Sim, talvez, mas serão poucas coisas. Mais que um país, um credo, uma religião, Benfica é uma forma de estar na vida. Pode parecer frase-feita, até é, mas não deixa de ser verdade. Ser Benfiquista é meter milhões de pessoas nas ruas a festejar o título. É sair de casa e ir à Luz ou ficar em frente à TV, roer as unhas, praguejar, sofrer e festejar, gritar "Golo!", cantar o hino "Ser Benfiquista" e sair às ruas, nos Restauradores, no Marquês, na Boavista, em Coimbra, Braga, Faro, mas também nas antigas colónias, Paris, Suíça, Bruxelas, Newark, por todo o mundo. E isto é o que me chama mais à atenção: tanta gente que sofreu nos seus países com a guerra e mesmo assim mantêm um elo de ligação fortíssimo a um clube do país com o qual estiveram em guerra. Nem os milhares de quilómetros e os anos de residência fora de Portugal levam ao esmorecer do amor pelo Sport Lisboa e Benfica. Por isso, a pergunta impõe-se: haverá algo mais bonito que o Benfica campeão?
Talvez haja. Benfica bi-campeão, Benfica campeão europeu, etc. No que ao jogo diz respeito, os adeptos criaram um ambiente fabuloso e nem o falhanço da águia Vitória serviu para desmoralizar quem se encontrava no Estádio da Luz. É engraçado como os benfiquistas vivem o clube: eu estava em pulgas para o jogo com o Porto, estava aceleradíssimo, depois do encontro na Invicta tive uma semana difícil de dúvidas em relação ao que poderíamos encontrar na Luz, mas em todo o fim-de-semana fui "assaltado" por uma tranquilidade surpreendente, como se a vitória estivesse assegurada. Curioso, não é? De qualquer das formas o ambiente foi simplesmente à campeão, fumo, barulho, e aquilo que eu tanto queria ver: 65 mil cachecóis ao alto no hino Ser Benfiquista. Foi sem dúvida um dos momentos mais bonitos que vi no novo estádio.
O Benfica entrou em jogo com a corda toda, muito por culpa de César Peixoto, que regressou numa forma invejável para quem esteve tanto tempo afastado por lesão. Os ataques sucediam-se, a equipa parecia extremamente confiante (apesar do que Luisão e Jesus disseram no pós-jogo) e o golo apareceu com naturalidade pelo homem-golo Óscar "Tacuara" Cardozo, após insistência de Saviola, um dos jogadores mais perspicazes do campeonato. Com o primeiro golo e com um público vibrante, os jogadores do Rio Ave passaram um mau bocado, tendo o descontrolo emocional apoderado-se de Wires, que agrediu propositadamente e com maldade Ramires, acabando por lesiona-lo, sendo que foi expulso. E aqui não interessa se jogámos um terço da época contra dez, pois se um jogador agride, deve ser, obviamente, expulso. E quando esta crítica é feita por um indivíduo cuja equipa jogou maioritariamente com 14, aí saímos do campo da crítica ridícula e entramos no campo da palhaçada. Quem sabe se ele não tivesse "baixado as calças" quando foi ao Dragão, até poderia ter ganho isto.
No entanto, o resto da primeira parte foi tudo menos tranquilo. Apesar de o Rio Ave não ter criado uma ocasião digna de golo, o Benfica demonstrou grande nervosismo no último terço do relvado, falhando sempre o último passe, fruto da velocidade excessiva de jogo e da alguma impaciência. Por isso, o intervalo chegou com 1-0 no marcador, resultado merecido mas que deixava os benfiquistas ainda intranquilos.
O segundo tempo começou com excelentes notícias vindas da Madeira. Nesse momento estava precisamente a ouvir o relato na Renascença e eis que surge o tão esperado "Goooooooolo Nacionaaaaaal!". O estádio salta e festeja, a vitória no campeonato estava praticamente garantida. Os jogadores aperceberam-se naturalmente do sucedido, mas não diminuíram o ritmo do jogo, que já de si era fraco, diga-se. Mesmo assim deu tempo para Airton mostrar-se, ele que fez um jogo muito bom, mais um, enviando uma bola à barra da baliza de Carlos, sendo que na recarga Saviola acabou por introduzir a bola na baliza vila-condense, mas estava fora-de-jogo.
"Nós só queremos o Benfica campeão", "Ninguém pára o Benfica", "Campeões, campeões, nós somos campeões", cantava-se de tudo no estádio, e eis que num livre aparentemente inofensivo à entrada do meio-campo encarnado, a nossa equipa, já em festa, ficou a dormir na marcação do lance. Resultado? Mais um golo sofrido num lance de bola parada, mostrando que a marcação à zona é tudo menos eficaz, aliás, revelou-se um autêntico desastre ao longo da época. O Braga já tinha empatado e renascia a esperança na Madeira, enquanto que na Luz crescia a incerteza.
