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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Demonstração de Força

Foi com uma força que ninguém podia parar que o Benfica se apresentou em Alvalade para discutir a passagem à final da Taça da Liga. Como disse há uns posts atrás, derby é derby, e mesmo recorrendo a alguns jogadores de segunda linha, o Benfica triturou o rival por expressivos 1-4, apesar de ter a tarefa facilitada pela ridícula entrada de João Pereira sobre Ramires que acabou por custar a expulsão, justíssima, do jogador do Sporting. Frente a dez, o Benfica jogou a seu bel-prazer desfazendo em cacos uma equipa frágil que depois das magníficas sete vitórias consecutivas contra Trofenses, Mafras, etc, caiu na realidade, dura e crua, dos quatro desaires seguidos contra formações do mesmo escalão. E, para cúmulo, ironia das ironias, os dois principais culpados do empate em Setúbal foram responsáveis pela primeira e última machadada no jogo: David Luiz e Cardozo, claro. Isto sim é fina ironia.

Não vi os primeiros 5 minutos de jogo, mas mal cheguei disseram-me que o Sporting tremia que nem varas verdes, aparecendo o Benfica muito mais forte que o seu rival. No minuto seguinte a ter chegado, eis que João Pereira comete aquela entrada absurda sobre Ramires que Olegário Benquerença não teve dúvidas em admoestar com cartão vermelho, seguindo as regras da FIFA, muito bem aplicadas nesta situação. Que reacção esperar após a expulsão de João Pereira? Certamente um Benfica mais confortável e ofensivo por contraste com um Sporting remetido, maioritariamente, à defesa. Mas quanto tempo seria necessário para acontecer o golo? Nenhum: livre de Carlos Martins e David Luiz desvia a bola com a cabeça após livrar-se da marcação de Sinama-Pongolle (ou Pongolo, para os jornalistas da SIC). 0-1 em Alvalade aos 7 minutos. Ali, pareceu-me claramente game over.

Desenganem-se os que pensavam que o Benfica satisfeito com o golo de vantagem e em superioridade numérica ia dar primazia ao Sporting no que respeita à construção de jogo. Pelo contrário. Carlos Martins foi o cérebro da equipa num meio-campo deveras inspirado com Di Maria muito exuberante, um quebra-cabeças, mas que na altura de tomar a decisão final (cruzar, rematar ou fintar), acabava por escolher sempre a errada e ainda Ramires, muito activo, ora à esquerda ora à direita, desfez por completo a organização defensiva leonina. O Sporting, verdade seja dita, também não procurou sair em ataque organizado durante os primeiros 35 minutos de jogo limitando-se a defender totalmente no seu meio-campo e recorrendo a passes em profundidade em tudo semelhantes a alívios defensivos para Liedson tentar fazer alguma coisa. Toda esta desorganização, prejudicada ainda mais com uma terrível substituição de Carvalhal, que retirou Adiren para a entrada de Pedro Silva, jogador esse que tabelou com César Peixoto para que o defesa-esquerdo português, autor de um enorme jogo, tirasse o cruzamento para a boca da baliza onde apareceu Ramires empurrando a bola para o fundo das redes de Patrício.

O Sporting tentou reagir e as suas duas melhores oportunidades no primeiro tempo surgiram, curiosamente, dos pés de jogadores do Benfica: primeiro foi Di Maria a isolar o levezinho que rematou para defesa apertada de Júlio César; depois foi um mau passe de Ramires no meio-campo ofensivo que proporcionou uma grande cavalgada do avançado brasileiro que rodeado de três compatriotas atirou rasteiro, fraco, mas colocado, junto ao poste direito de Júlio César, incapaz de defender o remate, apesar de ter ficado a ideia que poderia ter feito melhor. Ao intervalo, o 1-2 acabava por ser bastante lisonjeiro para uma equipa que pouco ou nada fez para merecer um tento.

No segundo tempo o Sporting mostrou-se mais afoito tentando explorar o habitual bom regresso dos balneários frente ao Benfica, e acabou mesmo por gerar dois lances de perigo, o primeiro num remate de Liedson às malhas laterais e num segundo lance foi mal tirado um fora-de-jogo a Pongolle quando este se isolava em direcção à baliza. Jesus não gostava do que via e chamava Cardozo e Saviola para renderem os dois avançados encarnado, Kardec, algo discreto, e Éder Luís, desastroso, tacticamente nulo e inofensivo. Mas precisamente antes das substituições, e enquanto os adeptos encarnados entoavam o "Faz o Golo Allez", Martins cruza para a área onde aparece, de trás para a frente, Luisão, cabeceando no meio dos anões leoninos, e fazendo o 1-3 no marcador. Quem olhasse para a área via Luisão (1,93m), David Luiz (1,89m), Javi Garcia (1,87m) e Alan Kardec (1,88m), frente a Polga (1,82m), Carriço (1,82m), Grimi (1,82m) e Pedro Mendes (1,77), os mais altos do Sporting.

A partir do terceiro golo e já com a artilharia pesada em campo (Cardozo, Saviola e Aimar), notou-se uma clara diferença do ritmo de jogo, mais fluído, mas com menos interesse em atacar, uma vez que o resultado parecia estar feito. Parecia, disse eu. Porque para Cardozo, estes minutos em campo poderiam traduzir-se num reconciliar com so golos e o avançado paraguaio não fez por menos, rematando a 35 metros da baliza fazendo um golo de levantar qualquer estádio. 1-4, era a festa em Alvalade pelos benfiquistas reeditando o resultado da época 97-98 na altura com Souness no comando.

Disse que um derby era sempre um derby, e que uns iriam festejar enquanto outros ficariam com azia. Precisamente Miguel Salema Garção, o aziado-mor, veio desculpar-se com a derrota acusando o árbitro de querer prejudicar deliberadamente o Sporitng. Nem sei que o próprio team manager leonino acredita no que diz ou se aquilo é uma tentativa de fuga para a frente, o que é certo é que já ninguém dá crédito a este indivíduo. João Pereira foi bem expulso, numa decisão que poucos árbitros teriam coragem de tomar especialmente aos 7 minutos do desafio.

O Benfica é um justíssimo vencedor avançando para a final no Algarve onde irá defrontar o vencedor do encontro de hoje entre o Porto e a Académica, a realizar no Dragão. Pessoalmente gostaria de defrontar os estudantes, mas o clássico contra o Porto não seria mal vindo, até para preparar o que se vai passar a 2 de Maio. Seria um bom teste às capacidades deste Benfica. Especialmente às capacidades mentais dos seus jogadores que terão de ser o mais prudentes que puderem em virtude do que se passou, passa e passará nos túneis e mesmo dentro do relvado. Siga o campeonato, com o Belenenses, este sábado às 17h00 na Luz, excelente horário para levar a família ao futebol, ou até mesmo para convencer os amigos a irem. Se queremos o Benfica campeão temos de dar o exemplo e encher o Estádio da Luz. Vão e convençam os vossos amigos s irem também. E peçam-lhes para convencerem o máximo de amigos possíveis. O Benfica precisa de nós.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O lugar a que pertencemos

O primeiro. É o primeiro. O Benfica lidera a Liga Sagres, à condição, é certo, mas lidera. E já imagino a pressão que os pupilos de Domingos estarão a sentir neste momento. Depois de várias jornadas em que jogaram antes do Benfica, agora, quando entrarem em campo, sabem que terão de ganhar obrigatoriamente. E isto pesa mesmo muito, acreditem.

Quarta-feira à noite, a meia da semana portanto, num dia de chuva, não abalaram os mais de 34 mil benfiquistas que se deslocaram à Luz para ver a ascenção ao primeiro lugar. O Benfica entrou com vontade de marcar cedo e percebeu de imediato que o autocarro estava estacionada à entrada da área de Djuricic. Seria um jogo de paciência até surgir o primeiro golo, que acabou por aparecer mais cedo do que eu mesmo pensava: aos dez minutos, Saviola pega na bola pelo flanco esquerdo, triangula com Aimar e cruza ao segundo poste onde aparece Cardozo marcando o seu primeiro golo de bola corrida na Liga desde Dezembro, com a Académica. A partir daí o jogo perdeu velocidade e o Benfica não conseguiu impor o ritmo avassalador que tem vindo a esmagar sucessivamente os adversários que vêm à Luz: as transições defesa-ataque não foram particularmente felizes e mesmo em ataque continuado foram muitos os passes que se perderam pela linha lateral.

Na segunda parte a toada manteve-se: Benfica mais ofensivo, União inofensiva conseguindo apenas alguns pontapés de canto que não deram para assustar Quim, excepção feita a um cabeceamento de Diego Gaúcho, fruto da terrível marcação à zona efectuada pelo Benfica (ficou o Ramires para esta "torre" de Leiria...). No entanto, sobre a hora de jogo, Saviola, autor de mais uma boa exibição, recebeu o passe longo de Fábio Coentrão e desfez-se da marcação do central leiriense para fazer passar a bola por entre o guarda-redes e o poste mais próximo, mesmo no buraco da agulha, como se costuma dizer. 2-0, o jogo estava resolvido. Até final mais uns lances de perigo que resultaram num falhanço incrível de Di Maria e o terceiro golo, este da autoria de Rúben Amorim, ele que se vê nitidamente que andava "louco" por marcar um golo, finalmente. Ainda bem que o conseguiu, ainda por cima um golaço, apesar de o guarda-redes sérvio da UdL estar em clara inferioridade física.

