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sábado, 20 de outubro de 2012

Comissão de Honra

O candidato à presidência do Sport Lisboa e Benfica, e actual presidente, Luis Filipe Vieira, apresentou a sua Comissão de Honra, lista que contém benfiquistas ilustres que apoiam a candidatura deste senhor.

Não é um conceito que me agrade, este, de se diferenciar os benfiquistas. Mas tolero. O que intriga mesmo são alguns nomes presentes nessa lista. Um, mais que qualquer outro.

Ana Torres, filha de José Torres. Antiga glória benfiquista, um nome que Luis Filipe Vieira negou aos olhos do Benfiquismo. Pelo menos a falta de respeito, de hombridade e de solidariedade (valores intrínsecos ao sentimento de Benfiquismo) com que lidou com a doença prolongada do Bom Gigante e as condições miseráveis em que este passou os seus últimos anos de vida. O Benfica que sempre conheci teria apoiado, em tudo o que pudesse, um dos seus jogadores mais icónicos de sempre. Mas não foi isso que aconteceu. O Benfica de Vieira ostracizou toda a vertente humana do clube, deixando José Torres ao abandono e ao cuidado exclusivo da sua família, desprovida de recursos económicos para dar ao Bom Gigante o tratamento que a doença exigia. Um dia, Vieira lembrou-se de, finalmente, fazer algo pelo antigo goleador. Mas, para além de ter sido uma ajuda simbólica, foi, também, tarde demais.

Como Benfiquista, jamais me irei esquecer das imagens que pude ver na TV nas reportagens sobre o estado demente em que se encontrava o nosso José Torres. Uma imagem, em particular, atropelou-me a alma e o coração: aquele Homem de fralda, a chamar "mãe" à sua esposa. Vieram-me lágrimas aos olhos por saber que o Benfica nunca o tinha ajudado e por saber que também era nestas coisas que o Benfiquismo morria aos poucos.

Por tudo isto, acho lamentável que a própria filha de José Torres embarque no apoio ao homem que mais devia ter mostrado sensibilidade na abordagem à doença que acabou por vitimar mortalmente o Bom Gigante, mas que nunca se preocupou com a dignidade em que este foi (sobre)vivendo nos últimos anos da sua vida.

Noutro campo, o do ridículo-hilariante, surgem inúmeros nomes de actuais funcionários do clube. Mas a minha opinião quanto a isto, fica para outra altura.