Pessoalmente, não estou com grande vontade para escrever crónicas enquanto o Benfica realizar prestações deste calibre. Ou seja, até Fernando Santos abdicar do cargo de treinador do Benfica. Ontem estive na Luz. Fiz 600 kms para ver uma exibição triste, taciturna, miserável. Tal como o seu treinador, a equipa metia dó. Os jogadores, salvo algumas - poucas - excepções, demonstraram falta de querer, de garra e de ambição.
Apesar de tudo, o Benfica dominou um ainda mais frágil Copenhaga, durante todo o jogo. O golo acabou por surgir na primeira parte, fruto de um grande pontapé do Maestro, vindo do nada. Ainda antes do intervalo, depois de muita atrapalhação, os dinamarqueses chegaram ao empate. Luisão lesionou-se, entrou Adu, a equipa continuava apática. Estava tudo a correr bem.
Fernando Santos conseguiu, no mesmo jogo, utilizar três esquemas tácticos diferentes. Começou com o tradicional losango, durante os primeiros 45 minutos, alterou para um 4x3x3 com Coentrão e Adu no apoio a Cardozo e, por último, com a entrada de Nuno Gomes, conseguiu por o Benfica a jogar numa espécie de 4x2x3x1, com o Nuno Gomes e o Cardozo em cunha. Fabuloso registo. Os jogadores aplaudem. Podem não perceber nada da táctica, mas sabem os salmos todos de cor. E isso é de louvar.
Quando tudo parecia indicar que o resultado final seria o empate, Rui Costa sacou mais um grande disparo da cartola, aliviando a pressão sobre Fernando Santos, que até ali jazia no banco de suplentes. Sacana do Maestro! Fernando Santos não só não merecia a sorte que teve, como um empate não seria comprometedor de todo, quando comparado com a possibilidade de este ser demitido pelo Presidente. E o Rui Costa estragou isso tudo. Os adeptos aplaudiram a equipa de pé, ovacionaram os jogadores, mas não esqueço a assobiadela monumental aquando do anúncio do nome do treinador do Benfica.
A segunda mão realiza-se na quarta-feira, 29 de Agosto, na Dinamarca.
O jejum terminou: estou de volta. Após um curto - mas atento! - interregno, regresso das minhas férias blogosféricas com a habitual sede de pilhéria que me acompanha. É complicado estar afastado destas lides. Isto porque bloggar, para mim, é...olhem, é como escovar os dentes! E só os Senhores da Colgate sabem como eu prezo a minha higiene oral. Pelo menos cá em casa não há nenhuma Zulmira 'escovas' Ferreira a importunar as minhas práticas de asseio com as suas necessidades de colmatação de índole sexual.
Ultimamente as coisas andam muito estranhas. O Alecsandro marca golos, o Sporting ganha títulos, o Bruno Alves não agride ninguém...o que é que se segue? O Miguel Veloso arranja uma namorada? O Pinto da Costa ressuscita? Os adeptos do Guimarães acordam, certa manhã, e decidem comportar-se como gente civilizada?
Era o que faltava. Constou-me que o Vieira está a passar férias com o Camacho. E não, não estou a insinuar que ele sua desalmadamente das axilas. O engenheiro que não se cuide, e ainda acaba de joelhos, a treinar o Fátima.
Agora, se me permitem, vou repousar. Não sem antes, como manda a etiqueta, escovar os dentes. Talvez desta use...fio dental.
Dia de Derby, nada melhor para escrever um texto que já tinha preparado há uns tempos, mas por falta de disponibilidade, não tinha tido oportunidade de o partilhar convosco! Diz respeito não só ao Derlei, mas a todos os Derleis (leia-se jogadores banais), que passam tanto pelo Benfica como pelo Sporting, e a exigência que lhes é imposta, ou o grau de qualidade necessário para integrar qualquer um dos planteis...
Derlei, para além dum pulha intratável, já foi um grande jogador, mas sejamos realistas já o não é faz muito tempo. Foi por isso previsivel a sua "não" produção num clube superior como é o Benfica, e ainda mais previsivel a sua dispensa da Luz ao fim de 6 patéticos meses. Ora quem não perdeu tempo para o resgatar foram os nossos vizinhos da Alvaláxia. Má opção? Boa solução? A verdade é que não vos sei dizer, sinceramente. E não vos sei dizer, porque não se pode comparar o incomparável, e sejamos realistas, o Sporting, a nivel de exigência dos seus adeptos, de ambição, de nivel de exigência da qualidade dos seus futebolistas, e por ultimo da pressão que estes sentem, está a anos luz do Benfica.
