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sábado, 4 de maio de 2013

Um Benfica à Benfica!


Já escrevi, apaguei e reescrevi este princípio de texto umas 100 vezes e continuo sem saber por onde começar. Nasci pouco tempo antes da última final europeia do nosso clube. Em Maio de 1990, nem as rezas de Eusébio sob o jazigo de Béla Guttmann surtiram efeito, e o Milan derrotou o Benfica por 1-0 em Viena. De lá para cá, as prestações europeias do Benfica em nada se ajustaram à categoria e à História do clube. Eliminados pelo Bastia. Os famosos 7 de Vigo. Levar 3 do Anderlecht. Perder na Luz com o Metalist. E até mesmo dois anos consecutivos sem conseguir o apuramento para as provas europeias. Desde que me lembro, vi o Porto, por mais de uma vez, o Sporting e até o Braga (às nossas custas) chegarem a uma final europeia. Até o Boavista esteve a dez míseros minutos de conseguir uma final europeia.

Mas ontem, na Luz, vi mais Benfica naqueles jogadores e naqueles adeptos que nos últimos 5, 10, 15 anos. Ontem, na Luz, houve Benfica, fez-se Benfica e o Benfica realizou-se. Os jogadores foram Benfica, os adeptos também. Em muitos anos da "nova" Luz, nunca tinha visto e vivido um ambiente como o desta 5ª feira. O Benfica x Manchester United de 2005/2006 era, para mim, o auge em termos de apoio fervoroso que já tinha presenciado. Caro leitor, se ontem não foi ao Estádio da Luz, não sabe o que perdeu. Perdeu a aparição daquele Benfica, em jogadores e adeptos, que os mais novos só vêem através das gravações em VHS ou que só ouvem pelos relatos dos mais velhos.

A apenas três semanas do fim da temporada, estamos paradoxalmente tão perto e tão longe de conseguir aquilo que queremos, que parece ainda irreal o que o Benfica já alcançou, sem ganhar nada, esta época. Estar com uma boa vantagem no campeonato, ter um adversário acessível na final da Taça e regressar a uma final europeia 23 anos depois é todo um corolário de condições que julgava serem absolutamente inatingíveis em Setembro último. Mais que ganhar um campeonato pela primeira vez em três anos, mais que arrecadar uma dobradinha pela primeira vez desde 1986, o Benfica pode fazer o que jamais foi feito no nosso clube: Campeonato + Taça + Prova Europeia. Mérito de quem? Deixo isso para outro post, onde Jesus, obviamente, mais até do que em 2010, tem o papel principal.

Mas ainda não ganhámos nada. E é isso que importa recordar no meio de toda esta euforia que leva gente ao Marquês de Pombal para festejar título nenhum. Em primeiro lugar, é preciso ganhar. O Benfica não pode dar abébias no campeonato e na Taça, e tem de fazer o melhor que sabe numa final europeia mesmo partindo na condição de não-favorito. É preciso ganhar. O "quase" não basta. O "quase" não serve. O "quase" não é um título. E não basta ganhar uma vez para se iniciar um novo ciclo. É preciso ganhar muitas vezes. É preciso iniciar o hábito de ganhar consecutivamente. E é isso que acho que esta temporada, em especial com a presença na final europeia, nos pode dar: uma viragem completa na mentalidade de jogadores, equipa técnica, corpo directivo e, também, pasmem-se, adeptos. Uma final europeia é especial para todos. Engrandece o clube aos olhos da Europa mas também o torna maior aos olhos de todos aqueles que o amam... e que o odeiam. Cabe agora a quem de direito saber capitalizar essa grandeza e esse crescimento que uma época repleta de títulos pode e deve dar. É aqui que entra Vieira. Cumprir o "1" do seu "3-1-50" prometido aquando das eleições (três campeonatos nacionais, uma final europeia e cinquenta títulos nas modalidades) à primeira tentativa é obra. O "3" vai igualmente bem encaminhado. E cumprindo aquilo que prometeu, Vieira terá, finalmente, um mandato à Benfica, continuando a ser, ou deixando de ser, o presidente que devolveu ao Benfica o hábito de ganhar muito e consecutivamente. E esse seria um feito digno de o colocar numa galeria onde figuram apenas os mais importantes presidentes da História do nosso Benfica.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Por que é que o Benfica vai ganhar ao Porto.

Faltam 24 horas para o clássico. Faltam 24 horas para o Benfica derrotar o Porto na Luz e para, ainda assim, continuar longe, muito longe, de um título de campeão que tanto merece. Não há volta a dar. Não se trata de excesso de confiança, não se trata de soberba, não se trata de menosprezo ao adversário. Trata-se de lógica num jogo e num desporto sem lógica. Mas apesar de tudo, é essa mesma lógica que me diz que o SL Benfica pode e vai mesmo derrotar, apenas pela terceira vez nas últimas doze tentativas, o FC Porto na Luz, para o campeonato.

