
Acabar a época sem títulos (a tal cena do “nada”), regra geral, despoleta uma vaga de depressões desportivas e uma tempestade de emoções, muitas vezes indutoras de instintos selváticos que nos levam a que,
tudo o que mexa e não seja vermelho, se transforme em alvo a abater. Inclusive os que cá estão dentro! Resta saber se com razão…
Que estamos no meio de uma intempérie, ninguém o pode negar. Quando o “nada” nos invade, ai daquele que ousar dizer “
ah… isto hoje nem chove nem faz sol”. Não! É tempestade mesmo! Daí que, em pleno turbilhão de ventos e marés, se criem expectativas em relação às “
condições favoráveis à ocorrência de trovoadas”.
São sinais de esperança que, depois da invernia, chegue a bonança.
A ideia que vou ficando, principalmente nestas épocas em que alguma coisa tem que ser dita (dirigentes, pois claro), é que estamos mesmo no meio de uma (trovoada). Por norma, para quem se deleita com o maravilhoso espectáculo do rasgar dos céus, por parte de milhares de
Kilowatts, existem dois momentos chave:
a queda do raio (leia-se: reforços de qualidade) e o
ruído do trovão (leia-se: o blá, blá, blá de LFV e Cª, Lda). Pois bem… digam-me lá se falhei a sequência? Se estivesse a falar de futebol, teria errado sim! Ui… e se falar do Benfica o mais provável é que “
a terra gire ao contrário e os rios nasçam no mar”.
Não é que o denominado trovão (muito barulho, pois claro), no que ao Benfica diz respeito,
teima em vir primeiro que o raio? Não é que não o procuremos… mas “
cadê” aquela coisa que faz mal e destrói (os outros, espera-se), causando transtorno e desconforto a quem o recebe? Onde está aquele brilho intenso, que ilumina o dia e/ou a noite?
Ficamo-nos só pelo barulho? Li, por estes dias, com muito agrado, que estamos a consolidar os nossos Resultados Operacionais em detrimento da venda de activos. Finalmente percebeu-se, de há algum tempo para cá, que a filosofia passa pela aposta nos que cá estão,
mas porque não se investe numa “luz”? Porque teimamos em fazer barulho e não criamos… “luz”?
Porque “trovejamos” tanto um Benfica Glorioso (para o futuro), se o Benfica do presente não tem ambição?
Falamos em investir e ficamos à espera da venda de possíveis dispensados porque, sem esse dinheirinho, não há Benfica Glorioso para ninguém. Que lógica de “bombas” é esta?
A forma de LFV abordar o tema “reforços” é que lembra uma grande bomba… de Carnaval. Não bastou a questão do fiasco do Tomasson e do Kalou? Para quê vender-nos ilusões? Mas é de gente inteligente anunciar sem ter comprado? Como é possível anunciar milhões, com tostões no bolso? Mas onde pára o dinheiro do empréstimo obrigacionista que o próprio LFV anunciou como meio para reforçar o plantel? Calem-me este homem, com o devido respeito! Aliás, peçam-lhe para nos revelar, afinal, que “
raio” de estratégia é esta? Temos estratégia desportiva, não temos?
Lanço uma pergunta: 6 ou 7 possíveis dispensados (quase todos com um ano de casa, apenas) revelam o quê? incapacidade negocial (com outros jogadores), inaptidão para a prospecção do mercado ou demérito de quem decide seguir a estratégia da contenção (em detrimento do investimento)?
Falam-se em jogadores de 32, 33, 34 anos. Isto lá tem cara de aposta séria no futebol?
Descubram-me outro Jardel, um Mantorras com dois joelhos, um triste de Deus que não saiba falar, mas que marque golos até enjoar. Onde pára a prospecção e a aposta nos escalões de formação? Vão buscar um jogador à China (por sinal muito bom) e não lhe vão dar uma oportunidade, já antevejo. Esta política assenta em que parte da estratégia? A lógica do “custo zero” como se coaduna com o Benfica dominador?
Quando o Benfica conseguir sanear por completo as suas contas, restará o quê do Benfica desportivo que todos nós aprendemos a gostar? Friso:
investimento não é despesa!
Deveria ser proibido, a LFV, inaugurar Casas do Benfica! Quiçá, nalguma dessas inaugrações, LFV deixe o coração chegar à boca (
sem tintol) e revele que, afinal, o Benfica só pode juntar-se ao Portugal dos Pequeninos (Edgar, Devic, Rúben Amorim… fala-se) e que tudo, afinal, não passava de mais um conto do vigário (como tantos que temos visto). Pode ser que, depois, todos se esqueçam das vãs promessas do Benfica Nacional, Europeu e Mundial perante tais revelações. Seria, de facto, uma bomba já antevista.
Depois dos enormes “trovões”, que teimam em chegar primeiro do que aqueles que fazem efectivamente moça, a minha dúvida, depois de tantos anos à espera é:
Onde Diabo estão os “raios” que os partam a todos… MESMO?