Os destaques mais positivos deste jogo vão para Maxi Pereira, que desbaratou a defensiva leiriense com muita garra e classe, Luisão, imperial a defender e a dar o apoio necessário ao ataque, e ainda Cardozo, que correu quilómetros, pressionou, lutou, e marcou, tendo estado também muito forte a jogar de costas para a baliza, algo que era raro ver no avançado paraguaio. Também gostei de Saviola, claro, mas deu-me sempre a ideia de que se estava a arrastar em campo de tão cansado que parecia. Pouco veloz, é certo, mas é um rato de área, como lhe chamam, pois não precisa de correr assim tanto uma vez que sabe onde vai parar a bola.

Arbitragem muito positiva de Marco Ferreira, ele que no ano passado tinha estado em foco mas pela negativa na derrota caseira frente à Académica, mas dois deslizes graves do primeiro árbitro auxiliar que assinalou dois foras-de-jogo indevidamente a Di Maria e Cardozo que ficariam isolados frente ao guarda-redes leiriense.

Resultado justo num jogo de sentido único deixam o Benfica com mais 3 pontos que o Braga, 9 sobre o Porto e 18 (!) sobre o Sporting, apesar de o jogo ser antecipado. E como os números não mentem, o demolidor ataque encarnado leva 50 golos na Liga, mais do que Braga e Sporting juntos. Estádio cheio, grande apoio e vitórias são a receita rumo ao 32º título do campeonato. Eu acredito!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Apertem o cinto, será assim até final

O Benfica deslocou-se a Vila do Conde sabendo que qualquer outro resultado que não a vitória dificilmente daria para se qualificar para as meias-finais da Taça da Liga. Talvez por isso, Jorge Jesus tenha mexido muito pouco naquilo que é a equipa base: Moreira substituiu Quim, mostrando que, afinal, a rotação ainda não acabou, e Carlos Martins fez o lugar de Ramires, sendo que o português até tem jogado mais frequentemente nos últimos tempos.

O Benfica foi, mais uma vez, claramente superior, conseguindo mais ataques, mais remates, mais perigo e mais... golos, claro. Afinal é isso que se pede. Após uma primeira parte morna, onde há que destacar aquela finta de Luisão, a primeira desde que chegou ao Benfica, em 2003, e o seu excelente cruzamento (afinal não é todos os dias que o vemos fazer de Cristiano Ronaldo!), e também as iniciativas de Angel Di Maria pela esquerda, sempre muito irrequieto, rápido, tendo colocado a cabeça de Zé Gomes, defesa-direito vila-condense, em água. Houve uma grande penalidade claríssima, do tamanho do mundo, à qual Cosme Machado, árbitro da AF Braga, fechou os olhos.

No segundo tempo o Benfica entrou em campo com a mesma atitude do início da segunda parte de Vila do Conde, mas para o campeonato: logo nos primeiros minutos, Carlos Martins faz um golo enorme, após uma terrível primeira parte, como muitos passes errados. O Benfica podia embalar e tentou, mas não deixaram: Cosme Machado, árbitro de Braga, que já esta época anulou mal um golo a Saviola e validou outro mal contra o Benfica, assinalou mal uma grande penalidade que nem oferecia dúvidas. Como se não bastasse, na marcação da mesma, um jogador do Rio Ave, parece-me Tarantini, entra na área de uma maneira tão, mas tão clara e abusiva que chega a estar praticamente alinhado com Bruno Gama, que executou o penalty.

O Benfica estava à beira da eliminação, mas Cardozo, num jogo absolutamente imperial, vestiu a camisola "10" e serviu Di Maria, que veio do nada, rapidíssimo, teve tempo para escolher o melhor lado e fuzilar Mora, para carimbar a passagem do Benfica à fase seguinte da competição. Até final, Kardec, que se estreou, enviou duas bolas ao poste consecutivamente, podendo dar a machadada final no jogo, mas por infortúnio tal não aconteceu.

Para destacar exibições individuais terão de ser as de Di Maria, desequilibrador do princípio ao fim, Luisão, muito esclarecido mesmo a sair a jogar, Cardozo, mais que goleador, agora um jogador de todo o campo, quem te viu e quem te vê, e claro, Moreira, enorme quando foi chamado a intervir, provando que a sua dispensa no final do contrato será um erro monumental (a dele e a de Quim também, diga-se).

O mais importante, a vitória, foi conseguido, na competição menos importante. Segue-se uma ida a Alvalade (onde marcarei presença) ou no Dragão (não me desloco a locais radioactivos), fruto de termos sido o pior dos 3 primeiros classificados (há com cada regra...). Não interessa, é para ganhar. Em Alvalade acredito que será mais fácil, mas o Dragão até poderia ser melhor para servir de ensaio para o que se vai passar a 2 de Maio. Vamos ver, o que espero é que haja casa cheia contra o Guimarães na próxima jornada.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Assim seremos campeões!

Odeio embandeirar em arco, mas que estas vitórias deixam qualquer adepto do Benfica extremamente orgulhoso... deixam! O Benfica poderia manter os 12 pontos de vantagem sobre o Sporting mas, muito mais importante que isso, era alargar de 4 para 6 a vantagem sobre o FC Porto, que empatara no sábado frente ao Paços de Ferreira, no Dragão, e não deixar escapar o Sporting de Braga, que voltou a ganhar, desta vez frente à Académica de Villas Boas, que ainda não havia cedido golos em Coimbra.

Os jogos contra o Marítimo foram, nos anos 90, um enorme tormento para o nosso Benfica, mas nesta década a situação alterou-se por completo: foram conseguidas vitórias, algumas delas bem confortáveis, como a de Quique e agora a de Jesus. Mas verdade seja dita, o Benfica beneficiou de alguma sorte: a presença de Djalma na CAN, o castigo de Bruno e o processo disciplinar a Marcinho deixaram o meio-campo do Marítimo completamente debilitado e órfão de ideais, algo que o Benfica soube explorar e aproveitar. Sim, tivemos alguma sorte, mas também fizemos por te-la. E é disso que se fazem os campeões.

O Marítimo entrou surpreendentemente forte no jogo, obrigando o Benfica a ter muita atenção especialmente no sector defensivo. Surpreendente também foi o estado do relvado, bem melhor do que aquilo que foi dito ao longo da semana. O Benfica, no entanto, respeitando o Marítimo, soube entender o jogo e partir para cima dos madeirenses, sendo que a partir do décimo minuto até final da partida só deu Benfica. Algumas indecisões a nível ofensivo não permitiram no entanto que o Benfica tivesse chegado mais cedo. Perto da meia hora, aí sim, e após um lance de muita insistência, o Benfica acabou por chegar ao golo, por Saviola, após tentativas de Aimar e Cardozo. O primeiro, sempre o mais difícil, estava feito, e sem saber, o resto do jogo seria um autêntico passeio, por mérito próprio.

Dois minutos depois do golo, Olberdam prova que é um dos mais arruaceiros jogadores desta Liga e é bem expulso, por palavras (reparem na reacção de Saviola). O Benfica aproveita e na sequência faz o segundo golo após joga brilhante de Di Maria, que serviu o "ponta-de-lança" Maxi Pereira (o que estava ali a fazer?!). Precisamente ao cair do pano na primeira parte, Robson corta com o braço, clara e inequivocamente, o remate de Cardozo que iria entrar na baliza até porque Peçanha já se tinha lançado na direcção contrária. Penalty correcto e expulsão merecida. Cardozo fuzilou Peçanha levando o Benfica a vencer por 0-3 ao intervalo, deixando o Marítimo de rastos, com 9 jogadores.

O segundo tempo foi um enorme bocejo, mas ainda assim houve dois golos e algumas oportunidades de golo: os golos do Benfica resultaram de um autogolo de Roberto Souza e num golo de Luisão em tudo semelhante ao marcara contra Ricardo no famoso Benfica - Sporting de 2005. Numa análise individual aos jogadores do Benfica, destaque para Quim, com um par de defesas difíceis e extremamente importantes, David Luiz, muito importante em conseguir o avanço do Benfica no terreno, em todas as alturas do jogo, e também para Saviola/Di Maria, que, cada um à sua maneira, souberam desequilibrar o jogo.

João Ferreira, árbitro do encontro, fez uma exibição quase perfeita, não tendo medo em assinalar o penalty e as expulsões, algo que não acredito que, por exemplo, Pedro Henriques, Pedro Proença, entre outros, tivessem coragem para fazer. Durante a semana disse-o no Mágico SLB, e tinha razão.

Próxima jornada absolutamente decisiva, acho que é aqui que se vai decidir o campeonato dos 3 grandes: o Benfica recebe o Vitória de Guimarães, contra quem não marcou, na Luz, nos últimos 4 jogos que os vitorianos apresentaram Nílson (derrotas para a Taça de Portugal em 2005/2006 e 2009/2010, derrota para o campeonato em 2008/2009 e empate também para o campeonato em 2007/2008), o Sporting de Braga recebe o Sporting, agora sim em crescendo, com João Pereira assumir um papel importantíssimo (não sei se já repararam nisso) e com a deslocação do Porto à Madeira, para defrontar o Nacional, talvez sem o seu cérebro, Rúben Micael.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dilúvio

Nem de propósito, no dia em que escrevi sobre a parca utilização de Moreira e Miguel Vítor, nem um nem outro constituíram opção para Jesus num jogo em que a sua utilização seria talvez aconselhável. Numa competição que não é, nem de perto nem de longe, o grande objectivo do Benfica, Jesus não poupou muita gente, alinhando com um onze onde se apresentavam seis habituais titulares, três suplentes bastante utilizados, um júnior e um reforço. Por muitas especulações que se fizessem sobre a possibilidade deste novo Benfica jogar bem ou mal, nenhuma delas pôde ser provada. Porquê? O miserável estado do terreno, devido às péssimas condições climatéricas que se verificam em Portugal, não deixou ver bom futebol.

