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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Burro velho não aprende línguas


Sou um jovem na casa dos 20 e tal anos mas já vi um pouco de tudo no que ao Benfica diz respeito. E na arte de perder campeonatos, então, quase se pode dizer que tenho doutoramento. Eu e todos os que vimos os últimos anos do Benfica. Nesta década que terminou recentemente, assisti a uma entrega de título com o carimbo de Paulo Madeira, a um roubo magistral de Duarte Gomes, a um Koeman sobranceiro que não estudava os adversários, a um Santos medroso que não teve coragem para apostar em quem devia quando devia, a um Porto dominador e justo vencedor, a um Quique que não foi campeão porque lhe corataram as pernas por três vezes e até, imagine-se, a uma pré-época em que o presidente andou na ramboiada festejando demais. Já vi tudo isto. Já vimos isto tudo. Mas um treinador armar-se em burro, sinceramente, nunca tinha visto.

Jota Jota, vou-te explicar como se fosses um gajo com um pensamento básico, primário e a roçar o amador: quando tens um Ramires para equilibrar o meio-campo, usa-lo, certo? Quando não tens, como viste em 2010/2011, sabes que vai haver merda. Mas quando te dão um Witsel, tens de usá-lo, percebeste? Eu sou leigo na matéria, mas isto parece-me demasiado evidente. E se para mim é evidente, para o guru da táctica deve ser mais que óbvio. Pelos vistos não é.

Este jogo tem o carimbo de parvoíce de Jorge Jesus. Também há o de futebol espectáculo, o de seriedade, mas do da parvoíce não abdica ele. A táctica suicida adoptada com os belíssimos resultados conhecidos em 2010/2011 voltou a aparecer. E, pior que isso, sem motivo nenhum. Tinha Witsel e deixou-o no banco para entrar com Matic, Gaitán, Nolito e Aimar como titulares. Voltámos a ter um trinco que nem é trinco, dois extremos e um número dez. Quem defende? Quem equilibra? Genial, pá, genial.

E o cérebro? Entou em curto-circuito? O que andam a treinar durante a semana? Pontapés-de-canto não é de certeza. E as substituições? Congeladas? O buraco no meio-campo? O Maxi sozinho para os contra-ataques que surgem de bolas paradas ofensivas? O que é isto? O Sintrense? Quando estamos a ganhar lá está ele a gesticular, a barafustar, a dar espectáculo. Hoje, a perder, parecia a múmia de sempre quando o resultado nos é desfavorável.

O que se viu hoje foi de um amadorismo atroz. E para prolongar este pesadelo, só a flash interview e a conferência de imprensa surreais a que acabo de assistir. Parece que não se passou nada, parece que foi só azar, parece que o Guimarães arrancou a vitória fruto do acaso. Valha-me São Trapattoni.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Rússia já não é vermelha

O Benfica cedeu a segunda derrota desta época e logo num jogo onde teve tudo, mas tudo, para vencer. É frustrante perder desta maneira. Com uma vantagem inicial fruto de um golo de Maxi, deixámos o Zenit recuperar mas voltámos a empatar a partida perto do final para, no minuto seguinte, deitar tudo a perder. Não devia ter acontecido.

Acho que Jesus escolheu um onze duvidoso mas que, atendendo ao estado do relvado e à sobrecarga de jogos, acabou por ser a melhor opção, garantindo a rotatividade dos jogadores e o equilíbrio entre defesa e ataque. Fico satisfeito pela atitude, coragem e combatividade dos nossos atletas que tentaram, em condições muito difíceis, trazer a vitória. Não foi possível, mas teremos o jogo da segunda mão para recuperar. Na nossa casa, com o apoio dos nossos adeptos, tenho a convicção de que não fraquejaremos e levaremos os russos de vencida.

P.S. Ao Bruno Alves desejo que tenha uma recepção bem quentinha na Luz. Tudo o que não implique a sua passagem pelas urgências de um hospital de Lisboa pecará por escasso.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

It's a kind of magic


Fosse Freddie Mercury vivo e cantaria It's a Kind of Magic para o futebol praticado pelo Benfica. A equipa está em crescendo e aos resultados convincentes somam-se as exibições de elevada nota artística, como Jesus faz questão de realçar. Desta vez a vítima foi o Nacional. Foram quatro, poderiam ter sido muitos mais. O Benfica entrou a todo o gás e fruto da inspiração dos seus atletas encostou os madeirenses às cordas. Numa jogada ensaiada, que começa a ser imagem de marca da equipa de Jesus, Aimar cruzou atrasado e Garay, livre de marcação, cabeceou para o 1-0. Vantagem essa que seria dilatada numa jogada de génio de Gaitán que assistiu Cardozo para este encostar para 2-0. O Benfica ganhava com toda a justiça, dominava a seu bel-prazer e ainda tinha tempo para falhar os golos mais inacreditáveis. Para apimentar o jogo e para lhe trazer mais emoção, Jorge Sousa entrou em acção e assinalou uma grande penalidade inexistente por alegada falta de Emerson. O Benfica tremeu mas não vacilou, perdeu algum gás, é certo, mas ainda voltou à vantagem com diferença de dois golos antes do intervalo, fruto de uma bela jogada de ataque finalizada por Rodrigo.

O Nacional entrou no segundo tempo de braços caídos, mas Jorge Sousa, o seu melhor elemento, não. Trazia a lição beme estudada, o árbitro portuense. Marcou mais de uma dezena de faltas inexistentes contra o Benfica, bastava um jogador do Nacional se atirar para o chão ou sentir um encosto e assinalava logo falta. Irritou, provocou, fez trinta por uma linha mas não foi capaz. O Benfica esteve demasiado forte. E para terminar em beleza, o golaço da noite, cortesia de Rodrigo, qual gazela, a galgar metros e metros para disparar fortíssimo de pé esquerdo para o fundo das redes.

Vitória justa naquela que foi a melhor noite em termos exibicionais do Benfica esta temporada. Segue-se agora o jogo europeu no Petrovsky, São Petersburgo, e depois a ida a Guimarães, naquela que será, provavelmente, a deslocação mais difícil fora de Lisboa até final do campeonato.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Caminho marítimo para Coimbra

Jesus prometera que uma onda de calor iria invadir a Luz e não deixaria nenhum adepto passar frio num jogo decisivo da competição que continua a dividir tanto a opinião como a militância benfiquistas. Assim foi. Num jogo quentinho, o Benfica despachou o Marítimo por claros 3-0, resultado no entanto enganador sobretudo devido à forma como os insulares entraram em campo. Mesmo com alguns jogadores habitualmente não titulares, o Benfica soube dar muito boa resposta, nomeadamente por Eduardo, com uma intervenção enorme aos pés de Sami com o resultado ainda a zeros, mas também por Nélson Oliveira, com muita liberdade de movimentos e muita intensidade de jogo. E apesar do início ameaçador do Marítimo, o Benfica recompôs-se e respondeu à altura, com várias ocasiões de golo e alguns momentos de bom futebol. Nélson Oliveira e Rodrigo, este último na condição de suplente e por duas vezes, fizeram os golos da vitória encarnada que carimbam a passagem às meias-finais da Taça da Liga, onde defrontaremos o Porto de Lucho Gonzalez.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Aguenta coração...

