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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Contra este putos

Por muito bons que sejam, se não ganhamos isto merecemos mesmo não passar.

Ninguém (neste caso o Celtic) merece que o adversário tenha tamanha abébia...

Abraço forte aos nossos bravos que se fazem ouvir em Camp Nou!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Benfica joga continuidade na Champions

E na Europa. O jogo com o Spartak assume um carácter decisivo na luta pelos objectivos na Europa do futebol desta temporada. Uma vitória sobre os russos abre boas perspectivas para a passagem aos oitavos-de-final, enquanto que uma derrota ou até mesmo o empate podem deixar o Benfica à beira da eliminação total da Europa, com poucas chances de assegurar uma simples presença na Europa League.

Vamos a contas, de tão habituados que estamos a pegar na calculadora para prever o futuro. Colocando três cenários (o mais provável, o melhor dos cenários e o pior de todos), veremos o que o Benfica tem de fazer para assegurar a presença nos oitavos-de-final da Champions League:

O Mais Provável:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Celtic derrota Spartak na última jornada.
Se este cenário se verificasse, os catalães seriam líderes do grupo e o segundo lugar acabaria por ser disputado pelas três restantes equipas. O Celtic, em cinco jornadas, faria 7 pontos e o Spartak 3. Para o Benfica continuar na Champions League, teria de vencer duas das três partidas que faltam, sendo que uma dessas duas vitórias teria de ser contra os escoceses. Assim, o Benfica faria pelo menos 7 pontos, os suficientes para passar, dado que uma igualdade pontual com o Celtic favorece-nos no confronto directo. Este parece-me ser o cenário mais provável. O Barcelona parece ser demasiado forte para qualquer uma das equipas, o Celtic deverá derrotar, em teoria, os russos em casa, visto que até já o fez fora de portas, e o Benfica, na Luz, tem por obrigação vencer os dois adversários dos potes 3 e 4. Tudo somado, o Barça alcança os "impossíveis" 18 pontos, Benfica e Celtic fazem 7, o Spartak fica-se pelos 3.

O Melhor dos Cenários:
  • Barcelona vence em Glasgow e em Moscovo.
  • Spartak e Celtic empatam em Glasgow.
Se os astros se alinhassem, aconteceria isto mesmo. Desta forma, o Celtic faria 5 pontos em outros tantos jogos, ficando o Spartak com 4. Para o Benfica se apurar para o "mata-mata" da Champions, precisaria "apenas" de uma vitória frente aos escoceses por mais de um golo de diferença, servindo um empate contra os russos e uma derrota em Camp Nou. Se tal se verificasse, Benfica, Spartak e Celtic ficariam empatados no segundo lugar com 5 pontos cada, mas o Benfica acabaria por assegurar o segundo lugar por via de uma diferença de golos superior à dos rivais no apuramento, pois também empatariam em termos de pontos efectuados entre si.

O Pior dos Cenários:
  • Celtic vence os dois jogos em casa.
Se o Celtic vencer os dois jogos em casa, o Benfica precisa de vencer os três encontros que faltam disputar. Ganhar ao Celtic e ao Spartak em casa parece plausível. Ir ganhar a Camp Nou...

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Equipa B? - Parte II

O Benfica B, na jornada 8 da Segunda Liga, defrontou o Leixões e apresentou o seguinte 11: Mika na baliza, defesa composta por Cancelo e Carole nas laterais, Ascues e Sidnei no centro da defesa. No meio campo, Luciano Teixeira apareceu como médio defensivo, tendo Leandro Pimenta e Élvis como interiores. No ataque, Duarte Duarte e Miguel Rosa apareceram nas faixas e Cafú na frente de ataque. Durante o jogo entraram Cláudio Correa, João Mário e Luís Martins para substituir Élvis, Duarte Duarte e Cafú, respectivamente. No banco havia Bruno Varela, Fábio Cardoso, João Teixeira e Victor Lindelof. Agora, pergunto eu, qual é o sentido de ter Luciano Teixeira a jogar e João Teixeira no banco? Qual é o sentido de colocar Cafú no centro do ataque e colocar Luciano Teixeira como trinco titular da equipa? Algum dia Luciano Teixeira vai ser jogador para a equipa A do Benfica? Já nem falo na dispensa absurda de Paulo Teles. De seguida, alguém que me explique qual é o sentido de oferecer a titularidade a Élvis, jogador claramente banal sem qualquer futuro no Benfica, tendo um Bernardo Silva a brilhar nos juniores, cheio de qualidade, no seu último de júnior? Não faria sentido chamá-lo à equipa B? Ou, se calhar, não faria sentido puxar Miguel Rosa para o centro do terreno, posição onde ele é jogador para um clube grande? Não faria sentido deixar de olhar para Rosa como um jogador que aparece bem a finalizar, e com agressividade para romper pelo flanco? Alguma vez Miguel Rosa vai aparecer no Benfica a jogar como extremo esquerdo? Duarte Duarte... 24 anos, jogador fraco, sem qualquer hipótese de entrar na equipa A e sem qualquer futuro no clube, a tirar o lugar a jovens promessas... Será que Dino não podia ser lançado no seu lugar? Ou Hélder Costa, que já jogou pela equipa B esta época? Não faço a mesma relação com Ascues, Fábio Cardoso e João Nunes porque ainda pouco vi do peruano.