Chegados a Janeiro, o que este grupo de jogadores atingiu é, para mim, uma surpresa e um motivo de orgulho, ainda para mais nas condições em que o fizeram. Nem sempre com brilho, nem sempre da forma mais segura, correcta ou racional, mas chegaram onde eu não pensava ser possível, mesmo com um plantel que me parece mais fraco e mais desequilibrado que o do ano passado. A verdade é que esta equipa começou a época com poucos a acreditarem nela. Iniciou a temporada de uma forma atribulada, com muito barulho na pré-época pelos tristes acontecimentos de Dusseldorf. Teve de recorrer a adaptações pela escassez de soluções que o plantel apresentava, nomeadamente no que à lateral esquerda dizia respeito, mas também no centro do terreno, com Matic e Enzo, hoje titulares indiscutíveis, a ocuparem posições que não são, por natureza, suas. A equipa viu-se privada, mesmo no fechar da janela de transferências, das duas âncoras defensivas, Javi e Witsel, jogadores de qualidade inquestionável, que seriam titulares em quase todas as equipas do mundo, não tendo tempo (nem engenho) para substituí-los convenientemente. O capitão Luisão foi castigado a meio da época por dois meses face ao que havia feito quase dois meses antes. O plantel foi acometido por lesões, desde a do mago Aimar até ao crónico lesionado Martins, que tinha feito uma pré-época extremamente promissora. Foi preciso recorrer a jovens inexperientes dos juniores/equipa B para colmatar lacunas no plantel (André Almeida, André Gomes) memo em jogos importantíssimos (Celtic Park, Camp Nou, Alvalade). Vimo-nos a braços com o subrendimento de jogadores que fizeram uma campanha positiva em 2011/2012, casos flagrantes de Nolito, Bruno César e Rodrigo. Tivemos jogadores que não se encontravam em forma ou que ainda não se tinham adaptado e que não constituiram opção durante boa parte da temporada (Gaitán e Ola John). Tudo isto aconteceu desde Agosto até hoje. Era a receita para a catástrofe. E o registo do Benfica nas provas nacionais e internacionais não mente: 25 jogos, 18 vitórias, 5 empates e 2 derrotas (com o Barça e fora com o Spartak, diga-se). 1º lugar na Liga, nos quartos da Taça de Portugal (já sem Porto e Sporting) e nas meias da Taça da Liga. Estamos vivos e em todas as frentes. É muito positivo para tantas peripécias.

Mérito portanto para Jorge Jesus. De Agosto até hoje, superou todas as dificuldades, lançou jogadores novos, colmatou da forma possível as saídas dos craques com o que tinha à mão, adaptou com sucesso Matic e Enzo, soube gerir as lesões e os castigos, aprendeu a integrar jogadores no tempo devido (vide Gaitán e Ola John) e ganhou jogos, muitos jogos. (Re)Convenceu-me? Não. Ainda assim, apesar dos resultados positivos, há muita coisa que deve ser melhorada no futebol do Benfica, nomeadamente no que diz respeito à transição defensiva e bolas paradas. Sei que um acesso de loucura se costuma apoderar do nosso treinador quando menos se espera, e que tal insanidade nos faz perder campeonatos, mas não é por isso que deixo de reconhecer o mérito que teve nos últimos meses. Se Jesus fizer as coisas bem, não sabemos o que pode acontecer. Só é certo que se fizer as coisas mal, irá haver borrasca.

E olhando para o Porto, o que vemos? Em termos individuais, uma equipa muito mais fraca que a do ano passado (sem Hulk nem Álvaro Pereira), mas ainda assim muito "equipa". Apesar da anquilose vertebral, Lucho é a pedra base daquele grupo. E James o artista. Mas este Porto não sofreu as privações nem as provações a que o Benfica esteve sujeito. Foi um Porto que apenas e só perdeu Hulk "inesperadamente", tal como nós perdemos Javi e Witsel. Nada mais aconteceu. O caminho do Porto tem sido um passeio não tanto por fruto do trabalho e qualidade mas mais pelo fosso entre grandes e pequenos e da inexistência de dificuldades. Já imaginaram o que seria deste Porto se tivesse as lesões, os castigos, as quebras de forma, a necessidade de recorrer à equipa B e todas as restantes dificuldades que o Benfica teve desde Agosto? No entanto, para meu contentamento, os planetas parecem alinhar-se: Rolando, por muito mau que seja (e é), continua proscrito; Maicon vai falhar o clássico, o que significa que Mangala ou Abdoulaye, um destes cepos, ou mesmo os dois, será titular (força Salvio); e James, o grande artista, o homem que no ano passado entrou e decepou a defesa encarnada (que saudades de Capdev... Emerson, digo) também se encontra de fora. A juntar a tudo isto, o facto de o Porto ter no banco um treinador que é tacticamente inferior a um koala e que na conferência de imprensa de ontem acendeu o rastilho que deveria e deverá motivar ainda mais os nossos jogadores, deixando transparecer a ideia de que este jogo está ganho para os lados do Dragão. Queriam um Porto em pior situação? E já que este é o parágrafo do Porto, aproveito para deixar uma nota sobre o árbitro: João Ferreira. Para mim, o melhor, mais competente e mais sério dos árbitros em Portugal. Não foi membro dos super-dragões, não é filho do pai, não é sócio do Benfica (ai Proença...) e se a bola passa a linha de golo valida o lance. O registo dos clássicos apitados por este senhor é equilibrado (e curiosamente, na única vez que o Benfica venceu, perdoou dois penalties ao Porto). Queriam melhor que este? Não havia.