É sempre difícil jogar em Guimarães. É praticamente impossível jogar em Guimarães com aquele relvado. Não serve de desculpa, mas é verdade, e o Benfica devia ter-se apercebido disso mais cedo. O Vitória foi mais inteligente e a explorar o terreno, fazendo uma 1ª parte de bom nível, sendo que o Benfica teve, essencialmente pela sua ala esquerda, as maiores ocasiões de perigo para a baliza de Serginho. Num jogo com pouca história onde reinou o pontapé para a frente, foi preciso esperar pelo segundo tempo para vermos alguns lances de perigo, mas nunca bom futebol.

No segundo tempo foram lançados de imediato Cardozo para a posição de Nuno Gomes e Javi Garcia para o lugar de Aimar. O Benfica ganhou assim o que precisava para o lamaçal: força. O jogo ficou mais equilibrado mas acabou por ser o Vitória a chegar primeiro ao golo, num lance em que Luisão falha o cabeceamento e depois Maxi Pereira acaba por assistir, involuntariamente, o avançado vimarenense, que faz o primeiro golo. A partir daí foi o Benfica a atacar mais mas com o Vitória a ser mais perigoso: primeiro num cruzamento-remate de Jorge Gonçalves que atraiçoa Júlio César, depois numa defesa monstruosa do guardião brasileiro, uma das melhores que me lembro ver de um keeper do SLB, ele que já antes tinha defendido uma bomba de Custódio.

Entretanto, no exacto momento em que os comentadores da SIC assinavam a sentença de morte do Benfica, Fábio Coentrão deixa o aviso, atirando à trave de Serginho, num lance em que o português aparece isolado. Algumas substituições pelo meio arrefeceram o jogo, mas o golo do Benfica acabaria mesmo por surgir num lance em que há fora-de-jogo posicional de dois jogadores encarnados que acabam por não intervir no lance, sobrando para Coentrão que, isolado, desta vez não falha. Estava feito o empate, merecido.

Curiosamente foi o Vitória a tomar a iniciativa depois do golo mas o Benfica criou muito mais perigo: primeiro por Maxi Pereira que não conseguiu ser feliz num jogo para esquecer, não por culpa própria mas pelo muito azar que teve; depois foi Cardozo, que mesmo onde parace não haver perigo, consegue cria-lo, à lei da bomba, num remate fortíssimo. Até final, o árbitro Carlos Xistra, que esteve em bom plano, anulou um golo ao Vitória por falta clara de Roberto sobre Júlio César, que colocou a mão direita sobre o braço esquerdo do guardião, impedindo-o de agarrar a bola.

O empate deixa o Benfica dependente de uma vitória para seguir em frente na competição. Se o conseguir está nas meias-finais. Se empatar na próxima jornada em Vila do Conde, ficará atrás do Rio Ave, pois apesar dos pontos serem os mesmo, assim como a diferença de golos, o Rio Ave tem mais golos marcados (3 contra 2). No entanto, e se os astros se conjugarem, o Benfica também poderá passar com um empate se o segundo classificado dos outros grupos não for melhor que nós. Mas para evitar estas contas, ganha-se.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Previsibilidade

Duas semanas depois do último jogo na Luz, o Benfica voltou à Catedral para bater por uma bola a zero o Nacional da Madeira. Ainda sem Amorim, Ramires e Aimar, todos de fora devido a lesões, o Benfica apresentou-se com Coentrão e Urreta nas alas do meio-campo. O jogo foi fraco apesar do claro domínio do Benfica, com cerca de 68% de posse de bola, mas tal domínio acabou por não se traduzir em muitas oportunidades. O Nacional estacionou o autocarro em frente da baliza de Bracalli e isso causou dificuldades ao onze de Jesus que se sentiu órfão de Aimar, apresentando uma enorme previsibilidade. Nem me apetece falar deste jogo, numa competição que nasceu praticamente morta, um calendário ridículo, um formato sem pés nem cabeça, enfim, isto a mim pouco me diz. Quero que o Benfica ganhe, mas isto é tão mauzinho... filme de terror.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A todos um Bom Natal

Começo por dizer o seguinte: hoje, Jorge Jesus, deu uma banhada táctica ao FC Porto. Jesualdo Ferreira ainda deve estar para perceber como é que o nosso treinador montou a estratégia. Há pormenores difíceis de reparar, mas a postura com que o Benfica entrou em campo e os 15 minutos finais foram de uma classe táctica que raras vezes vi no Benfica. É impressionante ver a equipa defender como defendeu no último quarto de hora, sem sofrimento. Genial.

Mais de 63 000 deslocaram-se à Luz para ver o clássico que, apesar de não decidir nada, era de uma importância mais mental do que em termos de resultado propriamente dito. O Porto vinha em crescendo nítido, enquanto o Benfica não conseguia manter, naturalmente, os sucessivos 4, 5 e 6 golos por jogo aplicados em Setembro/Outubro. A juntar-se a tudo isto, eis que a nossa equipa se apresentava dizimada por um conjunto de castigos, lesões e gripes que poderiam deixar o mais optimista dos benfiquistas com dúvidas em relação ao jogo. Entre as possíveis baixas encontravam-se Luisão, David Luiz, Ramires e Aimar, para não mencionar os já confirmados Coentrão, Di Maria e Amorim. Um total de 7 jogadores, todos eles importantíssimos, poderiam ficar de fora. Eu próprio, confesso, não esperava uma vitória do Benfica no jogo de hoje. Mas penso que nós, adeptos, no Estádio da Luz, fomos muito mais fortes que o 12º jogador portista.

O Benfica apresentou-se com um onze diferente daquele que muitos de nós tinham imaginado ou programado. Jesus evitou ao máximo mexidas e adaptações, mantendo Maxi, David Luiz, e Peixoto nas posições em que têm actuado. Urreta e Carlos Martins, que realizaram, ambos, um jogo extraordinário, substituíram impecavelmente Di Maria e Pablo Aimar, respectivamente. O Porto, por seu lado, não se apresentou com onze jogadores sequer. Hulk foi menos um, ficou metido nos bolsos de César Peixoto (enorme jogo!) e David Luiz (enormíssimo jogo!), não soube jogar para a equipa e perdeu todos os lances que disputou, além de um par de mergulhos ridículos que deveriam ter-lhe custado a expulsão, que só pecou por tardia, no túnel, depois de agredir um segurança com uma bota, levando-o ao hospital.

O apoio foi maciço nas bancadas, factor que penso ter sido essencial à vitória. A equipa esteve segura e muito tranquila, apesar de nos primeiros 5 minutos ter sido empurrada para a sua área devido a decisões duvidosas de Lucílio Baptista (é incrível, mesmo roubados com este senhor, costumamos ganhar os derbies). De resto, a primeira parte foi um passeio para o Benfica, com oportunidades de golo para Cardozo, apenas com Álvaro Pereira sobre a linha de golo, para Carlos Martins, num remate fortíssimo com o pé esquerdo, para Ramires, que rematou à figura de Helton, para Maxi, Urreta, enfim, quase todos, mas apenas Saviola conseguiu fazer o golo, merecido, sendo que a dada altura o Benfica chegou a ter 10-2 em remates, 16-6 em ataques, prova clara da supremacia encarnada no primeiro tempo.

Na segunda metade do jogo, o Benfica voltou a entrar mais forte, mas as limitações físicas de alguns elementos, como Ramires e Saviola, essencialmente estes, não permitiram que continuássemos a massacrar o Porto, cedendo a iniciativa de jogo aos azuis-e-brancos, que tiveram mais posse de bola mas não controlaram a seu bel-prazer os acontecimentos. Varela, sim, foi efectivamente um jogador perigoso, um quebra-cabeças, mas Peixoto soube sempre resolver bem as situações. Por outro lado, Rodriguez e Hulk estavam claramente desinspirados, fruto do grande jogo de Maxi Pereira, diga-se. A melhor ocasião dos dragões acabou mesmo por ser num lance de manifesta sorte, em que após remate de Meireles, a bola tabela no corpo de Luisão, traindo Quim, que estava batido, mas a bola foi para fora. Aliás, a meia-distância foi a única maneira que o Porto encontrou para ameaçar a baliza do internacional português, fruto de marcação apertada e inteligente de Luisão e David Luiz, que não se mostrou de forma nenhuma condicionado pelo cartão amarelo exibido, injustamente, a meio da primeira parte. Falcao foi uma sombra durante todo o jogo, e mesmo Farias não esteve melhor. Quanto a Quim, há que dizer que está muito bem nos jogos grandes. O homem transcende-se. Aquela defesa a remate de Álvaro Pereira é fantástica, só ao nível dos melhores, e não comprometeu ao socar as bolas cruzadas, pois num relvado tão mau e com uma bola instável e tão molhada, agarrar seria um risco enorme.

