terça-feira, 12 de abril de 2011

Ainda não estamos nas meias da Liga Europa

Hapoel Tel-aviv 3-0 Benfica (2010/2011)
Liverpool 4-1 Benfica (2009/2010)
Olympiakos 5-1 Benfica (2008/2009)
Celtic 3-0 Benfica (2006/2007)
Stuttgart 3-0 Benfica (2004/2005)
Anderlecht 3-0 Benfica (2004/2005)

Estes são os resultados conseguidos pelo Benfica desde o regresso às provas europeias e que nos impossibilitam a passagem às meias-finais da Liga Europa. Numa prova europeia, num dia mau, é isto que pode acontecer. Estamos com pé e meio nas meias-finais da Liga Europa, mas ainda não estamos verdadeiramente lá. Face ao que já vi, perder por 3-0 em Eindhoven pode ser uma realidade.

Por isso, os jogadores "não podem contar com o ovo no cú da galinha". Há que entrar em campo com seriedade e atitude vencedora, mas com as devidas cautelas de quem não precisa de correr atrás de um resultado fabuloso. Calculismo e pragmatismo acima de tudo. Como em Alvalade, em Stuttgart e no Dragão. Assim será mais fácil.

Vendam este cepo, vendam...

... que eu quero ver quanto tempo é que vamos demorar para encontrar um igual que meta a redondinha lá dentro com tanta frequência. 20 anos, é bom?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Revolução total (até no treinador)

Foi um Benfica totalmente transfigurado, a começar em campo com os jogadores, onze caras novas face aos titulares no jogo com o PSV, mas também no banco, com Raúl José a substituir o castigado Jorge Jesus, aquele que se apresentou na Figueira da Foz com o objectivo de cumprir calendário. Não adianta muito escalpelizar uma derrota numa prova que já não interessa há umas boas semanas (desde Braga), o Benfica tem apenas de rodar o plantel e dar minutos no campeonato aos menos utilizados, de modo a descansar os habituais titulares para as três provas que interessam ganhar. Isto é pragmatismo.

O jogo foi um longo bocejo que permitiu continuar a avaliação de alguns jogadores com menos minutos. E o curioso é que no meio de tanta mediocridade, é fácil destacar o melhor e o pior. Num pólo Carole, no outro Menezes. O jovem francês mostra um futebol aguerrido, com ideias, bom pés e uma capacidade de execução bem acima da média. Tacticamente é difícil dizer o que fez dada toda a descoordenação entre os onze amigos que se juntaram na Figueira, mas pareceu sempre, em todos os aspectos do jogo, um dos melhores. Dois anos depois, Menezes ainda é jogador do Benfica. Porquê? Não sei. Não vejo uma única característica no seu futebol que me agrade. Não é rápido, não tem bons pés, não executa, não pensa, é apenas um corpo inerte que ocupa espaço.

As críticas a fazer em relação ao que se passou, e que acabou por ser o espelho de uma época mal preparada, são muitas, mas vou deixar apenas dois pontos. Jesus é culpado. Apesar de tudo, a equipa de ontem entrou em campo com Sidnei, Airton, Peixoto, Martins e Jara, todos eles com qualidade para fazer parte do plantel do Benfica. Foi pena que, durante a época, não tenha havido gestão de esforço e rotação destes elementos com outros do plantel. Exemplos práticos? Jara poderia ter jogado mais minutos quando Saviola esteve em péssima forma no final de 2010, Martins poderia ter alternado mais com Aimar ou Salvio, Airton (nunca foi presença assídua, nem no banco) podia ter rendido Javi mais vezes, por aí fora. Vieira também não está isento de culpas. De forma alguma. Não caiu na tentação de destruir um plantel campeão de alto a baixo (o que seria fácil, dadas as propostas que houve nomeadamente por Cardozo, entre outros), mas não soube substituir convenientemente algumas saídas e manteve algumas posições com lacunas crónicas. Isto a nível de jogadores, falta o resto. Mas isso ainda dará outro post.

Fantasminha Brincalhão

Num plantel onde todos têm oportunidades (e quando digo todos, são mesmo todos, até o Luís Filipe e o Menezes) num campeonato que já está morto e enterrado, José Luis Fernández, jogador que 95% dos benfiquistas deste país nunca ouviu falar, nem tem direito a um mísero minuto. Se não fosse aquele jogo com o Aves para a Taça da Liga, arrisco dizer que seria o novo King. O que é facto é que parece confirmar-se o que disse aquando da sua vinda: este é o Andrés Diaz de um negócio em que o Di María era o Funes Mori. Temos é um pequeno problema em mãos: Funes Mori não veio (nem queria que viesse, avançados é coisa que não nos falta) mas ficámos com o emplastro por 1,5 milhões. E atendendo ao que foi o mercado, acho que este não veio a pedido de Jesus. Se Saviola é "El Conejo", se Aimar é "El Mago", Fernández arrisca-se a ficar conhecido por "El Fantasma". 1,5 milhões deitados ao lixo. E de milhão em milhão já tínhamos uma vaquinha feita para comprar o Salvio.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Jesus suspenso por onze dias

