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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Atenção ao detalhe

Hoje de manhã, no Facebook, deparei-me com esta pérola...

Não sou o Alberto Miguéns mas...

Supertaça antes de 1979?!?

Não terá sido uma Taça dos Campeões Europeus?
Quem escreveu isto devia ir ao hospital.
Deve ter um Traumatismo Crânio-Encefálico...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Senhor Benfica faz anos



O Senhor António José Oliveira Conceição, que eu carinhosamente trato por Senhor Benfica, e conhecido no mundo do futebol por Toni, faz anos.
Nunca vi o Senhor Toni jogar ao vivo, não tive esse prazer, mas vi o Senhor Toni ser treinador, director desportivo, pai de jogadores e muito mais no Benfica. O Senhor Toni trabalhou 25 anos ininterruptos no clube até ser corrido por um tal de Manuel Damásio, regressando mais tarde como Director Desportivo, e mais tarde como treinador, tendo sido novamente maltratado, desta vez pela massa adepta.
Mas há muito que não vejo o Senhor Toni no Benfica... Há tempo a mais! É para pessoas como o Senhor Toni que tem sempre de haver espaço no Benfica. E é uma pena ver que o Senhor Toni, para se sustentar, só o pode fazer lá fora devido à sua ligação quase umbilical com o Sport Lisboa e Benfica.

E hoje, ao completar 65 anos, lá continua o Senhor Toni bem longe da sua casa, o Estádio da Luz. O que me apraz dizer, é que tenho pena! Muita pena, e fico triste.

Parabéns Toni, o meu Senhor Benfica!

E o meu muito obrigado, afinal de contas é o mais titulado dos treinadores que eu vi no Benfica, muita gente é que parece que se esquece disso.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

62 anos de ignorância


Faz precisamente hoje 62 anos (foi a 4 de Maio de 1949) que uma das mais avassaladoras equipas da história do futebol morreu. O termo morreu é talvez demasiado forte, mas também demasiado real. Mas vamos enquadrar a situação...
A 3 de Maio de 1949, realizou-se o jogo de despedida do Capitão do Sport Lisboa e Benfica, o Senhor Francisco Ferreira. Como convidado de honra do jogo, compareceu o, na altura, chamado Gran Torino, equipa que dominava o Calcio a seu bel prazer, comparência essa que mostrou o respeito que já havia à altura pelo Benfica. No regresso a Torino, o avião que transportava toda a equipa do Torino, jornalistas, staff directivo e técnico bem como a tripulação embateu na Basílica de Superga tendo falecido todos os 31 tripulantes do voo. A pergunta que vos faço é: nos últimos 30 anos ( o tempo que tenho de vida) quantas homenagens do Benfica ao Torino F.C. já viram ? Eu, que me recorde, nunca vi nenhuma. O que lamento profudamente...

E não me parece muito difícil homenagear o Gran Torino. Não era preciso fazer torneios anuais contra eles, mas ocasionalmente caía bem, não era preciso o Benfica ir a Turim jogar contra eles, mas ocasionalmente caía bem, não era preciso nada de especial, mas isso se calhar sou eu....

Custava muito uma nota de pesar a cada 4 de Maio no Site Oficial do Benfica ? Ou outra ideia que já me tem ocorrido várias vezes e aproveitando o tema em voga dos equipamentos... Na sua génese e na sua história o equipamento do Benfica é de camisola vermelha e calções brancos. E o seu equipamento alternativo é branco, e não os atentados que se têm visto e se vão continuar a ver. Então se querem brincar aos equipamentos, que tal respeitar a história do Benfica, mantendo as cores do principal e do alternativo e fazerem um 3º equipamento ? E nesse 3º equipamento poderiam ir fazendo as homenagens que merecem e deviam ser feitas, como por exemplo ter um equipamento grená a homenagear o Gran Torino. Não seriam os primeiros a fazê-lo, homenagem essa que já foi reconhecida pelo Torino FC, clube que nunca mais foi o que era antes de Superga. Um destino que conheceram por, pura e simplesmente, terem vindo a Lisboa homenagear o nosso Capitão. Como troco, levaram com décadas de desprezo e ignorância Benfiquista.

