segunda-feira, 23 de maio de 2011

Poque não investir mais no mercado escandinavo?

O Benfica de uns anos para cá a esta parte, nomeadamente nas últimas duas décadas, tem optado por privilegiar o mercado sul americano, tendo em vista reforçar o plantel. Não nego que existem muitos jogadores interessantes na América do Sul, a um preço na maior parte das vezes mais em conta do que na Europa , nem nunca devemos descurar as observações e o ataque aos bons jogadores que possam despontar nessa zona do globo.

Mas um clube como o Benfica, tem que estar devidamente atento a todos os mercados, e a todas as oportunidades que possam surgir. Não percebo o afastamento do clube no que toca à prospecção nos países escandinavos que sempre nos deram bons futebolistas e exemplos de que se existir critério, podemos encontrar excelentes jogadores nessas paragens. Curiosamente decidimos e bem recentemente, partir para a contratação do lateral direito dinamarquês Daniel Wass, espero que seja um sinal de que voltamos a olhar para países como a Dinamarca ou a Suécia com maior rigor, até porque ao contrário do que se passa em Itália, Inglaterra, Espanha ou Alemanha, o Benfica pode competir economicamente com qualquer clube grande dessas nações.

Os altos, loiros e toscos, principalmente a partir da altura em que Sven-Göran Eriksson ingressou na luz, começaram a ser vistos de uma outra forma, e o clube soube lucrar com o conhecimento do sueco, e a sua persistência em buscar jogadores que podiam conferir à equipa outras coisas que ela não tinha. Desde Glenn Strömberg, passando por Mats Magnusson, não esquecendo Jonas Thern e posteriormente Stefan Schwarz, todos eles marcaram uma era na Luz, e deram muito ao Benfica, não só a nível nacional, como a nível internacional. Porque então, assistiu-se a este eclipse, em termos de apostar em mais valias oriundas da Escandinávia? Confesso que nunca cheguei a perceber.

Certo é que num mercado cada vez mais competitivo, temos de saber nos antecipar, e procurar nos sítios certos, temos que saber variar a nossa prospecção e não exagerarmos na quantidade de sul americanos no plantel. Eu sou daqueles que olha primeiro para a qualidade, e só depois para a nacionalidade, mas também penso que o clube está a exagerar na forma em como quase exclusivamente aposta no Brasil, Argentina ou Uruguai. É só olhar para a história do Benfica desde que os jogadores estrangeiros foram autorizados a competir pelo clube, para percebermos que nem só de samba, tango e afins, se faz uma boa equipa.

18 comentários:

Alexandre disse...

Tinha que haver um dia que não ia concordar! Ou melhor, concordo. Acho que devemos estar mais presentes em mais mercados. Não percebo é essa mania com o mercado escandinavo. É que não apostamos mais porque basicamente não saem assim tantos grandes jogadores como na Argentina ou no Brasil. É triste, até porque os jogadores adaptam-se bem, mas é um facto. Basta olharmos para a selecção dinamarquesa que vive ainda de jogadores que foram craques há meia dúzia de anos.

E a verdade é que vamos lá de vez em quando. E desde o Thern e Schwartz sem grande sucesso. Foi o Pringle, foi o Andersson e mais recentemente o Karadas. Dois péssimos e um medianíssimo. Os jogadores realmente bons são disputados pelos mercados inglês, alemão, holandês e mesmo o francês. Acho que devemos estar atentos e o Daniel Wass é um bom sinal, mas não vejo no mercado escandinavo nenhuma solução mágica.

Vejo com mais entusiasmo a exploração do mercado mexicano, por exemplo. E não esqueceria o mercado asiático (japão e coreia) e de leste (russo e ucraniano). Mas, lá está, a ideia é alargar a prospecção.

Saudações,
Alexandre

JOÃO VAZ disse...

Nada disso, acho que é preciso, assim de tudo, que cada vez mais se aposte no mercado Português, para mim é um dos melhores mercados do Mundo.

RUI RODRIGUES disse...

plenamente de acordo, é um mercado que tem sido completamente esquecido... refira-se por exemplo que a suecia tem presença assidua, nas competiçoes internacionais de selecçoes e até mesmo a dinamarca, e alem de serem jogadores tacticamente (e tambem tecnicamente) evoluidos, normalmente sao fisicamente fortes...algo que me parece faltar no nosso benfica...fisico!!!
penso que as republicas da ex-jugoslavia seriam um mercado interessante.

ps-ontem ouvi P.Futre dizer -entre elogios a sporting, porto e benfica- que no benfica encontrou a melhor equipa da carreira dele...de facto fui ver o plantel dessa epoca 92/93...essa sim a ultima grande equipa do benfica com mais de 20 jogadores portugueses no plantel...que saudades!

Constantino disse...

Caro Far(away),

Há uma explicação medica para o SLB ter deixado de explorar o mercado escandinavo. Chama-se "Trauma de Pringle". Previno-te, contudo, que ha outras correntes de pesquisa médica que atribuem a esta doença o nome de "Complexo de Farnerud". Num caso e noutro, são coisas que doem.

Abraço.

Far(away) disse...

