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domingo, 29 de agosto de 2010

O lado B

Numa era cada vez mais dominada pelas emergentes tecnologias e pela efemeridade dos acontecimentos, não há nada mais importante para uma empresa, uma marca ou um clube do que a sua imagem. A sua relevância adensa-se no contexto Benfica, pois o glorioso encerra em si características comuns a estes três campos.

O Benfica está no coração de muitos benfiquistas, mas é perscrutado diariamente pelos olhos e ouvidos de muita gente. Sujeita-se frequentemente à má lingua portuguesa, seja pelo bel-prazer de destilar escárnio, pela mesquinhez anti-benfiquista ou, simplesmente, por falta de decoro. Não interessa. A nossa grandeza excede-nos, as invejas multiplicam-se e os ataques são difíceis de controlar. Mas não impossíveis.

Veja-se a superficialidade com que são analisadas as valências de todas as contratações do Benfica. Ao longo dos anos, muitos foram os talentos desperdiçados à custa da impaciência dos adeptos, embalada pela ávida sede destruidora da imprensa desportiva. Como se não bastasse ser vítima de si próprio, o guarda-redes Roberto tem sido também crucificado por estas duas facções desde o dia em que se estreou no clube.

Todos nos lembramos da sua comprometedora estreia frente ao Sion, mas foi ainda antes de calçar as luvas que Roberto começou a ser criticado. Como se fosse o culpado de o Benfica ter pago um balúrdio por um jovem sem provas dadas. No entanto, parece-me crucial lançar aqui uma reflexão: o Roberto é mau guarda-redes porque custou 8,5 milhões, ou porque não tem qualidade para o Benfica?

Uma coisa é certa, não me parece que ele alguma vez venha a valer o que custou. E enquanto carregar este ónus não terá agilidade suficiente para defender as redes da Luz. A sua imagem foi devassada, e isso reflecte-se no seu olhar amedrontado e nas bolas que lhe escorregam por entre as luvas. Adeptos dos clubes rivais rejubilam a cada erro. É uma festa ver o Benfica a sofrer golos, depois de um ano de goleadas que os remeteram para o silêncio. E se a pressão dos adversários pode ser vista como algo de natural, o que dizer sobre o discurso jornalístico que os media adoptaram para o adjectivar? O tom jocoso com que o tratam é vergonhoso, mas isso só acontece com à anuência dos benfiquistas, desejosos de o ver pelas costas.

Gosto da forma como Jorge Jesus defende o seu jogador e a imagem de liderança e fé nas suas convicções que as suas decisões transmitem. Não me conformo com a forma como os media o lincharam, e fico abismado com a onda negativa que se gerou à volta dele. Até a minha avó diz que o espanhol não presta, mesmo sem ter o visto jogar. Multiplicam-se os erros infantis, que nem um mau guarda-redes faria. Roberto pode ter muita qualidade, mas não tem estofo. E não me parece que a sua imagem vá melhorar tão cedo, por mais grandes penalidades que defenda na Luz.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O post 1000

Quando, em Abril de 2006, iniciei este blog, estava longe de pensar que algum dia chegaria aos 1000 posts. Como forma de comemorar essa efeméride, optei por algo completamente diferente. Seria, para mim, muitissimo fácil sentar-me aqui a escrever e louvar o trabalho feito por mim e por todos os que aqui escrevem. Fui por outro caminho. Convidei uma pessoa de fora para escrever o post 1000. A escolha foi, simultaneamente, fácil e complicadissima. Recaiu no S.L.B. do "não se mencione o excremento" e da "Tertúlia Benfiquista". Complicadissima porque tive de escolher apenas um de inumeros bloggers que aprecio de dentro da blogosfera benfiquista, fácil porque foi através do "não se mencione o excremento" que tomei contacto com o que é a blogosfera e me incutiu o bichinho de começar esta empreitada que se veio a chamar "Eterno Benfica".


Três palavras finais:

.ao Sir e JNF, em timings diferentes, pelo dinamismo que trouxeram ao blog, pela sua vontade férrea e pelo seu benfiquismo que faria corar de inveja o próprio Cosme Damião. Muito obrigado.
.a todos os que aqui escreveram, com maior ou menor assiduidade mas sempre com um contributo inestimável, e que nos ajudaram a chegar aqui. Onde estamos hoje. Aos 1000. Muito obrigado.

.a todos vocês que aqui vêem diariamente, prestigiando este pequeno espaço que mais não é do que uma gota de água no oceano de grandeza que é o Benfica. Muito obrigado.
Agora, venham mais 1000. Pelo Benfica, sempre.


Têm a palavra o S.L.B.

Post 1000

O meu amigo Galaad fez uma coisa completamente injustificável: convidou-me para escrever o post 1.000 do “Eterno Benfica”. Da mesma maneira que nós, adeptos, não merecíamos o dia menos bom que a equipa teve ontem em Atenas, também eu não sei o que fiz para merecer tamanha distinção. Mas há convites irrecusáveis e nem é preciso ser an offer you can’t refuse (isso seria mais para o outro clube familiarizado com a máfia).

O “Eterno Benfica” é um dos blogs benfiquistas que consulto diariamente e sempre me habitou a um olhar perspicaz e crítico (no bom sentido da palavra) acerca do ‘eterno’ mundo que é o Sport Lisboa e Benfica. Do seu lote de excelentes escribas, só tenho o prazer de conhecer pessoalmente o Galaad, mas o contributo principalmente do Sir (por onde é que andas ultimamente, pá?) e do JNF (e só refiro estes dois pela sua maior regularidade na escrita) tem sido precioso no sentido da defesa que todos nós devemos fazer do Glorioso. E essa defesa inclui por vezes a crítica sempre no sentido construtivo (cf. este post), que a fé que todos nós temos no Benfica não equivale a que sejamos seguidistas de um qualquer pastor da IURD, como se faz lá em cima com o padrinho. Unanimismos, não, obrigado.

