quarta-feira, 19 de março de 2008

Quatro Linhas #7: Recordes há muitos!

Existe por aí, em certa imprensa, talvez eufórica pela exuberante diferença de pontos que separa o campeão anunciado do Benfica, desejosa de reescrever a história. São, nesta altura, bem contados, dezasseis pontos que marcam a diferença entre a melhor e mais consistente equipa do campeonato e a anémica e desorganizada junção de jogadores que semanalmente o Benfica deita para o campo na ilegítima esperança de ganhar qualquer coisa mais que não seja experiência para o futuro. Porém, quando passo a vista no jornal o “Público” e deparo com o foguetório jornalístico a pretexto da iminente queda do recorde de pontos de vantagem sobre o segundo classificado, que o Benfica ainda detêm, verifico essa tentativa desesperada de passar uma esponja sobre a história, de forma a que todos acreditem que o hiper-poderoso FC Porto está prestes ao Benfica mais uma das suas marcas da supremacia histórica no futebol português.

Para isso é que servem os adeptos. Para que estas tentativas não consigam fazer o seu caminho, é necessária uma sentinela permanente sobre estes atentados à grandeza do Benfica. Vejamos, uma coisa é a actual equipa de futebol e outra é a grandeza adquirida pelos clubes. Nesse aspecto, o Benfica é o maior e assim continuará. São trinta e um títulos, vinte e duas taças de Portugal. E mais uma série de recordes que o vitorioso FC Porto de Pinto da Costa nunca conseguiu ultrapassar e tão pouco igualar.

Um deles é o da pontuação que diferencia o campeão da equipa que lhe fica imediatamente a seguir nos lugares de cima da classificação. Na época de 72-73, o Benfica de Jimmy Hagan chegou ao fim da linha fixando a diferença para o segundo classificado em 18 pontos. Pois bem, é esse mítico e imbatível recorde que o jornal “O Público” extemporaneamente propõe que o FC Porto de Jesualdo Ferreira consiga igualar ou até mesmo erradicar do mapa, com a alegação daninha de que os futuros tri-campeões de Portugal podem conseguir agora, no final deste campeonato, alcançar uma diferença de pontos superior à marca histórica do Benfica de Hagan.

Pois bem, concordo em muitas coisas com Valdano e Menotti. Numa delas, alinho na ideia de que o futebol só se conhece a si mesmo se tiver respeito pela memória e pela tradição. Este é um dos casos em que é preciso ter memória. Na década de setenta, se bem se lembram, o sistema de pontuação era diferente. Uma vitória, dois pontos, o empate valia exactamente o mesmo que vale agora. O jornal “O Público” fez as contas por mim e converteu a diferença de pontos entre o Benfica e o segundo classificado na época de 72-73 na pontuação actualmente vigente no campeonato. Daria, pois, uma diferença de 32 pontos. Este sim, é o número recorde actualizado de pontos que um campeão em Portugal conseguiu arrecadar num mesmo campeonato de diferença para o segundo classificado. Portanto, muito longe dos anunciados 18 pontos que o FC Porto de Jesualdo Ferreira estará perto de bater. E, na época de 72-73, o número de jornadas do campeonato era exactamente o mesmo que o da Liga Bwin. Dezasseis equipas, trinta jornadas. Daqui se conclui que o recorde do Benfica, um de muitos que o clube ainda mantêm como demonstração da sua supremacia histórica no futebol português, se vai manter intocável e imbatido.

Apesar das esforçadas tentativas de reescrever a história, os adeptos do Benfica não deixarão que isso aconteça. Basta lembra 32 pontos de diferença, quase tantos como o número de títulos conquistados e já agora quase tantos como o número de jogos sem derrotas num só campeonato. Ainda com Jimmy Hagan, o Benfica, na década de setenta, conseguiu ganhar por uma única vez em toda a história do futebol português, um campeonato sem derrotas. Melhor dizendo, 28 vitórias e apenas dois empates. E já agora, que estou embalado, de recordar que na mesma década, com outro treinador inglês, John Mortimore, o Benfica entrou no top ten de recordes mundiais de invencibilidade no campeonato. Foram 53 jogos consecutivos sem perder. É como diz Valdano e Menotti. A memória ajuda muito a encontrar os caminhos próprios da grandeza. E os benfiquistas não esquecem isso. Por muito dolorosos que sejam os tempos actuais.

PS – Este é o Benfica que Luís Filipe Vieira anda a prometer à seis anos consecutivos. Sem sucesso. As diferenças entre o Benfica prometido e o Benfica real devia fazer os benfiquistas pensar.

terça-feira, 18 de março de 2008

Olé! [ainda a questão do sumaríssimo]

«Compreendemos a preocupação de Pinto da Costa»

O director de comunicação do Benfica, Ricardo Maia, diz que os encarnados compreendem a «preocupação de Pinto da Costa» perante a possível instauração de um processo sumaríssimo a Bruno Alves. O clube da Luz recorda ainda ao presidente do FC Porto as agressões a Óscar Cardozo nos últimos jogos.

Pinto da Costa disse esta manhã ter esperado pela instauração de um processo sumaríssimo ao avançado paraguaio, na sequência do lance com Tonel no último Sporting-Benfica, posição que mereceu a reacção do clube da Luz.

«Ainda bem que o presidente do FC Porto lembra o Óscar Cardozo, porque o nosso jogador foi mais uma vez agredido por um adversário no jogo com o Marítimo, e o árbitro não viu. Era um lance que deveria ter dado em expulsão e teríamos jogado contra dez, tal como o FC Porto quando defrontou o Marítimo», afirmou Ricardo Maia, em declarações à Antena 1.

«Lembramos ainda que o Óscar Cardozo foi vítima de uma agressão contra o U. Leiria, foi até suturado num sobrolho, e o senhor Vasco Santos, do Porto, também não viu», acrescentou.

Ricardo Maia não deixou, igualmente, de recordar o lance do central «azul e branco» Bruno Alves no jogo com o Leixões, objecto de análise esta tarde pela Comissão Disciplinar da Liga.

«Compreendemos a preocupação do senhor Pinto da Costa, porque aqui não se pode questionar a validade das escutas. Toda a gente viu mais uma agressão de Bruno Alves a um adversário», atirou.

[in A BOLA on-line]

Respostas destas, pela sua escassez e sentido de oportunidade, merecem destaque aqui no Eterno Benfica! É sempre bom lembrar que o Benfica tem, afinal, um director de comunicação.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Não está assim tão mau que não possa piorar...