Estádio pequeno, adeptos barulhentos, adversário aguerrido e desinibido, de volta aos anos 90. O Benfica arrancou uma vitória preciosa e difícil frente a um adversário complicado, que tinha roubado pontos em casa ao Porto, naquele que foi o triunfo mais difícil da época a par do alcançado nos Barreiros. Após uma primeira parte com alguns lances de perigo para ambos os lados, o Feirense entrou melhor no segundo tempo e colocou-se em vantagem fruto de um golo de Varela, que surgiu de pontapé de canto. Estávamos em Santa Maria da Feira mas parecia a Trofa. Medo. O Benfica estava a perder e não dava a volta a um resultado desfavorável fora desde Abril de 2010, na Figueira da Foz. A equipa mostrava alguma capacidade em circular a bola mas claras dificuldades em aproximar-se da baliza com verdadeiro perigo. Até que o mesmo Varela emendou a mão e voltou a colocar a partida empatada, ao desviar com sucesso um cabeceamento de Cardozo. Jesus mexeu e fez entrar dois jogadores que colocaram mais dinâmica à partida, Gaitán e Nolito. E pouco depois, o irrequieto Rodrigo, numa boa desmarcação, arrancou um penalty que Cardozo marcou para onde se deve marcar quando a confiança não está no máximo: para o meio. Depois foi aguentar e esperar pelo soar do apito final. Péssima arbitragem com um penalty perdoado ao Feirense e um golo mal anulado aos da Feira. Valeram os 3 pontos, tão importantes, e que nos mantêm no topo da tabela. Agora é esperar que o Gil faça o seu trabalho e nos deixe com uma margem mais folgada. Acredito sinceramente que sim.

P.S. Paulo Lopes? Andámos a formar um guarda-redes para isto? E o festejo do Shéu? Ele bem sabe onde se ganham campeonatos.

P.P.S. Parabéns ao treinador do Feirense, Quim Machado, que com poucos recursos montou uma equipa personalizada e consistente. Apesar de pouco criativos e engenhosos, a garra dos jogadores é enorme e a atitude demonstrada engrandece-os a eles e ao clube.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Águia vence galo bravo (título tão estúpido que amanhã será capa do Record)

Custou mas foi. O Gil Vicente foi a equipa mais competente que o Benfica defrontou na Luz em jogos a contar para o campeonato nesta época e causou enormes dificuldades com a sua defesa compacta mas subida. O Benfica não soube encontrar sempre resposta para os problemas causados pela equipa de Barcelos e teve muitos momentos em que não soube desatar o nó dado pelos gilistas no jogo. Muita bola na defesa, entre Garay e Luisão e alguma dificuldade em ter posse no meio-campo adversário. Felizmente Cardozo picou o ponto uma vez mais e Rodrigo, com sorte à mistura, colocou o Benfica na frente depois de Galo ter empatado para a equipa do Galo de Barcelos. Aimar, vindo do banco, selou o triunfo benfiquista que permite manter os dois pontos de diferença para o Porto, que também ganhou por 3-1 ao Vitória de Guimarães. Vitória justa mas suada e com um futebol pouco convincente naquele que acabou por ser o pior jogo na Luz a contar para a Liga Zon Sagres até agora. O que importa são os 3 pontos e já cá estão. Próxima jornada é em Santa Maria da Feira frente a um adversário que nos causará certamente muitas dificuldades...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Caminho aberto

O Benfica venceu justamente em Guimarães em jogo a contar para a fase de grupos na Taça da Liga. Uma exibição que esteve longe de encher o olho mas que que deu para ver que os nossos jogadores, mesmo com a pausa de Natal pelo meio, estão com um bom ritmo competitivo.

Jesus mexeu como é habitual nestas competições e deu minutos a alguns jogadores menos utilizados, casos de Eduardo, Nolito, Saviola e Nélson Oliveira. O Benfica entrou no jogo e mostrou que queria dominar desde início, instalando-se no meio-campo vitoriano. Os primeiros 15 minutos forma inteiramente nossos e o golo surgiu com naturalidade: Nolito cruzou a bola a meio do meio-campo adversário e Witsel, após recepção perfeita, chutou seco por entre as pernas do guarda-redes. 0-1, resultado feito, jogo terminado, pensaram alguns. O Benfica acomodou-se e o Vitória surgiu no encontro. N'Diaye primeiro, Assis depois e Edgar a seguir, esta última com enorme intervenção Eduardo, foram as três grandes oportunidades dos orientados por Rui Vitória.

Por seu lado, o Benfica defendia-se bem e tentava surgir em ataques rápidos sempre que possível, conduzidos por Aimar e bem distribuídos por Saviola (bom jogo) e Nélson Oliveira. O perigo espreitava a baliza de Douglas mas falhava sempre algo na hora de finalizar. O Benfica jogava coeso e compacto, seguro de si. Gostei do que vi mesmo num registo mais defensivo. A destoar dos restantes colegas só mesmo o do costume. Aquele-cujo-nome-não-pode-ser-mencionado. Aquele que consegue perder um lance de cabeça e não recuperar a bola com o seu adversário no chão. Aquele que gosta de provocar livres laterais perigosos para a nossa baliza. Aquele que ofensivamente é nulo.

Com um jogo interessante, bem disputado e rasgadinho, não havia necessidade de mais espectáculo além do praticado no relvado. Mas houve. Luís Marçal, comentador da SIC, provou quão mau jornalista é. Não que seja mal intencionado, simplesmente não percebe uma poia do que fala. Primeiro foi Javi que deu uma cotovelada em N'Diaye com... o ombro. A seguir a cotovelada foi cabeçada. Hmmm... com o ombro? Estranho. Só faltou dizer que só o fez porque N'Diaye era preto. Depois o não-penalty de Maxi que Marques transformou em penalty foi outro prato com que o pastel Marques nos brindou. Inacreditável. Se a SIC quiser fazer um downsizing, pode começar por aqui.

O segundo tempo recomeçou de forma inesperada para o Benfica. O Vitória entrou forte, conquistou um par de livres laterais e chegou ao golo numa bola perdida na área que João Paulo introduziu na nossa baliza. O Benfica fora apanhado desprevenido. E tremeu. O Vitória achou que podia ganhar a partida que os nossos jogadores tinham "vencido" na primeira parte. Cresceu. Agigantou-se. Mas não chegou. Pedro Mendes deitou tudo a perder ao ser expulso com justiça. A partir daí, o Benfica, nas palavras de Luís Marçal, passou a ser uma equipa mais... "atacadora". E foi mesmo. Cardozo, que entrara ao intervalo para render Saviola, aproveitou uma jogada de entendimento com Maxi Pereira para rematar alto e forte à meia-volta sem hipóteses de defesa para Douglas. 1-2, o Benfica estava novamente em vantagem e com mais um jogador em campo. Com tranquilidade, os jogadores soltaram-se. Até Emerson fez duas boas incursões pelo flanco esquerdo, mas logo a seguir fez um cruzamento que foi parar a Braga, demonstrando todo o seu (real) valor. Ouviam-se "olés" nas bancadas e Eduardo era um mero espectador. Sem surpresas houve tempo para o terceiro golo, mais um de Cardozo, que assim se tornava o melhor marcador da História do Benfica na Taça da Liga (ultrapassando inclusivamente Eusébio) e também para o quarto, da autoria de Rodrigo, ele que bem procurara marcar nesta partida.

Reforço a justiça da vitória do Benfica numa partida bem disputada e equilibrada na primeira parte e de sentido único na segunda após a expulsão de Pedro Mendes. O mais difícil está feito, a vitória em Guimarães abre as portas das meias-finais da competição. Basta vencer o Santa Clara e até um empate com o Marítimo, na Luz, deverá servir.

P.S. Uma palavra para Anderson Santana. Bom jogo do lateral vimarenense, tecnicamente evoluído, rápido, incorpora-se bem no ataque e esteve seguro a defender. Faz inveja a alguns laterais esquerdos dos grandes da nossa Liga.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Fim de um ano que [ainda] não devia ter acabado

Antes de entrar para umas férias de Natal que não deviam ser tão longas, os jogadores do Benfica fizeram as pazes com os adeptos e ofereceram uma goleada de Natal. 5-1 num jogo que foi bem mais difícil do que aquilo que o resultado deixa parecer à primeira vista.

