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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Grande

Sim, o adversário não era nada de mais, possivelmente era um dos três mais fracos em prova, mas a exibição que o Sport Lisboa e Benfica rubricou esta tarde no Estádio da Luz foi de uma classe e de uma maturidade assinaláveis e louváveis, especialmente perante um adversário que, apesar de alguns portugueses o ocultarem, está em crescendo desde Dezembro. Num jogo a eliminar, e perante as palavras do treinador Jorge Jesus, o Benfica venceu e venceu com a categoria dos campeões, sendo permitido sonhar com a conquista de uma prova que nos falta no palmarés. E nada melhor que continuar essa caminhada derrotando o Marselha, equipa de boas recordações para nós, por aquela meia-final da Taça dos Campeões Europeus em Abril de 1990. Rumo ao sonho!

Terça-feira, uma de trabalho, como tantas outras, 17 horas, e nova chuvada forte e feia. Quantos espectadores esperavam na Luz? Eu não pensava em mais de 20.000, sinceramente, mas os mais de 30.000 que vimos foram sinal claro de que os benfiquistas acreditam que a equipa irá longe, algo que é bom sinal. Os jogadores precisam dos adeptos e os adeptos precisam do campeonato e das vitórias europeias.

O jogo foi de sentido único. Vento, chuva e mesmo granizo não demoveram os jogadores do Benfica de cumprirem a sua obrigação: vencer. Mas fez melhor: venceu, convenceu e acalmou os mais cépticos, onde me incluo. A exibição foi melhor do que aquilo que poderia imaginar: Di Maria foi novamente enorme, Coentrão, jogando num lugar que não é seu, demonstrou enorme maturidade e concentração, o que lhe permitiu rubricar uma grande exibição. Também Maxi Pereira, que poderia acusar algum cansaço, fez uma dupla de grande qualidade com Amorim, jogador que continuo a preferir ver no meio-campo mas que a posição de defesa também sabe cumprir e com maior consistência defensiva que Maxi. Aimar, esse, voltou a espalhar magia apesar de ser apenas em part-time, mas o tempo que está em campo serve perfeitamente para resolver jogos. Já Cardozo voltou aos golos, mas apenas com as botas vermelhas, sendo que aquelas verdes parecem afastar a sorte dos pés do paraguaio.

Por isso, com naturalidade, o Benfica chegou ao primeiro golo numa tabelinha entre Saviola e o seu amigo Aimar, que aguentou a carga do defesa da formação alemã e atirou rasteiro para o canto da baliza à guarda de Drobny. Ao intervalo, a vantagem era merecida, talvez até demasiado magra, mas permitia controlar a situação. Felizmente o Benfica quis mais do que gerir a vantagem: ampliou-a e com uma grande dose de classe: primeiro foi Cardozo a responder a um centro de Di Maria e facturou após falha do guardião; depois, na sequência de um canto de Aimar e de um mau alívio da defesa germânica, Javi Garcia rematou forte e fez o terceiro que dava tranquilidade ao Benfica; mas numa equipa sedenta de golos e com vontade de regressar às goleadas, Cardozo fez o quarto do jogo, seu sexto golo desde a fase de grupos da Liga Europa (ou EuroLiga, como diz Jesus).

Mais importante que a goleada, na minha opinião, foi a forma de jogar e encarar a partida, muito positiva a atitude demonstrada por este Benfica. Mantendo este ritmo, o Benfica conseguirá, certamente, alcançar os seus objectivos, quem sabe se supera-los.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Estranho mundo, o nosso

Há uns meses, o MaisFutebol publicou uma notícia que afirmava que, e baseando-se num conjunto de observações feitas, os árbitros tinham uma tendência natural de beneficiar as equipas que vestem de vermelho sobre as que vestem de azul. Ora, depois do que vi nesta jornada europeia, só me posso rir, partindo do pressuposto que os árbitros agiram de boa fé. A escandalosa arbitragem do sueco Martin Hansson no Porto - Arsenal, a juntar às péssimas actuações dos noruegueses Tom Henning Ovrebo, o mesmo dos quatro penalties do Chelsea, no Bayern Munique - Fiorentina, e Terge Hauge, no Hertha - Benfica, vêm confirmar que também a arbitragem europeia, até dos países mais civilizados, tem ainda um longo caminho a percorrer, numa semana em que no Milan-Manchester quem brilhou foi... Olegário Benquerença. Estranho, não?

