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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Sim, talvez, mas serão poucas coisas. Mais que um país, um credo, uma religião, Benfica é uma forma de estar na vida. Pode parecer frase-feita, até é, mas não deixa de ser verdade. Ser Benfiquista é meter milhões de pessoas nas ruas a festejar o título. É sair de casa e ir à Luz ou ficar em frente à TV, roer as unhas, praguejar, sofrer e festejar, gritar "Golo!", cantar o hino "Ser Benfiquista" e sair às ruas, nos Restauradores, no Marquês, na Boavista, em Coimbra, Braga, Faro, mas também nas antigas colónias, Paris, Suíça, Bruxelas, Newark, por todo o mundo. E isto é o que me chama mais à atenção: tanta gente que sofreu nos seus países com a guerra e mesmo assim mantêm um elo de ligação fortíssimo a um clube do país com o qual estiveram em guerra. Nem os milhares de quilómetros e os anos de residência fora de Portugal levam ao esmorecer do amor pelo Sport Lisboa e Benfica. Por isso, a pergunta impõe-se: haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?

Talvez haja. Benfica bi-campeão, Benfica campeão europeu, etc. No que ao jogo diz respeito, os adeptos criaram um ambiente fabuloso e nem o falhanço da águia Vitória serviu para desmoralizar quem se encontrava no Estádio da Luz. É engraçado como os benfiquistas vivem o clube: eu estava em pulgas para o jogo com o Porto, estava aceleradíssimo, depois do encontro na Invicta tive uma semana difícil de dúvidas em relação ao que poderíamos encontrar na Luz, mas em todo o fim-de-semana fui "assaltado" por uma tranquilidade surpreendente, como se a vitória estivesse assegurada. Curioso, não é? De qualquer das formas o ambiente foi simplesmente à campeão, fumo, barulho, e aquilo que eu tanto queria ver: 65 mil cachecóis ao alto no hino Ser Benfiquista. Foi sem dúvida um dos momentos mais bonitos que vi no novo estádio.

O Benfica entrou em jogo com a corda toda, muito por culpa de César Peixoto, que regressou numa forma invejável para quem esteve tanto tempo afastado por lesão. Os ataques sucediam-se, a equipa parecia extremamente confiante (apesar do que Luisão e Jesus disseram no pós-jogo) e o golo apareceu com naturalidade pelo homem-golo Óscar "Tacuara" Cardozo, após insistência de Saviola, um dos jogadores mais perspicazes do campeonato. Com o primeiro golo e com um público vibrante, os jogadores do Rio Ave passaram um mau bocado, tendo o descontrolo emocional apoderado-se de Wires, que agrediu propositadamente e com maldade Ramires, acabando por lesiona-lo, sendo que foi expulso. E aqui não interessa se jogámos um terço da época contra dez, pois se um jogador agride, deve ser, obviamente, expulso. E quando esta crítica é feita por um indivíduo cuja equipa jogou maioritariamente com 14, aí saímos do campo da crítica ridícula e entramos no campo da palhaçada. Quem sabe se ele não tivesse "baixado as calças" quando foi ao Dragão, até poderia ter ganho isto.

No entanto, o resto da primeira parte foi tudo menos tranquilo. Apesar de o Rio Ave não ter criado uma ocasião digna de golo, o Benfica demonstrou grande nervosismo no último terço do relvado, falhando sempre o último passe, fruto da velocidade excessiva de jogo e da alguma impaciência. Por isso, o intervalo chegou com 1-0 no marcador, resultado merecido mas que deixava os benfiquistas ainda intranquilos.

O segundo tempo começou com excelentes notícias vindas da Madeira. Nesse momento estava precisamente a ouvir o relato na Renascença e eis que surge o tão esperado "Goooooooolo Nacionaaaaaal!". O estádio salta e festeja, a vitória no campeonato estava praticamente garantida. Os jogadores aperceberam-se naturalmente do sucedido, mas não diminuíram o ritmo do jogo, que já de si era fraco, diga-se. Mesmo assim deu tempo para Airton mostrar-se, ele que fez um jogo muito bom, mais um, enviando uma bola à barra da baliza de Carlos, sendo que na recarga Saviola acabou por introduzir a bola na baliza vila-condense, mas estava fora-de-jogo.

"Nós só queremos o Benfica campeão", "Ninguém pára o Benfica", "Campeões, campeões, nós somos campeões", cantava-se de tudo no estádio, e eis que num livre aparentemente inofensivo à entrada do meio-campo encarnado, a nossa equipa, já em festa, ficou a dormir na marcação do lance. Resultado? Mais um golo sofrido num lance de bola parada, mostrando que a marcação à zona é tudo menos eficaz, aliás, revelou-se um autêntico desastre ao longo da época. O Braga já tinha empatado e renascia a esperança na Madeira, enquanto que na Luz crescia a incerteza.

O Benfica reagiu a medo, como seria de esperar. Afinal de contas, para todos os efeitos, o resultado em Lisboa era favorável aos nossos interesses. O Benfica trocou a bola na zona mais recuada no terreno, e face à ausência de pressão dos vila-condenses, o tempo foi passando com o resultado que nos favorecia. Cardozo, esse, via Falcao ficar-lhe com a bola de prata. E eis que num pontapé de canto, após cabeceamento de Airton, a bola sobra para Cardozo que, ironia das ironias, marca de pé direito, o seu pé cego, valendo-lhe o título de melhor marcador e ao Benfica o título de campeão nacional de futebol.

Não havia dúvidas, o Benfica ia mesmo sagrar-se campeão. Cinco anos depois, o título estava por um fio. Quando Jorge Sousa apitou para o final do encontro, Rúben Amorim caiu de joelhos sobre o chão, festejando. Era eu que estava ali. Eram todos os outros que sentem o Benfica a 100%. Ele era o espelho fiel de um adepto. Por fim acabou, o Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de futebol.

domingo, 25 de abril de 2010

De olhão no título

Está quase, quase, quase. O Benfica está a apenas um ponto de se sagrar campeão português pela 32ª vez na sua História. Mais uma vitória categórica, por 5-0 frente ao Olhanense, veio vingar o sucedido na primeira volta no Algarve. Hoje, com muita classe e tranquilidade o Benfica demonstrou, em campo e nas bancadas, a sua verdadeira força. O ambiente infernal sentido na Luz, aliado ao melhor futebol praticado por uma equipa portuguesa em mais de 15 anos, torna o Benfica praticamente imbatível invencível. A questão é saber se ganhamos este campeonato amanhã ou para a semana.

Certamente havia muita ansiedade entre os adeptos encarnados antes do jogo. As recordações do encontro de Olhão, pelo menos a mim, assaltaram-me a memória: os cartões amarelos a Fábio Coentrão e Di Maria, com expulsão do segundo, a lesão de Ramires, um empate arrancado a ferros num péssimo jogo de futebol, nervos e mais nervos. Temia sinceramente que a equipa não apresentasse a humildade necessária e que faltou nas deslocações a sul do Tejo (Olhão e Setúbal), como o próprio Di Maria chegou a admitir. Mas não. Entrada forte e personalizada do Benfica, que se mostrou, a meu ver, bastante seguro desde os minutos iniciais, bastou para resolver o jogo em dez minutos apenas.

Logo no início, arrancada de Weldon sobre a esquerda, ganha a bola e cruza para a área onde Delson, defesa da turma de Olhão, corta a bola com o braço, indiscutivelmente. Penalty e cartão amarelo bem exibidos. Tacuara não vacilou e colocou o Benfica na frente com apenas três minutos de jogo decorridos. Pouco tempo depois, uma entrada assassina de Delson sobre Di Maria, que daria cartão vermelho directo em qualquer país desenvolvido e civilizado, mas que para Lucílio Baptista foi apenas para amarelo. Felizmente era o segundo, e em dez minutos o Benfica apanhava-se a vencer e com menos um adversário em campo. Poderia o jogo ficar ainda mais facilitado? Podia sim, quando Di Maria, após passa magistral de Pablo Aimar, que voltou às grandes exibições, fez o que quis da defesa olhanense e, pasmem-se, de pé direito, fez o golo da tranquilidade aos 18 minutos.