Para pensar! É que mais vale tarde do que nunca...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fernando Riera

Faleceu Fernando Riera, brilhante treinador chileno do Sport Lisboa e Benfica na década de 60. El Tata, como era carinhosamente conhecido no seu país natal, foi um bom jogador tendo participado no Mundial do Brasil em 1950 e foi o primeiro futebolista chileno a actuar na Europa, curiosamente no Stade Reims, que viria a ser o primeiro finalista vencido da Taça dos Campeões Europeus.

No entanto foi enquanto treinador que mais se notabilizou, estreando-se precisamente em Portugal, no Belenenses, em 1954/55, perdendo o título de campeão nacional (que seria o segundo do clube da Cruz de Cristo) a quatro minutos do fim do último jogo, quando o Sporting empatou na Salésias, oferecendo assim o título ao Benfica. De Belém para o Chile, onde liderou a selecção nacional chilena no Mundial 62, onde conseguiu o melhor desempenho de sempre destes sul-americanos, alcançando o terceiro lugar na prova.

Aí atraíu a atenção do Benfica, bicampeão europeu em título, onde esteve por duas ocasiões distintas: 62/63, ano em que foi campeão nacional e ainda atingiu a final da Taça dos Campeões Europeus, perdida para o AC Milan em Wembley, e 66/67, novamente campeão.

Fernando Riera treinou ainda Sporting, Porto, Deportivo Coruña, Espanyol, Olympique Marseille, Boca Juniors, Universidad Católica (Chile), Nacional (Uruguai) e Monterrey (México). Que descanse em paz.

sábado, 1 de maio de 2010

Nuno Gomes mostrou o escudo de campeão

O Benfica não ganhava no terreno do Porto desde 1991, quebrando nessa altura um jejum de 14 anos nas Antas. Foi o ano em que César Brito bisou e lançou o Benfica rumo ao título. Curiosamente 14 anos depois estávamos no início da época de 2005/2006, com Ronald Koeman ao leme, ele que tinha sucedido ao mítico Giovanni Trapattoni. A campanha do Benfica do holandês não tinha começado nada bem apesar da vitória na Supertaça frente ao Vitória de Setúbal: à terceira jornada, o Benfica encontrava-se abaixo da linha de água com apenas um ponto conseguido no empate em Coimbra, tendo averbado derrotas em casa com o Gil Vicente e em Alvalade. Pior que isso, em apenas três jogos, via Sporting e Porto já com oito pontos de vantagem. O cenário era negro, falava-se na demissão do holandês, ele que tinha pegado numa equipa campeã e que poucos jogadores importantes tinha perdido, tendo ainda ganho jogadores de classe inquestionável como Anderson, Léo, Karagounis e Miccoli.

No entanto as exibições começaram a melhorar e os fantasmas do despedimento foram afastados. Nuno Gomes surgiu em grande forma com um hat-trick frente à União de Leiria, seguido de um bis em Penafiel, num jogo em que Simão marcou um dos melhores golos da década benfiquista. Pelo meio houve um célebre encontro para a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões onde Fabrizio Miccoli marcou o golo da vitória aos 93 minutos coroando uma exibição fabulosa. O Benfica parecia renascer, mas estaria pronto para, 14 anos depois, ganhar no Dragão?

O treinador portista era o também holandês Co Adriaanse, homem conhecido por perder constantemente com Ronald Koeman. Lembro-me de ler isso em todos os jornais, o que até dava algum alento aos benfiquistas. O jogo foi muito equilibrado especialmente na primeira parte, com boas oportunidades para ambos os lados, nomeadamente um cabeceamento de Simão que na altura me fez levantar da cadeira do restaurante onde estava para gritar "GOLO!". No segundo tempo a história foi muito mais simples: jogo menos interessante com luta a meio campo, sendo que o Benfica rematou por duas vezes à baliza, ambas por Nuno Gomes, e dois golos. Os festejos foram sublimes, com o agora capitão benfiquista a apontar para o belo escudo de campeão na manga esquerda do equipamento e a mostra-lo aos adeptos azuis-e-brancos.



