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domingo, 19 de maio de 2013

O Mesmo de Sempre

Há coisas que recordamos e retemos na nossa memória e não sabemos porquê. Era eu bem pequenito e numa das minhas leituras de sábado do jornal A Bola, no chão da cozinha, pensava que o Porto, após conquistar mais um campeonato, apanharia mais dia menos dia o Sporting. O Porto ganhava o seu 15º título, o Sporting tinha 16. Estávamos em 1996 e o Benfica somava 30. Passados nem vinte anos, o Porto encurtou a desvantagem de quinze para cinco. É revelador do que sem tem passado em Portugal.

E o epílogo da época não poderia ter outro acontecimento tão simbólico, quase tão metafórico como a saída da águia rumo à Avenida Lusíada. Sim, a Vitória, mesmo à última, tal como o seu clube, não atingiu o objectivo. A águia não poisou onde deveria. Falhou o alvo. Errou o destino. Fracassou. Fraquejou. Desapareceu.

Termina assim uma época diferente de todas as outras, mas com o fim de quase todas elas. O Benfica falhou. Em última análise, por muitos paninhos quentes que se tentem colocar, a verdade é que o Benfica não foi suficientemente competente para conquistar aquilo que parecia tangível no início de Maio.

Termina da forma que não queríamos que terminasse. Porque foi injusto para nós, adeptos, mas também para os jogadores. Este grupo de atletas do Sport Lisboa e Benfica deixou a pele em campo e honrou o clube até à última gota de suor. Pela primeira vez em muitos anos, acho que não se pode apontar nada a estes jogadores. Nem ao treinador. Sim, Jesus, o mesmo que eu em tempos defendi que deveria ser demitido, merece uma palavra de apreço pelo muito que fez com este plantel que Vieira descaracterizou em absoluto com as saídas de Javi, Witsel, Nolito e César, sem nenhum substituto. Mas sobre Jesus falarei noutro post, mais tarde.

Serve isto para dizer que o Benfica perdeu o campeonato num dos dias mais felizes da minha vida desportiva. Num dos dias, talvez mesmo "no" dia em que vi, finalmente, "o" Benfica. Foi numa quinta-feira, na Luz, com o Fenerbahçe. Nessa noite, enquanto os jogadores do Benfica faziam o jogo das suas vidas, enquanto corriam como se não houvesse amanhã, estavam a desgastar-se a tal ponto que arriscavam a perda do campeonato. E foi isso mesmo que aconteceu. Com um plantel com reduzidíssimas opções de qualidade para a chamada "segunda linha", o Benfica acabou por perder o campeonato enquanto chegava a uma final europeia 23 anos depois. E não censuro os jogadores nem Jesus por terem dado tudo o que podiam na prova europeia. Porque não deve haver vergonha em morrer a tentar. Porque desistir não é ser Benfica. Perder também não, mas não é vergonha perder. Vergonha é desistir. E apesar de todos os desgostos e amarguras que este fim de época me/nos trouxe, acho que nunca senti tanto orgulho como hoje em Ser Benfica.

O futebol é assim mesmo, por vezes justo, muitas vezes injusto, e dá-nos grandes lições. O Benfica e os benfiquistas aprenderam muitas nos últimos 15 dias. Uma das quais é que a festa faz-se no fim. Não se faz no relvado dos Barreiros. Não se faz alugando e vandalizando a estátua do Marquês de Pombal. Os títulos festejam-se no fim, quando estão ganhos. O Benfica acabou por sucumbir também perante a soberba dos seus adeptos. Mas não caiu de joelhos como Jesus no Dragão. Caiu de pé. Reforço: tenho muito orgulho naquilo que os jogadores conseguiram. Não me satisfaz, mas não lhes posso apontar nada.

Mas o Benfica é grande, e se por outras vezes na sua História soube recuperar de pesadelos e provações maiores que estas que vivemos hoje, não será isto que deitará o clube abaixo. Porque apesar de tudo, o Benfica de ontem, de hoje e de amanhã valeu, vale e valerá pelos seus adeptos, sejam eles quais forem. E espero que os adeptos voltem a ganhar a exigência que entretanto perderam. Lembram-se das palavras de Diamantino ainda antes do jogo com o Estoril? Profético. O Benfica não pode ganhar de vez em quando. Tem de ganhar muitas e muitas vezes. Ganhar tem de deixar de ser algo esporádico para passar a ser um hábito. O Benfica reerguer-se-á. Só não sabemos quando.

A verdade é que urge ganhar. O Benfica não pode continuar a viver das vitórias do passado. Precisamos de ganhar amanhã, porque hoje já era tarde e ontem era tardíssimo. E é isto que me chateia profundamente. Temos de ganhar. Temos de querer ganhar. E precisamos de cultura desportiva, de cultura da vitória. Porque senão, continuaremos estupidamente felizes com um campeonato ganho a cada cinco anos. Porque a continuar neste ritmo que estamos, quando alguém perguntar a três adeptos do Sporting, Benfica e Porto sobre se se lembram de quando ganharam o último campeonato, as respostas serão "Não", "Sim" e "Qual deles?!", respectivamente. E eu quero deixar de me referir "ao ano em que fomos campeões" como "aquele ano". Quero confundir-me com os vários campeonatos ganhos. E olhando para este Benfica actual, vejo no relvado e no banco (sim, Jesus, esse mesmo) gente que me pode dar essas alegrias. Mas na tribuna não há ninguém.

Foi um prazer. Até sempre.

sábado, 4 de maio de 2013

Um Benfica à Benfica!


Já escrevi, apaguei e reescrevi este princípio de texto umas 100 vezes e continuo sem saber por onde começar. Nasci pouco tempo antes da última final europeia do nosso clube. Em Maio de 1990, nem as rezas de Eusébio sob o jazigo de Béla Guttmann surtiram efeito, e o Milan derrotou o Benfica por 1-0 em Viena. De lá para cá, as prestações europeias do Benfica em nada se ajustaram à categoria e à História do clube. Eliminados pelo Bastia. Os famosos 7 de Vigo. Levar 3 do Anderlecht. Perder na Luz com o Metalist. E até mesmo dois anos consecutivos sem conseguir o apuramento para as provas europeias. Desde que me lembro, vi o Porto, por mais de uma vez, o Sporting e até o Braga (às nossas custas) chegarem a uma final europeia. Até o Boavista esteve a dez míseros minutos de conseguir uma final europeia.

Mas ontem, na Luz, vi mais Benfica naqueles jogadores e naqueles adeptos que nos últimos 5, 10, 15 anos. Ontem, na Luz, houve Benfica, fez-se Benfica e o Benfica realizou-se. Os jogadores foram Benfica, os adeptos também. Em muitos anos da "nova" Luz, nunca tinha visto e vivido um ambiente como o desta 5ª feira. O Benfica x Manchester United de 2005/2006 era, para mim, o auge em termos de apoio fervoroso que já tinha presenciado. Caro leitor, se ontem não foi ao Estádio da Luz, não sabe o que perdeu. Perdeu a aparição daquele Benfica, em jogadores e adeptos, que os mais novos só vêem através das gravações em VHS ou que só ouvem pelos relatos dos mais velhos.