Quais são os reais dividendos destas apostas? Resultados. É isso que se quer para a equipa B? Será que o propósito da equipa B não era potenciar jogadores jovens com qualidade para representar a equipa principal do Benfica? Um jogador como Mvom, ex-jogador da Académica, que actuou frente ao Tondela, é capaz de oferecer mais garantias que João Nunes, ainda júnior de 1º ano, ou Fábio Cardoso, júnior de 2º ano. Porquê? Por ser mais forte fisicamente e por ter outro andamento a nível sénior. João Nunes e Fábio Cardoso, provavelmente, errariam mais, mas é para isso que devia servir a equipa B. Para criar contextos de exigência superiores aos dos campeonatos nacionais da formação, para que a evolução dos jogadores seja estimulada. Alguém acredita que Mvom algum dia seja jogador para o Benfica? Não. Já com João Nunes e Fábio Cardoso a questão é claramente diferente, principalmente com o primeiro. O mesmo é válido para todos os jogadores que foram enunciados anteriormente.

No país que está ao lado, há uma equipa que lançou um miúdo na equipa B com apenas 15 anos. Fala-se do Barcelona e de Grimaldo. Este ano, é titular do lado esquerdo da defesa do Barcelona B com apenas 17 anos feitos em Setembro deste ano. Jean Marie Doungou foi lançado com 16 anos no ano passado, sendo suplente utilizado em 12 jogos. Esta época, vai dividindo jogos a titular com outros a suplente utilizado. Deulofeu, enorme esperança do Barça, foi utilizado na época passada em 34 partidas, sendo 23 como titular e chegou-se a estrear pela equipa A, fazendo um jogo na Liga BBVA e outro na Liga dos Campeões. E podia continuar com mais exemplos, mas parece que, nos dias de hoje, é um mundo à parte.

Os responsáveis do Benfica que abram os olhos. Existe qualidade em muitos jovens ligados aos quadros do Benfica, mas muito dificilmente evoluirão no Nacional de juniores e, porque não, no de juvenis. Os resultados, na equipa B, devem ser tudo menos o principal factor.


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Cumpriu-se a tradição

A tradição ainda é o que era. O Benfica perdeu uma vez mais com uma equipa espanhola, averbando o décimo terceiro jogo consecutivo sem conhecer o sabor da vitória em jogos oficiais frente a uma equipa do país vizinho (o último triunfo remonta a 1982, contra o Bétis). Desta vez, sem surpresas, o Barça venceu na Luz num jogo em que, diga-se, pouco mais o Benfica poderia fazer.

O futebol do Barcelona é aquilo. Passe e recepção, os dois princípios básicos do futebol, levados ao extremo, que resultam numa posse de bola assustadoramente elevada. Pouco ou nada há a fazer perante isto. O Barça com que jogámos hoje é a equipa que vulgarizou o Real em Madrid na segunda parte da segunda mão da Supercopa Española, mesmo com uma unidade a menos. É a equipa mais dominadora do futebol mundial actualmente e, possivelmente, de toda a História. E frente a este Barça, diga-se que o Benfica foi um justo e digno, sublinhando o digno, vencido. Apesar da derrota, não há nada que se possa apontar à equipa ou ao treinador. Jesus abdicou dos princípios loucos pelos quais rege o futebol encarnado, adoptando uma mentalidade cautelosa e de contenção por oposição à pressão desenfreada que exerce quando não tem a bola. Os jogadores cumpriram o que o treinador mandou e defenderam não só com o autocarro mas com um bom autocarro. Isto leva-me a pensar que se Jesus quisesse (e bastava querer), o Benfica sofreria muito menos golos na Liga. Os erros defensivos que houve foram meramente ocasionais, como as vezes em que Salvio e Maxi ficaram a olhar para o portador da bola em vez de um deles seguir o adversário que se escapava nas costas ou a decisão intempestiva de Matic sair a pressionar Messi com a bola, num lance que acabou por resultar no golo do Barça.

Não posso dizer que estou contente com a derrota. Uma derrota é uma derrota. Mas pela forma como ocorreu e pela forma como não ocorreu/como poderia ter acontecido, creio que o Benfica esteve surpreendentemente bem. Não foi uma grande exibição, foi a exibição possível. O Benfica não fez mais porque não sabe nem pode. O Barça não deixa. Não deixa o Benfica, não deixa o Manchester na final da Champions, não deixa o Real no Bernabéu, etc.

Por fim, um tema um pouco extra-jogo e extra-futebol: não consigo compreender os benfiquistas que vão à Luz propositadamente para ver o Barça. Isto não se trata de uma exibição de benfiquismo fanático e autista da minha parte, mas queria mesmo tentar perceber este fenómeno. Tudo bem que existe a crise financeira, que o Gaspar se prepara para falar aos portugueses dentro de horas, que as pessoas têm de racionalizar os gastos e que preferem, naturalmente, ir a um Benfica x Barcelona que a um Benfica x Beira-Mar. Mas para mim, sempre que na Luz entra o Benfica e outra equipa qualquer (e para mim são mesmo, todas, "outra equipa qualquer"), eu quero que o Benfica ganhe e vou lá sempre, mas sempre por causa do Benfica. Se há um Benfica x Rio Tinto, eu vou pelo Benfica. Se há um Benfica x Manchester, eu estou lá com o mesmo entusiasmo com que estou no jogo com o Rio Tinto. Por isso custa-me (e se calhar custa-me porque não percebo mesmo) como é que há gente que vai lá "pelo Barça" sic. Ainda por cima com cachecóis e camisolas dos culés. De um clube de uma região que recebe mal os portugueses, que nos insulta, coage e inveja (por sermos independentes de Espanha, algo que ambicionam mas não conseguem). Nem vou pelo facto de ter um conjunto de fiteiros e maus carácteres como Busquets e outros que por lá andam, disso existe em todo o lado, ou pelo "proteccionismo", chamemos-lhe assim, exagerado que existe à volta dos jogadores (bastou ver que qualquer toque em Messi era merecedor de advertência verbal ou disciplinar por parte do árbitro). Exceptuando o futebol praticado, o melhor que já vi em todos estes anos, o Barcelona possuiu todo um conjunto de características que não suporto, daí não compreender quem vai à Luz, repito, à Luz, "pelo Barça".