No que restou da primeira parte, o Benfica tirou o pé do acelerador e soube controlar o jogo. Quim foi chamado a intervir em apenas uma ocasião, a num cruzamento-remate de livre de Ukra após falta de Luisão. Aimar foi claramente o construtor de jogo, nota-se a grande forma do argentino, está a jogar o melhor futebol desde que chegou à Luz. E nota ainda para Javi Garcia que fez mais um grande jogo, respondendo aos benfiquistas que reclamavam que o espanhol deveria estar no banco por troca com Airton. Javi parece não cansar-se, durou um campeonato inteiro. Tenho pena que não remate mais vezes, porque aquele pé direito é muito bom, bem melhor do que eu mesmo pensava no início da Liga. Aliás, se formos a ver, os raros remates de pé direito do espanhol levaram sempre perigo à baliza adversária, deveria ter rematado mais vezes.

No segundo tempo entrou de novo o rolo compressor em acção: logo no início, Di Maria, no centro do terreno, faz um passe de letra que deixa Cardozo isolado na cara do guarda-redes Bruno Veríssimo e o paraguaio faz o seu segundo do jogo, igualando Falcao na lista de melhores marcadores da Liga. Dois minutos depois, novamente o paraguaio, a passe de Angelito Di Maria, fez o hat-trick, o quarto nesta temporada. 4-0, euforia nas bancadas. Poucos minutos depois o público gritava "Cardozo, Cardozo, Cardozo", pedindo que fosse o camisola "7" a apontar um livre directo, cantava-se "Campeões, nós somos campeões!", festa na Luz, num ambiente que raras vezes vi neste últimos anos. "Olés", "Hola mexicana", tudo servia para fazer a festa enquanto se faziam substituições e o Benfica falhava alguns golos numa exibição de grande qualidade. Ramires, de muito longe, tentou a sua sorte, Cardozo num cabeceamento que era golo feito acabou por falhar o alvo, e Aimar, que depois de um adversário chutar a bola contra si, na cara do guarda-redes, não perdoou e fez o quinto golo na Luz.

Continuou o festival ofensivo do Benfica com remates perigosos de Cardozo e sobretudo Di Maria, ao qual Veríssimo respondeu com aparatosa e difícil defesa. Nuno Gomes rendeu Aimar e o "21" recebeu um mais que merecido aplauso e ovação ao estilo de "Mantorras". O jogo terminou pouco depois com mais uma vitória do Benfica, a 13ª em 14 jogos na Luz, a 23ª em 28 jogos, fazendo uns incríveis 73 pontos em 28 jogos, mais 8 que no final dos 34 jogos de 2004/2005, exactamente, com 6 jogos menos! Números de facto incríveis, este Benfica já superou o Porto de Mourinho no ano em que ganhou a Champions. Haverá campeão mais justo na história do futebol português.

Por fim, uma convicção: Pinto da Costa não se vai sujeitar ao vexame de deixar o Benfica ser campeão no Dragão, por isso, vai mandar Jorge Sousa encostar o "Braguinha" para que os corruptos possam passar e ir à Champions League. Seremos campeões já hoje!

domingo, 18 de abril de 2010

Queima das Fitas

Saber sofrer é uma arte. Seja dentro do relvado, nas bancadas, ou numa pastelaria rodeado de sportinguistas, que aplaudiram e festejaram efusivamente os golos da Académica. Contra tudo e contra todos, contra os adversários, os Xistras, os que jogam por fora das quatro linhas, as malas de dinheiro, as críticas, o "estão a perder gás", frase que ouço desde... Setembro, repito, contra tudo e contra todos. É por estas e por outras que este clube é "o maior de Portugal", país que por acaso é demasiado pequeno para um clube como o nosso.

Jorge Jesus apresentou um onze com algumas meias-surpresas: na defesa tudo normal, mas no meio-campo Rúben Amorim rendeu o exausto Ramires e Pablo Aimar foi o organizador de jogo, em vez de Carlos Martins. Na frente, as dúvidas eram mais que muitas: Saviola acabou por não recuperar, ficando de fora dos 18 convocados. Cardozo também não recuperou, mas jogou, visivelmente debilitado, um risco que Jorge Jesus correu e que era perfeitamente escusado, face à qualidade das opções que tem no banco. O paraguaio foi secundado por Weldon, ele que tinha ficado de fora no encontro com o Sporting após boa exibição com a Naval.

O Benfica entrou fortíssimo no jogo e logo nos primeiros instantes, Maxi Pereira tem uma fantástica arrancada pelo flanco direito ganhando um pontapé de canto. A bola não saiu mais daquele zona e de pontapé de canto ou lançamento, o Benfica acabou mesmo por conseguir o golo à passagem do terceiro minuto, autoria de Weldon, num cabeceamento defensável para Rui Nereu. O Benfica chegava-se à frente no resultado com inteira justiça.

A partir daí o jogo ficou repartido com naturalidade: por um lado, o Benfica começou a sentir a pressão da vitória que deixava o título a escassos minutos; por outro lado, a Académica, que apesar de ter um dos conjuntos de jogadores mais fracos desta Liga, sabe jogar bom futebol, ao contrário das equipas que estão abaixo do quinto lugar. O Benfica ainda dispôs de uma excelente oportunidade num lance onde Rui Nereu atirou contra o avançado benfiquista, mas o guardião português emendou o erro com boa defesa. A Académica, com um pouco de sorte à mistura, acaba por chegar ao golo que já começava a justificar, num remate de fora da área de Diogo Gomes, sendo que a bola ainda bateu nas costas da Javi Garcia, traindo desta maneira Quim, ele que tinha sofrido um golo semelhante contra a Dinamarca em Setembro de 2008.

O Benfica, com o empate, sabia que tinha um resultado que apesar de não ser favorável acaba por servir perfeitamente na luta pelo título, mas mesmo assim resolveu colocar o pé no acelerador e dispôs de mais bola e teve maior pendor ofensivo. O Benfica carregava e após uma boa ocasião para a Briosa dar a volta ao resultado, foi Di Maria, numa jogava individual sobre o lado esquerdo, que cruza para Weldon, que executa um remate de execução muito difícil e marca o golo. O Benfica estava novamente na liderança e chegava ao intervalo a vencer por justos 1-2.

Após o intervalo o jogo tornou-se mais monótono, o ritmo caiu claramente. No entanto foram do Benfica as melhores oportunidades, nomeadamente o remate falhado escandalosamente por Di Maria e ainda o tiraço de Carlos Martins, acabado de entrar, que embateu na base do poste esquerdo da baliza de Nereu. O jogo começava a ficar duro e com o resultado a dar vantagem ao Benfica pela margem mínima, os erros de Xistra começaram a ser mais que muitos e graves. Faltas não assinaladas, cartões amarelos perdoados, cartões amarelos mal mostrados, de tudo um pouco. A Académica até deveria estar a jogar com 10 desde meio da primeira parte, quando Weldon foi rasteirado intencionalmente e sem qualquer propósito de jogar a bola por parte do defesa dos estudantes, que assim interrompeu a cavalgada do brasileiro que seguia isolado para a baliza dos visitados. O Benfica continuou a carregar e o golo acabou mesmo por chegar, num bom remate de Rúben Amorim, que festejou como qualquer um de nós, adeptos, festejaria. À Benfica! O jogo estava praticamente ganho, 1-3 aos 80 minutos dava a segurança necessária. A azia crescia nos sportinguistas que ainda estavam na pastelaria.

Até final confirmou-se aquilo que eu mais temia. A maneira de defender os lances de bola parada é simplesmente horrível. Com a bola a 40 metros da baliza, o Benfica defende à zona praticamente dentro da pequena área. Isto é um convite a que o adversário meta a bola em cima da baliza. E quando temos um guarda-redes que é simplesmente péssimo em lances de bola aérea... a situação complica-se, muito mesmo. Quim andou às aranhas neste tipo de lances e o segundo golo que sofreu é de amador. A culpa não é apenas dele, até porque Jesus defendeu estes lances pessimamente. Tiero teve tempo, espaço, tudo para fazer o golo. Quim provavelmente não viu a bola partir, mas dispôs de tempo para se posicionar melhor. E a maneira de se fazer ao lance roça o patético. Mas já passou e não teve consequências de maior.

