quarta-feira, 6 de julho de 2011

O jogador português é desvalorizado?

Tem sido discutido o pouco número de jogadores portugueses nos planteis principais do Benfica nos últimos anos. Com a globalização do futebol, o fluxo de jogadores estrangeiros por toda a Europa tem aumentado consideravelmente e até campeonatos que antes não admitiam a entrada de futebolistas fora do seu país, no caso a Premier League, hoje em dia vê-se contagiada pela entrada de inúmeros atletas estrangeiros para competir na sua liga. Este fenónemo tem vantagens e desvantagens. Por um lado o abrir as fronteiras do nosso futebol, permite um aumentar da competitividade, falando especificiamente no nosso campeonato, mas por outro em muitos casos, o produto nacional é relegado para segundo plano em favor de jogadores com qualidade idêntica ou inferior, fruto das jogadas de empresários que o que querem é ver dinheiro a circular. É o chamado futebol dos euros e dólares.

Quando olho para um jogador para o Benfica, avalio sobretudo a sua qualidade, esse é o principal factor que tenho em conta. Obviamente que gostaria de ter mais portugueses dentro da equipa, mas a verdade é que salvo raras excepções, existem poucos jogadores a nível interno, que possam fazer a diferença no clube. Diz-se que existe uma discriminação actualmente do jogador português. Em certa medida concordo que esse preconceito exista, mas não podemos avaliar uma parte pelo todo, sob risco de generalizarmos de forma errada. Se existir critério nas observações, poderão ser encontrados futebolistas portugueses com muita qualidade, mas penso que é algo que acontecerá circunstancialmente nesta altura. Se olharem para o nosso campeonato, quantos futebolistas vocês encontram, que podiam ser uma mais valia para o Benfica? Quando digo mais valia, estou a querer dizer que possa ser opção regular dentro do plantel, não apenas alguém para fazer número.

Uma maneira de contornar este problema passa por uma aposta séria na formação. Alguns clubes assim o têm feito e o Benfica depois de ter o seu centro de estágio tem todas as condições para produzir mais talentos para a primeira equipa. Contudo, não é fácil, face ao passado recente do clube, um jogador com valor da formação se impor. Nem tem que essa aposta acontecer à força vamos assim dizer. O clube tem que saber dar a esses talentos as condições para que possam demonstrar todo o seu valor, tem que ser elaborado um plano específico para cada um, no que toca a sua integração no plantel. Se é certo que o ser da formação não é condição necessária para poder ser uma aposta, também é certo que se existir qualidade em jogador x ou y que saia da cantera, o único erro será o não acreditar nessa qualidade, será o não trabalhar e potenciar as características do atleta. Aqui admito que existe um paradigma que está a ser quebrado lentamente, por vezes não se aposta no que de bom temos em detrimento de jogadores de qualidade duvidosa.

Mas o problema não está apenas no Benfica e restantes clubes portugueses. A Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de Clubes têm grande parte de culpa no cartório na pouca aposta da formação e neste exagero de jogadores estrangeiros na nossa liga. Sou a favor de restringir ainda mais o número de jogadores estrangeiros -  nesta altura são permitidos em cada equipa 19 jogadores não formados locamente e é obrigatório existir 4 jogadores formados no clube e outros quatro a nível nacional (portugueses). Uma refornulação destes números é algo que devia ser seriamente considerado. Não tenho atenção, nada contra a aposta em atletas não portugueses como já referi, mas acho fundamental rentabilizar o nosso produto desde as categorias de base, dar aos clubes maiores condições para que essa aposta possa ser feita e essas condições não precisam de ser monetárias, basta que exista a tal reformulação que acabei de referir. Um tema a que voltarei num futuro próximo.

17 comentários:

Tiago disse...

Rui Costa, Petit, Nuno Gomes, Simão, Miguel, Tiago, Coentrão e tantos outros que quando mostram valor raramente ficam muito tempo no plantel. Ainda por cima, por serem europeus são ainda mais cobiçados precisamente devido a leis protecionistas.

Para os clubes portugueses não é fácil manter os bons jogadores portugueses. Mas se os clubes apostam pouco na formação e valorização dos jovens então ainda será mais complicado.

A federação e a liga têm sido geridas apenas para agradar a alguns e não estão interessadas em defender os interesses do futebol. Senão, já há muito que a violência e cânticos ofensivos tinham sido banidos.

Inferno da Luz disse...

é importante termos mais portugueses que estrangeiros no plantel porque são os portugueses que conhecem melhor a dimensao do benfica, os estrangeiros chegam e dizem que é um clube muito grande (e somos) mas alguns dizem isso da boca para fora (nem todos)
um portugues sabe melhor o peso da camisola

David disse...