Aos guerreiros que amanhã vão entrar no estádio mas não no campo, peço apenas que entrem com o mesmo espírito dos heróis que envergaram a camisola do Benfica e que a tornaram num símbolo reconhecido em Portugal e além-fronteiras. É necessário um ambiente infernal, de apoio durante 90 minutos Entrem à Benfica. Sem medo. Para cima deles. Vemo-nos amanhã, no Estádio da Luz.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Depois de ti, mais nada


(a melhor caricatura do Benfica de Vieira)

Nem sol, nem madrugada. Só trevas. Os mais de 1000 benfiquistas que festejaram euforicamente a reeleição de Vieira no pavilhão número 2 da Luz dificilmente terão motivos para celebrar algo da mesma forma tão cedo. Cerca de 8,5% dos sócios do clube reconduziram na presidência um dos maiores falhados (a nível de sucesso desportivo, porque o bolso pessoal está cheio) da nossa História. Vieira, o homem que pede união mas que no minuto seguinte manda os sócios para o caralho (sic), Vieira, o homem que quer unir os benfiquistas mas que no minuto seguinte refere-se a uma meia dúzia que só quer perturbar, Vieira, o amigo dos inimigos do Benfica, Vieira, o vendedor de promessas, de sonhos e de ilusões, Vieira, o homem que tem o dobro de eleições ganhas que campeonatos, Vieira, Vieira, Vieira. Os sócios decidiram, está decidido. Vão continuar a ter o Benfica que merecem, apesar de não ser "o" Benfica. Terão o Benfica que ficará atrás do Porto, o Benfica que mente aos sócios, o Benfica das derrotas humilhantes e dos passivos monstruosos. Cada um tem o que merece e nós, infelizmente, merecemos isto.

Foram feitas promessas no campo dos direitos televisivos, foram renovados votos de sucesso desportivo, a cassette de vieiradas crónicas foi posta em alta voz e quem acreditou no que ouviu foi lá botar a cruzinha na lista A (para alguns, literalmente, a única lista disponível para votar, por erro incompreensível, ou não, do sistema). À primeira todos caem, à segunda só cai quem quer, à terceira só os menos inteligentes, à quarta, bom, à quarta já vocês sabem.

Faz muita impressão ver este Benfica actual. Um clube onde os nossos inimigos se sentam a nosso lado, um clube onde os nossos rivais dirigem os destinos do clube e, pior que tudo, um clube onde os sócios assistem, amorfos, impávidos e serenos a todo este assalto ao clube. Este record de votantes, tão amplamente saudado pelos benfiquistas, é só, ainda que à primeira vista pareça estranho, a confirmação do desinteresse existente pelo clube. Em 2000, quando tínhamos cerca de 85 mil associados, votaram cerca de 21.000 pessoas. Em 2012, com mais 175 mil sócios em relação a 2000, votaram apenas mais 1000. Se isto vos parece positivo, não sei o que de dizer.

A cereja no topo do bolo e prova de que os benfiquistas esquecem constantemente o seu passado chama-se Manuel Damásio. O primeiro de uma linhagem de quatro presidentes que destruiu o clube, cuja gestão desportiva e financeira foi marcada pelo caos, com os resultados desportivos que se conhecem, e sobretudo as amizades com Pinto da Costa e a vinda e apoio a Artur Jorge, tudo isto foi esquecido nesta sexta-feira na Luz. Damásio foi recebido como quase-herói, entrevistado como um "notável", sendo ainda aplaudido por muitos benfiquistas. O que se pode dizer dos sócios que aplaudem quem ajudou a destruir o clube?

O que vai acontecer nestes quatro anos de mandato, os mais longos de uma presidência no Sport Lisboa e Benfica? Serão as promessas cumpridas? Ganhará três dos próximos quatro campeonatos? Conseguirá o Benfica chegar a uma final europeia? Os 50 títulos das modalidades são tangíveis? A rotura com a Olivedesportos é mesmo para ser consumada? O mesmo Vieira que apela à memória dos benfiquistas sabe que ela é efectivamente curta e tem consciência de que pode, ao fim de 13 anos de trapalhadas, sair pela porta grande se ganhar dois campeonatos ou se continuar a empreitada das construções e dos fait-divers próprios de quem não ganha porra nenhuma. Tem o clube e os sócios na mão. O Benfica é nosso? Mentira, é de Vieira.

P.S. Uma nota ainda para o "poder" da blogosfera. É curioso observar que os bloggers que acusam a blogosfera de ser presunçosa ao ponto de achar que pode decidir eleições se esquecerem que estes "presunçosos" sempre disseram, ao contrário de outros blogs, que o nosso poder era e é muito limitado precisamente por não chegarmos à maior das franjas de votos benfiquistas. Não tenho a certeza se são desatentos ou hipócritas, mas pelo que venho observando, nem o menos hipócrita dos homens conseguiria ser tão desatento.

P.P.S. Ao contrário do que se passou nos últimos dias, neste post, e pelo menos comigo, certos e determinados comentários não passarão. Já se faz tarde, tenho de ir dormir, vou contar carneirinhos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Porque voto em Rui Rangel

Dito que não votaria em Luís Filipe Vieira e deixando claro que um voto em branco seria desperdiçar uma excelente oportunidade para mudar para mais e melhor que os actuais dirigentes do Benfica, ficou bem claro que votaria (e votarei) na Lista B, de Rui Rangel, na próxima sexta-feira dia 26 de Outubro.

Mas porquê votar em Rangel? Por ser do contra? Por ser doutor? Porque sim? Porque não? Nada disso. Os meus votos no juiz em nada se devem às questões acima colocadas. Se assim fosse, em 2009 teria votado em Bruno Carvalho e não em Luís Filipe Vieira, como efectivamente votei. E fi-lo na altura com a certeza, que ainda hoje tenho, que o candidato da lista então opositora à do actual presidente era composta por um conjunto de gente impreparada e sem noção do que é ou seria dirigir o Benfica. Hoje, passados três anos, tenho a certeza de que, apesar deste mandato de Vieira ter sido claramente negativo, com os dados que tinha à minha disposição na altura e face às listas apresentadas a sufrágio, fiz a melhor das escolhas possíveis, ou pelo menos a menos má.