Vitória suadíssima do Benfica num terreno onde não perde há três décadas e meia, salvo erro. E com este resultado faltam apenas pontos, quatro míseros pontos para o título, quando ainda recebemos Olhanense e Rio Ave, tendo a deslocação ao Dragão pelo meio. Está quase, quase mesmo. Só um cataclismo de proporções épicas pode evitar o triunfo do Benfica neste campeonato.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Cheira a campeão

Minuto 67. Depois de três minutos a protestar com Jesus por manter Óscar Cardozo em campo, apesar do sofrimento visível do paraguaio, e depois de discutir com o "vizinho" do lugar cativo do lado sobre a insistência em Cardozo (à semelhança do que aconteceu em Dezembro com Amorim...), eis que num cruzamento remate de Coentrão, Cardozo tem um desvio feliz e intencional, fazendo o primeiro golo do Benfica. Pura emoção e alegria. Cardozo saía no minuto seguinte, dando lugar a Kardec.

Minuto 77. João Pereira coloca Pablo Aimar em jogo e após passe de Ramires, o argentino surge na cara de Patrício. Toca de pé direito, longe do guardião português, finta-o, mas a bola parece que já não está sob controlo do internacional das pampas. Vai chegar? Vai marcar? Vão cortar o lance? Aimar ganha velocidade e de pé esquerdo atira cruzado vencendo a oposição de Grimi. 2-0! 2-0! Estava feito. Era impossível não chorar. E chorei. Como nos 7 de Vigo, como na morte de Fehér, mas desta vez de alegria. Se há derby que jamais esquecerei, é este.

A primeira grande dúvida era saber quem jogaria ao lado de Cardozo: poderia ser Weldon, à semelhança do que aconteceu na Figueira, Nuno Gomes, talvez o mais indicado, se Jesus não lhe estivesse a indicar a porta de saída da equipa, Kardec, apesar de as duas torres serem pouco prováveis, pelo menos ao mesmo, tempo, Pablo Aimar, como falso avançado, mais recuado, ou Éder Luís. E foi precisamente este último. Não esteve nada bem, mas também não se podem apontar grandes falhas. Foi quase nulo, mas poderia ter feito pouco mais que zero. Parece estranho, mas é verdade.

À semelhança de Éder Luís, a equipa do Benfica realizou os primeiros 45 minutos mais fracos deste ano na Luz. A pressão alta do Sporting, logo no primeiro quarto do campo, fez com que Luisão e David Luiz tivessem muita dificuldade em sair a jogar. O Benfica só conseguiu levar perigo à baliza de Rui Patrício através de lances de bola parada, mas nem esses saíram bem, de tão mal executados que foram. O Sporting soube explorar o contra-ataque e conseguiu levar perigo à baliza de Quim, que se mostrou inseguro desde o início, baqueando completamente num canto do lado direito, onde se sai à bola da maneira mais inacreditável possível. João Pereira, pela direita, também criou dificuldades a Coentrão e Ramires, que actuou muito tempo sobre a esquerda. No entanto, e apesar do maior domínio territorial dos verdes, não houve grandes lances de perigo para a baliza encarnada, apesar de admitir que se alguma equipa deveria chegar a vencer ao intervalo, essa equipa seria o Sporting. Falta claramente ao Sporting um médio ofensivo que saiba pautar jogo, que saiba construir lances de ataque. A primeira parte chegava ao fim com muito pouco futebol e já com algumas picardias, típicas de um clássico, que não vou abordar aqui (mas que podem ler no post abaixo).

No segundo tempo Jesus promove a alteração que desbloqueia autenticamente o jogo. Éder Luís sai para a entrada do mago Aimar. O Benfica começa, finalmente, depois de 45 minutos de avanço dados ao adversário, a trocar a bola no meio-campo leonino. Bola a circular por Aimar, Martins, Amorim, Javi, Ramires, Di Maria, aquele carrossel que todos já vimos. Sucedem-se entradas merecedoras de cartão como a de Luisão sobre Liedson, Moutinho sobre Ramires e Grimi sobre Cardozo, esta última já na área, e que acaba por lesionar o paraguaio. Cardozo não aguenta, fica agarrado à perna. É assistido, fora das quatro linhas. Jesus chama Kardec. O Sporting tem a sua melhor oportunidade de golo, num remate fortíssimo de Abel para boa intervenção de Quim. Boa parte do público espera e desespera pela saída de Cardozo, que foi novamente ao banco receber assistência. E eis que Rúben Amorim cria uma auto-estrada por entre a defesa do Sporting, cruza longo para Coentrão, que remata forte de pé esquerdo, e aparece Cardozo a emendar com o seu pé favorito (e único?) para a baliza de Patrício. 1-0, Benfica na frente.

Kardec entrou, finalmente, para o lugar de Tacuara, muito queixoso. E daí para a frente o Benfica soltou-se e dominou o jogo a seu bel-prazer. Foram toques de calcanhar, rabonas, olés, bola a circular ao primeiro toque no último terço do relvado, um festival, um banho de bola. E eis que num lance em que a defesa do Sporting está a dormir, Ramires isola Pablo Aimar, que passa por Patrício e atira, quase em esforço, de pé esquerdo, para o fundo das redes dos leões. Beija o símbolo, faz a festa, vitória garantida.

O Benfica superiorizou-se ao Sporting no segundo tempo e acaba por conseguir uma vitória mais que merecida. A primeira parte teve pouco futebol mas na segunda viu-se um pouco daquele rolo compressor de Jesus. Aimar foi o homem do jogo, conseguiu trazer um Benfica dominador para a segunda parte, deu muita qualidade ao futebol encarnado. Vitória justíssima que nos deixa a sete pontos de festejar o campeonato. Viva o Benfica.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Erros teus, má fortuna, estádio ardente

Anfield Road vestiu-se de gala para receber o Benfica. Os vermelhos de Merseyside compreenderam as palavras do seu treinador e souberam criar o ambiente e o inferno necessários para levar a sua equipa a vitória. E assim foi, mas poderia ter sido tão diferente.

Aos três minutos, quando Carlos Martins se isola na cara de Reina, o árbitro anula a jogada para marcar falta a favor do... Benfica. Fiquei incrédulo com a decisão, mas já esperava. Afinal de contas, o árbitro veio do país que está em luta directa com Portugal pelos lugares uefeiros, um país que tem mantido uma rivalidade acesa com Portugal mesmo a nível da FIFA, com aqueles oitavos-de-final do Mundial 2006 a ficarem na memória, o jogador expulso polemicamente na primeira mão era holandês, enfim, motivos que me deixaram incomodado, mas que se verificaram suficientes para apoquentar qualquer benfiquista.

O Benfica até entrou melhor no jogo, os primeiros dez minutos foram claramente nossos. Raras vezes o Liverpool chegou ao meio-campo adversário com bola controlada e hipóteses de perigo nem ve-las. Depois, tudo mudou. Os papéis inverteram-se o Liverpool dominou, foram empurrados pelos seus adeptos e os golos sucederam-se. O Benfica acaba por sair de uma Liga Europa muito mais competitiva que as anteriores edições da Taça UEFA, com um resultado "à Porto". Mas a exibição não teve qualquer ponta de semelhança.

Porquê "erros teus"? Porque Jorge Jesus, que tem grande mérito a nível de toda a excelente temporada que o Benfica está a fazer, tem quota parte de responsabilidade na derrota. Não pelo onze escolhido, aí até concordei com as escolhas de Jesus, nomeadamente Amorim à direita e David Luiz à esquerda (que eu tantas vezes critiquei, é certo, mas era a única opção plausível para parar Kuyt, que fez gato-sapato de Coentrão na Luz), mas mais pela forma como sofremos o primeiro e o terceiro golos: no primeira é a velha questão defesa à zona vs defesa homem a homem nos lances de bola parada. Não há qualquer falta sobre Luisão ou Júlio César, o guarda-redes não saiu nem podia, pois Kyrgiakos poderia ter cabeceado ao primeiro poste. No terceiro golo é inconcebível que o Benfica defenda apenas com Ramires frente a uma equipa como o Liverpool. As transições ataque-defesa são fracas, a equipa não consegue reagir quando lhe aparecem em velocidade três ou quatro adversários. Claro que isto no nosso campeonato português nunca aconteceria porque também não há qualidade.

