Mostrar mensagens com a etiqueta treinador. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta treinador. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trivial Pursuit, versão Liga Zon Sagres

1 - Que treinador, de narinas esquisitas e suspeitas, fez parte da comitiva de um clube qualquer que foi viajar a Sevilla para um importante jogo da Liga Europa?

2 - Que treinador, que não se cala quando lhe metem um microfone à frente, fez parte da comitiva de um clube qualquer que foi viajar a Sevilla para um importante jogo da Liga Europa?

3 - Que amiguinho do Sistema é que está a ver que, para o ano, não vai ser fácil de arranjar emprego?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Melhor Treinador do Mundo

Gostem ou não, é o melhor treinador do Mundo, o melhor em praticamente todos os aspectos do jogo, desde a táctica à motivação. Ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar. Parabenizou os colegas de profissão nomeados, agradeceu aos jogadores que fizeram parte do seu percurso, e a todos os que gostam dele, nomeadamente à família. Em português e só em português. O maior. O melhor. Único.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma década de... treinadores

Dez anos marcados por muitos treinadores, como vem sendo hábito no Sport Lisboa e Benfica. A instabilidade que se vive fruto da pressão e da dimensão do cargo justificam em parte a grande rotatividade a que os lugares da esquerda do banco de suplente da Luz estão sujeitos. Eis uma análise que não é feita do pior para o melhor, mas sim por ordem temporal. Este é longo, desculpem lá.

Toni

Toni foi o primeiro treinador da década. Mas este não era o mesmo Toni que levara o Benfica ao título em anos anteriores. A promessa de Manuel Vilarinho revelou-se um autêntico tiro no pé, os resultados foram precisamente o oposto do esperado. Por culpa de quem? De todos. O plantel não ajudava minimamente, a defesa era horrível, enfim, um sem-número de problemas. Até final de 2000/2001, Toni conseguiu derrotas humilhantes, com Paços e Alverca em casa, e ainda goleadas contra Sporting, Gil Vicente, Braga (com dois golos de... Luís Filipe) e Porto, esta última para a Taça). Mau demais. Mesmo assim, Vilarinho manteve a aposta em Toni para a época seguinte e renovou o plantel por completo, para bem melhor, diga-se. Os resultados é que voltaram a ficar aquém do esperado. O campeonato inicia-se aos ziguezagues num ano em que todos os candidatos revelavam graves insuficiências. Mas uma série de derrotas (Paços, Boavista e Marítimo, este para a Taça) e o empate com o Sporting na Luz, naquela fabulosa exibição de Duarte Gomes, precipitam a saída de Toni. A sua última passagem pela Luz foi um autêntico desastre, mas isso não apaga o que fez de [muito] bom durante os excelentes anos que passou na Luz. Não belisca minimamente a sua reputação.

Jesualdo Ferreira

Adjunto de Toni, foi também ele o seu sucessor. Pois, é difícil falar deste senhor, não é? Primeiro porque não é senhor nenhum, é um hipócrita vendido. Depois, porque treinador vale zero? Tricampeão no Porto também a minha vizinha era, com o esquema todo montado. Lá fora foi o que se viu: no Málaga não durou até ao fim de Outubro. No Panathinaikos os adeptos já o perseguem, literalmente. Este alcoólico crónico teve a felicidade de treinar o Benfica (para nossa infelicidade) em 2001/2002, após a saída de Toni, e acabou no quarto lugar.

Prepara a época de 2002/2003 que começa em bom estilo, mas a sorte não poderia durar muito. Consegue uma série negra de 2V 2E e 3D para a liga sendo que na semana seguinte, para a Taça de Portugal, comete a proeza de perder, em casa, com o Gondomar. Obviamente demitido. Em boa hora. Porque o treinador seguinte iniciou, com grande mérito, uma autêntica revolução que daria frutos por bons anos.

Fernando Chalana

Dirigiu o Benfica por um jogo apenas, frente ao Braga, vitória por 3-0. Que importância teve no meio disto tudo? Muita. Montou um esquema com 3 defesas-centrais, retirando João Manuel Pinto e lançando Hélder, sendo que Miguel fez boa parte da ala direita, incluindo a posição de defesa direito. E colocou Mantorras a extremo direito. Estranho? Muito, mas resultou.

José Antonio Camacho

Um treinador que mudou a face perdedora e a mentalidade do Benfica dos últimos anos para algo muito melhor. Introduziu benfiquismo ao Benfica, muito provavelmente fruto do madridismo que bebeu durante muitos anos no "Benfica de Espanha". Camacho veio, viu e venceu. Com ele alterou-se tudo, posições de jogadores, mentalidades, espectáculo, foi uma lufada de ar fresco no Benfica. Pegou numa equipa desfeita e em pouco tempo monta o seu 4x2x3x1, imagem de marca: Moreira; Miguel, Argel, Hélder e Ricardo Rocha; Petit e Tiago; Geovanni, Zahovic e Simão; Nuno Gomes. Vence o Gil Vicente na estreia e num curto espaço de tempo a equipa joga um futebol atractivo e eficaz, com vitórias em Alavalade por 0-2, nos Barreiros (quebrando o maldito enguiço), em Setúbal por 2-6 depois de estar a perder por 2-0, no Restelo por 2-4, frente ao Vitória de Guimarães por 4-0 e contra o Braga de Jesualdo, em Braga, por 1-3. O Benfica alcança uns magníficos 75 pontos que em outros anos dariam para ser campeão.

Arranca para a época seguinte com poucas alterações na estrutura e no seu onze base. O campeonato foi renhido desde início e nivelado por cima. O Porto descolou da concorrência bem cedo e o Benfica tentou acompanhar como pôde, tal como o Sporting. O verdadeiro campeonato era o da 2ª circular, e esse estava ao rubro. Camacho devolveu o Benfica à Europa e às grandes noites europeias, algo que era impensável depois de algum tempo sem ir a estas provas. 2003/2004 fica marcado pela vitória frente ao Rosenborg numa eliminatória em que Nuno Gomes cometeu um erro de amador quase imperdoável, Moreira fez os jogos da vida dele e Karadas se deu a conhecer ao Benfica. Seguiu-se o Inter de Milão com um 0-0 na Luz (se aquele balázio do Petit entrasse...) e uma derrota por 4-3 em Milão, num jogo de grande carácter dos encarnados. Com a distracção europeia, o Benfica ficou com sete pontos de atraso para o Sporting quando faltavam apenas 8 jornadas para o final. Uma surpreendente derrota leonina por 4-0 em Vila do Conde anima o Benfica, mas voltaríamos a perder pontos na terra de Dom Fábio Coentrão (1-1), ficando a seis pontos do Sporting com apenas quatro jornadas por jogar. E eis que... o impensável acontece. O Sporting perde no Bessa e em Leiria consecutivamente, e o Benfica vence o Estrela e goleia o Braga de Jeusaldo na cidade dos arcebispos. Com 70 pontos à entrada para a 33ª jornada, o derby dos derbies, o Sporting x Benfica. Só a vitória interessava pois um empate mantinha-nos atrás devido à derrota com o rival na Luz. Um campeonato com tanta luta, com tanto suor, com tanto Camacho não poderia ser perdido assim. Com uma gigantesca exibição de Moreira (nota 9 para A Bola, algo que muito raramente acontece), o Benfica segura o empate até aos 88 minutos, quando Geovanni, a 30 metros da baliza, estoira para o golo, para a vitória e para o segundo lugar, roubado ali, em Alvalade, debaixo das barbas leoninas. Mas, mais importante que isto, Camacho devolveu o Benfica aos títulos oito anos depois. Vitória na final da Taça de Portugal frente ao Porto de José Mourinho que se sagraria campeão europeu poucos dias depois. Era o regresso do Benfica à Benfica, pela mão de José Antonio Camacho.