Quis o destino que o milionésimo post surgisse depois de uma inesperada derrota que nos entristeceu a todos, mas que não nos deve tirar a fé na equipa. Afinal, ela já mostrou este ano que sabe dar a resposta devida a resultados negativos. E esta, para mim, tem sido uma das grandes diferenças em relação ao passado recente. Voltámos a ser ‘o’ Benfica, o ‘eterno’ Benfica que faz questão de demonstrar no jogo seguinte que o desaire anterior foi apenas um percalço (derrota com o Atlético Madrid, vitória no torneio de Amesterdão; derrota em Poltava, 8-1 ao Setúbal). Percalço esse atribuível a um pequeno factor: os jogadores são humanos e têm o direito a ter um dia menos bom. Esse factor irrita-nos e chateia-nos imenso, é verdade, e por vezes esquecemo-nos dele, porque entra em contradição com a imortalidade que atribuímos ao clube. O que nos leva a pensar que os jogadores, também, deveriam ser imortais e nunca não ganhar jogos. Não o são, mas o espírito do Benfica, a mui célebre e falada ‘mística’, essa sim, é imortal. E é ela, a ‘mística’ do ‘eterno’ Benfica, o que o torna motivo de inveja pelos outros. Outros, esses, que estão bastante deprimidos este ano, não por estarem assim tão longe de nós no campeonato (afinal só passaram ainda seis jornadas), mas por nós andarmos felizes com as exibições e resultados que temos vindo a obter. E por essa célebre, invejada e temida ‘mística’ estar de volta tanto nos relvados como nas bancadas em todos os campos onde temos vindo a jogar. Cabe-nos a nós, adeptos, ajudar a alimentá-la, fazendo-a perpetuar no tempo. Para que o nosso Benfica continue a ser ‘eterno’. E seja o que faz com que duas pessoas, que ainda há pouco tempo não se conheciam, se sintam agora como se fossem amigos desde a infância. Mais uma vez obrigado, Galaad, foi uma honra. Em Maio (se nos deixarem...) lá estaremos juntos a celebrar!

domingo, 28 de junho de 2009

Por falar em animais...

Atentem nesta citação animalesca de um dos candidatos à presidência do glorioso, sobre a contratação do argentino Saviola:

"A contratação do Saviola é igual à do Aimar no ano passado. Se fossem mesmo bons, se estivessem na parte boa da carreira, não vinham para o Benfica."

Esta é daquelas que dava para emoldurar. Idiotice sem limites de um indivíduo que julga que é com declarações jocosas em relação ao clube que vai conquistar os sócios. Acho que não há muito a dizer sobre a estratégia e a postura deste mentecapto. Infelizmente, o seu QI de dois dígitos não será suficiente para o impedir de ser o bobo da festa num vexame eleitoral. Quando a figura deste sabujo ainda não era do conhecimento geral, eu recusei assinar o seu mandato de candidatura... Hoje mantenho essa convicção e orgulho-me dela.

sábado, 27 de junho de 2009

Sá Viola

A imprensa portuguesa dá hoje como certa a contratação de Javier Saviola por 5 milhões de euros, sendo que o Real Madrid aceitou que essa verba revertesse directamente para os bolsos do argentino. Negócio estranho? Um pouco, parece-me, mas o Real Madrid acaba por poupar os astronómicos 2,9 milhões que o jogador auferia anualmente.

Por 5 milhões, Saviola poderá parecer uma pechincha. Gostaria de relembrar os mais distraídos que há um ano atrás o Benfica pagou 4 milhões de euros ao mesmo emblema madrileno por uma coisa com duas pernas e um penteado estranho, também de seu primeiro nome Javier.

Feitas as contas, estou em crer que os madrilenos ainda estão em dívida para connosco, não acham? Veremos se o jogador confirma os créditos que lhe são reconhecidos... E parabéns ao Rui Costa, o nosso plantel cresce em qualidade de dia para dia. Mas também, em véspera de eleições, já estava à espera de uma bomba destas.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Nova chama

Caros companheiros de viagem blogosférica,

Tal como o Benfica, esta semana, também eu ganhei uma nova chama. Já estou há algum tempo arredado destas lides, uma vez que o primeiro ano de faculdade fez alguma mossa na minha disponibilidade. Pois bem, a vontade de regressar era muita e, como tal, prometi a mim mesmo que o faria em caso de vitória contundente na noite de ontem. Ou seja, estava garantido que voltava.

E aqui estou eu, qual Aimar à porta do departamento médico, qual Reyes à boca da baliza, pronto para facturar com assiduidade. Só não prometo marcar tantos quanto o Arsenal na terça-feira...

sábado, 5 de julho de 2008

O úlimo reduto da corrupção

Lançar foguetes. Tem sido esta a melhor maneira de encobrir as decisões negativas lá para os lados dos dragões. Até ver, a estratégia de comunicação, protelamento de decisões e subornos por baixo da mesa tem resultado. Mas com a polémica reunião de ontem do CJ ficamos, uma vez mais, cientes de que este caso ainda tem muito para dar.

De facto, ao contrário do que foi propalado na comunicação social, afigura-se como muito provável a suspensão portista da Liga dos Campeões já esta época. Está difícil de escapar às rédeas de uma Uefa que se quer impoluta, opondo-se ao espírito pelo qual se rege o nosso futebol. Segunda-feira, dia do sorteio da Liga, decerto teremos novidades. A Uefa espreita, e este poderá ser o argumento-chave para arredar a corrupção nacional das competições europeias.

