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domingo, 2 de janeiro de 2011

Começar com o pé direito

O Benfica começou o ano de 2011 com o pé direito ao derrotar o Marítimo na Luz por 2-0 em jogo a contar para a Taça da Liga. Jorge Jesus optou por fazer a chamada rotatividade da equipa principal e colocou alguns jogadores que habitualmente não são parte dos titulares no onze inicial. Num jogo de baixo ritmo, o Benfica revelou-se mais competente e alcança os três primeiro pontos da fase de grupos, que tem de vencer, obrigatoriamente, se quiser passar às meias-finais da prova.

Foi um bom teste com algumas alterações em que os habituais suplentes mostraram que têm estofo para receber uma nova prova de confiança do treinador: Moreira esteve bem, bastante tranquilo, algo que é difícil num guarda-redes que joga apenas ocasionalmente (vide Hildebrand, Kieszek e outros); Airton mostrou-se uma autêntica muralha, deixando a ideia de que lado a lado com Javi Garcia formariam uma excelente dupla para alguns jogos como Lyon, Schalke, Hapoel ou Porto, fora; Sidnei em crescendo de forma, muito mais tranquilo e concentrado hoje que nas anteriores chamadas; Jara também entrou bem e criou alguns lances de perigo, pese embora as infantilidades que ainda comete, qual criança de dez anos que não passa a bola aos amigos; apenas Kardec, que passou ao lado do jogo, e Fábio Faria, que se apresentou numa forma física miserável, algo que não foi surpresa para quem viu o treino aberto desta semana, mostraram sinais negativos.

Mesmo assim, num jogo de baixo ritmo e fraca intensidade, o Benfica só teve de exercer esforços mínimos para levar de vencida o Marítimo. Salvio, a meio do primeiro tempo num remate cruzado em que dá a impressão que Peçanha poderia ter feito mais, deu vantagem, e Saviola, perto do final do primeiro tempo, fez o resultado final ao aparecer no sítio certo na hora certa para desviar com sucesso a bola para o golo.

A vitória deixa o Benfica com 3 pontos, os mesmo do Aves, que é co-líder do grupo. Na próxima jornada, o Benfica recebe a Olhanense e ganhando assegura praticamente o lugar nas meias-finais desta prova. Seguem-se agora três jogos bastante importantes e também difíceis para o campeonato e Taça de Portugal, com Leiria fora, Olhanense em casa (Taça) e Académica fora. É imperativo ganhar todos se quisermos manter a pressão no Porto e o desejo de conquistar a 25ª Taça de Portugal.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O regresso do rolo compressor

Trinta e cinco minutos de altíssimo nível a lembrar os bons tempos da temporada passada serviram como prenda de Natal antecipada para os quase 40.000 adeptos que se deslocaram ao Estádio da Luz num jogo que teve um pouco de tudo: momentos de grande futebol, jogo mais pausado, um golo de cabeça de fora da área, um penalty mal assinalado e uma expulsão hitchkockiana com maozinha do Mourinho da Reboleira.

Com a indisposição de Carlos Martins, Salvio saltou do banco para o onze titular naquele que foi um excelente golpe de asa de Jorge Jesus, mal saberia ele que três dos quatro argentinos fariam uma belíssima exibição. O Benfica entrou fortíssimo no jogo e em apenas oito minutos introduziu a bola dentro da baliza de Paulo Santos por três ocasiões, dois golos de Aimar e Saviola e ainda um lance bem anulado ao camisola "30" encarnado. E ao contrário do que vem sucedendo esta época, a equipa soube manter o ritmo de elevada rotatividade, demolindo o Rio Ave e empurrando o seu adversário para a sua área. O Benfica dominava a seu bel-prazer. Mas uma desconcentração bem perto do intervalo permitiu que um extremo vila-condense escapasse a Javi Garcia pelo corredor esquerdo e servisse, para trás, o mais letal dos avançados portugueses no activo, João Tomás, provavelmente um dos jogadores mais subvalorizados em Portugal da sua geração.

No segundo tempo o Benfica voltou a demonstrar a mesma iniciativa que evidenciara no primeiro tempo, mas sem as mesma segurança defensiva. As sucessivas paragens cerebrais de Sidnei podiam ter comprometido seriamente o objectivo encarnado, mas em tarde inspirada dos argentinos titulares nada poderia parar o Benfica. Foi numa grande arrancada de Salvio pelo corredor direito que surgiu o terceiro golo encarnado, com "Toto" a servir "El Conejo" que soube esperar no local certo por um passe mortífero e encostou com classe para o terceiro. O jogo parecia resolvido, mas a toada vermelha continuou e dez minutos depois, num cruzamento de outro argentino que ainda não foi referido neste texto, Nico Gaitán, Salvio apareceu novamente para cabecear vitorioso fazendo o golo da total tranquilidade, assegurando a vitória encarnada, apesar de não se saber por quanto.

Mas quando tudo estava tranquilo eis que o árbitro resolve inventar um penalty. Claro, estamos a falar de Hugo Miguel, juiz de Lisboa que não consegue realizar um jogo sem apitar um penalty, exista ou não. E este não existiu, por dois motivos: primeiro, o jogador que recebe a bola aproveita a posição irregular em que estava para cruzar, e em segundo, se repararem bem nas imagens, o corte de Coentrão é com a região das costelas, não com o braço. Se dúvidas houvesse, Jorge Coroado diz que é penalty, o que prova que não é penalty. João Tomás não se fez rogado e apontou o seu nono golo da Liga. Mas o Benfica voltou à carga e três minutos depois na sequência de um livre lateral é Salvio quem aponta o quinto golo num chapéu de cabeça, ainda de fora de área, após um corte da defesa de Vila do Conde.

5-2 é um resultado volumoso mas nem por isso exagerado. As grandes exibições de Saviola (finalmente!), David Luiz (a subir de forma progressivamente) e Salvio contrastaram com o apagamento de Cardozo, que passou completamente ao lado do jogo, e de Sidnei, que para além de passar ao lado do jogo dá sinais preocupantes de que quer passar ao lado de uma boa carreira. Juízo, rapaz!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um Benfica à Benfica (finalmente!)

Um Benfica à Benfica, como poucas vezes se viu esta época, venceu na Luz o Sporting de Braga em jogo a contar para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal. E quando o Benfica joga à Benfica, tudo se torna mais fácil. Quando a abordagem ao jogo é feita de modo sério e profissional não há adversário, em Portugal, que resista. Assim foi. O Benfica venceu porque foi "o" Benfica.

Contra um Braga bastante desfalcado devido às ausências de Moisés, Miguel Garcia e Mossoró, entre outros, o Benfica apresentou-se com Júlio César na baliza, ele que foi a principal novidade, mas também com Carlos Martins descaído sobre a zona direita do meio-campo no lugar de Amorim, ele que vinha sendo titular com bastante regularidade desde que regressou da lesão.

O Benfica entrou forte no jogo e criou na primeira parte uma mão cheia de oportunidades. Primeiro Martins num chapéu a Artur Moraes, depois Maxi num remate por cima da barra e a seguir Luisão num remate de pé direito para boa intervenção do guarda-redes bracarense, sendo que, na sequência desse lance, o capitão encarnado acabou por sair lesionado com dores numa coxa, algo que pode levá-lo a parar algumas semanas. O Braga respondeu num lance por Paulo César, que rematou às malhas laterais da baliza de Júlio César, mas o Benfica marcou no lance seguinte, na sequência de um lançamento de Maxi, Javi Garcia desvia ao primeiro poste onde aparece Javier Saviola como só ele sabe para fazer o remate vitorioso. Saviola marcava assim o primeiro golo do jogo, ele que tinha feito até aqui um jogo paupérrimo, exibição essa que se arrastaria até final num nível medíocre.

No segundo tempo o Benfica manteve a toada ofensiva, continuando a falhar golos incríveis. Saviola prosseguiu o festival de desperdício, o próprio Cardozo também contribuiu ao falhar o golo em cima da linha de baliza na sequência de um canto, os contra-ataques em clara superioridade numérica sucediam-se e nem assim o Benfica conseguia marcar o golo da tranquilidade. E acabou por ser o Braga a causar o pânico na área encarnada (ou "laranja", se preferirem), num canto de Hugo Viana com defesa de altíssimo grau de dificuldade por parte do guardião Júlio César, que mostrou toda a sua qualidade uma vez mais. E já na parte final do encontro, no período de compensação, novo contra-ataque do Benfica com Salvio (ele que entrou no segundo tempo e conseguiu dar mais velocidade e acutilância à asa direita do Benfica) a conduzi-lo e a atirar ao poste, e na sequência da defesa do guarda-redes do Braga a remate de Amorim, é Aimar de cabeça quem marcou o golo da vitória, do descanso e da tranquilidade. 2-0, estava feito, o Benfica passava à eliminatória seguinte.

Exibição convincente e vitória justificadíssima perante um adversário que levou perigo à nossa baliza por apenas duas ocasiões em 90 minutos, manifestamente pouco para um vice-campeão. O Benfica segue em frente e defrontará na Luz a Olhanense, em data ainda a definir, sendo que se passar chegará, aí sim, aos quartos-de-final, algo que ocorreu por apenas uma vez nos últimos quatro anos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Regresso de Franguetto

Eu sabia que Moretto seria útil ao Benfica. Só não sabia quando. Um dos piores guarda-redes que passou pela baliza do nosso clube acabou por nos ser extremamente útil, finalmente, ao contribuir de forma simpática para a vitória do Benfica. Numa sexta-feira à noite gelada e com menos de 26 mil adeptos nas bancadas (pois, também deve ser o boicote), o Benfica fez o possível para vencer a equipa de Olhão, jogou aquilo que o seu adversário deixou jogar devido ao autocarro de dois pisos colocado à frente do galinheiro de Moretto e jogou aquilo que o árbitro, numa exibição ridícula, deixou. Três pontos que permitem uma margem folgada sobre o Vitória (seis pontos) e que reduzem a distância para o Porto (cinco pontos), ainda que à condição. Resta acender umas velinhas para que ambos percam pontos.