Não entrámos bem na partida e mostrámos algumas dificuldades na construção de jogo ofensivo sendo bastante cerimoniosos na altura de rematar à baliza. Onde estão os remates de meia distância, mister? É mesmo preciso entrar com a bola pela baliza adentro? Não se percebe. Eu pelo menos não percebo. Até ao golo dos vila-condenses, o Benfica tinha tido mais bola mas não conseguia ser mais forte e dominador. Só depois do susto provocado por Atsu perto da meia-hora é que reagimos à Benfica, com uns quinze minutos finais de muito bom nível. Cardozo provoca e converte um penalty bem assinalado, Nolito faz magia e marca um grande golo e Aimar, com toda a simplicidade do mundo, serve Saviola com um toque mágico para o 30 facturar no regresso às boas exibições.

No início do segundo tempo o Benfica matou o jogo com o cabeceamento certeiro de Garay e a partir daí só teve de gerir o encontro. Caiu o ritmo de jogo e o interesse do mesmo. O Rio Ave tentou mostrar-se a espaços e criou perigo sempre que a bola chegava aos extremos Atsu, Yazalde ou Kelvin, mas os laterais do Benfica, com mais ou menos ajuda, conseguiram resolver a maioria das situações. Deu tempo ainda para Nolito, o melhor em campo, facturar o seu segundo e quinto da equipa.

Os melhores foram, como já disse, Nolito, muito interventivo, rápido, pressionante e imprevisível, mas também Aimar na sua habitual simplicidade e capacidade de descomplicar tudo o que parece mais difícil e por fim Saviola, a quem o funeral já foi feito mas que ainda vai jogando pontualmente mas sem a regularidade que se exige a um Saviola.

Como mágoa, neste fim de ano, só mesmo o facto de dia 21 de Dezembro não podermos ir fazer a festa da Taça a Alvalade. Seria bonito acabar o ano com mais uma vitória frente aos do Campo Grande.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mais perto de Dublin

Tão perto e ainda tão longe, o Benfica está a um pequeno grande passo de marcar presença na final de dia 18 de Maio em Dublin. A vitória frente ao Braga abre boas perspectivas, mas analisando a campanha que os bracarenses têm feito, nada pode ser dado como garantido. A apenas 90 minutos do sonho, o Benfica terá de saber ser inteligente e matreiro para segurar a vantagem de 2-1 obtida em casa, à semelhança do que aconteceu com o PSG e com o Stuttgart. Se é verdade que, como diz Jesus, que é difícil, quase impossível, impedir que o Benfica marque golos, não é menos verdade que é fácil marcar golos ao Benfica. Este foi o décimo quinto jogo consecutivo em que o Benfica sofreu golos. Por toda esta bipolaridade estamos tão perto e tão longe, simultaneamente.

Não era um Benfica x Braga qualquer, não era apenas "mais um jogo" normal para o campeonato ou para a Taça de Portugal. Numa prova europeia, com o percurso de ambas as equipas, com a polémica que se instalou nos jogos nacionais entre ambos os clubes, este jogo era mais que um jogo: para o Benfica era a confirmação de que, com árbitros estrangeiros, a história seria diferente; para o Braga seria o confirmar de que é definitivamente capaz de bater qualquer equipa portuguesa em qualquer palco, tentando contrariar a tese benfiquista.

Poderia estar aqui a tecer loas à exibição do Benfica, ao facto de o Braga se ter aproximado da baliza de Roberto por raras vezes, mas o que vimos na Luz, é importante não esquecer, foi apenas a primeira parte. Ainda faltam noventa minutos para alcançar a tão desejada final. E se o resultado é o mesmo que nos abriu as portas dos oitavos e quartos-de-final, é ao mesmo tempo o mesmo que nos fechou a porta da final de 94.

Nas duas últimas deslocações a Braga foi o que se viu. Dois roubos de igreja, o primeiro da autoria de Jorge Sousa, com um golo mal anulado a Luisão, o segundo com Carlos Xistra, a expulsar Javi Garcia. A única certeza que tenho é a de que temos de preparar este jogo como se de um encontro para o campeonato se tratasse, pois na UEFA os "acidentes" e os azares também acontecem. Basta ver que há um clube que é sistematicamente beneficiado nos seus jogos. Basta ver que as equipas francesas, com a marca Platini, têm sido escandalosamente ajudadas. Não dêem nada por garantido, preparem este jogo com a maior das exigências e o máximo profissionalismo.

Estamos indubitavelmente mais perto de Dublin do que há 90 minutos. E sabemos que temos de fazer mais do que fizemos nas duas últimas deslocações ao terreno do rival. Custa acreditar, mas precisamos de fazer o mesmo que Quique, com Moreira e Urreta em grande plano, fizeram a Jesus. Faltam noventa minutos. Precisamos de ser Benfica.

domingo, 24 de abril de 2011

A noite dos heróis improváveis

Tantas vezes criticados, tantas vezes espezinhados, às vezes os grandes heróis são mesmo os heróis improváveis. Assim foi em Coimbra. Jara a abrir a contagem e Moreira a segurar a vantagem deram uma vitória que tem mais importância do ponto de vista anímico para o jogo de 5ª feira do que do ponto de vista do troféu em si. Um Benfica frágil fisicamente apesar das poupanças de Jesus para o campeonato e com muitos jogadores em sub-rendimento, valeu-se daquilo que faltou contra o Porto: Pablo Aimar. O que importa é a vitória, a conquista do troféu e o boost moral para a meia-final da Liga Europa. Um belo troféu entregue pelo excelentíssimo Fernando Gomes, que diga-se, que até dá vontade de chamar o Sergio Ramos para participar nos festejos.

Moreira - de menino bonito passou a patinho feio por razões desconhecidas. Ninguém sabe ao certo o porquê dessa transformação. Já o disse anteriormente, Moreira não é o guarda-redes de top mundial que poderia ter sido devido às lesões, mas como segundo guarda-redes chega mais que perfeitamente. Um guarda-redes da valia de Moreira até poderia ser titular no campeonato, como foi Quim, porque apesar de não ser brilhante é suficientemente bom para ganhar a Liga. Não é de guarda-redes que estamos mal servidos, temos 3 de boa qualidade apesar de um deles ter custado dinheiro a mais, como todos vimos.

Maxi Pereira - seja num amigável com o Cucujães ou na final da Taça da Liga, o ritmo e a intensidade de jogo são sempre iguais. É um profissional de mão cheia e apesar de algum desgaste físico, continua com uma força enorme dentro de campo. Aqui não temos razão de preocupação até final da época.

Luisão - Idêntico a Maxi, com a pequena diferença de ter algumas atitudes escusadas na imprensa. Esquece-se frequentemente que os jogadores não respeitaram os adeptos e a instituição Benfica. Daqui a nada chega o Verão e a novela Luisão que se arrasta desde 2005 voltará com novos capítulos, com juras de amor eterno e tentativas de sair pela calada.

Jardel - Continua a ser difícil avaliá-lo. Esteve bem, ontem, mas quando apanha adversários mais rápidos pela frente parece tremer bastante. Acredito que tenha qualidades para se impor no Benfica, mas continuo a achar que o central que joga ao lado de Luisão precisa de ter características diferentes das do número "4". E um bocadinho mais de qualidade também.

Fábio Coentrão - Quando a equipa está visivelmente estoirada aos 90 minutos, Fábio Coentrão ainda faz sprints e picos de velocidade, atira-se para o chão e luta pela bola como nunca. Um craque, um ídolo.

Javi Garcia - apesar de desapoiado em vários momentos do jogo, tem sabido dar conta do recado razoavelmente bem. Ontem voltou a estar em bom plano e também acho que, até final da época, deverá manter os mesmos níveis de qualidade, apesar de, já contra o Braga, necessitar de mais apoio no capítulo defensivo.

Carlos Martins - tem de ser gerido com pinças para que não se lesione. O Benfica ainda tem três jogos importantíssimos até final da época e Martins terá um papel fundamental nesses encontros. Ontem esteve bem a dar dinâmica e intensidade de jogo tanto pelo centro como pela direita.