Entretanto, no covil do olival, o porco lá vai grunhindo a seu bel-prazer. Como sempre, luta com o que pode. Apontem os factos e atentem na estratégia falaciosa do costume.

No dia em que se soube o primeiro resultado do apito final, os jornais da Controlinveste (de Joaquim Oliveira) fizeram o favor de prestar reverência aos condenados. "Mão Pesada", dizia a capa do JN, num claro juízo valorativo que deveria ser proíbido aos jornalistas. No site d'ojogo, o destaque era para Bosingwa e a sua transferência para o Chelsea por 20 milhões. No passa nada.

Depois veio Rodríguez, uma "machadada" mais do que previsível. Não faz falta. Aliás, ele que vá aquecendo os dedos e preparando os comandos...porque Champions, este ano, só se for na playstation. E com esta fazia-se querer que o Benfica perdeu uma batalha da qual não quis participar. Conservaram-se os princípios da honra e da dignidade. E era bom que os adeptos compreendessem que o clube está acima de qualquer charlatão, traidor e mentiroso.

Há duas semanas atrás, novo ataque. Mentiras, pois claro. O veículo? O do costume. Os lacaios de Joaquim Oliveira, uma vez mais: capas do JN e OJOGO com uma notícia falsa sobre uma alegada perda de 6 pontos imposta ao Benfica pela FIFA, por culpa de uma dívida que já havia sido saldada - com o conhecimento destes artistas. Valerá a pena comentar?

Agora, aí vem Pinto da Costa, em mais uma das suas flatulências, prometer uma "surpresa" aos adeptos. Estou certo que a terão, mais cedo ou mais tarde. Seja esta ou na próxima época. A bem ou a mal, ainda acredito que o fóculporto terá o castigo que merece.

sábado, 17 de maio de 2008

Se queremos justiça, terá que ser a UEFA a fazê-la


Ando, compreensivelmente, afastado das lides bloguísticas faz já algum tempo. Tempo, esse, que escasseia como que escorrendo por entre os dedos, quando a disponibilidade mental para falar sobre o Benfica já não abunda. Mas esta semana foi especialmente marcante para o futebol português e exige o bom senso que se discorra sobre os factos que durante ela foram manchete.

Começo por salutar, finalmente, a decisão no processo Apito Final. Saúdo, também, a espectacular capacidade que os portugueses têm para apelidar, com a maior das originalidades, tudo o que é processo judicial. Foi uma batalha ganha por todos os que defendem o bom nome do desporto e deste país. Concedo, à blogosfera, uma quota parte da responsabilidade por estas decisões. Muito se lê por aqui que seria inconcebível ler num qualquer jornal, muito se divulgam os actos mal intencionados de alguns personagens do nosso futebol e pincelam-se de negro as suas imagens até aqui imaculadas para alguns dos leitores mais desatentos.

A decisão: para já, pouco interessa. Ao contrário do que seria expectável, a Comunicação Social não deu muito ênfase a este caso. Muito menos a Opinião Pública, depois de ter ficado provada, no entender do CD da Liga, a existência de corrupção. Factos: Pinto da Costa, Valentim Loureiro, Augusto Duarte, entre outros rostos do sistema, foram punidos.

Ouviram?

PUNIRAM-SE ÁRBITROS!

PUNIRAM-SE DIRIGENTES!

Isto, meus amigos, é grave. Prova, a todos, mesmo aos mais cépticos, que o futebol português está corrompido. O fóculporto perdeu 6 pontos, mas como tinha 20 de vantagem, não só não recorreu, como ninguém falou do caso. Este é, para já, o grande problema. Nem para os adeptos dos azuis estas decisões tiveram consequências. E estamos apenas a falar de poucos e pequenos exemplos de casos que pululam pelos corredores dos nossos estádios.

É precisamente este sentimento lato de impunidade e indiferença que me deixa revoltado. Vejo com bons olhos a decisão de proibir o fóculporto de particpar nas provas europeias. Nada melhor para exaltar os ânimos azuis e para tocar no coração dos adeptos. Talvez assim eles percebam a gravidade deste caso. Talvez assim eles percebam o que é ficar de fora da Liga dos Campeões por culpa da imundice do nosso futebol corrompido. Se a Liga não tem meios, nem poder, que actue a UEFA. Que estes sabujos, já que não podem ser privados de disputar a divisão máxima do nosso futebol, sejam punidos com este castigo! Que os adeptos tenham vergonha dos dirigentes! Que os jogadoes não queiram envergar aquela camisola! Que o fóculporto caia, financeira e desportivamente, e na dogmática credibilidade que todos lhe dão, para que volte ao que era antes de subir por meios ilícitos, um mero e inaudível clube regional.

Há, no entanto, alguns impasses. Toda a gente conhece a força do G14, grupo que inclui estes corruptos, que gozam de algum prestígio e reputação que lhes serão certamente úteis na resolução deste caso. Há quem alegue que a alínea do regulamento que poderá entalá-los é posterior à época de 03\04, sob a qual recaem estas acusações. Quero lá saber se é o Benfica a lucrar com isso!, o que me interessa é ver estes corruptos a estrebuchar de ânsia quando receberem o castigo que merecem.

