer recorde do Guinness Book como alguns ignorantes nos querem fazer crer. Só pode dizer isso quem não percebe nada do que é ser benfiquista. O Benfica é o maior clube do mundo porque num desenvolvimento histórico singular e irrepetível ganhou o respeito mas, acima de tudo, conquistou o amor de milhões em todo o mundo. O Benfica conseguiu encarnar a diáspora portuguesa como nenhum outro clube do mundo o conseguiu fazer relativamente à história do seu próprio país. Assim, o Benfica é o maior clube de Portugal, mas é também o clube nº1 em Angola, Moçambique, Timor, Cabo Verde, Guiné e S. Tomé. Mas não só. Qual é o maior clube de Paris? Será o PSG que foi fundado em 1970? Não. É o Benfica. O Benfica que também é o maior clube na Suíça, no Luxemburgo e que tem uma enorme força na Alemanha, em Nova Iorque, em Toronto, na África do Sul ou em qualquer lado onde esteja um português. O Benfica personifica a nostalgia e a alma de um povo, mesmo daqueles que não são simpatizantes do clube. E isso sente-se especialmente quando se sai de Portugal. Não há mais nenhum clube do mundo assim. E o Benfica teve e tem Eusébio. Bem sei que o Real Madrid teve Alfredo di Stefano e o Manchester United Sir Bobby Charton. Mas Eusébio era outra coisa. Eusébio não era argentino nem inglês. Eusébio era africano, de Moçambique, o que representava a vocação universalista do Benfica. Eusébio era um rapaz simples e humilde com um talento incomparável. Eusébio carregou aos ombros todo um país no mundial de 1966. E chorou. As lágrimas de Eusébio deram a volta ao mundo e lavaram a alma de todos os portugueses que com ele sofreram. E há mais. O Benfica é do povo. É popular no sentido literal do termo. É feito por gente simples que ama o Benfica mais do que tudo na vida e é capaz de sacrifícios espantosos pelo clube do seu coração. Arrepia-me ver os novos jogadores estrangeiros do Benfica, quando chegam ao aeroporto da Portela, começarem logo a dizer que o Benfica é igual ao Real Madrid como se isso fosse algum elogio. A culpa não é deles. É claro que são instruídos por alguém dentro do Benfica para dizerem isso. Alguém que pensa que isso engrandece o Benfica. Nada mais patético. Faz-me lembrar quando os artistas brasileiros chegavam a Portugal e começavam logo a dizer que éramos um país lindo,maravilhoso e irmão. Soava a falso, como soam a falso as declarações dos jogadores recém chegados. Isso só acontece porque as pessoas que estão no Benfica não percebem verdadeiramente o que têm nas mãos. Estão lá, mas não sabem o que é o Benfica. Se vissem o Benfica como ele é não ficavam todos felizes com a comparação com o Real Madrid, mas proibiam-na. Para se dirigir um clube como o Benfica é preciso ter-se categoria,algo que há muito anda arredado da Luz. Assim como para se ser jogador do Benfica é preciso ter-se algo de especial. Não é, de facto, coisa que esteja ao alcance de qualquer um. Por muito que outros clubes possam ganhar nunca serão o Benfica. Não há nenhum clube do mundo que tenha a herança do Benfica. É preciso que o futuro do Benfica esteja à altura do seu passado. E para isso são precisas vitórias. Vitórias com honra, com glória, com humildade e com dignidade. A minha última palavra vai para as Casas do Benfica espalhadas por Portugal e por esse mundo fora. Elas fazem um trabalho notável e desempenham um papel fundamental na manutenção da mística do Benfica. Mística essa de que todos falam, mas muitos não sabem o que quer dizer. O Benfica é, de facto, um caso único no mundo do futebol. O Benfica é, sem favor e sem exagero, o maior clube do mundo!"
É num momento particularmente importante da época do Benfica que vos escrevo este post. Estamos em segundo, a apenas um ponto do líder, o FC Porto, e com três pontos de avanço sobre Leixões e Sporting, com quem jogaremos o grande derby deste sábado. O campeonato segue já na segunda volta, mais precisamente com 18 jornadas decorridas. Foi mais ou menos por esta altura que, há exactamente quatro anos, 6 milhões em Portugal acreditaram que era possível voltar a ganhar. Sem querermos, ou sabermos, dissemos Yes, we can!, e sem darmos por isso, levámos o Benfica ao colo rumo ao título. Poderá este ano ser novamente assim? Eu acho que depende de nós. Nessa medida, o futuro parece animador, apesar das dificuldades que se estão para vir.
