segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A todos um Bom Natal

Começo por dizer o seguinte: hoje, Jorge Jesus, deu uma banhada táctica ao FC Porto. Jesualdo Ferreira ainda deve estar para perceber como é que o nosso treinador montou a estratégia. Há pormenores difíceis de reparar, mas a postura com que o Benfica entrou em campo e os 15 minutos finais foram de uma classe táctica que raras vezes vi no Benfica. É impressionante ver a equipa defender como defendeu no último quarto de hora, sem sofrimento. Genial.

Mais de 63 000 deslocaram-se à Luz para ver o clássico que, apesar de não decidir nada, era de uma importância mais mental do que em termos de resultado propriamente dito. O Porto vinha em crescendo nítido, enquanto o Benfica não conseguia manter, naturalmente, os sucessivos 4, 5 e 6 golos por jogo aplicados em Setembro/Outubro. A juntar-se a tudo isto, eis que a nossa equipa se apresentava dizimada por um conjunto de castigos, lesões e gripes que poderiam deixar o mais optimista dos benfiquistas com dúvidas em relação ao jogo. Entre as possíveis baixas encontravam-se Luisão, David Luiz, Ramires e Aimar, para não mencionar os já confirmados Coentrão, Di Maria e Amorim. Um total de 7 jogadores, todos eles importantíssimos, poderiam ficar de fora. Eu próprio, confesso, não esperava uma vitória do Benfica no jogo de hoje. Mas penso que nós, adeptos, no Estádio da Luz, fomos muito mais fortes que o 12º jogador portista.

O Benfica apresentou-se com um onze diferente daquele que muitos de nós tinham imaginado ou programado. Jesus evitou ao máximo mexidas e adaptações, mantendo Maxi, David Luiz, e Peixoto nas posições em que têm actuado. Urreta e Carlos Martins, que realizaram, ambos, um jogo extraordinário, substituíram impecavelmente Di Maria e Pablo Aimar, respectivamente. O Porto, por seu lado, não se apresentou com onze jogadores sequer. Hulk foi menos um, ficou metido nos bolsos de César Peixoto (enorme jogo!) e David Luiz (enormíssimo jogo!), não soube jogar para a equipa e perdeu todos os lances que disputou, além de um par de mergulhos ridículos que deveriam ter-lhe custado a expulsão, que só pecou por tardia, no túnel, depois de agredir um segurança com uma bota, levando-o ao hospital.

O apoio foi maciço nas bancadas, factor que penso ter sido essencial à vitória. A equipa esteve segura e muito tranquila, apesar de nos primeiros 5 minutos ter sido empurrada para a sua área devido a decisões duvidosas de Lucílio Baptista (é incrível, mesmo roubados com este senhor, costumamos ganhar os derbies). De resto, a primeira parte foi um passeio para o Benfica, com oportunidades de golo para Cardozo, apenas com Álvaro Pereira sobre a linha de golo, para Carlos Martins, num remate fortíssimo com o pé esquerdo, para Ramires, que rematou à figura de Helton, para Maxi, Urreta, enfim, quase todos, mas apenas Saviola conseguiu fazer o golo, merecido, sendo que a dada altura o Benfica chegou a ter 10-2 em remates, 16-6 em ataques, prova clara da supremacia encarnada no primeiro tempo.

