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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Venha a fase de grupos


Vitória confortável por 4-0 na Luz, viagem de quase dez horas até Poltava, ausência de muitos habituais titulares e natural descompressão por tudo o que acabei de mencionar foram os responsáveis pela derrota de hoje do Benfica na Ucrânia. Percebo, mas não podemos aceitar este resultado.

Ao contrário do que a comunicação social e, nomeadamente, os nossos rivais em Portugal tentaram passar, o Vorskla não é um conjunto de amigos que se reúne aos domingos para jogar à bola. Não. Apesar de este ano estarem em 11º do campeonato ucraniano (mas também só estão decorridas 5 jornadas), no ano passado terminaram em 5º, vencendo a Taça. Para que fique claro, em termos de ranking, os ucranianos estão à frente de Portugal: estão no 7º posto, tendo realizado mais pontos que qualquer outro país na época passada, enquanto Portugal está em 10º. Isto não faz do Poltava um adversário temível, mas, em Portugal, estão ao nível de um 8º ou 9º lugar. Ou até mais.

Quanto ao jogo jogado, propriamente dito, não há muito a dizer. O Benfica fez uma boa primeira parte atendendo às condicionantes, mas, com o passar do segundo tempo, foi notório um desinteresse pelo jogo e, em especial, pelo resultado. Após o segundo golo, os jogadores não se mostraram muito interessados em lutar pelo empate. Estava passada a eliminatória, não valia a pena esforçar. Não gosto, mas, no futebol de hoje em dia, com viagens cada vez mais a leste, para depois voltar à Liga para ter um desgaste físico e psicológico com os autocarros que vão ser montados no relvado da Luz, enfim, até percebo. Mas não posso aceitar.

Em termos individuais:

Moreira (5) - infeliz e culpado no primeiro golo. Acontece a todos os guarda-redes. Fora isso, nada a assinalar.
Luís Filipe (6) - discreto, simples, ainda precisa de exorcizar alguns fantasmas da sua primeira passagem pelo clube. Não é um grande jogador, mas, com um milagre de Jesus (o Jorge, claro), pode servir para disfarçar a ausência de Maxi Pereira.
Luisão (6) - discreto, como Luís Filipe e como toda a equipa, procuro envolver-se numa jogada ofensiva com bola pelo chão (que raridade!).
Sidnei (6) - discreto, que é para não destoar dos companheiros.
David Luiz (5) - grande central, desastroso defesa-esquerdo. Certinho a defender, mas é batido em velocidade na lateral com demasiada facilidade.
Javi Garcia (6) - gostei, mas não era jogo em que pudesse mostrar muito mais.
Ramires (6) - melhor que os outros elementos que tiveram nota 6, mas não dá para 7. Vai ser saco de pancada dos adversários durante toda a época.
Fábio Coentrão (6) - tentou levar perigo nas bolas paradas, mas os cruzmentos não saíram tão bem como nos últimos jogos. Esforçado, mas sem resultados práticos.
César Peixoto (7) - Não é número 10, pelo menos não no estilo de Aimar, mas hoje esteve em bom plano. Penso que será bem útil a defesa-esquerdo.
Nuno Gomes (6) - não entendi a sua saída ao intervalo. As tabelinhas estavam a sair bem e penso que poderia ter sido útil na 2ª parte.
Keirrison (6) - falhou, aos 20 minutos, uma daquelas oportunidades que não poderá falhar. Está em fase de adaptação, mas revela pormenores interessantes.
Saviola (7) - mexeu com o ataque do Benfica. Marcou um bom golo pese embora dúvidas na sua posição do lance do golo. Sabe desmarcar-se bem nas bolas paradas, apesar da baixa estatura.
Di Maria (5) - não poderia ter feito mais.
Rúben Amorim (4) - sem tempo para se mostrar.

P.S. Yebda nem no banco se sentou. Isto significa que poderá estar de saída. Virá alguém para o seu lugar?

Repitam todos comigo:





O David Luiz não pode jogar a defesa-esquerdo. Jamais!

Mais logo, em Poltava...