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Faça-se Luz sobre o Barcelona

Segunda jornada da Liga dos Campeões e eis que o Benfica recebe o todo-poderoso Barcelona. Sem mais demoras, eis a crónica "Faça-se Luz".


Fundação, Guerra e Era pré- Camp Nou

Fundado em 1899 por um conjunto de futebolistas espanhóis, suíços e ingleses liderados por Joan Gamper (suíço), o FC Barcelona viveu períodos de instabilidade desportiva e financeira nos seus primeiros anos. As dívidas, as constantes mudanças de estádio e até mesmo alguns maus resultados foram intercalados com sucessos e troféus conquistados nos primórdios de um futebol espanhol muito rudimentar. A profissionalização dos catalães chegou apenas em 1926, mas para azar do sucesso desportivo do clube, a Guerra Civil Espanhola interpôs-se e a política assumiu um papel primordial sobre o futebol. Houve jogadores a alistarem-se para a guerra, outros pediram asilo aquando de visitas ao estrangeiro e até houve repressões políticas nos jogos dos catalães. Com o fim da guerra, vieram os anos de recuperação, nomeadamente o final da década de 40 e início da de 50, conquistando quatro campeonatos em seis anos, mas o sucesso foi uma efeméride. Na conclusão do período pré- Camp Nou, o Barça teria de assistir ao sucesso do Real Madrid, que conquistaria a Taça dos Campeões Europeus por 5 épocas consecutivas. Melhores dias viriam.


Club Fútbol Barcelona
Sob orientação do mítico Helenio Herrera e contando com uma troika de craques húngaros composta por Kubala, Kocsis e Czibor, o Barcelona conquista dois campeonatos (1959 e 1960), uma Taça (1959) e uma Taça das Cidades com Feira, a percursora da Taça UEFA (1960), chegando também à final da Taça dos Campeões Europeus em 1961 após derrotar o arqui-rival Real Madrid nas meias-finais, perdendo a final para o Benfica num jogo onde, rezam as crónicas, os catalães foram superiores e muito infelizes. O futebol é assim, o azar de uns é a sorte de outros. E enquanto este triunfo serviu para o Benfica cimentar um domínio absoluto no futebol português, a derrota do Barça seria o ponto de partida para o período mais pobre a nível desportivo do clube. Nos catorze anos subsequentes, os catalães não voltariam a ganhar o campeonato, polvilhando o seu currículo com três Copas do Rey, uma Taça das Cidades com Feira e nada mais. O Real Madrid tomara conta do futebol espanhol nos anos de Franco, conquistando nove campeonatos nesse período entre outros títulos.


Cruyff jogador, Nuñez presidente, Cruyff treinador

Com o fim da ditadura espanhola do general Franco, o Barça iniciou um período de crescimento sem precedentes na sua História. Com a queda do general, o craque holandês Johan Cruyff ingressa nos blaugrana e devolve os catalães aos títulos, conquistando o campeonato catorze anos depois, numa caminhada que envolveu uma manita dada no Bernabéu. Sol de pouca dura, no entanto, uma vez que o Barça só voltaria a ganhar o campeonato em 1985. Entretanto dar-se-iam as primeiras eleições do clube e que levaram Josep Lluís Nuñez ao topo da estrutura catalã, iniciando um reinado de 22 anos que só terminaria em 2000. Amado por uns, odiado por outros, o começo da Era Nuñez foi titubeante, com dificuldade em alcançar troféus nacionais de modo regular. Só no sétimo ano de presidência, já depois de duas Copas do Rey, uma Supercopa e duas Taças dos Vencedores das Taças, é que o Barça almeja o tão desejado campeonato. Nuñez deixou a sua marca bem vincada em Camp Nou, mostrando com clareza que acima dos jogadores estava sempre o clube. Contratou craques, mas rejeitou sempre pagar salários que considerava exorbitantes, deixando-os sair sem perder qualidade e competitividade. Assim foi com Maradona (o Barça ganharia o primeiro campeonato em onze anos imediatamente após a saída de Diego Armando), Romário e Ronaldo (sucedendo-se o mesmo fenómeno que ocorrera com a saída de Maradona), entre muitos outros. Concomitantemente com esta medida, Nuñez dá o pontapé de saída para aquele que seria o maior e melhor investimento feito pelo Barça a longo prazo: a sua cantera. Inaugura La Masia em 1979 e enceta uma luta que venceria contra radicais de extrema-esquerda e direita das claques azuis-e-vermelhas. Nuñez vencia fora do campo e preparava o Barça para vencer dentro dele. E esse ciclo ganhador chegaria finalmente com a ajuda do homem que, dentro de campo, enquanto jogador, devolveu o Barça aos títulos: Cruyff. O holandês assume a batuta da equipa em 1988 e monta uma equipa que passaria a ser merecidamente conhecida por Dream Team. Nela alinhavam Zubizarreta, Romário, Laudrup, Koeman, Guardiola, Bakero, Begiristain, Stoichkov, entre outros. Começa devagarinho, conquistando a Copa del Rey uma Taça das Taças, para depois, entre 1991 e 1994 ganhar quatro campeonatos de seguida, um record na história do clube e uma resposta ao tetra vencido pelo Real nos quatros anos anteriores. Curiosamente, em três dessas conquistas, o Barça partiu para a última jornada como segundo classificado, beneficiando de derrotas do Real Madrid nas Canárias em 1992 e 1993 e do empate caseiro do Deportivo (fruto de um penalty falhado no último minuto) contra o Valência em 1994 para ganhar essas Ligas. Impressionante. E a este fabuloso palmarés, Cruyff deu ainda a primeira Taça dos Campeões Europeus ao Barça graças à vitória sobre a Sampdoria em 1992, com golo de Koeman, perdendo ainda para o Milan a final de 1994. Cruyff sairia em 1996 depois de duas épocas sem nada ganhar, sendo substituído por Bobby Robson, que ganha em 1997 tudo à excepção do campeonato. Mas Robson não era visto como solução a longo prazo e o sonho holandês de Nuñez mantinha-se: queria Van Gaal, treinador que levara o Ajax à conquista de três campeonatos, uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões com uma equipa recheada de jovens em seis anos. Van Gaal aterra na Cidade Condal em 1997 e nos três anos subsequentes o Barça ganha dois campeonatos (1998 e 1999), mas falha o tri. O Real Madrid reemergia como principal potência em Espanha e ganha duas Champions em três anos, factor que, aliado à perda de Figo para o arqui-rival, à perda de competitividade e ao brutal incremento de dinheiro e qualidade do Madrid, levou a que o desgaste sobre Van Gaal e Nuñez fosse tanto que ambos se demitiriam no final da época 99/00. Uma nova Era viria.