Derlei, é como Marian Had, Yannick Djaló, Pereirinha ou Purovic. São jogadores, que ninguem duvida que na Luz faziam um jogo, e um só jogo bastava para se arrependerem de alguma vez terem assinado pelo Benfica (não é Vanderlei?). Não digo com isto, que não tenhamos jogadores medíanos no nosso clube, porque os temos, o que digo é no Benfica, ao contrário do Sporting, nenhum jogador medíano alguma vez fará carreira, singrará.
Porque para o Benfica não servem os bons...Apenas os óptimos. Em suma, não duvido que Derlei consiga a dezena de golos esta época (se Alecsandro e Bueno fizeram o que fizeram), mas aplaudo a sua dispensa da Luz, porque aqui no Gigante, não tinha estofo para fazer um par de golos, quanto mais uma dezena...
Saudações Benfiquistas, e bora lá ganhar o Guadiana!
Calhou-nos em sorte o FC Copenhaga ou o Beitar de Jerusalem. A primeira mão será disputada na Luz a 14 ou 15 de Agosto. De referir que o Copenhaga está em vantagem, derivado de ter ganho a primeira mão por 1-0, mas agora terá de ir a Israel...
De referir que o ano passado, empatámos 0-0 fora com os dinamarqueses e ganhámos 3-1 em casa. Já quanto aos israelitas, lembro-me que há alguns anos (treinados por Souness, acho eu...) "despachámo-los" com 5-0 na Luz, e lá, perdemos (já não me lembro por quantos), mas assegurámos a entrada na fase de grupos da Champions.
Seja como for, em qualquer dos casos e calhe quem calhar, seremos e somos, inequivocamente, favoritos. Temos o dever e a obrigação de nos apurarmos.
Quando, no passado domingo, parti para um curto período de férias, já levava na consciência uma eventual e extremamente provável saída do Simão. Era inevitável. O jogador queria sair, e depois de tantos anos de contenção e dedicação, estava no seu direito. Não o disse na crónica, mas notei que jogou sem alma contra o Cluj, como que contrariado, sem vontade. Vieira fez o que era possível: garantiu, para além dos 20 milhões, dois jogadores do clube madrileno ou, em contrapartida, mais 7 milhões de euros. O Simão esteve para sair por 20, no ano passado, e não me parece que num ano sem competições internacionais de grande relvância, em que o Benfica não venceu nada nem sequer brilhou na Europa, o desejo de o contratar tenha aumentado tanto que o valor exigido possa subir 5 milhões. Por isso, e porque 20 milhões de euros também é muito dinheiro, está-se bem.
Ontem, enquanto passava os olhos pela minha pasta com mais de uma centena de fotos do Simão, que fui recolhendo durante estes 6 anos de vínculo, antes de a passar para a pasta de ex-jogadores, não evitei emocionar-me ao recordar - para além da extensa panóplia de diferentes penteados - os grandes momentos de alegria que ele me fez passar. Foi o maior símbolo do Benfica na última década. A estrela que mais cintilou desde a saída de João Vieira Pinto, era eu um miúdo de 7 ou 8 anos, e chorava em frente à tv. O Benfica sofre um tremendo rasgão na sua ligação com os adeptos. Simão Sabrosa soube emendar-se - pudera! - quando se deparou com a grandeza do Benfica. A equipa perde carisma, perde força, alma e espírito de liderança de um capitão que irá deixar saudades.
Se no campo emocional as perdas são incalculáveis, no plano desportivo parecem-me, a mim, ao contrário do que a maioria dos benfiquistas dá a entender pensar, mais facéis de suplantar. Sou um crítico do treinador que previlegia o sistema e encaixa nele os jogadores, em vez de criar um sistema que se coadune com as características dos elementos do plantel. Fernando Santos é um deles. Simão, como fabuloso jogador que é, também deu nas vistas a 10, mas nunca foi a mesma coisa. Eu gostava tanto, mas muito mais, de o ver a jogar a extremo, logo agora que parece que achamos um goleador, um homem de área. Mas, tendo em conta que isso é impossível, a sua preponderância diminui um pouco, e a sua saída será menos sentida se for contratado um 10 de qualidade para o seu posto.