O Benfica apresentava-se na Madeira ainda desfalcado (mas não tanto como o Marítimo) com o objectivo de recuperar o segundo posto da tabela, perdido na sexta-feira para o Vitória SC. Chalana surpreendeu tudo e todos com um onze, no mínimo, sui generis: deixou Rui Costa no banco, possivelmente por falta de condição física devido ao confronto com o Getafe, utilizou apenas um ponta-de-lança (Óscar Cardozo) e colocou nas faixas quatro jogadores de características defensivas, Léo e Nélson como laterais, Sepsi e Luís Filipe como extremos. Perante o resultado podemos dizer que o mister não acertou na aposta.

O Benfica voltou a mostrar as suas duas versões: na primeira parte, a de Mr. Jekyll, conseguindo trocar a bola a toda a largura do campo, tendo o jogo aparentemente dominado. Assim sendo, e apesar das diversas oportunidades do Marítimo, não foi de estranhar que após um bom cruzamento de Sepsi, Cardozo tenha inaugurado, de cabeça, o marcador, fazendo o seu 19º golo este ano, ficando a apenas um dos que prometera aquando da sua aquisição. Até final da primeira parte, a toada manteve-se e o Benfica chegou aos balneários como justo vencedor.



Na segunda parte, eis Mr.Hyde, a face negra deste Benfica. Uma equip com medo de jogar à bola, tentando manter a magra vantagem de apenas um golo e confiar na sorte de não sofrer, algo que é difícil quando se tem Edcarlos a central. A passividade e monotonia deste jogo só foi quebrada com a entrada de Rui Costa que permitiu uma maior movimentação e liberdade para os dois sul-americanos mais avançados, Rodríguez e Cardozo. Porém esse ânimo e essa tentativa de chegar ao segundo golo esbarraram no contra-ataque maritimista, que produziu um rápido lance na esquerda por Ytalo, jovem da equipa B, que fez gato-sapato de Edcarlos, o pior central dos últimos 10 anos. O empate era perfeitamente justo tal a monotonia do Benfica no segundo tempo.



Até final destaque ainda para as entradas de Maxi Pereira e de Nuno Gomes que renderam os desgastados Sepsi e Petit respectivamente, mas tais substituições não tiveram quaisquer efeitos no jogo. Nota ainda para um livre perigoso de Tacuara que embateu nas malhas laterais da baliza de Marcos e para a braçadeira de capitão do Benfica que acabou no braço de Léo, sinal de confiança e, quem sabe, um pouco de "graxa" para ver se a renovação se dá.

Ficha de jogo

Bwin Liga - 23ª jornada
Estádio dos Barreiros, Funchal
Assistência: Cerca de 10 000 espectadores
Árbitro: Bruno Paixão (AF Setúbal)

CS Marítimo

Marcos; Ricardo Esteves (Briguel, 50 min), Gregory, van der Linden e Evaldo; Bruno (cap.), Olberdam, Marcinho, Mossoró e Fábio Felício (Djalma, 62 min); Baba (Ytalo, 73 min)
Suplentes não utilizados: Grassi, Anderson, João Luiz e João Guilherme
Treinador: Sebastião Lazaroni

SL Benfica

Quim; Nélson, Katsouranis, Edcarlos e Léo; Petit (cap.) (Nuno Gomes, 80 min), Binya, Luís Filipe (Rui Costa, 60 min), Cristian Rodriguez e Sepsi (Maxi Pereira, 72 min); Cardozo
Suplentes não utilizados: Butt, Wagner, André Carvalhas e Makukula
Treinador: Fernando Chalana

Discplina: cartão amarelo a Bruno (82 min); Binya (70 min), Katsouranis (72 min) e Maxi Pereira (86 min)

Marcador: 0-1 por Cardozo (26 min); 1-1 por Ytalo (75 min)

Melhor em campo: Léo (SL Benfica)

domingo, 16 de março de 2008

Palmas para o pior Benfica dos últimos 10 anos!

A questão do mister

Muito se tem falado do futuro treinador do Benfica. Goste-se ou não, bom ou mau, o Benfica precisa de um treinador com estatuto em Portugal. Um homem aclamado, respeitado pela imprensa e pela maioria dos adeptos. Não sou fã de Scolari, nem da sua personalidade nem das suas capacidades tácticas, mas começo a achar que é de alguém dentro do perfil dele que precisamos. Mourinho seria a escolha óbvia, mas impossível...por enquanto.

Perceba-se o que eu digo. O Benfica é, mais do que nunca, afectado por todos os factores externos possíveis de todos os quadrantes imaginários. É necessário unir e fechar o balneário, de calar a imprensa e de reunir a aprovação da maioria dos adeptos. É preciso alguém que bata com a porta, que contrarie Vieira...alguém que não permita que este esbanje dinheiro em jogadores desconhecidos sem o seu aval. Alguém que seja voz de comando dentro do clube. E às vezes, para isso, é preciso ter um pouco a mania.

Scolari e Mourinho têm a mania, são teimosos, arrogantes e têm feitios difíceis de lidar. No entanto, são bem sucedidos. O país, os jornais, os adeptos, sentem uma enorme admiração por eles. E seria de uma extrema incoerência mudarem de opinião se eles ingressassem no Benfica. Dar-lhes ia tempo para uma adaptação necessária, que já está mais que feita ao nosso país e conferir-lhes-ia espaço para montar um projecto capaz de reerguer o futebol do clube.

Mas, mais do que tudo, ainda continuamos a precisar de um presidente...

sábado, 15 de março de 2008

Mais do mesmo



Acabo de assistir a um [vergonhoso] Leixões vs FC Porto. De tudo o que se passou hoje em Matosinhos, há que destacar uma coisa: Bruno Alves. Sim, uma coisa, um animal, o que quiserem, pois uma pessoa não é certamente. Contabilizei quatro agressões deste destroço humano ao excelente extremo-direito do Leixões, Jorge Gonçalves. É de facto incompreensível como um espécimen daqueles continua a jogar futebol sem ser severamente castigado com um sumaríssimo. Para quem fala do Binya, é melhor pensar duas vezes e recordar-se da patada com os pitons que Bruno Alves infligiu no pescoço de Jorge Gonçalves. O mais engraçado é que o comentador de serviço, imediatamente após a agressão, deixa-nos a seguinte e brilhante pérola "é de facto impressionante como Bruno Alves tem vindo a melhorar no capítulo disciplinar e de postura, tendo apenas UM cartão amarelo em todo o campeonato." Sem dúvida, um senhor, digo eu.