Percebendo que o Benfica começava a perder o meio-campo, Jesus fez duas substituições que na minha opinião foram a chave do encontro: a saída de Carlos Martins para a entrada de Luís Filipe, que mudou-se para o lado direito, deixando o centro ocupado por Javi Garcia e Ramires, e ainda trocou o cansado Urreta por Weldon que deu mais frescura e velocidade ao meio-campo, fazendo também com que Fucile tivesse de estar sempre atento ao plano defensivo. Jesus ganhou o jogo com estas alterações. E os meus parabéns em especial a Urreta e Martins, não só pelo jogo, mas também pela condição física que evidenciaram, pois é difícil aguentar o tempo de jogo realizado por ambos num relvado daqueles quando um está sempre lesionado e o outro raramente joga.

O Benfica foi tentando inverter o domínio azul do segundo tempo e aos poucos e poucos conseguiu. Se aquele remate de Luís Filipe tinha entrado, o estádio vinha abaixo. E se há alguém que merece um golo daqueles é o camisola 22. Não gosto dele, ninguém gosta, mas Luís Filipe, com o seu trabalho e preserverança, é um exemplo para os menos utilizados. E eu acredito pessoalmente que Jesus pode recuperar um jogador queimado por todos nós. "Levanta-te Lázaro, e anda".

Até final da partida, especialmente nos últimos 15 minutos de dilúvio, o Benfica soube manter o controlo dos acontecimentos, num enorme banho táctico e emocional dado pela equipa, como por exemplos nas situações em que Rodriguez agrediu Javi Garcia, essencial pêndulo benfiquista a meio-campo. Incrível também é o penalty não assinalado por mão desse uruguaio, mas também já nos habituámos. Peixoto e Cardozo, que está muito mais jogador de equipa e cada vez menos tosco de dia para dia, souberam aguentar o jogo junto à linha lateral esquerda do ataque encarnado, minimizando as hipóteses do Porto marcar, minuto a minuto. O jogo encaminhava-se para o fim e já com Menezes em campo, no lugar do lesionado Ramires, o Benfica soube, e muito bem, manter a vantagem, num triunfo que tem tanto de suado como de justo e merecido. A vantagem foi suficiente, no entanto pecou por escassa. Continuamos na caminhada, mais fortes do que muita gente imagina. Isto é uma corrida de fundo, e é óptimo saber que podemos contar não com 14 jogadores, mas com mais de 20, ao contrário do que sucedeu em 2004/2005. E eu continuo na minha: se o Estádio da Luz estivesse sempre cheio, sempre com este ambiente, com os benfiquistas a proporcionarem o Inferno da Luz, seriamos imbatíveis em casa. Se queremos mesmo ser campeões, é hora de serem os benfiquistas a tomarem a palavra. Vão ao estádio. Seremos campeões.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Burrice desmesurada

Em 2006/07 o Benfica de Fernando Santos defrontou o Estrela da Amadora, na Reboleira, precisamente na jornada que antecedia o clássico frente ao FC Porto. Tal como o Olhanense, o Estrela estava minado de emprestados do clube corrupto. O que se passou nesse jogo lembro-me eu bem: cacetada do princípio ao fim. Petit, por exemplo, foi um dos maiores visados, mas acabou a partida vivo. O que se passou hoje frente ao clube satélite do Porto não foi, para mim, uma surpresa: num plantel com seis jogadores douradinhos, com um "senhor" chamado Miguel Garcia, a quem desejo uma valente trombose e com um treinador que todos sabemos quem é e o que está lá a fazer, era previsível todo o espectáculo de agressões que os jogadores do Benfica foram vítimas.

Nem sei bem por onde começar esta crónica. Começo talvez por dizer que o Benfica de hoje foi claramente de uma falta de inteligência tal que não pode voltar a repetir-se: Cardozo não foi para a rua porque não calhou. Se o árbitro quisesse te-lo-ia expulsado no sururu com Djalmir e Anselmo. Angel Di Maria voltou a demonstrar que, para além das constantes oscilações de rendimento (apesar de eu achar que em forma é o melhor jogador do plantel), tem um cérebro do tamanho de uma formiga. E Jorge Jesus continua a cometer erros crassos e bem graves, como a forma de defender as bolas paradas (porra Sigmund, não me digas que ainda acreditas naquilo) e a substituição de César Peixoto, um convite autêntico à amostragem do cartão amarelo a Coentrão. O Benfica de hoje foi um anjinho.

Face às lesões de Aimar, Amorim e Ramires (esta última pode ser gravíssima, a confirmar-se a rotura de ligamentos no joelho, apesar de não se perceber se foi joelho, tornozelo ou peróneo), e aos castigos de Di Maria e Coentrão, o Benfica vai ter enormes dificuldades em construir um meio-campo competitivo frente ao FC Porto.

Quanto ao jogo propriamente dito há que destacar a entrada forte dos homens de Olhão, que marcaram o primeiro golo num lance mal ajuizado pelo árbitro marcando uma falta inexistente. O Benfica reagiu bem e após a expulsão de Djalmir (faltou a expulsão de Castro por tesoura a Coentrão por trás) marcou o empate por Saviola. O jogo parecia encaminhar-se para um massacre, mas a atitude irreflectida de Di Maria pode ter valido uma boa parte da época. A sua expulsão veio alterar o rumo do jogo por completo. Em situação de 10 para 10, o Olhanense voltou a marcar de novo na sequência de um livre lateral, muito mal defendido pelo Benfica (mas que m*rda é aquela?!). Nem quero imaginar o Benfica defender livres e cantos desta maneira no próximo fim-de-semana com o Bruno Alves. Na segunda parte o jogo ficou ainda mais violento com o arruaceiro-mor da Liga Sagres, Miguel Garcia, a quem volto a desejar nova trombose, a agredir David Luiz, sem resposta deste, o que para mim foi uma surpresa, a capacidade de controlo do David. Foi um milagre não ter visto o cartão que o impediria de defrontar os corruptos. O Benfica acabou o jogo com quatro pontas-de-lança sendo que foi Nuno Gomes num toque de mestre, a desviar a bola subtilmente do alcance do guarda-redes de Olhão (ou do Porto?).

Quanto ao árbitro, nem sei o que dizer. Tomou decisões erradas em prejuízo do Benfica, como o livre do primeiro golo e a não-expulsão de Castro, mas não acredito que quisesse deliberadamente prejudicar o SLB, senão teria mostrado cartão vermelho a Cardozo no sururu, ou amarelo a David Luiz. Fica a dúvida.

A próxima jornada será extremamente difícil, sem esquecer que pelo meio há ainda uma partida para a Liga Europa. Felizmente já estamos classificados e no primeiro posto. Viram a importância daquilo que eu disse anteriormente? Para o Porto, o Benfica não contará seguramente com Ramires, Amorim, Di Maria e Coentrão. Será muito difícil, portanto. Eu disse difícil, não impossível.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Todo-o-terreno

Para quem anunciava o fim do Benfica forte e goleador, este foi mais um balde de água fria. Com a possibilidade de alcançar o Braga no topo da tabela, o Benfica não deixou escapar tal oportunidade, realizando uma exibição todo-o-terreno, num relvado que a isso mesmo obrigava, fruto das condições climatéricas. Vitória frente a uma equipa em clara ascensão qualitativa e que possui aquele que é considerado por muitos como o neo-Mourinho, mas que demonstrou que, e apesar de eu também achar que pode alcançar patamares altíssimos, uma falta de classe e inteligência ao nível dos piores.

Nem a chuva, nem o frio, nem a hora e o dia, muito menos o facto de o jogo ter transmissão televisiva em canal aberto, fez com que os benfiquistas deixassem de ir ao estádio apoiar o seu clube. Ontem, foram mais 41.000, mas acredito que até poderiam ter sido mais.

Dificilmente o Benfica poderia ter entrado melhor no jogo. Logo aos seis minutos, após boa tabelinha com Saviola, Cardozo aparece isolado frente a Rui Nereu, ex-guarda-redes do Benfica, e faz o primeiro golo da partida. Tudo fácil, até porque a Académica não decidiu e
estacionar o autocarro. No entanto, os minutos seguintes seriam de dificuldades visíveis para o Benfica. Até bem perto da meia-hora, foi a Académica a controlar o jogo, muito devido à desconcentração visível do sector mais recuado do Benfca, que nas transições defesa-ataque perdeu a bola por demasiadas vezes. Amorim sentiu por diversas vezes dificuldades em fazer esquecer Javi Garcia, pois teve de assumir por mais vezes despesas no jogo ofensivo e não conseguiu ser a "balança" defensiva em que assenta o SLB quando actua o camisola 6 espanhol. Peixoto, naquela que foi uma das suas melhores exibições pelo clube só se soltou após o segundo golo e Maxi Pereira esteve melhor a atacar que a defender. Prova disso é o segundo golo marcado pelo Benfica, numa bela movimentação do lateral que culmina com um chapéu magnífico e irrepreensível de Saviola. Um golo de levantar qualquer estádio do mundo. A Académica sentiu o golo, o Benfica ganhou mais confiança e com trinta minutos o jogo ficou resolvido.