O melhor futebol que o mundo já viu

Após a saída de Nuñez e van Gaal, sucedem-lhes Joan Gaspart na presidência e Serra Ferrer no banco catalão. O primeiro fora um bem sucedido e competente vice-presidente de Nuñez, o segundo tinha alcançado a fama e o êxito com boas performances ao serviço do Bétis de Sevilla. Nenhum confirmou os créditos atribuídos. Ferrer foi despedido antes do campeonato terminar, sucedendo-lhe Rexach e depois Van Gaal, num regresso absolutamente desastroso para o holandês, que seria despedido nos últimos dias de Janeiro de 2003, seis meses após o regresso, com a equipa num inaceitável 13º lugar. Gaspart terminaria os três anos da presidência com zero títulos conquistados. O Barça parecia afundar-se e só a chegada de Laporta em 2003 é que devolveu esperança e sucesso aos catalães, invertendo uma história que parecia perdida. Com Laporta veio mais um holandês, Rijkaard, que devolveu a filosofia ganhadora a equipa, agora assente em estrelas internacionais contratadas (Ronaldinho, Eto’o, Deco, Giuly, Albertini, Márquez) e em jovens promissores da cantera (Xavi, Iniesta, Valdés, Oleguer e, claro, Puyol). O Barça conquistaria os campeonatos de 2005 e 2006 bem como a Liga dos Campeões de 2006, encerrando assim um período de domínio nacional. A falta de profissionalismo de alguns elementos, nomeadamente dos mais influentes à cabeça, fez com que o Barça não ganhasse nenhum troféu entre Setembro de 2006 e Agosto de 2008. Aí, numa tentativa de inverter o rumo dos acontecimentos, Laporta toma uma aposta que seria a aposta de uma vida: Guardiola como treinador da equipa principal. Em boa hora. O Barcelona presentou os adeptos de futebol com uma das melhores interpretações do jogo, exibições que eram autênticos recitais de bem jogar à bola, numa equipa em que mais de metade dos elementos eram made in La Masia (Valdés, Piqué, Puyol, Xavi, Iniesta, Busquets, Pedro e Messi, por exemplo). Sem surpresas, o domínio foi de tal forma avassalador que o Barça conquistou em três anos outros tantos campeonatos, uma Copa del Rey, três Supercopas, duas Champions, duas Supertaças europeias e dois campeonatos do mundo de clubes. Em 2009 venceria tudo, mas tudo o que havia para ganhar (seis competições). Mas todas as Eras têm um fim e a de Guardiola chegou pela mão pesada do rival Real, agora apoiado em José Mourinho. Vilanova sucedeu ao amigo e a questão impõe-se: conseguirá o Barça continuar a encantar o mundo do futebol e a conquistar títulos regularmente nos próximos anos? Deixem-nos jogar à bola, eles responderão.




O que dizem os Blaugrana?

À semelhança do que se faz noutros países, nomeadamente em Inglaterra, com o famoso Spyin' Kop dos adeptos do Liverpool, decidimos também recolher opiniões entre os adeptos do FC Barcelona. Por falta delocais de discussão do clube catalão na net, foi bastante difícil encontrar alguém que respondesse às questões em tempo útil, mas conseguimos. Agradecemos a disponibilidade do aficcionado Bhushan Shah.

            1. Quais as vossas expectativas para a temporada 2012/2013?
Ganhar La Liga (a maior prioridade), a UEFA Champions League e a Copa del Rey também. Não estamos no Mundial de Clubes nem na Supertaça Europeia este ano, e já perdemos a Supercopa espanhola. Gostaríamos de ganhar todos os troféus restantes.

