Não sou o Alberto Miguéns mas...
Supertaça antes de 1979?!?
Não terá sido uma Taça dos Campeões Europeus?
Quem escreveu isto devia ir ao hospital.
Deve ter um Traumatismo Crânio-Encefálico...

Faleceu Fernando Riera, brilhante treinador chileno do Sport Lisboa e Benfica na década de 60. El Tata, como era carinhosamente conhecido no seu país natal, foi um bom jogador tendo participado no Mundial do Brasil em 1950 e foi o primeiro futebolista chileno a actuar na Europa, curiosamente no Stade Reims, que viria a ser o primeiro finalista vencido da Taça dos Campeões Europeus.
O Benfica não ganhava no terreno do Porto desde 1991, quebrando nessa altura um jejum de 14 anos nas Antas. Foi o ano em que César Brito bisou e lançou o Benfica rumo ao título. Curiosamente 14 anos depois estávamos no início da época de 2005/2006, com Ronald Koeman ao leme, ele que tinha sucedido ao mítico Giovanni Trapattoni. A campanha do Benfica do holandês não tinha começado nada bem apesar da vitória na Supertaça frente ao Vitória de Setúbal: à terceira jornada, o Benfica encontrava-se abaixo da linha de água com apenas um ponto conseguido no empate em Coimbra, tendo averbado derrotas em casa com o Gil Vicente e em Alvalade. Pior que isso, em apenas três jogos, via Sporting e Porto já com oito pontos de vantagem. O cenário era negro, falava-se na demissão do holandês, ele que tinha pegado numa equipa campeã e que poucos jogadores importantes tinha perdido, tendo ainda ganho jogadores de classe inquestionável como Anderson, Léo, Karagounis e Miccoli.
Foi no dia 28 de Abril de 1991 que se decidiu toda uma época. O Porto havia sido campeão no ano anterior, usava o escudo, mas recebia a melhor equipa portuguesa a altura, finalista vencida da Taça dos Campeões Europeus do ano anterior, liderada por um sueco que havia chegado alguns anos antes e que revolucionou o clube. O Benfica levava um ponto de avanço quando se deslocou às Antas, nessa tarde, talvez recordando a derrota duas semanas antes, no mesmo local, frente à mesma equipa, mas para a Taça de Portugal. O que se disse e o que ocorreu nesse jogo são os melhores exemplos daquilo que foi o futebol português nas décadas de 80 e 90: disse-se que o árbitro Carlos Valente, de Setúbal, tinha viajado com o Benfica, acusações falsas como se provou posteriormente; o autocarro do Benfica foi apedrejado; o balneário onde o Benfica se deveria equipar foi infestado por um produto com um cheiro de tal modo nauseabundo e tóxico para humanos que os nossos jogadores tiveram de se vestir, imaginem, no corredor de acesso ao campo, vulgo "túnel das Antas", local de coacção, espancamentos, um local à margem da lei, onde pontificava uma célebre figura que ficou conhecida, diria mesmo que atingiu o mediatismo, por Guarda Abel.
O Benfica apresentou um onze com Neno na baliza, um trio de centrais com William, Ricardo e com um jovem muito promissor à altura, de seu nome Paulo Madeira. Um meio-campo bem povoado com Thern e Paulo Sousa mais no centro, Veloso à esquerda e Paneira à direita, fechando sempre que preciso, e Valdo, próximo do ponta-de-lança Rui Águas, ajudado por Pacheco. No banco estava... César Brito.
Duas épocas mais tarde, na pequena cidade de Leverkusen, o Benfica, vencedor da Taça de Portugal na época anterior, defrontava o poderoso Bayer Leverkusen, autor do mesmo feito mas na Alemanha, claro. Com Heinen, Paulo Sérgio, Lupescu, Worns, Hapal, Thom, e liderados, essencialmente, por Ulf Kirsten e Bernd Schuster, os alemães eram favoritos à passagem na eliminatória, frente a um Benfica que já se encontrava numa crise financeira considerável. Após o empate a um na primeira mão, na Luz, o Ulrich-Haberland assistiu a uma montanha-russa de emoções, golos, golos e mais golos, num jogo que terminou num louco 4-4 que deu a passagem ao Benfica: há imagens que ficam para a vida, como aquele golo de Abel Xavier após toque de calcanhar de Rui Costa, e a belíssima jogada que dá o quarto golo do Benfica, por Kulkov, a passe de João Vieira Pinto.
O que não compreendo é a atitude de alguns benfiquistas que ainda hoje não lhe perdoam tal "traição" (termo utilizado por eles). Todos os benfiquistas deveriam estar gratos ao Menino de Ouro, que durante anos carregou o peso da responsabilidade de levar o Benfica, um miserável Benfica treinado por incompetentes e dirigido por um bando de ladrões que praticamente assassinaram o clube, aos mais altos lugares da Liga Portuguesa. É verdade, são factos. Como é facto que no ano a seguir à sua saída o Benfica terminou num vergonhoso sexto lugar, o pior de sempre na História centenária do clube.
João Vieira Pinto marcou toda uma geração de benfiquistas. Juntamente com Preud'homme, foi durante muitos anos vítima de um conjunto de colegas de uma incompetência enorme, cuja qualidade não serviria hoje nem para reserva dos actuais reservas. Sempre, mas sempre ajudou, foi alvo de tratamento injusto, de entradas bárbaras e de uma dispensa que soa a ingratidão.
Faz hoje 10 anos que aconteceu aquilo que nós sabemos. Há dez anos, o Benfica batia no fundo. A derrota por 7-0 era o demonstrar de todas as fragilidades em que o clube assentava. Contratos publicitários fantasma, jogadores apresentados que nem sabiam para onde vinham, um presidente que envergonha uma história centenária e um grupo de trabalho medíocre, salvo raras e honrosas excepções. Hoje, o Benfica tem equipa, treinador, presidente (quando calado na altura devida), infra-estruturas, menos dívidas, mais futuro. Dez anos depois...