Mas voltando ao cerne da questão, porquê votar em Rui Rangel?

Por convicção, é a minha resposta.

Será possível votar em Rangel sem se estar a votar contra Luís Filipe Vieira? Sim, é, e é sobre isso mesmo que versa este post, pois é por aí que vai a minha orientação de voto. Voto em Rangel por acreditar que o seu projecto é efectivamente bom. Claro que o facto de Vieira estar a minar o meu clube (não o dele) também faz com que seja mais fácil votar em Rui Rangel, mas não é por aí que vou. Deixando de parte a conversa do projecto [mais que] esgotado de Luís Filipe Vieira e dos múltiplos insucessos desportivos alcançados em quase dez anos de reinado, pretendo demonstrar, ou pelo menos explicar, por que é que acredito que a Lista B é per si, a melhor para o Benfica.

Rui Rangel não acordou ontem para as questões relacionadas com o Sport Lisboa e Benfica. Já em 2009, através do Movimento Benfica Vencer Vencer, tentou apresentar uma lista às eleições, plano entretanto abortado devido à antecipação puramente estratégica de Vieira que visava o impedimento de que certas pessoas se apresentassem a votos. Três anos depois, Rangel volta à luta demonstrando uma coragem que poucos benfiquistas ousaram revelar. Quantos dos chamados "notáveis" é que mesmo discordando da actual política financeira e desportiva do clube se apresentaram para participar no debate de ideias com o público, cara-a-cara, e não apenas através das colunas dos jornais? Quem é que quis arriscar o bom nome e a reputação construída durante anos numas eleições à partida perdidas? Rui Rangel teve a coragem que mais nenhum benfiquista de "nome", com passado na vida pública ou papel de destaque na sociedade portuguesa teve. Rangel teve a ousadia de arriscar o nome a troco de umas eleições que sabia que seriam (serão?) praticamente impossíveis de ganhar. Só por isso merece o meu respeito. Mas para merecer os meus votos precisaria de muito mais.

E Rangel tem esse "muito mais" que faltava. Num grande clube como o Benfica, há e sempre haverá uma falange de adeptos descontente com o rumo da equipa, sobretudo quando não se ganha. Seria fácil aglutinar todas essas vozes de discórdia de forma a provocar instabilidade e algazarra na praça pública de modo a tentar capitalizar o apoio popular. Uma estratégia demagógica que não raras vezes é utilizada. Rangel, felizmente, não escolheu esse caminho. A voz de Bruno Carvalho, uma das mais activas nos últimos três anos de oposição encarnada, não faz parte do seu projecto, tal como a voz, ou melhor, a sombra de Veiga, que de acordo com as listas propostas a sufrágio não fará parte dos órgãos sociais do clube e que, segundo o próprio Rangel em comunicado emitido na sua página do Facebook, não fará também parte da estrutura do futebol profissional do SL Benfica. Pelos vistos, a exclusão de Veiga do futebol do Benfica vai ter o condão de meter muito boa gente a repensar a sua orientação de voto, uma vez que prometeram não votar Rangel devido ao facto de Veiga estar, pretensa e falsamente, como se provou, na sua lista ou na calha para o futebol encarnado. Gente essa que, curiosamente ou talvez não, afirmou que nunca estaria do lado de Veiga esquecendo-se (ou não, uma vez mais) que esteve ao lado de Vieira nos anos em que o ex-empresário foi unha com carne com o actual presidente.

Mesmo numa questão tão delicada como a dos direitos televisivos, Rangel optou sempre pela verdade, pela transparência e pelo esclarecimento dos sócios, referindo que a hipotética não-renovação com a Olivedesportos passará pelo cumprimento de um conjunto de cláusulas assinadas no contrato que hoje vigora, e que consistem no direito de preferência de Joaquim Oliveira quanto à renovação do contrato se igualar a melhor oferta que o Benfica venha eventualmente a receber. Ainda assim, Rangel recusou o silêncio nesta matéria, política da outra lista, e prometeu a tentativa de abrir o concurso relativo aos jogos caseiros do Benfica ao mercado internacional, onde o nosso clube poderia, eventualmente, fazer um maior encaixe financeiro.