Por isso se percebem as palavras de Jesus, que além de salientar o cansaço físico de alguns jogadores, fruto, em parte, de um conjunto de tradições religiosas que só se vêem neste jardim à beira-mar plantado, que até é um estado laico, e que obrigaram o Benfica a jogar com a Naval numa segunda-feira. Já diz o povo "é o país que temos". Mas além disso, como JJ referiu, o Liverpool é de outro campeonato. O jogo para eles foi normal, aquele ritmo de "bola cá, bola lá" ocorre em todos os jogos da Premier League. Aquilo para eles é pão de todos os dias. E a jogar assim estiveram como peixe dentro de água.

A primeira parte terminou com 2-0, resultado pesado já que o empate seria mais ajustado, mas acabámos mesmo por estar a perder por estes números fruto de alguns erros. No segundo tempo, quando o jogo até estava equilibrado e o Liverpool só criava perigo no contra-golpe, a equipa da cidade dos Beatles chegou ao terceiro golo dessa forma. Cardozo, que fez um jogo horrível, tal como Aimar ou Ramires, marcou o tento de honra num livre à entrada da área. A esperança crescia, poderia o Benfica realizar uma recuperação histórica? Poderia, mas o novo livre de Cardozo saiu ligeiramente ao lado, por desvio de Torres. Tão, mas tão perto, que após a bola sair nem soube como reagir: se gritar golo ou se levar as mãos à cabeça, tal a ilusão que deu de a bola entrar e não entrar ao mesmo tempo. O Benfica lançou-se no ataque e sentia-se que ou chegaria ao golo que daria o apuramento ou sofreria mais um. Júlio César teve a infelicidade de se lesionar após um choque com Kuyt, ficando a queixar-se da vista. Pareceu-me ve-lo dizer "não vejo nada", a João Paulo Almeida, médico do Benfica. Moreira entrou e sofreu o quarto golo, sem culpa no lance, no entanto. O Benfica perdia todas as esperanças nesse momento.

4-1 é muito pesado, o Benfica fez uma exibição que merecia, na pior da hipóteses, a derrota por apenas um golo, mas a maior experiência do Liverpool, bem como o trabalho de casa feito por Rafa Benítez, acabaram por prevalecer. Glória ao Liverpool, vencedor, glória ao Benfica, digno vencido, provavelmente o melhor oponente que o Liverpool apanhou este ano na Liga Europa. Até porque terça-feira haverá um vencedor diferente.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Suor, Sorte, Superioridade

Há tanto para falar, há tanto para escrever sobre este jogo, sobre o que se passou na Luz, sobre quem reencontramos anos e milhares de quilómetros depois naquele local especial chamado "o nosso Estádio", sobre um ambiente infernal, sobre os golos falhados, a frustração de sofrer, o ânimo de marcar, um miúdo de sete ou oito anos a chorar compulsivamente após o primeiro golo de Cardozo, o reconhecimento a um dos maiores jogadores da actualidade e os "palhaços, palhaços, palhaços" que muito provavelmente vão conseguir que, dezasseis anos depois, milhares de benfiquistas fiquem impossibilitados de ver uma meia-final no seu Estádio.

No regresso das gloriosas noites europeias ao Estádio da Luz até foi o Liverpool quem entrou mais forte, fruto talvez de uma maior experiência a nível internacional. Chegaram ao golo bem cedo num dos famosos livres à Camacho: com a bola descaída para o lado esquerdo, Steven Gerrard executa na perfeição um passe rasteiro ligeiramente atrasado para que Daniel Agger pudesse aparecer e bater facilmente Júlio César e uma defesa demasiado preocupada em defender à zona e perto da baliza. O Liverpool adiantava-se logo nos primeiros minutos do jogo, num lance relativamente parecido ao que lhes deu a passagem à final da Champions League da época 2006/2007, como podem ver aqui, inclusivamente com os mesmos protagonistas (Gerrard e Agger).

O Benfica não entrou a medo no jogo, mas sentiu claras dificuldades para pegar e dominar a partida. Maxi Pereira foi o espelho dessas dificuldades ao não conseguir parar nenhum dos adversários que lhe apareciam pelo caminho (Babel, Gerrard ou mesmo Torres). Felizmente, à meia-hora de jogo, deu-se o lance que decidiu a partida, quem sabe se a eliminatória. Após falta dura de Luisão sobre Torres, o capitão benfiquista foi amarelado, mas, não contente com a situação, Ryan Babel foi tirar satisfações com o brasileiro, empurrando-o na face por duas vezes. O árbitro sueco Eriksson não teve dúvidas e expulsou o holandês, numa decisão que pode parecer polémica mas acaba por ser justa.

O ambiente a partir daqui foi outro. O Liverpool, apesar de ser um bom conjunto, não tem a mesma capacidade de construir jogo que tinha, por exemplo, o Marselha, e a partir dos trinta minutos só deu Benfica até final, salvo dois lances esporádicos de Torres. No primeiro tempo, Cardozo mostrou-se demasiado perdulário, falhando um bom par de ocasiões. Di Maria também teve a sua hipótese para marcar, num remate alto de pé esquerdo, que quase beijava a trave da baliza de Reina. Os adeptos puxavam pelo Benfica, os do Liverpool, calados na maior parte do tempo, foram a grande desilusão da noite, na minha opinião. O intervalo acabou por chegar com a vantagem inglesa mas com o Benfica claramente por cima.

No segundo tempo o Benfica voltou a entrar "à Benfica". Forte, dominador, encostou o Liverpool no seu meio-campo defensivo, mas voltou a falhar golos feitos. Cardozo foi a face do desperdício, ele que teve um jogo complicado fruto da ausência de Saviola. Arrisco dizer que Cardozo sentiu mais a falta de Saviola que a equipa do Benfica, na medida em que Aimar, substituto do seu amigo argentino, esteve em bom plano, mas não deu um apoio tão efectivo, na frente, a Tacuara. Surpreendentemente foi em lances aéreos que o Benfica criou mais problemas à baliza de Reina, sempre com Cardozo a responder de cabeça a cruzamentos de Di Maria ou Coentrão. Ainda não tinha chegado o momento do jogo, mas estava para breve...

Boa jogada de entendimentos entre Carlos "Passa a Bola!" Martins e o seu grande amigo Cardozo, que roda sobre dois defesas do 'Pool e é rasteirado, ganhando a falta. No livre, o paraguaio envia um míssil ao poste de Reina, a bola volta para trás, ressalta em alguém e sobra para Aimar, que em boa posição para finalizar é derrubado por Ínsua. O árbitro assinalou penalty mas ficou por mostrar o cartão amarelo ao argentino, que seria o segundo. Cardozo assumiu a responsabilidade. Não resisti. Sempre apoiei Cardozo na marcação de grandes penalidades, sempre defendi que deveria ser ele (o Éter que o diga), mas não aguentei, virei costas ao Estádio. Fiquei a ver a reacção dos adeptos e eis que para meu espanto não era o único de costas, contei perto de uma dezena de pessoas que não quiseram ver. A reacção dos adeptos foi linda.

Com o Benfica por cima, o Liverpool teve uma ocasião soberana para sentenciar o jogo, num lance onde David Luiz não aborda Kuyt e Luisão se esquece completamente de Torres nas suas costas. O avançado espanhol deslumbra-se com a oportunidade soberana e no um-para-um com Júlio César atira ao lado. Passou o maior momento de perigo dos ingleses no segundo tempo. O Benfica carregava e num lance individual de Di Maria, o camisola vinte ganha a linha de fundo a Glen Johnson e cruza a meia altura para a área, vendo a bola ser cortada pelo braço levantado de Jamie Carragher. O árbitro não viu, mas felizmente o árbitro de área ou de baliza ou lá o que é aquela jarra, viu e decidiu agir. Penalty bem assinalado, o segundo da noite. Novo momento de suspense na Luz, nova reacção igual das bancadas. Goooooooooooooooolo. Cardozo não vacilou.