Com 2-0 no marcador o Benfica ganhou mais confiança e conseguiu arrancar para mais uma exibição muito personalizada na segunda parte. Com apenas dez minutos decorridos no segundo tempo, Óscar Cardozo aproveita uma bola solta por Rui Nereu após remate de Di Maria para fazer o terceiro. O jovem argentino esteve muito rematador, muito possivelmente devido a Jorge Jesus, que avisou-o, e muito bem, que deve marcar muitos mas muitos mais golos pelo Benfica. Contam-se pelos dedos de uma mão os golos que tem pelo nosso clube desde que chegou em 2007. Assim de repente lembro-me apenas de um contra o Poltava, outro ao Herta, um ao Nuremberga, outro ao Paços de Ferreira e um ao Braga. Mas fora isto, há que dizer que Angelito esteve novamente ao seu melhor nível, à semelhança de Ramires, eles que estiveram menos exuberantes nas últimas partidas.

Até final da partida apenas há a registar o quarto golo encarnado, terceiro da noite para Cardozo, que eleva assim para 14 tentos em apenas 11 jogos efectuados para a Liga. O Benfica foi manifestamente mais forte até final do jogo, pese embora uma ou outra boa chance para a Briosa, fruto de alguns desentendimentos entre Luisão e Quim, sobre quem deveria chegar à bola quando esta estava à entrada da área. Diga-se que o guarda-redes português teve uma noite tranquila, tendo por apenas uma vez sido chamado a intervir, num remate forte, mas à figura, numa bela defesa que levou o estádio a aplaudir o guardião.

3 pontos, mas uma vez, frente a um adversário que não tem capacidade para fazer o mesmo que no ano passado, mas que mesmo assim pode ir longe com alguns bons jogadores e com um treinador de qualidade que aprendeu com os melhores, mas que revelou uma ridícula falta de educação e profissionalismo com os jornalistas à entrada para a conferência de imprensa, exigindo-lhes que lhe perguntassem por um possível penalty a favor da AAC quando o resultado estava em... 3-0. Enfim, critérios.

Na próxima jornada, a que antecede o clássico frente ao Porto, o Benfica desloca-se a Olhão para jogar com a filial azul-e-branca. Não se tratará de um jogo fácil e adivinho que será mostrado o quinto amarelo a David Luiz, que está a abusar da dureza (foi amarelado nos últimos quatro jogos do Benfica), e que alguns jogadores do nosso clube sofrerão faltas brutais, à semelhança do que aconteceu há uns anos quando defrontámos o Estrela da Amadora em vésperas, precisamente, de um jogo com o FCP. Há que estar vigilante.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Próxima fase

Sem collants, que agora até pretexto para capas de jornal são, o Benfica conseguiu uma vitória extremamente importante que lhe garante a passagem à próxima fase da Liga Europa como 1º classificado, evitando desde já os 1ºs dos outros grupos e os quatro melhores terceiros da Liga dos Campeões, tudo isto a uma jornada do fim. Com isto, posso considerar que a prestação da equipa na fase de grupos foi muito boa, conseguindo dar resposta às exigências de uma prova que é bem mais dura do que aquilo que se diz ou parece.

E considero-me ainda mais satisfeito pois o Benfica, hoje, venceu além do BATE, o frio que se sentia na Bielorrússia e uma possível desmotivação pela ausência de vitórias nos últimos dois jogos. Nos últimos jogos europeus realizados em casa por esta equipa de leste, equipas como Anderlecht, Levski Sofia, APOEL, Juventus e Steaua Bucareste não conseguiram ganhar, sendo portanto absurdo pedir mais uma goleada. Aliás, como Jesus disse esta semana, "absurdo" era o Benfica das primeiras jornadas!

O que também me deixa sobejamente satisfeito é o facto de o Benfica conseguir fazer a rotação do plantel sem grande perda de qualidade. Hoje, Júlio César (que esteve hesitante, é certo), Miguel Vítor, a tranquilidade em campo, Fábio Coentrão, em grande nível, e Felipe Menezes, enorme surpresa, renderam respectivamente Quim, Sidnei, Di Maria e Pablo Aimar. A época espera-se longa, com muitos jogos, entre os quais os das fases mais avançadas da Liga Europa, espero, pelo que é importante saber que há soluções de valor no banco e até na bancada.

Quanto ao jogo em si, o Benfica foi superior aos bielorrussos, que ao contrário do que se diz, não são um grupo de amigos que se juntam aos domingos para dar uns toques. Na primeira parte, que até foi bem equilibrada, o Benfica teve algumas oportunidades de golo, nomeadamente por Cardozo, mas a melhor chance foi a bola na barra de Krivets. O Benfica viveu muito da inspiração de Fábio Coentrão e da capacidade de segurar jogo a meio-campo por Javi Garcia. No segundo tempo, que iniciou praticamente com o golo encarnado, o Benfica foi claramente melhor até aos vinte minutos finais, com boas exibições dos já mencionados Fábio Coentrão e Javi Garcia, mas também de Felipe Menezes, Miguel Vítor, apesar do auto-golo completamente involuntário e sem hipótese, e também de César Peixoto.

A próxima jornada da Liga Europa joga-se na Luz, frente ao AEK de Atenas. Será um bom jogo para dar minutos a jogadores menos utilizados como Sidnei, Miguel Vítor, Shaffer, Menezes, Urreta, Weldon e Nuno Gomes, especialmente porque 72 horas depois (3 dias), há jogo grande com o Porto. Entretanto, no próximo fim-de-semana, o Benfica recebe a Académica, num jogo para o qual tenho grandes expectativas para ver como os jogadores encaram a partida, frente a um adversário bem organizado (ou não fosse o treinador Villas-Boas) e que venceu na Luz nas duas últimas temporadas (0-3 e 0-1). Sendo o Benfica claramente mais forte, tenho algumas reservas quanto a este jogo. Concentração máxima é exigida, se não queremos perder.

domingo, 29 de novembro de 2009

Continuamos [muitíssimo] melhores

Mesmo que pensem ou digam o contrário, o resultado do jogo de ontem foi muitíssimo melhor para o Benfica que para os rivais da 2ª Circular. Com o que se passou ontem em Alvalade, a Liga tem novo líder, se bem que à condição, e um candidato ao título praticamente arremedado da luta pelo campeonato. Não significa isto que o Benfica possa estar satisfeito com o resultado de ontem. Aliás, não pode nem deve. Dificilmente terá uma nova oportunidade tão boa quanto esta para ganhar ou até mesmo golear um Sporting que continua a revelar-se frágil, com poucas ideias, desmotivado, apesar de estar muito mais organizado. Foi um jogo à italiana. As expectativas superaram a qualidade de jogo, houve sangue (literalmente, que o diga Javi Garcia), suor e casos. À italiana, portanto. Ou se preferirem, à portuguesa.

O Sporting entrou mais forte nos minutos inicias do derby como vem sendo hábito há já umas épocas a esta parte. E como vem sendo apanágio, cedo de apagou esse pressing leonino. O Benfica respondeu e reagiu bem e em boa hora, tendo até a primeira boa chance de golo, por Cardozo, num lance em que lhe faltou discernimento, pois rematou cedo demais. Apesar deste lance menos feliz, o paraguaio regressou em boa forma, tendo feito um jogo bem acima daquilo que eu próprio esperava. Há claramente um “antes” e um “depois” neste paraguaio, desde que chegou em 2007 e o presente. Agora nota-se mais móvel, ágil e com um excelente entendimento e entrosamento com a equipa. Não marcou, mas jogou e fez jogar.

As oportunidades no primeiro tempo iam-se sucedendo numa baliza e noutra: Liedson fez gato-sapato de Sidnei, que esteve mais uma vez uns furos a baixo daquilo que se lhe exige, e rematou forte para boa defesa de Quim. Depois foi Polga que, após canto curto, teve a melhor oportunidade leonina da primeria parte, ao rematar por cima após falha de marcação da defesa encarnada (Maxi a marcar Polga?!). Realmente, aquela defesa à zona nos pontapés de canto não lembra ninguém.

No segundo tempo, o Benfica não entrou a “massacrar”, nem era isso pedido, ao contrário do que os comentadores e os jornalistas dizem (a crónica de Vítor Serpa hoje, n' A Bola, é ridícula, incompetente e ofensiva). Dizer que o Benfica já perdeu o fulgor, que os adeptos já não têm entusiasmo e que o Sporting está em crescendo é absurdo. Quase tão absurdo como o Director desse jornal afirmar que a mão de Polga... não foi mão! Mas já lá vamos. Dizia eu que o Benfica entrou de facto melhor, não massacrando mas controlando o jogo, mesmo no meio-campo do Sporting. Os leões reagiram e obrigaram Quim à melhor defesa deste campeonato até ao momento, defesa essa que sintetiza bem a grande exibição do internacional português, a quem, em parte, devemos e de que maneira este resultado.

No entanto, Di Maria, Cardozo, Ruben Amorim, David Luiz e Saviola, que até atirou uma bola à trave (mas o lance seria bem anulado por fora-de-jogo) tiveram as suas ocasiões, umas mais flagrantes que outras, sem esquecer a de Ramires, bem perto do final do jogo, e em posição regular, que não concretizou um golo praticamente feito.

Fiquei com a certeza que o jogo não teria golos por volta dos 65 minutos. Até final, e apesar das muitas oportunidades que o Benfica teve, o jogo foi um longo bocejo. Até deu para falar da Selecção Nacional, sobre a injustiça que é a ausência de Quim e Amorim, etc.

