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domingo, 13 de janeiro de 2013

Oh Jorge, os Benfiquistas não comem gelados com a testa, ouviste?

Mais um clássico, mais uma não-vitória frente ao FC Porto. Um apanágio do Benfica nos últimos 20 anos, que conheceu um novo significado com a chegada de Jorge Jesus, ou não fosse este o treinador com os melhores plantéis à sua disposição nestas últimas duas décadas.

Começando pelo princípio: o onze titular era o esperado (e era o melhor, quanto a mim, para a táctica predilecta de JJ), mas do outro lado estava um 4-3-3 do mais consistente que há (infelizmente) na Europa. Só um louco não pode reconhecer qualidade naquele trio do meio-campo portista. Contudo, o 4-4-2 de Jorge Jesus, devoto ao futebol de ataque, não conseguiu criar vantagem numérica no ataque... Nem na defesa. Incrível a quantidade de vezes que os jogadores do FC Porto apareciam no último terço do campo em vantagem numérica. Incrível também O que é que se anda a treinar durante a semana?

Mais: inacreditável a quantidade de vezes que sofremos golos de bola parada do FC Porto e ainda mais inacreditável a inabilidade de criarmos perigo quando beneficiamos de cantos ou livres perto da área adversária.

Apontamos a reter:

Minuto 58 - o momento em que Jorge Jesus abdica de vencer o encontro. Se com Enzo o meio-campo já não era nosso, com a sua saída e posterior entrada de Carlos Martins conseguiu acabar com quaisquer probabilidades de vencermos o encontro. Depois desde fatídico minuto, ainda entrou Aimar que não veio trazer nada à equipa, para além de uma primorosa assistência para Cardozo desperdiçar.

Artur - Uma coisa é frangar num remate traiçoeiro, em que a bola passa por baixo do nosso corpo ou não a conseguimos agarrar bem. São azares do momento. Outra coisa, perfeitamente imbecil, é ter a bola no pé, controlada e fazer merda duas vezes em dois segundos, dando um golo de bandeja ao adversário! Mas que é esta merda? Foda-se. Por mim ficava no banco no próximo jogo. Isto não é para dormir à sombra da bananeira.

Melgarejo - Esforçado, mas continua a ser insuficiente. Por um lado aprendeu a defender bem; por outro, desaprendeu a atacar. Para um jogador que era extremo/avançado, é inaceitável tanta inoperância na manobra ofensiva da equipa.

Salvio - Horrível. Lamentável, aliás. Está a passar por um grave processo de Capelização, há várias semanas. Está na hora de inverter este cenário.

Enzo - Grande jogo. Juntamente com Matic foi conseguindo disfarçar a vantagem que o Porto sempre teve a meio campo. Levou amarelo e JJ substituiu-o por Carlos Martins. O Benfica nunca mais endireitou. A não convocatória de André Gomes foi mais que um erro, foi negligência (a não ser que esteja lesionado, mas o Benfica não publicou nada no boletim clínico). Quando, por força das circunstâncias, foi preciso tirar o Enzo, meteu-se... Carlos Martins. Diferença? Não cobre nem um terço da área que Enzo e o André conseguem cobrir.

Matic -  Fantástico. Não só pelo soberbo golo, mas pela entrega, pela atitude, pela frieza... Pela capacidade de jogar à Benfica.

Arbitragem - Não vou comentar a arbitragem, apesar de ter perdoado a expulsão a Moutinho e a Matic. Maxi também se pôs a jeito.

Estádio da Luz - Talismã... Para o FC Porto. Com um estádio onde conseguem controlar jogo após jogo, marcando sempre golos, para que precisam do Dragão? Enquanto benfiquista, sinto-me humilhado por ver o  Benfica a ser constantemente subjugado a este FC Porto.

É certo que isto são palavras escritas muito a quente, com o amargo do empate, mas não significa que não se tenha o discernimento para ver a maior parte das coisas bem. E, como disse Vitor Pereira no final do jogo, «vi um Porto personalizado e o Benfica, o grande Benfica, a bater bolas para a frente».

Por outro lado, as palavras de Jorge Jesus mostram bem de que fibra é feito este homem: «o empate não beneficia nenhuma das equipas». A cagança de um senhor que não faz a menor ideia do que é uma postura à Benfica.

