Depende. Para as competições internas e em 90% dos jogos o habitual 4-1-3-2 de Jesus chega e sobra e aceito que seja um sistema base na maior parte das vezes, até porque desde que Jesus tenha os jogadores ideais para interpretar esse sistema e este ano tem, já vimos que pode ser um modelo táctico eficaz. A minha crítica a Jesus na temporada passada, apesar da escassez de opções para as faixas, era a incapacidade para sair da sua zona de conforto e optar por uma táctica nos jogos mais importantes, que pudesse ser mais compatível com as exigências da equipa, a ausência de um plano B era notória e isso custou caro ao Benfica em momentos cruciais.
Pois bem, nesta nova época, tem sido testado e com sucesso uma espécie de 4-2-3-1, explorando a polivalência dos jogadores do meio campo, a sua criatividade, rapidez e capacidade de decisão. Com Witsel, Aimar, Nolito, Enzo Perez, Gaitán, a possibilidade de este sistema ser usado com mais frequência e eventualmente se tornar no novo modelo táctico a seguir, num futuro a médio prazo, não é de todo descabida e tem que ser encarada com naturalidade, dada à forma como os jogadores mostram sentir-se a vontade jogando desse jeito. De qualquer maneira, parece evidente nesta altura que para jogos mais complicados, o 4-2-3-1 é o caminho a seguir, garantindo maior segurança no meio campo, maior posse de bola e explorando a rapidez dos alas, devidamente sustentados por Javi e Witsel/Enzo Peréz. O jogador a actuar na frente pode variar entre as várias opções do plantel, mas gostaria de ver Cardozo testado nesse papel, enquadrado neste sistema táctico o que ainda não aconteceu.
A ilustração acima demonstra como os jogadores se posicionam sem bola, nos momentos defensivos no 4-2-3-1, sendo que os alas podem também recuar mais ou fechar sobre o meio campo se em determinados momentos do jogo, tal for necessário. Desta forma a equipa encontrar-se-á mais equilibrada e funcionará como um bloco mais coeso onde as linhas estão próximas umas das outras, não existindo um grande vazio entre os sectores, que é precisamente o perigo do habitual 4-1-3-2 de Jorge Jesus, senão vejamos:
Utilizar este sistema frente à adversários mais fortes, que regra geral povoam o meio campo, é em grande parte das ocasiões um autêntico suícidio. O futebol moderno não se restringe apenas a uma forma de jogar, é preciso não confundir uma filosofia de jogo com utilizar táctica x ou y. Uma filosofia de jogo vai além de sistemas tácticos e muitos comentadores há que não conseguem separar uma coisa da outra. Comentadores e alguns treinadores. Felizmente que Jesus parece demonstrar neste momento uma maior flexibilidade na altura de montar a equipa em função do adversário. Há quem diga que fazer isso é dar sinal de fraqueza - nada mais errado. É ser inteligente e jogar com os pontos fortes da equipa em cima dos pontos fracos do adversário, um pouco de pragmatismo no futebol é fundamental nas alturas decisivas. Nem tudo se faz em ataque continuado.
Estou Farto Disto!
Há 9 horas





