Entrada com o pé direito no mês de Dezembro, mês em que o Benfica jogará apenas na Luz. Será um ciclo de, esperemos, cinco partidas consecutivas em casa (Olhanense, Schalke, Braga, Rio Ave e Marítimo, com este último a realizar-se já em Janeiro) com a obrigação de vencer todas. E para isso o Benfica terá de apresentar uma melhor qualidade de jogo, pois o que vimos na Luz contra o Olhanense não chega. O Benfica realizou um jogo parco em ideias e com alguns jogadores a demonstrarem menos inspiração que noutros jogos desta época, caso nítido de Coentrão, com a atenuante de o jovem nem ter tido direito a férias que permitissem descansar. Por isso, durante toda a primeira parte, sempre que a equipa não encontrava soluções de jogo, lá tinha de ser o velho a pegar na batuta e a arranjar espaços, criar oportunidades e levar a equipa às costas. É o jogador em melhor forma e o mais esclarecido em campo.

Primeiro tempo muito fraquinho por culpa de um Benfica sem inspiração, de um Olhanense sem vontade de fazer outra coisa que não defender o 0-0 e de um árbitro que esteve na Luz com a intenção clara de esticar a paciência dos benfiquistas até ao limite não assinalando livres à entrada da área, inventando faltas perto da baliza de Roberto e mais uma data de disparates. Se eu não conhecesse o futebol português diria que era incompetência, mas não é. E fruto das várias oportunidades criadas por Marco Ferreira, foi mesmo a equipa de Olhão que esteve muito perto do golo por três ocasiões, a primeira num livre lateral (quem diria...) em que um jogador de branco aparece sozinho (quem diria...) cara-a-cara com Roberto, com o espanhol a mostrar-se gigantesco e a cobrir bem a baliza evitando um golo quase certo. Mérito para o nosso guardião, mas demérito também para o jogador do Olhanense. As outras duas num remate de fora da área com defesa segura de Roberto e ainda num livre à entrada da área de Jorge Gonçalves com o redes espanhol a mostrar-se atento e a defender para canto. O Benfica ia respondendo a espaços, num canto em que David Luiz e Saviola ainda devem estar a tentar perceber como foi possível falhar aquele lance só com a baliza pela frente, mas também por Cardozo, duas vezes, uma para as mãos de Moretto e outra por cima da barra. E como à terceira é de vez, Cardozo disse sim a uma cruzamento de Maxi, vindo da direita, cabeceou a bola e Moretto fez o resto, introduzindo-a na própria baliza. 1-0 perto do intervalo, Cardozo igualava o número de tentos de Mats Magnusson.

Se o primeiro tempo já tinha sido mau, o segundo foi péssimo. Tanto jogadores como árbitros pareciam ter fumado algo mesmo forte para ficarem de tal modo afectados que nada saiu bem a ninguém. Um quis imitar Felipe Menezes e entrou em campo com a camisola de outro colega e inclusivamente dois jogadores do Olhanense protagonizaram o momento "Fail do ano" ao festejarem um golo (bem) anulado mesmo depois de o Benfica ter reiniciado jogo e ter chegado perto da baliza de Moretto.

O jogo foi absolutamente desinteressante e nem com as substituições operadas por Jesus o Benfica melhorou grande coisa. Os únicos momentos dignos de registo acabam por ser uma bola de Cardozo ao poste e o golo de Saviola, que surgiu aos 81 minutos na sequência de um canto de Martins desviado ao primeiro poste por David Luiz, com o rato Saviola a aparecer nas costas da defesa ao segundo poste, como sempre faz. 2-0, vitória justa mas com alguns sobressaltos num jogo fraco de ambas as equipas, numa noite gelada no Estádio da Luz.

Destaques positivos para Saviola, a iniciar bem esta temporada de inverno, mas também para Luisão, já uma constante deste últimos jogos, e David Luiz, muito mais próximo do camisola "23" da época passada. Os piores? Sem dúvida Gaitán, que tarda em mostrar a qualidade que realmente tem, tendo feito mais uma exibição vergonhosamente miserável, e também Javi Garcia, feito gato-sapato pela equipa de Olhão, por culpa própria mas também por falta de ajuda a defender. Melhores dias virão. Essencialmente se com esses dias vier... Elias.

domingo, 28 de novembro de 2010

O Cardozão voltou

O Benfica saiu de Aveiro com uma vitória que teve tanto de importante como de merecida. Num jogo de sentido praticamente único, o Benfica conseguiu três importantes pontos que o deixam com três de vantagem sobre o Vitória e cinco sobre o Sporting na luta directa pelo segundo lugar. Título? Não acredito, os oito pontos que nos separam do Porto parecem-me irrecuperáveis atendendo às carências da nossa equipa e à força da deles. Nem quero imaginar o que teria sido se o Benfica não tivesse garantido a vitória hoje, o cataclismo que seria e onde estaria Jorge Jesus a esta hora. Felizmente correu tudo pelo melhor. E muito graças àquele "tosco" chamado Cardozo. Que lufada de ar fresco! Mas não se deixem enganar pelo resultado, o Benfica voltou a revelar carências visíveis durante os 90 minutos.

Com mais de 15.000 nas bancadas, ficou uma vez mais provado que os adeptos do Benfica estão com a sua equipa mesmo nos piores momentos, mesmo após humilhantes derrotas como a do Dragão ou a de Tel-aviv. E estar a apoiar os jogadores num momento extremamente difícil como este é muito mais importante que qualquer boicotezeco. Tenho pena, mas não me surpreende, que as altas esferas do Benfica não percebam isso, afinal de contas nunca devem ter tocado numa bola de futebol e não fazem ideia de quão importante é sentir o apoio dos adeptos num momento difícil como este. Mas é assim o futebol.

O Benfica entrou forte no jogo e deixou bem claro que queria o Beira-Mar encostado às cordas. Ataques sucessivos pelo centro, esquerda e direita com o perigo a rondar a baliza de Rui Rego. Saviola, ainda antes do quarto de hora, enviou a bola à barra e depois foi Luisão a cabecear para defesa difícil do guardião aveirense, com a bola a ressaltar para o braço de um defesa da equipa da casa, que aproveitou-se para impedir que esta sobrasse para um jogador encarnado. Penalty nítido, mais um, que ficou por assinalar. Nada de novo, portanto.

Até final da primeira parte foi ver o Benfica mais perigoso que o Beira-Mar, nomeadamente graças a Carlos Martins, muito inspirado, a confirmar o excelente momento que atravessa desde o início da época e a colocar mais pontos de interrogação acerca da sua não utilização em Israel. No entanto os aveirenses equilibraram um pouco a partida e chegaram a criar algumas situações de aflição, nomeadamente em lances de contra-ataque em que galgavam 40 metros sem oposição encarnada, revelando a deficiente transição ataque-defesa do Benfica. Felizmente, quando o jogo já caminhava para o intervalo, Cardozo foi puxado dentro da área por Kanu na marcação de um pontapé de canto. Bruno Paixão, muito atento, apontou e bem para a marca de grande penalidade. Chamado à marcação, Cardozo não perdoou e fez o primeiro golo da partida no seu regresso depois de quase dois meses parado. O Benfica seguia para o intervalo em vantagem.

No primeiro quarto de hora do segundo tempo houve perigo a rodos perto de ambas as balizas. Na aveirense foi Cardozo a chegar atrasado ao cruzamento de Amorim e depois Coentrão a deixar-se antecipar por Pedro Moreira quando tinha apenas o guarda-redes pela frente. Na do Benfica foi Roberto a defender perdida escandalosa de Ronny, o famoso avançado que marcou um golo em Alvalade com a mão, e depois o mesmo Ronny a acertar na base do poste de Roberto após desmarcação onde David Luiz fez de Edcarlos tal a forma indecente como perde o lance. E foi neste ritmo elevado e de qualidade para a nossa Liga que surgiu novamente o homem-golo do Benfica, Óscar Cardozo, que conseguiu chegar a uma bola sobre a ala direita, esperou pelo colega que arrastou o defesa na sua marcação e, com espaço, disparou em jeito mesmo ao canto da baliza, sem hipóteses de defesa. 0-2 no marcador, Cardozo tinha voltado e a vitória tranquila estava aí à porta.

E praticamente a seguir ao segundo veio o terceiro, com Cardozo novamente em excelente plano a dar um nó fantástico a esse grande central chamado Hugo, tão elogiado ontem à noite, e a servir Saviola que só teve de encostar para marcar o terceiro da noite, seu segundo apenas nesta Liga. Tudo mais fácil. A partir deste momento, com o jogo no bolso, o Benfica só tinha de gerir o esforço e assim o fez: saíram Cardozo, Martins e Saviola para as entradas respectivas de Kardec, Salvio e Jara, por esta ordem. Mas, já perto do final do jogo, eis que o Benfica sofre o golinho da praxe. Adivinham em que tipo de lance? Bola parada, pois claro. Mas está tudo bem, Pavlov ensinou alguns adeptos a abanar a cabeça compulsivamente para cima e para baixo apesar de serem visíveis as falhas e défices desta defesa à zona. Mais um para juntar à lista. Depois do golo sofrido eis que o Benfica entra em modo de auto-destruição e começa a deitar por terra tudo o que fez de positivo durante os 88 minutos até então jogados. Erros em catadupa, incapacidade em segurar a bola (mas isso era pedir muito ao Bergessio, perdão, Jara), espaços abertos na defesa, enfim, uma sucessão de erros primários impressionante. Felizmente, por falta de engenho adversário, o Beira-Mar não soube aproveitar-se disto e o Benfica saiu de Aveiro com os três pontos numa vitória justa e limpa, numa exibição próxima daquelas exibidas fora de casa na época passada.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ele é o Benfica

O que é preciso para ser jogador do Benfica? Qualidade, acima de tudo, competência e muito profissionalismo. Ser atleta do Sport Lisboa e Benfica é um trabalho exigente, é carregar nos ombros o querer de vitória de milhões de pessoas. Aquele passe, aquela finta, aquele remate não são apenas apenas um passe, uma finta ou um remate, mais que isso, são a expressão em campo do sentimento e esperanças do povo encarnado. E por vezes as coisas não saem bem, erra-se, falha-se. E o que se faz perante isto? Desistir? Desistir é para os fracos! Sofrem-se injustiças por parte dos adeptos, ouvem-se "bocas foleiras", assobios, o treinador deixa-nos injustamente de fora, quem sabe se com a nítida intenção de o mandar embora, deixa-se de valorizar e reconhecer a inteligência, astúcia e arte de um futebolista talentoso. E eis que um dia sobram uns míseros 5 minutinhos, depois de mais de uma hora a aquecer, para entrar para ouvir uns aplausos. O que faz um atleta do Benfica? Corre, sprinta, luta por cada bola como se fosse a última da carreira. Foi isso que atleta à Benfica fez. Não teve medo de ser feliz. E ao lutar por uma bola perdida, foi feliz, teve a sorte que protege os audazes. Ganhou o lance e em esforço chutou à baliza. A bola entrou lentamente, e o jogador soltou a raiva e desespero acumuladas ao longo dos meses em que foi preterido. Ergueu os braços, agradeceu ao pai e chorou. É este O Jogador à Benfica, este é O Capitão à Benfica, um ídolo para todos. Dos momentos mais bonitos que vi ultimamente, e o Nuno merece-o, se há jogador que dignificou e honrou a camisola e símbolo que orgulhosamente leva aos quatro cantos do mundo, esse jogador é o "21". Muito, muito obrigado Nuno Gomes.

