Existe por aí, em certa imprensa, talvez eufórica pela exuberante diferença de pontos que separa o campeão anunciado do Benfica, desejosa de reescrever a história. São, nesta altura, bem contados, dezasseis pontos que marcam a diferença entre a melhor e mais consistente equipa do campeonato e a anémica e desorganizada junção de jogadores que semanalmente o Benfica deita para o campo na ilegítima esperança de ganhar qualquer coisa mais que não seja experiência para o futuro. Porém, quando passo a vista no jornal o “Público” e deparo com o foguetório jornalístico a pretexto da iminente queda do recorde de pontos de vantagem sobre o segundo classificado, que o Benfica ainda detêm, verifico essa tentativa desesperada de passar uma esponja sobre a história, de forma a que todos acreditem que o hiper-poderoso FC Porto está prestes ao Benfica mais uma das suas marcas da supremacia histórica no futebol português.Para isso é que servem os adeptos. Para que estas tentativas não consigam fazer o seu caminho, é necessária uma sentinela permanente sobre estes atentados à grandeza do Benfica. Vejamos, uma coisa é a actual equipa de futebol e outra é a grandeza adquirida pelos clubes. Nesse aspecto, o Benfica é o maior e assim continuará. São trinta e um títulos, vinte e duas taças de Portugal. E mais uma série de recordes que o vitorioso FC Porto de Pinto da Costa nunca conseguiu ultrapassar e tão pouco igualar.
Um deles é o da pontuação que diferencia o campeão da equipa que lhe fica imediatamente a seguir nos lugares de cima da classificação. Na época de 72-73, o Benfica de Jimmy Hagan chegou ao fim da linha fixando a diferença para o segundo classificado em 18 pontos. Pois bem, é esse mítico e imbatível recorde que o jornal “O Público” extemporaneamente propõe que o FC Porto de Jesualdo Ferreira consiga igualar ou até mesmo erradicar do mapa, com a alegação daninha de que os futuros tri-campeões de Portugal podem conseguir agora, no final deste campeonato, alcançar uma diferença de pontos superior à marca histórica do Benfica de Hagan.
Pois bem, concordo em muitas coisas com Valdano e Menotti. Numa delas, alinho na ideia de que o futebol só se conhece a si mesmo se tiver respeito pela memória e pela tradição. Este é um dos casos em que é preciso ter memória. Na década de setenta, se bem se lembram, o sistema de pontuação era diferente. Uma vitória, dois pontos, o empate valia exactamente o mesmo que vale agora. O jornal “O Público” fez as contas por mim e converteu a diferença de pontos entre o Benfica e o segundo classificado na época de 72-73 na pontuação actualmente vigente no campeonato. Daria, pois, uma diferença de 32 pontos. Este sim, é o número recorde actualizado de pontos que um campeão em Portugal conseguiu arrecadar num mesmo campeonato de diferença para o segundo classificado. Portanto, muito longe dos anunciados 18 pontos que o FC Porto de Jesualdo Ferreira estará perto de bater. E, na época de 72-73, o número de jornadas do campeonato era exactamente o mesmo que o da Liga Bwin. Dezasseis equipas, trinta jornadas. Daqui se conclui que o recorde do Benfica, um de muitos que o clube ainda mantêm como demonstração da sua supremacia histórica no futebol português, se vai manter intocável e imbatido.
Apesar das esforçadas tentativas de reescrever a história, os adeptos do Benfica não deixarão que isso aconteça. Basta lembra 32 pontos de diferença, quase tantos como o número de títulos conquistados e já agora quase tantos como o número de jogos sem derrotas num só campeonato. Ainda com Jimmy Hagan, o Benfica, na década de setenta, conseguiu ganhar por uma única vez em toda a história do futebol português, um campeonato sem derrotas. Melhor dizendo, 28 vitórias e apenas dois empates. E já agora, que estou embalado, de recordar que na mesma década, com outro treinador inglês, John Mortimore, o Benfica entrou no top ten de recordes mundiais de invencibilidade no campeonato. Foram 53 jogos consecutivos sem perder. É como diz Valdano e Menotti. A memória ajuda muito a encontrar os caminhos próprios da grandeza. E os benfiquistas não esquecem isso. Por muito dolorosos que sejam os tempos actuais.
PS – Este é o Benfica que Luís Filipe Vieira anda a prometer à seis anos consecutivos. Sem sucesso. As diferenças entre o Benfica prometido e o Benfica real devia fazer os benfiquistas pensar.




