Fora as agressões, nada de anormal: o golo que dá a vitória ao fóculporto é em fora-de-jogo e há uma invasão de campo dos Super-Dragões na altura do golo do L. López (só as claques do Benfica é que são castigadas, estes animais passarão impunes), enfim, o futebol português no seu estado normal.

P.S. Deixo aqui uma proposta a quem tiver tempo e paciência: um best of das faltas/agressões que o herdeiro de Jorge Costa fez na sua ainda curta, mas já bárbara carreira. O vencedor ganhará uma viagem à Sicília com o patrocínio da agência Cosmos.

Sr Presidente, precisa de um empurrãozinho?

Muitos foram os treinadores que por cá passaram, sem sucesso, durante a dinastia Vieira. A todos eles, o denominador comum: saíram todos como os maus da fita. Vieira tem esse poder de enganar os benfiquistas menos letrados e interessados. Um demagogo com conhecimentos pode tornar-se muito perigoso, mas o crédito começa a esfumar-se quando os disparates cometidos durante anos começam a vir ao de cima. As hostes começam a exaltar-se, sobretudo, quando o futebol - a que muitos chamam, e muito bem, o core business do Benfica - está no pior estado dos últimos 10 anos.

Na sua última crónica, José Marinho afirma que o Benfica dos dias de hoje não tem oposição. Pois bem, eu acho que os benfiquistas themselves são a oposição. Este blog é oposição. Tudo o que é discutir ideias, apresentar diferentes perspectivas, dar voz a quem alude ao que é melhor para o Benfica...tudo isso é oposição. A oposição é boa para o clube, até certo ponto. Se soubermos ser oposição e não o ser ao mesmo tempo, se houver o bom senso de discutir os pontos negativos e de aplaudir o que de bem se conquista. O problema é que, muitas vezes, os adeptos, bem habituados pelos tempos em que o Benfica era uma força da natureza, não usam o seu bom senso para medir as suas reacções e para apoiar sempre, independentemente da direcção, do treinador, dos jogadores ou do adversário. Porque o Benfica também é indiferente a tudo isso!

Não se deixem enganar pelos meus devaneios: o principal culpado pelo estado precário em que o clube se encontra, ao nível do futebol mas, sobretudo, ao nível organizacional, é Luís Filipe Vieira. E aqui concordo com José Marinho, o problema é que ninguém se assume como alternativa ao presidente do Benfica. E depois dos últimos exemplos presidenciais, muitos dos benfiquistas, afectados pelo síndroma da sportinguização, já pensam que, mal por mal, mais vale ficar com este por mais uns tempos. Não condeno o desalento dos adeptos, porque também sobre mim se abateu uma grande abulia, mas o meu benfiquismo só sai reforçado de cada vez que vejo que o meu clube está em baixo.

Os fundamentalistas que apoiam Vieira continuam a ostentar a bandeira da construção do Estádio e do Centro de Estágio, iniciativas que não lhe pertencem. Não se cansam de chamar a atenção para o renascer das modalidades, mas a verdade é que elas continuam longe do que um dia foram. Qual é a nova estratégia? Contratar atletas portugueses de renome avulso, casos de Nélson Évora, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro, e pagar-lhes para envergar a camisola do Benfica. Assim é fácil ganhar medalhas, mas o mérito é estritamente negocial. Por último, a grande bandeira que Vieira ainda vai pregando aos menos crentes nas alturas de maior aperto: a recuperação financeira. Quando o presidente assumiu os destinos do clube, que já vinha convalescendo nesse campo sob a batuta de Vilarinho, o clube estava ainda com um grande buraco orçamental. A grande questão é perceber o que foi e é feito para manter os balanços positivos. Venderam-se os activos. O problema é que, no Benfica, os activos são a mão de obra. Simão era o operário que mais rendia. De que nos vale vendê-lo por uns milhões (e ainda aguardo, pacientemente, pelos dois jogadores do Atlético de Madrid que foram incluídos no negócio) se, sem ele, ou alguém melhor, o clube perde a capacidade de produzir mais, de render mais...de ganhar títulos?

É que o último já foi há muito tempo, e o Porto já caminha, nas calmas, para o tri-campeonato. Com ou sem apitos dourados, somos derrotados, e não há desculpa possível para perdoar a recessão do nosso futebol nos últimos três anos. Vieira não está aqui para nos burlar. Dinheiro não lhe falta...aliás, arrisco-me a dizer que não precisa do Benfica para nada. Então, remato eu: De que é que está à espera para sair?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Quatro Linhas #6: Um Benfica sem oposição!


Começo esta crónica, recordando uma das datas mais nefastas da história recente do Benfica. O local do crime é Vila do Conde, onde o Benfica seria derrotado nessa ventosa noite de Inverno. Uns dias antes, o presidente do clube, Manuel Damásio, esteve nas instalações do Finibanco a apresentar o seu projecto de sociedade desportiva para o Benfica a um conjunto de luminárias benfiquistas a quem o costume e a classificação apressada da imprensa aprendeu a designar de “notáveis”. Confesso que nunca percebi muito bem esta designação, especialmente num clube que tem, segundo se diz, seis milhões de “notáveis”. Pois bem, agora que sei o que se passou nesse pequeno conciliábulo de benfiquistas, mais desprezo tenho por essa extraordinária categoria de adeptos do Benfica, uma espécie de catálogo de primas-donas do espectáculo folclórico que dá corpo a uma ténue existência de oposição no clube. Assusta-me pensar que pode sair de um destes bestuntos a simples ideia de criar motivação nos sócios do Benfica a mudar de novo para um tipo de aventureirismo que o clube já pagou demasiado caro.

Nessa reunião, num dos gabinetes do Finibanco, Manuel Damásio e sua direcção explicaram o seu projecto. O Benfica tinha previsto um encaixe de dezoito milhões de contos – digo bem, contos, não euros – o que significava que a incensada sociedade desportiva do projecto Roquete no Sporting acabaria ridicularizada pela grandeza destes números. Um desses notáveis, referiu mesmo a Manuel Damásio que o seu projecto de SAD, era “fantástico e confirmação do prestígio do clube”. Para que se tenha uma ideia, toda a imprensa portuguesa estava ainda babada pelo superior exemplo sportinguista, que arrecadara dois milhões de contos em subscrições de acções da SAD do clube de Alvalade. O projecto de Manuel Damásio permitia ao Benfica ganhar o futuro, ganhando 80 milhões de euros. Tudo documentado. Isto existe, eu próprio guardo uma cópia dessa relíquia, de cada vez que o meu inconformismo pelo estado actual do clube me leva a prolongados suspiros por uma espécie de revisionismo que eu gostaria de fazer em certos acontecimentos.