O jogo não foi difícil de arbitrar. Foi fácil até. Mas a incompetência de Pedro Proença fez do fácil difícil. Adrien, com uma entrada por trás às pernas de Saviola, sem qualquer intenção de jogar a bola, ficou em campo. Miguel Veloso tem uma entrada duríssima sobre Di Maria e só viu amarelo (e o árbitro parou o contra-ataque do Benfica). Por fim, o mais escandaloso de todos: Polga, com os braços bem abertos, corta um cruzamento de Ramires. Indiscutivelmente. Cartão amarelo por exibir (seria o segundo e consequente expulsão) e fica a dúvida: dentro ou fora da área? Polga entra na área e acaba por ficar fora desta quando o lance termina, mas quando corta a bola com o braço parece estar dentro, não com os pés, mas com o braço direito, aquele que corta a bola. Para mim, era penalty.

Jesus esteve muito bem: montou aquele que agora acredito ser o melhor onze e leu bem o jogo ao fazer as substituições. O vergonhoso estado do terreno foi uma dificuldade para o SLB. Aimar, que estava a ter dificuldades em construir jogo, foi substituído pelo todo-terreno Ruben Amorim, que entrou muito bem a jogar de área a área. Depois, por lesão de Sidnei, entrou Miguel Vítor, que traz mais segurança ao sector que o seu colega brasileiro. Por fim, nos instantes finais, e quando a defesa do Sporting poderia abrir-se mais e ficar desconcentrada, entrou o veloz Coentrão para a saída de Saviola, que esteve em dúvida até ao dia do jogo.

O resultado não é mau, mas a vitória, a acontecer, teria de ser para os visitantes. Fomos melhores globalmente, tivemos mais posse de bola que o Sporting e constituimos ameaça durante os 90 minutos, ao contrário do adversário. Ficamos em primeiro lugar à condição com 11 pontos de avanço dos verde-e-brancos, 6 do Porto (que podem passar a 3, hoje) e com um do Braga. Há muito campeonato por jogar e o Benfica entra agora numa fase crítica, com jogos muito importantes e onde não pode desperdiçar pontos. Olhanense e Académica são daquelas equipas com que não podemos perder. E é tradição o Benfica perder campeonatos nos jogos com estas equipas. É aqui que realmente residem os trabalhos de Jesus.

domingo, 22 de novembro de 2009

Alvalade será o Inferno

Felizmente os adeptos que hoje estiveram no Estádio da Luz são muito mais inteligentes que o speaker. No "minuto de silêncio" que resolveu chamar de "minuto de homenagem", os benfiquistas souberam respeitar a memória do guardião germânico Robert Enke. O silêncio reinou, felizmente. Mas o idiota resolveu por música.

Tenho a convicção de que, para Jesus, o campeonato é definitivamente a competição mais importante. Diria mesmo que é "a" competição. Posso estar enganado, mas pelo que vi e tenho ouvido é essa a sensação que me dá. Nem mesmo a Liga Europa se aproxima, em termos de objectivos e prioridades do campeonato. Isto não serve, no entanto, de desculpa para a precoce eliminação na Taça de Portugal.

Neste jogo deu para perceber várias coisas: a primeira delas é que Cardozo é fundamental e insubstituível; outra, é que há jogadores em quebra, física (Aimar e Saviola), e emocional (Coentrão e Di Maria); terceiro, há um grupo de jogadores que não está com a cabeça no presente (e aponto nomes: Sidnei e Keirrison); há jogadores manifestamente desconcentrados (Weldon); há jogadores que têm medo de falhar (Nuno Gomes). Jesus é responsável por muitos destes casos e muitas das decisões que tomou hoje foram profundamente erradas. Sorte a dele em não ser espanhol.

Não estou com isto a defender ex-treinadores do Benfica ou a criticar o actual, mas os erros cometidos hoje pelo treinador foram visíveis, óbvios e flagrantes. Sidnei foi um buraco e se assim continuar Liedson nem vai sentir a falta de Luisão, tal será a facilidade com que moldará os rins de Sidnei à sua maneira. Coentrão não é, não pode e não será nunca na vida, defesa esquerdo. Nunca. Numa altura em que o Benfica precisava de alguém que conseguisse dar profundidade ao flanco, Coentrão deveria ter avançado para médio. Outra excelente questão é explicarem-me o que se passa com Urreta. Neste jogo notou-se que poderia ter desequilibrado. Weldon está completamente desconcentrado na altura de finalizar. Hoje foram 3 falhanços graves: por duas vezes falhou o cabeceamento, por outra fez um autêntico passe ao guarda-redes. Contei 3 jogadas de Keirrison durante todo o jogo: numa arranca um amarelo, noutra faz uma tabelinha com Saviola, e na terceira sofre uma falta à entrada da área. Muito pouco, daqui a nada terá as alcunhas de Keirrisono, Kissono, K0 conhecidas por todos os benfiquistas. Makukula não servia? Ainda hoje fez mais dois golos e já leva 4 (!) de vantagem sobre o segundo melhor marcador na Turquia. Digam o que disserem, para o bem e para o mal, Nuno Gomes ainda é o melhor ponta-de-lança que temos a seguir aos dois habituais titulares. E Miguel Vítor? Vai continuar a ser o patinho-feio de Jesus? Porquê? Diz-me quem sabe mesmo do assunto que é dos mais profissionais nos treinos, um exemplo para todos os colegas.

São muitas questões e interrogações que se põem antes de uma importante ida a Alvalade, local onde se pode decidir boa parte do resto da época. É agora ou nunca. O Benfica pode deixar os rivais a 14 pontos, apanhando-os na melhor altura possível. Se Ramires, David Luiz, Javi Garcia e talvez Amorim estiveram à altura dos acontecimentos, como estiveram hoje, é possível. Quanto aos outros, têm de pedalar mais. Isto não chega.

P.S. - Já que se falou em Alvalade, eu dou o onze. É só copiares, Jesus, que eu não me chateio. Júlio César; Rúben Amorim, Miguel Vítor, David Luiz e César Peixoto; Javi Garcia, Ramires, Di Maria e Pablo Aimar; Javier Saviola e Óscar Cardozo

P.S.2 - Uma coisa que me assusta mesmo é o Football Manager 2010. Imaginem vocês que o Keirrison, nesse jogo, recebe 90 mil euros mensais, totalmente suportados pelo Benfica. Espero que o jogo esteja bem desfasado da realidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Adrenalina

Já me tinha esquecido do que é sofrer na Luz pelo golo do Benfica. Há uns meses que tal não acontecia. Depois da jornada europeia, o Benfica apresentou-se visivelmente cansado frente a uma Naval que não recorreu ao anti-jogo apesar de ter encostado não um mas dois autocarros à frente da baliza de Peiser, que fez um jogo memorável. Assim, e face à ausência de Cardozo, o Benfica teve enormes dificuldades em chegar ao golo. O Estádio da Luz, com cerca de 42.000 pessoas, estava mudo perante a ineficácia ofensiva não obstante os 72% de posse de bola que a equipa apresentava. Receou-se que o segundo "set point" este ano (o primeiro fora em Braga) fosse perdido. Mas a cabeçada vitoriosa de Javi Garcia desfez as dúvidas, derrubando um muro tão forte como aquele que caíra há vinte anos. Afinal o Estádio estava quase cheio, e aqueles festejos, aqueles cachecóis no ar e o público de pé trouxeram um cheirinho daquilo que todos esperamos ver em Maio...

Mas até Maio há um longo caminho a percorrer, com diferentes obstáculos pelo caminho. Um desses obstáculos será novamente a Naval, equipa disciplinada e ultra-defensiva que não recorreu ao anti-jogo. É verdade que Augusto Inácio estacionou o autocarro em frente da baliza, mas não é menos verdade que a Naval não partiu para o anti-jogo, jogando leal, sem muitas faltas nem com entradas muito duras. O Benfica apresentou-se numa forma desoladora. Muitos jogadores estavam visivelmente cansados, como Saviola ou Aimar, enquanto outros estavam desinspirados, casos de Di Maria, Nuno Gomes e Maxi Pereira. Tudo isto aliado à pressão de ganhar para regressar ao topo da tabela, em igualdade pontual com o Braga, pesa bastante. Talvez por isso se tenha sentido um certo ambiente de desespero ou resignação com o passar do tempo.

Não obstante tudo o que já disse, o jogo foi de sentido único. Não lhe chamaria de massacre, pois, para além de já estar muito mal habituado à exigência de Jesus e ao que a equipa consegue jogar, o facto é que o Benfica apesar das muitas oportunidades de golo que teve, não exibiu uma frescura física e uma qualidade semelhantes à dos jogos com Marítimo, Setúbal, Leixões ou Nacional. Estou a reler o que escrevi e até parece que jogámos mal... nada disso! Na primeira parte, e não fosse a enorme exibição de Peiser, o Benfica poderia ter chegado ao intervalo a ganhar confortavelmente por 3 ou 4 golos. Livres de Di Maria e Javi Garcia (sabe chutar?!) muito bem defendidos, Saviola e novamente o espanhol em pontapés-de-canto poderiam ter levado o Benfica a vencer por esses tais 4 golos. Mas não foi.
No segundo tempo o caudal ofensivo manteve-se, mas as oportunidades não foram tão flagrantes. O mal-amado Nuno Gomes desperdiçou um lance de difícil execução que muitos apelidam de aselhice. Pouco depois, foi substituído por Weldon que, em abono da verdade, não trouxe rigorosamente nada de novo ao ataque encarnado. Aimar tentou a sua sorte num cabeceamento que quase enganava Peiser, mas também não resultou. Depois foi Di Maria que rematou a bola ao poste, depois de desvio do guarda-redes francês da Naval. Sólido na defesa, com Luisão e especialmente David Luiz em grande plano, Jesus decidiu arriscar retirando Maxi Pereira para lançar Keirrison, que foi uma nulidade completa, mais uma vez. Mas o tempo ajuda e Keirrison vai provar o que realmente vale. Aimar, esgotado, foi o seguinte a sair para a entrada de Felipe Menezes. E quando parecia que o nulo se iria manter até final, eis que num livre EXISTENTE, por muito que os Coroados e outras amibas desta país queiram dizer contrário, o Benfica chegou à vantagem que só pecou por escassa.