Giovanni Trapattoni

O que traz um treinador com uma carreira recheadíssima de sucessos para um país como Portugal para treinar um clube que não ganha o campeonato há onze anos? Vem treinar o Benfica, porque o Benfica é... o Benfica. A explicação é simples e a justificação difícil, mas é assim que as coisas são. Trapattoni fez aquilo que milhões de benfiquistas sonhavam com um plantel muito, muito fraco. Campeão onze anos depois. Se há obreiro neste título, ele é Trapattoni. Conseguiu, com um plantel composto por 15 jogadores apenas (Moreira, Quim, Miguel, João Pereira, Luisão, Ricardo Rocha, Dos Santos, Petit, Manuel Fernandes, Geovanni, Simão, Nuno Assis ou Zahovic, Nuno Gomes, Karadas e Mantorras), visto que os outros não contavam e constituíam apenas uma dor de cabeça, ser campeão. Expremeu a equipa ao máximo. No seu onze base, os jogadores estavam completamente estoirados no final da época. Foi uma tortura. E foi lindo. Perdeu a Supertaça para o Porto graças a uma birra de Ricardo Rocha que o obrigou a jogar com Argel (que levou um nó gigante de Quaresma, no golo da derrota), foi eliminado na qualificação da Champions pelo Anderlecht e ao fim de poucas semanas já se pedia a cabeça do italiano. Resistiu a iniciou o campeonato em bom estilo com bastantes vitórias e o primeiro lugar isolado, algo que não acontecia há anos, literalmente. Com alguns deslizes (Porto na Luz, grande exibição de Benquerença e Belenenses no Restelo, o dos 4-1), voltou-se a pedir a cabeça de Trapattoni. E ele resistiu, apesar de haver vontade dos altos quadros do Benfica em demiti-lo. Dobra a primeria volta com o mesmo número de pontos de Porto e Sporting e com mais um que Boavista e Braga, num ano muito renhido, fruto de um nivelamento por baixo do nosso futebol. O povo estava entusiasmado e vai à Luz para mostrar o apoio à equipa e partilhar a crença na possibilidade de ser campeão onze anos depois. Resultado? Benfica 0-2 Tanque Silva. Assobios, lenços brancos, quinto lugar e pede-se a cabeça do italiano. Mas ele resiste. Nas jornadas seguintes, o Benfica ocupa praticamente todas as posições do top-5 da tabela: foi quinto, quarto, segundo e terceiro, e eis que chega o dia da derrota anunciada. O Benfica desloca-se ao Dragão para perder uma vez mais contra o Porto. E, surpresa das surpresas, empata, algo que não acontecia há mais de uma década. Sinais de mudança? E à 25ª jornada, um quadro bonito: o Benfica vence o Gil por 2-0, com Mantorras a desloquear o jogo, o Sporting recebe e perde com o aflito Penafiel, num jogo com a marca de Hugo, e o Porto é goleado em casa pelo Nacional da Madeira. O Benfica estava novamente isolado no topo da tabela, com três pontos de vantagem sobre o segundo, o Porto. Na jornada seguinte o Porto perde novamente e o Benfica mostra estrelinha de campeão em Setúbal, ficando com seis pontos de avanço sobre o quarteto de segundos classificados num abrir e fechar de olhos. Surpresa das surpresas, seria este ano? Mas a tremideira começou: vitória por 4-3 na Luz com o Marítimo, com um golo de Mantorras no último minuto, derrota em Vila do Conde com arbitragem vergonhosa ("há que averiguar", disse Petit) e empate no último minuto em casa com a União de Leiria, graças a Mantorras. O Benfica segurava a liderança por um fio. Vence o Estoril com golos de Luisão e Mantorras, o Belenenses com golo de Simão e... perde em Penafiel graças ao sócio Pedro Proença. À entrada para a 33ª jornada, um cenário em tudo semelhante ao da 33ª jornada do campeonato anterior. O derby dos derbies, o Benfica x Sporting, com o Benfica obrigado a ganhar para ser campeão. O jogo é tenso e com poucas chances de golo para ambos os lados. Mas ao cair do pano, no minuto 83, o mesmo minuto da Mão de Vata, Luisão cabeceia com sucesso após livre de Petit para dar a liderança ao Benfica. O Sporting protesta sem razão, alegando mão, depois falta, depois outra coisa qualquer. Com o modo histérico ligado, são capazes de tudo. O Benfica só precisava de um empate na última jornada para se sagrar campeão. Contra tudo e contra todos, onze anos depois. E assim foi, o Benfica de serviços mínimos de Trap, a jogar sobre brasas, consegue empatar no Bessa e sagra-se campeão. Um clube que esteve para acabar, que esteve onze anos sem ganhar o campeonato e oito anos sem ganhar nada, por fim campeão, reerguido e no lugar que merecia. Uma semana de festejos fez com que a equipa não se apresentasse na melhor forma para a final da Taça que acabou por ir para Setúbal, impossibilitando a dobradinha que foge desde os tempos de Mortimore, mas o Benfica tinha alcançado feitos incríveis esta época. Trapattoni agradece aos jogadores, à estrutura e aos adeptos, diferentes de todos os outros e que fizeram a festa mais bonita de sempre, segundo o italiano. Mas era hora de partir, por vontade própria. Quis guardar uma imagem de perfeição junto dos adeptos e saiu. Fez bem. Será sempre recordado como o senhor que nos deu o título.