Este ano na equipa-tipo não vejo nenhum português a entrar de caras. Os que têm mais hipóteses são o Ruben amorim e o Carlos Martins.

Far(away) disse...

A questão é que não podemos ter portugueses apenas por ter, têm que acrescentar algo a equipa. E como disse no post, não vejo muitos jogadores nacionais no campeonato português com capacidade para jogar no Benfica.

Joase disse...

O problema dos jogadores portugueses é simples, aliás, muito simples...

Falta de competitividade nas camadas jovens, ou seja, equipas extremamente desequilibradas....
Mas faz algum sentido ver jogos com resultados de 10-0 e por aí fora?

Uma das formas de resolver isto é mesmo a criação das equipas B, tal como Espanha, mas que estas tenham possibilidades de jogar a Liga Vitalis.

Para além disso não esquecer que formar jogadores saí muito caro tendo em conta o respectivo retorno que é pouco.

Pedro disse...

Far, não podes ver dessa forma.

É claro que queremos qualidade no SLB e se formos campeões com 11 estrangeiros no 11 não fico minimamente ralado. Não é por aí. O que me custa e acho q esse é um dos problemas mais graves do Glorioso é contratar estrangeiros de valor pouco relevante. Custa-me aceitar que no mercado interno ou na nossa formação não tenhamos jogadores capazes de cumprir o mesmo papel que um Menezes, que um Fernandez, que um Weldon, etc etc.

Mentiroso disse...

Considero o negócio Coentrão o paradigma da forma como Luís Filipe Vieira (não) defende os interesses do Benfica.

À medida que se vai percebendo o que foi negociado no acordo firmado com o Real Madrid mais absurdas me parecem as recentes afirmações proferidas por Rui Costa. “Trinta milhões de euros por um lateral esquerdo! Não tenho dúvidas que foi um excelente negócio para o Benfica”.

Sr. Rui Costa, como bem sabe, quando um clube paga o valor da cláusula de rescisão não há lugar a negociação, deposita o dinheiro na conta bancária e fica com o jogador. Neste caso nada disto aconteceu, os valores tornados públicos ficaram condicionados à aquisição de Garay por um valor que eu considero verdadeiramente absurdo. O Real pagou há dois anos dez milhões por um jogador que nunca se impôs, perdeu estatuto e desvalorizou-se progressivamente. Apareceu esta oportunidade de negócio e o Benfica está disposto a pagar seis milhões por 50% do passe, com opção de compra do remanescente dentro de um ano, por mais seis milhões.

Que "grande negócio" é este que nos “obriga” a comprar um jogador que actualmente ganha 1,5 M € líquidos/ ano, o que corresponde, com a actual carga fiscal aplicada em Portugal, a um salário de 2,8 M €/ ano (mais do dobro do que ganhava Coentrão)?

Ao fim dos cinco anos de contrato o Benfica pagará 26 M € para ter ao seu serviço este jogador (5,2 M € por época). Tudo isto a troco dos poucos milhões que entram na conta do Benfica. Menos de dez, como veremos:

30 M € - 6 M € (para o Fundo) + 0,45 M € (15% das mais valias do Fundo) – 3 M € (10% para Jorge Mendes) - 12 M € para o Real Madrid.

Mesmo não entrando em linha de conta com os elevados vencimentos de Garay, o que fica para o Benfica neste negócio, depois de pagar a totalidade do passe ao Real Madrid, não chega a dez milhões de euros. Não há mistificação possível nestes números.

Perante esta evidência será que a opção (porque se tratou de uma opção) de vender Coentrão foi um bom negócio? E já agora uma pequena provocação, o presidente do clube do Porto faria um negócio destes? É óbvio que não? Não é assim Sr. Rui Costa?

Anónimo disse...

o benfica nao tem culpa nenhum disso. quantos portugueses tem o porto? 6. o sportem? 9. o braga? 9.

o protocolo que faz com que os brasileiros em portugal nao contem como estrangeiro. em protugal ha uma media de 8 por plantel...

Far(away) disse...

Eu concordo contigo Pedro. Tem acontecido isso de dar oportunidades a estrangeiros de qualidade duvidosa de mão beijada, quando existem dentro dos nossos quadros jogadores com qualidade superior. Mas eu refiro-me essencialmente a jogadores capazes de fazer a diferença. Dentro do nosso mercado são poucos que o conseguem fazer.

Joase disse...