Rangel não envereda pela crítica oportunista e fácil. Em praticamente todas as suas intervenções públicas desde que anunciou a candidatura vi-o elogiar ocasionalmente o trabalho feito pela Direcção vigente em algumas áreas. Seria extremamente fácil (e populista, uma vez mais) adoptar o discurso do bota-abaixo, mas o juiz optou pelo caminho que achou e que é o mais correcto: não esconder o que de bom foi feito nestes anos. E não raras vezes aproveita o que a actual Direcção construiu para lançar e reforçar as ideias que tem para o Benfica demonstrando onde Vieira e seus aliados falharam. Rangel tem um projecto. Tem ideias. Tem um plano. E tem, como já se viu, vontade de discutir o clube, falar dele abertamente e dar a palavra aos sócios. Um dos casos mais badalados é o do possível reatamento de relações com o FC Porto. Enquanto que na lista adversária Moniz diz que quer, Gomes da Silva rejeita liminarmente e Vieira mantém-se calado a ver os dois contradizerem-se, Rangel não esquece quem decidiu esse corte de relações e promete dar a palavra aos sócios. Diz o juíz que tal reatar de relações só será possível se os sócios do SL Benfica assim decidirem em Assembleia-Geral do Clube. Enquanto uns dirigentes põem e dispõem a seu bel-prazer, Rangel compromete-se a dar a palavra e o voto aos sócios. É neste espírito de discussão positiva que Rangel não se esconde e não foge às perguntas dos adeptos. Enquanto uns rejeitam debates, outros escutam activamente o eleitorado, incentivando à colocação de perguntas e respondendo apesar de algumas não serem propriamente fáceis. Basta ver a actividade que o Facebook do candidato da Lista B promoveu. Enquanto uns se escondem, outros discutem com adeptos anónimos, com vontade de esclarecer, de ouvir e de se darem a conhecer a si e ao seu projecto.
Mas para além de acreditar no projecto e na pessoa que o lidera, tenho a mais profunda confiança em quem Rangel escolheu para o rodear. Rangel não está sozinho. Rodeou-se de uma equipa de benfiquistas, não uma espécie de cristãos-novos do benfiquismo oriundos de Alvalade ou das Antas, homens experientes e que, em boa parte, até já passaram pela nossa casa em funções administrativas ou directivas. Fernando Tavares, à cabeça, é um desses homens. Foi director das modalidades no período relativo ao nascimento do futsal, onde ganhou múltiplos títulos, lançou as bases para equipa de hóquei que ganharia o campeonato e as provas internacionais anos mais tarde sob a égide de outros, e foi ainda o único director das modalidades que na última vintena de anos conseguiu ganhar os campeonatos de Andebol e Voleibol. Cunha Leal, Paulo Olavo Cunha e José Ribeiro e Castro são outros nomes do conhecimento dos benfiquistas.

Por tudo isto, voto na Lista B, presidida por Rui Rangel e faço-o por convicção. Por acreditar na pessoa que lidera a lista, por me identificar com o projecto que tem para o Benfica e por saber que está rodeado de pessoas competentes e capazes de devolver o Benfica ao lugar que lhe pertence por direito.

domingo, 21 de outubro de 2012

Devolvam-me o meu dinheiro

Luís Filipe Vieira anunciou ontem que o Benfica vai baixar o preço das quotas dos sócios e dos bilhetes dos jogos na Luz até Janeiro de forma a ter o estádio cheio. A medida, apesar de o presidente dizer o contrário, é só mais uma na linha das populistas e engana-tolos que Vieira costuma aplicar. Ao fim de nove anos enquanto presidente é que se lembrou que o estádio está constantemente com meia casa? E porquê só até Janeiro? O campeonato acaba nessa altura? Se é assim que Vieira acha que vai ter o estádio cheio, engana-se. A primeira condição para ter o estádio repleto é haver paixão pelo clube associada à militância, algo que a actual Direcção destruiu por completo. E os sócios que já pagaram as quotas? E os adeptos que já compraram Red Pass no início da época, com a agravante dos preços terem subido astronomicamente em relação à época anterior? Ficam a arder, é? Quem é que queres enganar, seu aldrabão? Ainda há quem coma a da gamela que Vieira serve aos benfiquistas?

Faltam adeptos, falta militância e falta-lhes, essencialmente, dinheiro. Baixa-se o preço das camisolas oficiais da época ainda em Outubro, telefona-se para casa dos sócios a tentar vender pedras da Praça dos Heróis, enfim, é o milagre financeiro em todo o seu esplendor. Um destes dias, entre um Mórmon e uma Testemunha de Jeová, aparece-me um Vieirista à porta a tentar vender mais um Red Pass, uma pedra da calçada, terrenos em Marte ou o oxigénio em redor do Estádio da Luz. Só compra quem quer. E só um idiota é que abre a porta a esta gente.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Vamos ajudar Vieira

Uma Assembleia Geral com 700 sócios nunca será representativa da realidade do Benfica. De um universo de mais de 250 mil associados, a presença de apenas 0,3% é o reflexo de um dos maiores e mais difíceis presentes envenenados que foi entregue aos benfiquistas pelo senhor Luís Filipe Vieira: a falta de militância. É um presente [para quem preside] porque, geralmente, a minoria que participa numa AG fá-lo com o intuito de passar todas as propostas da Direcção independentemente do seu conteúdo, mas envenenado porque fere de morte a credibilidade de qualquer acto deste género, uma vez que a amostra de sócios está longe de ser representativa. Ainda assim, e apesar de 700 sócios serem muito poucos quando comparados com a mole humana que se deslocava às AG's de há 15 anos, a melhoria é significativa quando comparada com as 100 e 200 pessoas que marcavam presença nas Assembleias de há um e dois anos. Curioso é que haja gente na internet (Gomes da Silva, serão só meia dúzia?) preocupada e obcecada com o facto de as 700 pessoas não transmitirem a vontade real dos sócios do SLB. Estavam essas mesmas pessoas preocupadas com as AG's que levavam 100 pessoas? Ou com os actos eleitorais a que não compareciam mais de 15 mil sócios? Nunca os ouvi falar de tal coisa.