Ronald Koeman

Durante dias a fio se falou do sucessor de Trapattoni. Seria Koeman? Seria Zaccheroni? Seria Paul Le Guen? Veio o que eu menos queria, Ronald Koeman. E, para mim, foi uma autêntica desilusão. A participação na Champions foi de sonho, fez recordar o Benfica de outros tempos. Na fase de grupos e vindo do Pote 4, conseguiu a qualificação depois de algumas exibições soberbas. Perde em Manchester apenas no último minuto, perde na Luz com o Villareal fruto de um frango do inexperiente Rui Nereu, empata em Espanha com um golaço de Manuel Fernandes e empata também com o Lille num estádio repleto de benfiquistas em que alinhou com [pasmem-se!] Quim; Alcides, Luisão, Anderson, Ricardo Rocha; Petit, Manuel Fernandes, Nélson e Léo; Simão e Nuno Gomes. Vence em casa o Lille com golo de Miccoli no último minuto e consegue uma vitória de sonho na última jornada. Necessitado de ganhar para seguir em frente, como poderia o Benfica derrotar em casa o todo poderoso Manchester United, sem Simão, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Moreira e Miccoli? A Luz vestiu-se de gala e com as bancadas completamente cheias, 65 000 benfiquistas fizeram o Inferno da Luz. O United adiantou-se cedo no marcador, mas ainda antes da primeira parte o Benfica já tinha dado a volta: primeiro Geovanni, que mergulhou para um cabeceamento vitorioso após cruzamento de Nélson, depois o surpreendente Beto, com um tiro de fora da área a bater Van der Sar. Léo secou Ronaldo, meteu-o no bolso e por lá ficou o português. Substituído, teve uma atitude indesculpável para com os adeptos da Luz, revelando quão bem formado é. O Benfica venceu o Manchester colocando-se na fase seguinte da Liga dos Campeões. O sorteio ditou o Liverpool como adversário. Depois do Manchester, o campeão europeu! Como? Como era possível eliminar o mítico Liverpool? Na Luz foi Luisão quem deu a receita. Reeditou com Petit o famoso lance que deu a vitória no campeonato e após cruzamento do camisola "6", Luisão surpreende ao aparecer entre os defesas para cabecear nem hipóteses para Reina. A Luz, cheia, entrou em delírio. O Benfica vencia o campeão europeu por 1-0. Na segunda mão, na terra dos Beatles, Koeman teve a sorte dos campeões e o Benfica a felicidade de não ter sofrido cinco golos em meia hora. Aliás, não sofreu nenhum e ainda viu Léo ganhar lances de cabeça a Peter Crouch. Os Beatles, que namoraram Simão durante todo o defeso, aliás, o capitão encarnado chegou a estar no avião rumo a Liverpool, acabaram por ser "traídos" pelo "20" encarnado. Num momento de inspiração, após passe de Nuno Gomes que arrastou a marcação, Simão vê uma brecha e dispara em arco para um dos golos mais bonitos e marcantes da década. No segundo tempo foi Miccoli a confirmar, com um pontapé de moínho, a passagem aos quartos-de-final da Champions. Era o Benfica de volta aos grandes voos do passado. Sucumbiu apenas frente ao poderoso Barcelona de Ronaldinho e companhia, com a mãozinha de Thiago Motta que Steve Bennett deixou passar. "Eu vi, tu viste, ele não viu", escreveu A Bola no dia seguinte a esse empate caseiro, aludindo ao tal lance da grande penalidade que ficou por marcar. Quem sabe o que poderia ter acontecido se o Benfica tivesse partido em vantagem para essa segunda mão.

Posto isto, como é possível afirmar que Koeman foi uma desilusão? Porque utilizou o Benfica para se promover em vez de promover o Benfica. Koeman colocou-se em bicos de pés, menosprezou o futebol português e não foi campeão com um grande plantel. A estrutura base manteve-se e recebeu quatro grandes presentes: o defesa central Anderson, que justificou a escolha com grandes exibições, o médio grego Karagounis, incrivelmente preterido por Beto, o médio russo Karyaka, tão mal aproveitado, e o ponta-de-lança italiano Miccoli, que ainda hoje deixa saudades. Com este plantel e com esta estrutura, Koeman não foi campeão, tendo ficado a mais de dez pontos do Porto e com o segundo lugar praticamente perdido desde Março. É certo que para a História ficam as vitórias no Dragão, a primeira desde César Brito em 1991, com bis de Nuno Gomes e na Luz sobre o Porto, com golo de Laurent Robert. Mas o desprezo que apresentou para com o nosso campeonato e a falta de preparação dos jogos mais pequenos ditaram dois empates com a Naval, duas derrotas com o Sporting, uma derrota caseira com o Gil Vicente e mais um conjunto de péssimo resultados, com o Benfica a perder pontos com 12 dos 17 adversários em prova. Um treinador que usa o Benfica para se promover, como fez com o Valência e com o AZ Alkmaar, não merece as loas que muitos lhe tecem. Koeman não me deixa saudades. Os resultados europeus sim, ele não.

Fernando Santos

Amado por uns, odiado por outros, incompetente em Portugal, Deus na Grécia, é assim a vida de um treinador. Fernando Santos chegou ao Benfica como sucessor de Koeman, que fora literalmente vendido ao PSV por meio milhão de euros, salvo erro. Pessoalmente, senti-me aliviado com a vinda do Engenheiro por duas razões: primeiro, significava que Koeman saía, ele que havia prometido que com ele o Benfica passaria a jogar em 3x5x2 (medo!); segundo, porque a SIC falou todo o santo dia que Carlos Queiroz seria o treinador do Benfica e que estava a assinar contrato com Vieira dentro do estádio. Menos mal, veio o Fernando Santos, de quem não era fã, longe disso, mas que tem as suas qualidades e os seus defeitos. Infelizmente, os defeitos custaram-nos o campeonato. A sua passagem pelo Benfica resume-se a uma época com altos e baixos: na Europa o Benfica foi eliminado da Champions num grupo que estava ao nosso alcance, e uma vez relegados para a Taça UEFA conseguímos uma eliminatória muito bem conseguida frente ao PSG (com aquele golaço de Petit aqui referido), mas caímos aos pés do Espanyol com dois jogos terríveis, primeiro em Barcelona, onde sofremos três golos que revelaram falta de concentração e vontade, depois na Luz foi o festival de golos falhados, com Nuno Gomes, Mantorras, Simão, Miccoli e Rui Costa com oportunidades para matar a eliminatória, a falharem. Na Liga, o Benfica começou o campeonato muito mal com derrotas no Bessa (por 3-0), no Dragão (3-2), em Braga (3-1) e um empate em Paços de Ferreira (1-1), ficando a 9 pontos do Porto à 10ª jornada, com um jogo em atraso fruto do Caso Mateus. A partir daqui, o Benfica encetou uma recuperação memorável, com 10 vitórias e 2 empates em 12 jogos, incluindo a banhada de bola em Alvalade (0-2), chegando ao clássico da 23ª jornada, frente ao Porto, a um ponto do líder azul-e-branco. O Benfica deu meia parte de avanço ao adversário que conseguiu o empate na casa do rival, não obstante a grande segunda parte encarnada. E o Benfica não voltou a ver os dragões, fruto de uma série terrível de quatro empates em cinco jogos que além de tornarem o título numa miragem, impossibilitaram o segundo lugar. Onde é que Fernando Santos tem culpa? Essencialmente falta de coragem. Colocou Luisão a jogar quando o camisola "4" estava preso por arames e perdeu-o, lesionado, lançando em campo David Luiz, que não tinha a confiança de Santos. David Luiz acabou por surpreender pela positiva e foi sofrível vê-lo tomar conta da defesa com o central Anderson, que fez birra e não queria jogar, comprometendo a equipa. Houvesse coragem desde início, e teríamos Luisão para estes jogos finais, podendo ser campeão. Não foi assim. Vieira é, no entanto, o outro grande responsável pela não-conquista do campeonato, ao vender Ricardo Rocha e Alcides em Janeiro, deixando o Benfica quase sem centrais. Genial. A época termina com o Benfica em terceiro e com Santos sobre enorme pressão. Vieira mantém o seu treinador contra a vontade dos sócios e quem sabe, se contra a sua vontade ou não, nunca percebemos.