(o vídeo é da autoria do Bakerom do blog Memória Gloriosa)

Até final nota ainda para o que o camisola "21" conseguiu, um feito inédito nunca antes visto e que depois deste jogo também não voltou a ser observado: conseguiu sofrer uma falta feia seguida de agressão de Bruno Alves e viu o animal ser expulso. Repito, primeira e única vez que tal aconteceu. Inédito. Com essa vitória o Benfica ultrapassou inclusivamente o Sporting e colocou-se a apenas um ponto do Porto. A época europeia foi brilhante com a equipa a conseguir eliminar Manchester United, Liverpool e quase que fez o mesmo ao Barcelona, mas o clube protegido da UEFA lá teve de passar. Por cá, uma eliminação ridícula na Taça de Portugal e a fraca prestação nacional, ficando atrás dos outros rivais. Koeman conseguiu o que quis, ganhou mais fama e protagonismo como treinador, ele que teve um plantel mais que suficiente para "limpar" o campeonato, mas a sua vaidade não lhe permitiu alcançar tal feito. Auto-promoveu-se, mas esqueceu que o clube que representava era bem maior que ele.

Foi assim a última vitória do Benfica na cidade do Porto frente a este clube. Esperemos que este domingo haja novo herói para recordarmos por muitos e bons anos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Na tarde do terror, César Brito foi Rei

Aproxima-se a passos largos o jogo da época, o Porto x Benfica. Já ouvimos esta frase feita para encontros com esse mesmo clube por duas vezes esta época e também já a ouvimos quando defrontámos o Sporting de Braga, mas o jogo da época é, pelo menos para mim, aquele que nos pode dar o título, ainda por cima na casa do rival. Deixemo-nos de hipocrisias e admitamos a verdade: sabe muito melhor vencer o título precisamente frente ao clube que tentou destruir o nosso nos últimos 30 anos, ainda por cima no estádio deles, não sabe?

Por isso, vamos recordar uma tarde de terror que acabou em beleza para as nossas cores, uma tarde na qual o Benfica não ganhou imediatamente ali o campeonato, mas ficou muito mais próximo de consegui-lo.

Foi no dia 28 de Abril de 1991 que se decidiu toda uma época. O Porto havia sido campeão no ano anterior, usava o escudo, mas recebia a melhor equipa portuguesa a altura, finalista vencida da Taça dos Campeões Europeus do ano anterior, liderada por um sueco que havia chegado alguns anos antes e que revolucionou o clube. O Benfica levava um ponto de avanço quando se deslocou às Antas, nessa tarde, talvez recordando a derrota duas semanas antes, no mesmo local, frente à mesma equipa, mas para a Taça de Portugal. O que se disse e o que ocorreu nesse jogo são os melhores exemplos daquilo que foi o futebol português nas décadas de 80 e 90: disse-se que o árbitro Carlos Valente, de Setúbal, tinha viajado com o Benfica, acusações falsas como se provou posteriormente; o autocarro do Benfica foi apedrejado; o balneário onde o Benfica se deveria equipar foi infestado por um produto com um cheiro de tal modo nauseabundo e tóxico para humanos que os nossos jogadores tiveram de se vestir, imaginem, no corredor de acesso ao campo, vulgo "túnel das Antas", local de coacção, espancamentos, um local à margem da lei, onde pontificava uma célebre figura que ficou conhecida, diria mesmo que atingiu o mediatismo, por Guarda Abel.

As equipas entraram em campo à maneira antiga: primeiro o Benfica, chefiado por Veloso, ouviu uma monumental assobiadela da assistência, com o habitual coro de insultos; depois o Porto, com mítico capitão João Pinto, autor de tão célebres frases como "o meu coração só tem uma cor: azul e branco!", a comandar o seu grupo, que foi fortemente saudado pelos adeptos. De um lado Artur Jorge, treinador do Porto, ele que fora avançado do Benfica e que poucos anos mais tarde voltaria à Luz, na condição de treinador, para destruir a mando de alguém uma fabulosa equipa; do outro lado o senhor Sven-Goran Eriksson, autêntico gentleman, o segundo homem a revolucionar o futebol do Benfica depois de Otto Glória, e que ainda conseguiu ganhar vários títulos num futebol onde a teia corrupta estava já bem instalada.