Os jogadores do Benfica entraram em campo sem saber o que esperar dos seus adeptos: se por um lado sabem que são fiéis, por outro lado sabem que a goleada no Dragão deixou marcas. No entanto, os mais de 30.000 que marcaram presença na Luz souberam "tratar" de um conjunto de jogadores com várias feridas expostas. Apesar de algum nervosismo inicial com perdas de bola disparatadas e falta de assertividade no processo defensivo, com Sidnei e David Luiz a perderem lances que não deveriam, em qualquer situação, perder, a Naval não constituiu perigo continuado durante a primeira parte e o Benfica pôde, com relativa facilidade, assumir o jogo. Kardec abriu o marcador à passagem do nono minuto após assistência de Javier Saviola e a partir daí, sem a hipotética pressão do autocarro figueirense, tudo foi mais fácil. Mas mais fácil não significa fácil, significa sim menos difícil. Porque mesmo sem assumir o jogo, a Naval provocou vários calafrios à defensiva do Benfica. Airton é uma máquina, o lance em que ele mete o pé ou o corpo é dele. Que cavalo! Que força! Mas defender sozinho no meio-campo é difícil, especialmente quando se criam auto-estradas sem portagens para a Naval circular a seu bel-prazer. Fábio Júnior testou Roberto numa jogada individual, Hugo Machado acertou em cheio no poste e Carlitos imitou-o minutos depois. Três ocasiões soberanas não aproveitadas. E se alguma delas tivesse sido, provavelmente o curso do jogo seria outro. Felizmente não foi.

Um minuto apenas foi o que bastou para as nuvens deixadas no final do primeiro tempo desaparecerem. Após jogada de insistência, Nico Gaitán remata um bola difícil com força e colocação fazendo um golo de bandeira. 2-0, navio ao fundo, fim da batalha Naval. O Benfica sentia-se mais à vontade em campo e até ao terceiro golo foi apenas uma questão de minutos. Novamente Salvio na jogada a cruzar do lado direito e, quem mais, Nico Gaitán a aparecer e de primeira a fazer um golo daqueles que nem na PlayStation se fazem, rematando ao ângulo, sem hipóteses para Salin. 3-0, tranquilo, vitória no bolso e tempo para gerir.

O resto da história já vocês sabem.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Goleada pela margem mínima

Sentimentos distintos aqueles que se viveram na Luz, esta noite. Se por um lado a vitória é sempre uma vitória, e bem precisávamos desta, ficou a sensação de que o Benfica poderia ter partido para um resultado histórico mas acabou o jogo com as calças nas mãos. Mérito do Lyon, também, demérito do Benfica em boa parte, e erros inacreditáveis de uma arbitragem muito francesa, a relembrar a de Damir Skomina no ano passado em Marselha. Um jogo que ficou marcado por mais dois golos sofridos em lances de bola parada e mais um frango com molho à espanhola. E aqueles que pensam que estou a rir por ter razão, desenganem-se, pois como já alertei esta situação não tem graça nenhuma.

Quando o Benfica jogou em Lyon disse que a nossa equipa não tinha estofo europeu. Mantenho-o. O estofo europeu ganha-se com continuidade de resultados e exibições consistentes. Mas como referi, nem foi uma questão de ter perdido contra o Lyon, equipa respeitável e superior ao Benfica, que me fez afirmar tal frase polémica: foi a atitude. É preciso ter uma atitude diferente. É preciso ter a atitude evidenciada nos primeiros 75 minutos de jogo.

O Lyon, nesta década que agora termina, viveu o melhor período da sua história, conquistou sete campeonatos consecutivos e mantém-se sempre no top-3 de um campeonato estranhíssimo como o francês. São regulares e a tal continuidade de vitórias permitiu-lhe ganhar esse estatuto de "clube de Champions", é hoje um clube com estofo. O que começou com Coupet, Carrière e Sonny Anderson teve continuidade com Abidal, Essien, Juninho, Malouda e Élber e apresenta agora Lloris, Bastos, Gourcuff e Lisandro. Provavelmente não serão tão fortes quanto o Lyon de há cinco anos, mas têm ainda uma fortíssima presença europeia alcançado no ano passado o seu melhor registo de sempre, as meias-finais. E por isto, vencer o Lyon em casa, qualquer que fosse o resultado, era muitíssimo bom. E é por isto que a vitória alcançada me deixa extremamente feliz e contente com o desempenho da equipa, tivesse sido a vitória por 1-0, 4-0 ou 4-3. Estamos a falar do mesmo grupo de jogadores que no ano passado foi ganhar ao dream-team do Santiago Bernabéu.

Não tendo o Benfica feito uma exibição completamente fabulosa, o resultado surgiu naturalmente como consequência de méritos nossos, como as bolas paradas ofensivas e os contra-ataques letais, e deméritos do adversário, nomeadamente o facto de dois pontapés de canto deles terem terminado em golo do Benfica. Foram setenta e cinco minutos à Benfica: foi um Fábio Coentrão mágico, actualmente um dos melhores defesas-esquerdos e médios-esquerdos do mundo simultaneamente, pois durante os jogos ele é tudo isso e muito mais; foi um Carlos Martins a fazer quatro, sim, quatro assistências, algo só conseguido na Liga dos Campeões por um outro senhor jogador do futebol mundial chamado Rui Costa; foi um Luisão patrão, chefe, director e presidente, tudo isso, imperial uma vez mais; foi um Kardec (nome muito pouco apreciado em França) matreiro e certeiro. Até o Peixoto, com todas as suas limitações, mas também com a sua classe, fez um jogo positivo apesar daquele pontapé na atmosfera. Foi um dia sim do Benfica.

E o que se passou nos últimos 15 minutos? Comecei por me lembrar do Angola-Mali: um, dois, três... uf, acabou. Não me chocava nem transtornava que o Benfica sofresse um ou mais golos até final da partida. Não seria surpreendente, é o Lyon. Surpreendente foi ter marcado quatro! Quantas vezes é que os franceses sofreram tantos golos como ontem na Luz? Não me lembro. E por que razão sofremos estes três golos? A primeira ideia que nos vem à cabeça parece lógica: as substituições. Foi visível que a cabeça de Jesus estava já no Dragão (como já estava no fim do jogo com o Paços) e o nosso treinador apostou em Weldon, Jara e Menezes. Todos eles entraram de forma negativa no jogo, uns piores que outros. E a culpa foi deles. Foi? Em quê? Não vi, não sei. Que influência tiveram eles? Que erros comprometedores cometeram? Não vi nada disso nem penso que a culpa se encontre por aí. Podem dizer que metendo Nuno Gomes e Airton em campo as coisas seriam diferentes. Concordo, acho mesmo que seriam, não acredito que sofrêssemos três golos. São jogadores mais tarimbados, mais tranquilos e mais inteligentes, no fundo, melhores. Mas não foram os seus colegas que comprometeram. Quem falhou então?

O Lyon chega ao primeiro golo com mérito, há uma boa jogada do lado direito e após o cruzamento Gourcuff remata sem hipóteses para Roberto. Coentrão não conseguiu o corte naquela que foi a sua primeira e única falha no jogo todo. Culpa dele? Não, claro que não, há mérito da equipa francesa. No segundo golo o canto é muito bem marcado e apesar de termos sofrido não significa que tenha sido por culpa da forma de defender. No entanto sofremos mesmo. De quem é a culpa? A bola passa por uma série de jogadores e Peixoto é o último a ficar mal na fotografia. Culpa dele? Não acho, vejam outra vez o lance e, a meu ver, é muito mais o mérito dos franceses que demérito nosso. E no terceiro lance? Há efectivamente uma falha de Roberto, facto. Aqui o demérito é nosso. Mérito na forma como o Lyon chega ao resultado final também tem o árbitro e o fiscal-de-linha com um punhado de decisões, nos minutos finais, que fizeram corar de vergonha Olegário Benquerença. Seria de esperar outra coisa quando o actual presidente da UEFA, por sinal francês, absolveu o clube corrupto cá do burgo e fez a sua carreira no meio de vilões da "vecchia signora"?

O que mais me chateia é o facto de o Benfica ter sofrido, até ao momento, 3 golos que não deveria, sob circunstância alguma, ter sofrido. E espero estar enganado, mas estes golos ainda podem vir a fazer uma diferença fundamental até ao fim desta fase de qualificação para os oitavos. Vamos ver. O que sei é que estou muito contente com a vitória. Em tempos de austeridade (a todos os níveis), os objectivos têm de ser cumpridos mesmo que sejam difíceis. o primeiro era vencer o Lyon. Feito. O próximo passa por não perder no Dragão. Vamos a eles.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sofrer à Quique

Custou mais foi. Sob a batuta de Pablo Aimar, elemento mais esclarecido da equipa, o Benfica somou a quinta vitória consecutiva na Liga numa exibição que teve altos e baixos que levaram os adeptos na Luz a um desespero nunca antes visto na Era Jesus. Fez lembrar os tempos de futebol aos repelões e de sofrimento total com Quique Flores tal a falta de controlo sobre o jogo entre os minutos 15 e 60. No final, valeu pela vitória, pelos 3 pontos e por Aimar, Coentrão e Roberto. Se dúvidas houvesse ficou novamente provado que ainda há um longo caminho a percorrer, há mesmo "muito frango para virar".