A reunião passou-se, Manuel Damásio convenceu-se do apoio expressivo de alguns dos sócios mais ilustrados do clube e passou a dormir mais descansado nessa semana. Porém, poucos dias depois, nessa noite em Vila do Conde, o Benfica deixou mais uma fraca e bisonha imagem do clube dominador que tinha sido no passado e Manuel Damásio, de repente, fica numa posição de enorme enfraquecimento perante os sócios. Uma Assembleia Geral do clube confirmaria as piores previsões, chumbando o projecto de sociedade desportiva da direcção. Entre os “altifalantes” mais destacados do Benfica, censurando o projecto, lá estavam alguns dos mesmos “notáveis”, que poucos dias antes o tinham elogiado. O resto da história todos sabem como terminou. Manuel Damásio renunciou ao seu mandato, ferido na sua legitimidade e os seus adversários puderam, durantes todos estes anos, continuar com uma pungente dedicação à má-lingua, de cada vez que o Benfica entra numa espiral de resultados negativos. São quase sempre os mesmos e Deus nos livre e guarde de um dia assaltarem a caixa-forte do clube.

O Benfica precisa, mais do que nunca, de massa crítica. Não precisa de oportunistas, que esperam apenas por uma oportunidade que a generosa imprensa desportiva ciclicamente lhes dá de nos exibir a sua vaidade e existência. O Benfica chegou a este ponto de não ter uma hipótese credível de escolha entre uma direcção que dirige mal e uma oposição que se opõe, apenas por maneirismo e feitio. Mais do que os cem jogadores contratados por Filipe Vieira, os seis treinadores em quatro épocas, os anúncios pomposos e cada vez mais ridículos que desta vez é que vai ser e a gritante transformação do Benfica em cemitério de jogadores, treinadores e directores-desportivos, mais do que tudo isso, o que causa verdadeira urticária, é o actual estado de coisas do lado das alternativas. Sinto o Benfica inane, em que são mais as vozes da reacção do que a própria reacção. Incomoda-me esta anestesia geral que afecta os benfiquistas, incapazes de se revoltar contra um presidente que acha que pode continuar a passear pelos intervalos da chuva sem se molhar e uma oposição que leva demasiado a sério a sua ridícula importância.

Um destes dias ouvi António Simões. Antiga glória do Benfica, pessoa educada e de boa composição intelectual. Nas ondas da rádio, Simões não foi naquela maré anódina de comentários de ex-jogadores que apenas dizem o que o actual presidente do clube tolera. Não. O que disse Simões de tão profundo? Que não percebia como é que Filipe Vieira ainda não tinha assumido as suas responsabilidades na lástima a que chegou o futebol do clube. E, de facto, é preciso que se note, que não é o único a não perceber. Um homem contrata e descontrata, constroi e descontroi, faz o que quer e lhe apetece com total impunidade e qual é a sua reacção perante o desastre? É a de fazer de conta que faz sempre parte de um filme distante. No Benfica actual, entre mortos e feridos, alguém há-de escapar. O que me impressiona é que os benfiquistas não se apercebam que é sempre o mesmo a escapar. Ileso e sempre pronto para outra. Enquanto isso, a oposição é um vegetal e o Benfica um clube adiado.

terça-feira, 11 de março de 2008

Interessante...


Estas duas imagens demonstram bem o que penso dos seis nomes atirados pel' A Bola e pelo Record. Queirós está gasto, para além de ser um treinador demasiado teórico que não se encaixa no perfil desta equipa. Além disso, já não é treinador principal há algum tempo (a experiência do Real Madrid é para esquecer). Bianchi não tem estofo, parece ser um treinador acomodado já em final de carreira e não precisamos de mais sul-americanos. Peseiro representa o regresso da filosofia de Fernando Santos. Mostrou-nos que não tem mão nos jogadores. Jesus? Não brinquem comigo...

Porém, soube por um amigo de um amigo de alguém próximo da SAD (foi o mesmo amigo que me disse em Janeiro do ano passado que o Nani ia jogar para o Inter de Milão, por isso podem ver que a fonte é fidedigna) que pode estar na calha um outro treinador. É um tipo com carácter, personalidade e não um "mole" como o Peseiro. Tal como na Herança, deixo-vos 5 pistas para adivinharem de quem falo:

1ª - Não foi à caça da perdiz, mas tem o nome.

2ª - Germano Almeida. Diz-vos alguma coisa?

3ª - Está no activo.

4ª - Foi jogador.

5ª - Já esteve numa antiga equipa técnica do Benfica.

Esquecer o passado, abraçar o Futuro!

Camacho já era, faz parte do passado recente do Benfica, mas no futebol, tal como na vida, o ontem já está muito distante, como tal é altura de preparar o nosso futuro, e um novo desafio ergue-se: Que treinador para o Sport Lisboa e Benfica?

Começo por dizer que a decisão de Luis Filipe Vieira em manter Chalana até final da época é uma decisão completamente acertada (embora a razão que deu, «Temos a experiência de treinadores que substituíram outros no decorrer da época e não foram felizes», não ser propriamente a mais correcta já que não temos acertado nem nos que contratamos a meio da época nem nos que contratamos no ínicio da época...), contratar alguém agora era pouco avisado, o leque de treinadores prontos a pegar na equipa após o fim da época é bem mais alargado e de melhor qualidade, e se por alguma razão as coisas corressem mal no que resta da época, ficávamos novamente sem mister para a próxima época...

Que opções tem então o Benfica? Deixo aqui algumas que na minha modesta opinião poderiam servir para o maior clube do Mundo...(a ordem em que os apresento não é de forma alguma, a ordem de preferência..., bem a primeira talvez seja...)

Marcelo Lippi - 59 anos, italiano, ex-seleccionador Italiano e ex-treinador da Juventus, Inter de Milão,entre outros. Dono da escola Italiana pura e dura, sendo um treinador "caro" faz ainda assim, parte de uma liga diferente da de Mourinho, está sem trabalhar sendo um treinador de top, não tem a cotação do português...5 campeonatos italianos, 1 liga dos campeões, 1 taça de Itália, 1 Supertaça Europeia e uma taça Intercontinental falam por si mesmo, hiper conceituada traria ao Benfica uma imagem de profissionalismo e classe ímpar, e seria respeitado não só pelo balneário como pela comunicação social...