@ Mentiroso...
Mais uma vez especulas como ninguém...
Só vou fazer mais um reparo para que não continues a dizer asneiras...então essas contas são do mais disparatado que conheço.

"Sr. Rui Costa, como bem sabe, quando um clube paga o valor da cláusula de rescisão não há lugar a negociação, deposita o dinheiro na conta bancária e fica com o jogador"

Isso não é verdade. Pode-se negociar a forma de pagamento, por exemplo.
Cláusula de rescisão paga apronto e ponto final.

30 milhões pelo Coentrão é muito bem vendido. Se comprarmos o Garay agora por 5 milhões são dois excelentes negócios.


Abraço

Águia Preocupada disse...

"mas a verdade é que salvo raras excepções, existem poucos jogadores a nível interno, que possam fazer a diferença no clube"

Tens razão. Mas não é menos verdade que olhando para as contratações dos últimos 10 anos (para não ir mais para trás) temos mais casos de grandes barretes que de sucesso! A pergunta é: Porque se admite e aceita o erro no que concerne ao jogador estrangeiro e não em relação ao português? A isto chama-se discriminação inaceitável!
Desde que o futebol se tornou numa máquina de dinheiro, não só os empresários como presidentes e jogadores, tornaram-se verdadeiros sanguessugas e mercenários!
É verdade que o nosso país é pequeno e por isso tem uma margem curta de escolha. Mas se houvesse vontade e legislação a preceito, encontrar-se-iam grandes talentos. Ou já não há mais:José Augusto, Simões, Humbero Coelho, João Alves, Pietra, Chalana,Toni, Bento, Néné, Diamantino, Carlos Manuel, António Oliveira, Jaime Pacheco, Fernando Gomes, Jordão Manuel Fernandes... Rui Costa, Figo, Fernando Couto, Ronaldo, Coentrão... e tantos tantos que fizeram história e não se ficaram nada atrás dos grandes jogadores de outros países!
O problema que vejo é apenas e só o mercantilismo doentio dos empresários e presidentes que só vêem dinheiro e nada mais!
Já que o bom senso não existe, devia legislar-se de forma a voltarmos ao tempo em que só era permitido um número restrito de estrangeiros que a meu ver não poderiam ir além de 4 incluindo os brasileiros que contariam como estrangeiros.
Com toda a certeza que apareceriam grandes talentos portugueses!
Olhar para a equipa do Benfica, mete dó!

Águia Preocupada disse...

Ah! Esqueci-me de mencionar um nome que não pode ser esquecido: Victor Paneira! Será que hoje alguma vez chegaria ao Benfica e consequentemente à selecção? A resposta é óbvia: NÃO! E há ainda Simão, Ricardo Carvalho...
Não há porque não os procuram!

Anónimo disse...

sim "auia preocupada" , tens razão em alguns aspectos mas acho que também estas a ver as coisas de um prisma que actualmente tem lados bem bicudos ou seja... 1ºponto- Tens que reconhecer que o Benfica tem feito um claro esforço na formação de jovens valores ou pelo menos tem investido forte nesse sentido com a criação do centro de estagio. A ver vamos se todo este investimento não será folclore ou propaganda de um presidente que muito gosta de se gabar de tudo que fez por "nos". Mas de qualquer maneira vale a pena dar o beneficio da duvida não? vah la !!! 2ºponto- Deste e muito bem , vários exemplos de grandes talentos(a maior parte nao vi jogar) mas salvo aqueles mais antigos, quem não trocou o Benfica por dinheiro? Agora pensa, talentos como esses nascem assim com tanta frequência que o nosso clube possa viver deles para atingir os tão desejados títulos? a resposta eh um não! somos um pais demasiado pequeno e que ainda por cima no que diz respeito ah formação de jovens jogadores,é dividido por 3 grandes clubes que estão sedentos de desejo de encontrar um novo rui costa,um novo figo e ate um novo Fernando Gomes não eh? Para teres um exemplo , Espanha e 6 ou 7 vezes maior em termos populacionais e s visitares as escolas do Barcelona ficarias escandalizado com o nr de estrangeiros a vestirem aquela camisola...E para mim formar brasileiros, argentinos, croatas e marroquinos eh m exactamente igual a compra los mais tarde com 19 anos. 3º-O que podemos fazer hoje ? estar atento a possíveis valores portugueses que possam despontar na próxima época e ser o mais agressivo possível nas suas contratações de forma a não os perdermos para a concorrência. Actualmente n vejo ninguém no panorama nacional com capacidade para entrar no plantel do glorioso. Dar a oportunidade aos jovens e de valor que actualmente compõem o plantel.Embora eu ache que bem aproveitado, eu faria melhor que Cardozo e sou bem mais novo! lol Agora a serio, sim também prefiro D.Simão a F.Menezes com toda a certeza... Agora espero que quando falharem um passe não sejas daqueles que vai logo assobiar ou chamar nomes como faz o meu pai e que tanto me irrita... 4º e ultimo ponto. É um pedido. Apoia o teu clube sempre, nunca o rebaixes, protesta se assim tiver de ser, exige o melhor mas não peças o impossível... SILVARINI VIVA O BENFICA!

