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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Os números do Benfica #2

Continuando na senda dos números das camisolas, e após o fascículo número 1 há umas semanas atrás, eis-nos chegados à camisola nº2.
Um número que tem sido estupidamente agredido na sua história desde a segunda metade da década de 90 com jogadores como Paulo Pereira, Amoreirinha, Airton entre outros, e que nas épocas mais recentes tem estado mais livre do que ocupado. Para ser mal ocupado também se prefere assim.

O atleta que acabo por associar a este número ainda envergou uma série de números diferentes mas foi com esta camisola que acabou por actuar mais vezes... Só podia ser um dos últimos capitães: António Veloso


15 épocas ao serviço do clube (chegou no ano em que nasci...), 7 campeonatos, 6 Taças de Portugal, 3 Supertaças, 538 jogos sendo Capitão em 322 deles...

Veloso era o protótipo de jogador à Benfica (vendo por alto, um Maxi Pereira do passado, mas com Bigode claro...). Jogava numa série de posições, fazia o que lhe mandavam, sempre com uma regularidade tremenda e uma consistência de fazer inveja. Sacrificava-se em prol do colectivo, como fez em 1990 ao não hesitar em levar um amarelo diante do Olympique Marseille que o afastou da final de Viena. Também nunca teve problemas em chegar-se à frente quando outros não o faziam, como líder que era. Foi o que sucedeu no malogrado final de tarde em Estugarda. Veloso chegou-se à frente, e permitiu a defesa do guardião holandês. Para quem viveu essa tarde-noite, nunca esquecerá, mas o Veloso certamente também não. Mas não devemos esquecer o que já foi referido: chegou-se à frente, assumiu o que outros não fizeram, arriscou e infelizmente falhou.

Fez-nos chorar ? Fez. Mas deu-nos mais alegrias do que tristezas, mesmo que a espectacularidade do futebol dos colegas ofuscasse a capacidade de trabalho do capitão. Era assim o Veloso, trabalhar para os outros brilharem. Liderou as tropas rumo ao título na sua penúltima época ao serviço do clube, e na última partida em que envergou a nossa camisola, na Luz diante do Braga, percebeu que os Benfiquistas lhe perdoaram o azar daquela tarde alemã. Houve uma grande penalidade a favor do nosso clube, e o estádio gritou: "VE-LO-SO! VE-LO-SO! VE-LO-SO!". No entanto o Capitão não assumiu a marcação. O colectivo estava acima da redenção pessoal, e por isso foi Edilson quem foi bater.

António Veloso - Um número 2 à Benfica!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Os números do Benfica #1

Eu, um Benfiquista doente, me confesso: custa-me falar do Benfica na actualidade. Custa-me porque muitas vezes acabo por estar a chover no molhado e a tentar defender ideias que vão contra uma tremenda máquina de propaganda instalada, e por isso, no que à actualidade diz respeito vou mantendo uma ténue esperança que esteja a escassos meses de terminar.
Por isso lembrei-me de começar uma nova coluna neste blogue, onde tentarei recordar alguns momentos, no caso, números, que me deixaram memórias inolvidáveis na minha memória.

Número 1

Quando nasci, o número 1 incontestável do Benfica era Manuel Bento. Confesso que tenho escassas memórias, muito ao de leve deste fenómeno das balizas. Deixou de ser titular do Benfica no ano em que eu viria a completar seis anos de idade por isso o que tenho é apenas uma vaga ideia... Para mim ficou sobretudo o nome, a lenda, um nome e uma lenda tão grande que quando era pequeno e jogava à baliza contra o meu Pai e os amigos da idade dele, me davam umas luvas de oficina e eu, orgulhosamente, dizia que eram as luvas do Bento. No entanto, nessa altura, quem defendia as nossas redes já era o Silvino, e se era do Benfica também era uma referência, por isso quando as luvas estavam em pior estado, eram as luvas do Silvino. E assim foi até aos dez, onze anos de idade. Um ano depois foi o Neno que passou a ser titular, e apesar de ter noção que o Silvino terá sido melhor guardião que o Neno, sempre gostei mais do segundo. Pela personagem que era, por ser fabuloso a fazer a mancha (mas uma desgraça nos cruzamentos...) e por não se ter tornado em alguém um pouco mal visto na Luz após a sua saída. 
Até que chegou 1994. Chegou o meu número 1. Michel Preud´Homme. O melhor guarda redes que alguma vez vi ao vivo. Recordo-me da notícia da sua contratação ter sido anunciada e eu ficar expectante! Era um nome conhecidíssimo e lembrava-me de ter defendido um penalty contra os do Lumiar. Mas logo de seguida veio o Mundial dos Estados Unidos. Fiquei imediatamente fascinado. Tínhamos contratado o super homem, claramente. Alguém que defendia tudo.
Durante meia dúzia de anos, foi ele, o Saint Michel que nos salvou. Não fosse ele e os segundos e terceiros lugares conquistados nesse período negro seria sextos, sétimos lugares ou quiçá ainda pior. Estão a ver quando somos crianças, alguém vai à baliza e diz: "Não vale bujas"? Pois. Com o Michel era ao contrário!
Ele enfiava-se na baliza e dizia: "Vale tudo! Show me what you have!" E por muito que quem rematasse mostrasse, o Michel mostrava ainda mais. Eu, como guarda-redes o digo: para mim era absolutamente soberbo, felino, dominava todos os campos de jogo que tinha de dominar. Ao vivo nunca vi nada assim, e sinceramente duvido que algum dia volte a ver... 
Desde a sua saída, gostei muito do malogrado Robert Enke (foi a primeira camisola que comprei do Benfica, com número, a do Robert), o Moreira ainda prometeu e apenas o Artur, na época passada, deu alguma estabilidade ao lugar. Mais de uma década depois... 

Sim, o meu Número 1 é Michel Preud'Homme. Uma lenda viva do Sport Lisboa e Benfica e a prova de como o currículo, ao serviço do clube, não é tudo.



Obrigado Michel, que voltes um dia, noutras funções! Num Benfica mais puro para ganhar o que não conseguiste como jogador. Reconheço-te muita competência como treinador!