Depois de um processo que se arrastou por demasiado tempo, Jesus acabou por ser suspenso pela Comissão Disciplinar da Liga por 11 dias. Segundo o que sei dos regulamentos da LPFP, a avaliação do castigo foi bem feita e de facto a pena aplicada é justa e adequa-se em relação ao caso da agressão ou tentativa de agressão ou o que lhe quiserem chamar. É um caso em tudo diferente do protagonizado pelos espancadores de stewarts do norte, é uma situação distinta que ocorreu num local diferente, em circunstâncias diferentes e que por isso teve a aplicação de um artigo diferente do regulamento e que resultou nesta pena. A meu ver, a decisão só peca pela demora, deveria ter ocorrido muitíssimo mais cedo. É ridículo que casos tão simples demorem tanto tempo a serem julgados. Há que ter celeridade nos processos para evitar que a justiça passe por vergonhas como esta ou como a que levou a que o treinador de futsal do Benfica, Paulo Fernandes, fosse suspenso por declarações proferidas há dois anos enquanto era treinador do Sporting.

Tão perto

Dezassete anos depois, o Benfica está com pé e meio numas meias-finais europeias. Com todas as "peripécias" que esta época nos tem presenteado, nunca pensei que o Benfica, com todas as condicionantes, pudesse chegar tão longe na Europa. Mas estamos quase, quase lá.

Pela primeira vez na fase a eliminar, o Benfica não deu os primeiros 45 minutos de avanço na Luz como fizera contra o Stuttgart e PSG. A diferença foi notória. Apesar de bem organizado defensivamente, o PSV não conseguiu travar as investidas do Benfica, que soube esperar e gerir o jogo quando as linhas holandesas estavam mais fechadas e carregar sobre o adversário quando sentia que o PSV poderia ceder. Vitória da força, da qualidade e da inteligência.

A entrada forte em campo sugeriu que, impulsionados por 60.000 adeptos, o Benfica poderia partir para um grande jogo. Desde cedo que Saviola se mostrou com uma confiança ainda não vista esta época, que lhe permitiu arrancar a melhor exibição da temporada. O Conejo, sempre muito interventivo, atirou uma bola ao poste logo nos minutos iniciais e apareceu ora à esquerda ora à direita com muito mais velocidade que o habitual, a desbaratar a defesa holandesa. Não foi Saviola a marcar (o primeiro), mas sim o seu amigo Aimar, após jogada de entendimento entre Coentrão e Gaitán, com o camisola "10" a finalizar após falhanço de Cardozo, num remate a passar entre as pernas de dois adversários. Isto sim é o túnel da Luz. Salvio ampliou a contagem pouco antes do intervalo num golo de classe (toque de calcanhar) após mais uma investida de Fábio Coentrão. 2-0 ao intervalo era mais que justo para aquilo que o Benfica tinha feito e para o que o PSV não tinha feito.

No segundo tempo mais do mesmo, o Benfica voltou a entrar forte e cedo ampliou a vantagem em mais um lance de génio de Salvio, que rompeu a permeável defesa holandesa e bateu Isaksson sem hipótese de defesa para o sueco. Com 3-0 no marcador no início do segundo tempo, voltaram a surgir os fantasmas de Lyon. Conseguiria o Benfica manter o ritmo alto ou gerir o jogo em vez de quebrar e ceder física e mentalmente? A verdade é que não foi por quebra do Benfica mas sim por mérito do PSV, nomeadamente pelo seu médio defensivo Hutchinson, um verdadeiro poço de força e de qualidade, que começámos a sentir mais dificuldades. Primeiro foi Berg a isolar-se mas a ver Luisão tirar-lhe o pão da boca naquela que foi, provavelmente, a melhor defesa da noite, depois foi Coentrão in extremis a fazer o mesmo que o capitão de equipa e por fim foi a sorte a proteger as nossas redes num pontapé de bicicleta falhado por Lens. Com o crescimento do PSV, Jesus mexeu na equipa e tentou ganhar mais consistência no meio-campo, colocando Peixoto, e mais velocidade para poder sair no contra ataque ao colocar Jara no lugar de Gaitán. Mas os planos saíram logo furados. No mesmo minuto, Fred Rutten colocou em campo o jogador que, um minuto depois, devolveria o PSV ao jogo e à eliminatória, em mais um lance em que Roberto é mal batido. Os assobios voltaram, a intranquilidade regressou. Felizmente, para terminar o jogo na perfeição, já com Felipe Menezes em campo, Maxi Pereira (que jogo!) fez mais um pico de velocidade, aos 94 minutos, e serviu Saviola que fez a rotação e marcou um golo merecidíssimo. 4-1, excelente resultado, estamos com pé e meio nas meias.