Final feliz numa jornada em que o Benfica ganhar três pontos a Braga e Porto e ainda mais dois ao Sporting. Uma vitória importantíssima. Agora o campeonato pára 3 semanas para jogos de selecções e para a Taça de Portugal. Depois, Alvalade. E eu espero lá estar.

P.S. E eu ainda não recebi o cachecol...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quase Perfeito

Num Goodinson Park quase cheio, estádio de tão boas memórias para o "Rei" Eusébio, com a presença de muitos e bons benfiquistas, o Benfica arrancou uma vitória que tem tanto de difícil como de merecida. Se houve clube que durante os 90 minutos mereceu a vitória, esse clube foi o Benfica. O facto de este jogo ter sido fora de casa, numa prova europeia, e nos ter deixado muito mais perto do apuramento também são factores de contentamento extra. Uma saborosa vitória em Inglaterra, pátria do bom futebol, onde é sempre tão difícil de ganhar, deixa-nos a apenas 1 pontinho da fase seguinte. Após a derrota em Braga, a reacção foi mais uma vez evidente. E na Luz, em Portugal, ou no estrangeiro, o Benfica sabe que nunca andará sozinho...

Jorge Jesus trouxe para um jogo difícil, numa competição importante, várias surpresas, o que por si já não é... surpresa. Estas inovações, bem conseguidas, diga-se, permitem alguma rotatividade sem perder qualidade. Mais uma vez foi assim. Júlio César voltou à baliza fazendo um jogo sem sobressaltos, pontificado com uma defesa que nenhum outro guarda-redes do Benfica faria; David Luiz regressou à lateral-esquerda (bom jogo!) e Sidnei, apesar de estar sem jogar há algum tempo a um ritmo elevado, demonstrou segurança e qualidade, o que se exige a um defesa-central de um grande; Amorim voltou a render Maxi; no meio-campo 4 médios clássicos, dois defensivos, Javi e Ramires, e dois extremos puros, Coentrão e Di Maria. No ataque nada de novo.

Perante tantas alterações poderia haver o receio de o Benfica não saber responder ao futebol directo inglês. Pelo contrário. O Benfica foi dominador e incomparavelmente melhor que o Everton. Mesmo quando os ingleses tinham a bola, a noção de que o Benfica tinha a situação sob total controlo era óbvia. Por isso as situações de golo sucederam-se naturalmente: Saviola aos 4 minutos deu o aviso. Cardozo aos 40' e Saviola na recarga após bola ao poste, também não conseguiram desfazer o nulo. Até final da primeira parte de realçar a lesão de Ramires, que ficará impedido de defrontar a Naval e quem sabe o Sporting.

Na segunda parte o Benfica manteve-se mais ofensivo e as oportunidades continuaram a surgir, com Di Maria em evidência, após jogadas de contra-ataque rápido, mas não conseguiu desfeitear Howard. Cardozo também dava nas vistas, fazendo um dos melhores jogos que me lembro de ver do paraguaio com a nossa camisola, mesmo antes do golo. A entrada de Pablo Aimar, que veio dar uma dinâmica completamente diferente ao futebol ofensivo pelo corredor central (agora até parecia o Freitas Lobo...) traduziu-se finalmente em golos. O primeiro surgiu num lance de contra-ataque rápido, excepcionalmente conduzido por Di Maria, que soube esperar pela entrada de Saviola até à última hora, endossando-lhe a bola para o pequeno grande avançado fazer o primeiro golo, de pé esquerdo, sem hipóteses para o grande guarda-redes americano.

Com o primeiro lá dentro, o segundo veio naturalmente. Cardozo não está em fora-de-jogo. Fellaini coloca o paraguaio em posição regular, sendo o golo bem validado. Um belo movimento de Tacuara, diga-se. Até final destaque para a entrada de Felipe Menezes que teve mais uns minutos nesta competição, minutos esses essenciais ao crescimento do jogador.

Gostei muito de Amorim. Foi o melhor em campo, tanto na defesa como no miolo. A jogar assim, a ausência de Ramires não será tão notada. Di Maria também esteve soberbo, bem como Cardozo. Não posso dizer que não gostei do jogador "x" ou "y" pois todos estiveram realmente muito bem. Apenas Ramires não conseguiu apanhar o ritmo de toda a equipa, o que também se deveu às entradas bárbaras que sofreu, nomeadamente a de Yakubu.

O apuramento para a próxima fase da Liga Europa é agora uma quase-realidade. Basta 1 pontinho para carimbar o passaporte para continuar a viajar na Europa. Pode ser conseguido já em Borisov, mas convenhamos que o que vinha mesmo a calhar era a vitória, por duas razões: primeiro porque isso garantia o primeiro lugar no grupo, fundamental para evitar alguns tubarões do futebol europeu que provavelmente também se qualificarão em 1º (Roma, Werder Bremen, PSV, por exemplo), mas também aqueles que cairão vindos da Champions (Liverpool, Barcelona ou Inter, Estugarda ou Bayern Munique); a outra razão é que três dias a seguir ao último encontro da fase de grupos da Liga Europa há derby com o Porto, na Luz, para o Campeonato.

Quem programou a derrocada do Benfica após a derrota em Braga enganou-se. Foi no outro lado da 2ª Circular. Siga a onda, segunda é dia de futebol. Todos ao Estádio!

sábado, 31 de outubro de 2009

Tão previsível...

Comecemos, antes de "esmiuçarmos" esta derrota, por um ponto que chamo e voltarei a chamar a atenção sempre que necessário. É incompreensível que se coloque uma claque num piso superior do estádio. Incompreensível! Depois, e como há sempre gente que não se sabe comportar e que por isso nem deveria estar num estádio de futebol, situações como as de hoje... acontecem. E não são apuradas responsabilidades.

Por falar em responsabilidades, alguns benfiquistas (uma minoria, felizmente) deveriam aprender a viver em democracia. Quando se defende uma opinião com argumentos bem fundamentados, como fiz no post anterior, não se deve acusar essa pessoa de querer mal ao clube ou de ser sportinguista. Os yes man, aqueles que abanam a cabeça para cima e para baixo em todas as situações, são o pior que pode existir. Mais precisamente, o senhor de quem vos falo, escreveu o que podem ler na caixa de comentários do post que precede este. Dizia ele que "a dizer mal dos jogadores como dizes nesta peça não sabes mesmo do que falas". Seis minutos de jogo e Fábio Coentrão fazia uma falta que nenhum defesa lateral faria, nem mesmo o mais tosco deles todos. 1-0 para o Braga.

Um dos meus males é ter a ideia de que os jogadores devem jogar nas suas posições. Enfim, sou incorrigível. Mas se algum dia vir o Nuno Gomes a médio-defensivo, o Quim a ponta-de-lança ou o Fábio Coentrão a defesa, não tenho dúvidas que aparecerá sempre alguém a dizer que sou eu que estou errado e que não percebo nada disto. Ok, adiante...

Ficar com 5 pontos de vantagem sobre o FC Porto e com 13 sobre o Sporting era preocupante. Jorge de Sousa tratou de evitar males maiores, ao anular incompreensivelmente um golo limpo a Luisão. Cardozo agarrou Leone? Agarrou. Leone agarrou Cardozo? Também. Alguém põe sequer em equação a ideia de que este árbitro assinalaria penalty a favor do Benfica num lance semelhante? Jamais (jamé)! Previsível. Tão previsível...

Polémicas à parte, até final do primeiro tempo, o Benfica superiorizou-se ao Braga, mostrando uma reacção extremamente positivo ao golo madrugador minhoto. Mas a dúvida paira: como teria sido o jogo, até final, se após as provocações dos suplentes bracarenses a Di Maria e depois de toda aquela confusão no túnel, Cardozo não tivesse sido expulso? Obviamente que uma expulsão não justifica tudo, mas era Cardozo.

No segundo tempo o Benfica entrou decidido a massacrar o Braga, e assim o fez. No entanto, sem Cardozo como referência na área e com Saviola a cair demasiado nas faixas, Jorge Jesus acabou por escolher Keirrison como substituto do paraguaio. O jovem brasileiro teve cerca de 40 minutos para mostrar o que valia, mas aquilo que fez em Braga foi manifestamente pouco. Um jogo que "pedia" alguém que soubesse arrastar defesas (pois o Braga também só jogava com dez), um jogo que pedia Nuno Gomes, teve Keirrison, e com ele, o Benfica perdeu o jogo. Foi uma substituição errada. Keirrison deve efectivamente jogar, mas não numa altura destas. A partir daí, e apesar do domínio do nosso clube, o Braga começou a tentar equilibrar o jogo, mas sem grande objectividade, fruto da ausência de Meyong, substituído ao intervalo. Acabou por chegar ao golo num lance bem construído e finalizado por Paulo César, que estava a ser marcado pelos olhos de Maxi Pereira.