Apesar de, ao contrário do que por aí circula, os sócios dos 50 votos terem constituído de longe, mas de muito longe, a maior fatia de votantes (e consequentemente de votos) que a falange favorável à validação do R&C teve, o "Não" venceu esmagadoramente fruto não só fruto dos 50 votos exibidos (uma percentagem muito reduzida face aos votos totais do "Não", especialmente quando comparados com os 50's do "Sim"), mas sobretudo graças aos 20's e aos 5's exibidos. Seria interessante que a direcção do Benfica divulgasse o número total de votos que cada grupo de sócios deu às opções referendadas na AG (lá está, transparência, parece que não convém a muito boa gente neste clube). Se assim fosse, não tenho a mais pequena dúvida que se provaria que pelo menos 80% dos votantes estiveram contra a aprovação do R&C.

E para além da direcção e da mesa da AG, deve haver mais gente a tirar ilações: a começar em três indivíduos considerados oposicionistas à actual direcção: Rui Rangel, Fernando Tavares e Bruno Carvalho. Os dois primeiros apareceram juntos com uma entourage de mais sete ou oito pessoas mas não pediram a palavra. O facto de terem estado presentes é positivo e é de realçar, mas não se devem ficar por aqui. Apesar de terem tanta obrigação de se candidatarem como qualquer outro sócio, neste momento, a questão que se coloca é outra. Nos dias que o nosso clube vive, é precisamente o Benfica quem chama por eles. O chumbo das contas verificado ontem não é fruto de uma leitura económica por parte dos sócios, mas sim uma cartão alaranjado à actual Direcção do Benfica. E, num momento em que o Benfica precisa de Rangel e Tavares mais do que nunca, eles os dois deveriam saber tirar a leitura correcta do que se passou na AG: as pessoas estão fartas de Vieira, estão fartas do Vieirismo e querem mudar para melhor. Neste momento, não tenho a mais pequena dúvida que uma candidatura em que figurassem na proa pessoas como Rangel e Tavares apoiadas por gente reconhecidamente de bem e que se demarcasse de certos apoios demagógicos, sairia vencedora das eleições de 26 de Outubro. Com eles poderia estar Bagão Félix, benfiquista de carácter inquestionável e capaz de dirigir com seriedade o clube, mas que faltou inexplicavelmente à chamada, como outros. 
Quem também esteve presente foi Bruno Carvalho, presidente do Grupo da Luz, que certamente percebeu que há formas e maneiras de fazer oposição e que o que tem feito não é, nem de perto nem de longe, o correcto, estando a milhas do que deve ser o caminho a seguir. Foi fortemente vaiado quando se dirigiu ao púlpito e precisou de segurança privada para estar na Luz (infelizmente é esta a realidade). Aprecio a tenacidade com que vai à luta. O homem leva bofetadas de todos os lados, cai invariavelmente com a cabeça na lama e volta a pôr-se de pé para levar mais uma quantas. "Então por que motivo é que não gostas dele?" - perguntarão alguns benfiquistas. Pelo simples facto de além da tenacidade, não haver ali mais nada. Não há ideias, não há projecto, não há noção da realidade. Convenhamos: o Beto (aquele amigo do Koeman) também era muito lutador, mas na verdade era um cepo de primeira água, não era? Entregavam-lhe o meio-campo do Benfica? Não, pois não?
À chamada faltaram, entre outros, Varandas Fernandes e José Eduardo Moniz, recentemente vendidos a troco de pires de tremoços (quem consegue negar um belo pires de tremoço?), mas também Luís Tadeu e o supracitado Bagão Félix. Medo dos dois primeiros e desinteresse dos dois últimos? Parece o mais provável.
O que não se admite é que o suposto homem forte das finanças, Domingos Soares de Oliveira, se tenha escusado a ir à assembleia. Se a mesma é para sócios do Benfica independentemente de serem ou terem sido sócios do Sporting e/ou do Porto, DSO poderia lá ter estado. Não quis, compreende-se, provavelmente deverá querer resguardar-se para ir à AG de accionistas do Sporting, que se realiza amanhã. E o príncipe de cera, Rui Costa? Por que motivo faltou? Terá sido isto uma espécie de falta de comparência à chamada após o Levantamento das Caldas? Que sinal é que "o Rui" quer passar aos benfiquistas?

No momento em que Luís Filipe Vieira saiu da Assembleia Geral em passo apressado, fugindo às críticas no meio de seguranças (uma vez mais, lamentável a necessidade de estarem presentes, mas infelizmente é preciso) e não querendo ouvir os posteriores e habituais comentários e considerações dos adeptos, deixou de ser o presidente do Benfica. Ali, naquela figura, era um Marcello Caetano a abandonar o Quartel do Carmo dentro de um chaimite para euforia da população vencedora. Ali estava o derrube de um ditador conseguido pelo povo. Mas Vieira não vai para o Brasil. Qual gato de sete vidas, Vieira é um camaleão empresarial e nem esta saída de fininho pela porta pequena vai fazê-lo desviar-se um milímetro do rumo traçado. Talvez por falta de alguma lucidez, por incapacidade em compreender, a verdade é que Vieira acha-se em condições de ir para a luta.