Alexandre eu não falo do mercado escandinavo como uma solução mágica. Penso é que devia ser um mercado que pode ser levado mais em conta, em vez de termos as oportunidades de negocio como o Felipe Menezes.

O mercado mexicano também acho interessante, mas entendi falar de um mercado com tradição histórica no clube.

João Vaz, sobre o apostar em jogadores nacionais, falo numa próxima oportunidade, mas posso dizer-te que não vejo assim tantos jogadores portugueses, com capacidade para fazerem a diferença no Benfica.

JOÃO VAZ disse...

Também concordo. Mas potencialmente somos dos melhores. Quero com isto dizer que neste momento o Benfica apresenta um potencial nas camadas jovens a que não me lembro assistir. Veja-se o número de jogadores nas selecções jovens.
É preciso criar uma equipa B para rodar alguns e depois dar-lhes um ano de rotação numa equipa da primeira divisão até se fixarem.
Explicando o que disse sobre o mercado português. O Sporting quando disse que ia apostar forte nos jovens, fê-lo, criou perto de uma dezena jogadores de topo (CR, Nani, Varela, Moutinho, Veloso, Carriço, Hugo Viana, Martins...) só não os soube aproveitar, porque lhes faltou a mística que o nosso clube tem. Os jogadores não se sentiam apaixonados pelo clube e pela camisola que vestiam. Percebes-me? Se se reunirem todos os factores favoráveis à exponenciação do potencial que PT tem no futebol acho que o Benfica tem tudo para não ter que andar a espalhar olheiros pelo Mundo. E sem sermos obrigados a comprar (porque formamos) não seremos obrigados a vender.

Águia Preocupada disse...

Of topic!

Vejam a BenficaTV! Jorge Máximo está a partgir a loiça toda!
Cala aqueles doutorecos todos!
Já se engalfinharam...
Ah! Ganda Jorge! Tem os meu aplauso!
Uf!
Bravo Máximo!

Mentiroso disse...

Quando olhamos para o binómio qualidade/preço, o mercado da América do Sul continua a ser o mais atractivo. O que não invalida que se faça umas incursões pontuais noutras paragens.

Anónimo disse...

Vamos lá mas é falar de quem deve sair e já:
Luis Filipe;César Peixoto;Roberto;Julio Cesar;Filipe Menezes; Cardozo venham os 18 milhões!

Agr fomos contratar o Artur... vamos ver senão sai outro Moreto! A camisola do SLB não é a do Braga e não nos podemos esquecer que ele era o 3º guarda-redes do Braga, teve a sorte da lesão do grande Quim e da venda do Felipe para o Flamengo!
O primeiro e melhor guarda-redes para SLB já nós temos: JOSÉ MOREIRA!

A regressar(ontem): MIGUEL VITOR;URRETA; DAVID SIMÃO;SHAFFER.

bitaites disse...

É a primeira vez que comento neste blog e desde já saúdo o magnígfico trabalho! Sou um benfiquista do Porto, e má sorte a minha que tenho de levar com estes petas o dia todo...

Acho que sei a resposta: porque no mercado escandinavo é mais difícil lavar dinheiro. Parece-me claro:)

Far(away) disse...

Constantino, por isso é que referi, que é preciso existir critério. Antigamente existia esse critério, havia mais competência. Agora por vezes, parece que estamos entregue à bicharada... literalmente.

João, o tema da formação do Benfica dava pano para mangas. O facto de não darem comissões os jogadores da formação pode explicar algo, ou alguém acredita que o Miguel Rosa é inferior a F. Menezes?

bitaites, bem-vindo aos comentários, e desde já digo-te que podes ter uma certa razão... não de admirava. Ainda no último verão fomos buscar o terceiro GR`s do Atlético de Madrid por 8,5 M. Ora as pessoas admiram-se com tais coisas...

JOÃO VAZ disse...

Não irei tão longe, Ruben Pinto é pior que Felipe Menezes?

Quanto ao critério que falas, quero acreditar que estou errado, mas começamos mal logo com Matic, para mim não será mais que um César Peixoto.

8,5M e foi pouco, considerando a divida que o Atl.Madrid tem conosco, pq no negócio do Simão teríamos facilidade negocial em 2 jogadores, portanto imaginem o que seria sem essa "facilidade".

DMC disse...

Eu acho que é uma questão muito bem levantada e muito bem resolvida em luvas..
A questão é que tem de estar atento a todos os mercados, incluindo o português e a formação. No entanto para mim o mais importante é limitar. Criando um máximo de contratações a nós mesmos, sabendo que não podemos contratar 10 vamos buscar 5 bons. Eu como idealista que sou, gostaria de nos ver com uma politica de 5 contratações/época com a compra de um jogador de inegável valor/titular, dois jogadores "12" que não tenham que ser os melhores mas com capacidade de amadurecer, um jogador de fora como aposta e um da casa. Isto a adicionar aos 18 jogadores que teriam de ser sempre mantidos da época transacta. Não permitiria a venda de mais de um titular por temporada, e no máximo 2 ou 3 suplentes que sejam bons negócios. Comprando com critério as vendas também são com critério.