A apenas três semanas do fim da temporada, estamos paradoxalmente tão perto e tão longe de conseguir aquilo que queremos, que parece ainda irreal o que o Benfica já alcançou, sem ganhar nada, esta época. Estar com uma boa vantagem no campeonato, ter um adversário acessível na final da Taça e regressar a uma final europeia 23 anos depois é todo um corolário de condições que julgava serem absolutamente inatingíveis em Setembro último. Mais que ganhar um campeonato pela primeira vez em três anos, mais que arrecadar uma dobradinha pela primeira vez desde 1986, o Benfica pode fazer o que jamais foi feito no nosso clube: Campeonato + Taça + Prova Europeia. Mérito de quem? Deixo isso para outro post, onde Jesus, obviamente, mais até do que em 2010, tem o papel principal.

Mas ainda não ganhámos nada. E é isso que importa recordar no meio de toda esta euforia que leva gente ao Marquês de Pombal para festejar título nenhum. Em primeiro lugar, é preciso ganhar. O Benfica não pode dar abébias no campeonato e na Taça, e tem de fazer o melhor que sabe numa final europeia mesmo partindo na condição de não-favorito. É preciso ganhar. O "quase" não basta. O "quase" não serve. O "quase" não é um título. E não basta ganhar uma vez para se iniciar um novo ciclo. É preciso ganhar muitas vezes. É preciso iniciar o hábito de ganhar consecutivamente. E é isso que acho que esta temporada, em especial com a presença na final europeia, nos pode dar: uma viragem completa na mentalidade de jogadores, equipa técnica, corpo directivo e, também, pasmem-se, adeptos. Uma final europeia é especial para todos. Engrandece o clube aos olhos da Europa mas também o torna maior aos olhos de todos aqueles que o amam... e que o odeiam. Cabe agora a quem de direito saber capitalizar essa grandeza e esse crescimento que uma época repleta de títulos pode e deve dar. É aqui que entra Vieira. Cumprir o "1" do seu "3-1-50" prometido aquando das eleições (três campeonatos nacionais, uma final europeia e cinquenta títulos nas modalidades) à primeira tentativa é obra. O "3" vai igualmente bem encaminhado. E cumprindo aquilo que prometeu, Vieira terá, finalmente, um mandato à Benfica, continuando a ser, ou deixando de ser, o presidente que devolveu ao Benfica o hábito de ganhar muito e consecutivamente. E esse seria um feito digno de o colocar numa galeria onde figuram apenas os mais importantes presidentes da História do nosso Benfica.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Motivação

Primeiro é Raul Meireles, sedento por mais um jogo contra o clube que odeia, mandar larachas para a imprensa.

Depois é o treinador dos turcos dizer que o ponto fraco do Benfica são os centrais (sim, esses mesmos, Luisão e Garay).

Por fim é esta capa de um jornal turco, hoje, dia 25 de Abril.

Alguém está a pedir para levar umas quantas, não está?

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Lei do Mais Forte


Nem sempre brilhante, nem sempre com nota artística, a verdade é que derby é derby e tudo podia acontecer. É chavão mas é verdade. E o Benfica, consciente disso, soube fazer uma exibição realista e adulta, que lhe permitiu uma vitória com relativa facilidade.

Esta equipa, estes jogadores, este grupo transformou-se. O que eram e no que se tornaram... é de facto assombroso. Com todas as dificuldades e vicissitudes desta temporada, o percurso do Benfica é simplesmente brilhante. Não estou entusiasmado pelo facto de podermos ter uma época de sonho. Ou melhor, até estou, mas estou particularmente surpreendido por estarmos onde estamos e podermos ir para onde vamos com todos os obstáculos que esta época teve. É assombroso.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os ingleses, os ingleses...

Chegaram triunfantes, de cabeça erguida, confiantes de que a vitória não lhes escaparia. De Portugal, dos portugueses e do campeonato nacional, pouco ou nada sabem. Aliás, nem precisam. As suas equipas são incomensuravelmente superiores a qualquer equipa deste cantinho à beira-mar plantado. Importante é que há cerveja, muita e bem fresquinha, a 1 euro. Porque, feitas as coisas, os ingleses ganham sempre. Excepto daquela vez em que o Braga eliminou o Liverpool. E da outra em que o Sporting arrumou com o City. E quando o Benfica despachou o United também. E quando a selecção portuguesa se diverte às custas da inglesa. Mas tirando todos esses episódios, os portugueses são uns coitadinhos nas mãos dos poderosos bretões.

Jesus reagiu muito bem à ignorância de Alan Pardew. Aquilo não se tratava de jogo psicológico, de provocação ao adversário. É apenas e só ignorância. E o tratamento a dar a ignorantes petulantes é precisamente este. Na Luz, tive pena que o Benfica tivesse entrado com alguns jogadores da chamada "segunda linha", até porque o que o Newcastle merecia levar com a cavalaria pesada desde início. Merecia o tratamento que o Everton teve aqui há 3 ou 4 anos. Ainda assim, com rapazitos que ainda no ano passado estavam nos juniores ou na segunda divisão, o Benfica chegou para os valentões. Com a entrada dos craques Enzo e Lima, foi a tareia que já se esperava.

Esta 5ª feira, em condições normais, o Benfica ganha com facilidade no norte de Inglaterra. Deixemo-nos de tretas: somos melhores, perdão, muito melhores que estes gajos. E havendo profissionalismo, esta eliminatória ficará encerrada em três tempos. As meias-finais da Liga Europa estão aí ao virar da esquina. E tendo em conta que é bastante provável que a competição se resuma a Chelsea, Basel e Fenerbahçe, seria uma estupidez colossal deixar escapar a oportunidade claríssima de ganhar uma prova europeia.

domingo, 7 de abril de 2013

"Isso não!"

Gritou o meu pai quando se apercebeu que Salvio ia rematar a mais de 25 metros da baliza de Bracalli. Eu já estava por tudo. Dali, da pequena área, do meio-campo, queria que o Benfica rematasse. O jogo estava a correr bem, o Benfica estava a fazer um jogo muito consistente e muito tranquilo face à inoperância do Olhanense, mas faltava o golo. Por azar, por falta de jeito, tudo se juntava para não deixar o Benfica tomar vantagem no marcador. A verdade é que Salvio, pela enésima vez esta temporada, desbloqueou o jogo. Isso... sim.

Num campo de futebol ou num batatal, contra um taxi ou defrontando um autocarro de dois andares, o Benfica é, neste momento, a equipa mais forte e mais consistente deste campeonato. E hoje foi também, para surpresa minha, a mais tranquila. Mesmo tendo a gigantesca pressão de ter de ganhar para não deixar escapar os 4 pontos de vantagem para o Porto, o Benfica soube reagir face ao avançar do tempo com a persistência do 0-0 no marcador. O Benfica foi uma equipa tranquila, serena, organizada e que soube manter a cabeça durante aquela hora em que esteve empatado.

Jesus montou a equipa que, a meu ver, mais garantias dava (Maxi na sua posição de origem e, face à ausência de alternativas, Almeida no lugar que seria teoricamente de Luisinho), colocou o melhor quarteto de meio-campo disponível e apostou numa frente de ataque móvel que prometia dar dores de cabeça aos algarvios. Assim foi. Nem sempre com classe, nem sempre num futebol bem jogado (até porque o campo não permitia), mas com muita atitude e tranquilidade, bem diferente do "deixa andar" a que já assistimos em alguns jogos. Hoje sim, foi [mais] uma verdadeira exibição de um candidato ao título.

