Sim, o adversário não era nada de mais, possivelmente era um dos três mais fracos em prova, mas a exibição que o Sport Lisboa e Benfica rubricou esta tarde no Estádio da Luz foi de uma classe e de uma maturidade assinaláveis e louváveis, especialmente perante um adversário que, apesar de alguns portugueses o ocultarem, está em crescendo desde Dezembro. Num jogo a eliminar, e perante as palavras do treinador Jorge Jesus, o Benfica venceu e venceu com a categoria dos campeões, sendo permitido sonhar com a conquista de uma prova que nos falta no palmarés. E nada melhor que continuar essa caminhada derrotando o Marselha, equipa de boas recordações para nós, por aquela meia-final da Taça dos Campeões Europeus em Abril de 1990. Rumo ao sonho!
Terça-feira, uma de trabalho, como tantas outras, 17 horas, e nova chuvada forte e feia. Quantos espectadores esperavam na Luz? Eu não pensava em mais de 20.000, sinceramente, mas os mais de 30.000 que vimos foram sinal claro de que os benfiquistas acreditam que a equipa irá longe, algo que é bom sinal. Os jogadores precisam dos adeptos e os adeptos precisam do campeonato e das vitórias europeias.O jogo foi de sentido único. Vento, chuva e mesmo granizo não demoveram os jogadores do Benfica de cumprirem a sua obrigação: vencer. Mas fez melhor: venceu, convenceu e acalmou os mais cépticos, onde me incluo. A exibição foi melhor do que aquilo que poderia imaginar: Di Maria foi novamente enorme, Coentrão, jogando num lugar que não é seu, demonstrou enorme maturidade e concentração, o que lhe permitiu rubricar uma grande exibição. Também Maxi Pereira, que poderia acusar algum cansaço, fez uma dupla de grande qualidade com Amorim, jogador que continuo a preferir ver no meio-campo mas que a posição de defesa também sabe cumprir e com maior consistência defensiva que Maxi. Aimar, esse, voltou a espalhar magia apesar de ser apenas em part-time, mas o tempo que está em campo serve perfeitamente para resolver jogos. Já Cardozo voltou aos golos, mas apenas com as botas vermelhas, sendo que aquelas verdes parecem afastar a sorte dos pés do paraguaio.
Por isso, com naturalidade, o Benfica chegou ao primeiro golo numa tabelinha entre Saviola e o seu amigo Aimar, que aguentou a carga do defesa da formação alemã e atirou rasteiro para o canto da baliza à guarda de Drobny. Ao intervalo, a vantagem era merecida, talvez até demasiado magra, mas permitia controlar a situação. Felizmente o Benfica quis mais do que gerir a vantagem: ampliou-a e com uma grande dose de classe: primeiro foi Cardozo a responder a um centro de Di Maria e facturou após falha do guardião; depois, na sequência de um canto de Aimar e de um mau alívio da defesa germânica, Javi Garcia rematou forte e fez o terceiro que dava tranquilidade ao Benfica; mas numa equipa sedenta de golos e com vontade de regressar às goleadas, Cardozo fez o quarto do jogo, seu sexto golo desde a fase de grupos da Liga Europa (ou EuroLiga, como diz Jesus).Mais importante que a goleada, na minha opinião, foi a forma de jogar e encarar a partida, muito positiva a atitude demonstrada por este Benfica. Mantendo este ritmo, o Benfica conseguirá, certamente, alcançar os seus objectivos, quem sabe se supera-los.