2. Parece que o FC Barcelona tem o campeonato na mão devido aos oito pontos de vantagem sobre o rival directo, o Real Madrid. Esta análise parece correcta?
Definitivamente não. É uma boa vantagem, mas não podemos pensar que temos uma mão no troféu. Estamos com 8 pontos de vantagem. Não seria surpreendente se o Real Madrid nos batesse duas vezes, reduzindo a diferença em 6, e depois fosse para cima de nós através de outros jogos. Vamos perder pontos. Temos de garantir que não passamos para trás do Real Madrid, no entanto.
 
3. O que aconteceu no ano passado ao FC Barcelona, ​​que foi eliminado por uma equipa como o Chelsea, que estava perfeitamente ao seu alcance?
Se viram os dois jogos, podemos dizer que muito se deveu a pura sorte. Claro que o Chelsea tinha uma finalização clínica e defendeu bem ao estacionar o autocarro. Mas o Barça acertou na trave quatro vezes, e houve muitos falhanços. Era muito improvável que o Barça perdesse com o desempenho que produziu. A sorte teve um papel muito importante.

4. O que explica o crescimento progressivo do FC Barcelona desde o início do novo século?
Não estou em posição de responder a esta questão, uma vez que sigo o Barça há apenas alguns anos. Mas um factor muito grande foi definitivamente Guardiola. Ele revolucionou a forma como o jogo do Barça. Além disso, La Masia produz jogadores de qualidade, e cada vez mais estão a ser integrados no plantel principal. Dependemos muito pouco do mercado de transferências, ou, pelo menos, é o que esperamos.

5. Qual é o ponto mais alto na história do FC Barcelona? Porquê?
Uma vez mais, não estou posição de comentar. Mas se eu tivesse que escolher, o ponto alto seria a época em que vencemos os seis títulos em disputa [2009].
 
6. Estão satisfeitos com o sorteio para a Liga dos Campeões? Porquê?
Sim, o sorteio foi muito favorável. É um grupo fácil quando comparado com o “Grupo da Morte” (Real Madrid, Man City, Ajax, Dortmund), ou mesmo a um com o Arsenal, Montpellier e Olympiakos. O Barça provavelmente também passaria se tivesse um grupo mais difícil, mas a verdade é que com jogos a meio da semana torna-se mais fácil um grupo como que temos, pois não deverá afectar tanto o desempenho na Liga. Claro que o Benfica é uma boa equipa, e vamos ter de jogar bem para vencer-vos. E eu também estou cauteloso sobre a partida fora de casa com o Spartak.

7. O jogo contra o SL Benfica situa-se entre a viagem a Sevilla e a recepção ao Real Madrid. Poderia isto afectar a concentração de jogadores do FC Barcelona no jogo contra o SL Benfica?
Esta não é a primeira vez que uma situação destas surge. Na última temporada tivemos Chelsea-Real Madrid-Chelsea numa semana, naquela que foi uma semana decisiva em relação à temporada. Perdemos tudo nessa semana. No entanto, desta vez o Real Madrid está 8 pontos atrás de nós, e não o contrário, como foi o caso no ano passado. Além disso, a moral dentro do campo está definitivamente em alta devido ao começo perfeito que tivemos. Por isso, acho que o calendário não afectará os jogadores muito do ponto de vista mental. Além disso, temos um plantel com bastantes soluções disponíveis neste momento (excepto centrais, lesionados), e os jogadores estão a regressar de lesões a tempo (Iniesta, Adriano, Puyol), e podemos esperar alguma rotação.

8. O que sabem sobre o futebol Português, especialmente sobre o Benfica?
Não muito, excepto que o campeonato Português é a sexta melhor liga europeia baseada nos coeficientes da UEFA, e que o Benfica é uma das melhores equipas do campeonato, ao lado de Porto.

9. O que pensam sobre cada um dos portugueses que estão em Madrid? Gostariam de ver Mourinho como treinador do FC Barcelona? Gostariam de ver Ronaldo de azul e vermelho? O que pensam de Coentrão, Pepe e Carvalho?
O Real Madrid tem uma série de jogadores portugueses de qualidade, como Pepe, Coentrão, e, claro, “o Deus de si mesmo”. São jogadores extremamente talentosos que podem causar problemas reais para o Barça, como já aconteceu no passado. Eu não gostaria de ver Mourinho como treinador do Barça uma vez que a sua filosofia de jogo é completamente diferente e oposta da do Barça, algo que eu particularmente gosto no meu clube. Além disso, a sua gestão de recursos humanos é frágil, dada a forma como ele aliena alguns jogadores (Kaká, Granero, Sahin). Eu não gostaria de o ver no Barça. Além disso, é um pouco excêntrico. E também não gostaria de CR7 vestido de “blaugrana”. Poderia ocorrer um agravamento da qualidade de jogo de Ronaldo e Messi se jogassem juntos.

10. Se pudessem contratar um jogador português ou que jogue no campeonato Português, quem escolheriam?
Não consigo pensar em ninguém agora. Existe por acaso algum central de qualidade por aí?

11. Quem consideram ser o melhor jogador do FC Barcelona? E o pior (daqueles que em princípio jogarão contra nós)?
Melhor: Messi. Ponto final. Pior: Bem, apesar de eu querer que eles executassem bem, temo que Mascherano e Dani Alves não terão exibições para recordar mais tarde.