Restam cinco jogos dos quais apenas precisamos de ganhar quatro. O próximo para o campeonato é precisamente na Luz frente ao eterno rival, agora moralizado com os bons resultados e com um presidente que está a injectar moral e confiança nos adeptos e nos jogadores. Para nós faltam cinco jogos. Para eles só falta um, este mesmo. Muito cuidado com eles.

domingo, 31 de março de 2013

Meio basta, mas meia é bem melhor

Jesus advertiu, com muita razão, que meio a zero bastava para levar de vencida o Rio Ave. Pedia-se pragmatismo, muito concentração e zero facilitismos. Assim foi. O Rio Ave entrou muito bem na partida, com a lição bem estudada, tentando aproveitar o contra-ataque através das investidas de Bebé e Ukra e poderia mesmo ter chegado ao golo não se fosse a concentração dos atletas do Benfica e a sua vontade em resolver o jogo cedo.

Melgarejo, muito bem a atacar mas um autêntico buraco a defender, abriu o marcador por volta dos 10 minutos ao fuzilar autenticamente Oblak. De seguida, Matic aproveita uma falha de marcação num pontapé-de-canto e faz golo num tipo de lance que raramente tem tido sucesso nesta temporada. O Rio Ave mostrou porque se encontra tão bem posicionado na tabela ao criar vários lances de perigo, fossem eles contra-ataques velocíssimos, vários cantos com cabeceamentos que, felizmente, se revelaram infrutíferos, e ao enviar uma bola à barra da baliza de Artur. No entanto, se dúvidas ainda houvesse, Lima tratou de sentenciar a partida minutos antes do intervalo, ao fazer o 3-0 num belo lance de ataque rápido.

A segunda parte iniciou-se como terminou a primeira, com golo (golaço!) de Lima, seguida de um lance de sorte dos vila-condenses, com Hassan a colocar, inadvertidamente, a bola na baliza de Artur. Mesmo não sendo um jogo violento, Rui Costa conseguiu arranjar tempo para expulsar três jogadores e amarelar mais de meia dúzia. Foi apitando faltinhas aqui e ali, deixou outras por marcar, foi esticando a paciência dos adeptos encarnados e conseguiu que os jogadores caíssem na armadilha. Estragou o jogo, é verdade, mas tal não demoveu o Benfica de golear o Rio Ave. Lima, uma vez mais, a completar o hat-trick e Enzo Pérez, que uma vez mais encheu o campo, fizeram o resultado final.

É assim que se resolvem os jogos. Entrar com muita garra e atitude, marcar cedo e depois saber gerir a seu bel-prazer. Pragmatismo também é isto. Com 6 jogos para o fim do campeonato, e com a possibilidade de fazer mais 7 pelas outras provas em que estamos inseridos, é preciso saber descansar em campo com o resultado já feito. Foi o que o Benfica fez hoje. É também assim que se gere um grupo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pergunto-vos eu, que sou um gajo ingénuo

Por que motivo é que o presidente do Olhanense, devendo vários meses de salários aos seus jogadores, não quis disputar o encontro com o Benfica no Estádio do Algarve, que tem uma capacidade quatro vezes superior ao José Arcanjo, e que portanto permitiria fazer uma receita quatro vezes maior? Haverá alguma promessa de pagamento aos jogadores, sabendo-se lá de onde vem o dinheiro? Será isto tudo uma enorme coincidência, tal como a nomeação de um portista doente para arbitrar o Benfica x Rio Ave?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Calendários

É inevitável olhar para o calendário. Por muito que os adeptos não gostem de assumir, por mais que os treinadores o tentem esconder, já todos sabem quem vão defrontar até final do campeonato. E há até quem saiba com quem o rival directo vai jogar.

Com um bocadinho de sorte, o Benfica pode sentenciar o destino do campeonato nas duas próximas jornadas. A recepção ao Rio Ave e a deslocação ao Algarve para defrontar o Olhanense não devem constituir problema. O Benfica deverá vencer ambos os jogos com maior ou menor dificuldade, sendo que é expressamente proibido perder pontos nestes encontros, o primeiro por ser em casa e o segundo por ser contra uma equipa que está abaixo da linha de água e que vem descendo na tabela há largas semanas. Por sua vez, o Porto tem dois jogos de cariz bem mais complicado: primeiro desloca-se a Coimbra, onde, por tradição, até ganha facilmente, mas onde vai encontrar uma Académica bem diferente daquela que tem defrontado nos últimos anos. O jogo assume até uma importância maior dadas as particularidades do momento: o Porto entrará em campo vindo de um conjunto de maus resultados e a Briosa precisa de ganhar para manter a cabeça à tona de linha de água. E a seguir a Coimbra, o Porto recebe... o Braga. Uma equipa que luta pela Champions e que num passado recente tem causado alguns problemas aos azuis-e-brancos. Basta o Porto deslizar num destes jogos e o Benfica não ceder pontos para que o campeonato fique praticamente entregue.

Quanto a nós, focando-nos no que nos diz respeito, temos de receber o Rio Ave, ir a Olhão, receber o Sporting, ir aos Barreiros, receber o Estoril, ir ao Dragão e fechar em casa com o Moreirense. Não é fácil, mas também não é o fim do mundo. Há apenas 3 jogos de grau de dificuldade elevado: a recepção ao Sporting e as idas aos Barreiros e ao Dragão. E até realizar um desses jogos, já o Porto terá passado por provações tão grandes ou maiores que as nossas, podendo ver a distância aumentar em relação ao Benfica.

Mas há mais. O Benfica perdeu pontos com 4 adversários este campeonato. Curiosamente, em todos os jogos, o resultado foi o mesmo - 2-2. Mais curioso ainda: com 7 jogos por disputar, o Porto ainda tem de fazer esses mesmos jogos em que o Benfica perdeu pontos. Ir a Coimbra, receber o Braga, ir à Choupana e receber o adversário directo. O Benfica perdeu pontos nestes 4 jogos. O Porto não perdeu nenhum porque... não realizou nenhum. Interessante, sem dúvida. E a juntar a isto, para apimentar mais o calendário, o Porto fecha a época num dos terrenos mais difíceis do campeonato, frente a uma equipa que tem sido a grande sensação da prova (a par do Sporting, mas pelos motivos inversos) e que esteve perto de roubar o título aos dragões em 2007, o Paços de Ferreira.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Campeonato ou Europa?

Estamos a pouco mais de mês e meio do final da temporada. A tão pouco tempo do fim, e não tendo ganho nada [por agora], a verdade é que estamos muito perto de conquistar tudo. Campeonato, Taça e Liga Europa são metas possíveis e, umas mais que outras, prováveis. Seria de esperar que num clube com a grandeza do Benfica não se estivesse a discutir em qual das provas se deveria colocar as fichas. Mas a verdade é que, dada a falta de títulos nos últimos 20 anos, esta questão de "escolher" qual das competições ganhar tornou-se num hábito para os benfiquistas. No entanto, cada época tem as suas singularidades, e esta não foge à regra.

Estamos perante um plantel claramente desequilibrado. Não há laterais suplentes (e mesmo à esquerda é o que se tem visto), Matic e Enzo têm estado por sua conta, há jogadores em má forma, outros em subrendimento e, mesmo assim, os resultados estão aí, à vista, brilhantes e inatacáveis. Por isto, especialmente por isto, há quem defenda que o Benfica se deve focar única e exclusivamente no campeonato.