Prometo voltar nos próximos dias: falta homenagear Rui Costa, parabenizar a equipa de Andebol, falar das excepcionais performances das equipas jovens, analisar (a vários níveis) a época que agora finda e falar sobre a época que se avizinha. Esta onda positiva que se criou à volta de treinadores novos, Rui Costa e reforços é igual à que vivemos todos os anos. Não esqueçam, contudo, a pobreza e mediocridade deste quarto lugar que nos atirou para fora da liga milionária.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Deixem jogar o Cardozo

O Benfica atravessa uma crise desportiva de dimensões ultrajantes. Não há volta a dar, senão lutar para a ultrapassar - estou em crer que não vamos lá com demagogia, artigos n'aBola e mais uns quantos sul-americanos. Antes de se debruçar sobre esses problemas, o Benfica tem que remediar a crise que o afecta a nível organizacional e direccional. Mas não é disso que vos quero falar hoje.

Como já devem ter reparado, a Comunicação Social, oportunista, como sempre, tem vindo a aproveitar-se cada vez mais do estado de desagrado dos benfiquistas para enxovalhar o clube. O Benfica é um dos clubes mais históricos do mundo. Não é um clube do quase, a miar, de fininho, pela Europa, nem um clube regional, monoteísta, que faz uso da corrupção para triunfar. Não. O Benfica é mais que isso, é mais que qualquer dirigente, seja ele Presidente, Director Desportivo ou Preparador Físico. O Benfica é superior e não é efémero - fazendo jus à denominação deste blogue, o Benfica é eterno. Benfica rima com glória, e é essa glória, o respeito e admiração que muitos nutrem pelo nosso clube, que não podemos deixar esvair-se.

Rogo-vos, benfiquistas de todo o mundo, que defendam o vosso clube em qualquer circunstância. Não vos peço para serem acríticos - basta lerem este espaço para saberem que a minha conduta não contempla a carneirice. Passa-se, que o Benfica, alvo apetecível e extremamente rentável, é, ao mesmo tempo, odiado por muitos. Palavra puxa palavra, e não tarda nada até que todos os problemas do clube sejam debatidos em praça pública, condenando-se culados, gozando com o presidente, com o treinador, deturpando factos e moldando reacções a seu favor.

O mais recente exemplo é o de Oscar Cardozo. De tão badalada que foi a transferência, todo o mundo soube do seu valor. 9 milhões, primeiro; agora 11, comprada que está a totalidade do passe. O paraguaio mostrou serviço: 20 golos (11 deles no campeonato, que lhe valem o posto de segundo melhor marcador). Marca que prometeu, que suscitou dúvidas e gozo, mas que cumpriu. E há que dar-lhe o devido mérito. Cardozo é forte, inteligente, tem bons pormenores técnicos e um remate espantoso de grande potência. É um jogador de área muito possante que, ao contrário do mito que se instaurou, marca bastantes golos de cabeça. Chegou, sem férias, estafado, sem pré-época, nem tempo de adaptação ao futebol português, e vingou. Essa é a verdade. Tudo bem que é lento, e um pouco preso de ancas. É também muito jovem e tem, por essa mesma razão, uma larga margem de progressão.

Muito se discutiu, aqui e ali, o preço do jogador. Se o Benfica quer qualidade, tem que a pagar. Era essa a mentalidade dos benfiquistas mais optimistas. Mas foi da massa adepta do clube adversário que vi exigir muito de um jogador que, na verdade, eles temem. Cardozo veio solucionar uma das grandes lacunas do clube: a de um ponta-de-lança capaz de marcar um carregamento de golos por época. Foi dos nossos adversários que mais farpas vi, como se eles tivessem alguma legitimidade para falar do nosso orçamento. O sentimento, esse, é geral: o jogador é craque. Mas, e alegam eles, não é craque para custar o que custou. Se calhar não, mas é um bom jogador. E já fico feliz com isso. De maus negócios está o Benfica cheio e, asseguro-vos, este não é o caso.

Talvez por isso a imprensa comece a querer empurrá-lo para fora do clube, sabendo das propostas vantajosas que o paraguaio recebeu para sair do clube em Janeiro. Ignorando o facto de estar lesionado desde a partida com a Académica, e de a ter abandonado antes do seu interregno, os media continuam a dar destaque à sua presença no banco. O mesmo aconteceu, inversamente, com Bynia, que é desvalorizado por ter sido muito barato. Os media ignoram o desempenho nesta primeira época na Europa, os seus atributos físicos, os lançamentos longos e a sua chamada à Selecção Camaronesa para uma grande prestação na CAN. Não, preferem falar da suposta agressividade de um jogador que foi mais do que severamente punido. Outros há que agridem adversários, intencionalmente, todas as semanas, chegando ao final do campeonato só com dois amarelos, e são recompensados com vídeos para o site da UEFA - maldito G-14!

Termino por aqui este apelo. Defendam as vossas cores, orgulhosamente, não enterrem mais o vosso clube na lama. Saibam perder. Saibam ganhar. Mas respeitem aquele que ainda é um dos maiores símbolos de Portugal e do futebol. Se o que sinto quando o Benfica perde é frustração, canalizo-a para outras expressões da minha alma. Costumo dizer que de cada vez que o Benfica perde, o meu benfiquismo adensa-se. Digamos que, este ano, tem crescido exponencialmente. Talvez por essa razão, luto e lutarei contra as injustiças do nosso futebol e do nosso clube até ficar sem forças.