Há toda uma geração de jovens benfiquistas que está a viver, pela primeira vez, este momento de uma meia-final europeia, que apesar de ainda não ser uma realidade, dificilmente escapará. Numa altura de domínio interno quase total do FC Porto, que se estende desde meados dos anos 90 até hoje, e depois de esses mesmos jovens terem assistido às vitórias do Porto na UEFA e na Champions, à final perdida pelo Sporting em Alvalade e até mesmo à chega do Boavista às meias de uma UEFA, chega agora a vez de o Benfica lá. Sinto que se está a fazer história. E sinto que poderemos fazer parte dessa mesma história. Com o nosso nome gravado a letras de ouro.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Esgotados

Fui um dos muitos benfiquistas que se dirigiram às bilheteiras do Estádio da Luz, agora localizadas na Megastore, para tentar adquirir mais uns bilhetes para dar a amigos para que pudessem ir à Luz apoiar o Benfica neste momento que tem tanto de importante como de difícil. Cheguei às 13h40, mais coisa menos coisa, com a fila a atingir o início da rampa das "antigas" bilheteiras, e perto das 14h00 chega a informação de que já não havia bilhetes. Nem um para amostra.

Isto leva-me a pensar no seguinte: há uma grande fome de bola e uma grande paixão e benfiquismo entre nós, mas nem toda a gente pode (neste momento a palavra "pode" é adequada) comprar os bilhetes. E se formos a ver, os preços para este jogo estavam muito longe de serem acessíveis. Penso que é importante rever esta situação. Com a actual situação económica, colocar bilhetes para não-sócios ao preço a que estes estavam, é um abuso para a grande maioria dos portugueses, nomeadamente aqueles que vão para o estádio apoiar o Benfica em vez de comer croquetes. Por outro lado, toda esta histeria a que assisti parece-me, no mínimo, excessiva. Com tanta vontade de ir à Luz, não era mesmo possível comprar o bilhetinho? Sinceramente, não acredito que toda a gente que ali estava estivesse assim tão desesperada ao ponto de querer ir ao jogo e não poder mesmo comprar o bilhete.

A direcção e o departamento de marketing tomaram uma decisão arriscada. Obviamente que todos queremos ver o estádio cheio e isso é o mais importante, sendo que eu acredito que, com maior apoio na Luz, as nossas possibilidades em singrar nesta prova aumentam exponencialmente. Por outro lado, a posição de desagrado do sócio que paga as quotas, que compra o Red Pass e que dá 20€ para ir ao jogo com os holandeses tem de ser compreendida uma vez que alguns não-sócios que só se interessam pelo Benfica uma vez por ano (geralmente quando ganhamos) acabam por ir ver uns quartos-de-final de uma prova europeia à borla. E a candonga andará aí em força, à semelhança do que aconteceu no ano passado com o Liverpool, quando os bilhetes eram de acompanhante e não de sócio. Por isso, em vez dos esperados 65 mil bilhetes, não acredito que tenhamos mais de 57 mil adeptos na Luz. Além disso, não foram 10, 100 ou 1000 bilhetes disponibilizados. É melhor nem dizer quantos foram senão ainda vos dá um ataquezinho desse lado do computador.

P.S. Tanto se tem criticado o Braga pelas "borlas" que dá aos seus adeptos e agora isto...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nas últimas 72 horas...

- o Benfica perdeu o campeonato em casa entregando as quinas ao Porto em plena Luz;

- os adeptos benfiquistas demonstraram-se descrentes e não compareceram em massa no Estádio da Luz para apoiar a equipa;

- ocorreram confrontos feios e graves entre adeptos do Benfica e a Polícia sem que houvesse motivo aparente para tanto, e com um adepto do Benfica a acabar cego;

- várias casas do Benfica foram vandalizadas de norte a sul do país;

- o capitão teve uma lesão grave que pode mesmo terminar abruptamente a carreira do mesmo;


Com o que é que a direcção se preocupa?!

A direcção preferiu desmentir uma notícia de um jornal sensacionalista a vir a terreiro defender os jogadores em geral e apelar à mobilização dos adeptos na conquista dos troféus que sobram esta época.

Em vez de proteger o Benfica, Vieira decidiu proteger-se a si e à sua imagem. Sintomático.