O Benfica não entrou mal no jogo, pelo contrário, viu-se que havia determinação em chegar à vitória logo a partir do primeiro minuto. E o primeiro quarto de hora, sem ser demolidor, longe disso muito por culpa do Paços que também se mostrou, revelou bom entendimento entre os jogadores e uma mão cheia de oportunidades. Depois de algumas ameaças mais tímidas, Saviola foi o primeiro a dar o aviso ao aparecer isolado cara-a-cara com o guarda-redes Cássio e a rematar contra o corpo do brasileiro que saiu lesto da baliza para fazer a mancha quase à saída da área. No minuto seguinte o pequeno argentino enviou a bola à barra naquilo que mais me pareceu uma tentativa de passe para Aimar que um remate. E no minuto imediatamente a seguir Aimar recebe a bola de Luisão ainda no meio campo benfiquista e, perante a fraca oposição pacense, galga sessenta metros por entre "amarelos", finta três e desvia o quarto ao pé-coxinho e remata colocado para o canto inferior esquerdo da baliza. Até parece fácil, o futebol, quando existe um jogador com uma condução de bola simplesmente perfeita. Enorme golo de Pablito Aimar que confirma o excelente momento de forma que vive na Luz, provavelmente o melhor dos últimos 5 anos da sua carreira, melhor até do que em 2009/2010.

Na frente, o Benfica continuou a pressionar por alguns minutos seguindo-se novo festival de oportunidades falhadas: Saviola acerta no corpo de Maykon, Javi remata para defesa de Cássio e Coentrão atira para fora, era a melhor fase do Benfica no jogo. E a partir do minuto 22, o Benfica entrou em fim-de-semana prolongado. O jogo foi perdendo interesse e o Benfica entregou as despesas de jogo à equipa da capital do móvel que conseguiu incomodar Roberto por mais que uma vez. A chuva voltara, o Paços tinha o jogo controlado e os erros sucediam-se por parte dos nossos jogadores, com especial destaque para Peixoto (meu Deus, que mal...) e Gaitán, este último que se vê a milhas que vai dar jogador mas que toma decisões tão despropositadas e ridículas que deixam qualquer adepto com os nervos em franja. E no tribunal da Luz, nenhum deles foi poupado, ouvindo-se bastantes assobios. Nos últimos cinco minutos do primeiro tempo, Roberto foi chamado a intervir por duas vezes, ambas de real perigo, e ainda viu duas outras bolas passarem perto ou levarem perigo.

Esperava-se melhor segunda parte, pelo menos melhor do que o final da primeira, no entanto o Benfica reentrou com a mesma atitude frouxa com que tinha saído. Os erros sucediam-se, a baliza de Cássio era uma miragem e o público estava cada vez mais impaciente, o ambiente na Luz estava longe de ser o melhor. Face à inoperância que a equipa revelava, Jorge Jesus resolveu retirar César Peixoto para colocar Salvio, recuando Fábio Coentrão para defesa esquerdo. E no minuto seguinte devido a uma falta existente de Cohene sobre Coentrão, o árbitro assinalou a devida grande penalidade. Chamado à marcação, Alan Kardec não vacilou e atirou para o segundo golo, estava feito o resultado que dava maior tranquilidade ao Benfica.

Até final, o Benfica passou a ter mais bola e a criar mais perigo também porque o Paços passou a atacar mais desorganizado, deixando mais (es)paços. Salvio foi uma lufada de ar fresco no ataque encarnado, e os objectivos restantes, como referiu Jesus, foram cumpridos, com especial destaque para a folha disciplinar limpa que faz com que todos estejam disponíveis para o Dragão. Vimos ainda os nossos "meninos" Nélson Oliveira e David Simão serem efusivamente aplaudidos pelos adeptos numa demonstração de que, mesmo longe de casa, continuam (e penso que esperamos que estes dois continuem) a sentir esta como a sua casa.

Destaques positivos para Aimar, Coentrão e Roberto. O argentino porque marcou um golo fabuloso mas também devido à forma como consegue atacar, defender, dirigir, pressionar, parece ser o nº10 e o trinco simultaneamente, está num dos melhores momentos da carreira. O português porque foi novamente o abre-latas, foi médio, defesa, avançado, fez o corredor praticamente sozinho por necessidade de uma equipa amputada em dois locais (zona "20" e zona "25") sempre em alta-rotação. O espanhol porque, mesmo não fazendo um daqueles jogos em que "deu" pontos com defesas sobrenaturais, fez uma grande exibição repleta de segurança e de boas intervenções, nomeadamente todas aquelas em que conseguiu segurar a bola à primeira, algon que não via na baliza encarnada desde Robert Enke. E amanhã terá direito a post.

Vitória justa, a quinta consecutiva sem sofrer golos na Liga, mas sem brilho. No entanto os 3 pontos são mesmo o mais importante. E a uma semana da deslocação mais complicada da época, mesmo sem grandes jogos, os resultados vão aparecendo, o que é positivo.

P.S. Não foi fácil encontrar net fora de casa, daí a crónica só ter saído hoje. As minhas desculpas a quem esperou por lê-la.

domingo, 24 de outubro de 2010

"Desculpa Vieira, mas tive de vir"

Eu não, mas muitos dos quase 15.000 que foram ao Estádio do Algarve têm razão para emitirem esta frase. Num momento em que o Benfica precisa da ajuda dos adeptos, é de saudar todos aqueles que, com maior ou menor esforço, fazem muitos quilómetros para se deslocaram num domingo à noite a Faro para assistir a um jogo de futebol. A eles, o meu, e por ventura o do Dr. Bagão Félix, muito obrigado.

E não foi por o jogo ser no Estádio do Algarve que o treinador do Portimonense, Litos, se indignou desta vez. Quem diria que a antiga e, se calhar, ainda eterna promessa leonina não levantaria a voz qual vítima de indignação por ter 25% do orçamento anual pago. Ele há coisas...

O Benfica tinha uma oportunidade de ouro para se isolar no segundo posto mas o Portimonense, pejado de jovens jogadores, queria fazer boa figura à semelhança do que se passou com os vizinhos de Olhão no ano passado. No entanto, e apesar de não ter visto toda a primeira parte, o Benfica superiorizou-se aos algarvios tendo criado boas oportunidades, duas de David Luiz, num remate de meia distância e num cabeceamento ao primeiro poste, uma de Saviola e outra de Luisão, com o guardião Ventura em bom plano nos quatro momentos. O Portimonense criou pouco perigo, apenas num lance, imagine-se, de bola parada, com o avançado a aparecer sozinho para cabecear.

No segundo tempo o Benfica entrou a matar e logo ao quarto minuto Javi Garcia tem uma movimentação perfeita num lance de bola parada e cabeceia uma bola com selo de golo. 1-0, o Benfica estava na frente. E seguiu a avalanche ofensiva com Kardec, no minuto seguinte, a cabecear sozinho a pouco mais de 4 metros da linha de baliza, e a falhar, mostrando que, afinal de contas, não é assim tão fácil apenas "empurrar para a baliza". O Benfica pressionava mas o Portimonense não tinha desaparecido do jogo e proporcionou a Roberto uma óptima intervenção, daquelas que são precisas e necessárias num jogo teoricamente mais simples.

No que restou do jogo, Jesus teve tempo de colocar dois monos a jogar, Menezes o acelera, um jogador que em 16 meses não evoluiu absolutamente nada, nem sequer é previsível que evolua, de uma lentidão de processos genial, nem Chano conseguiria (o Chano actual, com quase 50 anos) e ainda Jara, o único jogador com meio cérebro no plantel, ainda não percebeu o que é o futebol em Portugal ou na Europa, um autêntico "puto" a quem apetece chegar ali, puxa-lo pelas orelhas e mandar dois tabefes (nem foi pelo golo falhado, isso acontece aos melhores e aos piores, mas mais frequentemente aos segundos, lembrem-se disso).

O Portimonense cresceu e sem criar grande perigo, criou suores frios a muito boa gente (eu, por exemplo) sempre que fazia a transição defesa-ataque em velocidade, contra a fraca transição oposta do Benfica, algo que venho aqui dizendo várias vezes. E em lances de bola parada era um treme-treme aflitivo, como já referi "n" vezes. Curioso que, nos últimos minutos, com a entrada de Airton em campo, a turma de Portimão não cheirou a baliza nem por um momento, não houve um segundo de aflição. Curioso, não? Acho que também já tinha falado nisso.