O Benfica apresentou um onze com Neno na baliza, um trio de centrais com William, Ricardo e com um jovem muito promissor à altura, de seu nome Paulo Madeira. Um meio-campo bem povoado com Thern e Paulo Sousa mais no centro, Veloso à esquerda e Paneira à direita, fechando sempre que preciso, e Valdo, próximo do ponta-de-lança Rui Águas, ajudado por Pacheco. No banco estava... César Brito.

O jogo não foi bonito, longe disso, houve as habituais picardias que foram, infelizmente, muito mais que simples picardias. Agressões bárbaras e um penalty escandaloso e obsceno sobre Pacheco, salvo erro, que o árbitro fez questão de ignorar. O Benfica jogou o que pôde e o que deixaram e com o decorrer da partida o resultado manteve-se, o que agradava de sobremaneira ao Benfica. Eriksson foi dando indicações para recuar no terreno e jogar no contra-golpe, algo que o Benfica soube fazer, desperdiçando inclusivamente boas ocasiões, algumas de vantagem numérica no meio-campo portista até. E eis que aos 81 minutos se dá a substituição que sentencia um campeonato: Svennis decide retirar Pacheco para colocar César Brito.

Nos dez minutos que se seguiram, o Benfica, especialmente graças a César Brito, fez a história do jogo. Cruzamento de Paneira, da direita, para cabeceamento de cima para baixo de César Brito, que fazia o 0-1. Poucos minutos depois outra vez César Brito, a passe de Valdo, na esquerda, marca golo à saída de Vítor Baía. 0-2 feito, o Benfica conseguia uma brilhante vitória nas Antas, a primeira em 14 anos a contar para o Campeonato.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Noites Épicas para Inspiração

Foi nos míticos estádios de Arsenal e de Bayer 04 Leverkusen, Highbury Park e Ulrich-Haberland Stadion respectivamente, que o Benfica escreveu duas das mais belas páginas da sua história europeia, muito provavelmente foram as duas exibições mais conseguidas a nível europeu na década de 90.

Em Highbury Park, um jovem Benfica tentava bater o pé ao campeão inglês, o Arsenal, invicto em casa na Liga Inglesa do ano anterior. Após empate na Luz a uma bola, o Benfica via-se obrigado a ganhar em Londres, ou pelo menos empatar a dois ou mais golos. Lançando no onze titular os recém campeões do Mundo sub-20, Rui Bento e Rui Costa, este em estreia absoluta em jogos europeus pelo Benfica, e ainda com o jovem Paulo Madeira que fez dupla no centro da defesa com Rui Bento, como poderia este Benfica levar de vencida o Arsenal? Numa equipa inglesa onde pontificavam nomes como David Seaman, Tony Adams, Lee Dixon, Nigel Winterburn, Paul Davis, David Rocastle, Paul Merson, Kevin Campbell, Alan Smith e o maior deles todos, o grande Ian Wright, o Benfica, liderado por Sven-Goran Eriksson, apresentando-se claramente como underdog neste jogo, realizou uma exibição categórica, cheia de classe, com capacidade de sofrimento à primeira meia-hora fortíssima do Arsenal, respondendo depois com golos de Isaías, Kulkov e novamente Isaías, vencendo por 1-3 após prolongamento.

Duas épocas mais tarde, na pequena cidade de Leverkusen, o Benfica, vencedor da Taça de Portugal na época anterior, defrontava o poderoso Bayer Leverkusen, autor do mesmo feito mas na Alemanha, claro. Com Heinen, Paulo Sérgio, Lupescu, Worns, Hapal, Thom, e liderados, essencialmente, por Ulf Kirsten e Bernd Schuster, os alemães eram favoritos à passagem na eliminatória, frente a um Benfica que já se encontrava numa crise financeira considerável. Após o empate a um na primeira mão, na Luz, o Ulrich-Haberland assistiu a uma montanha-russa de emoções, golos, golos e mais golos, num jogo que terminou num louco 4-4 que deu a passagem ao Benfica: há imagens que ficam para a vida, como aquele golo de Abel Xavier após toque de calcanhar de Rui Costa, e a belíssima jogada que dá o quarto golo do Benfica, por Kulkov, a passe de João Vieira Pinto.