Se Rui Costa já está velho de mais para evitar recuar no terreno para recolher e distribuir jogo, e Nuno Assis não me parece muito talhado para a função, ficamos, como já tinha referido há uma semana atrás, com uma lacuna. Di María pode fazer a posição, mas dará prioridade ao posto de interior esquerdo. Adu, que vem a caminho, creio ser um homem com mais propensão para jogar a segundo avançado, não possuindo a classe que um 10 necessita. Hoje fala-se em Daniel Carvalho, mas no lo credo.
Em suma, o saldo será feito no final, mas não entender a saída do Simão é não entender o que é o mundo futebolístico actual, e pior, o que é Benfica, e a sua incomensurável grandeza, independente de qualquer jogador.
Não vos quero falar do blog fundado pelo nosso amigo T-Rex, mas de um fenómeno “de duas cabeças”, típico de pré-época e que convém combater: o “queimanço” ou endeusamento prematuro.
O endeusamento prematuro é nocivo, não pelo entusiasmo gerado na pré-época, mas pela "ressaca" desse mesmo entusiasmo quando começam os jogos a doer. Já diz o ditado, quanto maior a altura, maior o tombo... Quando o entusiasmo se transforma em exigência “instantânea” e intolerância ao mais pequeno erro – sobretudo nos primeiros jogos da época! - é que se percebe o real perigo do endeusamento.
O “queimanço” também é nocivo, e nisto temos ajuda dos nossos adversários. Muitos procuram, desde cedo, arranjar “clichés” para definir um jogador: este é um flop, este tem medo de rematar, aquele é egoísta, este sai mal nos cruzamentos, etc. O atleta fica marcado, o que em alguns casos pode ter consequências negativas no próprio desempenho: se lhe chamam tosco, vai tentar à viva força fazer bonito, se lhe chamam velho, vai tentar provar que é tão ágil como os novos, etc...
Não digo que, como no “Vedeta e Marreta”, se espere pelo fim de uma carreira (ou quase) para se avaliar um jogador, mas penso que é sensato sermos moderados na nossa apreciação dos reforços... Vamos dar espaço aos “discretos” para crescer, e saber aceitar as baixas de forma das nossas grandes promessas...
É precisamente essa a expressão que melhor define o jogo de ontem [sim, porque já passa das 02h00 da manhã]: Deu para matar a fome. Fome de bola e fome de posts. Como já deviam ter reparado, tenho andado um pouco ausente, mas depois de uma época de exames atarefada e de uma suada semana de férias, estou de volta para vos apresentar a 1ª crónica da época 07/08. Prometemos apresentar regularmente uma análise, após cada jogo da nova época.
Ritmo, ou falta dele
Apesar do fabuloso ambiente sentido no estádio do clube romeno de pequenas dimensões, mas com adeptos altamente fervorosos, os primeiros minutos foram de clara adaptação. O ritmo era pausado, próprio de um jogo que, afinal, era o primeiro da época. A equipa apresentou-se um pouco desconectada, lenta e pouco entrosada. No entanto, com decorrer da partida, os jogadores foram-se soltando e recuperando velocidade de pensamento e execução. A segunda parte foi de um nível bastante superior, com excelentes jogadas, combinações...e golos! Dois grandes golos: um de Rui Costa, outro de Cardozo, ambos de fora da área.
A questão do 10
Na ausência de Nuno Assis, ainda a cumprir suspensão, e tendo Fernando Santos optado pelo famigerado losango, Rui Costa e Simão afiguravam-se como os únicos candidatos à posição de playmaker. O treinador optou por Simão, relegando Rui Costa para interior esquerdo. Durante o jogo - e Rui Costa acabou por cumprir os 90 minutos, passando para 10 na segunda parte -, foi evidente o grande buraco deixado por preencher no corredor central. Rui Costa, naturalmente, demonstrou uma grande tendência para recuar, na tentativa de buscar jogo. Simão, pura e simplesmente, na minha opinião, não rende ali. Ainda deu nas vistas quando tentou pegar no jogo, por volta dos 20 minutos, com alguns contra-ataques e algumas incursões pelas alas. Mas refira-se, a bem da verdade, que também jogou a 10...à hora. Apesar de termos um meio-campo de luxo, é uma situação a rever. Duplas
Se em relação à dupla de centrais não parecem existir grandes dúvidas, a luta por um lugar na dianteira está cada vez mais animada. Cardozo, para estreia, esteve muito bem. Deu indicações muito boas a Fernando Santos, mostrando muita qualidade na desmarcação, jogo aéreo e remate. Foi do seu portentoso pé esquerdo que saiu o segundo golo dos encarados, que hoje, só por acaso, actuaram de cor-de-rosa. Bergessio, por seu turno, esteve apagado. Mostrou raça e querer, mas deixou os adeptos ansiosos por nova oportunidade de o observar melhor. Em noite de estreantes, Dabao actuou pouco tempo, mas deu para ver que merece a confiança do treinador. Mantorras está a mais no plantel, mas já não é de hoje. Oxalá fossem todas as dores de cabeça do calibre desta. Mediocridade, paulada e...Manélélé!