Estudo e Análise ao adversário PSV Eindhoven

Organização Ofensiva:

Equipa organizada em 4x2x3x1. Esquema consistente e com bons resultados no capitulo da finalização. Motivação abalada após terem perdido o primeiro lugar na penúltima jornada do campeonato, na derrota com o Twente. Equipa com alguma vocação ofensiva, gosta de ter a bola e pressiona o adversário quando não a tem em seu poder. A construção de jogo é normalmente lenta, mecânica e organizada, sobressaindo o passe curto. O jogador alvo é o médio ofensivo esquerdo, Dzsudzsák, sendo este o grande impulsionador do jogo do PSV Eindhoven.

A construção de jogo curto tem o 1º passe para os centrais. Marcelo é mais vulnerável sob pressão que o Bouma, isto porque tenta o passe longo e com pouco sucesso. A construção de jogo por parte de Bouma é uma ameaça, seja através do passe curto, seja através do longo. As segundas bolas são muito agressivas com o Engelaar e Hutchinson a reagirem rapidamente e a organizarem o jogo.

Da 2ª para a 3ª fase, há um padrão na construção do jogo. Normalmente optam pelo passe curto e pelo jogo directo. Os centrais gostam de circular a bola com o lateral mais perto ou, preferencialmente, com os médios centro. Os laterais são competentes no plano defensivo e um bom auxílio nos movimentos atacantes. Se o espaço for apertado, os defesas vão circulando a bola em busca de uma oportunidade, sendo que a finalidade é procurar espaços nas alas (principalmente na esquerda). É importante retirar profundidade ao Bouma.

Apesar da natureza do sistema de jogo, os médios centro procuram, por vezes, penetrações laterais a fim de se abrirem espaços ou para se efectuarem algumas triangulações. Engelaar é excelente nisso. Hutchinson é o elemento mais defensivo do meio campo e tem uma boa leitura do jogo.

Toivonen, apesar de tentar o último passe várias vezes, não é um organizador de jogo. É antes um segundo avançado, forte e que procura o remate sempre que tem oportunidade.

Dzsudzsák é o principal desequilibrador da equipa, muito forte no um para um, principalmente quando embalado. É o elemento mais rematador, embora também seja muito activo a assistir os colegas. É imprevisível, tanto pode ir à linha como procurar por diagonais. Do outro lado, o Lens, faz da velocidade a sua principal arma. No entanto, normalmente provoca menos desequilíbrios e joga mais em esforço que o Dzsudzsák.

Berg tem bons índices de velocidade e agressividade. Porém, não é um homem golo, dos que aparece sempre no sítio certo. É mais um avançado esforçado e que procura por espaços. Não faz do jogo de cabeça uma arma a ter em atenção. Sempre que surge uma oportunidade, remata à baliza.

Transição Ofensiva:

Mudança de atitude rápida e agressiva. As movimentações de Dzsudzsák são um perigo constante e está sempre a ser seguido pelos colegas de equipa. Embora premeiem uma construção de jogo lenta e segura, se lhes for dado espaço para tal, também o fazem realizando transições directas e rápidas como aconteceu no golo frente ao Rangers e que lhes deu a vitória (Pieters- Dzsudzsák- Lens).

Boa dinâmica colectiva. Avançam com segurança e sempre com apoios. Particularmente o central que vem detrás, que sobe para colocar a bola nos espaços (Engelaar dobra o Bouma várias vezes). São organizados mas falta imprevisibilidade e criatividade (a excepção é Dzsudzsák).

Na defesa, cometem erros e podem acusar a pressão desde que esta seja bem realizada.

Transições do Guarda-Redes. Passe longo imediato para as alas ou costas. Passe curto para os centrais ou alas. Passe longo não é uma ameaça directa.

Organização Defensiva:

Equipa organizada como um bloco alto. No entanto e apesar de alguma vocação ofensiva, não é fácil apanhá-los em desvantagem numérica uma vez que, quando perdem a bola, os elementos centrais do meio campo estão regularmente bem posicionados e fazem as devidas compensações. A equipa mistura agressividade com passividade, dependendo do opositor. Por vezes dão a iniciativa de jogo e, quando têm o mesmo controlado, mudam de atitude, acabando por exercer pressão apenas a meio campo e não a campo inteiro.

Marcelo é o central mais posicional enquanto Bouma joga na antecipação. A equipa condecora a marcação à zona, embora também façam marcações homem a homem. As bolas aéreas são praticamente sempre ganhas por Engelaar. Defesa consistente.

Será importante que a nossa equipa pressione bem o Engelaar e o Bouma, jogue com os sectores próximos a fim de ganhar as segundas bolas. A construção de jogo longo não é um recurso a se ter em conta. Devemos antes usar o drible, a imprevisibilidade e a explosão nas mudanças de direcção, pois o PSV é uma equipa muito mecânica e são um pouco lentos a reagir.