Na segunda metade do jogo, o Benfica voltou a entrar mais forte, mas as limitações físicas de alguns elementos, como Ramires e Saviola, essencialmente estes, não permitiram que continuássemos a massacrar o Porto, cedendo a iniciativa de jogo aos azuis-e-brancos, que tiveram mais posse de bola mas não controlaram a seu bel-prazer os acontecimentos. Varela, sim, foi efectivamente um jogador perigoso, um quebra-cabeças, mas Peixoto soube sempre resolver bem as situações. Por outro lado, Rodriguez e Hulk estavam claramente desinspirados, fruto do grande jogo de Maxi Pereira, diga-se. A melhor ocasião dos dragões acabou mesmo por ser num lance de manifesta sorte, em que após remate de Meireles, a bola tabela no corpo de Luisão, traindo Quim, que estava batido, mas a bola foi para fora. Aliás, a meia-distância foi a única maneira que o Porto encontrou para ameaçar a baliza do internacional português, fruto de marcação apertada e inteligente de Luisão e David Luiz, que não se mostrou de forma nenhuma condicionado pelo cartão amarelo exibido, injustamente, a meio da primeira parte. Falcao foi uma sombra durante todo o jogo, e mesmo Farias não esteve melhor. Quanto a Quim, há que dizer que está muito bem nos jogos grandes. O homem transcende-se. Aquela defesa a remate de Álvaro Pereira é fantástica, só ao nível dos melhores, e não comprometeu ao socar as bolas cruzadas, pois num relvado tão mau e com uma bola instável e tão molhada, agarrar seria um risco enorme.

Percebendo que o Benfica começava a perder o meio-campo, Jesus fez duas substituições que na minha opinião foram a chave do encontro: a saída de Carlos Martins para a entrada de Luís Filipe, que mudou-se para o lado direito, deixando o centro ocupado por Javi Garcia e Ramires, e ainda trocou o cansado Urreta por Weldon que deu mais frescura e velocidade ao meio-campo, fazendo também com que Fucile tivesse de estar sempre atento ao plano defensivo. Jesus ganhou o jogo com estas alterações. E os meus parabéns em especial a Urreta e Martins, não só pelo jogo, mas também pela condição física que evidenciaram, pois é difícil aguentar o tempo de jogo realizado por ambos num relvado daqueles quando um está sempre lesionado e o outro raramente joga.

O Benfica foi tentando inverter o domínio azul do segundo tempo e aos poucos e poucos conseguiu. Se aquele remate de Luís Filipe tinha entrado, o estádio vinha abaixo. E se há alguém que merece um golo daqueles é o camisola 22. Não gosto dele, ninguém gosta, mas Luís Filipe, com o seu trabalho e preserverança, é um exemplo para os menos utilizados. E eu acredito pessoalmente que Jesus pode recuperar um jogador queimado por todos nós. "Levanta-te Lázaro, e anda".

Até final da partida, especialmente nos últimos 15 minutos de dilúvio, o Benfica soube manter o controlo dos acontecimentos, num enorme banho táctico e emocional dado pela equipa, como por exemplos nas situações em que Rodriguez agrediu Javi Garcia, essencial pêndulo benfiquista a meio-campo. Incrível também é o penalty não assinalado por mão desse uruguaio, mas também já nos habituámos. Peixoto e Cardozo, que está muito mais jogador de equipa e cada vez menos tosco de dia para dia, souberam aguentar o jogo junto à linha lateral esquerda do ataque encarnado, minimizando as hipóteses do Porto marcar, minuto a minuto. O jogo encaminhava-se para o fim e já com Menezes em campo, no lugar do lesionado Ramires, o Benfica soube, e muito bem, manter a vantagem, num triunfo que tem tanto de suado como de justo e merecido. A vantagem foi suficiente, no entanto pecou por escassa. Continuamos na caminhada, mais fortes do que muita gente imagina. Isto é uma corrida de fundo, e é óptimo saber que podemos contar não com 14 jogadores, mas com mais de 20, ao contrário do que sucedeu em 2004/2005. E eu continuo na minha: se o Estádio da Luz estivesse sempre cheio, sempre com este ambiente, com os benfiquistas a proporcionarem o Inferno da Luz, seriamos imbatíveis em casa. Se queremos mesmo ser campeões, é hora de serem os benfiquistas a tomarem a palavra. Vão ao estádio. Seremos campeões.

16 comentários:

Galaad disse...

GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
GANHÁMOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

OBRIGADO BENFICA, OBRIGADO!!!!!!