Fernando Santos inicia a nova época como treinador do Benfica, sendo o primeiro treinador do Benfica desde Artur Jorge (94-95) que consegue realizar uma época completa e iniciar a seguinte. Desde cedo se criam grandes expectativas sobre a equipa, esperanças essas fundamentadas, com um plantel fortíssimo especialmente no meio-campo, com Simão, Rui Costa, Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes, Nuno Assis, Karagounis, mas também no ataque, com Cardozo, Bergessio, Nuno Gomes e a possibilidade Miccoli. Vieira diz que é a equipa mais forte dos últimos dez anos, sobe a fasquia. Santos diz que perder Simão seria uma catástrofe, Vieira promete que o capitão fica. Três dias depois, Simão sai e Vieira não tem coragem para dizê-lo a Santos. Karagounis é dado a custo zero ao Panathinaikos e Manuel Fernandes vendido para Inglaterra. Em poucos dias, Vieira destrói a equipa, destrói a base de Camacho, como Geovanni aludiu e bem nessa altura. Fernando Santos empata com o Leixões na primeira jornada e já sem Veiga no Benfica, Vieira escolhe o caminho mais fácil e demite o treinador, decisão apoiada pela grande maioria dos sócios (eu incluído). A decisão revelar-se-ia parcialmente correcta, o modo foi asqueroso, foi sacudir a água do capote de uma forma baixa. E assim terminou mais uma relação de amizade. Fernando Santos não voltaria a treinar em Portugal.

José Antonio Camacho

Destruída a base de Camacho, Vieira chama... Camacho, amigo pessoal, com quem havia passado férias, para liderar o futebol benfiquista. Sem Veiga à vista, era a altura ideal para trazer o homem-forte do banco e das decisões do futebol, para agrado dos sócios (eu incluído) que sempre viram no espanhol o Dom Sebastião que precisávamos. Podia ser fraco em termos tácticos, mas a garra e paixão que tinha, a capacidade ímpar em motivar atletas, era preciosíssima. O plantel era fraco, os melhores anos dos melhores jogadores já tinham passado e os melhores anos dos outros jogadores ainda não tinham chegado. Um misto de experiência e juventude que estava destinado ao fracasso desde início. Um jogador sul-americano precisa, regra geral, de um ano de adaptação quando chega à Europa. O Benfica trouxe, nesse ano, Cardozo, Di Maria, Maxi Pereira, Edcarlos, Andrés Diaz, Bergessio e o norte-americano Freddy Adu. Com tanta gente nova que nunca tinha jogado na Europa, não era de esperar um milagre. No entanto, ao contrário do que se faz crer, a segunda passagem de Camacho pelo Benfica não foi má. Claro que não foi positiva, longe disso, mas não foi tão má quanto a pintam. Nos 21 jogos que fez para o campeonato, Camacho averbou apenas duas derrotas. Muitos empates, mas deixa o Benfica à 22ª jornada e nos oitavos-de-final da Taça UEFA. Por que razão sai? Cansado, farto de não conseguir motivar os jogadores. Se Camacho não consegue motivar jogadores, quem consegue? Ninguém. Zangou-se e teve a hombridade de sair. Camacho sentiu-se sozinho, desamparado, sem o apoio dos jogadores nem da Direcção. Mais uma amizade de Vieira que ruiu.

Fernando Chalana

Camacho deixou o Benfica no segundo lugar da Liga depois de ter empatado com a União de Leiria (último classificado) na Luz e já depois de ter empatado em Alvalade. Tinha dois pontos de vantagem sobre o Guimarães e seis sobre o Sporting. Posto este cenário, o que fazer? Contratar um treinador já a pensar na época seguinte ou colocar um interino? A segunda opção foi a escolhida e Chalana assumiu os comandos do Benfica. Em má hora, dizemos hoje. Chalana averba 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas com o Benfica a cair para o quarto lugar final. Como se isto não bastasse, é humilhado em Alvalade por 5-3 na meia-final da Taça de Portugal depois de estar a ganhar por 0-2 ao intervalo. Chalana sairia da equipa técnica na época seguinte.