Por tudo isto, como é possível pensar que a eliminatória em Marselha está perdida? Por duas, vezes, após 1-1 na primeira-mão na Luz, o Benfica arrancou para duas das melhores exibições da sua história. O meu desejo é que daqui por uns quantos anos, após novo empate a uma bola na Luz, o encontro entre Marselha e Benfica, de 18 de Março de 2010, possa também ser recordado.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Uma oportunidade perdida para a reconciliação

Foi em Janeiro de 1997 que, de blazer encarnado, sentado na sala de imprensa do antigo Estádio da Luz ao lado do presidente Manuel Damásio, João Vieira Pinto anunciou que assinara um contrato definitivo e vitalício com o Sport Lisboa e Benfica. Mal sabia ele que, três anos depois, seria escorraçado do clube que defendeu com garras e dentes durante 8 épocas. Sim, despedido, dispensado. Ganhava muito? Ganhava, mas a culpa não era dele, era de quem lhe tinha oferecido o contrato.

Saiu e, ao que se sabe, recebeu duas propostas: do Porto, numa altura em que a rivalidade contra o Benfica atingira o auge, e do Sporting, campeão nacional à altura, clube com o qual a rivalidade era mais ou menos aquilo que é hoje. Sem o desejo de voltar ao estrangeiro, onde tinha sido pouco feliz no Atlético de Madrid, chegou a rejeitar ofertas do Deportivo Coruña e do Barcelona quando jogava pelo SLB e acabou por rumar ao outro lado da 2ª circular. Fez as suas opções, era um jogador livre e não o podemos censurar por isso. Não cuspiu no símbolo como Paulo Sousa e Pacheco.

O que não compreendo é a atitude de alguns benfiquistas que ainda hoje não lhe perdoam tal "traição" (termo utilizado por eles). Todos os benfiquistas deveriam estar gratos ao Menino de Ouro, que durante anos carregou o peso da responsabilidade de levar o Benfica, um miserável Benfica treinado por incompetentes e dirigido por um bando de ladrões que praticamente assassinaram o clube, aos mais altos lugares da Liga Portuguesa. É verdade, são factos. Como é facto que no ano a seguir à sua saída o Benfica terminou num vergonhoso sexto lugar, o pior de sempre na História centenária do clube.

João Pinto, para mim o "8" que marcou a década de 90, foi o melhor nessa geração a actuar pelo SLB, como Chalana foi nos anos 80, Nené nos 70, Eusébio nos 60. É um imortal do Sport Lisboa e Benfica. Era ele o capitão de equipa, um jogador fabuloso, com muitas épocas de excelência pelo clube, como as de 92/93, 93/94, 95/96, 96/97 algumas boas, como 94/95, 97/98 e 98/99, e uma má, precisamente a última. Não é benfiquista desde pequenino, mas o seu benfiquismo foi visível durante todos estes anos, tão grande como o dos maiores adeptos.

João Vieira Pinto marcou toda uma geração de benfiquistas. Juntamente com Preud'homme, foi durante muitos anos vítima de um conjunto de colegas de uma incompetência enorme, cuja qualidade não serviria hoje nem para reserva dos actuais reservas. Sempre, mas sempre ajudou, foi alvo de tratamento injusto, de entradas bárbaras e de uma dispensa que soa a ingratidão.

No jogo contra a pobreza, desta segunda-feira, perdeu-se uma boa oportunidade para a reconciliação com este enorme jogador, cuja carreira não lhe deu aquilo que merecia. Deu muito mais ao Benfica do que aquilo que o Benfica e os benfiquistas lhe deram. Espero que num futuro próximo haja lugar à reconciliação, pois a História do Benfica está escrita e por muito que queriam rasura-la João Vieira Pinto faz parte dela, sendo figura importante.

Adenda [23h59min, 28-01-10]: João Vieira Pinto afirmou em directo no Pontapé de Saída, programa de futebol da RTP N, que foi convidado pelo SLB mas que por motivos pessoais não pôde estar presente.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

10 anos depois...