Não vou falar neste post sobre as claques. "O Benfica não tem claques!", há-de aparecer alguém a dizer isto por aí. Se aquilo não são claques, o que são? Vão mas é gozar com outro. Amanhã ou depois escreverei sobre o assunto. A minha opinião sobre o tema é simples e já a expressei e desta vez não vou ser meiguinho.

Uma palavra para Jorge Jesus. O homem está sedento de vitórias. A substituição de Maxi por Nuno Gomes revela a mentalidade do nosso treinador. Quem o viu a correr lado a lado com Amorim, Maxi ou Ramires, na segunda parte, pedindo para a equipa atacar em força? JJ é o espectáculo fora das quatro linhas, incrível. No jogo em si, os melhores foram Javi Garcia e Aimar. Cardozo esteve desinspirado, mas daí a dizer que esteve mal vai uma boa distância. Gostei menos do Maxi, que sentiu enormes dificuldades, provando que a entrega e garra são úteis mas não disfarçam os todos os defeitos de um jogador. E ainda nota para o tratamento diferente do "tribunal" da Luz aquando das substituições de Benitez: por um lado, uma monumental assobiadela ao fiteiro Torres, por outro lado uma merecida ovação a Steven Gerrard. Gostei.

Vitória suada mas merecida e que poderia ter alcançado outros números caso os petardos não tivessem interrompido o ritmo de jogo e caso o árbitro tivesse assinalado um penalty claro sobre Cardozo por patada de Carragher, que deveria ter sido expulso. Agora resta-nos fazer história em Anfield, uma vez mais. Eu acredito. Vamos a eles.

domingo, 28 de março de 2010

Comam poeira

Lá vai o Benfica. Lançado, lançadíssimo, rumo ao trigésimo segundo. Quem não acredita? Contra tudo e contra todos, contra a agressividade bracarense, contra as palhaçadas de Domingos, contra os assistentes e o árbitro, que teve o desplante de dar as insígnias da FIFA a Domingos Paciência em pleno relvado, enfim, a palhaçada esta instalada, mas o Benfica foge isolado em direcção ao título Comam poeira.

Palco belíssimo para uma noite de futebol que poderia ser decisiva: estádio praticamente lotado, uma moldura humana ruidosa e fervorosamente apoiante da sua equipa, o Benfica entrava com onze em campo mas com 60.000 bem próximos sempre a apoiar. A magnífica tarja que vi pela primeira vez a 14 de Maio de 2005, no Benfica - Sporting, foi reexibida pela claque do topo sul, e expressava bem o nosso desejo: "Nós só queremos o Benfica Campeão".

Num jogo nem sempre bem jogado e com muitos "tempos mortos", o Benfica não teve a "felicidade" de marcar num lance "fortuito", ao contrário do que diz o palhaço choramingas. O Benfica foi superior durante os 90 minutos, sendo que o Braga teve apenas um lance de perigo em todo o jogo, num remate que saiu ao lado. Quim foi mero espectador, não teve nenhuma intervenção minimamente complicada.

A primeira parte começou quezilenta, sempre com os jogadores, quer de um lado quer do outro, a tentarem provocar o adversário: Di Maria exagerou claramente; sempre que havia um lance junto ao banco do Braga, lá vinham os suplentes e equipa técnica para cima dos jogadores do Benfica, numa atitude lamentável e nojenta; em lances junto à linha, e após a saída da bola, vi por várias vezes os jogadores do Benfica serem desnecessariamente empurrados e pontapeados. De futebol jogado pouco há que dizer: o Braga só criou perigo em lances de bola parada, muitos deles mal assinalados quer pelo árbitro (actuação desequilibrada, quase sempre em prejuízo do Benfica), quer pelo primeiro assistente, claramente tendencioso e mal intencionado. Os lances de maior perigo foram mesmo os do Benfica, com Saviola a falhar um golo de uma forma quase inexplicável, Cardozo também num cabeceamento que passou ao lado, após saída em falso de Eduardo, e novamente Saviola, num cabeceamento que passou a poucos centímetros do poste da baliza bracarense. Felizmente, sobre o cair do pano da primeira parte, Luisão aproveita o cabeceamento de Javi Garcia para rematar de pé esquerdo, em força, para o fundo das redes. Golo justo, legal, limpíssimo, mesmo que outros o tentem desvalorizar ou considerar como ilegal.

Ao intervalo, e pela primeira vez desde os acontecimentos do túnel com o Porto, o Benfica voltou a encontrar problemas. Curioso, não é? Os problemas com túneis foram com Braga e Porto. Fantástico. A azia apoderou-se dos bracarenses, foi visível a maneira de não saberem estar no futebol, e ainda mais notória nas declarações pós-jogo. Gente desta, não obrigado.

O segundo tempo teve pouco futebol, mas deu para ver alguns momentos interessantes: a polícia de choque a intervir para acalmar os animais daquele sector, os falhanços de Cardozo mas também o bom futebol do paraguaio, que fez correrias e fintas nunca antes vistas, o penalty claro não assinalado por mão de Rodriguez, e ainda um lance em que Moisés ficou a poucos centímetros do golo, num lance onde Quim andou aos papéis, como na maioria dos cruzamentos. Pouco mais houve. E nota ainda para o ridículo cirtério disciplinar de Pedro Proença, tudo o que vestiu de vermelho era rapidamente admoestado. Não há mesmo maneira de ser expulso de sócio?!

O que interessa, mais que a justiça óbvia da vitória, são os seis pontos de vantagem que o Benfica tem sobre o Braga. A luta faz-se a dois, e com seis pontos de vantagem para gerir em seis jogos, o cenário parece muito favorável, não obstante a dificuldade do nosso calendário. O pensamento só poderá ser Benfica vencer, vencer, em todas as provas, em casa e fora. Porque nós só queremos o Benfica Campeão!

quinta-feira, 18 de março de 2010

«O melhor Benfica da última vintena de anos»

Épico, histórico, sublime, empolgante, vencedor... faltam adjectivos para conseguir descrever este Benfica. E todos os que há parecem ser escassos. Contra tudo e contra todos, este Benfica parece conseguir as mais extraordinárias proezas, e a vitória em Marselha, contra o onze francês e o senhor esloveno, entra directamente para o top 10 dos grandes jogos da década que agora finda. Foi lindo. Quem vier a seguir morre! Vamos a eles, só faltam duas eliminatórias para estarmos no jogo mágico. Faltam-me palavras, deixo-as para depois.

Como tinha referido anteriormente, a eliminatória seria difícil, mas estava longe de ser impossível. O empate na Luz foi um resultado justo face ao produzido por ambas as equipas, o que deixou a equipa de Jesus de sobreaviso para a segunda mão no Vélodrome. Falou-se muito do temível ambiente de Marselha, mas sinceramente, pela televisão, não me apercebi de nada de especial. Temia mais ir a um estádio onde os adeptos fossem recebidos num ambiente que os próprios dirigentes pediram que fosse hostil, com pedras e garrafas como recepção.

Voltando ao sul de França, Jesus apostou no onze mais provável para este jogo: Júlio César regressou à baliza, Maxi ocupou a lateral direita e Coentrão a esquerda face à ausência de Peixoto, sendo que Martins roubou o lugar a Aimar, mais talhado para jogos onde não é pressionado em cima. Surpreendentes foram talvez algumas opções tomadas por Jesus relativamente a quem se sentava no banco: Sidnei, Amorim, Éder Luís e Nuno Gomes foram preteridos, talvez já a pensar na final de domingo. No jogo, o Benfica entrou mais forte e soube encostar o Marselha às cordas logo nos primeiros minutos. As melhores jogadas foram nossas, e nos primeiros 25 minutos houve tempo para Cardozo enviar um tiraço ao poste da baliza de Mandanda e para Ramires ser derrubado de forma visível e clara, derrube ao qual o esloveno Damir Skomina, árbitro do encontro, fez vista grossa.