O Benfica, com esta vitória justa, coloca-se isolado no segundo lugar, a apenas quatro pontos do Porto, apesar de os dragões terem ainda menos um jogo. Se me dessem um papel, há quatro jornadas, para eu assinar e onde dissessem o que acabei de escrever, assinaria de imediato. Em termos de Liga, está tudo a correr pelo melhor, dentro do que era possível. E com alguma sorte, poderemos chegar ao Dragão a morder os calcanhares ao líder. Quem sabe, quem sabe...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Este Benfica não tem estofo europeu


Se é muito sensível não leia este post. Se ainda acha que o Benfica perdeu por azar ou porque Gaitán foi expulso, esqueça, o melhor é parar por aqui pois vamo-nos zangar. Da próxima vez, caro adepto, quando cair, não o faça com o traseiro, pois até domingo vai ser difícil conseguir sentar-se com as dores que vai ter. É que esta bipolaridade de "vamos ganhar ao Lyon, não é nada de extraordinário, quem acha o contrário é um borrado", etc, irrita-me de tão idiota que é. Agora, duas notas muito importantes:

Aos jogadores, técnicos e dirigentes: era óbvio que isto iria ocorrer, estava escrito com letras maiúsculas nas vossas testas. Mas em vez de olharem uns para os outros, não, preferiram olhar para o céu e andaram (ainda andam?) com a cabeça nas nuvens, carregados de ilusões. Saiu quem equilibrava (Ramires) e quem desequilibrava (Di Maria) e, pior que não virem reforços no verdadeiro sentido da palavra, nem sequer vieram alternativas a curto-prazo. Há ali matéria prima que pode e deve ser trabalhada, mas o futebol do Benfica não pode ser pensado apenas a longo-prazo senão arriscamo-nos a que ganhemos apenas um campeonato a cada cinco anos. Um exemplo é a formação de Di Maria: uma primeira época medonha, uma segunda medíocre e uma terceira fenomenal. O que acontece? Sai logo no final da terceira, é impossível mante-lo depois disso pois há equipas na Europa com argumentos financeiros muito mais fortes que os nossos. Mas isso será conversa para outro post. Jesus demonstrou muito de bom nestes 16 meses de Benfica, mas também conseguiu demonstrar uma arrogância/bazófia que roçam a insensatez. Um líder deve ser um exemplo para os seus jogadores e as palavras proferidas antes dos encontros contra o Schalke e agora contra o Lyon são o exemplo daquilo que não se deve fazer. Nunca vi Mourinho fazer isto, por exemplo, ele que é considerado controverso, não falta ao respeito para com os adversários no pré-jogo. Por fim, os jogadores, muitos deles sem estofo europeu. Quem? Prefiro dizer aqueles que têm, a meu ver, esse estofo: Luisão, Fábio Coentrão e Aimar. Ponto final. A lista é curtinha e é uma pena não haver mais. Uns por estarem constantemente fora de forma, caso de Saviola, outros por ainda cometerem erros primários de julgamento, falo de David Luiz, e outros por não terem estaleca para isto, como Maxi ou Martins. É "muita futabole", como diria Jesus. E é mesmo, para eles é. Servem para as competições internas? Claro que sim, mas a nossa Liga é um caso completamente à parte, se queremos ganhar na Liga estes jogadores chegam, se queremos ir longe na Europa precisamos de outras armas. E penso que ninguém espera que sejam os reforços sul-americanos que ainda não têm um ano de futebol europeu a resolver estes jogos.

Aos adeptos. A fase maníaca da bipolaridade evidenciada na caixa de comentários do post abaixo é um bom exemplo daquilo que eu vou falar. Não sei se é estupidez ou simplesmente desconhecimento total do futebol europeu afirmar que o Benfica tem de ganhar ao Lyon. Não sei mesmo. Ganhar ao Lyon não seria nem fácil nem normal, muito pelo contrário, seria algo de totalmente inesperado. Mesmo para o Benfica da época passada, seria uma autêntica surpresa. Eu lembro-me bem de Jesus ter dito na SIC, dias depois de nos termos sagrado campeões, que ficou surpreendido com a vitória no Velódrome. Claro que ficou, também eu fiquei. Uma equipa tacticamente muito evoluída e com um conjunto de jogadores que juntam força e técnica em todos os sectores não é fácil de bater em ocasião nenhuma. E olhando para o onze de hoje do Olympique Lyonnais, comparando um a um os jogadores com os do Benfica, as conclusões a que chego são as que já tinha apresentado ontem: são melhores, bem melhores. Só não o são nos centrais e no defesa esquerdo, de resto todos os outros são melhores. No entanto, por uma razão inexplicável, houve um conjunto de cabeças pensantes que achou que o Benfica ia ganhar e que mostrar satisfação com o empate seria sinal de fraqueza. Fraqueza? Não, era pragmatismo vs. estupidez.

No entanto, se me perguntassem à partida, ainda em Setembro, quantos pontos teria o Benfica ao final da terceira jornada, a resposta seria três, no máximo quatro. Não mais que isso. Estes resultados foram normais para o que já esperava. E muito provavelmente também se verificaria esta tendência (VDD) com a mesma equipa do ano passado. Então por que razão estou tão chateado com o que se está a passar? Atitude. É esta a palavra chave e que não está a ser seguida. Tem sido falta de atitude aliada a muita bazófia e erros primários que levaram a este estado. Com muita pena minha, esta é a verdade sobre o actual Benfica. Temos um Benfica que chega e sobra para o nível interno e que ganhará este domingo em Portimão, mas um Benfica insuficiente para a piscina dos grandes da Europa do futebol. E eu que até costumo lembrar-me do que me prometem, olho para 2012 e não vejo o Benfica dominador em Portugal e no estrangeiro que me prometeram.

P.S. Antes de escreverem o que quer que seja na caixa de comentários, pensem bem se o vosso comentário verá a luz do dia.

domingo, 17 de outubro de 2010

Atitude de Taça!

Ao longo dos últimos anos o Benfica tem apresentado resultados negativos na Taça de Portugal, muitas vezes por uma atitude displicente e que em nada glorifica o nome do nosso clube. Ontem, os jogadores provaram que têm arcaboiço psicológico para enfrentar olhos nos olhos sem sobranceria um adversário que no papel e em campo se demonstrou frágil e inferior. E quando há seriedade, há goleada.

Jesus tinha deixado o aviso que não gostava muito da palavra "descanso" e não colocou todas as reservas nesta partida, longe disso. Saviola, Aimar, Luisão, Javi Garcia e Gaitán foram, portanto, titulares, e a eles se juntaram Júlio César na baliza, rendendo Roberto, Sidnei no lugar do internacional David Luiz, Airton a defesa direito, Peixoto na esquerda, Salvio no lugar... no lugar que ainda não tem "dono" como tinha no ano passado e Kardec na frente.Não foi por falta de atitude nossa que o Arouca entrou melhor. Simplesmente tiveram mérito e causaram lances de perigo no primeiro quarto de hora da partida. Depois disso foi Benfica, Benfica e Benfica. O jogo teve pouca história com o Benfica a jogar e a querer ganhar, algo que conseguiu mais que merecidamente. Kardec provou que é um substituto à altura de Cardozo, não vale a pena andar com rodriguinhos, Cardozo é melhor, mas Kardec, mesmo tendo jogado contra uma equipa do segundo escalão, mostrou pormenores e "pormaiores" interessantíssimos, confirmando aquilo que tinha mostrado na pré-época. Gaitán é um miúdo com imensa fantasia nos pés e estes jogos são óptimos para demonstra-lo. Há ali talento em bruto... e erros imbecis à bruta. Passes, muitos deles disparatados, mas que infelizmente deixam os adeptos com aquele frase parva na cabeça: "Ai se ela passa...". Pois, mas não passa, nem passará. Esse tipo de jogadas caracterizavam o Carlos Martins pré-Jesus, e hoje todos preferimos o Carlos Martins de Jesus. Aimar, contra o Arouca ou contra o Barcelona, é classe dos pés à cabeça, e exibe-a como ele sabe, que diferença para o Aimar que chegou aqui em Julho de 2008.

No entanto, há mais dois jogadores que merecem destaque, um pela negativa e outro pela positiva: começando pelo caso-problema, existiu um jogador que conseguiu complicar tudo o que era simples, que não foi capaz sequer de fazer um passe em condições para os colegas, que invariavelmente tinham de se deslocar para onde a bola ia, e que não demonstrou a tal atitude que precisamos nestes jogos de Taça. Sempre que me lembro que saiu um jogador com menos potencial que ele mas que era um exemplo de profissionalismo ao contrário deste atleta... enfim. Quanto ao destaque ela positiva, deu para ver que, apesar dos anos passarem, e de estar naturalmente mais lento e mais pesado, há uma classe nomeadamente na leitura de jogo que apenas mais um ou dois colegas no plantel têm. Há dois lances que mostram precisamente isso, um pouco depois de entrar em que deixa uma bola fácil para Weldon marcar, e outra em que, com apenas um toque e com a ajuda de outro colega, desbarata uma defesa inteira. O futebol simples é belo e eficaz. Merecia mais minutos pois pode ainda resolver jogos e alguns colegas de sector estão em subrendimento.

Vitória merecida e o Benfica segue em frente rumo à "terra prometida" de Jesus, o Jamor, sítio perfeito para passar um domingo de Maio. E conhecendo a paixão de Jesus pela Taça, eu arrisco dizer que com alguma sorte no sorteio, o Benfica tem tudo para estar lá nesse local mágico este ano.

P.S. Fábio Faria e Jara não jogaram porque...

P.S.2 - Parabéns ao Velho Capitão, Mário Wilson, que completa hoje 81 anos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

In your face!


Na do Braga, na de Domingos e na de Duarte Gomes, que até equipou da cor de quem lhe paga. Vitória categórica do Benfica num jogo nem sempre bem jogado onde houve cabeça, coração e razão. Com a margem de manobra cada vez mais reduzida, o Benfica consegue uma vitória importantíssima e fecha assim um ciclo de três jogos muito complicados (Sporting em casa, Marítimo fora e Braga em casa) com nove pontos, mantendo-se na corrida pelo título, passando de décimo quarto para segundo classificado num piscar de olhos. E há jogadores que dão mostras de melhorias significativas. Ainda vamos a tempo.

À hora a que escrevo, a esperança é redobrada: o Porto perdeu pontos e desta forma o Benfica aproximou-se do rival directo na luta pelo título, tendo um calendário até final de Dezembro bem mais fácil do que o dos azuis-e-brancos. Da mesma forma que disse anteriormente, em Agosto, que o arranque de campeonato seria dificílimo pois o calendário era muito complicado, agora temos razões para estarmos mais confiantes. Mais confiantes mas com acrescidas responsabilidades, não podemos escorregar, até porque é com as equipas mais pequenas que se perdem campeonatos.

Mas falando do jogo, o Benfica, com a curtíssima margem de erro que tinha, entrou em campo decidido a mandar na partida, carregando sobre o Braga desde o primeiro minuto. Ao contrário do que se passou em outros campos onde jogou mais aberto, Dragão incluído, o Braga revelou mentalidade pequena, preferindo jogar para o pontinho, como fazem "n" equipas que vêm à Luz na esperança de saírem com um resultado positivo. A estratégia bracarense deu frutos, mas apenas até ao intervalo. O Benfica foi, durante a primeira parte, a única equipa que procurou de forma constante e sistemática o golo, tendo algumas ocasiões, como uma de Kardec, num remate colocado, apertado e sem preparação, uma de Martins, a remate forte após pontapé de canto, , Luisão também teve a sua chance e até Moisés ia facturando para o Benfica. Roberto foi chamado a intervir por uma vez, e que intervenção, com uma sapatada a defender uma bola com selo de golo, que poucos guarda-redes do nosso campeonato defenderiam.