PS: Não percam, no ESPN, canal 26 da TV Cabo, um grande documentário sobre o que é Ser Benfiquista. Hoje (22h), Amanhã (14h30) e Sábado, dia 26 (11h e 16h).

domingo, 13 de abril de 2008

Tiros no pé

Ontem, como ao longo de todo o campeonato, Porto e Guimarães viram as suas equipas serem beneficiadas. No jogo de Guimarães, fora-de-jogo claro no golo vitoriano. Se, na última jornada, frente ao mesmo Boavista, o Benfica tivesse sido beneficiado desta maneira, certamente que o Vitória não estaria isolado no segundo lugar. No jogo do Porto mais do mesmo: golo precedido de mão evidente de Mariano Gonzalez. A imprensa assobia para o lado. O Benfica joga mal e porcamente, mas isso não justifica que nos calemos. Mesmo a jogar assim, merecíamos estar no segundo lugar. E o Sporting idem.

A quatro jogos para o fim, o Benfica vai ter vida complicada no Dragão. O mesmo não acontecerá, na jornada seguinte, onde se prevê que o Porto abra as pernas para o Vitória passar. É a minha previsão, com base no futebol asqueroso que temos. O Benfica podia estar na última divisão que eu não me calaria. Façam o mesmo. Insurjam-se, revoltem-se! E não argumentem que o lobby Porto-Vitória não é uma realidade. O Porto só tem a ganhar se o Benfica não for à Champions directamente: menos dinheiro nos cofres, pré-época arruinada e nenhum jogador a querer transferir-se para a Luz.

domingo, 16 de março de 2008

A questão do mister

Muito se tem falado do futuro treinador do Benfica. Goste-se ou não, bom ou mau, o Benfica precisa de um treinador com estatuto em Portugal. Um homem aclamado, respeitado pela imprensa e pela maioria dos adeptos. Não sou fã de Scolari, nem da sua personalidade nem das suas capacidades tácticas, mas começo a achar que é de alguém dentro do perfil dele que precisamos. Mourinho seria a escolha óbvia, mas impossível...por enquanto.

Perceba-se o que eu digo. O Benfica é, mais do que nunca, afectado por todos os factores externos possíveis de todos os quadrantes imaginários. É necessário unir e fechar o balneário, de calar a imprensa e de reunir a aprovação da maioria dos adeptos. É preciso alguém que bata com a porta, que contrarie Vieira...alguém que não permita que este esbanje dinheiro em jogadores desconhecidos sem o seu aval. Alguém que seja voz de comando dentro do clube. E às vezes, para isso, é preciso ter um pouco a mania.

Scolari e Mourinho têm a mania, são teimosos, arrogantes e têm feitios difíceis de lidar. No entanto, são bem sucedidos. O país, os jornais, os adeptos, sentem uma enorme admiração por eles. E seria de uma extrema incoerência mudarem de opinião se eles ingressassem no Benfica. Dar-lhes ia tempo para uma adaptação necessária, que já está mais que feita ao nosso país e conferir-lhes-ia espaço para montar um projecto capaz de reerguer o futebol do clube.

Mas, mais do que tudo, ainda continuamos a precisar de um presidente...

sábado, 15 de março de 2008

Sr Presidente, precisa de um empurrãozinho?

Muitos foram os treinadores que por cá passaram, sem sucesso, durante a dinastia Vieira. A todos eles, o denominador comum: saíram todos como os maus da fita. Vieira tem esse poder de enganar os benfiquistas menos letrados e interessados. Um demagogo com conhecimentos pode tornar-se muito perigoso, mas o crédito começa a esfumar-se quando os disparates cometidos durante anos começam a vir ao de cima. As hostes começam a exaltar-se, sobretudo, quando o futebol - a que muitos chamam, e muito bem, o core business do Benfica - está no pior estado dos últimos 10 anos.

Na sua última crónica, José Marinho afirma que o Benfica dos dias de hoje não tem oposição. Pois bem, eu acho que os benfiquistas themselves são a oposição. Este blog é oposição. Tudo o que é discutir ideias, apresentar diferentes perspectivas, dar voz a quem alude ao que é melhor para o Benfica...tudo isso é oposição. A oposição é boa para o clube, até certo ponto. Se soubermos ser oposição e não o ser ao mesmo tempo, se houver o bom senso de discutir os pontos negativos e de aplaudir o que de bem se conquista. O problema é que, muitas vezes, os adeptos, bem habituados pelos tempos em que o Benfica era uma força da natureza, não usam o seu bom senso para medir as suas reacções e para apoiar sempre, independentemente da direcção, do treinador, dos jogadores ou do adversário. Porque o Benfica também é indiferente a tudo isso!

Não se deixem enganar pelos meus devaneios: o principal culpado pelo estado precário em que o clube se encontra, ao nível do futebol mas, sobretudo, ao nível organizacional, é Luís Filipe Vieira. E aqui concordo com José Marinho, o problema é que ninguém se assume como alternativa ao presidente do Benfica. E depois dos últimos exemplos presidenciais, muitos dos benfiquistas, afectados pelo síndroma da sportinguização, já pensam que, mal por mal, mais vale ficar com este por mais uns tempos. Não condeno o desalento dos adeptos, porque também sobre mim se abateu uma grande abulia, mas o meu benfiquismo só sai reforçado de cada vez que vejo que o meu clube está em baixo.

Os fundamentalistas que apoiam Vieira continuam a ostentar a bandeira da construção do Estádio e do Centro de Estágio, iniciativas que não lhe pertencem. Não se cansam de chamar a atenção para o renascer das modalidades, mas a verdade é que elas continuam longe do que um dia foram. Qual é a nova estratégia? Contratar atletas portugueses de renome avulso, casos de Nélson Évora, Vanessa Fernandes e Telma Monteiro, e pagar-lhes para envergar a camisola do Benfica. Assim é fácil ganhar medalhas, mas o mérito é estritamente negocial. Por último, a grande bandeira que Vieira ainda vai pregando aos menos crentes nas alturas de maior aperto: a recuperação financeira. Quando o presidente assumiu os destinos do clube, que já vinha convalescendo nesse campo sob a batuta de Vilarinho, o clube estava ainda com um grande buraco orçamental. A grande questão é perceber o que foi e é feito para manter os balanços positivos. Venderam-se os activos. O problema é que, no Benfica, os activos são a mão de obra. Simão era o operário que mais rendia. De que nos vale vendê-lo por uns milhões (e ainda aguardo, pacientemente, pelos dois jogadores do Atlético de Madrid que foram incluídos no negócio) se, sem ele, ou alguém melhor, o clube perde a capacidade de produzir mais, de render mais...de ganhar títulos?

