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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Uma entrevista de nada, sobre nada

Benfica na liderança, Vieira na cadeira da Grande Entrevista da RTP. Há aqui uma relação causa-efeito. Temos assistido a isto quase todos os anos. Sempre que o Benfica se encontra na mó de cima, Vieira desloca-se à televisão para falar aos súbditos. Já estamos habituados. Só espero que, como vinha sendo hábito, a seguir ao presidente botar faladura não venha uma derrota.

Quanto à entrevista há dois pontos gerais a destacar. O primeiro passa pela preparação do presidente, simplesmente impecável. Nota-se que alguém anda a fazer o trabalho de casa na Luz. Vieira e Jesus não parecem sofrer, de momento, da incontinência verbal que os caracteriza. Há alguém que ensina o presidente e o treinador a olhar para o sítio certo, a responder com a entoação correcta, a gerir os silêncios, a fugir às perguntas incomodativas e a dar respostas mais ponderadas. Disto gostei muito. Do que já não gostei tanto foi do segundo ponto, a entrevistadora. Não que não seja agradável à vista, mas a senhora simplesmente não serve para aquele tipo de programa. Uma jornalista que se contenta com um "não comento" várias vezes sem ripostar ou insistir na mesma questão não é uma boa jornalista. Vieira, bem, evadiu-se de algumas questões e nem foi forçado a responder.

Quanto aos principais temas abordados na entrevista:

Recandidatura: evasivo. Mas todos sabemos as suas intenções. Disse que ainda tem muito trabalho a fazer no Benfica mas não assumiu que se candidatava. Quem tiver dois dedos de testa sabe o que vai acontecer.

Aimar: evasivo. Disse que queria mas que não podia entrar em loucuras. Deixou a porta entreaberta mas não a escancarou. Acho que todos sabemos o que Vieira e Aimar querem (eu pelo menos sei e a questão não está nos valores do contrato mas sim na duração do mesmo). É uma estupidez este dossier não estar encerrado.

Rodrigo: para ficar, para renovar. Excelente.

Enzo Perez: de volta à Argentina para ver a mãe que se encontra numa situação delicada, segundo o camisola 35. Espero que não esteja tão mal quanto o filho do Anderson.

Arbitragem: no minuto a seguir a ter dito que o futebol era composto por gente séria, Vieira deu a entender que os árbitros não eram sérios. Remeteu-se ao silêncio porque estamos na liderança. Acho que aqui foi demasiado defensivo, devia ter deixado a ideia que está atento ao que se passa e ao que se vai passar.

Papel de Rui Costa: evasivo. Mas parece que o Rui é um cão de loiça na estrutura do Benfica. Vieira diz, Vieira decide, Vieira manda. Para quem tinha dito que ia passar a delegar ainda menos, está a cumprir.

Jesus: está apaixonado pelo Benfica e vai continuar de águia ao peito. Só na cabeça de um doido (ou de uma entrevistador mal preparada) é que Jesus seria, neste momento, despedido ou posto a andar. Aliás, nem me parece que, face às ambições de JJ, que ele queria sair para um clube que não lute pela Liga dos Campeões. E desses clubes, nenhum me parece minimamente interessado no concurso do técnico português.

Liga a 18: manifestou-se contra porque iria acabar com a Taça da Liga (até porque em Inglaterra... ah, não, esqueçam) e porque os melhores resultados das equipas portuguesas na Europa se devem à redução da Liga para 16 clubes (nota: Boavista semi-finalista da Taça UEFA em 2003, Porto vencedor da Taça UEFA em 2003, Porto vencedor da Liga dos Campeões em 2004, Sporting finalista vencido da Taça UEFA em 2005 e melhor prestação do Benfica na Europa nos últimos 20 anos em 2006 tudo com 18 clubes).

Vendas: temos de vender para continuar a ter uma gestão sustentável. Aceitam-se apostas: Gaitám, Cardozo, Javi ou Rodrigo?

Olivedesportos: Evasivo. Disse que tinha um valor em mente abaixo do qual não aceitava assinar contrato. Quanto é? Não sabemos. Mas está mais que visto que a ligação é para continuar, como os meios de propaganda de Vieira já fizeram questão de demonstrar.

Época 2012: nada está ganho e podemos ter um percalço a qualquer instante. Muito bem neste ponto.

Mea culpa: pediu desculpa e assumiu os erros cometidos em 2011/2012, dando o mérito do título ao Porto. Muito bem, um líder tem de saber assumir os erros. Mas assumi-los 9 meses depois e quando se vai na liderança é demasiado fácil.

Apaziguador: manteve a compostura quando se falou em Golfinho Lopes e do outro. Um líder deve ser assim mesmo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Já não nos víamos há alguns anos"

Foi assim que Judite de Sousa começou. Cordial e amigavelmente, ao contrário daquilo que vem sendo hábito nos últimos dois anos, onde se tem demonstrado mais agressiva. Em vez de entrevistar ou perguntar e encostar o entrevistado à parede, Judite de Sousa conseguiu durante boa parte do programa complementar o raciocínio débil de Pinto da Costa. É o que acontece quando alguém não sabe separar devidamente as águas, separar o trabalho do clubismo.

O diálogo (chamar àquilo "entrevista" é um bocadinho forçado) foi perto do esperado pela maioria das pessoas. A palavra "Benfica" foi a mais mencionada durante os 45 minutos que durou o programa. Mas à parte do que o senil disse, e o que disse não interessa, sempre me ensinaram que ouvir maluquinhos não é boa ideia, olhando para Pinto da Costa vê-se todo um destroço humano à beira do colapso. Velho, frágil, parece um daqueles idosos que de bengala se aguenta, mas se vier um bocadinho de vento abana e cai redondo no chão.

Só consegui ver 15 minutos daquilo, mas o discurso de Pinto da Costa mantém-se igual desde o início. Inclusive a maneira como se referiu a LFV, dizendo que não se lembra de o ter convidado ou de ter estado em casa dele (isto faz-me lembrar qualquer coisa). Ou a maneira patética como argumentou sobre a qualidade do plantel do FCP, demonstrando que havia jogadores nas selecções (A. Pereira no Uruguai, Varela em Portugal, "Falcao no Paraguai"), esquecendo-se que há quem meta dois na do Brasil e Argentina, etc.

Basicamente foi a prova cabal de que há quem não esteja em condições para o cargo. A senilidade apoderou-se do homem. Voltou o discurso do ódio a Lisboa e ao presidente da câmara do Porto. Sinais da crise.