Num jogo muito faltoso, arbitrado e comentado mediocremente, alguns jogadores começaram a destacar-se, pela qualidade e pelos índices físicos que apresentam. Rui Costa - o melhor em campo -, Quim, Cardozo e...Manuel Fernandes. O 37 está de volta, com uma imponência fora do normal. No entanto, teve algumas dificuldades em ver-lhe reconhecido o seu grandioso porte. Vai ter problemas na Liga se as arbitragens forem, tal como esta, como nos têm habituado: muito pouco permissivas. Habituado ao futebol mais físico da Premiership, já dá para entender que o seu poderio não será uma vantagem preponderante nas competições nacionais em que, ao mínimo derrube, seguido de um mergulho, o árbitro assinala prontamente a falta. Depois admiram-se que eles vão daqui franganitos e saiam de lá cavalões. A exibição deu para matar a fome, mas parece-me um pouco triste empatar com um clube centenário, que ainda assim tem menos títulos que o Sporting na Europa.
Um a Um
Quim - seguro e eficaz, a provar que ele é, para já, o número 1.
Zoro - pareceu-me um pouco lento, mas esteve inultrapassável na defesa e ainda se aventurou com sucesso no ataque, uma vez ou outra.
Luisão - discreto, eficaz, mas ainda longe da boa forma.
David Luiz - vem com rodagem, mas precisa de calibrar o entendimento com Luisão.
Miguelito - esteve muito bem, provou estar à altura de ser uma alternativa muito fiável a Léo.
Katsouranis - não gostei nada da exibição, teve algumas falhas, muita lentidão, mas para primeiro jogo da época, numa posição que não lhe pertence, está perdoado.
Manuel Fernandes - o melhor reforço da época.
Rui Costa - um senhor, com aquela idade, jogar assim tanto, devia ser proibido.
Simão - intermitente, jogou 45 minutos que souberam a pouco.
Bergessio - muito aguerrido, pouco esclarecido, mas tem muito tempo para se adaptar.
Cardozo - chegou, jogou e marcou; a mi me gusta, Tacuara!
Butt - tecnicistas já temos, para alguma coisa tens as luvas!
Stretenovic - não comprometeu, nem surpreendeu.
Miguel Víctor - entrou à João Coimbra, ou seja, não deu para se ver.
Romeu Ribeiro - continuo a achar que tem muita qualidade, muito bom jogador.
Fábio Coentrão - esteve muito bem na ala esquerda, é um desequilibrador nato.
CLUJ: Stanciou, Tony, Cadú, Sandberg, Tanin, Didi, Dani, André Leão, Semedo, Trica e Cristian Fabbiani. Jogaram ainda: Munteauan, Muresan, Pulio, Sousa, Anca, Surdu, Pedro Oliveira, Marginean, Amoreirinha e Freddy. Treinador: Ioan Andone
BENFICA: Quim, Zoro, Luisão, David Luiz, Miguelito, Manuel Fernandes, Katsouranis, Rui Costa, Simão, Cardozo e Bergessio. Jogaram ainda: Butt, Stretenovic, Romeu Ribeiro, Fábio Coentrão, Manu, Mantorras, Yu Dabao e Miguel Vítor. Treinador: Fernando Santos
Ao intervalo: 0-0 Disciplina: cartão amarelo a Dani (34') Marcadores: Dani (48') e Semedo (68'); Rui Costa (54') e O. Cardozo (66') Resultado Final: 2-2
"Quando desespero, lembro-me que o caminho da verdade sempre venceu, podem haver tiranos e assassinos e por um tempo eles podes parecer invencíveis, mas no final eles falham sempre. Pensem nisso: sempre!"