Sam Allardyce - 53 anos, inglês, ex-treinador do Bolton e do Newcastle. Sei perfeitamente que não é uma escolha tão consensual como Marcelo Lippi, mas Sam Allardyce é daquele tipo de treinadores que se fosse eu a mandar estaria sempre no topo das minhas preferências, homem de trabalho e luta, pegou no Bolton na League One em 1999(estavam na metade de baixo da tabela, bem próxima da League Two) e em 2001 já estava na Premier League, tendo deixado a equipa na Taça Uefa, algo impensável para os adeptos desse clube...é certo que as coisas não lhe correram bem no Newcastle, mas Kevin Keegan o seu sucessor também não tem feito muito melhor, e a equipa inglesa está em tal espiral descendente que não custa muito a crer que possa parar na Championship...

Ernesto Valverde - 44 anos, espanhol, treinador do Espanhol de Barcelona. Provavelmente outra escolha pouco consensual entre quem nos lê, mas é um dos meus preferidos, fiquei completamente rendido ao Espanhol quando jogámos contra eles na Taça Uefa, vi o jogo na Luz e fiquei atónito com a forma como a equipa da Catalunha adivinhava cada passo nosso, jogando de uma forma muito eficaz e organizada, já tinha Valverde debaixo de olho desde que ele levou o Atlético de Bilbao até ao 5º lugar da Liga Espanhola no ano de 2005, e o certo é que não me tem desiludido, em 2006-2007 ficou em 11º, este ano está em 7º, já levou o Espanhol á final da Taça do Rei e da Taça Uefa, e faz parte do lote de treinadores com mais futuro no país de nuestros hermanos.


Deixo só três para não maçar o pessoal, mas na minha opinião qualquer um destes três, com curriculos e perfis completamente diferentes, encaixariam num Benfica que se quer dominador e vencedor, nós merecemos ter um Benfica assim e se Deus quiser iremos ter, de preferência mais cedo do que tarde...


segunda-feira, 10 de março de 2008

Quem não foi mas devia ter ido..

Foi-se Camacho, já tinha ido Jesualdo, já tinha ido Camacho outra vez, já foi Trapattoni, ah, já foi Koeman e claro já foi Fernando Santos.

Já foi Karagounis, já foi Simão, já foi Ricardo Rocha, já foi Miccoli, já foi Manuel Fernandes, já foi Miguel, já foi Tiago, já foram tantos...uffff...

Já foi Luis Nazaré, já foi o Vitor Santos, já foi o Veiga, já foi este aquele o outro, o tipo do conselho fiscal, o tipo do futebol, o tipo das finanças, até o que lava as escadas já deve ter ido.

E quem manda neles todos ainda não foi! Porquê? Senhor Luís Filipe Vieira, mostre que não está agarrado ao poder, marque eleições já para o fim da época, seja um Homem tal como Camacho foi, mostre a elevação que os presidentes do Benfica, até Manuel Damásio (e excluindo este), tiveram, senhores como João Santos, Ferreira Queimado, Jorge de Brito ou Borges Coutinho não merecem o Benfica que temos, o Benfica que o senhor nos deu, dê o seu lugar a quem veja o Benfica não só como uma empresa, mas acima de tudo como o maior clube de Portugal, e por hoje o mais galardoado de sempre.

Desengane-se quem pensa que o problema começava ou acabava em Camacho, óbvio que o espanhol tinha as suas culpas, a desculpa da equipa não ter sido escolhida por ele esgota-se quando ele aceita as regras de jogo, se as aceitou teve que viver com elas, mas sejamos honestos, uma equipa que tem: Edcarlos, Luis Filipe, Maxi Pereira ou Nuno Assis, pode aspirar ao quê? Na melhor das hipóteses e com uns lagartos a um nível menos ridículo que o seu habitual daria para um 3º lugar...

Já passaram dezenas de jogadores, vamos a caminho da dezena de treinadores, a caminho da dezena de dirigentes, e quem manda, quem escolhe, quem contrata, continua lá!

Quanto á questão do treinador para mim é muito simples, Chalana ou João Alves até final da época, não faz sentido trazer já um treinador para a próxima época, por duas razões: 1ª - Neste momento o mercado de treinadores está muito limitado, obviamente quando a época terminar haverá um leque de escolhas muito maior e melhor, 2ª - Ao contratar um treinador agora pode-se desde já hipotecar a próxima época, basta que a coisa não corra muito bem (o que neste Benfica é o mais provável) e o treinador já está queimada para 2008/2009..., mas conhecendo nós a peça como conhecemos, o mais provável é que o Benfica em vez de escolher com ponderação e de forma sustentada há de chegar alguém até daqui uma semana, para provavelmente no Natal estar a sair...

Ai Benfica, Benfica...






domingo, 9 de março de 2008

Salir... a la calle

Mais um jogo na Luz, mais um empate. O quarto consecutivo do Benfica no seu estádio para o campeonato. Mais que a pobre exibição e o péssimo resultado frente à já condenada U. Leiria, foi tudo uma vergonha. Tudo. Desde o empenho ridículo de grande parte dos jogadores, à arbitragem, ao timing das substituições. Tudo. Tudo.

Não se admite que a jogar com dois pontas-de-lança e três médios ofensivos contra o último classificado só se consiga um remate digno desse nome já depois da primeira metade da primeira parte. Não se admite. Não se admite ter um central brasileiro que é "comido" por duas vezes da mesma maneira. Não se admite. Não se admite ter um jovem prodígio argentino que só pensa nele e não consegue jogar em equipa. Não se admite!

A União de Leiria mostrou o porquê de estar no último lugar do campeonato. São um grupo de rapazinhos bem intencionados mas que não passam disso. O problema é que do outro lado estava um grupo de rapazinhos mimados, bem acomodados com os mais de 20 000 euros que recebem no final do mês. Isso também eu queria!

Não foi portanto de estranhar que os leirienses chegassem ao golo. Após uma excelente demonstração de toda a incompetência que caracteriza aquele palhaço que custou 1,8 milhões de euros. Mas que justo e merecido, por tudo o que os homens do Lis fizeram durante 45 minutos.

Na segunda parte o Benfica entrou com um carácter ligeiramente diferente, mas também teve muita felicidade na maneira como chegou aos golos: o primeiro resulta de uma falha de marcação na área da UD Leiria, e o segundo resulta de uma falta estúpida do defensor. Parvoíces à parte, o mais difícil estava feito.
Mas como esta equipa gosta de complicar, eis que o mesmo moço dos 1,8 M € volta a entrar em acção, com a preciosa colaboração de Quim. Mais um momento de humor no estádio. 2-2. Realmente este Benfica faz-me rir, pena é que não me dê alegrias.