Pablo Aimar - cada vez que tocava na bola, pensava por que raio não tinha sido titular contra o Porto. É um de dois jogadores do plantel nos pés do qual a bola repousa e não queima, permitindo à equipa movimentar-se sem bola à procura de espaços. Aimar é o relógio da equipa. Sabe quando manter e quando soltar o esférico. Não pode, de maneira nenhuma, voltar a ser suplente até final da temporada.

Franco Jara - um golo e nada mais. Uma exibição medonha repleta de individualismo e acefalia. Gostava que lhe comprassem um cérebro na mesma loja onde arranjaram o de Di Maria. Jara tem um potencial interessante, mas precisa de perceber o que é o futebol europeu e que, para além dele, há uma equipa à volta que também joga. Larga a bola, pá. Por mim, banco.

Javier Saviola - É engraçado o fenómeno a que temos assistido. Quando chegou ao Benfica teceram-se elogios ao argentino, dizendo que ele mesmo iria acabar com as vacas sagradas (Nuno Gomes, à cabeça). Um ano depois, Saviola tornou-se a maior vaca sagrada desta equipa. Tem sido uma autêntica nulidade desde o final da época passada até hoje, com excepção do final de Dezembro e início de Janeiro. Não faz nada de relevante ou importante para a equipa, esconde-se do jogo e não luta por bolas divididas. Enquanto Cardozo é perseguido com tochas, este tem direito a paninhos quentes. Ridículo. Banco, já.

Óscar Cardozo - provavelmente uma das piores exibições de águia ao peito, um pouco na senda do que têm sido os seus últimos jogos. Está numa má fase, mas ainda vai, ocasionalmente marcando uns golitos. Ninguém no Benfica é, ou deveria ser, eterno, por isso espero que atine rapidamente. O problema é que olhamos em volta e não vemos ninguém minimamente capaz de o substituir. A nossa confiança em Kardec é quase nula.

César Peixoto - é falso que o físico não acompanhe a mente. Ou melhor, podem não ir à mesma velocidade, mas ambos estão vivos e a assegurar funções. Peixoto é muito mais importante do que aquilo que se pensa. É, a par de Aimar, o único jogador nos pés do qual a bola descansa, onde não queima. E é fundamental a dar os equilíbrios defensivos que esta equipa não tem. Por mim seria titular até porque se avizinha um jogo em que a equipa não pode apresentar-se descompensada.

Airton - tem o físico, tem o potencial, mas faltam minutos nas pernas. É o caso do jogador que, com mais rotinas, até poderia entrar a titular na equipa ao lado de Javi. É um caso a rever, porque a esta altura da época deveria constituir forte hipótese para ser titular, mas fruto da má gestão de Jesus, não é.

Felipe Menezes - foi bom observar o David Simão. Está crescido, o miúdo. Quanto a esta "excelente oportunidade de negócio", RUA! Um dos 3 piores médios ofensivos da história do Benfica.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Benfica vence mais um amigável

Foi provavelmente um dos treinos mais concorridos de sempre na Luz. O Benfica, de coletes vermelhos, recebeu e venceu o Elm... o Beira-Mar, de coletes amarelos, em mais um jogo a contar para o campeonato nacional. Cumpriu-se calendário naquilo que foi um excelente teste para o que vamos encontrar na quarta. Não, não falo dos onze adversários, mas sim dos três supostamente neutros que presentearam o público da Luz com uma das arbitragens mais desavergonhadas dos últimos tempos. Com a vitória alcançada, o Benfica ganhou o dia. Com a exibição conseguida, Elmano Santos ganhou a noite.

Uma vez mais foram as "reservas" que se apresentaram em campo para, pela primeira vez na temporada, levar o Benfica à vitória. Mesmo com nove habituais suplentes a vitória foi possível graças ao génio dos dois artistas que andam presos por arames, Martins e Aimar.

O Benfica iniciou o jogo com a determinação necessária para levar de vencida os aveirenses, mas devido à falta de rotinas e também, diga-se, devido à falta de sorte, não foi possível adiantar-se no marcador. Com Luís Filipe muito activo, apesar das evidentes limitações que possui, foi graças a combinações do titular mais antigo do plantel com Carlos Martins e Aimar que surgiram os primeiros lances de ataque encarnado. À esquerda, a falta de ideias e de qualidade eram evidentes, com Fernández em péssimo plano, incapaz de construir uma jogada de ataque. E era neste ritmo monótono, em que nem as bolas ao poste nem as grandes defesas (uma para cada lado) traziam emoção de tão desinteressante que era o jogo e tão fraco o cenário, que o tempo passava. E para espevitar os pouco mais de 25.000 que foram à Luz, eis que surge o protagonista principal, de seu nome Elmano Santos, que consegue anular um golo que todo o Estádio viu. Três animais vestidos de preto e nenhum deles viu. Ou melhor, não duvido que tenham visto, mas daí a ter coragem para fazer o que é devido, enfim, ainda vai uma boa distância. Porque como dizia um comunicado de uns patetas, o erro é normal, mas não é assim tão normal que aconteça sempre contra os mesmos.

O Benfcia entrou no segundo tempo com outra atitude e logo nos minutos iniciais foi Kardec que, após bom trabalho de pés, confundiu Hugo e atirou a bola com tanta precisão que acertou no poste esquerdo da baliza de Rui Rego. O Benfica insistia e conseguia um maior domínio territorial que na primeira parte, e após um erro (mais um) de Sidnei, o brasileiro recupera a bola e lança um ataque rápido que acaba por finalizar isolado na cara do guarda-redes. O primeiro estava feito. Sentindo o golo, o Beira-Mar reagiu e lançou-se no ataque causando algumas dificuldades a Júlio César, que esteve sempre à altura. Com o crescimento aveirense, Raul José lançou em campo Peixoto (aplaudido, imaginem) e Cardozo simultaneamente, entrando Maxi Pereira pouco depois devido a lesão de Luís Filipe. E foi com o uruguaio em campo que o Benfica chegou ao golo da tranquilidade, num slalom de Maxi, pela direira, que flectiu para o centro e entregou a Jara, que rompendo por entre os centrais, ficou cara-a-cara com Rego e fez o segundo. Um golo que serve para apagar uma má exibição do nosso "Tévez".

Até final, o Beira-Mar fez entrar um jogador da nossa formação emprestado por nós, Yartei, que após alguns lances perdidos fez um dos golos do campeonato, num disparo fortíssimo sem hipóteses de defesa. Golaço do ganês, para benfiquistas ver.

Não há muito mais a dizer, o Benfica segurou matematicamente o segundo lugar pois este ano as posições no campeonato decidem-se, em caso de igualdade pontual, pela diferença entre golos marcados e sofridos, e não pelo confronto directo entre os empatados. O Benfica passou no teste com o Beira-Mar e agora segue-se a segunda mão da meia-final contra o Porto. Exige-se concentração para passar uma eliminatória que temos na mão. Espero uma atitude e uma inteligência que, por exemplo, não vi em Eindhoven. Até porque o Porto é bem mais forte que o PSV.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fez-se História 17 anos depois

Quase duas décadas depois, o Benfica volta a marcar presença numa meia-final europeia. Foi tempo demais, foram demasiadas amarguras, foi um clube à beira da falência, foram épocas sem pisar solo europeu, foram os sete de Vigo. Foi. Passado. Hoje estamos de volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Mas a história poderia ter sido bem diferente. Enquanto toda a gente festeja a passagem às meias-finais (e ainda bem que o fazem), eu continuo preocupado com a falta de maturidade europeia. A primeira meia hora é o espelho da minha preocupação. Erros, erros e mais erros na abordagem ao jogo permitiram que o PSV se adiantasse no jogo e recuperasse a ilusão de poder passar. Inacreditável. E o problema é que esta situação, nos jogos fora, não é excepção mas sim regra. Felizmente o desfecho acabou por ser positivo para as nossas cores, com Luisão em destaque graças a mais um golo decisivo (já perdi a conta aos golos importantes do zagueirão) e com um grande jogo de um Ramires chamado... Peixoto.