Depois de devidamente superadas as contrariedades na Taça de Portugal e na UEFA, resta-nos a prova rainha, o Campeonato, e a Taça da Liga, que apesar de não considerar uma competição muito importante, penso que dever-se-ia investir nela esta época visto que o plantel é extenso e já não tem muitos jogos a fazer. Será uma final a realizar no Estádio do Algarve com o nosso eterno rival, o Sporting. Relembro que é a primeira vez em quatro anos que o Benfica se encontra numa final, e acredito que a conquista desta mesma poderá ter um efeito catalisador para o futuro, tornando esta equipa numa equipa ganhadora, tal como aconteceu com a famosa base de Camacho. Além disso, o que os adeptos querem são vitórias, são títulos, é um futebol bonito, e isso leva mais gente aos estádios, não só da Luz, mas também ao dos nossos adversários, que têm medo de jogar contra um mar vermelho, à semelhança do que aconteceu em 2005, na altura do título de Trap.
Lutaremos claro, porque “somos de um clube lutador”, contra aqueles que se coloquem à nossa frente e que tenham por intenção impedir que cheguemos à promised land: Xistras, Lucílios, Henriques, Gomes, Elmanos, Olegários, Proenças, todos. Fomos beneficiados em poucos jogos, mais precisamente em um, contra o Sporting de Braga, é verdade, por um dos filhos do Apito Dourado, o Paulo Baptista, mas a quantidade de vezes que fomos prejudicados é muitíssimo maior. Como ficou provado frente ao Nacional, ao Setúbal, ao Porto, ao Leixões, etc, por vezes não é só contra os nossos adversários que temos de jogar. É também contra “os outros”.
Mas dizia que para que tal sonho se volte a realizar, é preciso primeiramente que os benfiquistas se unam (pois, por vezes, somos o nosso pior inimigo), que olhem todos para diante, isto sem nunca perder o espírito crítico positivo em relação à estrutura e funcionamento daquele que acreditamos ser o maior e melhor clube do Mundo e sem também deixar passar em branco todos os actos incorrectos e que infringem com as leis e com o bom funcionamento do futebol português, desde à passividade de uns que se escondem e se tornam subservientes daqueles que na realidade deveriam ser os seus rivais também, aos actos de corrupção de outros, ou até mesmo os salários em atraso de terceiros.
E é precisamente revendo a nossa própria História que nos encontraremos connosco mesmos: teoricamente, nunca fomos, desde início, o clube que iria ganhar a tudo e a todos. Não começámos com muito dinheiro. Não começámos com as melhores instalações. Não tínhamos sequer campo próprio, ou banhos de água quente para os atletas. Não planeámos a formação de um clube nos salões de Lisboa, nem em grandes jantares. Não. Foi numa simples farmácia de Belém. E apenas com o querer de um grupo de 24 homens, entre os quais se destacava Cosme Damião.
Desde início foram tantas as dificuldades: os nossos campeonatos eram propriedade dos ingleses que faziam o que queriam de nós: jogavam quando queriam, como queriam e ganhavam de qualquer das maneiras. Mas nós reagimos. Mas nós revoltámo-nos. E montámos aquela que seria a primeira equipa a derrotar os ingleses. E assim fomos seguindo o nosso caminho. Ganhámos os campeonatos de Lisboa, o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal, a Supertaça, a Taça dos Campeões Europeus, a Taça Latina e muito mais. Palmarés vastíssimo o do nosso ecléctico clube. Os ingleses foram-se, mas hoje, o nosso futebol está novamente minado de outros ingleses, cuja bandeira é a da corrupção. Tal como no início do século XX, eles jogam quando querem, pedindo o adiamento dos seus jogos ou provocando os outros clubes a adiar as suas partidas, e acham que os meios que utilizam para chegarem aos fins que pretendem são adequados e justos. Mas, tal como no passado, reagiremos e lutaremos.