.. a crónica da Leonor Pinhão esta semana, n'abola!
De um romancista inglês, que gosto muito, guardei sempre esta frase por a saber verdadeira: «Em todas as infâncias, há sempre um momento em que uma porta se abre e deixa entrar o futuro.»
Pelos meus dez anos, estando a lanchar com a minha avó e uma tia na varanda do snack-bar da Praia Grande, sobranceira à piscina de água salgada, veio o empregado de bandeja, e com maus modos, dispor sobre a mesa o serviço de chá, as torradas aparadas e o mais que fora encomendado, com a graciosidade de quem atira tijolos ao chão.
A louça ao bater no tampo metálico da mesa fez um barulho grosseiro e a força dos múltiplos impactos salpicou de chá a família. Como se não bastasse, meia torrada saltou do prato e ficou de esguelha, em posição inconveniente.
Cumprido o serviço, o homem da bandeja foi-se embora, muito direito, levando consigo a notinha providenciada pela minha avó que ainda lhe disse: «Pode ficar com o troco.»
– Que sujeito mais boçal… – comentou a minha tia.
– Coitado… – respondeu a minha avó.
– E ainda lhe deu gorjeta quando o que lhe devia ter dado era uma descompostura! — insistiu a minha tia, abespinhada com o comportamento do criado.
Ao que a minha avó, justificando-se, respondeu:
– Era só o que faltava! Não passo cartão a labregos.
– Há excepções — contrapôs a minha tia.
– Não há, não.
Eu vi e ouvi tudo, sem perceber, é certo, o alcance filosófico do diálogo que, mesmo assim, muito me impressionou pela novidade das expressões cujo sentido desconhecia. À noite, perguntei ao meu pai o que era um «labrego» e o que significava «não passar cartão a labregos».
Com as suas explicações, fiquei esclarecida. Mais do que esclarecida, convencida. Foi este o momento da minha infância em que o futuro me entrou pela porta.
Por vezes, no entanto, permito-me duvidar. Do ponto de vista dos labregos, o não lhes passar cartão, não poderá ser entendido como o usufruto de um poder intimidatório, exercido impunemente sobre pessoas de bem, na certeza fácil de que não terão resposta?
Não deveria a minha avó ter posto no lugar aquele criado com a bandeja, protagonista de um serviço lamentável, em vez de se dar ares de abstracção e limitar-se a ignorá-lo em nome de princípios romanescos tão deslocados da vida real?
Eu compreendo-a. Passar cartão a um labrego é reconhecer-lhe a existência. O erro é julgarmos que isso de algum modo os afecta. Porque, na verdade, um labrego não tem vergonha nenhuma.
Não se pode viver com medo de ouvir o nosso nome pronunciado em público por estranhos. Ou viver temendo que o nosso nome venha a ser pronunciado em público por estranhos. Interiorizado esse pudor de classe, mais não faremos do que ceder objectivamente à intimidação que o marcar da distância nos obriga.
António Tavares Teles é o autor de uma rubrica no jornal O Jogo, denominada O Pato. Depois de ter ameaçado com um «prepare-se» um jornalista íntegro e, por isso mesmo, mais do que preparado, veio no último sábado, afirmar que possui «cópia, é claro» da factura n.º 2.1.54219 da Agência Abreu, passada a 18 de Março de 1988, ao SL Benfica, referente a «oito viagens ao Luxemburgo e Bruxelas» de oito jornalistas, no valor nominal de 87.300 escudos.
Espectacular, pá!
A mesma factura já fora agitada aos quatro ventos quando a SIC, há mais de dez anos, revelou o episódio das viagens de árbitros para destinos exóticos a custas de um clube de futebol, tendo motivado um comunicado esclarecedor do Sindicato dos Jornalistas que, pelos vistos, desta vez anda a dormir. A mesma factura voltou a ser agitada pelo presidente do FC Porto, no mês passado, quando depois de três acusações por parte do Ministério Público sentiu vontade de pronunciar o meu nome, embora eu não seja do Ministério Público.
Bem pode, António Tavares Teles, também ele, emoldurar a factura e bem podemos nós, os oito jornalistas, regozijarmo-nos pelo facto de os melhores «serviços de informação do país» não terem nas nossas «fichas» nada, rigorosamente nada, que nos possam comprometer, envergonhar ou provar como criadagem ao serviço de quem quer que seja.