O Benfica reagiu a medo, como seria de esperar. Afinal de contas, para todos os efeitos, o resultado em Lisboa era favorável aos nossos interesses. O Benfica trocou a bola na zona mais recuada no terreno, e face à ausência de pressão dos vila-condenses, o tempo foi passando com o resultado que nos favorecia. Cardozo, esse, via Falcao ficar-lhe com a bola de prata. E eis que num pontapé de canto, após cabeceamento de Airton, a bola sobra para Cardozo que, ironia das ironias, marca de pé direito, o seu pé cego, valendo-lhe o título de melhor marcador e ao Benfica o título de campeão nacional de futebol.
Não havia dúvidas, o Benfica ia mesmo sagrar-se campeão. Cinco anos depois, o título estava por um fio. Quando Jorge Sousa apitou para o final do encontro, Rúben Amorim caiu de joelhos sobre o chão, festejando. Era eu que estava ali. Eram todos os outros que sentem o Benfica a 100%. Ele era o espelho fiel de um adepto. Por fim acabou, o Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de futebol.
O Benfica entrou em jogo com a corda toda, muito por culpa de César Peixoto, que regressou numa forma invejável para quem esteve tanto tempo afastado por lesão. Os ataques sucediam-se, a equipa parecia extremamente confiante (apesar do que Luisão e Jesus disseram no pós-jogo) e o golo apareceu com naturalidade pelo homem-golo Óscar "Tacuara" Cardozo, após insistência de Saviola, um dos jogadores mais perspicazes do campeonato. Com o primeiro golo e com um público vibrante, os jogadores do Rio Ave passaram um mau bocado, tendo o descontrolo emocional apoderado-se de Wires, que agrediu propositadamente e com maldade Ramires, acabando por lesiona-lo, sendo que foi expulso. E aqui não interessa se jogámos um terço da época contra dez, pois se um jogador agride, deve ser, obviamente, expulso. E quando esta crítica é feita por um indivíduo cuja equipa jogou maioritariamente com 14, aí saímos do campo da crítica ridícula e entramos no campo da palhaçada. Quem sabe se ele não tivesse "baixado as calças" quando foi ao Dragão, até poderia ter ganho isto.
No entanto, o resto da primeira parte foi tudo menos tranquilo. Apesar de o Rio Ave não ter criado uma ocasião digna de golo, o Benfica demonstrou grande nervosismo no último terço do relvado, falhando sempre o último passe, fruto da velocidade excessiva de jogo e da alguma impaciência. Por isso, o intervalo chegou com 1-0 no marcador, resultado merecido mas que deixava os benfiquistas ainda intranquilos.
O segundo tempo começou com excelentes notícias vindas da Madeira. Nesse momento estava precisamente a ouvir o relato na Renascença e eis que surge o tão esperado "Goooooooolo Nacionaaaaaal!". O estádio salta e festeja, a vitória no campeonato estava praticamente garantida. Os jogadores aperceberam-se naturalmente do sucedido, mas não diminuíram o ritmo do jogo, que já de si era fraco, diga-se. Mesmo assim deu tempo para Airton mostrar-se, ele que fez um jogo muito bom, mais um, enviando uma bola à barra da baliza de Carlos, sendo que na recarga Saviola acabou por introduzir a bola na baliza vila-condense, mas estava fora-de-jogo.
"Nós só queremos o Benfica campeão", "Ninguém pára o Benfica", "Campeões, campeões, nós somos campeões", cantava-se de tudo no estádio, e eis que num livre aparentemente inofensivo à entrada do meio-campo encarnado, a nossa equipa, já em festa, ficou a dormir na marcação do lance. Resultado? Mais um golo sofrido num lance de bola parada, mostrando que a marcação à zona é tudo menos eficaz, aliás, revelou-se um autêntico desastre ao longo da época. O Braga já tinha empatado e renascia a esperança na Madeira, enquanto que na Luz crescia a incerteza.
O Benfica reagiu a medo, como seria de esperar. Afinal de contas, para todos os efeitos, o resultado em Lisboa era favorável aos nossos interesses. O Benfica trocou a bola na zona mais recuada no terreno, e face à ausência de pressão dos vila-condenses, o tempo foi passando com o resultado que nos favorecia. Cardozo, esse, via Falcao ficar-lhe com a bola de prata. E eis que num pontapé de canto, após cabeceamento de Airton, a bola sobra para Cardozo que, ironia das ironias, marca de pé direito, o seu pé cego, valendo-lhe o título de melhor marcador e ao Benfica o título de campeão nacional de futebol.Não havia dúvidas, o Benfica ia mesmo sagrar-se campeão. Cinco anos depois, o título estava por um fio. Quando Jorge Sousa apitou para o final do encontro, Rúben Amorim caiu de joelhos sobre o chão, festejando. Era eu que estava ali. Eram todos os outros que sentem o Benfica a 100%. Ele era o espelho fiel de um adepto. Por fim acabou, o Sport Lisboa e Benfica é campeão nacional de futebol.



























































