Tem sido discutido o pouco número de jogadores portugueses nos planteis principais do Benfica nos últimos anos. Com a globalização do futebol, o fluxo de jogadores estrangeiros por toda a Europa tem aumentado consideravelmente e até campeonatos que antes não admitiam a entrada de futebolistas fora do seu país, no caso a Premier League, hoje em dia vê-se contagiada pela entrada de inúmeros atletas estrangeiros para competir na sua liga. Este fenónemo tem vantagens e desvantagens. Por um lado o abrir as fronteiras do nosso futebol, permite um aumentar da competitividade, falando especificiamente no nosso campeonato, mas por outro em muitos casos, o produto nacional é relegado para segundo plano em favor de jogadores com qualidade idêntica ou inferior, fruto das jogadas de empresários que o que querem é ver dinheiro a circular. É o chamado futebol dos euros e dólares.
Quando olho para um jogador para o Benfica, avalio sobretudo a sua qualidade, esse é o principal factor que tenho em conta. Obviamente que gostaria de ter mais portugueses dentro da equipa, mas a verdade é que salvo raras excepções, existem poucos jogadores a nível interno, que possam fazer a diferença no clube. Diz-se que existe uma discriminação actualmente do jogador português. Em certa medida concordo que esse preconceito exista, mas não podemos avaliar uma parte pelo todo, sob risco de generalizarmos de forma errada. Se existir critério nas observações, poderão ser encontrados futebolistas portugueses com muita qualidade, mas penso que é algo que acontecerá circunstancialmente nesta altura. Se olharem para o nosso campeonato, quantos futebolistas vocês encontram, que podiam ser uma mais valia para o Benfica? Quando digo mais valia, estou a querer dizer que possa ser opção regular dentro do plantel, não apenas alguém para fazer número.
Uma maneira de contornar este problema passa por uma aposta séria na formação. Alguns clubes assim o têm feito e o Benfica depois de ter o seu centro de estágio tem todas as condições para produzir mais talentos para a primeira equipa. Contudo, não é fácil, face ao passado recente do clube, um jogador com valor da formação se impor. Nem tem que essa aposta acontecer à força vamos assim dizer. O clube tem que saber dar a esses talentos as condições para que possam demonstrar todo o seu valor, tem que ser elaborado um plano específico para cada um, no que toca a sua integração no plantel. Se é certo que o ser da formação não é condição necessária para poder ser uma aposta, também é certo que se existir qualidade em jogador x ou y que saia da cantera, o único erro será o não acreditar nessa qualidade, será o não trabalhar e potenciar as características do atleta. Aqui admito que existe um paradigma que está a ser quebrado lentamente, por vezes não se aposta no que de bom temos em detrimento de jogadores de qualidade duvidosa.
Mas o problema não está apenas no Benfica e restantes clubes portugueses. A Federação Portuguesa de Futebol e a Liga de Clubes têm grande parte de culpa no cartório na pouca aposta da formação e neste exagero de jogadores estrangeiros na nossa liga. Sou a favor de restringir ainda mais o número de jogadores estrangeiros - nesta altura são permitidos em cada equipa 19 jogadores não formados locamente e é obrigatório existir 4 jogadores formados no clube e outros quatro a nível nacional (portugueses). Uma refornulação destes números é algo que devia ser seriamente considerado. Não tenho atenção, nada contra a aposta em atletas não portugueses como já referi, mas acho fundamental rentabilizar o nosso produto desde as categorias de base, dar aos clubes maiores condições para que essa aposta possa ser feita e essas condições não precisam de ser monetárias, basta que exista a tal reformulação que acabei de referir. Um tema a que voltarei num futuro próximo.
Estou Farto Disto!
Há 9 horas