É que o último já foi há muito tempo, e o Porto já caminha, nas calmas, para o tri-campeonato. Com ou sem apitos dourados, somos derrotados, e não há desculpa possível para perdoar a recessão do nosso futebol nos últimos três anos. Vieira não está aqui para nos burlar. Dinheiro não lhe falta...aliás, arrisco-me a dizer que não precisa do Benfica para nada. Então, remato eu: De que é que está à espera para sair?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Venha o Getafe!

O que se passou hoje, em Nuremberga, foi triste e indigno para o glorioso clube e grandiosa instituição que é o Benfica. O que ninguém esperava - e perdoem-me o recurso ao jargão - é que tanto cagaço acabasse num tremendo mijo.

José Antonio Camacho (ou pelo menos o seu sósia que assumiu os comandos da equipa de futebol do Benfica) entrou em campo para defender o resultado com uma equipa da tonalidade das suas camisolas: muito, muito fraquinha. Pouco me interessa se o Nuremberga está em 16º ou se joga mau futebol. Se hoje me senti envergonhado, não foi por culpa dos alemães, mas sim por culpa da mentalidade que o espanhol incutiu na equipa.

O Benfica entrou em campo com uma espécie de 4x5x1 inexplicável para defrontar um Nuremberga auspicioso e corajoso, com dois pontas-de-lança no ataque. O murciano pode não ser o principal responsável por muita coisa, mas hoje teve grandes culpas no cartório. Imagino como seria crucificado se o Benfica não desse a volta, por intermédio de dois jogadores que ele, inexplicavelmente, deixou no banco.

Luís Filipe provou mais uma vez ser um dos piores badamecos que alguma vez envergou o manto sagrado, ao ser o melhor jogador do Nuremberga e o principal responsável pelo golo mais escandaloso que vi o Benfica sofrer em 18 anos de vida. Sepsi entrou muito bem. Gostei, mas continuo sem perceber porque é que o treinador do Benfica não colocou primeiro o argentino Di Maria no seu lugar. É incompreensível. Makukula esteve bem, amiúde, e muito mal, frequentemente. Léo provou a incompetência de quem não lhe renova ao contrato! Maxi mostrou que só a defesa direito é que se safa melhor que o Luis Filop. Luisão e Rui Costa acabaram por se assumir como os patrões de uma equipa apática e descoordenada.

Estas foram algumas das nuances de um jogo incaracterístico que não tenho capacidade para analisar mais a fundo. Pelo menos não me apetece mais ouvir falar dele nos próximos tempos.

Não temo o Getafe. Uma equipa de subúrbio, apesar do bom treinador e uma excelente mentalidade, não chega para que eu não considere o Benfica favorito. A atitude é que terá que ser diferente desta, que quase fez com que preferisse ter Fernando Santos de volta ao comando da equipa. A eliminatória é uma excelente oportunidade para os jogadores se redimirem, apesar de achar que, como sempre, mais cedo ou mais tarde, seremos eliminados ingloriamente.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Formação?

O Benfica acaba de contratar, à experiência, dois promissores nigerianos que foram campeões mundiais de sub17. Parece excelente, se não tivermos em conta que se vão juntar a mais de uma dúzia de estrangeiros que actuam na equipa de Juniores. Não sou xenófobo, nem racista, até acho a globalização uma coisa muito bonita. Mas permitam-me que questione os propósitos de uma equipa de formação e prospecção de um clube do calibre do Benfica.

No último sábado, num jogo a contar para o Campeonato Nacional, os Juniores do Benfica actuaram com o seguinte onze: Rui Santos, JoãoAlberto, Abel Pereira, João Pereira, Airton Oliveira, Abdoulaye Fall, Miguel Rosa, Ismmael Yartei, André Carvalhas, Wang Gang e Orphée Demel. Na segunda parte entraram Lassana Camará, Leandro Pimenta e André Soares.

Os jogadores a laranja são os que não têm nacionalidade portuguesa. No onze inicial do Benfica podem ver-se 6 estrangeiros (2 brasileiros, 1 chinês, 1 ganês, 1 senegalês e 1 costa-marfinense) e apenas 5 portugueses. Acho muito bem que o Benfica desperte para os mercados internacionais (sobretudo o africano e o de leste), mas creio que tudo o que é em demasia pode ter consequências nefastas.

Contratar jogadores de qualidade, do estrangeiro, ainda em idade de formação, é uma política que tem dado resultados em grandes clubes, como o Arsenal e o Barcelona. É um facto, e o Benfica tem vindo a tentar fazê-lo, com maior ou menor acuidade. O problema é que o número de jogadores estrangeiros acaba por chegar em grande número, e só um pequeno lote é capaz de singrar na equipa principal. Prova disso é que alguns dos jogadores contratados no princípio da época já deixaram o clube.