Discordo totalmente. Acho que apostar apenas no campeonato é uma tonteria que não deveria caber na cabeça de quem dirige, nos gabinetes ou a partir do banco de suplentes, o Benfica. Por dois motivos muito simples: em primeiro lugar, estamos numa posição extremamente favorável na Liga Europa. O Newcastle, apesar de ser um adversário que impõe respeito, está muito longe de meter medo. Tem feito um campeonato irregular, tem várias baixas para o duplo confronto europeu e não tem o nível do Benfica. Por isso, é muito provável que o Benfica venha a disputar as meias-finais da Liga Europa. E de uma meia a uma final vai um pequeno passo, que até pode ficar mais curto se o sorteio for simpático,  o que até nem é assim tão improvável, dada a valia das equipas ainda em competição. Já imaginaram ver novamente o Benfica numa final europeia, 23 anos depois? Não se devem desperdiçar oportunidades destas. O segundo motivo pelo qual acredito que não devemos deixar cair a Liga Europa é também ele muito simples: o que vos leva a acreditar que, apostando exclusivamente no campeonato, a conquista do mesmo seja uma realidade? Mesmo apostando apenas e só no campeonato, pode acontecer uma desgraça semelhante à do ano passado. Jesus pode ter nova psicose como a que o acometeu no ano passado em Guimarães, um Proença qualquer pode ser nomeado com o objectivo de nos fazer a folha, etc. Por isso, que sentido faz apostar exclusivamente em algo correndo os riscos de perder esse objectivo e de deixar escapar o outro, que até estava ao nosso alcance?

Espero que o Benfica aposte igualmente no campeonato e na Europa. Acho que as hipóteses de ganhar pelo menos uma das provas (além da Taça de Portugal, que, mesmo não a dando por adquirida, não concebo que nos escape) são maiores se se apostar nas duas competições em vez de focar as atenções exclusivamente numa. Pode também acontecer não ganhar nada, mas tenho para mim que é mais digno perder a lutar por tudo do que perder estupidamente porque se desistiu facilmente de algo. E caso esse cenário se confirme, acho que os benfiquistas e a Direcção deveriam ser suficientemente astutos para perceber quais os motivos que levaram ao insucesso, até porque, como referi no post anterior, nem tudo aquilo que pode ser insucesso pode ser atribuído ao treinador.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Os doze trabalhos de Hércules

Como pena pelo assassinato de sua mulher e de seus filhos, o oráculo de Delfos ordenou a Hércules, aqui representado por Jesus, não o Cristo, mas o da Reboleira, que cumprisse doze tarefas, conhecidas por "trabalhos", de modo a obter a redenção. Claro que a morte da mulher e da prole não se equipara à perda do campeonato 2011/2012 com 5 pontos de vantagem (fica ao critério de cada um o que é mais grave), mas também não é por isso que o nosso "herói" precisa de maior ou menor castigo. Os doze trabalhos são uma forma justa de o homem da Reboleira obter o perdão.

Toda a gente sabe que este Hércules é filho ilegítimo de Zeus, por sua vez uma espécie de Vieira, um Deus grego que a maioria dos benfiquistas não ousa questionar nem interrogar. Só que nesta história grega que se desenrola na Luz, não foi o oráculo mas sim o próprio Zeus que incumbiu o seu filho ilegítimo (e "ilegítimo" até porque teve uma relação [laboral, entenda-se] com Salvador) de realizar as doze tarefas. É claro que Zeus também tem a sua quota-parte de responsabilidade no meio disto tudo, afinal de contas Hércules só está presente nesta história devido a um devaneio sexual de Zeus com uma mísera mortal. Mas quanto a isso não podemos fazer nada. Se há algo que a História nos ensinou é que por entre cruzadas, desastres naturais e assassínios em massa, Deus, ou Zeus, se preferirem, safa-se sempre com paninhos quentes.

Atalhando, porque a história já vai longa, este nosso Zeus ordenou a Hércules que ganhasse o campeonato nacional. E fê-lo retirando o tapete à última da hora ao pobre (pobre? Mas o homem ganha 333 mil patacas por mês...) Hércules. Mas Hércules, vaidoso como é, disse que nem precisava do tapete, até porque quando acorda de manhã prefere sentir o chão frio por baixo da planta dos pés (apesar de todos sabermos que é assim que se apanham as mais chatas constipações). E assim, sem tapete nem rede por baixo do fio que percorre pé ante pé, Hércules vai levando a água a bom Benfica, cumprindo estes doze trabalhos decretados por Zeus.

Factualmente, com um plantel desequilibradíssimo, onde não há soluções para as laterais, onde se vendeu à última hora Javi e Witsel sem se acautelar as suas suas saídas, onde se perdeu Nolito e César no mercado de Janeiro e onde se tem assistido a uma temporada fraquíssima, por razões diferentes, de peças tão influentes como Aimar, Martins, Rodrigo, é de facto digno de assinalar que Jesus, perdão, Hércules, tem feito um trabalho assinalável. No que se jogou do campeonato até hoje, Hércules conseguiu 88,4% dos pontos possíveis, superando todos os registos das outras equipas europeias, inclusivamente os 88,1% do Barcelona, perdendo apenas para os 88,5% de pontos conquistados por Bayern e Olympiakos na Alemanha e Grécia, respectivamente.

Mas não é por nove ou dez das doze tarefas estarem concluídas que o filho ilegítimo de Zeus merece "perdão" (conhecido no século XXI por "choruda renovação"). Conhecem alguma versão da História em que Hércules tenha sido recompensado ainda antes de ter concluído os trabalhos? Eu não. Por isso é que defendo que se deve aguardar pelo fim dos trabalhos para saber se Hércules deve ou não ser perdoado. Até porque há três cenários em cima da mesa: ou vence as batalhas que tem pela frente, e aí merece a "renovação-perdão"; ou as perde por culpa própria e aí receberia um par de patins e a visita dos amigos de Felgueiras; ou as perde por culpa de terceiros (plantel curto, arbitragens, etc) e aí até defendo que se possa "renovar-perdoar".

Resta aguardar que este campeonato não termine, à semelhança de tantos outros, numa tragédia grega. Dia sim dia não se ouve que "nunca o Benfica perdeu um campeonato a 7 jornadas do fim", que "este é melhor Benfica desde Hagan" e mais uma data de verdades que, se forem pesquisadas, se calhar não são assim tão verdadeiras. Parafraseando o bom do Hércules, "o que interessa é como se acaba". Nem mais! Arregacem as mangas, cerrem os punhos e lutem até Maio. Não caminharão sozinhos. Quanto a ti, Hércules, lembra-te: "Os sonhos não morrem, somos nós que matamos os nossos próprios sonhos".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Receita para a desgraça


Odeio atrasos. A falta de pontualidade é uma coisa que me irrita. Porquê chegar atrasado quando se pode chegar a horas? E porquê chegar propositadamente atrasado? Isso e as desculpas. Também não gosto de desculpas. Foi o trânsito? Saísses de casa mais cedo. Foi a greve de metro? Planeasses outra forma de vir. Não tiveste tempo? Devias ter organizado o teu tempo melhor.