No entanto, e apesar de uma arbitragem que me deixou apreensivo, a "culpa" deste resultado deve-se essencialmente ao Benfica. Todos nós vimos o mesmo: falta de garra, incapacidade para segurar o jogo, falta de agressividade, displicência. Concordamos todos, penso eu. Sobram duas interpretações: há quem diga que o Benfica está em clara quebra física, mental e que o futebol praticado até final do campeonato será pouco melhor que enfadonho, mas as vitórias irão surgir; outra falange de adeptos afirma que se tratou apenas de mais um jogo menos conseguido e que todas as equipas têm este tipo de jogos no decorrer de uma temporada. Pessoalmente, este Benfica 2009/2010 fora de casa nunca me convenceu, exceptuando os encontros com o Belenenses, Paços de Ferreira e poucos mais. As exibições em Olhão, Alvalade, Leiria, Braga, Setúbal, Atenas, e Borisov pouco condizem com a qualidade real da equipa. Já em casa a situação é diferente, tendo sido esmagador em todos os jogos excepto contra Porto e Belenenses, por motivos diferentes. A mentalidade de Jorge Jesus, neste jogo, pareceu-me mais próxima com a de Quique, que a do Jesus "Extreminador Implacável": a eliminatória é a duas mãos, esta é a primeira, jogamos fora, daí que o empate até é bonzinho. Não sei se foi isto que disse, mas a atitude, as substituições e o discurso final pareciam corroborar esta tese. Este jogo, e digo-o a nível pessoal, pareceu-me apenas um jogo menos bom, sendo que não é daqui que devemos tirar ilações para o resto da época. Creio que houve ordens claras para controlar o jogo (mas acabámos por ser controlados pelo Hertha) e "deixar andar". No entanto...

... o mesmo não se passou noutras ocasiões, como no encontro com o Belenenses, onde parecia haver claramente uma quebra física e mental dos jogadores. E é aqui que Jesus cometeu alguns erros pelos quais podemos vir a pagar caro. Que erros foram esses? Vários: Jesus apostou, desde o início da temporada num onze base no qual não iria mexer muito. Dos dez jogadores de campo, não haveria praticamente espaço para a rotação de Luisão, David Luiz, Javi Garcia, Ramires, Di Maria, Saviola e Cardozo. Qual é o problema disto? Cansaço acumulado, obviamente, mas também igualmente mau é o escasso aproveitamento que alguns jogadores que considero importantes têm tido, casos de Sidnei, Miguel Vítor, Rúben Amorim, como médio, e Nuno Gomes, bem como Weldon numa fase mais inicial da temporada. A não-rotação de Jesus leva àquilo que todos ouvimos falar na pré-temporada, as famosas "quebras" das equipas treinadas por JJ na segunda volta dos campeonatos. Aconteceu isto pelos clubes por onde passou. A diferença é que cair de um 4º lugar para um 6º ou 7º com o Belenenses é pouco relevante, mas cair com o Benfica, é um peso brutal. Outro dos pecados de Jesus é a abordagem que o treinador faz ao mercado de transferências. Insisti, aqui no blog, vezes sem conta, para a contratação de Rúben Micael. Disseram-me que não daria jeito porque não encaixava na táctica e que o Benfica não precisava. Neste momento temos Javi Garcia, Ramires e Di Maria de rastos. Aimar e Martins são a inconstância que todos sabemos. Felipe Menezes é o pior jogador deste plantel, sim, pior que o Luís Filipe. Amorim é o bombeiro de serviço pronto a apagar fogos na lateral-direita. Coentrão, magnífico extremo-esquerdo, é um banal defesa-lateral (ainda ontem Luís Freitas Lobo o disse no Pontapé de Saída), jogando poucas vezes no meio-campo. Neste momento, olhando para o Porto, quem é que desequilibra? O madeirense, que tanto jeito daria ao Benfica, que preferiu ir gastar 8,6 milhões de euros em jogadores brasileiros que, já se sabia, pouco ou nada iriam dar ao Benfica neste campeonato: Kardec e Airton são demasiado novos para entrarem numa equipa com rotinas a meio de uma época, enquanto que Éder Luis não me parece ter qualidade suficiente a avaliar pelo que vi de encarnado ao peito. O mercado de Janeiro não serve para preparar o futuro ao contrário do que possam pensar, mas serve sim para dar retoques no plantel. E este Benfica precisava de um médio polivalente, à imagem de Rúben Micael. Ou muito me engano ou este foi um dos maiores tiros no pé em relação a esta época.

