quinta-feira, 11 de agosto de 2011

4-1-3-2 ou 4-2-3-1, qual o melhor sistema?

Depende. Para as competições internas e em 90% dos jogos o habitual 4-1-3-2 de Jesus chega e sobra e aceito que seja um sistema base na maior parte das vezes, até porque desde que Jesus tenha os jogadores ideais para interpretar esse sistema e este ano tem, já vimos que pode ser um modelo táctico eficaz. A minha crítica a Jesus na temporada passada, apesar da escassez de opções para as faixas, era a incapacidade para sair da sua zona de conforto e optar por uma táctica nos jogos mais importantes, que pudesse ser mais compatível com as exigências da equipa, a ausência de um plano B era notória e isso custou caro ao Benfica em momentos cruciais.

Pois bem, nesta nova época, tem sido testado e com sucesso uma espécie de 4-2-3-1, explorando a polivalência dos jogadores do meio campo, a sua criatividade, rapidez e capacidade de decisão. Com Witsel, Aimar, Nolito, Enzo Perez, Gaitán, a possibilidade de este sistema ser usado com mais frequência e eventualmente se tornar no novo modelo táctico a seguir, num futuro a médio prazo, não é de todo descabida e tem que ser encarada com naturalidade, dada à forma como os jogadores mostram sentir-se a vontade jogando desse jeito. De qualquer maneira, parece evidente nesta altura que para jogos mais complicados, o 4-2-3-1 é o caminho a seguir, garantindo maior segurança no meio campo, maior posse de bola e explorando a rapidez dos alas, devidamente sustentados por Javi e Witsel/Enzo Peréz. O jogador a actuar na frente pode variar entre as várias opções do plantel, mas gostaria de ver Cardozo testado nesse papel, enquadrado neste sistema táctico o que ainda não aconteceu.

 

A ilustração acima demonstra como os jogadores se posicionam sem bola, nos momentos defensivos no 4-2-3-1, sendo que os alas podem também recuar mais ou fechar sobre o meio campo se em determinados momentos do jogo, tal for necessário. Desta forma a equipa encontrar-se-á mais equilibrada e funcionará como um bloco mais coeso onde as linhas estão próximas umas das outras, não existindo um grande vazio entre os sectores, que é precisamente o perigo do habitual 4-1-3-2 de Jorge Jesus, senão vejamos:

Utilizar este sistema frente à adversários mais fortes, que regra geral povoam o meio campo, é em grande parte das ocasiões um autêntico suícidio. O futebol moderno não se restringe apenas a uma forma de jogar, é preciso não confundir uma filosofia de jogo com utilizar táctica x ou y. Uma filosofia de jogo vai além de sistemas tácticos e muitos comentadores há que não conseguem separar uma coisa da outra. Comentadores e alguns treinadores. Felizmente que Jesus parece demonstrar neste momento uma maior flexibilidade na altura de montar a equipa em função do adversário. Há quem diga que fazer isso é dar sinal de fraqueza - nada mais errado. É ser inteligente e jogar com os pontos fortes da equipa em cima dos pontos fracos do adversário, um pouco de pragmatismo no futebol é fundamental nas alturas decisivas. Nem tudo se faz em ataque continuado.

13 comentários:

Lp disse...

4-2-3-1 ou 4-3-3... nunca o 4-1-3-2!!!

Com Witsel, Aimar, Javi no meio campo e um trio na frente com Gaitan e Nolito nas alas, é uma equipa fantastica! No 4-1-3-2, não se aproveita as qualidades insividuais dos jogadores ao maximo, Witsel não é nem Extremo nem 10, é 8!

Jotas disse...

Julgo que para isso está lá um treinador em quem confio plenamente e que fez com que o meu clube jogasse o futebol mais belo que se viu na Luz nos últimos 20 anos.
Contudo, é minha opinião que em certos jogos, nomeadamente contra equipas mais defensivas, se impõe a presença de área de um avançado, jogando numa espécie de 442, à semelhança do que se fez na época do título, até porque como já se viu, Witsel joga bem descaído pela direita e feche muito bem quer na ala quer ao centro, um pouco com fazia Ramires.