A destacar alguma figura na partida, não escolheria nenhum elemento do Benfica, muito menos um do Marselha. Infelizmente, pelos piores motivos, o árbitro da partida teve todo o destaque, fez uma exibição "ruinosa", como a apelidaram na RTP, sendo que teve nota 1 em 10 no jornal A Bola. Foi vergonhoso. Taiwo cometeu nova grande penalidade que o árbitro fingiu não ver. Por apenas uma vez o Marselha se aproximou com grande perigo da baliza à guarda de Júlio César, e foi pelo inevitável Lucho Gonzalez num remate já em tempo de compensação, que rasou o poste.

No segundo tempo o Benfica continuou mais dominador e esteve por cima do Marselha: Di Maria, quando se isolava, foi agarrado por Bonnart à entrada da área e para cúmulo, o argentino é que foi admoestado com cartão amarelo, por protestos. E como Di Maria, Coentrão, Aimar, Luisão (ou talvez não, talvez tenha sido por pretensa mão na bola) e Javi Garcia. Mas dizia que na segunda parte o Benfica foi dominador e falhou o golo num lance em que Saviola demonstrou que está em baixo de forma, apático, sem condições para jogar 90 minutos a alto nível. Não foi só neste jogo, é uma situação que se arrasta à um mês.

E foi precisamente contra a corrente de jogo que o Marselha chegou à vantagem, num lance irregular, pelo menos à luz dos critérios da equipa de arbitragem: Saviola foi apanhado em fora-de-jogo "n" vezes mesmo sem a bola lhe chegar ou estar perto disso; no golo do Marselha, aquando do cruzamento, o jogador do OM que se encontrava ao segundo poste está na mesma situação do internacional argentino. Júlio César fez o que pôde e sabe, mas não foi suficiente. Não o culpo, longe disso, começo a ver-lhe qualidades que não encontro em nenhum dos outros dois guarda-redes, mas neste lance não revelou incompetência mas sim inexperiência.

"Estamos perdidos", "Já fomos", entre outros disparates que recebi no telemóvel. O Benfica, para se manter na eliminatória, continuava a precisar de apenas um golo. Sofrer ou não era relativamente indiferente, a única diferença era se passava logo ou se ia a prolongamento. E eis que cinco minutos depois surge Maxi Pereira, o herói improvável, que depois do golo na primeira mão, resolve repetir a gracinha e desfeiteia Mandanda num remate a uns bons 25 metros da baliza. 1-1 era garantia de prolongamento. Ou não...

Porque Jesus fez uma substituição, ou melhor, duas substituições milagrosas: primeiro retirou Saviola e colocou Aimar; depois tirou Carlos Martins para entrar Kardec. Como surge o segundo golo do Benfica? Cruzamento de Aimar, um ligeiro desvio na área e bola em Kardec que fuzila o guarda-redes francês. Estava feito, o Benfica passava e juntava-se ao restrito grupo das 8 melhores equipas da "Euro Liga". Um final feliz, sem esquecer que a felicidade procura-se e merece-se, como aconteceu no Vélodrome.

P.S. Faleceu Julinho, antigo avançado do Benfica dos anos 50, autor do golo decisivo na Taça Latina. Um ídolo para quem o viu jogar, um exemplo para os que jogaram pouco depois dele, um símbolo e uma recordação para todos os que se lembram apenas do seu nome. Foi um homem à Benfica. Junta-se assim mais um benfiquista àquele "quinto anel que não vemos mas sentimos", tão bem descrito por Fialho Gouveia.

domingo, 14 de março de 2010

Quem pára este Benfica?

Jogando de modo brilhante ou menos bem, como em algumas situações do jogo de hoje, este Benfica vai ganhando. Mesmo que se possa dizer que a equipa em determinado jogo não esteve bem, o facto é que esteve melhor que o seu adversário. Este ano, se formos a ver os jogos que efectuámos, em quais é que o nosso adversário foi melhor que nós? É interessante a resposta a esta pergunta. Na Choupana, terreno tradicionalmente difícil que tem, sempre presente, uma claque feminina irritante, o Benfica não brilhou mas foi superior e mereceu a vitória que peca por números escassos. Para já, no ciclo infernal de Março, um empate contra o Marselha e uma vitória na Madeira. Seguem-se dois jogos até ao set point frente ao Braga. Sou só eu a acreditar que uma vitória por 2-0 ou outro qualquer resultado que nos deixe em vantagem no confronto directo, mata este campeonato?

(esta imagem é impagável: eis Rui Costa, Shéu, João Paulo Almeida, Jorge Jesus, os suplentes e os titulares, todos bem longe do banco, festejando o golo de Cardozo).

Recomenda-se este Benfica: seguro, maduro, forte. Uma equipa adulta, se assim pudermos chamar. Quim, apesar de não parecer confiante, está a dar conta do recado na perfeição. Exibição segura com uma brilhante defesa perto do final que só lhe irá elevar o nível de endorfinas. Amorim também parece cada vez mais contente, parece que agora sim sente que tem um papel verdadeiramente importante na equipa; Luisão e David Luiz parecem intransponíveis; Peixoto com segurança ou Coentrão com mais velocidade e fulgor ofensivo, também dão segurança à defesa; com uma defesa destas, eu fico bastante tranquilo. Pela primeira vez em alguns anos consigo assistir a alguns jogos tranquilamente: sei que é praticamente impossível termos um jogo em que não marquemos um golo, e sei também que é difícil sofrer um. Juntando um mais um...

E assim foi. Cardozo teve uma mão cheia de oportunidades e só conseguiu marcar por uma vez. Bracalli foi enorme numas quantas ocasiões, mas Tacuara marca. Falha como todos, marca como nenhum. Foi de baliza aberta? Foi, mas foi também no minuto imediatamente a seguir a ter falhado um penalty. Força psicológica, meus caros. Cardozo teve-a.

O jogo teve, praticamente, sentido único. Foi um jogo "normal" no Benfica desta época. Seria um jogo "extraordinário" se fosse no ano passado. Controlo de bola, bom posicionamento e boa organização. Transições rápidas, ataque continuado, segurança em todos os momentos. O passe não está como já esteve, mas não podemos exigir o mundo a esta equipa. E aviso já para o seguinte, com o pensamento no próximo jogo: o Marselha tem uma equipa fortíssima, como pudemos constatar na Luz. E jogando no Velódrome... será preciso um super-Benfica para ultrapassar os franceses. E analisando a situação de alguns jogadores, vejo com bons olhos a titularidade de um jogador que nem me enche as medidas. Falo de Carlos Martins.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Bravos!

Sentimentos contraditórios no final do jogo. Por um lado contente com o regresso das grandes noites europeias, mesmo sendo na Liga Europa, pois jogámos com um adversário com qualidade para estar na Liga dos Campeões (Olympiakos? Porto? Estugarda?). Além disso, o nosso Benfica bateu-se de forma brava e corajosa, e mesmo sem grande brilho em algumas ocasiões de jogo, pouco há a apontar aos nossos jogadores, que tiveram uma atitude à Benfica. Por outro lado o resultado não é o mais agradável uma vez que entraremos já a perder no Vélodrome mal soe o apito inicial. Ainda por cima aos 90 minutos... não se sofre um golo assim.

Já tinha uma opinião formada sobre este nosso adversário e por isso, em primeiro lugar, umas palavras para e sobre este Marselha: gosto bastante da Liga Francesa e até a sigo regularmente, há bom futebol, ao contrário do que se passa em Itália. À partida para este encontro já sabia que o Marselha seria o mais forte adversário com que nos bateríamos desde que começou a época, é um clube organizado e disciplinado e por alguma razão está a um ponto e com um jogo a menos (salvo erro), que o Lyon, que eliminou precisamente o Real Madrid. Tem um meio-campo fortíssimo com Cheyrou, Lucho, Abriel e Ben Arfa, o que obriga que um jogador com a classe de Valbuena passe alguns jogos no banco. Tem o melhor marcador do Championnat, Niang, que apesar de velhote não perdeu um bocadinho de qualidade. E tem um guarda-redes que, apesar de irregular, são muitas mais as vezes que salva que as que compromete. Por tudo isto, e por ser uma equipa que troca a bola como poucas, saberia que o jogo seria complicadíssimo.

