Foi no dia 5 de Outubro de 2010, precisamente 100 anos depois de se ter implantado a República em Portugal, um regime que pressupõe a liberdade de expressão, que a RTP N, pelo seu jornalista Hugo Gilberto, resolveu ignorar a palavra "democracia" e atropelou todas as regras, incluindo a do bom-senso, ao tentar impedir António-Pedro Vasconcelos de exercer o uso da palavra para denunciar as escutas do processo Apito Dourado. Inadmissível num canal que se diz de serviço público, esta tentativa de, pior que branquear a verdade, tentar esconde-la a todo o custo. Gostaria de saber o que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tem a dizer sobre o assunto.
No entanto o cineasta não se calou e fazendo-se valer dos seus direitos continuou a falar do assunto. Quem não gostou muito foi Rui Moreira que, como podem ou puderam ver no vídeo, abandonou o programa em directo. Deve ser difícil tentar parecer um indivíduo sério e recto e depois defender com garras e dentes que as escutas são vergonhosas e que o conteúdo das mesmas não deveria ser julgado. Mas não basta parecer-se sério, é preciso se-lo. E Rui Moreira não o é. Por isso, incapaz de ouvir verdades, foi forçado a abandonar o programa.
Mas não acaba por aqui. O que vocês viram no vídeo foi apenas uma parte. Aqueles que, como eu, viram o programa em directo, puderam aperceber-se que, na segunda parte, já depois de Rui Moreira ter saído, foi mantida uma conversa na "regie" que acidentalmente ou não, fruto da insatisfação de algum funcionário da RTP N, acabou por ir para o ar enquanto A-PV falava. E o que foi perceptível dessa conversa? Qualquer coisa como "fique mais um bocadinho que o sr. Presidente quer". Hmmm... Rui Moreira... sr. Presidente... regie...
Nota final para Rui Oliveira e Costa que no final do programa se saiu com um "gosto muito de ser moderado por ti" para Hugo Gilberto. Eu diria mesmo mais: pois gostas, e à bruta.
Muitos parabéns a António Pedro Vasconcelos pela coragem e benfiquismo hoje demonstrados. Não é fácil nem será fácil, até pode ter sido o seu último programa, mas mais vale cair de pé que andar uma vida inteira de joelhos... ou de roupão.