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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Triste fim do jornal A Bola

Quando era pequeno não havia sábado em que não acordasse às sete da manhã. Os desenhos animados começavam bem cedo e ainda estavam os meus pais a dormir já a televisão estava ligada com o "pequenito" a ver o que a RTP tinha. O meu pai ia às compras de manhã antes do pequeno-almoço e quando ouvia o elevador a regressar os desenhos animados já não interessavam para nada: vinha aí o jornal A Bola. Ainda em pijama, pegava no jornal e como era demasiado grande para as minhas mãozinhas de seis anos, altura em que comecei a ler o diário desportivo, deitava-me no chão da cozinha a lê-lo.

Hoje já não faço isso. Nem me deito não chão da cozinha nem voltarei a comprar o dito jornal. Hoje foi a última vez, se calhar até o guardarei, quem sabe. O silenciamento do qual foi alvo Zé Diogo Quintela na sua crónica é algo de tão abjecto e tão anti-democrático que não cabe na cabeça de ninguém (a não ser na de Vítor Serpa, mas esse muito espaço por preencher na cabeça e pouco no abdómen). O jornal que eu tinha como referência preferiu tomar parte pelo lado de um indivíduo abjecto. Não que o facto de os portistas defenderem o Porto seja abjecto, não é, é óbvio que os seus adeptos vão continuar a defender todas aquelas trafulhices, não esperem o contrário, o que me choca é que o jornal que eu tinha como referência de jornalismo preferiu escolher a má-educação (chamou "rafeiros" a RAP e ZDQ), a deturpação de factos e o conflito moral (escutas do Apito Dourado e outras) à crítica sagaz e ao humor fino e inteligente. E fê-lo da pior das maneiras, censurando o texto de um dos artistas.

É uma vergonha que o jornal A Bola tenha tomado esta decisão e concordo e apoio os dois humoristas. São opções que se tomam. Eu já tomei a minha. Nunca mais receberão os meus 80 cêntimos até que o sr. Serpa saia. Nem os meus nem os de milhares de benfiquistas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Vieira passa no "exame" de Miguel Sousa Tavares

Não foi propriamente difícil o "exame" que Miguel Sousa Tavares impôs a Luís Filipe Vieira. Fiquei surpreendido com a atitude do jornalista afecto ao FC Porto que, mesmo não escondendo a sua cor clubística, soube separar minimamente as águas, não obstante ser visível que esperava um ou outro deslize de Vieira para poder explorar esse assunto onde o presidente do Benfica se mostrasse menos confortável.

Claro que se espera de um jornalista que saiba levar a isenção ao máximo no seu trabalho. Sousa Tavares não o fez, mas, para meu espanto, e conhecendo o seu trabalho como conheço, fiquei surpreendido com a actuação do jornalista: não foi rude nem mal-educado e, sobretudo, foi um bom entrevistador, soube deixar falar, algo pouco comum na maioria dos jornalistas.

Sobre a entrevista em si, parecia existir pouca formalidade e um quase um pacto de não-agressão, mas um grande à-vontade entre ambos. Vieira começou muito bem ao deixar clara a sua posição em relação a José Eduardo Moniz, mas patinou no tema Rui Costa: parece que o ambiente entre ambos não é, ou pelo menos não foi, o melhor durante muito tempo, especialmente na questão Quique vs. Jesus. O presidente do Benfica teve tempo ainda para brilhar noutros temas, como Jesus, Falcao, Hulk, e ainda os dois onde se sente como peixe dentro de água, o Apito Dourado e a Economia do Benfica, com o famigerado e já aguardado ano de 2013, onde o encaixe por receitas televisivas será grandemente ampliado.

Soube ainda fazer uma diferenciação muito importante, a meu ver, entre o FC Porto e o seu presidente, Pinto da Costa, e ainda teve tempo para não fechar a porta, nem pelo contrário dar a mão a beijar, a Fernando Gomes, candidato a presidente da LPFP e mais que provável vencedor nessa corrida.

Resumindo, gostei da entrevista, do entrevistador, bela surpresa, e do entrevistado, que apesar de não ser tão eloquente como desejaríamos, sabe, ou melhor, tem vindo a aprender, o momento exacto para usar da palavra. Esteve bem Luís Filipe Vieira, ele que nesta entrevista ainda abriu a porta a mais uns quantos mandatos. Hoje saiu vencedor.