O Benfica, como disse num post há uns dias atrás, tem já pé e meio na fase de grupos da Liga Europa. Uma vitória por 4-0 é mais que suficiente para passar. No entanto, não há que esperar facilidades, nem há, muito menos, hipótese de um jogador que seja entrar em campo relaxado. Imaginem que, tal como aconteceu há uns anos em Trondheim, frente ao Rosenborg, que o Benfica sofre dois golos nos primeiros 15 minutos. Como reage a equipa? Como reage o treinador? Por isto mesmo, e apesar de pensar que a eliminatória não está ganha, é preciso entrar com seriedade para evitar surpresas desagradáveis. Tenho um palpite que isto hoje... mas vamos lá ver.

O meu onze para hoje: Moreira, Miguel Vítor, Luisão, Sidnei, César Peixoto; Javi Garcia, Yebda, Luís Filipe e Fábio Coentrão; Nuno Gomes e Keirrison.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Liga Europa aqui tão perto

Não há como esconde-lo: o Benfica está com bem mais de pé e meio na fase de grupos da Liga Europa. Mais que a boa exibição, especialmente após os primeiros 25 minutos, que foram bem pobres, o resultado é extraordinário. E, se formos a ver por essa Europa, os tubarões não obtiveram resultados melhores que o nosso clube: A Roma empatou fora a três golos com uma modesta equipa eslovaca, o Aston Villa e o Herta de Berlim perderam ambos fora. Até o Zenit, vencedor da Taça UEFA perdeu na Madeira frente ao Nacional! Os meus parabéns à equipa de Manuel Machado.

Como referi, os primeiros 25 minutos foram de grandes dificuldades. O Benfica não encontrava o seu futebol e chegou a ter menos posse de bola que o Vorskla Poltava, que, sem rematar, quase encostou o Benfica. Mas a partir dessa fase inicial do jogo, especialmente devido às acções dos miúdos Di Maria e Fábio Coentrão (que diferenças!), o Benfica pegou no jogo, terminando o primeiro tempo em claro domínio e já em vantagem, graças a um golo construído precisamente pelos dois miúdos, onde sobressai a velocidade extrema de Di Maria e a sua inteligência ao picar a bola por cima do guarda-redes ucraniano. Vitória justa ao intervalo, mesmo depois de um início de primeira parte sofríveis.

Um dos meus colegas de sector comentou que se calhar era necessário "fazer uma junta de sócios para fazer a palestra ao intervalo". Não foi preciso. A atitude e a qualidade do futebol praticados no segundo tempo foram outros. Não tardou muito até aparecer o segundo golo, obtido por grande penalidade algo duvidosa (ainda só vi o lance uma vez na televisão e ainda tenho dúvidas). Cardozo é que não vacilou: mal se apercebeu do penalty, agarrou-se à bola, colocou-a na marca e estoirou inapelavelmente para o 2-0. Indefensável. É para ali que deve atirar sempre. A partir daí, Cardozo transformou-se. Ele que estava a fazer uma exibição miserável ganhou novo ânimo, executando um excelente movimento que culminou no terceiro golo, autoria do Conejo Saviola. Resultado simpático, que já permitia pensar com alguma tranquilidade na viagem à Ucrânia. Após o terceiro, o quarto, por Weldon, Novo Mantorras do Benfica. Entra e marca, em posição perfeitamente regular.

Destaques no Benfica a exibição de Di Maria e Fábio Coentrão, essencialmente estes dois. Seguros, com melhores tomadas de decisão, mostram que podem fazer a diferença. Aimar e Cardozo, este até ao golo, estiveram bastante apagados. Aliás, o argentino, ao contrário do que JJ diz, fez um mau jogo. Errou muitos passes, escondeu-se, não estava numa noite sua. Em Guimarães compensará seguramente. O árbitro? Quando não há casos nem engonhanços dos anti-desportistas adversários, a missão é fácil. Não complicou, estando muito bem. Dúvidas apenas na grande penalidade de Saviola.

P.S. E a propósito: não faço ideia qual é o esquema táctico de Jorge Jesus, mas aquilo não me parece um losango em lado nenhum. Nem percebo o que é aquilo. Mas também não interessa. A equipa ganha e joga bem. Viva o Benfica.