Acabei de chegar agora ao Brasil e pelo que vejo e leio nas crónicas dos jornais, jogámos muito bem e os andrades nojentos não tiveram qualquer hipótese!!!!!

Uma pergunta: foi cantado o `cheira bem, chira a Lisboa` e `a todos um bom natal`??

AMO-TE BENFICA!!!!!!!!!!! HOJE, A VIDA É BELA!!!!!!!!!!!!!!

Galaad disse...

Só mais uma palavra a qum encheu hoje as bancadas.

Foram GRANDES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

GANHÁMOS GANHÁMOS GANHÁMOS GANHÁMOS

Natálio Santos disse...

Se existe equipa que realmente ainda não ganhou a uma grande equipa esse é o porto, pois a única grande equipa que tinha jogado até ontem foi o chelsea e perdeu os dois jogos, a tão propalada melhoria de forma deles foi ganhar uma equipa em descombros (atlético de Madrid)e ganhar 2-0 ao Setúbal, ontem apanharam com o Benfica mesmo desfalcado de 2 habituais titulares e levaram um banho de bola...!!! para quem dizia que ia ser um fim de semana difícil para o Benfica com 2 derrotas com o porto, só espero que se entale com os pinhões...!!! VIVA O SPORT LISBOA E BENFICA !!!

PS-ontem ganhamos um plantel...!!!

Coluna D'Águias Gloriosas disse...

eheh bebe aí uma Skoll geladinha com bolinha de coco pela gente Galaad:)

excelente análise no post caro JNF,

a partir desta vitória na Luz sobre os corruptos muita coisa vai mudar em ambos os clubes vais ver.....

saudações gloriosas

www.gloriosasfera.com disse...

Um Glorioso Natal para todos os Benfiquistas.

Saudações Gloriosas

Homem da Luz disse...

eheheheh,

um abraço Galaad,
aquilo ontem foi bom demais. Demos banho de bola, ganhámos e, claro, ainda fomos gamados. É assim que eu gosto ver o nosso Benfica ganhar.

SLB, SLB, SLB, GLORIOSO SLB, GLORIOSO SLB.

PS-Caso não saibas, foi o Álvaro Pereira a pôr Saviola e em jogo e Falcão esteve muito perto de marcar...na própria. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHHAAHAHAHAH

Anónimo disse...

ainda tenho os pés gelados do frio de ontem à noite...e as botas vou metê-las no forno para secarem...

Mas já combinei com os meus parceiros de cativo fazer umas t-shirts a dizer:" Eu AMO Jesus". Mas alguém quer?

Abraço
JD

JNF disse...

"O Cheira Bem, Cheira a Lisboa" foi muitas, mas muitas vezes cantado, os ânimos ficaram incendiados com a canção. "A todos um Bom Natal" ouviu-se em algumas zonas do estádio após o encontro, e até mesmo lá dentro, imediatamente a seguir ao apito final do Lucílio, daí o título do post.

Também houve "Quem não salta é tripeiro", "Quem não bate palmas é tripeiro", "Ninguém para o Benfica" com 63 000 benfiquistas a saltar, "Glorioso SLB", e o resto, normal.

Anónimo disse...

parabens lucilio

Jotas disse...

Depois de Olhão, apoderou-se dos adeptos portistas, uma desmedida euforia e um desvalorizamento das reais capacidades deste Benfica que lhes deu uma resposta à altura da sua arrogância, sendo um vencedor justo, que ganhou em todos os momentos do jogo e deu uma prova cabal, que por mais que esse seja o desejo dos adeptos adversários e de alguns pseudo - comentadores, não é uma fraude, mas se o é, apenas desejo que o seja assim até ao final da temporada.
Foi um jogo com uma vitória mais que justa do Benfica, que dominou a partida, jogou com querer, raça, determinação e um espirito de netreajuda notável, à campeão e quando assim é, este Benfica torna-se muito forte e foi bom ver, que mesmo com tanta ausência, para ganhar aos arrogantes tripeiros, batou jogar com vários suplentes e não convocados, ficando provado que o Benfica tem um grande plantel.

