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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pepa, dez anos depois

Dez anos depois de ter saído do Benfica, Pepa está de volta. O antigo avançado encarnado que saiu num processo tumultuoso e pouco claro irá assumir um cargo como Coordenador Técnico da Formação.

Pepa, que teve uma breve carreira enquanto jogador, fruto de lesões e falta de maturidade psicológica, foi o melhor exemplo daquilo que um profissional não deve ser. Estreou-se na Luz no final de um Benfica x Rio Ave e em apenas 3 minutos conseguiu marcar o golo que, aos 17 anos, o catapultou para a ribalta. O menino-estrela, menino-prodígio, menino-de-ouro passou rapidamente a menino sem cabeça. A fama, o empresário (Paulo Barbosa) e a falta de maturidade destruíram-lhe a carreira, muito por culpa própria. Rescindiu com o Benfica depois de uns tempos emprestado na Bélgica e pelo Benfica B, onde foi expulso em vários jogos, e assinou pelo Varzim em conjunto com Jorge Ribeiro e Rui Baião, com a promessa de que brevemente iria para... o Porto. Na Póvoa, falhou um golo facílimo, de baliza aberta no último minuto da última jornada frente ao Santa Clara, num jogo em que se os varzinista ganhassem teriam ficado na 1ª Liga. Mas não ficaram. Desceram e Pepa foi com eles. E não mais voltou à Primeira Divisão.

Com uma carreira tão curta e tão recheada de maus exemplos, incluindo os milhares de euros (contos) estoirados, Pepa vai ser uma espécie de orientador dos jovens encarnados aspirantes a futebolistas profissionais. O Benfica vai dar um cargo importante a um jogador que cuspiu no prato do clube que lhe deu de comer desde os 13 anos.

Mas, ao que sei, Pepa aprendeu. Arrependeu-se, cresceu e tentou seguir com a vida no futebol, mas já era tarde. Se há algo que o rapaz lamenta, foram as decisões precipitadas de um jovem que, na sua idade, imaginava ter o mundo do futebol na mão. As coisas não são assim. Não sei quais são as sua qualidades em termos de treino, nem conheço as suas capacidades para liderar e aconselhar jovens, mas acredito que os miúdos, ao verem este caso tão explícito de insucesso quando tudo apontava para a glória, podem manter os pés bem assentes na terra e compreender que no futebol, como na vida, o trabalho vem antes do sucesso. E este é um passo fundamental, para o qual penso que Pepa, pela sua experiência de vida, pode mesmo ajudar os nossos jovens. Ele cresceu e quer fazer crescer. Oxalá seja bem sucedido.