
Não foi um grande jogo, não houve muitas oportunidades, não jogámos bonito, mas... vencemos. E no futebol tudo se resume a isto: vencer. Conseguimo-lo da maneira mais dramática possível, com um golo já no período de compensação, marcado por um herói improvável, gordo, já com careca, que disse que o nosso clube seria uma ponte aérea para a grande Europa do futebol. E o futebol é bonito por isto mesmo: num dia podes ser uma besta, no outro és um herói que dá os 3 pontos à tua equipa num jogo emocionante.
O Benfica entrou em campo com a ambição de dominar o jogo, algo que conseguiu facilmente, uma vez que o Braga entregou a iniciativa de jogo aos encarnados. No entanto, não foi fácil encontrar o rumo para a baliza de Quimbecil, pelas razões já referidas noutros
posts: boa organização defensiva do adversário, falta de criatividade e de velocidade nossas. Porém, de qualquer das maneiras, nos primeiros minutos do jogo deu para perceber que tínhamos finalmente entrado com onze jogadores em campo, uma vez que na lateral esquerda estava um jogador de futebol, algo que não víamos há uns tempos. Construíamos jogo pelo centro, pela esquerda e pela direita, mas pecávamos na finalização. Sempre que chegava a altura do remate, os nossos jogadores precipitavam-se e atiravam à figura de Quim. O Braga, verdade seja dita, não fazia melhor, não chegando a rematar à baliza e perdendo muitas bolas no último passe. Com o crescimento dos visitantes, o intervalo chegou em boa hora. Era tempo de analisar a primeira parte e redefinir estratégias para chegar ao golo na segunda.
O Benfica voltou a entrar bem no recomeço da partida, desta vez rematando à baliza mas sempre à figura do guarda-redes do Braga. Witsel primeiro, Rodrigo depois, mas sem resultados práticos. Sem conseguir alcançar o golo, o Benfica quebrou e o Braga emergiu, primeiro por Lima e depois por Mossoró, este último a cabecear no coração da área, sem oposição, mas ao lado, num lance marcado pela lesão de Miguel Vítor. O jogo continuou trapalhão até que Elderson resolveu ser mais trapalhão que todos os outros e cabeceou Bruno César dentro da área. Se dúvidas houvesse, ainda lhe deu com as mãos na cara. Penalty mais que óbvio que Witsel, com uma calma olímpica, concretizou. Foi à Witsel. Tranquilo, sereno, eficaz. Partiu para os festejos calmo e explodiu. A Luz também. O Benfica estava na frente com pouco mais de dez minutos por jogar. Mas, de um mergulhão de Paulo César (quero ver quanto a imprensa falará do mergulho do bracarense) surge o empate. Livre executado pelo melhor marcador de bolas paradas da Liga, o proscrito da selecção, Hugo Viana, e Elderson apareceu no segundo poste depois de Artur ter feito uma defesa incompleta. Balde de água gelada na Luz, o Braga tinha chegado ao resultado que lhe convinha e que colocava o Benfica praticamente de fora no que à corrida pelo título dizia respeito.
Exausto, desgastado, o Benfica não tinha forças. Só o sobrenatural, o divino, poderia conseguir o milagre de dar a vitória ao Benfica. Precisávamos de um
herói. E, como nos filmes, ele apareceu. Bruno César, após jogada de génio de Gaitán, rematou lento mas
colocado, junto ao poste mais distante da baliza de Quim. 2-1. Loucura na Luz. Luís Martins e Rodrigo correram para abraçar Bruno César. Witsel também foi, mas a passo, de tão fatigado que estava. Javi, Nico e Artur ajoelharam-se, com o último a chorar. O Benfica conseguia um triunfo saborosíssimo frente a um rival complicado numa noite memorável no Estádio da Luz.
P.S. Falta falar de muita coisa:
speaker, público, Capdevila, Miguel Vítor, Quim e Nuno Gomes. Cada caso a seu tempo.