Transição Defensiva – Após perder a posse da bola:

No jogo frente ao Rangers, Tamata demonstrou algumas dificuldades em recuperar a posição. No entanto, o titular é o Manolev e tanto este como o Pieters têm uma boa transição defensiva e energia para recuperar ou para fechar no meio.

Embora estes tenham presença no ataque e tendo em conta o equilíbrio dado pelos médios centro, as bolas devem ser preferencialmente colocadas nas alas, procurando aproveitar os espaços deixados. Manolev sobe mais que o Pieters. A largura da equipa é normal e a defesa é em linha, apesar do Bouma e do Marcelo darem cobertura várias vezes, através de bons timings e de julgamentos válidos. Não tentam muitas vezes explorar o fora de jogo na equipa adversária.

Bolas Paradas:

Não querendo ser tão minucioso no 5to elemento do jogo, as movimentações ofensivas são batidas, geralmente, por Dzsudzsák. Na vertente defensiva, Engelaar é o elemento mais forte e aquele que mais vezes se antecipa nos lances aéreos.

Observações:

Bouma saiu lesionado frente ao Twente e Toivonen está em dúvida. Se o primeiro joga quase de certeza, Toivonen caso não jogue, deve dar lugar a Bakkal.


Para a realização deste relatório bem como a pesquisa e a análise do PSV Eindhoven, tive a colaboração do Phant, bloguer da Chama Gloriosa, com quem trabalhei nestes últimos dias e com quem tenho tido o privilégio de aprender bastante sobre este desporto que tanto gostamos.

Fica aqui o link do seu relatório e os meus agradecimentos especiais ao mesmo: http://chamagloriosa.blogspot.com/2011/04/estudo-do-adversario-psv-eindhoven.html

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ainda há muita época por disputar. O que fazer?

Apesar do desempenho titubeante no campeonato, que culminou com a entrega das quinas ao Porto em plena Luz, chegamos a Abril ainda em três frentes, algo que se não é inédito na história recente do Benfica, anda lá perto. E além de estar nas três frentes, tem boas hipóteses de vencer qualquer uma delas: na Taça da Liga enfrentamos um adversário que, apesar da sua valia óbvia, não deverá, num dia "normal", constituir oposição temível ao Benfica; na Taça de Portugal temos uma excelente vantagem adquirida na primeira mão e só num dia realmente muito mau poderemos desperdiçá-la; na Liga Europa as ambições são naturalmente mais moderadas face à valia dos adversários, mas a verdade é que, em relação a outras edições desta prova, a qualidade desta está nivelada por baixo, pois não há um único "tubarão" sobrevivente dos que já participaram esta época, como por exemplo o Liverpool, a Juventus ou o Manchester City.

Por tudo isto, e analisando umas questões que deixei noutro post, que deve o Benfica fazer até final da época? Que linhas temos de redefinir? Essencialmente, penso que é fundamental (re)vêr três questões:

Há jogadores que precisam de ir para o banco?

Sim, a meu ver, sim. Não necessariamente nos jogos fundamentais desta época, nesses devem jogar os melhores disponíveis para cada jogo. Mas parece-me desnecessário continuar a apostar em jogadores mais cansados ou com lesões para o campeonato. Exemplos flagrantes? Os extremos Gaitán e Salvio, que já se arrastam há algumas jornadas, Cardozo, pelas mesmas razões mas não tão evidentes, Carlos Martins, Aimar e Maxi Pereira essencialmente pelo estado clínico recente. Depois há casos de jogadores como Coentrão, Saviola, Javi Garcia ou Luisão que, mesmo com muitos jogos nas pernas, continuam a demonstrar uma forma física muito boa, mas na minha opinião, mesmo esses, deveriam descansar. Por isso, na Liga, o onze base deveria ser qualquer coisa como: Roberto/Júlio César/Moreira: Luís Filipe, Jardel, Sidnei e Carole; Airton, Peixoto e Menezes; Jara, Weldon e Kardec.

Pode o Benfica continuar a jogar só com um médio de características defensivas?

Nos jogos em casa até pode fazer isso, mas nos jogos fora é impensável. Praticamente todas as grandes equipas europeias jogam com um médio defensivo e um de características defensivas ou que seja box-to-box tanto em casa como fora, evitando jogar com um número 10 puro, dois extremos e dois avançados como faz o Benfica, num esquema que tantos desequilíbrios cria. Por exemplo: no Real jogam Khedira e Xabi Alonso, no Barcelona jogam Busquets e Xavi, no Chelsea jogam Essien e Lampard, no Manchester actuam Carrick e Scholes, no Milan temos Pirlo e Gattuso e no Inter há Motta e Cambiasso. No Benfica só há Javi Garcia. E isto cria os desequilíbrios que temos visto esta época. Ao lado de Javi tem de estar um jogador que consiga dar consistência defensiva. Quem? Depende das circunstâncias. Rúben Amorim seria o ideal, mas como está de fora terá de jogar Airton, Carlos Martins, ou mesmo com Peixoto à semelhança do que aconteceu no Dragão. Num jogo fora, apostaria em Airton se tivéssemos ganho vantagem na primeira mão, caso contrário a escolha recairia sobre Martins apesar de tudo isto depender do adversário em questão, algo a que Jesus parece não dar grande relevância, uma vez que, qualquer que seja o adversário, o onze é sempre o mesmo.