O Benfica, que havia terminado a primeira parte por cima do Braga, começou o segundo tempo de forma irreconhecível. Foi o Braga a dominar territorialmente e a aproveitar alguns erros crassos da nossa equipa. Voltámos do balneário sem ideias, zero, demos os primeiros dez minutos ao Braga. Mas a partir daí... voltou o rolo compressor. Não em termos de resultado, mas até final da partida só deu Benfica. Mais segurança, muita bola no meio-campo adversário e o Benfica ia crescendo de minuto a minuto. E eis que numa jogada de génio de Saviola, ele que esteve horrível durante o jogo, falhando inclusivamente um golo certo, o pequeno argentino assiste Martins na perfeição depois de uma desmarcação de génio, e o médio encarnado, após recepção orientada, remata forte para o canto da baliza, sem hipóteses para Felipe. O mais difícil estava feito, tanto sofrimento mas o golo tinha finalmente chegado. Restavam 15 minutos e havia que segurar o resultado.

Dizem que a melhor defesa é o ataque. E foi seguindo esta máxima que o Benfica segurou jogo no meio-campo adversário, dispondo de muita posse de bola sem que os bracarenses conseguissem chegar à nossa área. Apenas nos últimos cinco minutos de tempo útil, aos quais se acrescentam os incríveis seis (!) que Duarte Gomes concedeu de compensação, o Braga esteve mais perigoso, com alguns remates pontuais e uns pontapés-de-canto mas sem perigo efectivo para Roberto. No entanto, foi novamente o Benfica quem esteve mais perto de marcar, nomeadamente em lances de contra-ataque, com Salvio a demonstrar-se displicente e Coentrão a perder no um-para-zero com Felipe. O jogo chegava ao fim com vitória benfiquista por 1-0, o mesmo resultado da época transacta.

A sete pontos do Porto, sete é o número mágico. Sair do Dragão com sete ou menos pontos de desvantagem deixa o Benfica com hipóteses reais de conquistar o título. Vamos ver, faltam dois jogos até lá e por agora é fundamental ganhar esses mesmos jogos. Concentração e profissionalismo já em Portimão, daqui a três semanas, para que não suceda o que aconteceu em Dezembro último no Algarve. Profissionalismo!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Nada de novo, tudo velho

Décima nona deslocação à Alemanha, décima terceira derrota. Nada de novo, tudo velho, o Benfica voltou a ser macio, inofensivo e incompetente em alguns pontos do jogo. Perder é sempre mau, mas perder um jogo que, apesar de difícil, poderia estar ao nosso alcance, deixa-me desiludido com a equipa, era uma oportunidade de ouro para reforçar a posição do clube no grupo da Champions. Nem pedi a vitória como já disse, sabia das dificuldades mas o empate satisfazia-me ainda por cima contra aquele que é, provavelmente, o adversário mais directo na luta pelo segundo lugar. Perder por 2-0 não é bom e deixa-me desiludido, mas sinceramente já esperava. Realisticamente, sim.

Jesus apostou no mesmo onze que tinha entrado em campo nos Barreiros, deixando de fora Aimar por precaução devido a não estar totalmente reestabelecido da lesão, penso eu. Até porque, para o campeonato, há um jogo importantíssimo este domingo. E o Benfica foi uma sombra de si mesmo. Quantas e quantas vezes olhei para o campo, hoje, e pensei no jeitaço que seria ter Di Maria connosco. Em vez disso vi um Maxi completamente fora de forma, um Javi perdido no meio-campo dos alemães, um Gaitán que parece um corpo estranho ao resto da equipa, um Saviola que parece ser a "vaca sagrada" da equipa, não importa quão mal esteja a jogar que continua a ser titular, enfim, já os problemas do Benfica já nem passam pelos frangos de Roberto ou pelos falhanços de Cardozo, há muito para além do mais óbvio.

No entanto, a única coisa de positivo que se passou hoje foi mesmo o começo, com muita posse de bola e domínio territorial do Benfica, a fazer lembrar o que se passou no Velódrome na época passada. Não houve, porém, seguimento ao que se passou em França. O Benfica foi perdendo o gás do início de jogo e o Schalke foi crescendo minuto a minuto, conseguindo introduzir a bola por duas vezes na nossa baliza (mas ambos os lances foram bem anulados) e ainda enviaram uma bola ao poste, por Raul, não marcando na sequência do lance graças a uma grande intervenção de Roberto, daquelas que dão pontos.

No segundo tempo, à medida que os minutos passavam, o Benfica não ia sofrendo golos. Surpreendeu-me. Havia alguma segurança defensiva, muito por "culpa" de Luisão, que fez mais um jogo enorme, mas também de Peixoto (!), que estava a realizar uma excelente partida. Chegados aos 70 minutos, faltavam 20 para que o Benfica saísse da Alemanha com um resultado bem positivo, independentemente da posição do adversário na sua liga, pois os jogadores e o treinador são bem melhores que aquilo que vem escrito na tabela. E foi aqui que Jesus pecou: em vez de tentar segurar o pontinho e o meio-campo que íamos perdendo com o passar do tempo, foi fazendo substituições que não trouxeram nada de novo nem em termos ofensivos nem defensivos. Se a entrada de Salvio foi precipitada, e a Kardec necessária, foi na entrada de Aimar que perdemos o jogo. Saviola saiu, substituição que só pecou por tardia, mas para o seu lugar deveria ter entrado Airton, não Aimar. Das três, uma: ou Aimar não estava em condições e não deveria ter entrado, ou estando em condições mínimas deveria ter entrado mas ao intervalo para o lugar de Gaitán ou Saviola, dando soluções de jogo que nenhum dos compatriotas poderiam dar, ou estando a 100% deveria ter sido titular. Airton teria sido, a meu ver, a solução, para o lugar de Saviola ou Gaitán, dependendo de qual estivesse em campo. É a minha opinião. Apostar na Champions League não significa jogar à maluca com todos para a frente.

E o Benfica sofreu o primeiro golo, fruto de uma incompetente abordagem de César Peixoto a um lance, ele que estava tão bem até ali. Farfán não se fez rogado e carimbou o 1-0, o Schalke estava na frente. Depois do primeiro eis aquilo que é imagem de marca do Benfica de Jesus, desorganização, ataque à maluca, descompensações defensivas. Se na Liga Portuguesa ainda pode resultar colocar muitos homens na frente devido à fragilidade dos adversários, na Europa dos Campeões as coisas são um bocadinho diferentes. Assistimos a um Benfica partido, a correr sistematicamente 40 metros de frente para trás no campo em perseguição do adversário. E não foi surpreendente ver que afinal de contas, foi mesmo o S04 a ter mais posse de bola após o primeiro golo, conseguindo fazer o segundo num lance em que primeiro David Luiz perde a bola a meio-campo e depois foi Maxi quem ficou a cobrir Luisão em vez de se preocupar com Jones, que isolou Huntelaar para marcar o golo.

Como se não bastasse a derrota, também perdemos Cardozo por tempo indefinido, Segundo sei, a lesão é nos ligamentos do joelho, quais deles... é uma incógnita. E o tempo de paragem pode ser de apenas uns dias a meses. A diferença entre a nossa liguinha e a Liga dos Campeões é ainda... abissal. Faltou maturidade, estaleca europeia.

Pior que isto só mesmo se alguém se lembrasse de subir os impostos.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ufa. Que alívio.

Não me lembrava de sofrer tanto numa deslocação do Benfica aos Barreiros. Nos últimos anos habituámo-nos a goleadas bem gordas, 0-6 com Quique, o-5 com Jesus e até mesmo 0-3 com Fernando Santos, contrastando com a famosa maldição dos Barreiros que assombrou o Benfica no final dos anos 90. Hoje, com Saviola e Cardozo incrivelmente perdulários, voltei a sofrer. Uma, duas, três, quatro, cinco oportunidades escandalosas não convertidas em golo. E se hoje não tivéssemos ganho acredito que teria sido o "adeus" em definitivo ao título. Felizmente o jogador português em melhor forma neste momento, Fábio Coentrão, resolveu, estreando-se a marcar pelo Benfica na Liga, dando os três pontos que tanto precisávamos. No final da partida suspirei de alívio.

Com as ausências de Aimar e Amorim, Jesus apostou no mesmo onze que o Far(away) e eu tínhamos colocado aqui no blog como melhor opção: na defesa César Peixoto para libertar Coentrão para tarefas mais ofensivas, sendo que no meio-campo jogariam Carlos Martins e Gaitán, com este último a jogar mais encostado sobre a direita.

(imagem do Ruud Gullit do Ser Benfiquista)

O Benfica entrou bastante perigoso criando uma série de oportunidades flagrantes nos primeiros vinte minutos, muito graças à imaginação de Gaitán mas também devido ao bom entendimento demonstrado por Peixoto e Coentrão no flanco esquerdo, apesar de, na minha opinião, o argentino ainda revelar alguma falta de maturidade e indecisão nos momentos decisivos, optando não raras vezes pela pior opção (mas tem e terá tempo para crescer, como Di Maria). Saviola, em boa jogada de entendimento com Maxi, acabou por se embrulhar com a bola num desses tais lances de perigo em vez de a rematar e perdeu um golo quase certo. Depois foi Javi Garcia a ver um cabeceamento seu ser cortado em cima da linha de golo por um defesa maritimista após péssima saída do guarda-redes Marcelo. E ainda tempo para Saviola desperdiçar mais duas oportunidades claras após bons lances protagonizados por Gaitán e Cardozo, o primeiro, com o "30" a bater uma espécie de penalty em andamento para defesa de Marcelo, e depois a surgir na cara de Marcelo mas a bater à figura do brasileiro. O Benfica carregava, o Marítimo só com passes longos é que conseguia criar algum perigo relativo, mas os remates iam invariavelmente para fora.

