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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Depois de ti, mais nada


(a melhor caricatura do Benfica de Vieira)

Nem sol, nem madrugada. Só trevas. Os mais de 1000 benfiquistas que festejaram euforicamente a reeleição de Vieira no pavilhão número 2 da Luz dificilmente terão motivos para celebrar algo da mesma forma tão cedo. Cerca de 8,5% dos sócios do clube reconduziram na presidência um dos maiores falhados (a nível de sucesso desportivo, porque o bolso pessoal está cheio) da nossa História. Vieira, o homem que pede união mas que no minuto seguinte manda os sócios para o caralho (sic), Vieira, o homem que quer unir os benfiquistas mas que no minuto seguinte refere-se a uma meia dúzia que só quer perturbar, Vieira, o amigo dos inimigos do Benfica, Vieira, o vendedor de promessas, de sonhos e de ilusões, Vieira, o homem que tem o dobro de eleições ganhas que campeonatos, Vieira, Vieira, Vieira. Os sócios decidiram, está decidido. Vão continuar a ter o Benfica que merecem, apesar de não ser "o" Benfica. Terão o Benfica que ficará atrás do Porto, o Benfica que mente aos sócios, o Benfica das derrotas humilhantes e dos passivos monstruosos. Cada um tem o que merece e nós, infelizmente, merecemos isto.

Foram feitas promessas no campo dos direitos televisivos, foram renovados votos de sucesso desportivo, a cassette de vieiradas crónicas foi posta em alta voz e quem acreditou no que ouviu foi lá botar a cruzinha na lista A (para alguns, literalmente, a única lista disponível para votar, por erro incompreensível, ou não, do sistema). À primeira todos caem, à segunda só cai quem quer, à terceira só os menos inteligentes, à quarta, bom, à quarta já vocês sabem.

Faz muita impressão ver este Benfica actual. Um clube onde os nossos inimigos se sentam a nosso lado, um clube onde os nossos rivais dirigem os destinos do clube e, pior que tudo, um clube onde os sócios assistem, amorfos, impávidos e serenos a todo este assalto ao clube. Este record de votantes, tão amplamente saudado pelos benfiquistas, é só, ainda que à primeira vista pareça estranho, a confirmação do desinteresse existente pelo clube. Em 2000, quando tínhamos cerca de 85 mil associados, votaram cerca de 21.000 pessoas. Em 2012, com mais 175 mil sócios em relação a 2000, votaram apenas mais 1000. Se isto vos parece positivo, não sei o que de dizer.

A cereja no topo do bolo e prova de que os benfiquistas esquecem constantemente o seu passado chama-se Manuel Damásio. O primeiro de uma linhagem de quatro presidentes que destruiu o clube, cuja gestão desportiva e financeira foi marcada pelo caos, com os resultados desportivos que se conhecem, e sobretudo as amizades com Pinto da Costa e a vinda e apoio a Artur Jorge, tudo isto foi esquecido nesta sexta-feira na Luz. Damásio foi recebido como quase-herói, entrevistado como um "notável", sendo ainda aplaudido por muitos benfiquistas. O que se pode dizer dos sócios que aplaudem quem ajudou a destruir o clube?

O que vai acontecer nestes quatro anos de mandato, os mais longos de uma presidência no Sport Lisboa e Benfica? Serão as promessas cumpridas? Ganhará três dos próximos quatro campeonatos? Conseguirá o Benfica chegar a uma final europeia? Os 50 títulos das modalidades são tangíveis? A rotura com a Olivedesportos é mesmo para ser consumada? O mesmo Vieira que apela à memória dos benfiquistas sabe que ela é efectivamente curta e tem consciência de que pode, ao fim de 13 anos de trapalhadas, sair pela porta grande se ganhar dois campeonatos ou se continuar a empreitada das construções e dos fait-divers próprios de quem não ganha porra nenhuma. Tem o clube e os sócios na mão. O Benfica é nosso? Mentira, é de Vieira.

P.S. Uma nota ainda para o "poder" da blogosfera. É curioso observar que os bloggers que acusam a blogosfera de ser presunçosa ao ponto de achar que pode decidir eleições se esquecerem que estes "presunçosos" sempre disseram, ao contrário de outros blogs, que o nosso poder era e é muito limitado precisamente por não chegarmos à maior das franjas de votos benfiquistas. Não tenho a certeza se são desatentos ou hipócritas, mas pelo que venho observando, nem o menos hipócrita dos homens conseguiria ser tão desatento.

P.P.S. Ao contrário do que se passou nos últimos dias, neste post, e pelo menos comigo, certos e determinados comentários não passarão. Já se faz tarde, tenho de ir dormir, vou contar carneirinhos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Artur Jorge v2.0

Chama-se Francisco José da Costa, mais conhecido no mundo do futebol por "Costinha". Agora que deixou de distribuir sarrafada e fruta pelos campos de futebol por essa Europa fora, decidiu vestir uns fatos muito janotas (há um particularmente bonito, cor de menta dos pés à cabeça, com o qual aparece vestido na entrevista que deu à revista Única do jornal Expresso) e, à semelhança do seu presidente (uma espécie de Damásio), acha que, por usar fatos bonitos, também é gente.

O que é facto é que desde que chegou ao cargo que agora exerce, tem feito mais ou menos aquilo que fazia dentro de campo, ou seja, partir tudo. Neste momento, e ao contrário daquilo que se podia imaginar, nomeadamente no que diz respeito ao Benfica, o Sporting é o clube mais vendedor do defeso, tendo já alienado os passes dos seus dois melhores jogadores, o Anão e o Gordo, perdão, Moutinho e Veloso, jogadores cuja qualidade é inquestionável e que, muito sinceramente e sem qualquer ponta de ironia, gostaria de ver de águia ao peito, mesmo que isso implicasse pagar ao rival. Aliás, relativamente a Veloso, tenho o feeling que será mesmo uma questão de tempo, visto a adoração que o nosso director desportivo tem por ele. Quanto a Moutinho, quem sabe, ele até já revelou publicamente o desejo de jogar pelo Benfica, ele que é benfiquista desde pequenino.

O que é facto é que Costinha encarna (ou "esverdeja") o típico sportinguista, clube do qual é mesmo adepto, embora às vezes não pareça: é peneirento, anti-benfiquista primário e negociar não é com ele, tendo em conta os saldos que têm ocorrido em Alvalade. Neste momento, com Bettencourt (Damásio) e Costinha (Artur Jorge) ao leme, as previsões de Dias da Cunha parecem cada vez mais acertadas: o Sporting não vai durar mais de dez anos. Disse-o, salvo erro, em 2006, logo em 2016 já cá não estarão. E assim, um dia, poderei contar aos meus netos, que vi o Sporting. E quando eles me perguntarem o que era isso, eu responderei que era um Belenenses mirradinho.