Por isso te digo, Jorge, que nós, benfiquistas, não andamos a comer gelados com a testa. Não somos uns dementes que acreditam nas tuas balelas de que nada se decidiu neste jogo, de que ninguém fica satisfeito, de que só por azar não ganhámos, e mais não sei quê e tal que desculpe a tua incompetência gritante. Hoje era o dia para começar a carburar fundo rumo ao título. Hoje era o dia em que enfrentámos um Porto sem o seu melhor jogador e sem o seu melhor defesa. Hoje era o dia em que nada tínhamos a temer. Hoje foi apenas o dia em que, sem espanto, borraste novamente a cueca.

E, como já referi, não andamos todos a comer gelados com a testa, e sabemos perfeitamente do que a casa gasta, já sabemos de como irá ser daqui para a frente. Esperem só até o Porto ganhar o seu jogo em falta para o campeonato e vamos ver como corre o resto da época.

sábado, 28 de abril de 2012

Preparar 2012/2013 - Guarda-redes

As épocas futebolísticas são preparadas com antecedência. Por isso, antes que 2011/2012 acabe, e independentemente do que se possa vir a passar, vamos começar a olhar para o que temos em mãos para preparar a época seguinte da melhor forma possível. Posição a posição, vamos ver quais as necessidades que temos e como podem ser superadas. É o que fazemos hoje com a baliza. Comecemos então com os guarda-redes.

É talvez, do actual plantel, a posição que está melhor apetrechada. Temos um titular de grande qualidade e que dá segurança à baliza, um suplente de luxo que em condições normais pode ombrear pela titularidade, e um terceiro elemento, jovem, que constitui uma esperança para o futuro. Aqui não me parece que haja dúvidas: não precisamos de ir ao mercado para procurar, especificamente, um jogador para entrar no onze. Há equilíbrio e competência.

Artur - chegou, viu e venceu. Apesar da desconfiança de muitos adeptos, eu incluído, mostrou qualidades inegáveis e conquistou o público da Luz, ao contrário do que aconteceu com o seu antecessor. Subiu a pulso, com mérito. Não é um guarda-redes com qualidades técnicas excepcionais, pelo contrário, até revelou algumas fragilidades, especialmente quando foi obrigado a jogar com os pés ou mesmo entre os postes, mas dificilmente podemos aspirar a um guarda-redes melhor. Aliás, não é por Artur que o Benfica não faz uma época melhor. É para continuar no clube, obviamente, e como titular.

Eduardo - acredito que o internacional português não estaria à espera de ser suplente de Artur no Benfica. Penso que, quando assinou, cria que seria titular por um conjunto de factos tais como ser o titular da selecção, ser um homem da confiança de Jorge Jesus e também por ser benfiquista. A verdade é que Artur pegou de estaca e Eduardo acabou por ser relegado para a condição de suplente. Se Eduardo fosse titular, estaríamos muito bem servidos. Sendo suplente, estamos muitíssimo bem servidos. Por mim, mais um ano de empréstimo seria o ideal, mas duvido que o principal entrave a que este desejo se concretize seja mesmo Eduardo. O guarda-redes terá, certamente, maiores ambições e não deve continuar a querer aquecer o banco dos encarnados. Por isso, acho que Eduardo não vai ficar, apesar de ver com bons olhos a sua permanência na Luz.

Mika - Mostrou boas indicações na União de Leiria na época transacta, tendo confirmado isso mesmo durante o Mundial sub-20. Podemos ter um mãos o futuro guarda-redes da selecção, mas, para isso, precisa de ir jogando com regularidade. Por outro lado, é igualmente importante ter um terceiro guarda-redes que aceite a sua posição dentro do plantel, e Mika parece cumprir esse requisito. Posto isto, o que fazer? A meu ver, Mika deverá querer ficar para a próxima época e se as equipas "B" forem para a frente, como parece que vão, o jovem nascido na Suíça deveria ser o escolhido para assumir a titularidade da equipa B, sendo, ao mesmo tempo, o terceiro guardião do plantel principal.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Contratações de verão