12. Qual será o onze titular com que Barcelona vai alinhar contra o Benfica?
Víctor Valdés, Alves, Song, Mascherano, Alba, Busquets, Xavi, Cesc, Tello, Messi, Villa.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pack UEFA Champions League

Começa hoje a venda dos bilhetes para a UEFA Champions League. Numa primeira fase, estará disponível um pack de bilhetes à semelhança do que se passou nos anos anteriores, a preço convidativo. Para um sócio, ver o Barcelona, Spartak e Celtic custa "apenas" 45 euros na central, mais 3 euros que no ano anterior, mas ainda assim um preço bom face à realidade que o país vive e face à valia dos adversários. Com o Barcelona haverá, certamente, casa cheia. Resta saber se os adeptos comparecerão igualmente aos encontros com russos e escoceses. Seria importante que tal acontecesse.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sorteio da UEFA Champions League


Bem-vindos à Liga dos Campeões. O Benfica está na fase de grupos da maior competição europeia de clubes pelo terceiro ano consecutivo. E se até temos tido alguma sorte no passado com os sorteios, desta vez a sorte nada quis com o Benfica. Barcelona, Spartak e Celtic constituem um trio de adversários de qualidade e com algum peso histórico nas provas europeias que vão causar, certamente, dores de cabeça aos benfiquistas.

Desde o regresso regular do SLB à fase de grupos da Champions, em 2006, o nosso clube teve sempre hipóteses, mesmo que ténues, de lutar pelo primeiro lugar. Nunca nos calhou, nos últimos anos, um tubarão europeu no topo da sua forma. United em 2006, 2007 e 2012, Milan em 2008 ou Lyon em 2011, não eram equipas que não estivessem, pela qualidade intrínseca ou pela forma de jogar, num patamar assim tão inalcançável ao Benfica. Não era exigível ao Benfica que ficasse em primeiro lugar, claro que não, mas era possível, ainda que inverosímil, que tal acontecesse. Pois bem, este ano o primeiro lugar está, a meu ver, entregue. O Barcelona é uma equipa muito superior a todas as outras e mesmo sem Guardiola tem tudo para ganhar o grupo com enorme facilidade. Poderá almejar aos 18 pontos? Sim, pode. Ganhar duas vezes a Benfica, Spartak e Celtic é possível. Mas se olharmos ao que o Barcelona fez nos últimos anos, vemos que os catalães perderam sempre pontos na fase de grupos, mesmo com as equipas que ficaram em 3º e 4º lugar. Dos últimos 24 jogos dos blaugrana na fase de grupos, o Barça tem o registo de 16-6-2, que se dividem em 9 vitórias, 1 empate e 2 derrotas em casa (empate com o Milan em 2012 e derrotas com Shakhtar em 2009 e Rubin Kazan em 2010) e 7 vitórias, 5 empates 0 derrotas fora (empates com Basel em 2009, Inter e Rubin Kazan em 2010, Kobenhavn e Rubin Kazan em 2011). O Barça nunca fez o pleno na fase de grupos da Champions, sendo que desde a Era Guardiola não perdeu um único jogo fora de casa. Importa portanto, num grupo onde Benfica, Spartak e Celtic, equilibradamente, discutirão a segunda vaga de acesso aos oitavos-de-final, sermos nós a roubar pontos à equipa de Messi e companhia. Não é impossível, outras equipas no passado já o conseguiram, e vendo o calendário do Barça até podemos considerar que tivemos muita sorte com as datas dos jogos: recebemo-los entre uma ida a Sevilla e uma recepção ao Real para a Liga BBVA e deslocamo-nos a Camp Nou na última jornada, quando é expectável que o Barça tenha o apuramento e o primeiro lugar já garantidos. Ainda assim, o Barcelona é a melhor equipa europeia e aquela que mais queria evitar do pote 1.

Na luta pelo segundo lugar do grupo, o Spartak é a equipa mais forte imediatamente a seguir ao Benfica. O plantel é equilibrado, o meio-campo é o sector chave da equipa, têm um dos mais ardilosos treinadores europeus, Unai Emery e têm sido consistentes no campeonato interno nos últimos anos, apesar de não o ganharem desde 2001. Na Europa, no entanto, é difícil encontrar um percurso digno de registo. Nos últimos anos, os russos têm acumulado falhanços, ao contrário do que sucede com outras equipas do seu país, casos de CSKA e Zenit. Apenas duas presenças na fase de grupos da Champions nos últimos anos, em 2006/2007 e 2010/2011, onde caíram aos pés de Bayern e Inter (mas ainda assim afastaram o Sporting) primeiro e Marseille e Chelsea depois. Marcaram ainda algumas presenças na Liga Europa mas sem grande registo, excepção feita a 2010/2011, onde após a eliminação na Champions, chegaram aos quartos-de-final, sendo batidos sem apelo nem agravo pelo Porto. No entanto, este ano, o Spartak parece-me bastante diferente e muito mais preparado para triunfar na Europa. É um adversário de peso, bem mais difícil de derrotar que o frio de Moscovo ou que o seu relvado sintético. É fundamental vencer na Luz e tentar, se possível, arrancar um empate na capital russa. Se tal não acontecer, é preciso fazer mais pontos que os russos nos duelos com o Barça e, sobretudo, Celtic. Do pote 3, não era uma das duas principais equipas a evitar (Juventus e PSG), mas também não era uma das mais apetecíveis (Anderlecht, Ajax e Lille).