Em Outubro de 2003, no decorrer de um Boavista-FC Porto, Deco perdeu a cabeça e atirou com uma bota ao árbitro Paulo Paraty. Foi expulso e castigado com 3 jogos de suspensão. As pressões exercidas para aligeirar a punição do jogador constam de uma certidão do Ministério Público, no âmbito do processo Apito Dourado. As escutas referentes a este episódio foram publicadas no Correio da Manhã, a 16 de Abril. E, em resumo, é disto que se trata:
O presidente do FC Porto e o presidente da Liga de Clubes conversam ao telefone sobre a melhor maneira de despenalizar Deco. Valentim Loureiro diz a Pinto da Costa: «Mas, ó Jorge, você veja aí com os seus serviços como as coisas poderiam conduzir-se para minorar os efeitos.» E «Jorge» responde-lhe que os seus «serviços» já estão «a estudar» o assunto. Eis o estudo: o presidente dos árbitros garante ao presidente do FC Porto que o árbitro Paulo Paraty «não vai utilizar a palavra agressão» no relatório do jogo e o presidente do FC Porto convence Deco a não comentar a notícia que vai sair no dia seguinte no Pato dando conta de que o jogador se recusa a jogar pela Selecção Nacional no Europeu. Assim:
– Amanhã vai sair aquela coisa no Pato.
– Hum – responde Deco.
– É uma coisa do género «pode estourar uma bomba… ofendido com o que foi dito e o castigo»…
– Hum — volta a responder Deco.
– … e tal… pode estourar uma bomba que é possível que Deco, desgostoso com a perseguição que lhe está a ser feita, se calhar vai pedir dispensa de jogar na Selecção, ou coisa assim, estás a perceber?
– Hum, hum — é a resposta de Deco (e só por estes quatro «hums» merece uma salva de palmas).
– Que é como forma de pressão para…
– Hum, hum – mais dois «hums» de Deco, provando como é esperto dentro e fora das quatro linhas.
– Portanto, se amanhã alguém te telefonar a perguntar se isso é verdade tu dizes: «Sobre isso não falo nem uma palavra»…
A transcrição das escutas reporta-se, depois, ao dia seguinte. O presidente do FC Porto ouve Antero Henriques deleitar-se com a notícia do Pato, que já grasnara de véspera:
– Esta do Pato, do Deco, vou-lhe dizer uma coisa, pá, eu sabia que o presidente era um génio, mas esta, f…-se!
– Como é que vem? – pergunta o presidente.
– Um espectáculo, pá.
– Como é que está?
– Acho que é uma chantagem fantástica! – acha Antero Henriques.
Eu acho que é mais «um espectáculo, pá» do que «uma chantagem fantástica». E de genial, «hum», só o descaramento.
Outro «espectáculo, pá» é a notinha que o mesmo Tavares Teles escreveu no último domingo, no Diário de Notícias sobre o livro de Carolina Salgado. Passo a transcrever: «Mãozinha de quem? De Leonor Pinhão, como insinua Fernanda Freitas? Quem sabe? Autora moral já se sabia que de algum modo Leonor Pinhão era. Mas material também? Vamos ver o julgamento.»
Vamos lá, então, ao julgamento:
Ao longo de cinquenta anos a minha vida no crime resume-se a uma multa por excesso de velocidade.
Nunca fui autora moral, nem material, nem cúmplice, nem pau-mandado de «chantagens fantásticas».
Tenho, do meu lado, «moral» e «material» que o provam com ampla e eficaz suficiência.
E espero que a minha avó me desculpe ter aberto esta excepção. Que grande mulher!
Se o pepas, como se diz por aqui, for para o Real Madrid por cerca de 30 milhões de €uros, quem quiser levar o Luisão é bom que apareça com, pelo menos, 60 milhões de €uros só para nos sentarmos á mesa a conversar...
Irra!!! Está tudo maluco!!!! O que será a seguir? O Bruno Alves por 20 milhões?
Já tinha feito referência a este assunto há uns tempos atrás. A direcção parece andar atenta às preces dos Benfiquistas, e decidiu remodelar o Departamento Médico. O Rodolfo demitiu-se. Se esse for o preço a pagar para ter este menino de volta, que seja. Está crescido, não está?
