Imaginem um desporto sujo. O mais sujo do país.
Imaginem que a nossa equipa desse desporto, tinha estado há uma década atrás prestes a acabar e a passar por um período complicado.
Imaginem que há um ano, nesse desporto, tínhamos voltado a ser Campeões Nacionais, algo que não éramos há muitos anos atrás.
Imaginem agora que nesse desporto, em condições extremamente adversas, íamos ao terreno do nosso maior adversário, disputar o jogo mais importante da nossa história.
Imaginem que na tribuna, nesse dia estavam as duas personagens mais execráveis da história do desporto português, e que ambas partilham o nome Pinto.
Imaginem também que nas bancadas desse jogo estavam sensivelmente 100 heróis que chegaram aos 5 minutos da segunda parte.
Imaginem que na pista estavam 5 guerreiros, com outros tantos no banco, prontos a dignificar, suar, lutar e tudo fazer pelo emblema do Sport Lisboa e Benfica.
Imaginem que esse dia foi hoje. Se o fizerem, imaginam bem.
O Benfica é Campeão Europeu de Hoquei em Patins. O Desporto venceu. O Benfica ganhou!
Este título é de todos os que lá estão hoje, e os que lá estiveram ontem.
Ricardo Silva, Pedro Henriques, Valter Neves, Tuco Abalos, Carlos Lopez, Luís Viana, Marc Coy, Cacau, João Rodrigues e Diogo Rafael, vocês estão a partir de hoje no Olimpo do Benfica! Na galeria dos IMORTAIS!
Este título é também do Carequinha, do Borsky, do Fernando Almeida, do José Carlos, do Vítor Fortunato, do Paulo Almeida, do Luís Ferreira, do Rui Lopes, do Mariano, do Panchito, do Carlos Dantas.
Este título é do BENFICA.
E PLURIBUS UNUM.
P.S. Passado o terrível mês de Maio, o Benfica voltou a encharcar os meus olhos. Agora pelas boas razões.
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domingo, 2 de junho de 2013
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Diga 23

O Benfica sagrou-se campeão nacional de Basquetebol pela 23ª vez. Pela terceira ocasião em quatro épocas, a secção de basquetebol está de parabéns, dando continuidade a esta série extremamente positiva de resultados na modalidade, algo que não víamos desde os anos 90, mais precisamente quando, em 1995, o Benfica venceu o último título de uma série de dez ganhos em onze disputados. De todos os títulos ganhos pelo nosso basket, este foi sem dúvida o mais sofrido e sofrível de todos. E é por isso que tem um sabor tão especial. Porque esta época foi tudo menos fácil.
A começar pelo plantel. Não era longo, bem pelo contrário, e as lesões não ajudaram. Muitos jogadores parados, alguns dos quais elementos chave como o grande Sérgio Ramos ou Ben Reed, que foi misteriosamente dispensado, fizeram falta. Doliboa a jogar fisicamente condicionado. Norris perto dos 40 anos. Minhava com poucos minutos, inexplicavelmente. Betinho também passou por uma lesão. Enfim, fisicamente, foi um ano complicado.
Lisboa também não é, nunca foi, aliás, um treinador consensual. Como jogador foi o melhor de sempre a actuar em Portugal e, provavelmente, o português que esteve mais perto da NBA, mas enquanto treinador nunca foi visto com bons olhos na Luz por bastantes adeptos. Os escassos resultados obtidos, com a terrível eliminação contra o Ginásio nas meias-finais dos playoff de 2006, na Luz, depois de estar a ganhar por 2-0 na série, era um dos fantasmas. Ser bom jogaor não significa que se venha a ser bom treinador ou bom dirigente. Michael Jordan que o diga.
E as expectativas não eram as mais elevadas. O Porto acabara de ser campeão nacional, tinha uma estrutura consolidada, roubara um ano antes João Santos ao Benfica e nós tínhamos todas as dificuldades acima descritas. Com o decorrer do campeonato, apesar dos problemas físicos, percebeu-se que o Benfica ia para a luta. Sem as mesmas armas, mas ia para a luta. Foi de vitórias importantes contra o Porto e alguns deslizes inesperados (Sampaense, Lusitânia, Ovarense) que se fez o percurso. Chegados aos playoffs, a equipa entrou nos quartos vencendo a Académica por 3-1, seguindo-se depois uma série complicada, iniciada com uma derrota surpreendente ante a Lusitânia, em casa, mas deu a volta e venceu os 3 jogos seguintes. Enquanto o Porto carregava baterias para a final, fruto da desistência do CAB Madeira, o Benfica disputava as meias, desgastando-se com viagens sobre o Atlântico. E todos conhecemos a história da final: equipa com qualidade semelhante à do Porto, treinador contestado (até pela acumulação com o cargo de director geral das modalidades) e problemas físicos. Eu não estava particularmente confiante, bem pelo contrário. Mas estes rapazes surpreenderam-me. Então depois do que vi no Dragão Caixa, ontem, fiquei sem palavras. Em terreno hostil, ambiente pouco acima do insuportável, arrancaram uma vitória, "a" vitória, a ferros. Foram Benfica.
Foi uma vitória à Benfica. Em condições extremamente difíceis, no terreno do inimigo, sem o apoio dos nossos adeptos, sem o favoritismo, apenas com a águia ao peito. E a partir do próximo ano, com o escudo de volta também. Parabéns a todos os que estiveram envolvidos na conquista deste campeonato, um dos mais saborosos que já testemunhei.
P.S. Espero ver o Porto ser exemplarmente punido pelos lamentáveis acontecimentos ocorridos no final do jogo. Desligar a luz e ligar a rega é tacanhez. Agredir, incendiar e impedir a consagração dos vencedores pela coacção física é crime. E que os criminosos sejam tratados como tal. O Benfica, pela sua Direcção, não pode deixar passar o caso em claro. Devem ir até às últimas consequências.P.S. Espero ver o Porto ser exemplarmente punido pelos lamentáveis acontecimentos ocorridos no final do jogo. Desligar a luz e ligar a rega é tacanhez. Agredir, incendiar e impedir a consagração dos vencedores pela coacção física é crime. E que os criminosos sejam tratados como tal. O Benfica, pela sua Direcção, não pode deixar passar o caso em claro. Devem ir até às últimas consequências.
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