Mentiroso disse...

@ Joase

Vou dar por terminado o meu périplo à volta do tema “negócio Coentrão”. Só gostaria que reflectisses na hipótese que eu levantei sobre o exemplo que vem lá de cima (só me interessam os bons exemplos, nos outros não me revejo e consequentemente não os defendo). Pinto da Costa nunca aceitaria este negócio da mesma forma como nunca venderia Di María ou Ramires por valores abaixo da cláusula de rescisão. Por muito que me custe admitir PC defende muito melhor os interesses do seu clube do que LFV os do meu.

A cegueira não pode toldar a visão dos benfiquistas, no último relatório de contas o Benfica apresenta um passivo de 360 M €, valor que tem vindo a subir progressivamente na gestão de LFV. Isto quer dizer alguma coisa. Ou não?

Águia Preocupada disse...

Anónimo das 19:56!

Não não assobio (não sei assobiar) nem gosto que o façam. Que me lembre em 30 e tal anos passei-me e pedi uma vez para assobiarem um jogador que já nem me lembro qual!
Também não sou dos que saiem antes dos jogos acabarem; é coisa que me irrita, os passaralhos a passaram à frente tirando a visibilidade a quem quer ver.
Vou a todos os jogos. O ano passado,só faltei ao último do campeonato e por motivos de força maior!
Pena não teres visto jogar todos os que mencionei! Nem sabes o que perdeste. Felizmente vi Eusébio e companhia, era ainda muito jovem mas vi alguns jogos! (Ah! até o Victor Baptista à procura do brinco!)
Eu não defendo uma equipa só de portugueses, pois o país é pequeno e portanto de escolha reduzida. Mas o que se está a passar já é uma bandalheira, não achas?
O Benfica não criou na sua formação, jogadores melhores que esses Éder Luis, Felipe Meneses... enfim os contentores de "artistas" cujos nomes nem me lembro? Se estes tiveram oportunidade de mostrar o que valem, porque carga d´água não se há-de dar o mesmo tratamento a portugueses?!
Depois querem ir embora? E os estrangeiros, não? Olha o David Luis! O Luisão que parece estar sempre a bater na tecla! E tantos que nem vale a pena matar a cabeça ou ir à net ver o historial! E ao menos davam dinheiro quase limpo, isto é sem ter o valor da compra!
Acho que esta questão tem que ser muito bem analisada e revista com pés e cabeça!

Águia Preocupada disse...

Peço desculpa mas complementando, lembrei-me do Mozer, do Valdo, Ricardo Gomes, que à primeira se foram para onde havia mais dinheiro!
Os bons são sempre cobiçados. O Ramires, o Di Maria nem aqueceram o lugar!
Se corremos o "risco" com os estrangeiros, porque não corrê-los com os portugueses?

Anónimo disse...

A interpretação correcta do documento (que no entanto encorajo todos a ler) encontrei-a no forum Ser Benfiquista, a resposta dada por um dirigente da liga o qual transcrevo:

"Ora, atenta a definição acima mencionada e o estabelecido no n.º 2 do artigo 57.º do Regulamento de Competições da LPFP, e sendo o documento de plantel constituído por jogadores de diferentes categorias, nomeadamente (seniores e juniores), a contabilização a realizar deverá considerar todos os jogadores que integram o plantel do Clube, independentemente da sua categoria, sendo certo que só poderão ser considerados para esse efeito os jogadores que cumpram com o estabelecido no n.º 3 do mesmo artigo.

Em suma, o plantel é composto por 50 jogadores no máximo (com as limitações por categoria que decorrem do artigo referido). Na medida em que se obriga a que haja no plantel oito jogadores formados localmente, está-se a falar de 8 em 50, e não de 8 em 27 (categoria do plantel relativa aos seniores).

Com os melhores cumprimentos,

Maria João Quintela
Liga Portugal"

Ou seja dos 27 seniores do plantel até poderiamos nem ter nenhum formado localmente e desta forma as escolhas de Jorge Jesus em nada vão ser influenciadas através de restrições regulamentares.