Quique Flores

Enrique Sánchez Flores foi o escolhido por Rui Costa, quando o ex-camisola "10" assumiu a pasta de director desportivo. O espanhol veio e mostrou-se um treinador bastante diferente de todos os antecessores, nomeadamente no que ao discurso diz respeito. Mostrou sempre uma atitude construtiva, mas os resultados ficaram muito longe das expectativas. Nas taças internas, foi eliminado na de Portugal pelo surpreendente Leixões, mas venceu a da Liga numa final memorável por todas as razões contra o Sporting. Mas as provas europeias foram a grande desgraça: apesar de ter conseguido o apuramento frente ao complicado Napoli, numa eliminatória marcada por muita violência na primeira mão e pelo talento de Reyes e Nuno Gomes na segunda, com os golos da vitória, a fase de grupos revelou-se uma tragédia. Um empate (com o Hertha) e três derrotas (com Galatasaray, Olympiakos de goleada e o desconhecido Metalist Kharkiv). No campeonato tenho uma opinião diferente da da maioria dos benfiquistas: acho que o Benfica, apesar do futebol de fraca qualidade que apresentava, só não foi campeão porque não deixaram, porque cortaram-nos as pernas quando nos podíamos isolar na liderança. Com o Nacional da Madeira, na Luz, Pedro Henriques anula mal um golo a Cardozo aos 90 minutos que deixaria o Benfica com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e depois no Dragão, com o Porto, há o célebre penalty fantasma de Yebda sobre Lisandro. Duas oportunidades de ouro desperdiçadas não por culpa própria, mas por culpa da arbitragem. O campeonato iniciou-se praticamente com a recepção ao Porto de... Cristián Rodriguez, que tinha saído do Benfica para vestir de azul-e-branco. E num jogo de nervos, em que Rodriguez foi humilhado (soube bem por acaso) o Benfica empatou com os dragões num jogo que fica na memória por metade da nossa equipa ter ficado completamente de rastos. Seguiu-se um excelente ciclo de bons resultados que colocou o Benfica na liderança, mas o empate imposto pelo Nacional na Luz (que referimos anteriormente) e a derrota humilhante contra o Trofense fizeram com que o Benfica descolásse da liderança. O empate no Dragão deitou por terras as esperanças, e de seguida a derrota em Alvalade desmobilizou os benfiquistas, fartos de promessas e más exibições. Derrotas na Luz com o Guimarães e Académica fizeram aumentar as nuvens negras, agora, mais que o título, o segundo lugar parecia longe, quatro pontos pareciam uma montanha uma vez que o Benfica não jogava nada. A Bola fez a sua campanha asquerosa para tentar despedir Quique, nem nas vitórias o largavam, lembro-me das parangongas "Exibição Miserável" depois da vitória contra o Estrela na Reboleira, o treinador espanhol estava condenado ao despedimento. Com a vitória na final da Taça da Liga pelo meio, o Sporting fez o choradinho que faz sempre e o Benfica ficou, naturalmente mal visto. Resultado? O Benfica vence seis dos últimos dez jogos, o Sporting venceu... nove. Esclarecedor. Quem não chora não mama. Os últimos dias de Quique pareceram um enterro. "O último take" e outras capas foram feitas. Com o lugar em risco, Quique sente-se ameaçado pelo treinador do Braga, Jorge Jesus, que é dado como cada vez mais certo na Luz. E aí, perde as estribeiras no Braga x Benfica da 29ª jornada, numa demonstração de outro Quique. Não lhe valeu de nada, acabou despedido pela estrutura, num processo que de pacífico e consensual teve muito pouco. Mais uma vez, ninguém ficou bem na fotografia. Jorge Jesus seria a personagem seguinte.

Jorge Jesus

Entrou na Luz com "a certeza de que seria campeão nesta casa", palavras do mesmo. E foi. Chegou, viu e venceu, como nos filmes. Pôs o Benfica a jogar mais do que o dobro e venceu com classe, a jogar um futebol de qualidade que não se viu desde havia 20 anos, com goleadas, com emoção, com a maré vermelha a invadir estádios. Foi um ano lindo, proporcionado por Jesus, o maior responsável pelo sucesso desportivo. A ele se aliaram e conjugaram todos os factores: contratações de grande qualidade como Javi Garcia, Ramires e Saviola, a confirmação de Di Maria e o aparecimento de Fábio Coentrão, vindo do "mundo dos mortos" do futebol. Cardozo numa grande forma, Aimar a estar próximo do Aimar dos tempos de Valência, David Luiz a fazer, finalmente, uma época completa a defesa central, Luisão num dos melhores momentos da carreira, Maxi em bom plano e até Quim salvou o Benfica por algumas vezes, como em Alvalade ou na Choupana. A nível interno o Benfica limpou a Taça da Liga e o campeonato. Na Taça da Liga ficam na memória as goleadas nas meias ao Sporting em Alvalade (1-4) e na final contra o Porto (3-0), no Estádio do Algarve. Vitória justíssima nesta prova. No campeonato, começou a tremer com um empate caseiro frente ao Marítimo e uma vitória no último minuto em Guimarães, mas seguiu-se o rolo compressor com os famosos oito ao Vitória sadino. Depois, goleadas atrás de goleadas, ao Belenenses, ao Leixões, ao Nacional, ao Marítimo, Académica, Olhanense, todos provaram do veneno do Benfica. O Braga não nos largou e foi um candidato duro de roer, mas há jogos que, pela força demonstrada, pelo querer e pela qualidade marcam esta época: em Olhão, num jogo de nervos, foi Nuno Gomes quem falou mais alto e deu o empate que nos deixava à frente do Porto antes do clássico; depois, frente aos dragões, Saviola mostrou toda a sua classe ao derrotar o campeão com um golo oportuno numa autêntica batalha num ambiente infernal e de dilúvio; frente à Naval, a equipa tem dois jogos memoráveis, primeiro na Luz com o golo da vitória no último minuto, autoria de Javi, e depois na Figueira, em que recupera de 2-0 para 2-4, muito graças a Weldon, o 1-0 ao Braga, com golo de Luisão, os 2-0 ao Sporting, de Cardozo e Aimar, enfim, a lista é gigantesca e como se pode ver, todos os jogadores tiveram acção directa importante no título. Mas a revolução de mentalidade, de atitude, de dinâmica de ganhar foi introduzida por Jesus, e por isso ele é o obreiro maior do título. O título só foi conseguido na última jornada, mas em beleza, com a vitória por 2-1 sobre o Rio Ave, com dois golos de Cardozo que conquistou A Bola de Prata, sucedendo a Rui Águas, o último benfiquista a ganhar o troféu. A nível europeu, o Benfica venceu com uma facilidade incrível a fase de grupos da Liga Europa e derrotou também com facilidade o Hertha nos 16-avos. Depois, na eliminatória seguinte, um dos jogos da década, com os encarnados a derrotarem o Marseille no Vélodrome por 1-2, numa das melhores exibições europeias da última vintena de anos. Cairíamos aos pés do Liverpool que soube dar a volta à eliminatória, não dando hipóteses a um Benfica colectivamente mais forte mas sem capacidade defensiva para superar os reds. Chegava ao fim uma época de ouro, a recordar os 60's gloriosos da nossa História.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mozer na Liga Zon Sagres

Mozer, antigo central do Sport Lisboa e Benfica do final da década de 80 e início da década de 90, é o novo treinador da Naval. O ex-adjunto de José Mourinho aquando da sua passagem pelo Benfica, consegue assim o seu primeiro emprego num clube português enquanto treinador principal, ele que já tinha conseguido bons resultados, nomeadamente no Interclube de Luanda, que se sagrou campeão angolano pela primeira vez na sua história.