É por isso normal que não tenha gostado do atraso de 45 minutos que o Benfica teve. Enquanto a Académica montava o seu double-decker lá atrás, o Benfica ainda estava nos balneários. E nas bancadas, a apoiar constantemente. Mas os jogadores, esses, ficaram no balneário. Sem vontade, sem querer, sem atitude. O Benfica da primeira parte foi um remate de Enzo, uma cabeçada de Lima e pouco mais. A ausência de Ola John, a falta de inspiração de Salvio, o vedetismo de Rodrigo e a ausência de qualidade de André Almeida explicam em grande parte o que foi o Benfica do primeiro tempo.

E enquanto a segunda parte decorria, já estava a ouvir as desculpas para um desfecho triste que parecia cada vez mais provável à medida que o tempo passava. Era o cansaço do jogo de quinta-feira (apesar de vários jogadores não terem efectuado esse mesmo jogo, mas enfim...), era o árbitro, era o anti-jogo, era o areal em que estava transformado o relvado da Luz, era a falta de sorte, era o azar, era a desinspiração, era isto, era aquilo. E a falta de atitude dos jogadores? Por que raio é que o Benfica se pôs a jeito? Isto era fácil de resolver no início, como quase sempre fazemos na Luz. Para quê viver este risco, para quê estar a jogar à roleta russa com meio revólver carregado? É isto que eu não percebo.

O Benfica, que tem o plantel que se sabe, sem soluções para as laterais e sem backup para o miolo do terreno, arriscou estupidamente hoje. Por falta de atitude. Hoje, juntámos todos os ingredientes para o desastre. Escapámos à bala. Mas ainda lhe tocámos de raspão.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Grandes

O 4-4 foi muito bonito. Houve drama, houve festa, houve duas reviravoltas em meia hora e o coroar de uma equipa fabulosa que nesse mesmo ano nos daria ainda muitas mais alegrias. Mas 0-1 é bem melhor. Com algum sofrimento, é certo, mas com bastante classe e uma maturidade assinalável.

Jesus rodou a equipa e saiu-se bem. Arriscou, é certo, mas os jogadores responderam de forma muito positiva. Matic, Enzo e Almeida, tirando um ou outro lance, fizeram jogos fabulosos. Melgarejo, Garay e novamente Artur também estiveram muito bem. Gaitán, a espaços, e Cardozo, cirúrgico como sempre, também não desapontaram. E mesmo André Gomes, que teve uma exibição infeliz, confirmou a ideia que tinha dele: temos ali jogador. Sim. Um miúdo de 19 anos que joga no meio dos grandes sem medo, sem se encolher e sem fugir às responsabilidades só pode dar jogador.

É uma grande vitória, a segunda do Benfica na Alemanha (ambas na Era Jesus), e que nos coloca com um pé nos oitavos-de-final, onde defrontaremos um adversário mais acessível que este Bayer. Para a semana temos de resolver este duelo com os alemães.

P.S. Uma palavra para os 5 mil adeptos que se deslocaram à Alemanha: fenomenais. À Benfica!

E sem Proenças, a música também é outra.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

72 horas e um Benfica passivo

Ao longo das últimas semanas assistiu-se ao famoso folhetim das 72 horas. O Porto cometeu uma ilegalidade, ainda que inadvertidamente (algo surpreendente no reino do Dragão), ao utilizar Sebá, Abdoulaye e Fabiano num período inferior a 72 horas em jogos da equipa B e da equipa A, para a 2ª Liga e Taça da Liga, respectivamente. O Porto cometeu uma ilegalidade, a notícia foi divulgada e houve duas atitudes de duas facções diferentes que se mesclam no lamaçal que é o futebol português: a do Porto, que tentou justificar o injustificável com a utilização dos jogadores, atirando ainda poeira para os olhos das pessoas ao inventar notícias falsas acerca de uma suposta utilização irregular de jogadores por parte do Benfica, e a atitude da Federação, organismo que não é responsável pela organização da Taça da Liga, e cuja função neste caso específico era apenas e só desculpabilizar a infracção cometida pelos azuis-e-brancos. Como? Havia de se arranjar forma, só era preciso ser um pouco criativo.

E o passe de mágica foi dado esta quarta-feira. A desculpa esfarrapada passou pela não-aplicação do regulamento à Taça da Liga. O objectivo foi conseguido. O Porto pode assim participar na Taça da Liga. Bem-vindos a Portugal, onde o cumprimento das leis é motivo para punição e a sua violação é motivo para condecoração. Brilhante ainda o timing da tomada de decisão. Enquanto que no caso de Emídio Rafael, o Braga B foi imediatamente penalizado num curto espaço de dias, o caso do Porto foi-se arrastando e arrastando até aos limites. E qual foi o limite? A expulsão de Cardozo. Para calar os benfiquistas descontentes com esta decisão, Tacuara acaba de levar... 1 jogo apenas. "Para vos calar, lampiões", terão pensado os membros da Federação. Federação essa que, importa não esquecer, apoiamos. E apoiamos como? Inequivocamente, pois claro...

Acho ridícula a forma como o Benfica participou neste processo. Não sendo algo que não nos dizia respeito, era algo em que tínhamos de meter o nariz, obrigatoriamente. Sabemos como a justiça funciona e como não funciona em Portugal. Sem pressões, não se consegue nada. E o Benfica manteve-se inexplicavelmente passivo durante todo este processo. Porquê? O que ganhámos com isso? O que era suposto conseguir? Por que motivo é que o Benfica, desde o primeiro dia deste caso, não se pronunciou nem disse uma única palavra sobre o assunto? Porque não agitar as águas e amplificar a irregularidade cometida pelo Porto de modo a pressionar a justiça? Porque não deixar a ideia da verdade, de que o Porto era efectivamente culpado e só tinha de ser punido com a exclusão da prova? Não, o Benfica não fez nada disso, preferiu manter-se passivo, observador, expectante, à espera que acontecesse a absolvição anunciada. Pior. Sim, há algo ainda pior. A atitude do Benfica face ao levantar das suspeitas sobre a utilização irregular de jogadores da nossa parte. A denúncia anónima feita à FPF não tinha qualquer fundamento. A história das 72 horas não se aplica, obviamente, à mesma equipa. Se há dois jogos nesse espaço de tempo, o treinador não tem de mudar os 11 jogadores de um encontro para o outro. Era apenas e só isto, reforçando a ideia de que o Porto é que tinha cometido a ilegalidade e fundamentando devidamente, que o Benfica deveria ter feito. Mas não, reagimos da forma mais patética possível. Colocámos ênfase no facto de a denúncia ser anónima e emitimos um comunicado "à Porto". Por momentos fiquei na dúvida se aquele comunicado tinha sido escrito pelo Labaredas ou algo parecido. Aquela é a linguagem do Porto. Aquele é o modus operandi deles. E caímos nessa tentação. Deixámos a sensação de "lá vai o Benfica safar-se porque a denúncia era anónima, porque se não fosse, também eles iam de vela na Taça da Liga. São iguais ou piores que o Porto". Porque deixámos que isto acontecesse? E já viram a ironia? Nesse comunicado do Benfica, em vez de se dizer que a denúncia não tinha fundamento, e explicando porquê, preferiu-se colocar o foco na ilegalidade dos meios pelos quais a denúncia foi feita. Foi ao estilo de "estas escutas são ilegais, independentemente do conteúdo que contêm". Parabéns, pá, fomos Porto, reagimos à Porto. Vieira e demais lacaios, lembrem-se de uma coisa: à mulher de César não basta ser, é preciso parecer. E neste momento duvido que vocês "sejam", porque a única coisa com que se parecem é com um bando de falhados que não ganha um processo e que não coloca o Benfica à frente das prioridades pessoais. Defendam os interesses do Benfica, bando de cornos mansos.