Quanto à arbitragem, lá se conseguiu nomear mais um árbitro da AF Porto (o 4º consecutivo) que branqueou uma agressão a Cardozo nos minutos inicias, que permitiu anti-jogo e que conseguiu assim irritar uma equipa e uns adeptos já de si impacientes (entre os quais eu me incluo). Enfim, triste sina a nossa.

Basta pum, basta!

Ficha de jogo

Bwin Liga - 22ª jornada
Estádio da Luz, Lisboa
Assistência: 29 469 espectadores
Árbitro: Vasco Matos (AF Porto)

SL Benfica

Quim; Luís Filipe, Zoro (Sepsi, 73 min), Edcarlos e Léo; Binya, Rui Costa, Di Maria (Nuno Assis, 79 min) e Cristian Rodriguez; Nuno Gomes (cap.) (Mantorras, 79 min) e Cardozo
Suplentes não utilizados: Butt, André Carvalhas, David Simão e Abdoulaye
Treinador: José Antonio Camacho (this space can be yours)

UD Leiria

Fernando; Éder Gaúcho, Bruno Miguel, Hugo Costa e Patrick; Tiago (Lucasiewicz, 82 min), Harison, Arvid e N'Gal; Sougou (Toñito, 83 min) e Paulo César (Faria, 90 min)
Suplentes não utilizados: Rafael, Cadu, Dani e Nélson
Treinador: Vítor Oliveira

Disciplina: Cartão amarelo a Éder Gaúcho (9 min), Sougou (82 min); Quim (62 min), Luís Filipe (67 min) e Nuno Assis (83 min)

Marcador: 0-1 por Paulo César (42 min), 1-1 por Zoro (52 min), 2-1 por Cardozo (55 min) e 2-2 por N'Gal (70 min)

Melhor em campo: Cristian Rodriguez (SL Benfica)

sábado, 8 de março de 2008

Que mais?...

Lista de convocados:

Guarda-redes: Quim e Butt.
Defesas: Leo, Zoro, Edcarlos, Luís Filipe e Sepsi.
Médios: Binya, Nuno Assis, Rui Costa, Cristian Rodriguez, André Carvalhas, David Simão e Abduolaye.
Avançados: Cardozo, Nuno Gomes, Di Maria e Mantorras.


Indisponiveis:

Nelson
Luisão
David Luiz
Petit
Katsouranis
Maxi Pereira
Makukula
Nuno Gomes (apesar de convocado...)

Mesmo contra o União de Leiria, que está feita em cacos, a realizar um péssimo campeonato e com ordenados em atraso, poderá ser um mau presságio! Seja como for, espero que amanhã se quebre o enguiço dos jogos na Luz este ano.

Já estou como o Trap em relação ao Simão: "Felizmente temos o Rui Costa...!"

Será?

"Tenho contrato até Maio mas não tem mais conversa. Estou tratando da minha vida. Há muitos clubes que não olham para o bilhete de identidade. Queria ficar mas não é possível."

Uma semana depois da frase dita por Léo, e após as declarações de Rui Costa, que afirmou que o Benfica ainda não tinha desistido de manter o lateral-esquerdo nas suas fileiras, eis que surge hoje na imprensa a notícia de que Léo afinal pode ficar na Luz na próxima época.

Rui Costa, mais do que jogador, mais do que director do futebol, é um exemplo de conciliação e de tratamento de recursos humanos (percebeste como se faz, Vieira?). A sua influência sobre todos os jogadores do plantel, incluindo internacionais e que já têm idade avançada, está à vista, de tal modo que se Léo ficar teremos de agradecer mais uma "vitória" a Rui Costa.

Apesar de fazer 33 anos em Julho próximo, Léo continua a ser uma pedra base no onze de Camacho. São indiscutíveis o seu profissionalismo e a sua qualidade, de tal modo, que nestes três anos "meteu no bolso" todos os outros defesas-esquerdos que estiveram na Luz, incluindo um recém-campeão e um que fora eleito melhor jogador da Liga. Foi sem dúvida o melhor lateral-esquerdo dos últimos 15 anos.

A confirmar-se esta notícia, será uma das melhores "contratações" da direcção para 2008/2009. Caso contrário, será melhor pedirmos a cabeça (ou pelo menos, o bigode) do nosso presidente.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Meio-Mantorras quase bastava

A paragem cerebral da qual Cardozo foi vítima ontem, aos 9 minutos, condicionou o jogo, possivelmente a eliminatória e ainda para mais a época. Já devia estar mais do que avisado que na Europa, tal como na América do Sul, quando um jogador adversário leva uma cotovelada (Belenguer) ou mesmo que não levando (Tonel) cai e faz fita. Não é desculpável assim de um dia para o outro a atitude de Óscar Cardozo.

Quanto ao jogo jogado, corroboro aquilo que o Galaad já disse: pareceu-me que fomos tão bons ou melhores com 10 do que eles com 11. Ainda por cima é muito difícil jogar sem nenhum avançado centro, ainda para mais quando os nossos três médios de ataque preferem todos a ala esquerda, o que, necessariamente, faz com que o jogo passe apenas por aquele lado. Depois da expulsão, Camacho tomou a atitude certa: não mexer na equipa, jogando com Di Maria e Rodríguez mas libertos no ataque. Ao contrário do que grande parte da imprensa diz, concordo com a opção táctica do nosso treinador, pois este esquema permitia um Benfica mais dinâmico, com maior capacidade de trocar a bola, jogando um pouco à semelhança do esquema imposto por Arsène Wenger no início desta época do Arsenal (4x4x2 com van Persie e Hleb).
Mas em superioridade numérica, tudo se tornou mais fácil para os espanhóis, chegando à vantagem num golo de sorte, pois a bola foi desviada por Edcarlos, traindo Quim. Após esse momento, o Getafe preferiu apenas trocar a bola, chegando por apenas mais uma ou duas vezes com perigo à baliza de Quim.