Mas dizia que esse sentimento crescente de esperança, de união e de vitória que se conseguiu, pouco a pouco, foi alastrando a uma sociedade inteira, tanto que nos anos 40, 50 e 60, mesmo num país dividido política, social e economicamente, havia um denominador comum a muita gente: o Benfica. Era o Benfica que unia um país dividido. Era o Benfica que dava esperança a quem não a tinha. Quem não sabe como as pessoas paravam para ver o Benfica na televisão? Quem é que não sabe que quando o Benfica jogava, se perguntava “por quantos é que ganhámos?” e não “hoje ganhámos?”? É esse o Benfica que queremos hoje. Queremos o Benfica que tinha o estádio sempre cheio, que tinha uma dimensão europeia intocável e que ganhar 8-0 a uma equipa de outro país não era uma meta impossível. Queremos dentro de campo figuras míticas como Eusébio, Coluna, Humberto, Rui Costa.
E, para que tal suceda, é preciso criar as condições necessárias. E foram efectivamente criadas! O Benfica recuperou da pior crise financeira de sempre, consolidou as contas, montou uma equipa ganhadora, maioritariamente composta de portugueses, construiu um novo estádio, mobilizou milhares de não-sócios tornando-os sócios, construiu um complexo de treinos, o Caixa Futebol Campus, modernizou o seu Jornal, revelou uma nova revista e foi pioneiro no lançamento do primeiro canal televisivo de um clube em Portugal. Mas, mais importante que tudo, salvámos as modalidades: do Basquetebol ao Andebol, passando pelo Hóquei em Patins, o Benfica estava numa situação miserável. E foi tudo reabilitado. No Basquetebol, hoje temos a melhor equipa portuguesa, indiscutivelmente (21 vitórias em 21 jogos); no Andebol, acabámos com uma agonia de 18 anos sem sermos campeões graças ao mágico Aleksandr Donner; no Voleibol, voltámos a ser campeões e a ganhar a Taça; no Hóquei, que esteve à beira do fim, voltámos a ombrear com o FCP, fazendo sempre frente ao Sistema que continua instalado nesta modalidade; o Râguebi tornou-se mais forte; o Futsal é de impor respeito a qualquer um, depois de tantas taças e campeonatos ganhos nos últimos anos; o Atletismo, o Triatlo, o Ciclismo, o Judo, o Ténis de Mesa, todos estão claramente a progredir. Tivemos uma prestação soberba nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, o que fez com que o nosso clube trouxesse mais medalhas que o nosso próprio País.
Já passámos por tanto ao longo da nossa história... desde a deserção de oito jogadores para um clube que lhes oferecia banho de água quente no final dos jogos, à derrota em seis finais europeias, aos 7-1 infligidos pelo Sporting, a sucessivos desfalques e roubos de um dos nossos presidentes, aquele que em primeiro lugar se prontificou a lutar contra o clube da nova ditadura (futebolisticamente falando) em Portugal, e, até mesmo à morte de um dos nossos em campo.
O que hoje vivemos, comparado com o que viveram os grandes benfiquistas do passado, não é nada. Se nos deitarem abaixo, devemos reagir, levantar. Se nos baterem outra vez, reagiremos novamente, seguiremos caminho. E ganharemos.
Olhemos para o passado para aprender de novo. O que não nos mata, torna-nos mais fortes.
Louvo por isso a equipa técnica do Benfica, especialmente Quique Sanchez Flores, homem de ideias firmes, coerente e que acredito saber o que quer para o Benfica, com realismo e com serenidade. Amado por uns, criticado por outro, Quique sabe o que é melhor para o Benfica. Quando elogia, dá motivação. Quando critica, consegue espicaçar os jogadores, feri-los no orgulho, tornando-os mais fortes de jogo para jogo. Não lhe peçam para ser consensual. Nunca ninguém o conseguiu ser. Também congratulo Rui Costa, administrador da SAD e director desportivo do nosso clube, um filho da casa, o meu ídolo no futebol, um homem de valores e que zela pelo nosso clube, pondo-o sempre à frente dos seus interesses pessoais, como foi sabido aquando da sua transferência para Florença e não para o dream team de Cruiff, em Barcelona. E, por fim, também devo dar uma palavra de apoio, de confiança e de gratidão a Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, o homem sob o leme do qual voltámos a conquistar todos os títulos a nível nacional, se bem que tenham sido poucos, é verdade, mas com o qual começámos a reestabelecer a dignidade, a força e a mística quase perdidas com João Vale e Azevedo. São nove anos de Benfica que Luís Filipe Vieira leva, seis deles enquanto presidente e três como segunda figura, mas que sabemos bem que era ele que mandava e não Vilarinho. É dos mandatos mais longos da história do nosso clube, apenas ultrapassado por Bento Mântua, o que é sinal de estabilidade e não de estagnação.