É certo que muitos estão cá apenas à experiência, mas quem sai prejudicado são os nossos valores portugueses, e o colectivo que compete numa prova de regularidade. Manda o bom senso que não se critique a aquisição de estrangeiros, desde que eles tenham valor, mas parece que há um qualquer estigma em relação aos valores portugueses. Creio que só devemos recorrer ao mercado internacional, quando não há nos nossos quadros portugueses capazes de fazer o mesmo. Há grandes valores nos Juniores que podem e devem ser aproveitados. Não julgo é que a mentalidade do Benfica seja essa. Acho que estamos a contratar para vender, para fazer dinheiro. O Benfica não contrata para formar, nem para fornecer a equipa sénior; contrata na esperança de que lhe apareça um diamante semi-lapidado, que possa vender por uns bons milhões. E, para mim, não devem ser esses os objectivos de uma equipa de formação.

Acredito, ainda assim, que alguns destes jogadores podem lá chegar. Portugueses, ou não, está na altura de apostar nestes miúdos que são o futuro do Benfica.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Naval 0 vs 2 Benfica

Quis o destino que o jogo que marcaria o meu regresso às crónicas, após prolongada ausência, fosse uma exibição deplorável de futebol, ou da sua inexistência. O jogo foi tão mau que nem sequer se proporcionou qualquer trocadilho para engalanar o título deste texto.

Camacho havia dito, na conferência de imprensa que antecedeu o jogo, que o mais importante era o resultado e não a exibição. De facto, já nem o mais crente dos benfiquistas se dá ao luxo de esperar outra coisa deste Benfica desmistificado e petrificado no tempo. Depois de um jogo sofrível, na quinta-feira, e tendo em conta o elevado leque de ausências, a vitória por dois golos acaba por ser suficiente para apaziguar a desilusão que a pobreza da exibição deixou.

O treinador espanhol reservou uma surpresa para o dia de hoje: Rui Costa começou o jogo no banco, em contenção de forças para a deslocação a Nuremberga da próxima quinta-feira. Para fazer face às muitas ausências, Camacho apresentou uma meio campo de trabalho, constituído por Binya e Maxi - os dois tractores da equipa. Nas alas, Nuno Assis e Rodríguez faziam as despesas de levar o jogo até Cardozo e Makukula, o World Trade Center do nosso ataque.

O jogo começou atribulado, com Luís Filipe a tirar da cartola alguns truques a que já nos habituou: perdas de bola, passes falhados, falhas de marcação, foram os mais pedidos desta semana. O lateral direito do Benfica não só não apoiava o ataque, como também se portava mal no sector defensivo. Do outro lado, também Léo esteve apagado nas suas iniciativas ofensivas. O jogo do Benfica foi paulatinamente afunilando-se pelas alas. Sem um transportador de raíz, eram Nuno Assis e Rodríguez quem transportava a bola para o ataque, caindo invariavelmente na tentação de enveredar pela jogada individual.

Todavia, foi de um destes lances que surgiu o lançamento que originou o primeiro golo do Benfica. Mais uma vez o camaronês Binya provou ser útil, utilizando uma arma única no nosso campeonato. Cardozo apareceu ao primeiro poste, assistindo, na cara do guarda-redes da Naval, o uruguaio Rodríguez, que já em queda cabeceou para dentro da baliza. 1-0, aos 19 minutos de jogo.

O futebol do Benfica nunca experimentou muita fluidez. Mais não se pode pedir a um plantel que apenas tem um número 10, que por acaso já conta com 36 anos. Será que isto também é culpa de Camacho? Os dois pontas-de-lança continuavam sem receber bolas em condições, e o jogo arrastou-se, disputado, mas mal, até ao intervalo.

Na segunda parte não houve alterações. O Benfica voltou a entrar mal, e o árbitro ia contribuindo para a pobreza do jogo, assinalando toda e qualquer falta. Sem emotividade, nem lances de grande perigo, Camacho decidiu fazer entrar Adu e, um pouco mais tarde, o maestro Rui Costa. Adu mostrou, mais uma vez, aos seus defensores, de que não transcende nem é a solução para o mau futebol praticado pelo Benfica. Rui Costa, por seu turno, em apenas 10 minutos ainda criou lances de grande perigo.

A 5 minutos do fim, Rui Costa lança Assis com um passe genial, o número 25 cruza bem, mas Makukula chega atrasado. Já durante a compensação, fruto da insistência do maestro, Sepsi, acabado de entrar para o lugar do infortunado Adu, que se lesionou, investiu pela esquerda, área a dentro, fintando dois jogadores e assistindo Nuno Assis para o segundo golo. Foi um prémio justo para o médio do Benfica que, a meu ver, foi o melhor em campo. Dentro da mediocridade da exibição, Assis acabou por ser o que mais se destacou pela garra e perseverança que empregou tanto a atacar como a defender. Parece estar a entrar em forma.

Prémio também para Ulisses Morais, cujas dimensões cranianas foram aumentando consideravelmente durante o jogo, o que se reflectiu, como é habitual, nas infundadas queixas que apresentou no flash-interview. Nota para a paupérrima arbitragem de Rui Costa, assinalando dezenas de faltas injustificadas, ao mínimo toque. A vitória acaba por ser justa. Siga a dança que melhores dias virão. Afinal, a coisa só pode melhorar.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Esta soube a pato!

O Vitória soube por-se em bicos de pés. No início do encontro, Cajuda dizia que estava extremamente confiante. Os comentadores, por seu turno, tiveram o descaramento de atribuir o favoritismo ao Guimarães. Os adeptos do Guimarães, em grande parte escumalha, também souberam engolir o discurso. O normal agigantamento do recém-promovido Vitória, que está muito longe de ser grande, resultou na perfeição. Não foi preciso muito tempo para que se percebesse que o Vitória, que acusou em demasia a responsabilidade do jogo, não tem classe nem estofo para lutar pela Liga dos Campeões.

