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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Só uma coisa

Tenho descortinado uma certa preocupação de alguns bloggers com a pouca clareza com que Rui Rangel falou dos direitos televisivos do Benfica. Chega-se ao ponto de ler alarvidades como "Rangel deu a entender que dá preferência à renovação com a Olivedesportos".

Mas o que é isto? Andam a baixar o nível ou o nível de compreensão de algumas almas não dá para mais?

O que Rangel diz, e bem, é que o Benfica é obrigado contratualmente, repito, é obrigado, a dar preferência à Olivedesportos  caso esta iguale a melhor proposta existente pelos direitos. A única forma de contornar esta situação é através da exploração própria desses direitos. E isto é uma questão extremamente frágil e que requer um estudo muito aprofundado e conhecimento do que realmente já foi feito pela actual direcção sobre este tema. E não esperem que a lista de Rangel nos ponha tudo preto no branco quando a actual direcção nada diz para esclarecer os sócios do clube. Direcção esta que, pela mão de Luis Filipe Vieira, decidiu estender o contrato com a empresa de Joaquim Oliveira  por mais um ano (era suposto acabar em 2012).

Ah! E só mais uma coisa.

Andam a levantar-se vozes de contestação e indignação relativamente à presença de José Veiga na apresentação da candidatura de Rui Rangel. Importa esclarecer que, quer queiram, quer não, Veiga é apenas um sócio apoiante da candidatura de Rangel. Está no seu legítimo direito e o resto são balelas.
Veiga não consta da lista de Rangel para os órgãos sociais, por isso não entendo tanta preocupação. E também não compreendo quais os motivos para ostracizar o nome de José Veiga quando falamos do Benfica. Sem Veiga jamais teríamos sido campeões em 2005. Luis Filipe Vieira bem disse que esse título foi anormal e que normal foi o terceiro lugar em 2006, se calhar é a prova de que Veiga está fora da órbita de competência do actual presidente, que é nenhuma, diga-se.

Portanto, é simples: Como não podem pegar em nada sobre Rangel que o descredibilize (ao contrário de outros, a seriedade e competência do seu passado é bem conhecido por toda a sociedade portuguesa), mandam umas bombas para o ar para ver se têm efeito negativo. Mas não vão conseguir manchar o nome da pessoa mais credível e competente (em nome da sua lista) que se candidatou à presidência do Benfica nos últimos 20 anos.

Adenda: Parece que Luis Filipe Vieira já começou com a sua campanha reles, baixa e desesperada para criar uma nuvem de desconfiança sobre a candidatura de Rui Rangel. Entrar em comparações com Vale e Azevedo é do mais nojento que pode haver e só mostra que Vieira está com medo. Mas Vieira vai cair. Se não for agora, é daqui a uns meses. O Benfica já acordou. E agora vai levantar-se! E isto ninguém poderá evitar! Nem o ex-sócio do FCP cujas quotas estiveram sempre em dia, nem o lagarto que controla a SAD, nem o ex-administrador do FCP, que sempre teve apoio de Vieira, e que tem conseguido humilhar o Benfica de tal forma que rivaliza com os dourados anos em que Pinto da Costa era presidente da Liga.

Um novo rumo


Finalmente fez-se luz sobre um projecto alternativo a Luís Filipe Vieira. Com todas as dificuldades inerentes a um clube com os estatutos actuais e com máquinas de propaganda que constroem cenários heróicos à volta de uma direcção incompetente, a candidatura de Rui Rangel aí está para provar que ainda temos no clube gente de outra cepa, com carácter e ambição para ir à luta, mesmo em contexto desfavorável.

Pode-se ou não concordar com as ideias, pode-se ou não exigir maior objectividade, mas o certo é que a existência de um programa e de linhas orientadoras já faz de Rui Rangel um candidato mais sólido do que Luís Filipe Vieira alguma vez foi. Ainda para mais, sem os sombrios episódios de um passado nunca explicado pelo ex-presidente do Alverca.