Na segunda parte, e já depois de sermos obrigados a fazer uma substituição devido à lesão de Luisão (saiu para dar entrada a Zoro), o Getafe chegou ao 0-2 através de um remate relativamente fraco de Pablo Hernandez após bola perdida de Mantorras (entrara para o lugar de Di Maria). A partir daí, o Benfica sentiu que já não tinha nada a perder e aventurou-se mais pelo ataque, até que aos 76 minutos, aquele avançado que fomos buscar ao Alverca (ou então apenas metade desse mesmo jogador) fez o que o Benfica não faz com Cardozo, Makukula nem Nuno Gomes: rematar quando tem oportunidade, mesmo que seja de longe. Resultado? Frango de Ustari e eliminatória parcialmente ao alcance. Até final nota para a enorme quebra física de alguns jogadores do Benfica, tais como Léo, Rui Costa e Rodríguez, que correram o dobro do que costumam fazer.

A eliminatória não está perdida. Nos últimos anos já ganhámos fora por 0-2 a Liverpool, Shaktar e Dínamo de Bucareste. E lá, em Madrid, teremos Petit, Nuno Gomes, Nuno Assis, e, quiçá, Makukula. Eu acredito!

Ficha de jogo

Taça UEFA oitavos-de-final
Estádio da Luz, Lisboa
Assistência: Cerca de 26 000 espectadores
Árbitro:Grzegorz Gilewski

SL Benfica

Quim; Nélson, Luisão (cap.) (Zoro, 29 min), Edcarlos e Léo; Katsouranis, Rui Costa, Sepsi, Di Maria (Mantorras, 61 min) e Rodríguez; Cardozo
Suplentes não utilizados: Butt, André Carvalhas, David Simão, Luís Filipe e Nuno Assis
Treinador: José Antonio Camacho

Getafe CF

Ustari; Contra, Belenguer (cap.), Cata Diaz e Licht; Casquero, Pablo Hernadez, De la Red (Celestini, 72 min) e Granero (Mario Cotelo, ao int.); Albin e Braulio (Manu, 60 min)
Suplentes não utilizados: Abbondanzieri, Cortés, Tena e Gavilán
Treinador: Michael Laudrup

Disciplina: Cartão amarelo a Braulio (21 min), Granero (34 min), Licht (81 min), Casquero (84 min) e Pablo Hernandez (90 min); cartão vermelho a Cardozo (9 min)

Marcador: 0-1 por De la Red (25 min), 0-2 por Pablo Hernandez (67 min) e 1-2 por Mantorras (76 min)

Melhor em campo: De la Red (Getafe)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Benfica vs Getafe

...ou o triunfo do azar.

Inenarrável o que se passou hoje. Surreal.

Hoje, senti-me orgulhoso. Nada a apontar á equipa em termos de raça, querer e atitude. Só peço o que vi hoje. Com estes principios, teremos certamente muito mais alegrias que desilusões.

Sobre o jogo, 11 contra 11 (com Cardozo), tenho a certeza que eles saiam daqui com um saco de bolas no bucho.

A eliminatoria está no intervalo. Lá serão 11 contra 11 e dois titulares deles não jogam.

A eliminatória está no intervalo. Eu acredito. E vocês?

terça-feira, 4 de março de 2008

Quatro Linhas #5: Super-Bynia!


A generosidade é um bem. O carácter é outro. Num campo de futebol, um e outro distinguem os bons jogadores. Não há caçador de talentos que não procure o bem inestimável de um jogador que se oferece ao sacríficio de lutar por outros. Se escrevo isto, é porque acho que alguém deve dar um prémio de reconhecimento ao mais extraordinário exemplo de carácter e generosidade visto no derby. Chama-se Bynia e será, nos próximos anos, um dos médios de referência do Benfica e, por extensão, do futebol português.

Recordo uma conversa com Rui Águas, director de prospecção, ainda antes do início da época. Eu estava de férias, mas pretendia manter-me actualizado com as hipotéticas contratações do Benfica. Nessa altura, Bynia ainda era outro nome qualquer para os adeptos portugueses e mantinha-se à experiência no Estrela da Amadora. O antigo treinador do Benfica, Fernando Santos, mantinha dúvidas sobre a qualidade do jogador e Rui Águas ainda não tinha conseguido reforçar a sua posição na estrutura interna do clube. Principalmente, na esfera das grandes e mais estratégicas decisões. Porém, o talento de Bynia estava descoberto pelo Benfica. Disse-me Rui Águas: «Joga em qualquer posição do meio-campo e pouco interessa se é losango ou 4-3-3. É um diamante que o Benfica não pode, nem vai deixar escapar.» Depois disso, jantei tranquilo, junto às águas cálidas do Mediterrâneo. Embalava-me para um sono profundo, a ideia de que o Benfica tinha regressado a uma tradição honrada e longínqua de contratar bons jogadores em sítios que outros não suspeitavam sequer que pudesse haver vida inteligente. E, sobretudo, tinha uma garantia: a opinião de Rui Águas.

Quem viu a memorável exibição de Bynia no estádio de Alvalade, tem de concordar em duas coisas: o internacional camaronês é um craque mental e Rui Águas um dos mais competentes detectores de talento a quem o Benfica podia entregar essa espinhosa missão de avalizar a contratação de jogadores. Como todos sabem, nos últimos anos, contratar jogadores tem sido um bicho de muitas cabeças para o clube. Bom para alguns comerciantes de talento, por vezes ruinoso para o Benfica.

E bem se pergunta: Custou assim muito trazer Bynia, já esta época para o Benfica? Custou algumas centenas de milhar de euros e o despedimento de um treinador. Porém, olhando para todo aquele potencial físico e mesmo técnico – nas suas características não encontro nada que o aproxime do estilo tosco e desajeitado de muitos médios do nosso campeonato -, surge a comprovação de um grande negócio para o Benfica e realizado no tempo certo. Aliás, se as estatísticas no futebol têm alguma utilidade, podem servir de muleta a quem pretende desmentir uma das mentiras de perna mais curta do futebol português. A de que Bynia é um jogador maldoso e sem especial apreço pela canela do adversário, não sabendo, ao que se diz, sequer onde ela começa e acaba. Isto não é verdade. Bynia é um jogador correcto, dotado de um auto-regulador de agressividade que o leva a saber até onde pode ir, especialmente depois de um cartão amarelo e apenas com algumas imperfeições no seu instinto que o tempo apagará.

Aliás, é de uma maldade pura essa consideração geral de que Bynia é um jogador violento. Não é. E só tenho pena que os autores dessa piedosa mentira, se babem com o exemplo nefasto do jogo do Celtic, mas que muitos deles não consigam, sequer, pronunciar o nome de um indivíduo que quase passou o pé de Eduardo da Silva para a secção de perdidos do Emirates Stadium. E serão comparáveis as situações? E onde está a UEFA, para mais uma exemplar demonstração da sua justiça negra? Eu digo-vos onde está. No mesmo sítio do costume. Do lado dos poderosos e do dinheiro.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Acção-Reacção

Gostei.