Enquanto benfiquista, desejo as maiores felicidades a Carlos Mozer e que salve a Naval da descida. Seria positivo ver mais ex-jogadores encarnados como treinadores de clubes da Primeira Divisão.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Segurar Jesus a todo o custo

Pinto da Costa voltou a elogiar Jorge Jesus, treinador do Benfica, dizendo que a actual classificação e pontuação do campeão nacional na Liga se deve principalmente ao seu treinador e que sem ele as coisas estariam bem piores. Em grande parte, é verdade. O Benfica vem de 9 vitórias em 10 jogos naquela que é a melhor série da época, um feito surpreendente tendo em conta a má planificação da temporada e os vários desequilíbrios no plantel. E Jesus está a conseguir resultados. Pinto da Costa sabe-o, e sabe também que sem as encomendas contra a Académica e Guimarães o Benfica estaria bem mais perto do primeiro lugar, mordendo os calcanhares ao actual líder (sem contar com as grandes arbitragens dos jogos do FCP, algo habitual no futebol português).

Pinto da Costa estará a cumprir os últimos anos de mandato. Perto dos 73 anos já não deverá dirigir os destinos do dragão por muito mais tempo. Seis anos, talvez. É uma possibilidade. E como tal estará disposto a fazer tudo para cumprir os seus últimos desejos. E qual será o maior desses desejos? Ter Jorge Jesus como treinador do FC Porto. Porquê? Vários motivos: primeiro e mais importante de todos, é o melhor treinador em Portugal e o segundo melhor português da actualidade; segundo, porque é um amigo pessoal de longa data do presidente portista; terceiro e igualmente importantíssimo, Pinto da Costa quer dar uma facada gigantesca no Benfica ao roubar-lhe o treinador que, por momentos, teletransportou equipa e adeptos de volta às épocas gloriosas. E este último ponto é talvez o mais importante de todos, já que pode significar que hoje, entre Benfica e Porto, as pessoas escolhem o Porto. Isto não nos pode acontecer.

O Porto vai bem lançado (e bem empurrado) para se sagrar campeão nacional. Então e se o Porto comandado por André Villas-Boas conseguir mesmo ganhar o título, como poderá Pinto da Costa assegurar os serviços de Jorge Jesus? Fácil, despede AVB. Não tem problema nenhum. O ciclo de vida de um treinador do Porto, mesmo sendo campeão, costuma ser curto. Carlos Alberto Silva, Bobby Robson, António Oliveira, José Mourinho e Co Adriaanse, são os melhores exemplos disso mesmo, todos foram campeões pelos dragões, a maioria bicampeões até, e todos acabaram por sair após terem ganho o campeonato. Despedir André Villas-Boas não seria problema.

E o Benfica? Até final desta época muita coisa ainda vai ocorrer. É objectivo do Porto desgastar cada vez mais a imagem de Jesus junto dos adeptos e direcção encarnada e para isso preparem-se para mais arbitragens encomendadas. Finda a época, logo se verá em que lugar e a quantos pontos do título ficará o Benfica. Se os resultados forem significativamente maus, Luís Filipe Vieira poderá mesmo, face à pressão dos sócios, despedir Jesus. Não, esperem, ele não precisa da pressão de ninguém, simplesmente despede treinadores num piscar de olhos, especialmente se tiver de salvar a sua imagem junto do eleitorado. "Mas Vieira e Jesus sempre foram e são grandes amigos!", há-de dizer, muito bem, alguém. Pois são, mas Vieira também era amicíssimo de Fernando Santos e de José Antonio Camacho e hoje parece que nem se falam. E eis-nos chegados à tal situação. Com Jesus no desemprego, Pinto da Costa despede o treinador campeão e contrata o seu "sonho de menino", provavelmente o último, e dá uma enorme machadada no Benfica e no benfiquismo. E todos sabemos as qualidades de Jesus, que implementado num sistema forte conseguirá aquilo que quer.

Para onde se volta Vieira? No mercado internacional há sempre muitos nomes disponíveis e com a ambição de treinar o Benfica. Desde os melhores, como Trapattoni, aos piores, como Quique ou Koeman, personagens que, uma pela falta de compreensão do futebol português e outra pela ambição única de se projectar a si mesmo e não ao clube, não singraram. Com o risco que é o mercado internacional, se calhar o melhor é mesmo apostar no mercado nacional. E em quem? Que treinador português é que ainda não passou pelo Benfica, tem a ambição e capacidade para treinar o nosso clube e pode de facto rivalizar com o Porto? Nem Humberto Coelho, nem Manuel José, nem Manuel Cajuda, nem Manuel Machado nem nenhum outro Manuel. Sobra um nome. Alguém novo, se calhar demasiado novo para merecer a confiança de um colosso europeu e que acabou de ser campeão pelo FC Porto: André Villas-Boas. Seria uma espécie de contra-machadada no Porto.

Isto tudo não acontece se algo for assegurado: a continuidade de Jesus no Benfica. É isso que Luís Filipe Vieira, Rui Costa e restantes elementos da direcção do clube têm de fazer a todo o custo, segurar o treinador. Porque se ele sair, imagino para onde irá e receio que o "novo ciclo" no futebol português fique irremediavelmente adiado por mais uns bons anos. Rebuscado? Sim. Possível? Também. Provável? A meu ver, bastante. Ou então é melhor ir dormir porque já estou a fazer filmes.

Ou não.

P.S. Não sei se estão recordados, mas há já uns tempos levantei o véu sobre este assunto na caixa de comentários deste post. As possibilidades de AVB ser, hipoteticamente, treinador do Benfica num futuro próximo não me parecem assim tão fracas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

10 anos após Mourinho

Passaram hoje dez anos que o Benfica, na altura liderado por Vale e Azevedo e Álvaro Braga Júnior (que dois...), decidiu, dar um golpe de asa apostando num jovem treinador português sem qualquer experiência a nível de treinador principal, mas com muita sabedoria bebida dos ensinamentos de dois catedráticos do futebol, Sir Bobby Robson e Louis van Gaal.

E se foi há dez anos que Mourinho foi contratado, foi também há praticamente dez anos que Mourinho foi despedido. Bom, despedido não foi, mas quase. Alguém duvida que era seu interesse seguir no Benfica e dar forma a um clube desfeito? Não duvido. Mas sabia que não tinha o apoio de quem lhe estava acima na "cadeia alimentar" do futebol encarnado, por isso decidiu sair.

Vilarinho veio com um treinador já definido, Toni, ele que já tinha sido campeão pelo Benfica em duas ocasiões distintas. Mourinho foi-se embora imediatamente a seguir àquele histórico Benfica 3x0 Sporting, no Estádio da Luz, numa noite de glória para João Tomás. Quais as consequências desse erro que foi enviar o melhor treinador português de sempre embora? Como e onde estaria o Benfica se Mourinho tivesse continuado de águia ao peito?