Esté é o Benfica que eu aprendi a conhecer. Um Benfica que não antecipa o perigo, que não vê além do óbvio (e às vezes nem o óbvio vê) e que toma uma atitude de fanfarrão quando vai à frente. Despreocupado com o que se passa à sua volta quando segue na liderança, o Benfica que eu conheço acha que não é preciso reagir a nada. É um Benfica que dá entrevistas, que vai à televisão e que se pavoneia nos jornais. Invariavelmente, este Benfica acaba derrotado. Com surpresa para alguns, sem segredos para outros. O fim da história já todos conhecemos: acaba tudo num pranto, apontando desculpas para aqui, atirando culpas para acolá, rejeitando o demérito e recusando a crítica e a auto-análise. Este é o Benfica que eu conheço. Este não é o Benfica que eu quero.

Leverkusen: mais difícil do que parece

Kirsten, Schuster, Paulo Sérgio, Worns e Thom já não fazem parte do plantel do Leverkusen. Kiessling, Shurrle, Rolfes, Reinartz e Leno são as novas estrelas de um plantel equilibrado, de uma das mais fortes equipas da Liga Alemã, que tem assistido a um acréscimo considerável de qualidade nos últimos anos. Meus amigos, o Bayer Leverkusen, este Bayer Leverkusen, não é da mesma casta que o Hertha ou o Stuttgart, que defrontámos em anos anteriores. Nem se encontra no mesmo patamar de Spartak ou Celtic. Estamos a falar de um adversário que tinha qualidade para estar nos oitavos-de-final da Champions.

O Benfica não parte como favorito para este embate. Esta é daquelas eliminatórias de 50/50. Saiba Jesus artilhar a equipa da matreirice e da frieza necessárias para vencer os alemães e poderemos pensar em voos mais altos na Liga Europa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os castigos a Cardozo e Matic

Cardozo e Matic foram expulsos no jogo com o Nacional da Madeira. O primeiro bem, uma vez que pontapeou um adversário, o segundo mal, visto não ter efectivamente agredido nem tentado uma agressão a Candeias. O que vai decidir a Liga relativamente a estes dois casos?

A situação de Cardozo é recorrente. É a sexta vez que é expulso ao serviço do Benfica, a quarta por vermelho directo. De todas as expulsões, metade foram mal avaliadas (Getafe em 2008, Braga em 2009 e Sporting em 2011), enquanto as outras três foram, a meu ver, correctamente ajuizadas (Porto em 2011, Setúbal em 2012 e Nacional no passado domingo). Feitas as contas, em seis anos em Portugal, é o segundo cartão vermelho directo que Cardozo vê em jogos do campeonato por agressão. Pode dizer-se que Tacuara é um jogador violento? Não me parece. Ainda para mais, neste caso específico, estava a ser provocado pelo adversário. Na minha opinião, Cardozo não merece mais que dois jogos de suspensão. O puxão de camisola a Pedro Proença é um gesto que não lhe fica bem, mas não é, nem aqui nem na Tailândia, uma agressão. Se ainda fosse uma cabeçada a um árbitro, como a que Belluschi deu a Duarte Gomes, isso sim, mas um agarrão de camisola? Não. Cardozo merece ser castigado por dois jogos e multado pela atitude que teve para com Proença (apesar de bem lá no fundo o meu desejo fosse que o paraguaio tivesse partido para cima do brilhantina e o tivesse deixado como deixa as defesas de Setúbal, Nacional e Sporting). Mais que isto seria excessivamente pesado para o nosso artilheiro.

O caso de Matic é bem mais simples. Não há agressão, nem consumada nem na forma tentada, logo só tem é de ver a penalização ser revogada. Nem sei onde está a dúvida.

P.S. Nota para o ar de filho da mãe de Proença na expulsão de Matic. Transpira ódio ao Benfica por todos os poros. Oxalá tenha um encontro com o Paulo Parreira um destes dias.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sinais

O fantasma de Fevereiro. Foi há precisamente um ano que o Benfica começou a perder o campeonato. Primeiro pela mão do senhor Jesus, que achou boa ideia voltar ao meio-campo suicida em Guimarães, perdendo para o Vitória de Vitória, depois com a ajuda de um jogo miserável onde a mão de Hugo Miguel deu uma ajuda aos estudantes e por fim, para terminar em grande, um verdadeiro clássico do nosso futebol, talvez o maior dos clássicos, Benfica x Porto e Proença, com os memoráveis lances do 2-2 e do 2-3 portista a surgirem a partir de situações irregulares.

Jorge Jesus afirmou que provavelmente teria de sacrificar a Liga Europa para conseguir conquistar o campeonato. Quem não o conhecer que o compre. Chegou à Choupana e poupou Gaitán, Cardozo e Melgarejo. Luisinho assinou uma exibição deplorável, Urreta, surpreendentemente ou talvez não para quem o conhece, esteve muito bem e Rodrigo foi a nulidade do costume. Pior que as poupanças, só a atitude: os jogadores encarnados entraram em campo a dormir. Deve ter sido do jet lag madeirense, porque o motivador implacável, Jorge Jesus, tem os jogadores sempre em alta rotação.

O Benfica habituou-nos a isto. Chegamos a Fevereiro e baqueamos. Pior, mostrámos falta de atitude em campo (entraram a pensar em Leverkusen), falta de pernas também (já agora, vou querer ver o que é que este brilhante acto de gestão que foi vender César e emprestar Nolito nos vai custar) e falta de controlo emocional (Cardozo, tudo bem que o Proença é filho dessa senhora, mas não o podes agarrar, não é?). E no final da época estamos todos a carpir mágoas e a ver o Porto aproximar-se dos nossos 32 títulos. Mas a culpa é exclusivamente dos árbitros e temos de apoiá-los inequivocamente, a eles e a quem os apoia desse mesmo modo.

E se o jogo foi aquilo que vimos, o que dizer da flash interview? Inenarrável. Basicamente, depois de tudo o que vimos em campo, Jesus foi absolutamente incapaz de reconhecer que o Benfica esteve mal. Das duas uma: ou temos um treinador gabarola que acredita mesmo que o Benfica joga bem quando joga mal ou estamos perante um caso, não inédito na nossa história, de alguém que já tem poiso para trabalhar em 2013/2014, não na Luz, mas aí a uns 300 quilómetros de Lisboa. Ou as duas. Se calhar é mesmo isso.

E o Grande Líder? O homem que vetou Proença? Vai ficar calado depois do espectáculo do brilhantina? Já me esquecia, ele apoia inequivocamente isto. Apoia esta gente. Porque ele também faz parte "desta gente". E lembra-te, vendedor de sonhos e de pneus, de te fingires indignado quando o Proença for nomeado para o Dragão na 29ª jornada.


O Porto, a avaliar pelo site da Liga, conseguiu mais uma vitória confortável e leva já dois pontos de avanço sobre o Benfica. Aguardemos, irmãos, para que o velho sifilítico se manifeste contra mais este escândalo. Valha-nos isso. Ah, e o Sporting. Só de pensar que fui criticado por considerar, no início da época, que o Sporting não ia lutar pelo título...