O decadente mas sempre perigoso Celtic é uma equipa habituada a marcar presença na Liga dos Campeões fruto do seu campeonato pouco competitivo. Na Escócia, todos sabem que no final da época, os dois lugares do topo estão destinados a Rangers e Celtic, protestantes e católicos. Contudo, este ano será bastante diferente. O derby de Old Firm não se realizará devido à descida do Rangers, deixando caminho aberto ao Celtic para ser campeão e permitindo uma mais larga gestão do plantel face aos jogos da Champions, permitindo poupar jogadores no campeonato para atacar melhor a prova europeia. Olhando para a actual equipa do Celtic, o único nome sonante é o do grego Samaras. Perdeu-se a mística e a qualidade dos tempos de Larsson, Petrov, Lambert, Miller, Nakamura ou Lennon, o actual treinador. Vencer os escoceses em casa é uma obrigação. Derrotá-los fora será bem mais fácil que em 2007 (derrotados por 3-0) ou 2008 (derrota por 1-0), fruto da falta de qualidade que hoje apresentam. Nos últimos anos, o declínio europeu do Celtic tem-se acentuado vertiginosamente. De 2005 a esta parte, os católicos foram sucessivamente 22º, 24º, 24º, 41º, 48º, 53º, 54º e 63º no ranking europeu, iniciando a presente temporada no 66º posto. O último grande momento europeu do Celtic foi a chegada aos oitavos-de-final da Champions em 2008, tendo perdido nessa ocasião contra o Barcelona por 4-2. Desde então, só por uma vez, no ano seguinte, voltaram a chegar à fase de grupos, mas saíram pela porta pequena ao ficarem em último lugar. Esbarraram sucessivamente nas 3ªs pré-eliminatórias e nos playoffs de acesso à grande prova europeia e, para surpresa de muitos, nem por uma vez ultrapassaram a fase de grupos da Liga Europa. Ainda assim, pese embora esta análise mais fria sobre a qualidade do Celtic, importa lembrar que é uma equipa com enorme tradição e muita rodagem na Europa. Não menosprezem o Celtic, até porque, do pote 4, estava logo a seguir a Dortmund e Málaga na lista de equipas a evitar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sorteio da Champions League

APOEL: Tenho a convicção de que não são tão fortes quanto a ideia que se tenta vender. Obviamente que se aqui chegaram, têm valor, mas não deixam de ser o APOEL. Prefiro tê-los neste sorteio que o Napoli, City, United, Liverpool, Juventus ou outros. No entanto, fruto da excelente campanha que têm efectuado, não podem ser menosprezados.
Hipóteses: 70%

Olympique Marseille: Os franceses saltaram do avião na Liga Francesa e não levaram pára-quedas. Estão em queda livre, levando quatro derrotas consecutivas. O oitavo classificado da Ligue 1 não parece tão forte quanto aquele que o Benfica defrontou em 2010, na Liga Europa. Por outro lado, os marselheses recordam-se das duas eliminações traumáticas e quererão certamente vingá-las.
Hipóteses: 55%

Chelsea FC: O que o período pós-Villas-Boas reserva aos blues é uma autêntica incógnita. Os anos passaram sobre os jogadores londrinos e a qualidade vai-se perdendo aos poucos. Neste momento são acessíveis ao Benfica, mas não deixam de ser o Chelsea e não deixam de ser favoritos. Seria bonito receber David Luiz e Ramires de novo na Luz.
Hipóteses: 35%

AC Milan: Este Milan não é o mesmo Milan da viragem do século. Perdeu magia, perdeu classe, perdeu veterania e jogadores marcantes. Está mais fraco que há 6 épocas, mas continua com muitos jogadores de classe mundial. Ibrahimovic é um perigo, Robinho é magia e Boateng a grande revelação. Não sendo fáceis, longe disso, como mostra o 4-0 aplicado ao Arsenal ou o empate alcançado em Camp Nou, o futebol dos milaneses acaba por encaixar bem no do Benfica.
Hipóteses: 25%

Bayern Munchen: Aqui piamos fininho. Eu vi o jogo com o Basel e fiquei com a noção de que o Benfica pode ser trucidado pelos bávaros. O Bayern é uma equipa temível. O meio-campo é uma autêntico máquina de jogar futebol e o ataque é de eficiência alemã. A velocidade de Robben e Ribery faz estragos a qualquer defesa. Só com dois dias excepcionais é que o Benfica consegue eliminar os alemães.
Hipóteses: 10%

Real Madrid: O Benfica não tem nada a perder numa eliminatória com o Real. E até tem o atractivo de receber Mourinho, Ronaldo, Coentrão e Di Maria. Um reencontro histórico em perspectiva de dois grandes europeus. Seria bonito. Menos bonito seria o resultado, mas já que aqui chegámos...
Hipóteses: 2%

Barcelona: Tal como sucede com os merengues, com o Barça não temos nada a perder. Mas temos grandes hipóteses de ser humilhados. Quem dá 7 ao Bayer dá 7 ao Benfica. Nos últimos anos, os catalães golearam o Real Madrid, Shakhtar Doneskt, Basel, Sporting, Lyon, Bayern, Bayer, Stuttgart e Arsenal. E o que dizer do registo dos blaugrana nesta edição da Champions? 8 jogos, 7 vitórias, 1 empate, 30 golos marcados e 6 sofridos. Aterrador.
Hipóteses: 0,2%

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Super Mourinho!

(eu ouvi tuuuuuuuuuuuuuuuudo o que disseram!)