E foi. O Marselha foi a única equipa, a par do Barça em 2005/2006 que, na Luz, conseguiu por algumas vezes no jogo, trocar a bola com bastante segurança e em ataque continuado por alguns minutos, nomeadamente na primeira parte. São raríssimas as vezes que isto sucedeu na Luz. E o Marselha foi capaz de faze-lo, ao contrário de Manchester e Liverpool, por exemplo.

Por todas estas razões foi um jogo bastante difícil. O Marselha foi mais forte na primeira parte e acabou por ter azar na forma como não conseguiu chegar ao golo. Lucho, por duas vezes, esteve bem próximo de concretizar, ele que continua a ser um jogador de classe mundial. Também por um sub-rendimento de Javi Garcia e principalmente Pablo Aimar, o Benfica não foi tão dinâmico, nem ao ataque nem na defesa. Ramires fechou demasiado ao centro quando os franceses atacavam pela esquerda, permitindo que pudessem passar rapidamente ao ataque do lado oposto. Mas não foi por aí que o Benfica não venceu este jogo.

Este jogo decidiu-se fora das quatro linhas, nas cabeças nos treinadores. Jesus esteve muito bem ao retirar Aimar para colocar Martins, que conseguiu imprimir uma maior velocidade ao jogo encarnado, algo que o argentino não conseguiu fazer. O Benfica foi mais rápido e conseguiu chegar ao golo num lance de felicidade: Di Maria cruzou, Cardozo falhou o remate, Mandanda não segurou a bola e Maxi, num ressalto, acaba por introduzir a bola na baliza marselhesa. Num ressalto, repito. Foi um golo à Maxi. Mas talvez só mesmo Maxi o conseguiria marcar, aquilo não ia lá com um pezinho, só ia lá com garra.

Depois, Jesus fez asneira. Coentrão entrou mas para o lugar que não devia. Após o golo seria muito mais natural e plausível substituir Saviola para que Di Maria avançasse para que pudéssemos jogar em contra-ataque, mas não, resolveu tirar Peixoto, que defensivamente estava a realizar um jogo positivo. Depois foi Éder Luís, jogador que todos os adjectivos que conheço são meros eufemismos para a sua qualidade real: zero. E o golo do Marselha, como surge? Éder Luís falha um domínio de bola que nenhum júnior falharia e Coentrão é facilmente ultrapassado pelo médio do Marselha. Com Miguel Vítor e Rúben Amorim no banco...

Empate justo sobretudo pelo que o Benfica não fez na primeira parte e pelo que fez na segunda. Exibições muito positivas de Júlio César (aquela dupla defesa é um hino a bem defender), Maxi Pereira e Luisão, como sempre nos grandes jogos europeus; estiveram bem David Luiz, no plano defensivo, César Peixoto, Ramires, Di Maria, Martins, Saviola e Cardozo, que esteve muito marcado mas conseguiu algumas acções positivas; razoável Javi Garcia, mais pelo que fez na segunda parte; desastrosos Aimar e Éder Luís, por razões diferentes. O resultado não é bom e assim que entrar no Vélodrome o Benfica estará a perder, tendo de marcar para seguir em frente. É muito difícil, mas não impossível.

segunda-feira, 8 de março de 2010

15 minutos à Benfica...

Foram 15 minutos de fazer corar Eusébio e companhia. O Benfica entrou no jogo com o pensamento no primeiro lugar e em praticamente 15 minutos arrumou a questão. Depois do empate do Braga no dia anterior, a vitória deixava o Benfica isolado na frente com mais 3 pontos que os bracarenses. Numa equipa com um meio-campo praticamente de recurso, face às ausências de Javi Garcia, Ramires e Aimar, foram precisamente os seus substitutos a rubricarem exibições magistrais: Rúben Amorim foi enorme, o melhor em campo, claramente; Carlos Martins está com a corda toda; Airton parece ter 30 anos e uma carreira recheada de experiência, penso que ninguém diria que tem apenas 19 anos e acabou de chegar ao clube. Quando os habituais suplentes são desta qualidade, a equipa tem todas as condições para chegar mais longe. A alegria está na Luz.

O Benfica, como disse, entrou de rompante no jogo, disposto a cortar pela raiz todos os problemas que a equipa de capital do móvel poderia criar, nomeadamente aquele problema que o seu treinador é perito: simulação de lesões. Até ao primeiro golo encarnado, aos 13
minutos, já por duas vezes tinha havido teatro. Mas quando a qualidade do espectáculo e dos executantes é aquela que se viu, não há hipóteses.

Logo aos 13 minutos, dizia, Rúben Amorim conclui de cabeça após assistência de Cardozo, aproveitando a saída extemporânea do guarda-redes Coelho. Quatro minutos mais tarde, Saviola faz gato-sapato do defesa pacense (o mesmo que anos antes tinha levado um Cuppino de Miccoli) e cara-a-cara com o guarda-redes Coelho, foi El Conejo do Benfica quem levou a melhor, fuzilando as redes. Quem entra em campo desta maneira, marcando dois golos após umas boas 3 oportunidades de perigo, é melhor. E isto vê-se não de hoje, não de ontem, mas desde a primeira jornada. E isso é o mais impressionante.

Di Maria insistia em espalhar o terror na defesa amarela. O caos era total. Manuel José, defesa direito que teve a ingrata tarefa de marcar o argentino, saiu à passagem da meia-hora com insuficiência renal. Amorim estava em grande do lado direito. Maxi também estava com a corda toda. Coentrão era uma seta apontada ao terço final do meio-campo pacense. Martins, ora com força, ora com classe, desbaratava o meio-campo adversário, cobria a bola e endossava-a com categoria. Cardozo tratou de me dar razão no meu último post. O Benfica jogava rápido, bonito e eficaz.


Foi uma primeira parte brilhante, manchada no entanto pelo golo desnecessariamente sofrido: numa jogada em que David Luiz resolveu fazer turismo ao meio-campo, deixando a defesa a descoberto, Maykon, com o seu pé esquerdo, um dos mais interessantes desta Liga, colocou a bola redondinha na cabeça do ponta-de-lança William, que entre Coentrão e Airton, que não compensou na perfeição a subida de David Luiz, bateu Quim que ficou, mais uma vez, a meio caminho. O Paços que pouco ou nada tinha feito no primeiro tempo acabou por concretizar um golo imerecido que lhe permitia aspirar a um resultado positivo.

No segundo tempo, e apesar de o Paços tentar equilibrar o jogo, o Benfica continuou muito superior. Primeiro foi Amorim quem tentou a sua sorte num remate muito forte para boa defesa de Coelho; depois foi a vez de Di Maria, após uma finta, de enviar a bola à barra; por fim Cardozo, cujo remate foi desviado por um adversário, tocou na barra e entrou na baliza, com sorte, a sorte dos audazes.

A partir daqui pensei que pudesse surgir o rolo compressor de Jesus em termos de resultados, mas não. Ficou-se pelo rolo compressor de grandes exibições. Maxi, Luisão, Sidnei, Di Maria, Cardozo, quase todos tiveram a sua oportunidade para marcar. De salientar ainda o regresso de Sidnei à competição, ele que não actuava desde Dezembro último, salvo erro, contra o Olhanense. Felipe Menezes também jogou e continua "sem me convencer minimamente", um belo eufemismo, sem dúvida. Peixoto, talvez o jogador mais underrated deste plantel, em pouco menos de 10 minutos, demonstrou que é, actualmente, o melhor defesa esquerdo português (percebeste a dica, Queiroz?).

Parabéns ao Benfica e ao árbitro, pois ambos trouxeram a lição bem estudada. Os encarnados fizeram o que lhes competia e o juiz portuense também. Permitiu que Di Maria fosse o saco de pancada, provocou-o e admoestou-o com a cartolina amarela, ficando à bica para o próximo encontro, tal como Luisão e Saviola, ou seja, se algum destes três jogadores vir o cartão amarelo não defrontará o Braga. Coincidências.