Escrevo isto sem esquecer os jogadores, em especial aqueles que têm mais anos de Benfica e que por isso conseguem entender perfeitamente a mística do clube. Falo de Nuno Gomes, capitão, jogador de equipa, máximo marcador do campeonato português em actividade e ser humano de grandes qualidades, defendendo aquilo que acha ser o mais justo: desde a paralisação do campeonato por salários em atraso, às críticas internas sobre o facto de não deixarem os jogadores do Benfica trabalhar com tranquilidade e até mesmo as críticas a pseudo-treinadores de futebol cuja função de apanhar e distribuir pinos era feita na perfeição, mas comandar um grupo de homens é tarefa muito árdua. Falo de Carlos Queiroz. Por alguma razão Nuno Gomes está excluído da “selecção de todos nós”, (ou seja, portugueses e brasileiros também). Continuando nos jogadores, o meu “obrigado” a Luisão, capitão sem braçadeira, o homem que, se for preciso, dá o murro na mesa. Que estes dois exemplos inspirem Miguel Vítor e Rúben Amorim entre outros jogadores e futuros atletas do Benfica, mas especialmente estes dois que referi, pois possuem uma qualidade intrínseca que mais nenhum jogador do Benfica (posso estar enganado) possui: são realmente benfiquistas, desde pequeninos. Que a sorte e a coragem os acompanhe para daqui a vinte anos os recordarmos juntamente naquela restrita galeria dos eternos.
Por fim, uma palavra também para a blogosfera benfiquista. Sim, para vocês que nos lêem e que se calhar até têm um blog como nós: temos muito mais força do que aquilo que pensamos. Não sabemos é utilizá-la. Experimentem colocar todos o mesmo post, no mesmo dia, com a mesma mensagem de apoio ou de ida ao Estádio da Luz. Estou certo que os resultados seriam altamente gratificantes.
Este texto é também um teste à vossa resistência e paciência: se o leram integralmente até este ponto em que vos escrevo, sei que apoiarão o Benfica, seja na Luz, em Alvalade, no Dragão, em Braga, em Setúbal, onde for preciso. Porque eu acredito. Porque eu tenho na alma a chama imensa.
“Esta é a nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento.”
É por isso que eu digo que é tempo de Ser Benfiquista.
O Benfica atravessa uma crise desportiva de dimensões ultrajantes. Não há volta a dar, senão lutar para a ultrapassar - estou em crer que não vamos lá com demagogia, artigos n'aBola e mais uns quantos sul-americanos. Antes de se debruçar sobre esses problemas, o Benfica tem que remediar a crise que o afecta a nível organizacional e direccional. Mas não é disso que vos quero falar hoje.
Como já devem ter reparado, a Comunicação Social, oportunista, como sempre, tem vindo a aproveitar-se cada vez mais do estado de desagrado dos benfiquistas para enxovalhar o clube. O Benfica é um dos clubes mais históricos do mundo. Não é um clube do quase, a miar, de fininho, pela Europa, nem um clube regional, monoteísta, que faz uso da corrupção para triunfar. Não. O Benfica é mais que isso, é mais que qualquer dirigente, seja ele Presidente, Director Desportivo ou Preparador Físico. O Benfica é superior e não é efémero - fazendo jus à denominação deste blogue, o Benfica é eterno. Benfica rima com glória, e é essa glória, o respeito e admiração que muitos nutrem pelo nosso clube, que não podemos deixar esvair-se.
Rogo-vos, benfiquistas de todo o mundo, que defendam o vosso clube em qualquer circunstância. Não vos peço para serem acríticos - basta lerem este espaço para saberem que a minha conduta não contempla a carneirice. Passa-se, que o Benfica, alvo apetecível e extremamente rentável, é, ao mesmo tempo, odiado por muitos. Palavra puxa palavra, e não tarda nada até que todos os problemas do clube sejam debatidos em praça pública, condenando-se culados, gozando com o presidente, com o treinador, deturpando factos e moldando reacções a seu favor.