Quem deve ser o guarda-redes titular?

Todos merecem uma segunda oportunidade. Roberto já vai na sétima ou oitava oportunidade. Parece-me um bocadinho demais. As grandes defesas que faz não são suficientes para compensar os grandes e caros frangos que dá, especialmente em jogos grandes ou importantes. Já comprometeu com o Lyon, Sporting, Porto e Braga, tudo na mesma época. É demais, não há desculpas. Não estão em causa as qualidades. O problema são os defeitos. Não é consistente e a consistência deve ser a primeira característica que um guarda-redes deve ter. Nem dá segurança. Olho para a baliza com Júlio César e sinto tranquilidade e serenidade no sector defensivo. Atendendo à quantidade de jogos importantes até final, a solução pode passar pela troca de guarda-redes quer seja por premiar a qualidade de Júlio César que contrasta com a inconstância de Roberto, quer seja por um aspecto meramente mental e que sirva para abanar com a equipa, tal como Trapattoni disse e fez em 2004/2005 com os efeitos conhecidos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tem a palavra o senhor presidente


É nestas alturas que os grandes líderes falam.

E que os grandes ratos se calam.



Com tanto ainda em jogo nesta época, é fundamental que se lance uma mensagem de apelo aos benfiquistas para que não abandonem a equipa e que a apoiem no Estádio da Luz até final da temporada. É das bancadas que tem de vir a força que guie esta equipa até à vitória. Fala Vieira.

A génese do Benfica

Nasceu em 1904 um clube. Um clube que sempre se baseou no povo, e como clube do povo que é e sempre foi, soube construir a sua história de forma humilde, com a sua força popular a superar toda e qualquer barreira que se colocava à frente. Foi assim, com as mãos do povo, que se construiu a nossa Velha Catedral na antiga Quinta de Carnide. Foi assim que o Benfica se tornou num gigante à escala mundial, sem vedetas e formando uma fantástica família da qual sempre sobressaía um nome: Sport Lisboa e Benfica. Era a cultura do E Pluribus Unum.
E foi assim que começámos a perder esta época, mesmo dando de barato todos os erros cometidos num planeamento de época inacreditável e o qual já dava a entender o que poderia vir daí para a frente. No seu primeiro jogo oficial da época, o Benfica abordou-o com uma sobranceria que nada tinha a ver com a sua história, com a sua personificação: a humildade. Muito pelo contrário, e contra o seu maior adversário, entrou logo a perder. Todo o elan ganho na época passada se perdeu nesse final de tarde em Aveiro.
O resto ? O resto foi o que se viu, e infelizmente teve o seu desfecho ontem, no nosso querido Estádio da Luz. Seja dentro, seja fora dele... Fora porque os adeptos não mais são protegidos pela sua direcção. Dentro, porque foi o que todos vimos, o reflexo de uma época mal preparada e o descer de nível para uma guerra que não é nossa.
Mas, e há sempre um mas, a época não acabou, e ainda há muito a ganhar! Se a Bwin Cup é algo que pouco me diz, mas é para ganhar pois foi ganhando competições do género que os de lá de cima foram consolidando a sua posição, relativamente à Taça de Portugal e à Liga Europa a conversa é muito diferente. São duas competições fantásticas onde temos muito a ganhar. Que o grupo de trabalho do Benfica tenha o orgulho ferido, que não teve ontem na sua globalidade, para fazer das tripas coração. A hipótese de entrarem na história de um Clube mais que centenário está nas mãos deles. E só depende deles, não há desculpas. Voltem às origens: sejam humildes, sejam trabalhadores, acreditem e sejam Benfica!

Eu acredito que é possível, e vocês que jogam no campo, também acreditam ? Se vocês não acreditarem, a nossa crença de nada servirá! Mas com o meu apoio podem sempre contar.

Os heróis são os que caem e se levantam para lutar. Os cobardes os que fogem para não tentar.



P.S. Para culminar o dia horribilis de ontem, a lesão de Nuno Gomes. Chegará aos 400 ? Uma lástima...