O Braga, a contrário do que se tenta passar através da comunicação social, tem uma excelente equipa e, já sem as provas europeias, tem tudo para se concentrar apenas e só no campeonato. Na minha opinião, podem ser considerados como candidatos ao título. Podem não ter plantel, treinador nem presidente para isso, mas as surpresas acontecem.

Nota ainda para os dois presidentes. Felizmente temos um que, enquanto convidado, se sabe comportar, enquanto a outra figura menor e ridícula protagonizou um espectáculo digno do que é: um ser menor. Enquanto anfitrião, mostrou-se como desrespeitador e, no fundo, idiota. Tivesse a mesma forma de estar que LFV, que não se exibiu de forma alguma nem quando o Benfica marcou o golo que daria o campeonato, e o futebol em Portugal seria menos mau.

Durante a semana vão ouvir-se vozes que anunciarão o fim do Benfica mágico e goleador. Relembro que anda muita gente nervosa e preocupada com este Benfica. Na Luz, depois do resultado de Goodison Park, seja ele qual for, espero que os benfiquistas dêem uma prova inequívoca da força actual do clube.

P.S. Jorge Sousa eleva para 10 o registo de jogos em que o Benfica não ganhou com uma arbitragem sua, num total de 12 possíveis. É obra. Aguardamos também para saber com quantos jogos de castigo vai ser brindado o nosso avançado Óscar Cardozo. Relembro que daqui a duas jornadas há clássico em Alvalade.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Líder

Num jogo marcado pela polémica criada pelos nossos adversários, o Benfica foi evidentemente mais forte e só não humilhou ainda mais o Nacional da Madeira porque a equipa de arbitragem assim não permitiu. Numa semana em que um erro de Lucílio Baptista num jogo que não dizia respeito ao Benfica exaltou os adversários, numa semana em que António Boronha, no seu blogue, só escreve sobre o Benfica e sugere favorecimentos ao clube da Luz, e onde António Salvador, presidente do SC Braga, já apareceu em público para pré-criticar eventuais e putativas notícias colocadas na comunicação social pelo Benfica, a vitória do SLB assenta que nem uma luva. É o medo que vos falava no post anterior. É a isto mesmo que me refiro...

Este Benfica mete medo. Desta vez a vítima foi o europeu Nacional da Madeira. Sim, europeu. No ano passado o Benfica foi o terceiro classificado da Liga, enquanto os madeirenses foram o quarto. Para além disso, não mudaram de [excelente] treinador e mantiveram jogadores importantes como Bracalli e, sobretudo, Ruben Micael, um jogador que encaixaria perfeitamente no plantel do Benfica, por exemplo. Mas ontem, tudo isso não teve importância. O Benfica foi inequivocamente superior, esmagando o Nacional, num jogo marcado pela péssima arbitragem que, por muita areia que se tente atirar para os olhos, acabou por prejudicar o Benfica.

Mais de 47000 pessoas numa segunda-feira à noite no maior estádio do país testemunharam a subida à liderança. Mas para chegar ao posto que nos pertence, foi tudo menos fácil, pelo menos na primeira parte. O Benfica sentiu algumas dificuldades nos minutos iniciais muito por culpa da "falta de respeito" dos jogadores madeirenses que, apesar dos assobios, não se deixaram intimidar. Pelo contrário. Mas, por bola corrida, o Benfica chegou mesmo ao primeiro golo, num lance desenhado por Aimar, Coentrão, que substituiu Peixoto, lesionado no aquecimento, e concluído por Cardozo, com o pé esquerdo, como é seu estilo. O mote estava dado, mas por momentos a goleada foi colocada em dúvida, num lance que acabou por dar em golo para o Nacional, lance esse irregular. O descontentamento dos adeptos foi crescendo com sucessivas decisões erradas por parte da equipa de arbitragem, que beneficiava o Nacional em todos os lances de dúvida e até nuns que nem dúvida ofereciam. Não tenho a mais pequena dúvida que a arbitragem estava encomendada. Digo-o com todas as letras. E o golo mal anulado a Saviola é prova disso. Foram demasiados erros clamorosos. Mas o segundo golo do Benfica era impossível de anular. Se houvesse dúvida, sei bem qual teria sido a decisão de Vasco Santos.

Após o intervalo o Benfica entrou bem mais forte. Prova disso é o facto de o Nacional não ter feito nenhum remate à baliza no segundo tempo. E o Benfica tratou de matar o jogo com um penalty inexistente, cavado por Pablo Aimar. Cardozo não se fez rogado e apontou o seu décimo golo para a Liga. O massacre continuou, mais uma vez com Coentrão muito irreverente enquanto defesa lateral esquerdo, num lance em que Cardozo complicou para depois descomplicar, servindo Saviola que não falhou.

4 é bom, mas nunca satisfaz Jorge Jesus. Se houver a possibilidade de marcar mais, a ordem é atacar. E assim foi. Patacas foi expulso aos 85 minutos (expulsão essa que peca por tardia, pois já na primeira parte deveria ter sido excluído por falta feia sobre Di Maria) e Nuno Gomes marcou no minuto seguinte, após livre marcado por... David Luiz! Bastam 10 minutos para o capitão marcar. Amado por uns, odiado por outros, o facto é que Nuno Gomes deve ser o melhor avançado português de sempre a sair do banco para marcar. São vários os jogos que me recordo de o ver facturar apesar de começar no banco, não só no Benfica, mas também na selecção. Depois disso, mais um golo de penalty indiscutível sobre Ramires, puxado, agarrado e atropelado por João Aurélio, também ele bem expulso. Cardozo, sempre ele, disparou fortíssimo e fez o sexto.Sim, o sexto. Frente a uma equipa que joga nas provas europeias. O sexto golo poucos dias depois de o Benfica ter dado cinco ao Everton. A grande questão é saber como é possível que Jesus tenha feito o que nenhum outro treinador do passado recente do Benfica conseguiu fazer: pô-los a correr e a jogar à bola, aliando o espectáculo à eficácia. Queremos isto mesmo, não apenas até ao final do mês, mas para sempre. Isto é o Benfica.

P.S. Os famigerados cachecois já estão a chegar a casa dos sócios. Ontem vi o do meu "vizinho" de lugar cativo. São muito originais, bem bonitos e com a letra do hino do clube gravada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Demolidor

Terceira jornada da Liga Europa, competição que, apesar de assumidamente não ser a prioritária, não deixa de ser importante, segunda vitória esclarecedora do Benfica. Um resultado positivo era obrigatório e o Benfica correspondeu (e superou!) às expectativas, goleando os toffees por esmagadores 5-0.

Nestes últimos anos, a estatística tem sido claramente positiva ao Benfica (e às equipas portuguesas, em geral), quando defrontamos equipas britânicas: o SLB já eliminou Arsenal e Liverpool, ganhou ao Manchester, Celtic e agora, Everton. Os blues de Merseyside, sempre apoiados pelos seus fieis adeptos, foram presa fácil para o Benfica, pois apesar de em certas alturas do jogo ter tido bastante posse de bola, nunca se conseguiu aproximar com perigo das nossas redes.

Não esperava tamanha demonstração de força, classe e supremacia do Benfica em campo frente a um Everton que apesar de semi-debilitado, derivado de não jogar com alguns titulares, não deixa de ser uma boa equipa, cheia de bons valores individuais.

Hoje, na Luz, o Benfica foi incontestavelmente superior. Não fez uma exibição de encher o olho, mas foi muito melhor. Alguém se lembra de uma defesa de Júlio César? Eu não. Lembro-me sim de uns 10 minutos de início da 2ª parte, possivelmente os melhores que assisti em provas europeias neste século. Nesse intervalo de tempo, o Benfica marcou três golos e ainda poderia ter marcado mais dois. Di Maria esteve endiabrado, fez a cabeça dos jogadores ingleses em água; Cardozo fez aquilo que melhor sabe, marcar quando pode; Saviola fez um grande jogo, arranjando espaços onde parecia não haver; Amorim cumpriu muito bem este lugar, e apesar de eu gostar do Maxi, penso que o Rúben dá maior segurança defensiva; Luisão foi monstruoso, mostrando mais uma vez que jogos com equipas inglesas, escocesas ou alemãs, são para ele, pois percebe-se que aquele estilo de jogo físico dos adversários assenta-lhe como uma luva.

Apesar de sub-rendimento (relativo) de Ramires e também de Aimar, a vitória nunca esteve em dúvida. Só duas notas menos positivas: a primeira, a apatia após o 4-0, tanto dos jogadores como dos adeptos. Ficou tudo demasiado tranquilo, e aí Jesus deveria ter mexido na equipa; o segundo aspecto foi a tardia em Jesus fazer algumas substituições, especialmente a saída de Aimar, que vai ser fundamental na próxima segunda-feira, e também de Ramires, que estava limitado.

O que interessa é que neste momento o Benfica lidera o grupo com 6 pontos, os mesmos do Everton, com quem joga daqui a duas semanas em Liverpool. Certamente ainda recordados da derrota infligida, o Benfica não pode adormecer nem menosprezar este adversário, como aconteceu, por exemplo, com o Vorskla Poltava, apesar de ser em circunstâncias diferentes. Concentração na segunda-feira, pois no final desse dia poderemos estar no topo da tabela da Liga.

Eis uma embalagem de toffees, um pacote de 5, já fora do prazo (Abril de 2007).

P.S. - Rúben Micael. Já vos tinha falado dele, não?