Mourinho é um génio. Todos os adjectivos abaixo de "génio" pecam por escasso em relação à qualidade de José Mourinho. O que se assistiu hoje em Camp "Mou" foi algo de épico, foi brilhante, foi sangue, foi suor, foram lágrimas, foi um hino à arte de bem defender. Colocar um autocarro à frente da baliza é fácil, facílimo até. Mas dotar esse autocarro com toda a qualidade de um Porsche, isso é de génio. Quando uma equipa monta o autocarro sabe que perderá por poucos, mas perderá. Agora, quem viu o jogo viu que aquilo foi a arte de bem defender, foi ver o Inter a preencher todos os espaço, impedir o Barça de jogar à bola, bloquear todas e quaisquer possibilidade de perigo. Quantos lances realmente perigosos cria a super-hiper-mega equipa da Catalunha durante os 90 minutos? Um de Messi, outro de Bojan e pouco mais. Mourinho manietou totalmente a equipa de outro génio, Guardiola, montou uma teia da qual o Barcelona não se conseguiu soltar. A vitória é justíssima e inatacável. Foi o catenaccio em todo o seu explendor, foi um jogo cínico mas com muitíssima inteligência táctica do Inter. Para quem gosta do verdadeiro Calcio, isto foi lindo, ver o Barça a desesperar à medida que os minutos passavam, ver Piqué a engolir lentamente aquilo que disse.


O Barcelona é uma equipa odiável, desprezível. Não só o clube como os adeptos e a região. Não me lembro de ver uma equipa ser levada ao colo durante tanto tempo e de forma tão escandalosa como este Barça foi durante os últimos anos. Em 2006 lembro-me do célebre "teatro da Catalunha" que valeu a expulsão por vermelho directo de Del Horno por uma falta que não era para mais que cartão amarelo; no mesmo ano, Steve Bennett fingiu não ver uma mão de Tiago Motta na área após cruzamento de Simão, branqueando um penalty claríssimo; ainda nesse mesmo ano há um golo escandalosamente mal anulado a Shevchenko na capital da Catalunha, que daria o empate ao Milan nas meias-finais. Em 2009 mais do mesmo, com as famosas 4 ou 5 grandes penalidades no mesmo jogo que o senhor Ovrebo fez questão de deixar passar, o maior roubo futebolístico que me lembro de ver em muitos anos de competições europeias. Hoje assistimos à ridícula expulsão de Motta (se é na cara é vermelho, se é 2 cm mais abaixo nem cartão é), onde o jogador está claramente a olhar para a bola, preocupado em joga-la, enquanto Busquets se atira para o solo fingindo a agressão e ainda um golo em fora-de-jogo nítido de Piqué.
Não me esqueço ainda do que aconteceu aos adeptos do Benfica quando se deslocaram à Catalunha para ver os quartos-de-final em 2006, nem do ódio anti-capital que se vive nessa região, por sinal muito semelhante ao que se passa por Portugal.