Pode ser arrogante, convencido e egocêntrico, mas é aquilo que muitos treinadores gostariam de ser e não são: um vencedor nato. Nasceu para ganhar, indiscutivelmente, é, como a fotografia acima o demonstra, um iluminado, e pensando nele e no seu sucesso, consegue o sucesso dos seus. Hoje, muitos jogadores são o que são graças a Mourinho. E eu acredito que, um dia, voltará a sentar-se no banco de suplentes da direita do Estádio da Luz.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Desbocado

Jorge Jesus parece ser aquele típico amigo muito competente mas ao qual não se pode confiar um segredo pois é um autêntico desbocado. O que o nosso treinador fez ontem na RTP N foi pura e simplesmente pavonear-se, esquecendo a dimensão do clube que treina e dos jogadores com que lida, ao estilo de Ronald Koeman.

Jesus foi um anjinho neste programa. Tudo o que o jornalista Hugo Gilberto ou o comentador Rui Moreira quisessem saber, ele dizia sem problemas. Não se arruma um guarda-redes titular em 30 jogos para o campeonato num programa destes em directo, ainda por cima da maneira que o fez. É de um amadorismo e falta de consideração pelo atleta, foi enxovalhamento público. Nem se confirma o interesse num ponta-de-lança difícil de contratar, cobiçado por meia Europa, de classe Mundial, sabendo que o departamento de prospecção do Porto apenas manda contratar jogadores que o Benfica quer. E o que é que ele quis dizer com aquilo da ida do Falcao para o Porto? "Não foi por acaso que o Falcao foi para o Porto"? O que é que isto quer dizer?

Alguém do Benfica tem de comprar um pacote de férias ao mister e dar-lhe duas semaninhas de descanso, que estas entrevistas têm sido um autêntico fiasco.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lapidar nº25

"O Benfica, em termos individuais, tem grandes jogadores e como faço em todos os clubes onde tenho passado, os jogadores do Benfica para o ano vão jogar o dobro do que jogaram o ano passado. Só isso. E o dobro se calhar é pouco. (...) Quero fazer parte da história do Benfica. Quero ganhar títulos no Benfica. Vim para o Benfica não por questões económicas. Vim com um projecto desportivo. Vim porque acredito no projecto desportivo. Vim para o Benfica com a certeza e a convicção de que vou ser campeão nesta casa."

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Estas frases ficam para a história.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Jorge Jesus renova até 2013

Jorge Jesus renovou o contrato inicial de duas épocas que o ligava ao Benfica, terminando agora no final da época 2012/2013. Pela primeira vez em alguns anos, a aposta num treinador parece ser segura e definitiva, e sendo ele Jorge Jesus, o contentamento é notório. O comunicado oficial à CMVM já saiu, pondo desta forma fim às especulações que o davam de saída para outro gigante europeu.

P.S. Acabo de saber neste exacto momento, pela Benfica TV, que um adepto benfiquista foi barbaramente assassinado em Braga. Não disseram nem "quando" nem "porquê", mas assim que souber darei mais notícias.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sondagem #18

Depois de mais um mês de votações, eis os resultados:

À questão sobre os treinadores do passado recente benfiquista, os nossos leitores votaram em número record, superando por larga margem o máximo de votantes numa sondagem até agora. Foram 406 votos, sendo que desses, 344 (84%) foram para Giovanni Trapattoni. Em segundo lugar ficou o mal-amado Fernando Santos com 33% dos votos, treinador que melhor futebol apresentou na Luz nos últimos anos, superando Ronald Koeman que com a sua fabulosa campanha europeia não arrecadou mais de 30%. Por fim, no duelo de espanhóis, José Antonio Camacho levou a melhor com 15% dos votos, pese embora o 4º lugar obtido nessa época. Nem a Taça da Liga salvou Quique Flores, aqui eleito como o pior treinador dos últimos 5 anos, não indo além dos 9%.

Concluindo, os benfiquista acham que Giovanni Trapattoni e Fernando Santos foram os dois melhores treinadores dos últimos 5 anos.

Nas próximas semanas dedicarei um post a cada um dos 5 visados nesta sondagem, dando a minha opinião sobre as suas passagens pelo Benfica, analisando qualidades, erros e o legado que possam ter deixado.

domingo, 15 de novembro de 2009

É bom, para a rivalidade

Em poucas linhas, porque estou-me nas tintas para o Sporting:

- a escolha de Carlos Carvalhal para o cargo de treinador do Sporting deixa-me contente. Não por duvidar das suas qualidades (que não tem), mas por ser um anti-benfiquista nojento. Ficam bem uns para os outros. Lembram-se do que ele disse no Setúbal-Benfica da Taça da Liga de 2007/2008? Eu não esqueço.

- os sportinguistas bem podiam assentar os pés na terra. Levaram respostas negativas de Cajuda, Jorge Costa e Villas Boas. Depois disto, pediam Pekerman e Fatih Terim. É o mesmo que não ter dinheiro para comprar um Renault e ir a seguir ao stand dos Ferraris.

- a aliança que o Sporting fez com o Porto está a paga-la cara: primeiro porque a resposta negativa de Villas Boas teve mãozinha do norte; segundo porque agora sim perceberam que passaram a ser quase uma filial. O anti-benfiquismo deu nisto.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

É o meo treinador!

No final da época passada, como devem estar recordados, defendi a continuidade de Quique Flores. Exactamente, o mesmo Quique que hoje é treinador do Atlético de Madrid. Ora, esta onda de excelentes resultados e ainda melhores exibições do Benfica é precisamente o melhor momento para falar sobre essa minha opinião.

Quique, bem ou mal, foi um treinador que granjeou grande aceitação por parte de um sector do Benfica. Por outro lado, sempre houve um outro grupo ao qual o espanhol nunca conseguiu chegar, fosse pela sua postura e maneira de estar no desporto, fosse pelo futebol pouco atractivo que o Benfica produzia. Teve alguns conflitos com Léo, Reyes, Sidnei, Balboa e talvez tenham existido outros com Nuno Gomes, Petit e Cardozo, mas há uma coisa que não deve, nem pode, ser ocultada: na sua passagem pelo Benfica, Quique Flores foi um homem, melhor, um senhor, sério, que soube sempre aguentar a pressão que o cargo exige.