E todos aqueles que dizem que temos de vender o Coentrão apetece mandar ir dar uma volta. Temos perto de uma dezena de jogadores para vender. Temos o Yebda que foi oferecido por 2M€ (no porto daria no minimo 5) temos brasileiros, argentinos para despachar, salários para poupar que chegam e sobram para manter o Coentrão. Sei que me estou a alongar no off-toppic mas vamos deixar de ter como aceite que é inevitável a sua venda. Para mim não é, a não ser que a cláusula seja paga a pronto.

Voltando ao tópico (e desculpem-me a má-disposição) acho que o mercado norte-europeu bem como o asiático é onde se pode encontrar muito bons jogadores, daqueles que não sendo extraordinários são muito bons para fazer a diferença na regularidade. Regularidade essa que nos custou, para não variar, o campeonato.

cumps
DMC

abidos disse...

Os Suecos (e o Maniche) vieram para o Benfica nos 80 por causa de uma única pessoa:
Born Lantz, empresário.
Tive o prazer de o conhecer, quando se reformou escolheu a minha terra, viveu por cá os úlitmos anos, infelizmente já faleceu.
O facto de todos os Escandinavos (80's) terem sido de alta qualidade deve-se muito a este senhor...
Até ficava bem ao Benfica homenagear o Born...

Anónimo disse...

Acho, simplesmente, que o Benfica tem de estar atento a todos os mercados. Realmente, há muito tempo que não vai ao mercado escandinavo adquirir jogadores como os que foram referidos. Também o mercado africano tem sido descurado. É preciso recordar que, porventura, a melhor equipa do Benfica de todos os tempos tinha dois jogadores africanos fabulosos de seus nomes Eusébio e Coluna! O que é fundamental é adquirir bons jogadores ainda numa fase inicial das suas carreiras. Além do mais, o Benfica precisa de jogadores com várias características e com diferentes tipos de perfil. Por outro lado, acho incrível que todos os anos saem jogadores dos escalões jovens do Benfica e nenhum deles singra na equipa principal. Alguns deles vão para outras equipas e reforçam as equipas que são nossas adversárias. O que é necessário é que haja uma gestão atenta e rigorosa. Não podemos deixar ir jogadores que nos interessam para os nossos principais rivais. Falcão é o caso mais paradigmático do que estou a dizer.
MM

John Wakefield disse...

1- Far(away), desta vez não estou em total sintonia contigo mas acho a questão interessante.
O Benfica teve grandes jogadores escandinavos numa altura em que o futebol sueco metia respeito na década de 80. O Gotemburgo vencera 2 taças UEFAS (1982 e 1987) e era uma das melhores equipas da Europa.
Uns anos antes, em 1979, o Malmo (outra equipa sueca) perdia a final da Taça dos Campeoes Europeus para o Nothingam.
Os anos de ouro do futebol sueco e, creio que posso também dizer, nórdico correspondeu aos finais da década de 70 e à década de 80.

2- Nessa altura, compensava então apostar nesse mercado. O Benfica não desperdiçou essa oportunidade e adquiriu o melhor treinador nórdico e algumas das pérolas do futebol escandinavo. E todos eles estavam associados a clubes que na altura em questão metiam respeito na Europa. Ora vejamos:

-Eriksson vencera a taça uefa em 1982 pelo Gotemburgo e conhecia como ninguém as potencialidades do mercado do Norte da Europa. Stromberg, que também ganhou esse trofeu, veio com Eriksson para o SLB.

-Mats Magnusson pertence á geração posterior da equipa do Malmo que jogou a final da principal prova europeia. O mesmo se pode dizer de Jonas Thern e Stefan Schwarz que também na década de 80 alinhavam pelo mesmo clube.

-O intruso parece ser Michael Manniche, cuja contratação surpreendeu muita gente pois era menos conhecido, jogando no modesto Hvidovre da Dinamarca. Revelou-se um matador de primeira e ajudou na conquista de diversos títulos.

3- E hoje como está o futebol nórdico? Copenhaga... é o único clube que impõe algum respeito mas nada que se assemelhe ao prestígio que fora alcançado por aquelas 2 equipas suecas que agora estão na sombra do futebol europeu.
Apostamos recentemente nesse mercado. Foram os casos de Andersson, Karadas e Pringle que fracassaram por completo. Oxalá que Wass seja uma excepção à regra.
Neste momento, confesso também que existe um jogador do mercado dinamarques que seria útil ao Benfica - Oscar Wendt - lateral esquerdo do Copenhaga... mas de resto, não estou a ver mais alguém oriundo desse mercado.

Anónimo disse...

Tens razão. Na Escandinávia temos belíssimos jogadores. Que me lembre, só contratámos dois jogadores que não eram grande coisa, Andersson e Pringle. De resto só vi grandes jogadores na Luz, Magnunsson, Thern, Schwartz, Stromberg, Manniche e não sei se me falha algum.

Miguel

Anónimo disse...

Esqueci-me de outro que não era grande coisa, o Karadas. Na próxima época vamos ter um nórdico pelo menos, o Wass, parece bom jogador, mas pouco o vi jogar.

Miguel