Saborear a derrota, redefinir linhas, voltar ao campo de batalha

Saborear a derrota

O que não nos mata torna-nos mais fortes. Já no ano passado, depois do jogo 4 da final dos playoff de Futsal, que o Benfica perdeu com o Sporting, fiquei um bom bocado no pavilhão da Luz, semi-apático, a ver a festa leonina. Ontem, uma vez mais, não saí a meio do jogo ao contrário de muitos milhares de benfiquistas. O que se passou ontem em campo foi uma lição: os nossos jogadores e os resistentes adeptos que foram e que ficaram até fim tiveram de ver a festa do novo campeão nacional, algo que não imaginaríamos no início da época. E espero que sirva de lição para todos. Saborear o amargo da derrota só nos deveria tornar mais fortes: aos jogadores para perceberem que, no jogo, foram inferiores e que têm de dar mais que aquilo que mostraram; aos adeptos cobardes que falataram à chamada e não se deslocaram à Luz para apoiar os seus jogadores e também aos adeptos apáticos que foram à Luz e pareciam estar num funeral, tal foi o silêncio e a falta de energia que demonstraram durante 90 minutos. Vimos o que é ser campeão nacional mesmo debaixo dos nossos narizes. Não foi fácil, custou. Saboreie-se esta derrota para que possamos sair daqui mais fortes, até porque ainda há uma época por jogar.

Redefinir linhas

Para além da falta de competência fora das quatro linhas demonstrada ao longo dos anos pelos nossos dirigentes (isso ficará pra outras núpcias), houve, durante esta época, uma boa dose de incompetência mostrada dentro de campo. Pelos jogadores, que não jogaram tudo o que sabiam e também por Jesus, que fez, não raras vezes, más escolhas. Posto isto é importante decidir como vamos e quem vai jogar até final da época. Há questões importantes que devem ser revistas. Quem deve ser o guarda-redes titular? Pode o Benfica continuar a jogar só com um médio de características defensivas? Há jogadores que precisam de ir para o banco?

Voltar ao campo de batalha

É necessário assimilar estas ideias. Se queremos vencer, temos de voltar mais fortes, dentro e fora de campo. É possível vencer as duas taças internas e ainda a Liga Europa. Mas vai ser preciso muita força, nomeadamente psicológica. É necessário que, à primeira contraiedade, não se perca a cabeça, como vimos no Dragão e cá com o Porto novamente. Cabeça fria, acima de tudo. Um clube com a História e com a ambição do Benfica não pode ficar contente com a situação que vive hoje. Há que dar a volta por cima e isso só pode ser feito no campo de batalha. Temos de vencer. Falhar não é opção.

Ler com muita atenção

Nunca fiz e provavelmente não voltarei a fazer um post deste género, mas é importantíssimo que todos os benfiquistas leiam isto:

domingo, 3 de abril de 2011

SEMPRE !

O meu medo são os adeptos... do Benfica

E o medo não é relativo ao que possam vir a fazer fora ou dentro do estádio que nos impossibilite de jogar a meia-final da Taça de Portugal na Luz. O principal receio que tenho é que a Luz não esteja bem composta para receber o campeão nacional (o Benfica) em mais um jogo complicado e que, em caso de derrota, consagrará o Porto como novo campeão. Impedir que os portistas façam a festa é fácil, basta ligar os aspersores, mas o que eu queria mesmo era ver o Benfica não dar quaisquer hipóteses e vencer a partida. E para tal, penso que precisamos do apoio dos adeptos, que não deverão comparecer em massa com medo de assistirem à festa dos dragões.

No ano passado a situação era precisamente oposta: era o Benfica que se deslocava ao Dragão com possibilidades de ser campeão. Nesse dia, os adeptos portistas compareceram em massa e apoiaram o seu clube (além de tudo o que vimos, desde bolas de golfe a isqueiros). Temo que o nosso clube não tenha o mesmo apoio da parte dos seus adeptos que o rival teve no ano passado. É só isso que temo.

Vídeo do Mês - Abril 2011



por takeshiSLB

Não tem sido um ano fácil para o nosso Tacuara. Depois de um início de época atribulado para as nossas cores, onde a produtividade de Cardozo não foi a melhor, o goleador paraguaio lesionou-se e perdeu um mês importante de competição. Regressou e com ele voltaram os golos, não tantos como nos anos anteriores como nos vinha habituando, mas marcava. Serve este vídeo para mostrar alguns golos do camisola "7". E que hoje volte a fazer o gosto ao pé.

sábado, 2 de abril de 2011

É para vencer!

“Sacrificados e feridos no orgulho após as batalhas travadas no norte, os bispos cruzarão os campos pela altura da quaresma, pondo em xeque os reis e vencendo as respectivas guerras, sem que os cavalos inimigos nada possam fazer.”