3 golos marcados, 3 pontos de avanço sobre o Braga e uma data deles sobre os outros dois que se dizem grandes. Se mantivermos esta vantagem pontual até ao encontro com o Braga e se aí a ampliarmos para os devidos seis pontos, penso que estará tudo acabado. Venha o Marselha e as grandes noites europeias de novo na Luz, esta com um cheirinho a passado.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Grande

Sim, o adversário não era nada de mais, possivelmente era um dos três mais fracos em prova, mas a exibição que o Sport Lisboa e Benfica rubricou esta tarde no Estádio da Luz foi de uma classe e de uma maturidade assinaláveis e louváveis, especialmente perante um adversário que, apesar de alguns portugueses o ocultarem, está em crescendo desde Dezembro. Num jogo a eliminar, e perante as palavras do treinador Jorge Jesus, o Benfica venceu e venceu com a categoria dos campeões, sendo permitido sonhar com a conquista de uma prova que nos falta no palmarés. E nada melhor que continuar essa caminhada derrotando o Marselha, equipa de boas recordações para nós, por aquela meia-final da Taça dos Campeões Europeus em Abril de 1990. Rumo ao sonho!

Terça-feira, uma de trabalho, como tantas outras, 17 horas, e nova chuvada forte e feia. Quantos espectadores esperavam na Luz? Eu não pensava em mais de 20.000, sinceramente, mas os mais de 30.000 que vimos foram sinal claro de que os benfiquistas acreditam que a equipa irá longe, algo que é bom sinal. Os jogadores precisam dos adeptos e os adeptos precisam do campeonato e das vitórias europeias.

O jogo foi de sentido único. Vento, chuva e mesmo granizo não demoveram os jogadores do Benfica de cumprirem a sua obrigação: vencer. Mas fez melhor: venceu, convenceu e acalmou os mais cépticos, onde me incluo. A exibição foi melhor do que aquilo que poderia imaginar: Di Maria foi novamente enorme, Coentrão, jogando num lugar que não é seu, demonstrou enorme maturidade e concentração, o que lhe permitiu rubricar uma grande exibição. Também Maxi Pereira, que poderia acusar algum cansaço, fez uma dupla de grande qualidade com Amorim, jogador que continuo a preferir ver no meio-campo mas que a posição de defesa também sabe cumprir e com maior consistência defensiva que Maxi. Aimar, esse, voltou a espalhar magia apesar de ser apenas em part-time, mas o tempo que está em campo serve perfeitamente para resolver jogos. Já Cardozo voltou aos golos, mas apenas com as botas vermelhas, sendo que aquelas verdes parecem afastar a sorte dos pés do paraguaio.

Por isso, com naturalidade, o Benfica chegou ao primeiro golo numa tabelinha entre Saviola e o seu amigo Aimar, que aguentou a carga do defesa da formação alemã e atirou rasteiro para o canto da baliza à guarda de Drobny. Ao intervalo, a vantagem era merecida, talvez até demasiado magra, mas permitia controlar a situação. Felizmente o Benfica quis mais do que gerir a vantagem: ampliou-a e com uma grande dose de classe: primeiro foi Cardozo a responder a um centro de Di Maria e facturou após falha do guardião; depois, na sequência de um canto de Aimar e de um mau alívio da defesa germânica, Javi Garcia rematou forte e fez o terceiro que dava tranquilidade ao Benfica; mas numa equipa sedenta de golos e com vontade de regressar às goleadas, Cardozo fez o quarto do jogo, seu sexto golo desde a fase de grupos da Liga Europa (ou EuroLiga, como diz Jesus).

Mais importante que a goleada, na minha opinião, foi a forma de jogar e encarar a partida, muito positiva a atitude demonstrada por este Benfica. Mantendo este ritmo, o Benfica conseguirá, certamente, alcançar os seus objectivos, quem sabe se supera-los.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Buuuuuuuuuuuuuuuuuh!

Se eu morasse em Leiria, Tondela ou Faro e se me deslocasse ao Estádio da Luz porque alguém me diz para o fazer, até porque este Benfica joga muito bem, sentir-me-ia defraudado com a exibição do meu clube frente ao Belenenses. O Benfica rubricou a pior exibição da época no seu estádio em jogos a contar para o campeonato, tal como o próprio Jesus admitiu no final do jogo dizendo que parecia o Benfica da época passada. A exibição foi de tal modo medonha que surgiram os velhos assobios do Terceiro Anel, muito por culpa da terrível exibição. Não gosto de assobiar, mas não contem comigo para "palmadinhas nas costas" depois de um jogo destes, pois foi notória a falta de empenho de alguns elementos.

Sábado à tarde, bastante sol, e um horário muito agradável deviam ter sido factores importantes para que mais gente tivesse ido ao Estádio da Luz. Numa altura destas, com a vantagem pontual que temos, mais benfiquistas deveriam ter ido ao estádio. Bem sei que há um fim-de-semana prolongado, as férias de Carnaval até existem para alguns e que o dinheiro tem de sobrar para comprar flores e levar a namorada a jantar no dia de São Valentim, (e nem era preciso fazer o mesmo que o "rapaz de bons valores que respeita o pai e a mãe" fez), mas alguns equilíbrios no orçamento tinham dado para que se pudesse ir ver o jogo. Fiquei desiludido por ver apenas 45.000 benfiquistas na Luz.

Não fiquei no entanto desiludido com o início do jogo: o Benfica entrou forte e tal como me tinham dito, "ou marcava cedo ou ia assistir a ronha, fita e simulações de lesões" até final. Felizmente ao décimo minuto de jogo, Ramires partiu em velocidade pelo flanco direito e cruzou largo para que Cardozo, nas costas do seu marcador, cabeceasse facilmente para o primeiro e único golo da tarde. O primeiro, e mais difícil, estava feito, fiquei à espera dos seguintes.

Mas não houve. O Belenenses pegou na bola e tentou criar vários lances de perigo, um dos quais incrivelmente falhado por Fajardo, e ainda num remate perigoso de Barge. O Benfica ripostou após alguns minutos em que esteve remetido ao seu meio-campo, e Coentrão teve um bom par de chances de golo que acabou por desperdiçar. O jogo chegava ao intervalo com pouco mais para dizer.

No segundo tempo, Jesus optou pela saída de Peixoto para que Weldon pudesse entrar e dar maior velocidade ao flanco esquerdo, mas o melhor que o brasileiro conseguiu foi arrancar em velocidade, logo no início para centrar num lance que acaba por ser perder e onde parece haver razão de queixa dos encarnados por falta sobre o apagado Aimar. Xistra nada assinalou. A segunda parte foi de nervos, nomeadamente devido à fraca exibição encarnada, aos disparates sucessivos de Weldon, aos maus remates de Martins, que até se esforçou bastante, como é seu hábito, e até David Luiz parecia estar a reviver os maus momentos de Setúbal, ele que esteve tão perto de marcar novamente a Quim. Como se isto não bastasse, o descontrolo emocional apoderou-se dos fiscais-de-linha de Xistra que cometeram erros atrás de erros quase sempre em prejuízo do Benfica. O árbitro principal de Castelo Branco pautou a sua exibição por um critério largo em termos técnicos, que me pareceu correcto, mas em termos disciplinares foi desastroso.

No entanto, e apesar do perigo pairar sempre por perto na nossa baliza, fiquei com a convicção de que ganhámos o jogo no lance da expulsão de Bruno Vale, indiscutível, ele que, relembremos, aprendeu muito (e bem, pelos vistos) com Vítor Baía, ao defender com as mãos bem fora da área.

Vitória justa mas magra e com mau futebol do Benfica, que se viu órfão do melhor Aimar e do melhor Saviola. No entanto, como já disseram na caixa de comentários, até final vai haver mais jogos assim e o importante é somar os 3 pontos, jogo a jogo, pois a época é longa e há mais duas provas além do campeonato. Também sou mais pragmático que adeptos do futebol espectáculo, mas o que se passou ontem na Luz foi... vocês viram. Fico contente pelos 3 pontos e pelo bónus que o Leixões nos deu esta jornada. São mais 9 pontos (e mais um jogo, é certo), mas a pressão é maior noutros lados que na Luz. Carrega Benfica.