Mourinho é um génio. Todos os adjectivos abaixo de "génio" pecam por escasso em relação à qualidade de José Mourinho. O que se assistiu hoje em Camp "Mou" foi algo de épico, foi brilhante, foi sangue, foi suor, foram lágrimas, foi um hino à arte de bem defender. Colocar um autocarro à frente da baliza é fácil, facílimo até. Mas dotar esse autocarro com toda a qualidade de um Porsche, isso é de génio. Quando uma equipa monta o autocarro sabe que perderá por poucos, mas perderá. Agora, quem viu o jogo viu que aquilo foi a arte de bem defender, foi ver o Inter a preencher todos os espaço, impedir o Barça de jogar à bola, bloquear todas e quaisquer possibilidade de perigo. Quantos lances realmente perigosos cria a super-hiper-mega equipa da Catalunha durante os 90 minutos? Um de Messi, outro de Bojan e pouco mais. Mourinho manietou totalmente a equipa de outro génio, Guardiola, montou uma teia da qual o Barcelona não se conseguiu soltar. A vitória é justíssima e inatacável. Foi o catenaccio em todo o seu explendor, foi um jogo cínico mas com muitíssima inteligência táctica do Inter. Para quem gosta do verdadeiro Calcio, isto foi lindo, ver o Barça a desesperar à medida que os minutos passavam, ver Piqué a engolir lentamente aquilo que disse.

O Barcelona é uma equipa odiável, desprezível. Não só o clube como os adeptos e a região. Não me lembro de ver uma equipa ser levada ao colo durante tanto tempo e de forma tão escandalosa como este Barça foi durante os últimos anos. Em 2006 lembro-me do célebre "teatro da Catalunha" que valeu a expulsão por vermelho directo de Del Horno por uma falta que não era para mais que cartão amarelo; no mesmo ano, Steve Bennett fingiu não ver uma mão de Tiago Motta na área após cruzamento de Simão, branqueando um penalty claríssimo; ainda nesse mesmo ano há um golo escandalosamente mal anulado a Shevchenko na capital da Catalunha, que daria o empate ao Milan nas meias-finais. Em 2009 mais do mesmo, com as famosas 4 ou 5 grandes penalidades no mesmo jogo que o senhor Ovrebo fez questão de deixar passar, o maior roubo futebolístico que me lembro de ver em muitos anos de competições europeias. Hoje assistimos à ridícula expulsão de Motta (se é na cara é vermelho, se é 2 cm mais abaixo nem cartão é), onde o jogador está claramente a olhar para a bola, preocupado em joga-la, enquanto Busquets se atira para o solo fingindo a agressão e ainda um golo em fora-de-jogo nítido de Piqué.
Não me esqueço ainda do que aconteceu aos adeptos do Benfica quando se deslocaram à Catalunha para ver os quartos-de-final em 2006, nem do ódio anti-capital que se vive nessa região, por sinal muito semelhante ao que se passa por Portugal.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Faleceu Sir Bobby Robson


Penso ter sido há exactamente um ano que Sir Bobby Robson deu uma extensa entrevista ao jornal A Bola, a qual pude, felizmente, ler e reler, em que afirmava que "o meu coraçãozinho está muito fraco".

Foi uma extensa entrevista, já em jeito de homenagem, em que reviu de fio a pavio a sua gloriosa carreira, de títulos e méritos, de honras e respeito. Treinou os melhores clubes e selecções, contribuiu para a formação dos melhores treinadores da actualidade, e, como se não bastasse, ganhou troféus, não tantos quanto poderia se tivesse treinador sempre clubes de top, o que até seria possível.

Mas, mais que o facto de ser um verdadeiro gentleman, mais que os ensinamentos, mais que os troféus, este excerto de entrevista ficará para sempre na minha memória.


Descanse em paz, Sir Robert William Robson.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O microcérebro dos jornalistas do Record


Como disse, e bem, o Sigmund numa caixa de comentários do Ndrangheta, acho muito difícil que o Benfica esteja interessado em Keirrisson, avançado que o FC Barcelona acabou de contratar por 14 milhões de euros ao Palmeiras. Basta pensar que neste momento o Benfica tem 6 pontas-de-lança: Nuno Gomes, Cardozo, Saviola, Mantorras, Marcel e Weldon. Para quê mais um?

Para quem sabe como funcionam os jornais espanhóis, a explicação é simples. Em Espanha existem 4 grandes jornais desportivos: Marca, com fortes ligações ao Real Madrid; As, o mais imparcial deles todos; Sport e El Mundo Deportivo, com fortes ligações ao FC Barcelona. O que também toda a gente sabe é que Joan Laporta é um presidente genial, cujo conhecimento do mercado desportivo ultrapassa em larga escala o dos nossos dirigentes.

Posto isto, o que se passou deve ter sido o seguinte: Laporta deve ter feito uma proposta por cerca de 15 M € por Bruno Alves mais Keirrisson por empréstimo, proposta essa que Pinto da Costa recusou. Então, Laporta, sempre atento ao que se passa no mercado, resolveu mandar os jornais com ligações ao Barcelona publicarem a notícia de que Keirrisson era pretendido pelo Benfica, de modo a que as negociações por Bruno Alves fossem aceleradas.

Mas isso só percebemos nós, benfiquistas, cujo QI tem três dígitos. Já o QI dos jornalistas do Record, exceptuando Rui Cartaxana e poucos mais, alcança, já com alguma sorte, dois dígitos.