P.S. Não liguem a este abutre à procura de espaço e de atenção. O Benfica está no trilho do sucesso. E os últimos campeonatos ganhos atestam isso mesmo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Forte contra os fracos, fraco contra os fortes

É este o Benfica que temos. É assim que é. Contra os fracos, agiganta-se. Contra os fortes, encolhe-se.

Tínhamos tudo para vencer este jogo. Tudo. O facto de a equipa estar em boa forma, o facto de o adversário estar diminuído (e muito) em termos de qualidade (sem Maicon, Rolando e James Rodriguez, para não falar de Hulk, Álvaro Pereira, titulares no ano passado), o facto de o adversário ter entrado em campo com uma soberba que não é habitual. E fraquejámos como gente pequenina, uma vez mais.

Ao invés de entrar com vontade de "matar" o adversário, não, o Benfica entrou cheio de medo. Medo. Borrado de medo. A jogar em casa, com 60 mil nas bancadas, com a confiança dos resultados conseguidos desde Agosto, contra um adversário menorizado pelas condicionantes que teve para este jogo. Como? Porquê?

O medo espelhado nos nossos jogadores e, sobretudo, no nosso treinador, foi patético. A forma como a partida foi abordada diz bem da mediocridade de Jesus e do seu crónico acagaçamento frente ao Porto. Jesus entregou a iniciativa de jogo ao adversário (que também, diga-se, por clara incompetência não conseguiu explorar o ataque) e não soube emendar a mão quando se apercebeu (será que se apercebeu?) das dificuldades do Benfica em sair a jogar com bola desde a defesa até ao ataque. Vejamos casos concretos: o Benfica teve medo de pressionar o Porto no meio-campo adversário, deixando os centrais e os laterais iniciarem as jogadas de ataque com toda a facilidade do mundo. Até nos lançamentos laterais, o Benfica não pressionou o rival, que não teve dificuldade nenhuma em sair a jogar através deste tipo de lances. Por outro lado, o eixo Artur-Jardel-Garay teve inúmeras dificuldades em sair com bola, que acabava invariavelmente no guarda-redes, para ser chutada para o meio-campo adversário (isto quando não a entregava a Jackson Martínez). Jesus foi incapaz de indicar aos laterais que baixassem no terreno de modo a poderem receber jogo. Incapaz. Incompetente. E esteve, uma vez mais, completamente desastroso nas substituições: com as alterações, retirou toda a dinâmica e velocidade ao meio-campo. A substituição de Enzo até dou de barato devido ao cartão que o argentino recebeu. Já a de Aimar foi completamente despropositada. Entrou um jogador completamente de rastos, vindo de uma exibição medíocre, e que ainda por cima possui todo um historial de exibições medíocres contra o Porto. Não foi capaz de gerar jogo, não foi capaz de ter bola, não foi capaz de fazer nada. Gosto muito de Aimar, mas nestas condições é impossível tê-lo a jogar. Ainda por cima a substituição foi feita numa altura em que Gaitán já dava sinais evidentes de cansaço, condição que pioraria consideravelmente poucos minutos depois, com o camisola 20 a arrastar-se também ele pelo campo. Resumindo, Jesus destruiu o meio-campo do Benfica. Passou a ter Martins, Aimar e Nico, três jogadores sem capacidade física para dominar o Porto, perdeu Lima, o elo de ligação com o último terço do campo, e lançou Ola John demasiado tarde.

Bolas paradas defensivas. Acho que é escusado falar deste assunto, não é? Burro velho não aprende línguas. Mangala, que já tinha feito um golo na Luz, voltou a marcar. Em vez de sermos mais astutos e mais inteligentes, continuamos a deixar os nossos adversários passearem-se pela nossa área sem levarem um encosto, sem ninguém os pressionar. Não há milagres.

O público. Lamentável. As centrais cheias de gente com medo do Porto, com medo de puxar pelo Benfica, com receio de gritar e de levantar a voz. Estão lá como quem está no São Carlos. Medo. O medo passou para os adeptos do Benfica. Às vezes penso se não seria melhor ter um daqueles estádios com apenas 30 mil lugares onde só coubessem os verdadeiros "fanáticos". Assim torna-se mais fácil jogar contra o Benfica na Luz. O público não fez o seu papel.

P.S.: Esta história de o resultado do jogo no site da Liga ser de 3-2 a favor do Benfica é um lapso, um erro e apenas isso. Fazer disso uma questão merecedora de importância, usar isso como bandeira para um auto-de-fé é apenas e só o reflexo da mediocridade dos dirigentes e, sobretudo, dos jornalistas que embarcam nesta conversa. Ok, um erro. Qual é o problema? Que consequências reais é que isto tem? Zero.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Por que é que o Benfica vai ganhar ao Porto.

Faltam 24 horas para o clássico. Faltam 24 horas para o Benfica derrotar o Porto na Luz e para, ainda assim, continuar longe, muito longe, de um título de campeão que tanto merece. Não há volta a dar. Não se trata de excesso de confiança, não se trata de soberba, não se trata de menosprezo ao adversário. Trata-se de lógica num jogo e num desporto sem lógica. Mas apesar de tudo, é essa mesma lógica que me diz que o SL Benfica pode e vai mesmo derrotar, apenas pela terceira vez nas últimas doze tentativas, o FC Porto na Luz, para o campeonato.

Chegados a Janeiro, o que este grupo de jogadores atingiu é, para mim, uma surpresa e um motivo de orgulho, ainda para mais nas condições em que o fizeram. Nem sempre com brilho, nem sempre da forma mais segura, correcta ou racional, mas chegaram onde eu não pensava ser possível, mesmo com um plantel que me parece mais fraco e mais desequilibrado que o do ano passado. A verdade é que esta equipa começou a época com poucos a acreditarem nela. Iniciou a temporada de uma forma atribulada, com muito barulho na pré-época pelos tristes acontecimentos de Dusseldorf. Teve de recorrer a adaptações pela escassez de soluções que o plantel apresentava, nomeadamente no que à lateral esquerda dizia respeito, mas também no centro do terreno, com Matic e Enzo, hoje titulares indiscutíveis, a ocuparem posições que não são, por natureza, suas. A equipa viu-se privada, mesmo no fechar da janela de transferências, das duas âncoras defensivas, Javi e Witsel, jogadores de qualidade inquestionável, que seriam titulares em quase todas as equipas do mundo, não tendo tempo (nem engenho) para substituí-los convenientemente. O capitão Luisão foi castigado a meio da época por dois meses face ao que havia feito quase dois meses antes. O plantel foi acometido por lesões, desde a do mago Aimar até ao crónico lesionado Martins, que tinha feito uma pré-época extremamente promissora. Foi preciso recorrer a jovens inexperientes dos juniores/equipa B para colmatar lacunas no plantel (André Almeida, André Gomes) memo em jogos importantíssimos (Celtic Park, Camp Nou, Alvalade). Vimo-nos a braços com o subrendimento de jogadores que fizeram uma campanha positiva em 2011/2012, casos flagrantes de Nolito, Bruno César e Rodrigo. Tivemos jogadores que não se encontravam em forma ou que ainda não se tinham adaptado e que não constituiram opção durante boa parte da temporada (Gaitán e Ola John). Tudo isto aconteceu desde Agosto até hoje. Era a receita para a catástrofe. E o registo do Benfica nas provas nacionais e internacionais não mente: 25 jogos, 18 vitórias, 5 empates e 2 derrotas (com o Barça e fora com o Spartak, diga-se). 1º lugar na Liga, nos quartos da Taça de Portugal (já sem Porto e Sporting) e nas meias da Taça da Liga. Estamos vivos e em todas as frentes. É muito positivo para tantas peripécias.