A primeira parte ficou marcada por mais um penalty que ficou por marcar na área do Marítimo, quando Saviola foi ceifado por um madeirense. Nada de novo, portanto, depois de pelo menos dois contra a Académica, um com o Setúbal, dois em Guimarães, agora outro contra o Marítimo. Vai bonito isto. Os minutos finais da primeira parte foram ainda mais intensos: o Marítimo, por duas ocasiões, levou muito perigo à baliza de Roberto, com o espanhol a defender a primeira bola sem a agarrar (e atenção, um grande guarda-redes tinha agarrado aquela bola), e depois com uma saída, essa sim verdadeiramente espectacular, a negar um golo quase certo a Baba. Ainda tempo para um falhanço de Gaitán mesmo no ocaso do primeiro tempo.

A segunda parte começou como tinha acabado a primeira, com o Benfica ao ataque e Gaitán a falhar, desta vez um chapéu de belo efeito mas de difícil execução técnica que acabou por derrubar um microfone. Depois foi o festival Cardozo, a imitar Saviola na primeira parte, com dois golos certos falhados em dois minutos, primeiro num um para zero com o guarda-redes do Marítimo em que recebeu a bola, parou e cara-a-cara fez o mais difícil, acertando no guardião. Depois, no segundo lance, após cruzamento milimétrico de Coentrão, fez o com seu pé cego o mais difícil falhando o golo a menos de 3 metros da baliza. Quando vi que aquela bola não ia entrar pensei que dificilmente o Benfica marcaria um golo ali, naquele jogo. E sempre que filmavam Jesus, o treinador aparecia mole, desesperado, sem energia, cabisbaixo.

Mas eis que aparece Coentrão. Valdemar Duarte, comentador da TVI, insistiu vezes sem conta que Coentrão não deveria jogar a médio, que era um disparate, estava a fazer um jogo péssimo, etc e mais uma mão cheia de baboseiras. É exasperante ver um jogo na TVI. Já aqui disse várias vezes que Coentrão tem de ser o médio e não o defesa da equipa, é ali o seu lugar, ali rende ainda mais e pode fazer a diferença. E Fábio deu-me razão, com o golo apontado num remate forte e muito colocado após cruzamento perfeito de Saviola. 0-1 para o Benfica e nessa altura percebeu-se que a equipa não estava sozinha no estádio, tinha os adeptos (muitos) consigo. Agora havia que aguentar.

Logo após o golo mais um lance duvidoso na área maritimista com Peixoto a cair (ou a ser derrubado?) por Roberto Souza (perdi a conta às faltas que este jogador fez, incrível!) e João Capela mandou jogar. Depois novamente Roberto a brilhar com uma palmada a desviar um remate forte para canto. E pode dizer-se que hoje, verdade seja dita e mérito seja atribuído justamente, depois de ter enterrado o Benfica um par de vezes, o espanhol deu-nos pontos. Hoje sim, está de parabéns.

Até final muitas substituições, alguns cartões e pouco futebol com poucas chances de golo. Salvio rendeu Gaitán, apresentando-se também em bom plano, Bergessio, perdão, Jara, substituiu Saviola e Airton rendeu Martins, para dar mais segurança defensiva ao meio-campo encarnado. O Benfica consegue mais uma vitória nos Barreiros, a primeira fora neste campeonato e coloca pressão no grupo de perseguidores do líder Porto.

domingo, 19 de setembro de 2010

O Campeão voltou

Classe, esforço, segurança, tranquilidade, um matador e, mais que tudo, qualidade e competência. São estes os ingredientes para se fazer um campeão, um verdadeiro campeão. Outros preferem outra matéria-prima, mais saudável, é certo, mas com frutinha não há mérito. Daí uns serem reconhecidos e outros... esquecidos. Felizmente, por altura da entrega da taça de campeão relativa à época transacta, o público benfiquista soube reconhecer os seus heróis e vaiar enormemente um dos vilões do futebol português.

Pouco ou nada havia a ganhar neste jogo: um Benfica visivelmente fragilizado por questões internas e, sobretudo, externas, entrava em campo sabendo que apenas e só a vitória interessava, mesmo tendo conhecimento que muitos dos adversários continuariam alguns pontos acima na tabela classificativa. O que fazer perante isto? Reagir à campeão! Dito, pensado, e feito.

Jesus surpreendeu ao colocar César Peixoto no onze titular, a defesa esquerdo, avançando Coentrão para o meio-campo. E acredito que esta foi, de entre todas as decisões possíveis, a mais acertada e a mais correcta, o melhor Benfica neste momento é aquele que pode contar com Coentrão a meio-campo, e se isso implica que Peixoto jogue a, que seja. Se Gaitán poderá vir a ser um grande jogador, acredito que sim, mas neste momento a melhor e mais eficaz ala esquerda é com os dois internacionais portugueses, exactamente naqueles lugares. Esteve mal Peixoto nos últimos jogos? Esteve. Péssimo, até. Mas não duvidem que é bem melhor que aquilo que mostrou e do que muitos benfiquistas pensam sobre ele.

O Sporting entrou em campo com a intenção de mandar na partida, mas logo ao quinto minuto as esperanças de tal acontecimento caíram por terra: o Benfica deu mostras de uma força surpreendente, começou a jogar com personalidade, atacando e mandando no jogo, controlando bastante bem. E como dizia, logo ao quinto minuto, eis que Cardozo desencanta uma jogada à "avançado móvel", tira o central do caminho e, já pressionado, atira ao poste de Patrício. O aviso estava dado, não faltaria muito para se passar das ameaças aos actos.

Minuto 12. Canto de Pablo Aimar na direita, Luisão cabeceia contra André Santos e a bola sobra para o homem que, geralmente, está sempre no sítio certo no momento exacto, Óscar Cardozo, que não pestanejou e assinou o primeiro golo da partida. A partir daqui, no primeiro tempo, só deu Benfica, com o Sporting a acusar nitidamente o golo sofrido e a perder o meio-campo por completo. O Benfica só não chegou ao segundo golo no primeiro tempo por uma questão de azar, não que as ocasiões tivessem sido muitas, mas alguma displicência em alguns contra-ataques não o permitiram.

No segundo tempo Jesus mexeu na equipa e colocou Rúben Amorim a médio direito jogando na posição de Carlos Martins que descaiu para o meio face à saída de Aimar, pois o argentino não estava no máximo das suas capacidades físicas, apesar de ter estado em bom plano na primeira parte. E se dúvidas houvesse sobre como iria reagir o Benfica sem o seu número 10, Cardozo fez questão de as dissipar fazendo um golaço do tamanho do Estádio, depois de, nesse mesmo lance, ter ganho a enésima bola aérea aos centrais leoninos. Com dois golos de vantagem só muito dificilmente a vitória fugiria da Luz.

E se dois era muito bom, podiam ter sido três poucos minutos depois, com Coentrão a falhar na cara de Rui Patrício o 3-0 que mais que matar o jogo afundaria o Sporting e quem sabe quantos mais poderiam seguir-se. No entanto tal não aconteceu e foi mesmo o Sporting a conseguir algumas boas ocasiões fruto de um "tirar o pé do acelerador" por parte do Benfica. Liedson primeiro, com a mais escandalosa de todas, falhou um golo feito na cara de Roberto, num lance que ele nunca desperdiçaria há uns anos. Depois, em remates de longe, Postiga e Maniche colocaram Roberto à prova, que tremeu mas não quebrou, defendendo sempre a dois tempos. Face a esta superiorização do Sporting, o Benfica voltou a reagir e surgiu com mais e melhores ocasiões, por ventura as mais flagrantes do segundo tempo, com Cardozo sempre em evidência, colocando um chapéu a Rui Patrício que saiu ligeiramente ao lado da baliza leonina e depois num cabeceamento que passou ligeiramente por cima. No final, vitória mais que justa do Benfica que dominou o jogo, foi muito superior e, a haver mais golos, seriam para os da Luz, que, como disse, ainda desperdiçaram 4 ocasiões soberanas de golo (3 de Cardozo e uma de Coentrão, contra uma apenas de Liedson).

No plano individual, há que destacar pela positiva Cardozo, o homem mais deste Benfica. Hoje fez aquele que foi, muito provavelmente, a sua melhor exibição de sempre de águia ao peito. Também gostei bastante do "homem invisível" Javi Garcia e da ala direita formada por Maxi e Martins. Elogiar Coentrão seria dizer mais do mesmo, é claramente o melhor jogador da actualidade a actuar em Portugal. Pela negativa não há ninguém a destacar no Benfica, só queria fazer aqui uma chamada de atenção para dios magníficos empolamentos da nossa comunicação social a um par de jogadores ridiculamente banais: Carriço e Nuno André Coelho. Eles são a prova viva de que é possível ser-se elogiado mesmo sendo um incompetente.

Xistra esteve num plano razoável relativamente à técnica mas completamente desastroso no capítulo disciplinar, mostrando amarelos completamente exagerados e desnecessários a jogadores do Benfica (Fábio Coentrão, Airton, Peixoto, Luisão (levou, não levou?)), perdoando outros a Maniche, André Santos ou Liedson. Curioso é também verificar que todas as letras da palavra "artista" encaixam em "Xistra". E por falar em curiosidades, estou mortinho por saber qual vai ser a avaliação de Jorge Coroado ao seu cunhado.

Excelente vitória que pode relançar o nosso campeonato, seja ele qual for, contra quem for. Neste momento é difícil fazer uma previsão sobre o que pode vir a acontecer, o único que se pode antecipar são putativos cenários face a vitórias, empates e derrotas do Benfica. O que me parece é que, se no final do jogo no campo do cavalo marinho o Benfica não estiver a mais de sete pontos dessa equipa, pode perfeitamente lutar pelo título, mas até lá muita água correrá.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Regresso às grandes noites europeias

Dois anos depois o Benfica regressou às noites europeias na Liga dos Campeões, prova maior de clubes no Velho Continente. Não foi um jogo brilhante, longe disso, mas o mais importante foi o regresso com uma vitória, frente a um adversário mais difícil que alguns pensavam e do que a comunicação social deu a entender. E mesmo longe de brilhante, foi uma vitória bastante importante, não só pela liderança na fase de grupos mas também porque serviu para "ganhar" alguns jogadores que arrancaram a época numa forma menos positiva. E que isto seja o começo de algo grande, que se prove isso mesmo no domingo.