Faz hoje 10 anos que aconteceu aquilo que nós sabemos. Há dez anos, o Benfica batia no fundo. A derrota por 7-0 era o demonstrar de todas as fragilidades em que o clube assentava. Contratos publicitários fantasma, jogadores apresentados que nem sabiam para onde vinham, um presidente que envergonha uma história centenária e um grupo de trabalho medíocre, salvo raras e honrosas excepções. Hoje, o Benfica tem equipa, treinador, presidente (quando calado na altura devida), infra-estruturas, menos dívidas, mais futuro. Dez anos depois...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tamagnini Nené


Não sei se existe algum clube no mundo que tenha adeptos com um feitio tão especial como os benfiquistas. Hoje faz anos um dos maiores símbolos vivos do nosso Benfica, Tamagnini Nené, o homem que nunca sujava os calções, sendo assobiado anos e anos por muitos adeptos, apesar de ser o jogador com mais jogos pelo nosso clube e o terceiro com mais golos oficiais. Nunca foi consensual entre os benfiquistas apesar da humildade e de tudo o que deu ao clube dentro de campo. Muitas vezes injustiçado, como outros que ainda hoje vestem a camisola, a sua determinação, profissionalismo e golos, muitos golos, levaram-no a ser um histórico do clube. A ele, os nossos parabéns.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sobre o actual momento do Benfica

Estamos finais de Outubro e o campeonato ainda não está perdido. É obra. Com Koeman, em 2005/2006, já estávamos a uma bela distância do líder, o mesmo com Fernando Santos em 2006/2007 e com Camacho em 2007/2008. Pela primeira vez em 5 anos o Benfica, a jogar bom futebol, não está longe do topo da tabela. Na Europa, ao contrário do que aconteceu com Quique, não estamos eliminados, longe disso até. Líderes do grupo. Parece ir tudo de vento em popa.

Tudo parece ir bem no reino da águia. E efectivamente é isso mesmo que se passa. Se tudo correr como esperamos, na próxima segunda-feira à noite, a Liga Sagres terá novo líder. Por isso, não é de espantar que se diga de tudo um pouco sobre este Benfica: "só ganham e goleiam a equipas pequenas", "os golos são todos de penalty", "fora de casa são facilmente abatíveis", "os adeptos levam-vos ao colo", "os árbitros levam-vos ao colo", "os golos são todos em fora-de-jogo", "estão todos dopados", "é temporário, quando perderem um jogo perdem logo dois ou três de seguida", "Jesus é um bluff", "ganham todos para cima de um balúrdio", "Saviola está velho", "Aimar vai lesionar-se", "Jesus é o rei das pubalgias", "em Dezembro estão de rastos", enfim, é um chorrilho de asneiras nunca vistas. Nunca vistas porque nunca sentiram tanto medo de um Benfica tão forte neste século. É um facto.

Aos que dizem "cuidado com as euforias", só tenho de responder com o seguinte: em parte, é esta onda positiva de euforia que tem levado o Benfica "ao colo" rumo às vitórias e às goleadas. São os fantásticos adeptos que, na Luz ou fora, acompanham a equipa e dão força para vencer. Mais euforia torna-nos mais fortes e intimida os adversários, não só os que jogam connosco cada fim-de-semana mas também os dois rivais directos. A onda vermelha de Trapattoni levou o Benfica ao título. Não acredito que o Benfica conseguisse esse campeonato sem o apoio dos seus adeptos que encheram a Luz e os outros campos por esse país fora. Por isso, meus caros, é imperativo apoiar em massa o Benfica, em casa ou fora, sábado, domingo ou mesmo segunda-feira, a que horas for o jogo.

No ano passado, se tivéssemos ganho ao Nacional de Madeira (que será o nosso adversário nesta jornada), ficaríamos com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Não nos deixaram. A época de Quique Flores teria sido, certamente, muito diferente. Segunda-feira, na Luz, o vosso apoio é fundamental para que a História não se volte a repetir. E para que o Benfica se reencontre com a sua História.