Anónimo disse...

excelente artigo este... com profundidade táctica e demonstração de conhecimento teórico.
Acrescentaria só que, na minha humilde opinião tb o 4 3 3 puro pode ser usado em jogos onde se exija mais contenção e transiçoes rápidas com um meio campo com javi, matic e witsel e uma frente de ataque com jara, rodrigo(q grande avançado vai ser) e nolito por exemplo.

Miccoli_30 disse...

Também estou de acordo com este plano B que o JJ, aparentemente , está a implementar, e creio que no futuro passará mesmo a plano A.
Agora, o Enzo Pérez como alternativa ao Witsel? Não creio...

Far(away) disse...

O 4-2-3-1, não difere muito do 4-3-3, aliás um é a extensão do outro, quase que por vezes se confundem.

Gongas disse...

Sem Dúvida 4-2-3-1, táctica que nos tem posto a jogar com magia, outra vez!

Cumprimentos,

Gongas

P.S. http://slb-21.blogspot.com/ (a estrear hoje)

Anónimo disse...

caro Far(away) na minha oponião o 4 3 3 é distinto do 4 2 3 1. Entendo a comparação mas vejo algumas diferenças que passo a enumerar: no 4 3 3 os 3 jogadores da frente serao avançados puros como eram no esquema de mourinho no chelsea do 1o ano drogba, robben e duff ou cole- por avançado puro falo de jogadores habituados a jogar somente no ultimo terço do terreno- e os 3 médios tb são medios puros nao havendo por isso lugar a nenhum numero 10 puro como aimar, sendo esse substituido por um box to box com propensão atacante(lampard no caso por mim referido ou iniesta no barça)... em contraponto, no 4 2 3 1 os 3 jogadores da 2a linha atacante jogam no mesmo nivel do campo e trocam entre si de posição o que implica que sejam todos rapidos e com grande tecnica individual- aimar, nolito, perez ou cesar, urreta e gaitan...

De acrescentar só que alguns jogadores podem fazer de extremo nos dois esquemas(nolito) mas outros nem por isso(jara so pode ser extremo em 4 3 3 e perez em 4 2 3 1) devido as suas caracteristicas.


Cumprimentos


Redceltic

Far(away) disse...

O 4-3-3 tem muitas variáveis. Os três da frente, principalmente os dois da faixa, podem ou ser avançados puros, ou então extremos com tendência para finalizar bem. Tudo depende dos jogadores ao dispor de cada treinador. No caso do Barça, por exemplo muitas vezes Pedrito, extremo, joga sob a direita. Quantos ao médios, o ideal é todos eles serem tanto bom nos momentos defensivos, como nos momentos ofensivos, mas regra geral, existe um médio mais defensivo, um 6 mas que não se limita a defender e dois médios mais de construção, como acontecia no Porto de Libras Boas.

O importante, volto a dizer, é o treinador olhar ao seu plantel e perceber que melhor esquema serve as características dos jogadores que tem ao seu dispor, não tentanto forçar uma táctica aos jogadores, isso será sempre um erro.

joão bobe disse...

sugiro-vos a leitura disto:
http://entredez.blogspot.com/2011/08/miguel-rosa-e-os-glutoes.html

este benfica está envenenado...

Anónimo disse...

desculpa "FAR" mas javi Garcia será o jogador com as características ideais para a posição 6 tanto no 4-2-3-1 ou mesmo o 4-3-3 puro? silvarini

Far(away) disse...

Eu acho que sim Silvarini, que pode ser. Principalmente neste novo sistema que o Benfica tem testado.

John Wakefield disse...

caro Far (away), a resposta a essa pertinente questão depende, em muito, do tipo de adversário que defrontarmos. Agora uma coisa é certa, o sr JJ tem opções para experimentar mais do que um esquema táctico. E por isso, espero que ele não aposte sempre no mesmo sistema de jogo pois se assim for, já não conseguirá surpreender os técnicos adversários.

Far(away) disse...

É isso mesmo John, Jorge Jesus este ano tem matéria prima para por a equipa a jogar como quiser e bem entender. Espero que saiba utilizar essa mão de obra de forma correcta.