Por muito que se queira elogiar Jesus, e temos muito por onde elogiar, há pechas graves no nosso treinador e que dificilmente as corrigirá, fruto da sua mentalidade. O que é bom em termos nacionais acaba por nos ser fatal em termos internacionais: a pressão alta, as linhas avançadas, tudo isso é óptimo para jogar em Portugal contra adversários lentos, previsíveis e que não conseguem trocar a bola entre si durante quinze segundos. Na Europa, face a equipas táctica e tecnicamente muito evoluídas, é impossível manter este ritmo de jogo avassalador que não deixa os adversários respirar e que os mantém lá atrás fechadinhos. Há que saber gerir os vários momentos de jogo. É preciso entender quando é preciso carregar, quando devemos segurar jogo no meio-campo adversário e quando se deve defender em bloco e partir para o contra-ataque. O nosso Benfica não sabe jogar assim.

São factos. E a forma suicida como o Benfica entrou em campo é o melhor exemplo do que digo. Bloco alto, ataque constante e em dois contra-ataques dois golos. No primeiro, Lens corre 40 metros sem nenhum adversário pela frente, mostrando que a defesa subida, na Europa, sobretudo com centrais lentos e sem compensação quando um lateral falha, não resulta. No segundo, após uma perda de bola a meio-campo, mais um golo sofrido, provando que o Benfica não consegue segurar a bola sem ser quando ataca à maluca. Meia hora que, fruto de uma abordagem patética de Jorge Jesus, poderia ter colocado o Benfica atrás do PSV na eliminatória. Felizmente há Luisão, o homem dos golos decisivos, que uma vez mais deu um balão de oxigénio ao Benfica, que acabou por marcar um golo merecido mas caído do céu aos trambolhões quando já passavam 3 minutos sobre a hora.

Na segunda parte apareceu o Benfica adulto. O Benfica mais cauteloso, mais calculista, mais pragmático, mais italiano. Saber gerir e controlar o jogo foram as chaves do sucesso. E muito do sucesso do Benfica passou por conseguir gerir a posse de bola quando estava no ataque, graças ao patinho feio, ao mal amado da equipa, César Peixoto, que desafiou todas as leis da física e ganhou em força e em velocidade à defensiva holandesa, sendo atropelado e ganhando um penalty decisivo que sentenciou a eliminatória. Da marca dos 11 metros, Cardozo não perdoou. Até final foi apenas necessário fazer aquilo que não soubemos fazer (e que precisávamos) desde início: controlar sem perder noção do espaço na defesa. Tão simples e tão difícil.

Pena o infortúnio que foi a lesão de Salvio, que muito provavelmente o afastará dos relvados até meados de Maio. Dificilmente poderá voltar a jogar de águia ao peito, a não ser que haja uma recuperação milagrosa. Veremos...

Agora segue-se Braga, o Braga dos cânticos insultuosos, das bolas de golfe, das agressões, das simulações, dos choradinhos, etc. Com árbitros estrangeiros, outro galo cantará. Espero sinceramente que aquela gente asquerosa seja esmagada pelo Benfica. Primeiro os leitoezinhos, depois... os porcalhões.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Revolução total (até no treinador)

Foi um Benfica totalmente transfigurado, a começar em campo com os jogadores, onze caras novas face aos titulares no jogo com o PSV, mas também no banco, com Raúl José a substituir o castigado Jorge Jesus, aquele que se apresentou na Figueira da Foz com o objectivo de cumprir calendário. Não adianta muito escalpelizar uma derrota numa prova que já não interessa há umas boas semanas (desde Braga), o Benfica tem apenas de rodar o plantel e dar minutos no campeonato aos menos utilizados, de modo a descansar os habituais titulares para as três provas que interessam ganhar. Isto é pragmatismo.

O jogo foi um longo bocejo que permitiu continuar a avaliação de alguns jogadores com menos minutos. E o curioso é que no meio de tanta mediocridade, é fácil destacar o melhor e o pior. Num pólo Carole, no outro Menezes. O jovem francês mostra um futebol aguerrido, com ideias, bom pés e uma capacidade de execução bem acima da média. Tacticamente é difícil dizer o que fez dada toda a descoordenação entre os onze amigos que se juntaram na Figueira, mas pareceu sempre, em todos os aspectos do jogo, um dos melhores. Dois anos depois, Menezes ainda é jogador do Benfica. Porquê? Não sei. Não vejo uma única característica no seu futebol que me agrade. Não é rápido, não tem bons pés, não executa, não pensa, é apenas um corpo inerte que ocupa espaço.

As críticas a fazer em relação ao que se passou, e que acabou por ser o espelho de uma época mal preparada, são muitas, mas vou deixar apenas dois pontos. Jesus é culpado. Apesar de tudo, a equipa de ontem entrou em campo com Sidnei, Airton, Peixoto, Martins e Jara, todos eles com qualidade para fazer parte do plantel do Benfica. Foi pena que, durante a época, não tenha havido gestão de esforço e rotação destes elementos com outros do plantel. Exemplos práticos? Jara poderia ter jogado mais minutos quando Saviola esteve em péssima forma no final de 2010, Martins poderia ter alternado mais com Aimar ou Salvio, Airton (nunca foi presença assídua, nem no banco) podia ter rendido Javi mais vezes, por aí fora. Vieira também não está isento de culpas. De forma alguma. Não caiu na tentação de destruir um plantel campeão de alto a baixo (o que seria fácil, dadas as propostas que houve nomeadamente por Cardozo, entre outros), mas não soube substituir convenientemente algumas saídas e manteve algumas posições com lacunas crónicas. Isto a nível de jogadores, falta o resto. Mas isso ainda dará outro post.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Tão perto

Dezassete anos depois, o Benfica está com pé e meio numas meias-finais europeias. Com todas as "peripécias" que esta época nos tem presenteado, nunca pensei que o Benfica, com todas as condicionantes, pudesse chegar tão longe na Europa. Mas estamos quase, quase lá.

Pela primeira vez na fase a eliminar, o Benfica não deu os primeiros 45 minutos de avanço na Luz como fizera contra o Stuttgart e PSG. A diferença foi notória. Apesar de bem organizado defensivamente, o PSV não conseguiu travar as investidas do Benfica, que soube esperar e gerir o jogo quando as linhas holandesas estavam mais fechadas e carregar sobre o adversário quando sentia que o PSV poderia ceder. Vitória da força, da qualidade e da inteligência.

A entrada forte em campo sugeriu que, impulsionados por 60.000 adeptos, o Benfica poderia partir para um grande jogo. Desde cedo que Saviola se mostrou com uma confiança ainda não vista esta época, que lhe permitiu arrancar a melhor exibição da temporada. O Conejo, sempre muito interventivo, atirou uma bola ao poste logo nos minutos iniciais e apareceu ora à esquerda ora à direita com muito mais velocidade que o habitual, a desbaratar a defesa holandesa. Não foi Saviola a marcar (o primeiro), mas sim o seu amigo Aimar, após jogada de entendimento entre Coentrão e Gaitán, com o camisola "10" a finalizar após falhanço de Cardozo, num remate a passar entre as pernas de dois adversários. Isto sim é o túnel da Luz. Salvio ampliou a contagem pouco antes do intervalo num golo de classe (toque de calcanhar) após mais uma investida de Fábio Coentrão. 2-0 ao intervalo era mais que justo para aquilo que o Benfica tinha feito e para o que o PSV não tinha feito.