Está a chegar o momento. Esta profecia fora lançada umas semanas após o jogo no dragão e mais em jeito de desabafo. Uns já a leram e conhecem o seu significado, mas para a maioria com certeza que esta é desconhecida. Pois chegou a altura de a descodificar. “As batalhas travadas no norte”, referem-se ao jogo do Benfica no dragão e também ao jogo onde os nossos “hermanos” do Real Madrid, foram atropelados pelo seu rival, com o mesmo resultado que o Benfica, em Camp Nau.

Humilhados e feridos no orgulho, tudo apontava para que o resto da época fosse desastroso. A verdade é que ambas as equipas se ergueram e têm sede de vingança. O porto e o Barcelona podem ter os campeonatos praticamente resolvidos, mas as restantes taças terão que pertencer, respectivamente, ao Benfica e ao Real Madrid. Perder uma batalha não significa que se tenha perdido a guerra. E o que nos interessa realmente é vencer as guerras, ou seja, os troféus em disputa.

Deveria então o Benfica abdicar deste jogo frente ao porto e concentrar-se nas outras provas uma vez que o campeonato já não é um objectivo acessível? Se calhar devia. Se concordo que o fizesse? Nunca na vida, principalmente porque temos que nos desforrar e provar à Europa quem, em Portugal, é realmente a equipa mais forte. E, claro, também por uma questão de orgulho. Não podemos apelidar este campeonato de "café com leite e da fruta", se depois lhes estendemos a passadeira, em nossa própria casa e ainda consentimos que estes possam fazer a festa, no nosso estádio. Um Benfica versus porto é sempre para ganhar, sejam os seniores, sejam os traquinas ou os benjamins. Seja no futebol, seja a jogar ao berlinde (nessa competição deixamos os lagartos serem os melhores para eles continuarem a ter mais taças que nós e serem felizes).

Espero por um Benfica na máxima força, sem medos e com muita sede de vingança. Este porto é um bom conjunto mas não tenho a mais pequena dúvida que o Benfica é superior. Praticamos melhor futebol e só a vitória nos interessa. Depois se pensa no jogo de quinta-feira.

Até ao final da época o Benfica tem que vencer as taças internas e tentar ir o mais longe possível na Liga Europa. Para além disso, deve procurar manter o estatuto de única equipa em Portugal que conseguiu, por duas vezes, ser invencível numa temporada, sendo que numa delas, infelizmente, de pouco nos terá valido, uma vez que não fomos campeões. E o desejo é que o faça deixando uma marca de superioridade bem expressiva.

Quanto ao Real Madrid, não posso ser hipócrita. Não me interessa muito se conseguem os seus objectivos. Apenas falei por estarem também eles incutidos na dita profecia. Normalmente não acredito muito nestas coisas, embora lhes ache piada... Mas nesta quero Acarditar!


"Quem é o gajo ao lado do Redjan?"

Muitos parabéns a todo o pessoal da TAP que se empenhou neste projecto, nomeadamente ao nosso "eterno" João Pais, principal impulsionador da primeira casa do Benfica numa empresa.

Depois da criação do primeiro núcleo do Benfica, em Janeiro de 1999, a TAP não parou de crescer em termos de benfiquismo e alcançou este marco histórico. Sem interesses pessoais, sem segundas intenções, apenas benfiquismo puro. Parabéns e obrigado, "redjan"!

P.S. redjan e Galaad, isto significa que vamos passar a ter comissões sobre os charters da China?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Carlos Queiroz vs. Resto do Mundo

A situação arrasta-se há meses e até ver vai prolongar-se. O Tribunal Arbitral do Desporto deu razão a Queiroz na suspensão movida pelo ADoP contra o ex-seleccionador português. Independentemente do valor de Queiroz enquanto treinador de futebol e das declarações que proferiu a jornalistas e outras pessoas do meio do desporto, neste caso, a razão assiste-o. Carlos Queiroz tem razão quando fala de casos gravíssimos como a perseguição que lhe foi dirigida a mando de Madaíl, Amândio Carvalho e Laurentino Dias, com a utilização de Luís Horta como peão, e muito provavelmente terá razão quando diz que os relatórios foram forjados pelo médico a mando do (ex-)secretário de estado de desporto (a propósito, adeus, ó badocha).

E eu questiono-me como foi possível ter aquela volumosa besta de seu nome Laurentino Dias como secretário de estado durante tanto tempo. Estamos a falar de um indivíduo que moveu uma perseguição gratuita a um jogador do Benfica, que fechou os olhos a casos semelhantes nas modalidades do FC Porto, que ordenou que se forjassem relatórios médicos para conseguir os seus fins e que agora, com toda a desfaçatez, mesmo depois do governo ter caído, ainda arrota postas de pescada sobre a sua autoridade moral, civismo e respeitabilidade.