O mais recente exemplo é o de Oscar Cardozo. De tão badalada que foi a transferência, todo o mundo soube do seu valor. 9 milhões, primeiro; agora 11, comprada que está a totalidade do passe. O paraguaio mostrou serviço: 20 golos (11 deles no campeonato, que lhe valem o posto de segundo melhor marcador). Marca que prometeu, que suscitou dúvidas e gozo, mas que cumpriu. E há que dar-lhe o devido mérito. Cardozo é forte, inteligente, tem bons pormenores técnicos e um remate espantoso de grande potência. É um jogador de área muito possante que, ao contrário do mito que se instaurou, marca bastantes golos de cabeça. Chegou, sem férias, estafado, sem pré-época, nem tempo de adaptação ao futebol português, e vingou. Essa é a verdade. Tudo bem que é lento, e um pouco preso de ancas. É também muito jovem e tem, por essa mesma razão, uma larga margem de progressão.
Muito se discutiu, aqui e ali, o preço do jogador. Se o Benfica quer qualidade, tem que a pagar. Era essa a mentalidade dos benfiquistas mais optimistas. Mas foi da massa adepta do clube adversário que vi exigir muito de um jogador que, na verdade, eles temem. Cardozo veio solucionar uma das grandes lacunas do clube: a de um ponta-de-lança capaz de marcar um carregamento de golos por época. Foi dos nossos adversários que mais farpas vi, como se eles tivessem alguma legitimidade para falar do nosso orçamento. O sentimento, esse, é geral: o jogador é craque. Mas, e alegam eles, não é craque para custar o que custou. Se calhar não, mas é um bom jogador. E já fico feliz com isso. De maus negócios está o Benfica cheio e, asseguro-vos, este não é o caso.
Talvez por isso a imprensa comece a querer empurrá-lo para fora do clube, sabendo das propostas vantajosas que o paraguaio recebeu para sair do clube em Janeiro. Ignorando o facto de estar lesionado desde a partida com a Académica, e de a ter abandonado antes do seu interregno, os media continuam a dar destaque à sua presença no banco. O mesmo aconteceu, inversamente, com Bynia, que é desvalorizado por ter sido muito barato. Os media ignoram o desempenho nesta primeira época na Europa, os seus atributos físicos, os lançamentos longos e a sua chamada à Selecção Camaronesa para uma grande prestação na CAN. Não, preferem falar da suposta agressividade de um jogador que foi mais do que severamente punido. Outros há que agridem adversários, intencionalmente, todas as semanas, chegando ao final do campeonato só com dois amarelos, e são recompensados com vídeos para o site da UEFA - maldito G-14!
Termino por aqui este apelo. Defendam as vossas cores, orgulhosamente, não enterrem mais o vosso clube na lama. Saibam perder. Saibam ganhar. Mas respeitem aquele que ainda é um dos maiores símbolos de Portugal e do futebol. Se o que sinto quando o Benfica perde é frustração, canalizo-a para outras expressões da minha alma. Costumo dizer que de cada vez que o Benfica perde, o meu benfiquismo adensa-se. Digamos que, este ano, tem crescido exponencialmente. Talvez por essa razão, luto e lutarei contra as injustiças do nosso futebol e do nosso clube até ficar sem forças.
PS: Não percam, no ESPN, canal 26 da TV Cabo, um grande documentário sobre o que é Ser Benfiquista. Hoje (22h), Amanhã (14h30) e Sábado, dia 26 (11h e 16h).
Num dos momentos mais importantes da época, o Benfica recebe a aflita Académica de Coimbra, equipa que tal como nós precisa desesperadamente de ganhar. Talvez por isso o árbitro escolhido para a partida é Paulo Baptista, um dos pricipais indiciados no processo Apito Dourado. Palhaçadas à parte, é bom relembrar que o jogo é mais uma vez a uma hora e dia miseráveis: 20h30 de uma sexta. A quem é que isto interessa? E como é que deixamos que isso aconteça?
O que ainda não foi dito é que a entrada no estádio a menores de 18 anos é grátis. Sim. À pala, à borla, o que vocês quiserem, por isso é bom que não estejam apenas 25 mil pessoas como nos últimos jogos.
Caros benfiquistas, vão ao Estádio. Não é um pedido, é mais uma ordem. Num momento tão importante como este vençam o desânimo e apareçam, mostrem-se e já que a entrada é de graça aquele sector etário, tragam um amigo também. Está na hora de irmos todos apoiar o nosso Benfica. Eu vou lá estar, e vocês?