E isto tudo resume e explica em grande parte o que se passou em Berlim: Benfica amorfo, com pouca vontade, mas também numa quebra evidente. A rotação do plantel tem de ser feita imediatamente sob pena de hipotecar a época. É fundamental que, nomeadamente, Saviola e Ramires saiam da equipa pois precisam de descansar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Borrego alemão

Depois de mais de 50 anos a jogar em provas europeias, chega hoje o dia em que o Benfica tem tudo para vencer os alemães. A verdade é que hoje em dia o futebol alemão, especialmente a nível de clubes, não faz jus à mítica frase proferida por Gary Lineker. Vai fazer dez anos que nenhuma equipa alemã chega à final (ou às meias-finais, se preferirem) da Liga dos Campeões. No entanto, a perda de qualidade do futebol germânico, muito à custa da perda de capacidade de manter jogadores mais interessantes nos seus campeonatos devido aos salários exigidos, não se tem feito sentir na Liga Europa, antes denominada Taça UEFA. Nos últimos 5 anos tivemos 4 equipas diferentes a atingir as meias-finais: Schalke 04, Bayern Munique, Werder Bremen, Hamburg, logo, temos uma noção da importância que os próprios germânicos dão a esta prova.

Por isso, e por muito mal classificado que esteja este Hertha Berlin, há que ter em atenção duas coisas: a primeira, como já referi, é a motivação para esta prova; a segunda, menos óbvia, mas recorrendo ao argumento das carpideiras do Lumiar sem as imitar, é a de que este Hertha jogará com 8 jogadores diferentes daqueles que iniciaram os jogos com o Sporting. Porque entretanto houve uns que recuperaram de lesões, outros foram contratados, algumas coisas mudaram.

Depois de nas duas últimas épocas o Benfica ter sido meio-feliz em solo alemão, com empates frente a este mesmo Hertha e em Nuremberga, dia em que fomos poupados ao julgamento, hoje é dia de vitória, o borrego será morto. Sirva-se mit kartoffeln.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Calma Máximo! Há um ano foi assim...



E esperemos que aqueles adeptos particularmente alegres estejam tão alegres desta vez, mas por outros motivos: o bom futebol e a vitória.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

1 pontinho...

E já vamos com sorte! Depois do que vi hoje, fico mesmo muito apreensivo. Não são só as infantilidades de Di Maria, que apesar de ser um jogador com uma técnica magnífica e de ter um valor potencial assombroso, continua a fazer jogadas desnecessárias, revelando um egoísmo que não se enquadra em nenhuma equipa de futebol na Europa. Aquelas macacadas que ele faz são boas na Argentina, até no Brasil, mas não na Europa. O Bynia continua a cometer faltas desnecessárias. É certo que está muito melhor no capítulo da agressividade, mas comparando-o com o Yebda, é claramente um jogador a menos, tanto ofensivamente como defensivamente.

Mas enfim, um ponto é sempre um ponto, ainda por cima conseguido na Alemanha, fora de portas, portanto, numa competição que apesar de não ser a Champions não lhe fica nada atrás, tal a qualidade das equipas presentes na edição deste ano. Como já disse num post anterior, a Taça UEFA é uma competição com equipas muito bem organizadas e geralmente muito fortes fisicamente, por isso, um ponto em Berlim é, na minha opinião, muito bom. Creio que 5 pontos deve dar para passar neste grupo. Raras vezes equipas que fazem 5 pontos não passam à fase seguinte. Assim sendo, penso que em Berlim, cumprimos a nossa missão.