No segundo tempo mais do mesmo, o Benfica voltou a entrar forte e cedo ampliou a vantagem em mais um lance de génio de Salvio, que rompeu a permeável defesa holandesa e bateu Isaksson sem hipótese de defesa para o sueco. Com 3-0 no marcador no início do segundo tempo, voltaram a surgir os fantasmas de Lyon. Conseguiria o Benfica manter o ritmo alto ou gerir o jogo em vez de quebrar e ceder física e mentalmente? A verdade é que não foi por quebra do Benfica mas sim por mérito do PSV, nomeadamente pelo seu médio defensivo Hutchinson, um verdadeiro poço de força e de qualidade, que começámos a sentir mais dificuldades. Primeiro foi Berg a isolar-se mas a ver Luisão tirar-lhe o pão da boca naquela que foi, provavelmente, a melhor defesa da noite, depois foi Coentrão in extremis a fazer o mesmo que o capitão de equipa e por fim foi a sorte a proteger as nossas redes num pontapé de bicicleta falhado por Lens. Com o crescimento do PSV, Jesus mexeu na equipa e tentou ganhar mais consistência no meio-campo, colocando Peixoto, e mais velocidade para poder sair no contra ataque ao colocar Jara no lugar de Gaitán. Mas os planos saíram logo furados. No mesmo minuto, Fred Rutten colocou em campo o jogador que, um minuto depois, devolveria o PSV ao jogo e à eliminatória, em mais um lance em que Roberto é mal batido. Os assobios voltaram, a intranquilidade regressou. Felizmente, para terminar o jogo na perfeição, já com Felipe Menezes em campo, Maxi Pereira (que jogo!) fez mais um pico de velocidade, aos 94 minutos, e serviu Saviola que fez a rotação e marcou um golo merecidíssimo. 4-1, excelente resultado, estamos com pé e meio nas meias.

Há toda uma geração de jovens benfiquistas que está a viver, pela primeira vez, este momento de uma meia-final europeia, que apesar de ainda não ser uma realidade, dificilmente escapará. Numa altura de domínio interno quase total do FC Porto, que se estende desde meados dos anos 90 até hoje, e depois de esses mesmos jovens terem assistido às vitórias do Porto na UEFA e na Champions, à final perdida pelo Sporting em Alvalade e até mesmo à chega do Boavista às meias de uma UEFA, chega agora a vez de o Benfica lá. Sinto que se está a fazer história. E sinto que poderemos fazer parte dessa mesma história. Com o nosso nome gravado a letras de ouro.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Velhos são os trapos

Sem grandes objectivos pelos quais lutar neste campeonato, o Benfica apresentou-se na Mata Real frente ao Paços de Ferreira sem alguns habituais titulares, numa tentativa clara de fazer uma rotação equilibrada de modo a poupar os mais cansados, dar minutos aos menos utilizados e, com isto tudo, não perder grande qualidade de jogo. Conseguiu. O Benfica foi claramente superior a um Paços que luta pelos lugares europeus e mereceu a vitória, mas não por números tão dilatados.

Entrada demolidora do Benfica que chegou a uma vantagem de 3 golos em menos de 25 minutos: primeiro Cardozo, de grande penalidade bem assinalada por murro de Cohene na cara de Javi Garcia, enganou o guarda-redes pacense ao enviar a bola para o seu lado mais fraco, o esquerdo; depois Aimar, a receber um excelente passe do seu amigo Saviola, e com frieza a finalizar a jogada; por fim, Nico Gaitán, no melhor golo da noite, colocou a bola "na gaveta" com um remate cheio de classe e intenção, após assistência de Cardozo. O Benfica jogava bonito, dominava o encontro a seu bel-prazer e com três golos tão bem conseguidos pensou-se que a sempre complicada deslocação a um dos campos mais pequenos e antigos da primeira divisão teria sido um passeio. Não foi. Por demérito do Benfica, que não soube (nem sabe) gerir o jogo e jogá-lo de forma pausada, sem ser em alta velocidade, e também por mérito dos comandados de Rui Vitória, que tiveram coragem e qualidade para, após três golos sofridos, marcar um e enviar uma bola ao poste no minuto imediatamente a seguir, tendo ainda criado maus duas ou três chances de golo antes do intervalo. O Paços crescia mas acabou por se "suicidar" com a expulsão de Cohene, por falta sobre Saviola quando o 30" se encaminhava perigosamente para a baliza. Com 10 jogadores e mais de 45 minutos por jogar, o Paços via a sua tarefa irremediavelmente mais complicada.

O Benfica entrou para o segundo tempo sem a mesma dinâmica do início do jogo mas também mais dominador no aspecto territorial e com mais bola do que no final da primeira parte. Basicamente, conseguiu trocar a bola entre os vários elementos da equipa mas sem conseguir criar lances de perigo perto da baliza de Cássio. Mesmo com menos um jogador em campo e com menos bola, o Paços começou a pressionar mais alto sempre que os centrais ou Javi tinham posse de bola, o que acabou por provocar alguns erros na rectaguarda levando a dois lances de perigo no primeiro quarto de hora, mas sempre com Roberto em destaque pela positiva.

Apercebendo-se que o Benfica precisava de conseguir segurar a bola mais longe da sua baliza, Jesus fez entrar Peixoto para o lugar de Cardozo (a precisar de descanso, claramente) e Carlos Martins para o lugar de Gaitán (outro que precisa de descansar). Mesmo sem os dois portugueses terem entrado bem em campo, conseguiram que o Paços não voltasse a chegar-se perto da nossa baliza. E à medida que o jogo avançava, percebia-se que o resultado dificilmente sofreria alterações.

Até que entrou Nuno Gomes. Com o ponta-de-lança benfiquista fresco no ataque a substituir o fatigado Saviola, o Benfica voltou a conseguir colocar pressão na defensiva amarela que não raras vezes teve de despejar a bola de qualquer maneira, permitindo ao Benfica alguns ataques rápidos. E foi precisamente o capitão encarnado que dilatou a vantagem, por duas vezes, num jogo morno que se encaminhava monotonamente para o fim: primeiro numa jogada de insistência depois de um remate de César Peixoto e depois, à meia-volta, após pontapé na atmosfera de Peixoto uma vez mais, num golo de belo efeito.

Vitória justíssima num jogo que se esperava mais complicado, mas que o Benfica soube, por mérito próprio, "descomplicar". Vitória praticamente conseguida nos primeiros vinte e cinco minutos, nem sempre bem gerida da melhor forma, mas que terminou em goleada graças a uma ponta final bastante forte por mérito dos jogadores que vieram do banco. Segue-se o clássico.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maior que Portugal

É pelos nossos adeptos que somos maiores que Portugal. Os quase 30.000 que estiveram hoje presentes no Parc des Princes, estádio do Paris Saint-Germain, demonstraram uma vez mais a nossa grandeza. Em tempo de crise há muito por onde cortar, menos no amor a um clube. E é por isso que na Luz, em Paços de Ferreira, em Braga, ou em Paris, o Benfica é maior que Portugal. Há um sentimento de amor que não consigo ver em nenhum outro clube. Somos mais que um clube. Nas palavras de Bela Guttmann, «Não há nenhum clube do Mundo que possua mística igual à do Benfica. E é este, afinal, um dos grandes segredos dos seus êxitos e da sua força. Tentarei explicar algumas das suas manifestações exteriores mais palpáveis. Veja, por exemplo, a sua massa associativa. Chove? Está frio? Faz calor? Que importa? Nem que o jogo seja no fim do Mundo, entre as neves da serra ou no meio das chamas do Inferno, por terra, por mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica, atrás da sua equipa. Grande, incomparável, extraordinária massa associativa!»

Imagino a cara de alguns jogadores quando entraram no campo parisiense e se aperceberam de que, mesmo a mais de 1000 km de Lisboa, na terra do oponente, estavam a jogar "em casa". Com quantos clubes no mundo é que esta situação acontece? Só conheço um. E partindo para o jogo com a vantagem alcançada na Luz, a tarefa seria teoricamente mais fácil.