Mérito portanto para Jorge Jesus. De Agosto até hoje, superou todas as dificuldades, lançou jogadores novos, colmatou da forma possível as saídas dos craques com o que tinha à mão, adaptou com sucesso Matic e Enzo, soube gerir as lesões e os castigos, aprendeu a integrar jogadores no tempo devido (vide Gaitán e Ola John) e ganhou jogos, muitos jogos. (Re)Convenceu-me? Não. Ainda assim, apesar dos resultados positivos, há muita coisa que deve ser melhorada no futebol do Benfica, nomeadamente no que diz respeito à transição defensiva e bolas paradas. Sei que um acesso de loucura se costuma apoderar do nosso treinador quando menos se espera, e que tal insanidade nos faz perder campeonatos, mas não é por isso que deixo de reconhecer o mérito que teve nos últimos meses. Se Jesus fizer as coisas bem, não sabemos o que pode acontecer. Só é certo que se fizer as coisas mal, irá haver borrasca.

E olhando para o Porto, o que vemos? Em termos individuais, uma equipa muito mais fraca que a do ano passado (sem Hulk nem Álvaro Pereira), mas ainda assim muito "equipa". Apesar da anquilose vertebral, Lucho é a pedra base daquele grupo. E James o artista. Mas este Porto não sofreu as privações nem as provações a que o Benfica esteve sujeito. Foi um Porto que apenas e só perdeu Hulk "inesperadamente", tal como nós perdemos Javi e Witsel. Nada mais aconteceu. O caminho do Porto tem sido um passeio não tanto por fruto do trabalho e qualidade mas mais pelo fosso entre grandes e pequenos e da inexistência de dificuldades. Já imaginaram o que seria deste Porto se tivesse as lesões, os castigos, as quebras de forma, a necessidade de recorrer à equipa B e todas as restantes dificuldades que o Benfica teve desde Agosto? No entanto, para meu contentamento, os planetas parecem alinhar-se: Rolando, por muito mau que seja (e é), continua proscrito; Maicon vai falhar o clássico, o que significa que Mangala ou Abdoulaye, um destes cepos, ou mesmo os dois, será titular (força Salvio); e James, o grande artista, o homem que no ano passado entrou e decepou a defesa encarnada (que saudades de Capdev... Emerson, digo) também se encontra de fora. A juntar a tudo isto, o facto de o Porto ter no banco um treinador que é tacticamente inferior a um koala e que na conferência de imprensa de ontem acendeu o rastilho que deveria e deverá motivar ainda mais os nossos jogadores, deixando transparecer a ideia de que este jogo está ganho para os lados do Dragão. Queriam um Porto em pior situação? E já que este é o parágrafo do Porto, aproveito para deixar uma nota sobre o árbitro: João Ferreira. Para mim, o melhor, mais competente e mais sério dos árbitros em Portugal. Não foi membro dos super-dragões, não é filho do pai, não é sócio do Benfica (ai Proença...) e se a bola passa a linha de golo valida o lance. O registo dos clássicos apitados por este senhor é equilibrado (e curiosamente, na única vez que o Benfica venceu, perdoou dois penalties ao Porto). Queriam melhor que este? Não havia.

Aos guerreiros que amanhã vão entrar no estádio mas não no campo, peço apenas que entrem com o mesmo espírito dos heróis que envergaram a camisola do Benfica e que a tornaram num símbolo reconhecido em Portugal e além-fronteiras. É necessário um ambiente infernal, de apoio durante 90 minutos Entrem à Benfica. Sem medo. Para cima deles. Vemo-nos amanhã, no Estádio da Luz.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sonho de uma noite de verão em tempo de Natal

Pode não ser exactamente no verão, mas é no calor de Maio que quero festejar o trigésimo terceiro título do Benfica no Marquês de Pombal, rodeado por mais de 200 mil benfiquistas. É este o meu desejo, o meu pedido e o meu sonho de uma noite de verão em tempo de Natal.

O Benfica vai passar esta quadra na qualidade de líder do campeonato nacional, ainda que à condição, pela quarta vez nas últimas cinco épocas. Importa recordar que só em 2009/2010 é que essa superioridade natalícia significou o título de campeão. Por erros alheios ou nossos, a verdade é que vimos o campeonato escapar estupidamente entre as mãos em 2009 e 2012. E tal sucedeu mais cedo do que parece. Em Janeiro. No mercado de transferências.

No ano passado dispensou-se Peixoto para se ficar com Emerson, permitiu-se a saída de Enzo Pérez e emprestou-se Amorim ao Braga sem precaver a sua saída. Negligenciou-se a lateral esquerda enquanto se depauperava o meio-campo. A juntar a isto, a incompreensível teimosia para com Capdevila e a contratação de Djaló. Bem-vindos ao circo da Luz. Em meia dúzia de dias, o Benfica destruiu a época 2011/2012. Espero que um ano depois tenham aprendido a lição. Só que desta vez, a inacção terá o mesmo efeito das vendas de Janeiro de 2012: o adeus ao título.

Um defesa esquerdo e pelo menos um médio defensivo. É o que peço para o Natal. Podem entregar no dia de Reis que não me importo. Pensar que Melgarejo e Luisinho dão caso do recado é uma infantilidade. Acreditar que Matic, Enzo e André Gomes vão conseguir sustentar o meio-campo até Maio é brincadeira. Lesões, castigos, cansaço, tudo isto acontecerá nos próximos cinco meses. E a situação é particularmente grave no centro do terreno: não há substitutos. Acredito imenso nas qualidades de Pimenta e Rosa, mas nem um nem outro serão capazes de assegurar a competitividade necessária à equipa para a segunda metade da época, ainda por cima entrando assim de chofre. É mandatório contratar um trinco que entre de caras no onze da equipa sob pena de ficarmos a ver os mesmos do costume festejar antes de Maio, como [quase] sempre.

É este o meu pedido para o Natal: não estraguem aquilo que de bom tem sido feito nesta época. Ainda que planeada em cima do joelho, como atestam as transferências ocorridas no final de Agosto e início de Setembro, a verdade é que não fomos os únicos a cometer erros primários na gestão do plantel. Podemos ter gerido mal a situação, mas houve quem a tivesse gerido pior. Face à falta de qualidade da Liga Portuguesa, o Benfica necessita de fazer apenas e só os mínimos para conseguir ser campeão. E para cumprir os mínimos, é mesmo necessário recorrer ao mercado de Janeiro. Estando em quatro frentes, sendo o alvo a abater em três delas e tendo inúmeros adversários de peso noutra, tenho a certeza de que este plantel é muito curto para as exigências que se avizinham. É urgente reforçar o plantel em Janeiro, sob pena de termos os nossos atletas a arrastarem-se em campo, filme que já vimos inúmeras vezes no passado. Não me lixes, Benfica.