Cuidado. A leitura deste post não é aconselhada a cardíacos nem a doentes em fase terminal. Se te inseres em alguma destas categorias, afasta-te rapidamente do ecrã. A não ser que sejas do Sporting. Ou do Porto. Adiante. Os conteúdos a seguir postados são de uma comicidade extrema, de um nível a que nem sequer os sportinguistas nos têm habituado. Esqueçam o Miguel Ângelo, o Bulhão Pato e a Maria José Valério. Isto é humor valente. À grande. É puro e duro. Quem ousar ler as próximas linhas corre sérios riscos de vida. Há relatos de indivíduos que já tiveram que se submeter a operações aos maxilares, de tanto estrebuchar a rir. Depois não digam que eu não avisei.
Os comentários que aqui se seguem, em itálico, são da lavra de sportinguistas e foram extraídos de um site da especialidade.
Gastam 9 milhões num jogador inútil e ridículo que não marcará mais que 3 golos por época enquanto que o grande SPORTING vai buscar um dos melhores do mundo por empréstimo com opçao de compra bem abaixo dos 9 milhoes. E acreditem que este não vai marcar apenas 3 golos ( ao estilo de nulo golos! ) temos aqui homem para ultrapassar Mário Jardel ou até mesmo o mitíco Yazalde!
Eu diria mais. Este menino tem tudo para fazer corar o Eusébio. Um penteado agradável, uma boa altura, 5 golos nas últimas três épocas.. tudo.
Porque se for verdade o Sporting acaba de garantir o titulo de campeão nacional...Maxi Lopez vale no minimo 30 golos por época e de certeza que no próximo mundial 2010, será Maxi Lopez e Lionel Messi na frente de ataque argentina...portanto temos que comprar o seu passe porque depois ele ainda vai aumentar mais... 30 golos por época? Isso marco eu ao pequeno-almoço. O Super Maxi faz entre 60 a 80, na boa.
Grande noticia, grande jogador. Actualmente a nível de potencial é dos melhores a jogar na Europa. Já da para imaginar a dupla Liedson e Maxi...se há ano em que seremos campeões europeus, é este de certeza! Este plantel é de cortar a respiração a qualquer um, temos qualidade, quantidade, juventude....tudo! E não é só! Dos melhores a jogar na Europa, é inquestionavelmente o que tem o nariz mais feio. Sim, porque o Caneira é apenas relativamente razoável. É desta que, 101 anos e uma Taça das Taças depois, o Zbording vai ganhar a Champions. E agora Spartak, quem é que é fraquinho, quem é?
Acho que está na altura de um pedido de desculpas por parte de muitos associados do scp á suposta má gestão de Soares Franco e seus associados. Esta contratação é a prova viva que o nosso presidente não brinca em serviço. Já em relação ao reforço penso que dispensa apresentações, é uma das maiores promessas de sempre do futebol mundial, mal aproveitado no Barcelona e com falta de sorte no Maiorca. Penso sinceramente que se tiver o apoio de todos os sportinguistas, Maxi Lopez poderá chegar ao nível de um Van Basten ou um Romário. Tem classe, força e atitude. Assim sim, acredito num título europeu, e não sabe se já este ano.. Bem, não vamos sonhar tão alto. Van Basten ou Romário talvez estejam um bocadinho fora do alcance. Mas um Nistelroy ou um Jair também não são nada de se deitar fora. Ele é mesmo muito bom. No Maiorca teve foi azar daquela vez que foi desarmado por um meco nos treinos.
Agora sim a direcção do Sporting começa a dar cartas no mercado de transferências! O Maxi Lopez está á vontade entre os 5 melhores avançados europeus da actualidade! Maxi Lopez,Izmailov,Liedson...Então Benfica e FC Porto, com medo? Eu estaria. Medo é um eufemismo, amigo. Uma frente de ataque composta por um ex-empacotador e por um pré-goleador é temível. De súbito, as tiradas 'Vocês têm é inveja' e 'Comecem a tremer, lampiões' começam a fazer sentido.
Obrigado a todos. Não só me deixaram extraordinariamente bem disposto como também contribuíram para a tonificação dos meus abdominais. Sporting CP, 101 anos a fazer rir Portugal. E na maioria deles nem sequer tinham o Paulo Portas.