Consegue, ainda assim, ser muito superior ao Sporting.

Foi gritante, mais uma vez, a falta de imparcialidade dos comentadores. Conseguíram por mais emoção nos cruzamentos sem destino do Desmarets do que nos dois golos do Benfica. Nada de novo, portanto.

Afirmo sem problemas que o triunfo desta noite teve um gosto especial. O Benfica entrou com uma grande atitude que, aliada a uma tremenda eficácia, lhe garantiu um belo par de golos ainda antes da meia hora, dando um soco na crise psicológica e no descaramento daqueles que ousam, todos os dias, questionar a nossa grandeza.

Independentemente do que se disser nos jornais de amanhã, hoje o Benfica emancipou-se. Não acredito em demagogias, mas senti uma grande força no Benfica de hoje. E o Miki, onde quer que esteja, certamente estará a sorrir.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Ei-lo?

Aqui está, e parece certo, o novo avançado do Benfica: Arziza Makukula, ponta-de-lança luso-congolês de 26 anos, que dispensa grandes apresentações. Possante, dotado de bons requisitos técnicos, parece-me ainda um jogador capaz de passar no inferno da Luz, pela cotação que já atingiu aquando da sua internacionalização há poucos meses atrás. Acho que é uma contratação acertada.

A única coisa que falta, na minha opinião, é um extremo-direito. Há grande urgência em arranjar um jogador para colmatar a brecha que temos para o lugar e não vejo grandes esforços nesse sentido. O mercado fecha daqui a 6 dias.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Como vai o nosso Benfica...

Para quem souber ler nas entrelinhas, deixo aqui um excerto do artigo de sexta-feira do Rui Santos, publicado pelo Correio da Manhã, esclarecedor sobre o que se passa no Benfica. Chamem-lhe teoria da conspiração, o que é certo, e ainda ontem Camacho o deu a entender, é que algo de muito errado se passa no seio do nosso clube.


Esta semana foi noticiado (pelo ‘Record’) que ‘Camacho pensa sair’ (do Benfica). Nada que possa espantar quem se digne a olhar para a ‘durabilidade’ dos treinadores do Benfica no ‘pós-Eriksson’ e, sobretudo, quem perceba a diferença de atitude do treinador espanhol da primeira para a actual passagem pela Luz.

Através de ‘A Bola’, o empresário Pedro de Felipe, o mesmo que estivera no epicentro de muitas polémicas em 2003 e 2004, como escudo protector do seu técnico, utilizando as palavras consoante as conveniências (é também para isso que os empresários servem, para além de cobrar chorudas comissões), vem dizer que “alguém quer prejudicar o Benfica e Camacho” e que se ele (Camacho) rejeitou o FC Porto fazia algum sentido ir assinar por outro clube? Claro que não faz nenhum sentido. Mas faz igualmente algum sentido Pedro de Felipe, na mesma entrevista, apostar na ambiguidade quando afirma que “ele (Camacho) só vai continuar no Benfica se o clube o quiser e se ele gostar de estar no Benfica”?

O empresário e Camacho não sabem, neste momento, se o Benfica quer que o treinador continue?! Camacho não sabe se gosta de estar no Benfica? Mais: o empresário chega ao ponto de dizer: “este tipo de notícias faz com que ele não esteja a gostar”. O que coloca uma questão: será que Camacho desconfia que este tipo de notícias tem origem no próprio Benfica?

O empresário justifica o novo comportamento de Camacho com o argumento de que ele era acusado (por quem?) de muito gritar e gesticular e, por isso, adoptou “uma atitude mais moderada”. O ponto está numa outra afirmação: “É preciso lembrar que não foi ele quem fez o plantel. Não é a mesma coisa, é como ter um filho que não é seu. Ele tem sido obrigado a fazer muitos remendos e por isso os resultados nem sempre aparecem”. Digam-me lá se estas declarações não pressupõem uma crítica factual aos responsáveis do Benfica?!

Conclusão: é o Benfica que está farto de Camacho ou é Camacho quem está farto do Benfica? Quem, afinal, está mais farto? Vieira e Veiga também andaram ‘muito unidos’, houve múltiplas declarações (sempre em ‘A Bola’) segundo as quais o ‘amor’ andava no ar e veja-se no que deu: ‘ambiente de cortar à faca’.

O Benfica, para se ajustar àquilo que Camacho quer, teria de conseguir resultados, o que manifestamente não é o caso. No futuro, com Rui Costa pelo meio, não vejo forma, sinceramente, de coexistência com Camacho. Mas, como sempre, demos tempo ao tempo. Sepsi foi escolhido pelo espanhol?

sábado, 19 de janeiro de 2008

Benfica 1 vs 0 Feirense



Hoje foi assim.

Not in the mood

A apatia é geral no reino da Luz. Reforços para as zonas em que estamos deficitários, nem vê-los. Esta época está a deixar a descoberto um Benfica descaracterizado e vilipendiado, sem demonstrar a chama que nos representa. E ainda há descaramento para se falar de um "novo ciclo".Isto é extensível aos adeptos. Vejo a Catedral da Luz às moscas; a descrença é geral. Dou por mim a pensar no falso amor que nutro por este desporto hediondo e corrompido. Se pudesse deixar de gostar de futebol, já o teria feito há muito tempo. Infelizmente, a minha paixão pelo Benfica, e o regozijo que me dão os desaires do Sporting, não me permitem fazê-lo. Por isso, e porque amanhã é dia de Taça, só queria deixar um incentivo aos jogadores para a única competição que ainda acredito ser possível esta época.