Infelizmente, começa a ser tradição. O Benfica acabou por morrer novamente na praia no que ao campeonato nacional de voleibol diz respeito. À semelhança do que aconteceu em 2009/2010, o Sporting de Espinho voltou a ser mais forte, derrotando os comandados de José Jardim por 1-2, mesmo após ter perdido o primeiro jogo da final. Com um orçamento brutalmente superior ao dos adversários, num plantel rechado de estrelas, com todas as infraestruturas e condições que permitem chegar à vitória e depois de uma fase regular perfeita, o Benfica baqueou inexplicavelmente.
Para falar do estado actual do Voleibol do Benfica, é preciso recuar ao final da época 2008/2009. Nesse ano, a equipa superou as expectativas e alcançou um honroso terceiro lugar. Foi prometido um investimento importante no plantel, o que foi cumprido. Na época seguinte, o Benfica chegou à final, disputando-a com o Sporting de Espinho, à melhor de 5 encontros. Mesmo não sendo favorito, chegou a ter uma vantagem confortável de 2-0, mas viria a deitar tudo a perder nos 3 jogos seguintes, saindo derrotado por 2-3. Bastava ter vencido um, mas não conseguiu.
Para 2010/2011, o reforço do plantel foi ainda mais evidente. Enquanto os adversários viam os jogadores mais influentes partir, fruto da incapacidade em pagar salários outrora possíveis, o Benfica reforçou-se com atletas de qualidade como o líbero Rafael Koettker, o atacante Flávio Cruz (ex-Espinho) e, sobretudo o oposto Hugo Gaspar. Sem dúvida, o melhor plantel do campeonato. E foi com notória facilidade com que o Benfica chegou à final uma vez mais, defrontando a supreendente Fonte Bastardo. Os açoreanos foram letais e bateram o pé a um Benfica liderado por um pé frio Jardim. Humilhação, campeonato novamente perdido.
2011/2012 trouxe um investimento brutal para o que era hábito na secção. Chegou o líbero João Coelho, vindo do campeão nacional, dois distribuidores, dois centrais de qualidade e o exuberante Roberto Reis. Com um plantel extenso, jogadores com espírito ganhador e muito favoritismo, o Benfica atingiu a excelência durante a fase regular, conseguindo o pleno de vitórias. Nos playoffs, a senda vitoriosa continuou, conseguindo, numa final à melhor de 3, a primeira de duas vitórias necessárias para a conquista do campeonato. Mas o Espinho, surpreendentemente, contra todas as expectativas, voltou a ser mais forte e venceu as duas partidas seguintes, sagrando-se campeão às custas do Benfica, em plena Luz.
No final, o desolamento do vice-presidente João Coutinho foi bem visível. Cara enterrada nas mãos, lágrimas a correr pela cara, o rosto de um benfiquista feliz e de um dirigente que falhou. Deu todas as possibilidades para o voleibol se sagrar campeão, menos uma: o treinador. José Jardim é pé frio. Sim, teve um percurso muitíssimo bom enquanto jogador, esteve em todos os campeonatos conquistados pelo Benfica, enquanto jogador ou treinador, mas tem falhado sucessivamente nos momentos chave. O Benfica precisa de andar para a frente, não pode eternizar este treinador uma vez que os resultados apresentados nos últimos 3 anos estão longe de satisfazer um clube com as exigências do Benfica. Obrigado José Jardim, mas está na hora de cada um ir à sua vida. É tempo de apostar num treinador estrangeiro que tenha a capacidade para devolver o Benfica à glória no campeonato. Porque de resto, está lá tudo.