Seis meses de trabalho, cinco de competição são tempo mais que suficiente para fazer uma avaliação sobre os jogadores que foram contratados ou passaram a integrar o plantel do Benfica pela primeira vez nas suas carreiras. A avaliação é feita tendo em conta o tempo de jogo que têm, as expectativas criadas, as perspectivas de futuro, a importância para a equipa e, sobretudo, a qualidade de jogo. Do pior para o melhor, eis a minha opinião:

Rúben Pinto, Mika, David Simão, Luís Martins, Mora, Enzo Pérez e Capdevila - Sem tempo nem espaço para afirmação. Os poucos minutos que jogaram não permitem uma avaliação quanto à utilidade e qualidade destes "reforços". No caso dos 5 primeiros ainda se percebe que, pela sua juventude ou pela qualidade das outras opções ao serviço de Jesus, tenham poucas oportunidades para mostrar o seu valor. Pérez, lesionado, também não teve chances. O caso de Capdevila parece ser incompreensível e a desculpa de que Emerson é melhor que ele é simplesmente idiota. Se é assim, também posso dizer que acho o Walter melhor que o Benzema.

Matic - Não é bom nem mau, antes pelo contrário. Tem mais técnica que aquilo que eu esperava, mas não é assim tão assertivo do ponto de vista defensivo, deixando muito a desejar quando joga sozinho à frente da defesa. Seria de esperar que com a sua altura e com a sua capacidade física conseguisse ganhar mais lances e impedir a progressão dos adversários, mas não tem acontecido. A meu ver, há outros médios que mereciam mais minutos. Matic tem jogado demais. Não justifica.

Nélson Oliveira - Pouco tempo também mas já começou a mostrar as suas qualidades. Rápido, com algum poder de desmarcação, apresenta remate fácil e uma grande mobilidade na frente de ataque que lhe permite jogar em cunha entre os centrais ou a vir da faixa (esquerda ou direita) para o centro. Tem um futuro muito promissor.

Eduardo - Só não joga mais porque tem um colega de posição de qualidade igualmente elevada. Eduardo é, provavelmente, o melhor guarda-redes que temos desde o tempo de Michael Preud'homme. Tem um pequeno azar chamado Artur. E acredito que, se tivesse chegado ao mesmo tempo que o brasileiro, seria hoje o titular fruto das suas qualidades, claro, mas também de uma possível preferência de Jesus. Sempre que foi chamado, esteve bem.

Rodrigo - Talvez a maior surpresa deste início de época. A sua contratação foi muito criticada no ano passado e com alguma razão: a prioridade era um médio centro/defensivo (que nunca chegou a vir, com as consequências que se conhecem) e o valor pago foi excessivo face ao que o jogador demonstrara em Madrid e face àquilo que seria expectável. De qualquer das formas, Rodrigo começa a justificar a escolha do departamento de futebol do Benfica para integrar o plantel. Rápido, com bom controlo de bola, tem faro pelo golo e já deixou a sua marca em alguns jogos importantes esta época. Pode chegar muito longe.

Bruno César - O senhor "ponte aérea" chegou ao Benfica com grandes ilusões e foi aquecer o banco. Não contente com a situação, trabalhou afincadamente e sempre que entrava em campo justificava as qualidades que se conheciam do Brasil. No entanto, com o passar das semanas, tem-se apagado progressivamente. Qual é o verdadeiro Bruno César? Quanto a mim está próximo do de Setembro. É um jogador muito interessante na minha opinião e que dá soluções de jogo que o Benfica não tinha o ano passado.

Nolito - Um jogador diferente de tudo aquilo que vemos actualmente. Com a bola colada ao pé, Nolito cria o pânico nas defesas adversárias. Flecte muito bem da esquerda para o centro e tem um remate colocado, à semelhança do que acontecia com Simão. Não é tão tecnicista, não é tão líder de equipa como o ex-camisola 20 mas tem uma enorme utilidade. Precisa de aprender a largar a bola mais cedo e de refilar menos com os árbitros. É garantia de golos.

Artur - Tecnicamente não é o melhor guarda-redes do mundo, longe disso. Mas transmite uma segurança e serenidade que impressionam. Artur é tranquilo entre os postes, agarra a bola na maioria das vezes, sai-se muito rapidamente aos pés dos adversários e não precisa de a socar quando lhe vem pelo ar, agarrando-a. Não dá nas vistas, mas quando é preciso fazer uma defesa de elevado grau de dificuldade também está lá (Elias que o diga, ainda hoje tem pesadelos).