Posso dizer que gostei do jogo de ontem. Apesar do Benfica se apresentar desfalcado, posso dizer que quase todos os nossos jogadores estiveram bem acima do que eu esperava. Sem quatro elementos importantes que jogam pelo centro do terreno, o Benfica conseguiu mostrar ao Sporting o porquê de estar em 2º. Foi merecido.

Apesar de ter gostado, não significa que o jogo tenha sido espectacular. Em muitos momentos, parecia um derby do campeonato escocês, assim um Celtic-Rangers. Digo que gostei pois sempre que o Sporting atacava ou tinha um ascendente no jogo, o Benfica sabia e conseguia reagir, anulando essa vantagem leonina, demonstrando garra, atitude e por vezes bom futebol. O querer e a vontade que os jogadores mostraram ontem foi muito importante. Agora imaginem esta equipa quando estiver na máxima força.

O Sporting entrou melhor, mais forte, com várias jogadas de perigo, a maioria do lado esquerdo, obrigando Quim a boas intervenções no início. O que me continua pasmar é a falta de ineficácia daquele central que temos, o Edcarlos. Quando a bola está perto dele é o pânico, o caos. Afinal ele é mesmo mau com os pés. Após o golo assistimos a um claro domínio do Benfica, encostando o Sporting na sua área. Pela primeira vez em algumas semanas, consegui ver o meu clube a trocar a bola pelo chão, fazendo mais de cinco passes seguidos. Não foi portanto de estranhar o empate conseguido por Cardozo após centro de Rui Costa (que grande jogo fizeram estes dois). Não segunda parte o jogo apresentou-se mais equilibrado, sendo que os últimos minutos foram de aperto, em particular pela expulsão de Nélson. Mas conseguimos defender bem o resultado até final.

Concluindo, ficamos com cinco pontos de vantagem sobre o Sporting que na prática são seis, pois em caso de empate pontual no final da época, temos a vantagem de termos empatado fora com golos (0-0, na Luz). Por isso, o resultado foi muito bom.

Mas um dos motivos que me leva a escrever este post é a já habitual vitimização dos sportinguistas. Vamos aos lances:

1º Na Luz, na primeira volta, fizeram escandaleira por causa do pretenso penalty do Katsouranis por uma possível mão na bola, quando o grego tinha o braço completamente encostado ao corpo. Ontem, o Veloso tinha o braço afastado do corpo quando joga a bola com a mão. Penalty? Claro que não!

2º O magnífico lance de Cardozo e António Leonel. Na Luz, na era Trapattoni, João Pereira fez fita naquele célebre lance com Hugo Viana. Ontem em Alvalade, Tonel foi "barbaramente agredido". Tudo bem. Desde de que digam que Tonel entra de forma violenta no início da jogada...

3º O penalty sobre o Vukcevic. Ninguém se lembra de dizer que o Léo sofre falta do início da jogada, mas isso não lhes convém.

4º Mais um penalty, possivelmente o 952º que não foi assinalado esta época a favor do Sporting. Desta vez foi Katsouranis a puxar o Purovic (gostava só de saber como é que o grego o puxa quando tem os braços ao longo do corpo, mas pronto)...

5º A expulsão do Nélson. Foi mais um momento de inspiração de Celsinho. Uma espécie de Andrés Diaz do Sporting.

Depois de tanta palhaçada, fiquem com a ficha de jogo.

Ficha de jogo

Bwin Liga - 21ª jornada
Estádio José de Alvalade, Lisboa
Assistência: 40 659 espectadores
Árbitro: Paulo Paraty (AF Porto)

Sporting CP

Rui Patrício; Abel (Purovic, 76 min), Tonel, Polga e Grimi; Miguel Veloso, Pereirinha, Izmailov (Celsinho, 70 min) e João Moutinho (cap.); Vukcevic e Tiuí
Suplentes não utilizados: Stojkovic, Pedro Silva, Adrien Silva, Farnerud e Gladstone
Treinador: Paulo Bento

SL Benfica

Quim; Nélson, Katsouranis, Edcarlos e Léo; Binya, Maxi Pereira, Di Maria (Sepsi, 74 min), Rui Costa (cap.) (Luís Filipe, 90 + 6) e Cristian Rodriguez (Zoro, 87 min); Cardozo
Suplentes não utilizados: Butt, Mantorras, Adu e Makukula
Treinador: José Antonio Camacho

Disciplina: Cartão amarelo a Abel (60 min), Gladstone (61 min), Grimi (62 min) e Purovic (89 min); Katsouranis (54 min) e Binya (67 min). Cartão vermelho a Nélson (76 min)

Marcador: 1-0 por Vukcevic (10 min); 1-1 por Cardozo (38 min)

Melhor em campo: Binya (SL Benfica)

sábado, 1 de março de 2008

Expectativa

A 24 horas do início da partida que pode decidir a questão do segundo lugar, encontro-me expectante. Se por um lado não temos a nossa "espinha dorsal", constituída por David Luiz, Luisão, Petit e Nuno Gomes, por outro lado o Sporting não poderá contar com Romagnoli e Liedson, sendo que o brasileiro apontou 4 dos últimos 6 golos que os do Lumiar marcaram ao Benfica. Aliás, socorrendo-me da estatística, não há nenhum jogador na lista de convocados do Sporting que tenha marcado um golo que fosse ao nosso Benfica.

Neste tipo de jogos, o Benfica costuma agigantar-se. E, apesar do modo triste e desorganizado da equipa jogar, estamos a conseguir bons resultados fora de casa. Além disso, o Sporting tem uma equipa muito jovem, que perante a pressão pode sucumbir. Veremos se tal acontece amanhã.

Camacho nunca conheceu outro resultado em Alvalade que não fosse a vitória. E, como a tradição é para se manter (espero...) acho que amanhã vamos conseguir uma vitória por 0-2. Pelo menos foi um amigo que mo disse.

Derby

Sem Luisão, David Luiz, Petit e Nuno Gomes para o jogo contra o sporting, acho que vamos ter uma tarefa muito complicada. Não estou optimista.
E não estar optimista para um jogo contra o sporting, e tendo em conta a maneira como eles estão a jogar e ainda por cima sem o subnutrido, diz muito da desilusão que tem tomado conta de nós, benfiquistas, este ano.

Veremos...