Mas não foi. Um Benfica estranhamente desinspirado não foi capaz de travar com êxito as investidas iniciais dos franceses, que começaram o jogo a todo o gás, sem grande engenho, é verdade, mas com muita vontade, chegando à área de Roberto com relativa facilidade. Mas acabou por ser um pouco contra a corrente de jogo que, num lance com alguma felicidade à mistura, o Benfica chegou ao golo, por Nico Gaitán, que, após olhar para a área à procura de um colega, decidiu-se pelo remate e apanhou Édel em contrapé, tendo feito o golo. E depois disto, o Benfica desapareceu quase por completo, muito por culpa da falta de inspiração de Aimar e Saviola (jogo miserável deste último), e pelo cansaço de Salvio e Gaitán, mais notório no primeiro que no segundo. O PSG aproveitou e chegou ao empate num lance que fica marcado pela péssima abordagem de Sidnei (outra vez...), que ficou a olhar para o lance enquanto tudo se passava nas suas barbas.

No segundo tempo o Benfica apareceu com outra atitude e determinação em campo, criando três boas oportunidades de golo logo nos primeiros 15 minutos de jogo, desperdiçadas por Cardozo (duas) e Saviola. O Benfica crescia no jogo e o PSG já não conseguia atacar com tanto perigo, pelo que Kombouaré fez entrar duas unidades perigosas, o veterano Giuly e o ponta-de-lança Hoarau, que havia marcado o golo que eliminara o Braga de Jesus há três anos. E pouco depois o Benfica só não perdeu a vantagem que tinha na eliminatória graças a uma enorme defesa de Roberto, que encheu a baliza e impediu que Hoarau, a menos de cinco metros da linha de golo, conseguisse concretizar a ocasião. Jesus apercebeu-se que o jogo não estava para brincadeiras e resolve dar centímetros à defesa, colocando Jardel. Até final foi aguentar e sofrer bastante, com os parisienses a falharem uma nova grande ocasião ao minuto 95, quando Maurice, já isolado, escorregou na altura de rematar à baliza. Pode dizer-se que, nesse lance, a estrelinha da sorte esteve connosco.

Empate justo no jogo e eliminatória passada também com justiça. Frente a um adversário que mostrou vontade mas pouco futebol, o Benfica conseguiu cumprir os objectivos e chega aos quartos-de-final de uma prova europeia pelo segundo ano consecutivo, algo que, nos últimos anos, só aconteceu em 2006 e 2007. E este ano podemos ir mais longe. Que a sorte e o engenho nos acompanhem.

quinta-feira, 10 de março de 2011

E deram o berro

Meses e meses a pressionar alto, a jogar bonito, a correr que nem doidos e com pouca rotatividade do plantel, algum dia os jogadores dariam o berro. Foi hoje. Não foi aos 90 minutos, aos 80, aos 70 nem aos 45, hoje, alguns (muitos) jogadores do Benfica entraram em campo verdadeiramente cansados. Visível, notório, indesmentível. Se há uns jogos atrás víamos Gaitán fazer excelentes primeiras partes como em Alvalade ou em Stuttgart, e depois cair de rendimento na segunda, acabando fisicamente aos 70 minutos, hoje constatámos que aos 10 minutos, Gaitán já não conseguia fazer aquelas primeiras partes dos últimos tempos, nem conseguia ajudar a defender. "Estão completamente rotos", dizia um senhor uns lugares ao lado do meu. E estavam. Gaitán, Salvio e Cardozo, sobretudo estes três. A juntar aos "casos" Aimar e Martins, que têm de ser geridos com pinças, a equipa está à beira do colapso físico. Pode passar em Paris? Perfeitamente, se não jogarem pior do que hoje (e este PSG é bem fraquinho, diga-se) e desde que se poupem jogadores contra o Portimonense.

Em jogo importante a contar para a prova mais difícil e na qual o Benfica, ainda assim, alimenta legítimas esperanças de vencer, o público não compareceu como deveria para apoiar a equipa. Provavelmente nem se deslocaram à Luz 40.000 espectadores, talvez ainda combalidos do desaire em Braga. O que é certo é que nem Benfica nem adeptos se apresentaram à altura do desafio: a equipa fisicamente esteve de rastos e nervosa, nervosismo esse que transpareceu para os adeptos, impacientes e intolerantes, que assobiaram vários lances menos conseguidos. Mas não há que andar com paninhos quentes: o jogo foi mesmo mau, o Benfica esteve muito abaixo daquilo que sabe e pode dar e enfrentámos uma equipa que não é, ou pelo menos não pareceu ser, mais forte que o Vitória de Guimarães, por exemplo. E num dia normal, o PSG seria aviado com quatro golos.

Na primeira parte, a equipa (sobre)viveu sobretudo das iniciativas de Maxi Pereira e Fábio Coentrão, mas com maior ênfase para o trabalho do uruguaio. Carlos Martins também foi dos mais inconformados tentando transportar bola de trás para a frente, mas sem grande sucesso. O PSG só conseguia criar perigo quando a bola estava nos pés de Nenê, que teve a infelicidade de ser marcado por Maxi, que o anulou em quase todas as jogadas. Assim, em 45 minutos de mau futebol, não foi surpreendente ver o Benfica sofrer um golo (mais um) fruto de uma iniciativa individual de Nenê e empatar por autoria do caçador de franceses, Maxi Pereira.

No segundo tempo, o Benfica, consciente da sua superioridade em relação aos comandados de Kombouaré, partiu para cima do adversário que se revelava defensivamente permeável, sobretudo em lances de bola corrida pelo centro, algo que é raro encontrar nos dias de hoje. E assim que deu para perceber isso, foi rezar para que Jesus colocasse Aimar ao lado de Martins no meio-campo. A entrada de Jara para o lugar de Salvio, visivelmente estoirado, também ajudou a imprimir velocidade ao flanco, e fruto de boas combinações dos médios e de Saviola com Cardozo, que esteve bem no jogo de costas para a baliza (mas terrível no resto, tal como Saviola), foi possível criar alguns lances de perigo, inclusive um penalty que ficou por assinalar sobre o camisola "30" encarnado. Com o Benfica claramente por cima, o golo acabou por surgir naturalmente, como acontecera com o Stuttgart: Aimar combinou com Jara que, com tempo, soube ajeitar a bola e rematar com classe e tranquilidade para a baliza.

A vitória acaba por pecar por escassa face ao que o Benfica vale e face ao que este PSG (que poupou Giuly, Makélélé, Hoarau, entre outros) não vale. O pouquíssimo futebol dos franceses, cujas maiores ocasiões de perigo foram lances protagonizados por Sidnei, não justifica o golo que levam para Paris. Uma coisa é certa: no Parc des Princes, com muitos milhares de benfiquistas a apoiar, o Benfica tem razões para se sentir em casa e passar esta eliminatória, até porque, fazendo fé nas palavras de Carlos Martins, é mesmo muito difícil ganhar a esta equipa.

domingo, 6 de março de 2011

Xistra resolve

Xistra era o único disponível. Claro. Todos os colegas estavam de caganeira, certamente. Ou então o Padrinho falou com Xistra e Vítor Pereira e resolveu-se assim a situação. Et volià. Em Braga gostavam de Xistra. Em Braga ainda gostam de Xistra. A nós resta-nos apoiar Fernandos Gomes, convidá-los para as Galas, participar nos beija-mão, etc. Acção exige-se. Que alguém no Benfica tenha coragem para vir a público e dar a cara, chamando os bois pelos nomes. Parem de viver neste mundo da fantasia. E que, já agora, deixem um esclarecimento bem claro ao poder político, que insiste em "empatar" o estado de (in)justiça em Portugal no que a alguns processos diz respeito: apressem-se, porque com seis milhões de pessoas descontentes em Portugal com o estado de tudo, se algum louco se lembra de transferir responsabilidades do que se passa no futebol para a política, então a classe está bem lixada. Com "F" grande. 12 de Março é já amanhã.