E era precisamente essa pressão que eu temia que poderia ter um efeito negativo em Jorge Jesus. Temia que JJ não soubesse lidar nem aguentar com a pressão naquele que é um dos cargos mais difíceis deste país. Nunca neste período em que se falou da entrada e saída de elementos das equipas técnicas, nomeadamente Quique e Jesus, fiz algum comentário sobre a qualidade de Jesus. Não critiquei nem condenei Jesus, mas também não fiz o "funeral" a Quique. Acreditava (e acredito) na qualidade do português, desconfiava da sua capacidade de lidar com a pressão, aquilo que era precisamente o trunfo de Quique.

Como estaria a jogar este Benfica com Quique? Não sabemos. Mas podemos inferir, pelo que estamos a ver nesta época, que não poderia ser o mesmo que vemos hoje. Jesus foi a grande aquisição para esta temporada. Os mais cépticos estão convencidos. É altura de, dos muitos que somos, sermos um. E pluribus unum.

P.S. E por falar em qualidade de jogo, futebol espectáculo, super-plantel e grandes craques, hoje, o Real Madrid, com Dudek, Arbeloa, Metzelder, Albiol, Drenthe, Diarra, Guti, Van der Vaart, Granero, Raul e Benzema foi humilhado naquele que deverá ser o maior pesadelo da história do clube. Perdeu 4-0 com o modesto Alcorcón, da segunda divisão B (terceiro escalão espanhol), num jogo a contar para a Taça do Rei. Na sequência do que venho dizendo, reforço: euforia nas bancadas, profissionalismo em campo. É a chave do sucesso.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Jorge Jesus



"A partir de hoje, o melhor treinador do Mundo. Que tenha coragem, coração e sabedoria para fazer voltar o Benfica ao lugar que lhe pertence por direito próprio. Boa sorte. "

P.S. Para os mais distraídos, nesta imagem, Jesus está a invocar a virgem Maria.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Digam adeus ao rapaz!


Quique saiu. A notícia já não é nova, mas o precipitar de acontecimentos (eleições antecipadas, declarações de Vilarinho, etc) e o muito trabalho impediram-me de vir escrever sobre o assunto antes. Mas vamos ao que interessa.

Amado por uns e odiado por outros, Quique não foi consensual desde o início, se bem que nenhum treinador do Benfica o tenha sido nos últimos 20 anos. Quanto a mim, cometeu erros, alguns graves, mas não deveria ter sido dispensado. E digo isto porque na próxima época vamos partir da estaca zero. Será mais uma vez o Ano 0, ou Ano -1 se preferirem, uma vez que esta história das eleições é inacreditável. Além disso, a alta verba que teria de receber se a rescisão não fosse amigável, era outro "contra" à saída do treinador. Não se pode pagar 3 milhões de euros para um treinador se ir embora.

Desejo sorte a Quique na sua carreira, porque o método, a inteligência e a liderança estão lá. Boa sorte.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sondagem #13


Quique, Quique e Quique. O resultado desta sondagem parece ser inequívoco. 47% dos 276 votantes acham que Quique deve ser o treinador do Benfica para a próxima temporada, suplantando assim Jorge Jesus por mais do dobro dos votos (22%). 9% dos benfiquistas que votaram acham que Mozer devia ser o escolhido, tendo portanto mais votos que o compatriota Luiz Felipe Scolari (6% apenas). Valverde, Malesani, Paul Le Guen e Ricardo Gomes, outros dos nomes sugeridos, contam apenas com 2% dos votos cada, sendo que alguns do votantes (3%) não se idenficam com os treinadores da lista e votaram noutro, se bem que não se saiba quem é.


Já está disponível uma nova sondagem, desta vez em balanço da época transacta, referente ao melhor jogador do plantel. Ide e votai.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Lapidar nº12


"Também quero ser ouvido na questão do treinador"


Bruno Carvalho

Olha, meu amigo, também eu. E também os restantes 6 milhões de benfiquistas, seguramente. Mas esta coisa do "também quero ser ouvido na questão do treinador" ou do "LFV, por favor, não se candidate" é típico de quem quer um tacho, mas sabe que não o vai conseguir. Se queres tomar decisões sobre o SL Benfica, então chega primeiro a presidente.

Melhor ainda: dentro de dias, também vamos fazer uma sondagem sobre quem deve ser o treinador do Benfica para a próxima época. Se ultrapassarmos os 500 votos, faço chegar os resultados ao Rui Costa para ele nos ouvir (calma, não estou a falar a sério!). Afinal "também queremos ser ouvidos na questão do treinador", não é?

sábado, 9 de maio de 2009

Assim não, Quique

Quando o treinador do Benfica criticou abertamente Reyes, Di Maria, Cardozo, Katsouranis, Balboa, enfim, muita gente, fui a favor do método de Quique. Acho que espicaçar os jogadores do Benfica é uma atitude louvável e necessária. O que não se pode fazer é atacar pessoalmente um ex-jogador do clube que sempre deu tudo em prol do Benfica e que sempre defendeu a camisola com um enorme orgulho. Isso Enrique, é inadmissível, mesmo que seja em reposta ao atleta em questão.

Defendi Quique até aos limites possíveis, e se necessário, continuarei a defender, mas neste momento, mais que algumas substituições, mais que algumas decisões e mais que algumas críticas a jogadores como o Léo há algo que me preocupa ainda mais que isso. É notar que no discurso de Quique está, para além de um claro fugir das responsabilidades, uma sobranceria de quem se acha maior e melhor que o Clube que treina. E quando esse clube é o Benfica, a situação torna-se grave. Os jogadores passam, os treinadores passam, os dirigentes passam, mas o Clube fica. Não te esqueças disso, Quique.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

De repente...

De repente começo a ouvir "Klinsmann", "Scolari" e "Eriksson".

Digam-me lá qual deles é melhor que o nosso "Quique"?

sábado, 24 de maio de 2008

Ao lado


Foi ao lado. Precisaram de 22 nomes para acertarem no novo treinador do Benfica. Desde a saída de Camacho até hoje, muito se disse, muito se especulou, e só acertaram praticamente em dois nomes: primeiro Eriksson, com o qual houve efectivamente contactos, e agora Quique Flores, o novo treinador do Benfica, ao qual teremos de dar todo o nosso apoio, tal como o Galaad escreveu no post abaixo. Fiquem com a lista dos ex-futuros-treinadores do SLB que a imprensa noticiou:

Carlos Queiróz
Carlos Bianchi
José Peseiro
Alberto Malesani
Jorge Jesus
Fatih Terim
José Mourinho
Humberto Coelho
Carlos Carvalhal
Luís Felipe Scolari
Alberto Zaccheroni
Didier Deschamps
Manuel Cajuda
Sven-Goran Eriksson
Roberto Donadoni
Marcello Lippi
Gordon Strachan
Avram Grant
Michael Laudrup
Quique Flores
Zico
Delio Rossi