Witsel - É difícil explicar como e porque motivo adoro este jogador. Witsel é um dos meus favoritos. É a prova de que a velocidade não é o mais importante no chamado "futebol moderno". O belga sabe ter a bola, controlar os ritmos do jogo e compreender quando se deve desmarcar, passar ou rematar. Do ponto de vista defensivo é a antítese de Ramires: muito mais de ocupar espaços do que de recuperar bolas. Era o jogador que precisávamos para ter alcançado a final da Liga Europa no ano passado. Um verdadeiro craque.

Garay - Não é preciso ser exibicionista para se ser um bom central. Garay é do mais discreto possível e surpreende pela sua serenidade, posicionamento e entendimento do jogo. O eixo formado por Artur, Luisão e por si é seguro muito graças às qualidades do argentino, que complementa o colega da selecção brasileira. Além disso, sabe sair a jogar e começa a mostrar alguma actividade nos lances de bola parada, tanto a responder a cruzamentos como a batê-los.

P.S. De Emerson não podemos falar, é assunto tabu. Parece que há muita gente sensível a esta questão. É fazer como os pinguins do Madagáscar: "just smile and wave boys, smile and wave".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Vamos dar tempo ao Roberto? Vamos pois!

Ai... bons tempos aqueles em que um adepto era acusado de ser um "mau benfiquista" por dizer que o Roberto nem servia para limpar as botas do Bossio. Eu sei, eu sei, mas a cegueira também tem limites, não é? Desde dizer que a culpa era da adaptação a um novo país (as balizas de Portugal são tão diferentes das de Espanha), passando pela desculpa esfarrapada de que era a comunicação social que estava a fazer dele um mau guarda-redes e acabando na sempre deliciosa afirmação "a culpa é dos benfiquistas que não o apoiam". Foram meses de sofrimento na Luz e fora de portas, no estádio, no café e no computador. E havia quem pedisse mais um ano de Roberto, quem jurasse que seria um grande guarda-redes. Ah, que delícia.

Obrigado Artur por nos livrares daquela pesadilla. Alguém tem saudades de Roberto? Só se for o Guarín. E os outros 134 gajos a quem o espanhol deu um frango.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Artur Moraes tem merecido a titularidade

O que define um bom guarda redes de um grande guarda redes? Um grande guarda redes é aquele que consegue manter uma regularidade exibicional, aquele que das poucas vezes que é chamado a intervir faz a diferença pela positiva, salvando pontos para a sua a equipa. Pois bem, Artur não é um fora de série, mas tem feito a diferença pela positiva na baliza do Benfica. O saldo até ao momento, tem sido francamente positivo, superando as expectativas que os mais optmistas poderiam ter nele aquando da sua contração. Artur tem um low profile, não é alguém que dê nas vistas, antes um jogador que prima pela serenidade com que está entre os postes, serenidade essa que passa aos seus colegas de defesa, o que não acontecia por exemplo com o actual guarda redes do Zaragoza, Roberto. É claramente um upgrade em relação à temporada transacta, neste momento a baliza do Benfica não é encarada como um calcanhar de Aquiles e Artur tem todo o mérito nisso, é preciso dizê-lo...

Defender a baliza do Benfica não é tarefa fácil. A pressão é muita e cada erro é exarcebado até ao limite. Havia a dúvida se tal como em Roberto, Artur iria sentir o peso da camisola, mas a verdade é que temos assistido a um Artur que parece que toda a vida jogou na Luz. A passagem do Braga para a Benfica foi bem sucedida, e o antigo guarda redes bracarense tem pouco a pouco convencido o exigente terceiro anel. Costuma-se afirmar que as grandes equipas constroem-se de trás para a frente, e no caso do Benfica assim tem sido. Eduardo, que até pouco tempo era titular da selecção nacional, tem que se conformar com o banco de suplentes, tal é o momento de forma de Artur Moraes. Eu digo honestamente, a tranquilidade que Artur nesta altura me passa, não me acontecia desde que Robert Enke defendeu as nossas cores. Foi sem dúvida alguma uma boa contratação para este Benfica de 2011-2012 - esperemos que continue na senda das boas exibições e ajude a equipa a conquistar os seus objectivos. Artur Moraes merece o nosso voto de confiança.