Anónimo disse...

E também se cantou: "O Hulk é paneleiro, oh, oh, oh, oh, oh..."

E dedicado a mancha cor de caca que estava lá num dos cantos a destoar do resto do estádio:
"Povo de m****, vocês são um povo de m****..."

djeiti disse...

Vencemos claramente como dizes porque o nosso 12º jogador foi melhor que o deles.
E que grande atitude tiveram os nossos bravos, mas destaco a "mão de Jesus" no momento chave do encontro, ao mexer na equipa no momento e da forma certa.
E que dizer das declarações do David Luiz no final do encontro já depois de ter dado aquela alegria aos adeptos (em especial ao que invadiu o campo): "Real Madrid? Amo o Benfica e amo jogar no Benfica!"
Que orgulho!

JNF disse...

Ó anónimo, eu diria mesmo mais: "parabéns lucílio, evitaste a goleada".

JNF disse...

E esqueci-me que também se cantou "Palhaços joguem à bola" quando o Rodriguez agrediu o Javi Garcia e o "são um povo de m*rda, não interessam a ninguém"

Vermelhusco disse...

Acho que a nossa equipa fez um jogo fantastico. Nao daqueles jogos para deslumbrar a vista mas um jogo com um nivel tactico incrivel e com uma inteligencia de todos os intervenientes que foi notavel.
Notou-se uma preparacao de todos os elementos do jogo ao mais infimo detalhe como com a escolha das musicas para galvanizar os adeptos por exemplo.

O trabalho do JJ foi notavel, ainda mais se considerarmos que jogamos a meio da semana e teve que preparar dois jogos e nao aapenas um como o juju.

Gostava de deixar um grande elogio aos habituais nao titulares que fizeram um grande jogo e mostraram uma garra incrivel!
O Carlos Martins e o Urreta para mim foram cruciais neste jogo. O Martins provou a toda a gente que esta um digno substituto do Aimar e o Urreta para mim agarrou o lugar no plantel e o direito a ser suplente utilizado como o Coentrao.
Mas gostava de deixar uma palavra de apreco ao Luis Filipe. O homem pode nao ter qualidade para jogar como titular no Benfica, mas para mim no jogo com o AEK e agora neste demonstrou que apesar de tudo tem algum valor e acima de tudo demonstrou orgulho em envergar a camisola do Benfica!! Para mim teve uma entrada optima no jogo e ajudou bastante na altura em que o Benfica estava gradualmente a perder o controlo do jogo.
O Weldon foi importantissimo e o Menezes esteve razoavelmente bem.

O JJ demonstrou uma mestria tactica e de gestao dos recursos a sua disposicao. Com as suas escolhas acabou de ganhar nao so este jogo mas todo um plantel para o resto do campeonato, incluindo os menos utilizados que apesar de serem menos utilizados tambem demonstraram que sao importantes na luta pelo titulo.

Dylan disse...

Saíram goradas as expectativas daqueles que tinham a certeza de que o Benfica cairia na classificação do campeonato nacional de futebol no final de Dezembro. Os dias que antecederam o último jogo com o FC Porto revestiram-se de chorrilhos arrogantes por parte do adversário, de que a vitória deste era um facto consumado. Profetas da desgraça travestidos de comentadores desportivos e cartomantes que adivinhavam o onze encarnado, alinhavam-se com os fazedores de notícias em que elementos ligados ao Benfica tentaram agredir e intimidar presidentes de outros clubes bem como árbitros. Como não bastasse o circo montado, na jornada anterior, em Olhão, uma equipa local estranhamente aguerrida amputou o Benfica de importantes atletas. No Domingo passado, a trupe falhou redondamente porque simplesmente menosprezou o dístico da bandeira encarnada - "E pluribus unum" - um entre muitos; uma simbiose de união, esforço, garra e sacrifício que catapultou a vitória.

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