Jesus voltou a confiar a titularidade a Roberto em detrimento de Júlio César, apostando exactamente no mesmo onze de Guimarães excepção feita a Maxi Pereira que ficou no banco. O Benfica entrou bem no jogo com mais domínio tanto territorial como em posse de bola, mas percebeu-se que, ao contrário do que sucede nos jogos para o campeonato na Luz, o Hapoel não vinha para fazer figura de corpo presente, adoptando desde início uma postura ofensiva e, sobretudo, com uma linha defensiva muito alta, permitindo algum jogo mais directo por parte do Benfica, sobretudo graças às movimentações de Aimar, que se apresentou em excelente condição física e foi capaz de criar embaraços aos israelitas.

Notou-se claramente que falta profundidade nos flancos, algo que já tínhamos avisado aqui no blog "n" vezes, e a equipa procura jogar pelo meio em demasiadas ocasiões. Coentrão é, neste momento, à semelhança do que acontecia com Léo em 2005/2006, o jogador onde a bola sabe que vai ter continuidade nos pés benfiquistas, ou seja, com a bola, este jogador consegue atacar sem perde-la, sendo o único que dá profundidade.

O Hapoel espreitava, sempre que podia, a oportunidade de se acercar da baliza de Roberto, tendo conseguido provocar alguns calafrios, nomeadamente numa jogada em que Luisão trava um avançado israelita usando os braços, mas não o suficiente para o fazer cair da forma como simula (atirando-se deliberadamente para a frente), e depois ainda num trio de lances em que Roberto mostra reflexos no primeiro, agilidade no segundo (procurando a "defesa para a fotografia" também, é certo) e concentração no terceiro, numa grande saída a varrer o lance.


Entre estes ataques dos israelitas, o Benfica teve a felicidade de chegar ao golo, num lance em que após canto de Aimar na esquerda para Carlos Martins possivelmente estoirar, o português cruza novamente a bola agora do outro lado e aparece Luisão, de p
é direito, sem a deixar cair, à ponta-de-lança, colocando a bola na gaveta. 1-0, primeira explosão (termo simpático para usar num jogo com israelitas) de alegria na Luz o Benfica estava na frente, o resultado era favorável e os próprios israelitas não pareciam muito descontentes, continuando a perder tempo pelo seu guarda-redes. O intervalo chegava à Luz.

O segundo tempo foi menos intenso que o primeiro e com ainda maior domínio do Benfica nomeadamente no que a ocasiões de golo diz respeito. Primeiro foi Cardozo a falhar após jogada mágico do melhor em campo, o argentino Pablo Aimar, e ainda um lance em que Rúben Amorim remata forte para defesa do guarda-redes nigeriano. O momento mais importante do segundo tempo foi quando aos 67 minutos, após boa jogada de Maxi Pereira, Cardozo remata para a baliza de pé direito fazendo um golo bastante fácil. Gesto imediato, coloca o indicador esquerdo à frente da boca mandando calar os adeptos que poucos minutos antes tinham-no assobiado. Não sendo este o tipo de interacção que gosto de ver entre adeptos e jogadores, Cardozo tem toda a razão pois, tal como Jesus justificou, o paraguaio dá tudo em campo e só não faz mais (mais que 38 golos, por exemplo, pobrezinho), porque não é capaz.

Com o segundo golo, Aimar pede substituição que Jesus atende, colocando Airton ao lado de Javi Garcia, algo que eu já ansiava ver há algum tempo. O Benfica ganhou músculo no meio-campo e soube segurar o jogo até final. Peixoto ainda entrou em campo e foi vergonhosamente assobiado pelos adeptos, novamente numa atitude incompreensível. O Benfica venceu, justamente, o Hapoel por 2-0, estando no topo do grupo na Liga dos Campeões.

domingo, 29 de agosto de 2010

À terceira foi de vez

Demorou, custou, sofremos, mas os primeiros três pontos já cá cantam. E que se sigam muitos mais, de preferência rapidamente. Depois das duas derrotas nas duas primeiras jornadas, tantos desaires quantos os averbados em todo o campeonato 2009/2010, o Benfica precisava de vencer urgentemente para não deixar os rivais na luta pelo título dispararem na tabela classificativa. E assim foi, com mais medo que dificuldades pelo desenrolar do jogo, o Benfica conseguiu vencer mais que merecidamente este Vitória de Setúbal.

À partida para este jogo, a questão colocava-se: quem será o guarda-redes titular esta noite? Roberto ou Júlio César? A escolha acabou por recair sobre o brasileiro, que se mostrou bastante seguro nos minutos inicias (e que foi muito aplaudido pelos adeptos), conseguindo um par de intervenções bem seguras. Com Roberto relegado para o banco, os colegas do sector defensivo pareciam mais confiantes, a equipa jogava um futebol agradável e, sem surpresas, à semelhança do que acontecia não raras vezes na Luz na época transacta, o marcador foi inaugurado bem cedo, com a assinatura de Óscar Cardozo.

O primeiro estava feito e o Setúbal, que até tem uma equipa "jeitosinha", não conseguia sair do seu sector defensivo e causar perigo perto da baliza encarnada. Tudo calmo, tudo tranquilo, até Maxi Pereira ter uma autêntica paragem cerebral e entregar um presente envenenado a Júlio César, que, com a bola no pé mais fraco e surpreendido pelo atraso, nãp a consegue chutar acabando por cometer penalty sobre um jogador do Vitória, que se isolava para a baliza deserta. O guardião encarnado foi bem expulso e, naquele momento, não houve certamente uma pessoa naquele estádio que acreditasse naquilo: eis Roberto novamente. Jesus leva as mãos à cara ao ver a situação: o guarda-redes que ele tinha acabado de relegar para o banco e que estaria com a moral certamente bem baixa, tinha de entrar em campo, defender um penalty e aguentar o resto do jogo com apenas dez jogadores. Poderia ser mais difícil? Grande abraço entre o goleiro e o portero, lá ia Roberto para a baliza. Frente-a-frente com Hugo DesLeal, jogador que à custa da ambição desmedida deu um passo maior que a perna e acabou por fazer uma carreira à medida da qualidade de pessoa que é, ou seja, minorca, Roberto encheu a baliza e voou para defesa relativamente fácil face à péssima execução da grande penalidade, mas o que interessa é que o penalty foi bem defendido e, para um guarda-redes, nada melhor que defender um penalty para dar moral, acreditem.

O jogo encerrava agora uma questão muito importante: como iria o Benfica reagir face ao resultado e ao desenrolar do jogo, sabendo que teria de jogar com dez por mais de 70 minutos e que estava a vencer? Reagiu à campeão: com serenidade, muita entreajuda nos diversos sectores, e com bom futebol. O Vitória nem conseguiu equilibrar bem o jogo, tal foi a competência evidenciada em campo pelos discípulos de Jesus, e por isso mesmo, o Benfica matava o jogo perto do intervalo com um cabeceamento fulminante de Luisão após canto apontado na direita por Pablo Aimar. Com 2-0 ao intervalo, o Benfica só tinha de saber gerir o jogo.

E foi isso que fez em toda a segunda parte, fruto de uma substituição muito bem vista por Jorge Jesus, que ao retirar o apagado Saviola e ao colocar em campo Rúben Amorim, conseguiu que o Setúbal não tivesse condições para assumir a partida, acabando por ter menos bola e menos chances de golo que o Benfica. E o jogo acabou por morrer definitivamente com o golo de Aimar após mais uma boa incursão de Gaitán (craque, não engana) pelo flanco esquerdo. Depois disso, pouco mais houve para além de um ou outro remate do Vitória sempre muito longe da baliza de Roberto.

Do que mais gostei no Benfica de hoje foi... Jorge Jesus. Não teria escolhido outro onze, não teria feito outras substituições, correu tudo perfeito. Para mim, o MVP é o mister. Relativamente a jogadores, gostei da asa esquerda encarnada, com Gaitán em excelente plano apesar de um ou outro lance em que não soube definir bem a jogada, à semelhança do que acontece muitas vezes com os sul-americanos que chegam à Europa no primeiro ano, e também de Fábio Coentrão, que está claramente em rotação elevada, num fabuloso pico de forma. Aimar e Javi também estiveram em bom plano. Pela negativa Maxi Pereira, com muitas decisões ofensivas completamente disparatadas e aquele atraso homicida a Júlio César, que certamente não gostou de perder a titularidade por um erro inacreditável do uruguaio, e ainda David Luiz, que hoje usou e abusou de jogo violento desnecessariamente (uma coisa é virilidade, outra é violência), tendo provocado dois ou três livres laterais completamente dispensáveis, e ainda por alguma anarquia evidenciada no posicionamento defensivo, nomeadamente numa jogada em que consegue ser médio esquerdo, médio centro, médio defensivo, defesa direito, defesa central sobre a meia direita e finalmente sobre a meia esquerda, tendo ouvido raspanetes de Luisão e Javi Garcia. Saviola também esteve muito ausente do jogo, acabando por ser bem substituído.

Gostei do jogo e da entrega e disponibilidade física dos nossos jogadores, sempre prontos a dar uma ajuda a um colega ou sector sempre que necessário. O pragmatismo e a forma séria como o jogo foi encarado merecem também destaque. Não foi uma goleada, nem precisava. Sempre defendi que ganhar 1-0 ou ganhar 7-0 não difere muito, porque numa prova de regularidade como esta, a vitória vale sempre três pontos. Claro que é mais agradável golear, mas nem sempre é possível e o que este Benfica necessitava mesmo era de uma vitória, bem conseguida, ainda por cima por três golos de diferença com menos um jogador. Sem entrar em euforias, ou nessa bipolaridade de alguns, o jogo mostrou pontos positivos neste Benfica, mas ainda há trabalho de casa por fazer.