Voltando ao programa, tenho dado conta de algumas questões relativas ao entendimento do que está escrito no programa eleitoral da lista “Benfica aos Benfiquistas” e, estando activamente empenhado em contribuir para o seu sucesso, gostaria de focar aqui três pontos de maior incompreensão.

Em primeiro lugar, a questão dos lugares estratégicos versus lugares operacionais. Penso que é muito simples de entender:
  • Um lugar estratégico é todo o lugar onde se planeie uma estratégia. Todo o lugar que implique decisões de alto nível. Quem contratar, como contratar, como gerir os financiamentos, para onde levar o marketing do Benfica, etc. Tudo isto é estratégia. Um director é um lugar estratégico. Um administrador, muito mais. A lista “Benfica aos Benfiquistas” deixou bem claro que nenhum destes lugares estará a mercê, como até aqui, de gente que não veste a camisola do Benfica;
  • Um lugar operacional é todo o lugar onde não haja planificação de estratégia, apenas o executar das acções delegadas por alguém. Exemplos como treinadores ou jogadores são claros exemplos. Obviamente que, para estes lugares, o Benfica não pode restringir o acesso a Benfiquistas de gema.

Avançando para os direitos de TV, a questão é clara – existe um contrato com um operador, negociado livremente pelo presidente em funções (o contrato, recorde-se, terminava em 2012 antes de ser extendido a 2013 por Luís Filipe Vieira) e que, também com a concordância do actual presidente, tem uma cláusula que dá o direito de opção à Olivedesportos. Quem disser que vai vender os direitos a outra empresa, está a mentir, porque isso só depende da Olivedesportos. Do Benfica depende apenas uma questão: não vender os direitos a ninguém e explorá-los por conta própria. É o único caso em que o direito de opção não é passível de ser exercido, e em que se pode garantir que a Olivedesportos não ficará com o contrato.

Posto isto, fundamental é ter a informação por parte de Luís Filipe Vieira sobre o processo negocial dos direitos de televisão. É preciso saber exactamente que tipo de clausulado tem o contrato actual, e quais os moldes da proposta rejeitada há uns meses.

A lista “Benfica aos Benfiquistas” deixa a porta aberta a caminhos inovadores, porque nestas questões importa perceber por onde corre o dinheiro, para perceber em que ponto se pode interceptar esse fluxo e ter proveitos com ele. E o dinheiro já não flui como fluía das assinaturas de canais pagos ou de publicidade. É um mercado em retracção, e por isso a linha do horizonte tem de ser empurrada para lá do local onde habitualmente a vislumbrávamos.

De qualquer forma, creio que as condições até morais impostas no programa são suficientemente claras.
Em relação à gestão financeira e ao monstro que é o actual passivo exigível, a negociação de novas condições e de novas fórmulas é um imperativo para evitar o esmagamento económico do clube, com consequências que podem ser fatais. Só no project finance do Estádio, negociado por esta direcção, o Benfica já perdeu mais de 12 milhões de Euros por ter sido negociada uma taxa de juro fixa. E o pagamento já foi adiado para 2024!

Conceitos de cross-selling associados a investimentos dos adeptos no clube poderão aliviar algum deste peso e trazer para a família Benfiquista uma responsabilidade que hoje está toda centrada nos bancos e no mercado, com um custo naturalmente muito mais elevado para o nosso clube.

Há muito a fazer na gestão financeira, boa parte da qual agindo na actividade económica. Reduzir custos desnecessários na actual estrutura não é só uma forma de libertar fluxo económico para pagar dívidas, como é também uma forma de diminuir a pressão na tesouraria do Benfica, sendo a tesouraria a principal responsável pelos endividamentos constantes e em espiral que têm massacrado o nosso clube.

Estou certo, porque estou ciente do que tem sido feito e das ideias das pessoas, que a pormenorização de muitas das ideias agora transmitiras será uma realidade até dia 26. A lista “Benfica aos Benfiquistas” move-se desde o início pelo genuíno desejo de transparência e frontalidade.

Vamos a isso!