Jesus fez o que devia. As poupanças eram inevitáveis a pensar naquele que tem de ser o grande objectivo do Benfica, a Liga Europa. E, como sabem, não é com hipocrisia que eu ou o Galaad, neste blog, dizemos isto. Já o tínhamos afirmado há muito: com o campeonato perdido desde a nascença do mesmo, o foco tinham de ser as três taças. Neste momento, na prova europeia, com o sorteio benéfico que tivemos, a nossa obrigação é chegar aos quartos-de-final. Ponto final. E se isso implicar poupar alguns jogadores, não há que temer.

Com Gaitán e Salvio de fora, Menezes e Jara foram os eleitos para o onze titular. Sem Aimar, ainda a contas com uma lesão, Martins foi o terceiro "elemento estranho" no meio-campo. Mas, surpreendentemente, não foi por esta mistura de caras menos conhecidas que o Benfica não teve sucesso em Braga. Pelo contrário. O jogo começou a bom ritmo, com o Braga a tentar tomar a iniciativa, mas cedo se percebeu que o Benfica estava mais forte, e a primeira meia hora de jogo foi nossa. Tanto em ataque organizado como nas saídas rápidas de Saviola, Jara e Cardozo, o Benfica criou sempre mais perigo, e foi sem surpresa que se viu o clube da Luz adiantar no marcador. Surpreendente foi o descaramento com que certas coisas foram feitas, às claras, a seguir.

Num lance em que Alan vai apenas para tentar acertar no adversário, acaba por simular uma agressão e provoca assim o segundo (o primeiro fora o golo mal anulado a Jara) grande e grave erro de Xistra: a expulsão do trinco espanhol do Benfica. Como é que Xistra viu? Não sei. Como é que o fiscal viu? Não sei. Alguém viu alguma coisa? Acho que não. O que me leva a pensar que a expulsão foi por má fé, foi intencional, encomendada, o que quiserem. E de uma falta inexistente se criou um livre que permitiu a Roberto mostrar, uma vez mais, quão inconstante é. Depois de já ter protagonizado uma grande defesa à meia hora, voltou a mostrar todas as suas fragilidades. Demasiado inconstante para ser titular num Benfica que se quer constante e regular pela positiva.

Cambalhota psicológica à beira do intervalo, Benfica com menos um e Jesus a viver uma situação semelhante à de Alvalade. Sem Javi, apostou em Airton poupando Saviola. Numa segunda parte mal jogada, com pouca inspiração e muitas faltas de ambos os lados (é de louvar que Kaká tenha acabado o jogo, fantástico trabalho, Xistra), o Braga começou por criar mais perigo e o Benfica, a espaços, com menos um, foi dando resposta. E foi já com Mossoró em campo que o Braga chegou à vitória, uma vez mais num lance irregular, fruto de uma falta favorável ao Benfica que foi transformada em lançamento para os bracarenses. Deu para perceber por que é que, nas palavras de Jesus, em Braga se gosta tanto de Xistra.

O Benfica perdeu não por falta de competência própria mas por erros alheios, uma vez mais. Os jogadores com menor frescura física foram poupados para o jogo com o PSG, e os que estiveram em campo a defender as nossas cores revelaram atitude, garra e qualidade que permitiriam, em condições normais, a vitória. Não deixaram.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não há Carnaval sem cabeçudos

Tenho visto muito pouco futebol nacional este ano, por falta de tempo. Se me dizem que esta exibição do Sporting foi a melhor da época, então tenho de admitir que este ano ainda não tinha visto futebol. Sou pragmático ao ponto de admitir que uma equipa que joga 90 minutos à defesa e ganha o jogo, merece se o fizer bem, mas não se pode considerar uma grande exibição. Se estacionar o autocarro com 11 jogadores atrás da linha de meio-campo e jogar boccia com Postiga lá na frente é uma grande exibição, então eu tenho os padrõezinhos de exigência muito lá em cima.

O Benfica que se apresentou na Luz foi o mesmo que se apresentou em Alvalade há semana e meia. O mesmo onze, com Martins a iniciar a partida e Aimar no banco de suplentes. Frente a um Sporting mudado não só dentro de campo, com os regressos de Carriço e Evaldo, mas com a importante perda de Pedro Mendes, e também diferente fora de campo, com a entrada de Couceiro, os leões sabiam que o jogo era de vida ou morte, era a última oportunidade de se agarrarem a uma competição e tentarem salvar a época. Sabendo da diferença de qualidade que os separa dos rivais, montaram a estratégia que as equipas ditas pequenas adoptam sempre que se deslocam à Luz: defender com onze jogadores atrás da linha da bola, no seu meio-campo defensivo, e lançar o ataque através de passes longos para a velocidade dos avançados. E o Sporting conseguiu mesmo chegar à vantagem, num lance duplamente irregular, pois não há falta sobre o médio leonino que se estende no relvado e há fora-de-jogo de Postiga no momento em que o livre é cobrado. De qualquer das formas, mais um golo sofrido de bola parada fruto de desentendimentos entre o guarda-redes (principal culpado) e a defesa (que não fica isenta de culpas). Pelo terceiro jogo consecutivo na Luz, o Benfica começava a perder.

Claramente sem a frescura física que gostaríamos de ver, o Benfica apresentou-se, ainda assim, a um nível muito bom para esta fase da época atendendo à quantidade de jogos já efectuados. Conseguiu carregar sobre o rival e criou oportunidades que permitiram chegar ao golo. Polga colaborou e fez questão de abraçar Javi Garcia na área já depois de ter sido avisado por duas vezes. Burro, hein? Só de pensar que esteve para vir para o Benfica... medo! E se Cardozo fez o que tem feito com frequência este ano no que toca a marcar penalties (falhar), de seguida redimiu-se e apontou, de cabeça, o primeiro golo encarnado, com a colaboração de Evaldo (ao qual se aplica o mesmo que disse sobre Polga). Com a igualdade, o Benfica carregou e arrancou mais bons lances e boas oportunidades, mas sem sucesso. O resultado era justo ao intervalo, mas se tivesse de haver alguém em vantagem, seria o Benfica.

A segunda parte foi de altos e baixos. Se é verdade que o Benfica não conseguiu imprimir o ritmo pedido pelo treinador, o Sporting também não fez muito pela vida, com apenas um par de ocasões perigosas, a começar e a terminar estes 45 minutos. Postiga foi a maior (única?) ameaça do lado leonino, enquanto que o Benfica viu Gaitán e Cardozo diminuírem de produção, ao contrário de Coentrão, que apareceu muito mais em jogo no segundo tempo. E foi precisamente pela lateral esquerda que surgiram os ataques benfiquistas, especialmente com a inclusão de Jara em campo. Fruto do balanceamento ofensivo do Benfica, nomeadamente no final da partida, seria de esperar um golo. O Sporting teve a sua oportunidade de ouro num lance que Matías desperdiça na cara de Roberto. O Benfica teve a sua na bota de Javi garcia, que na área, à ponta-de-lança, teve o sangue frio que faltou ao chileno do Sporting e bateu Patrício. O nosso destino é mesmo o de vencer.

(Carlos Martins a imitar Anderson Polga)

Queria deixar a pergunta aos nossos rivais que não se entendem: como está o Benfica? Uns dizem que está de rastos, que não consegue pressionar alto. Outros dizem que chega ao final dos jogos em alta rotação e que tal só é possível graças ao doping. Vá lá, entendam-se. O que eu vejo é que a equipa está forte e que vai em 18 vitórias consecutivas para todas as competições. Os temíveis meses de Janeiro e Fevereiro foram passados sem empatar ou perder. E para desvalorizar o indesvalorizável, lá vem o choradinho da arbitragem. Sintomático de quem não é grande.