Os treinadores de futebol não costumam primar pela eloquência. Todos sabemos, porém, que para um treinador de futebol falar bem não precisa de falar muito. Com meia dúzia de chavões e um punhado de ideias simples e claras, qualquer treinador se safa com brio de uma entrevista.
No entanto, todos sabemos também que há treinadores, entre os quais o nosso Fernando Santos, que quando falam têm tendência a meter os pés pelas mãos. Como líderes de homens, possuem virtudes e defeitos; mas como relações públicas deles mesmos, espalham-se ao comprido, ao ponto de nos fazerem duvidar da sua competência global.
Lendo a entrevista de Fernando Santos ao pasquim Record (1 de Julho de 2007), não pude deixar de reparar na quantidade alarmante de afirmações “estranhas” proferidas pelo nosso treinador. Analisemo-las.
Não gosto de falar em reforços pois parece que são melhores do que os que cá estão.
Estava eu convencido de que os reforços eram mesmopara ser melhores que os cá estavam. Já dizia o Camacho: “Para virem reforços, só se forem melhores do que os que cá estão”. Mas afinal, o murciano estava errado.
O Benfica tinha um plantel reduzido no que diz respeito à equivalência de qualidade dos jogadores. [...] o plantel do Benfica tinha 13/14 jogadores e isso não pode voltar a acontecer.
Estas afirmações também são curiosas, sobretudo porque não me lembro de as ouvir proferidas no início da época anterior; nessa altura, o discurso era mais triunfante. Mas também posso andar esquecido... Resta acrescentar que, com um plantel ainda mais desequilibrado, os três treinadores anteriores conseguiram conquistar mais do que o Sr. treinador actual. Sem desculpas.
[Em resposta à pergunta do Record: Com plantel mais equilibrado e mais a Taça da Liga vai rodar mais o plantel esta temporada?]A ideia não é rodar, é mediante o calendário ter condições para mudar de jogo para jogo mas também no próprio jogo.
Portanto a ideia não é rodar, é apenas rodar.
[...]Quero poder lançar outros quando alguns atletas estiverem em baixo de forma.
A questão é, em que forma estarão os “outros” (e com que entrosamento) se passarem a vida no banco feitos inválidos...
O que sinto é que não há grande cultura do treinador português e é sempre exigido determinado número de coisas...
Entre outras, que ganhe. Quanto à falta de “cultura” ou tradição de treinadores portugueses no Benfica, o Sr. Fernando Santos, que é benfiquista, conhece-a melhor que ninguém. Mais do que queixar-se de uma realidade que já conhecia há bem mais que uma época, valeria mais lutar para mudar o status quo.
A pré-eliminatória, em termos económicos, é muito importante para o Benfica. Mas veja-se o caso do Bayern de Munique que não vai estar na Champions.
Em primeiro lugar, não gostei muito da alusão ao Bayern. Cheira-me a desdramatização antecipada para um eventual falhanço na pré-eliminatória... Em segundo lugar, alguém que lembre ao Sr. Fernando Santos que o Benfica é um Grande Europeu, e que a participação nas competições europeias não tem só a ver com o económico mas também com a defesa dos nossos pergaminhos.
... pela experiência que tenho, o que me foi dado sempre a ver é que não encontro nenhum argumento muito válido para fazer um estágio no estrangeiro, a não ser razões económicas.
O económico volta à carga. Caro Fernando Santos, lembre-se dos milhares de benfiquistas espalhados por esse mundo fora, sobretudo na Europa, em África e na América do Norte, que raramente têm a oportunidade de ver ao vivo o seu Clube do coração. Não serão eles um argumento válido?
E já mesmo no fim da entrevista...
[Respondendo se contava com Yu Dabao no plantel] Vamos ver. Tenho de o ver primeiro.
Ainda não viu? Madre mia!
...
Enfim, só nos resta esperar uma pré-época mais bem sucedida do que "certas e determinadas" entrevistas.
Iniciámos esta rubrica em Fevereiro passado, num post em que prometi maior assiduidade nas divulgações. Todavia, acabámos por não lhe conceder o merecido destaque. Hoje, retomo-a.
Há um novo projecto a desabrochar na blogosfera Benfiquista. Chama-se Benfica Tv, um site com um conceito inovador. Diariamente são apresentados, em forma de telejornal virtual, os acontecimentos mais importantes do dia do clube. Há também vídeos em constante rotação e muitas ideias inovadoras em efeverscência. Passem por lá.