Por isso, meus caros, e voltando ao início deste post, lanço-vos um repto: vamos ajudar Vieira. Vamos ajudá-lo a terminar o mandato com dignidade. E a única forma de terminá-lo condignamente, é pedindo uma demissão que está em falta há precisamente 20 horas. Já vai atrasado, mas ainda se pode redimir. Faça como Damásio: demita-se e não se recandidate. É o melhor que pode fazer pela sua saúde (aliás, brilhante recuperação, depois do Rally das Casas adoeceu, faltou a Coimbra mas esteve no Pavilhão da Luz, bravo!) e pelo clube que diz que ama.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Saudade



Tenho saudades do tempo em que havia Assembleias Gerais a sério. Milhares de pessoas no velhinho pavilhão da Luz digladiavam-se e acotovelavam-se para fazer uso da palavra. O recinto parecia pequeno para abarcar tantos homens de bigode farfalhudo e óculos fundo de garrafa que gritavam para se fazerem ouvir. Nas bancadas estavam ilustres conhecidos, gente preocupada com o presente e futuro do clube, hoje desaparecida e engolida pelo epíteto de "abutres", atribuído pelo actual presidente a gente que tanto fez pelo Benfica. As agressões que o vídeo mostra constituem o cenário mais triste e reprovável deste espectáculo, mas ainda assim revelador da intensidade com que se vivia o Benfica, ao contrário da pasmaceira e conformismo com que se desenrola a actual vida do clube.

Entretanto, as Assembleias foram mudadas de 6ª para 5ª feira. Os milhares de adeptos que se deslocavam à Luz deram lugar a apenas algumas dezenas. O espírito crítico perdeu-se. A intervenção pública é rara. As propostas continuam a ser aprovadas às cegas, sem conhecimento dos assuntos tratados. O seguidismo crónico mantém-se como realidade, sendo que as massas aplaudem irracionalmente o querido líder, chame-se ele João, Manuel ou Luís.

E observando os momentos de benfiquismo do vídeo, pergunto-me: onde estava Luís Filipe Vieira? Esteve nesta ou noutras Assembleias Gerais? Esteve lá para dar o seu contributo ao "seu" Benfica? Ou estaria noutras AG's de outros clubes dos quais foi sócio? Vocês, benfiquistas mais velhos que viveram estes momentos in loco, digam-me: alguma vez viram Vieira numa AG do nosso clube antes de chegar aos cargos directivos?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Grupo da Luz, duas semanas e meia depois

Foi há já alguns dias que o Grupo da Luz, pelo seu presidente Bruno Carvalho, voltou atrás na decisão de apresentar o candidato que concorreria com Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. De lá para cá abateu-se o silêncio sobre o Grupo da Luz. Nunca mais foram vistos. Já alguém deu o alerta de desaparecimento desta gente?

Ora, é precisamente duas semanas e meia depois da data prometida para o anúncio do candidato às eleições que vos volto a falar do agora desaparecido Grupo da Luz. Sumiu sem deixar rasto. Não sei se está apenas desaparecido em parte incerta, se foi raptado ou se foi morto praticamente antes de nascer, mas pelo sim pelo não, vamos dissecando o tal Grupo.

Consultando a "casa" do Grupo da Luz, que se situa no Facebook, e lendo os seus estatutos, vemos que o Grupo nasceu da necessidade de reflectir sobre o Benfica tendo como missão, e passo a citar, "propor soluções, apresentar ideias e projectos para uma melhoria permanente do Sport Lisboa e Benfica enquanto instituição e clube desportivo". Sinceramente, é bonito. Pena é que nada, mas absolutamente nada do que o Grupo da Luz se propôs a fazer tenha sido cumprido. Basta consultar a página do Grupo da Luz para se constatar que aquilo não é mais que um conjunto de notícias, de resultados do Benfica e de perguntas com a função de entreterem os leitores. Onde estão as "soluções, as ideias e os projectos para uma melhoria permanente do SLB"? Não estão. E duvido que haja.

Sempre foi do meu interesse, como acredito que seja das pessoas que navegam pelos blogs, conhecer o Grupo da Luz. Quem são, o que querem para o Benfica, que medidas propõem, o que pensam, etc. Coisas concretas, nada de abstracto. Não me basta saber que são um grupo de amigos, não me basta saber que querem que o Benfica ganhe, não me basta saber que têm várias ideias se não dizem quais são. Basicamente, o Grupo da Luz ainda não trouxe absolutamente nada de concreto ao Benfica e aos benfiquistas desde que foi fundado. Aquilo que disse apenas e só através da internet, quase exclusivamente por uma página do Facebook que, gostem ou não, não é acedida por mais 5% dos eleitores, foi um conjunto de balelas, frases feitas, trivialidades e discursos desprovidos de conteúdo que não chegam nem atingem os adeptos do Benfica. Muita conversa fiada, muita burocracia e o desconhecimento total e completo do poder que a internet pode exercer em tempo de eleições. Pior que não explorarem as potencialidades de blogs e fóruns com as suas ideias (se as tivessem), é reagir negativamente, à defesa, com medo e recorrendo ao insulto quando confrontados com a crítica que decorre de uma situação em que o dito Grupo meteu os pés pelas mãos sem dar explicações (como se viu num post aqui publicado há tempos). Pois bem, voltando ao mote dado no início do parágrafo, alguns membros do Eterno Benfica tentaram entrevistar o dito Grupo da Luz. Já que o Grupo não se apresenta nem divulga as suas ideias, vamos saber o que eles pensam. Acreditem que tentámos. O problema veio da burocracia do lado de lá. O Grupo da Luz não se quis dar a conhecer, tentou dar palha aos nossos leitores com respostas vagas, imprecisas e que nada dizem. Voltámos a tentar obter respostas concretas às perguntas junto do Grupo, como qualquer outro jornalista faria caso entendesse que o conteúdo das respostas não era minimamente aceitável na medida em que o que era respondido não se relacionava com as perguntas (basta ver o que Vítor Gonçalves, da RTP, fez recentemente a Pedro Passos Coelho), mas do outro lado só obtivemos a confirmação do que já esperávamos: o Grupo da Luz não se quer dar a conhecer nem quer dizer o que pensa (se é que pensa) do e para o Benfica. Como se isto não bastasse, Bruno Carvalho, assumindo a condição natural de desconhecer da situação, vem criticar o nosso blog por não ter publicado a entrevista como resposta a questões que em nada se relacionam com o tema do que discutimos no Facebook (podem ir lá ver através da página do Grupo da Luz). Por não querermos que falte nada a Bruno Carvalho, e apesar de não queremos bombardear os nossos leitores com banalidades acerca de gente que não merece o tempo investido, deixamos aqui algumas das respostas que o Grupo da Luz nos deu acerca de quem são e o que querem para o Benfica, bem como os emails em que pedimos para serem mais específicos em dadas questões, como qualquer jornalista faria:


Foi assim que iniciámos a conversa, foram estas as regras do jogo que impusémos ao Grupo da Luz. Aceitaram. Após o envio das perguntas, as respostas dadas às primeiras perguntas, sobre o Grupo em si, foram estas:

1. O que é o Grupo da Luz e quem o constitui?
Tal como vem definido no Artigo 1º dos seus Estatutos, o Grupo da Luz é uma agremiação de pessoas que visa, através de vários meios e iniciativas, reflectir sobre o Sport Lisboa e Benfica. Tem como missão propor soluções, apresentar ideias e projetos, para uma melhoria permanente do Sport Lisboa e Benfica enquanto instituição e clube desportivo.

2. Como surgiu a ideia da fundação e com que motivações?
Da simples tertúlia que começou com poucos membros, o Grupo da Luz foi crescendo e mais pessoas se foram juntando. Daí surgiu uma necessidade de consolidação do Grupo, tendo para isso sido criados os seus Estatutos. A ideia base passava essencialmente por discutir o Benfica de forma livre, democrática, educada e organizada.

3. Quais os objectivos do Grupo da Luz? Que soluções, ideias e projetos tem o Grupo da Luz apresentado para melhorar o Benfica, tal como vem expresso nos vossos estatutos?
Essa pergunta devia ter sido depois de termos falado dos órgãos sociais do Grupo da Luz contemplados nos Estatutos. Ressalvo que contemplam a eleição, de dois em dois anos, de órgãos sociais e corpos dirigentes – Direção-Geral e Câmara de Membros. A cada Direção Geral eleita cabe-lhe representar, em juízo, o Grupo da Luz e apresentar, no âmbito das atribuições do Grupo representadas no Artigo 14º do Estatutos, as suas soluções, ideias e projectos para ajudar a melhorar o Sport Lisboa e Benfica. Assim, pelo respeito institucional que me cabe, essa pergunta não me deve ser colocada a mim. O meu papel, na Coordenação da Câmara de Membros do Grupo da Luz, é apenas o de dirigir os trabalhos e orientar os debates.

4. Quais as vantagens em ser membro do Grupo da Luz?
Parece-me que a palavra “vantagem” é inconveniente. A resposta imediata será, provavelmente, participar nas suas atividades anuais, como jantares, ciclos de conferências e outras, onde se pode conviver com outros benfiquistas. No entanto, o Grupo da Luz nasceu da vontade de privilegiar o debate e respeitar a discussão entre os benfiquistas e nele são bem-vindos e convidados a participar todos os que queiram, de forma livre, mas educada, expressar-se sobre o seu clube. Isto é o que deveria acontecer naturalmente no seio do Sport Lisboa e Benfica, não é nenhuma “vantagem”.

5. Têm alguma ligação com outros grupos que surgiram nas redes sociais, como o Por Ti Benfica?
No seu Artigo 8º, o Grupo da Luz define-se como independente de partidos políticos, de organizações religiosas, filosóficas, sindicais ou quaisquer outras. Esquecemo-nos, provavelmente, de referir outros grupos nas redes sociais (risos). Agora mais a sério, o Grupo da Luz pretende ser de todos e não ser conotado, como tem sido, como uma força de oposição. Para isso veja-se o Artigo 12º dos Estatutos que escreve, de forma clara, que:
“ 1. O Grupo da Luz goza de autonomia em relação aos corpos sociais do Sport Lisboa e Benfica, bem como de outras figuras institucionais consagradas naqueles estatutos, na elaboração das suas normas internas, na sua administração e na definição dos seus planos de atividade e intervenção.
2. A função de Presidente do Grupo da Luz é incompatível com a de Presidente do Sport Lisboa e Benfica”

6. O Grupo da Luz deu-se a conhecer pelo Facebook e por aí se ficou. Dois dos grandes pontos de discussão do Benfica na internet são os blogs e os fóruns. Por que motivo não se deram a conhecer também nesses meios?
A representação externa do Grupo da Luz é uma competência da sua Direção Geral, assim como a estratégia que define para o crescimento do Grupo. Está eleita e mandatada pelos membros. Novamente, pelo lugar que ocupo, prefiro abster-me de responder a essa questão.

7. E para além da internet, de que forma é que o Grupo da Luz pretende chegar aos sócios do Benfica, nomeadamente àqueles a que as redes sociais não dizem nada?
Mais uma vez remeto para os Estatutos, nomeadamente na descrição daquelas que são as competências de ambos os órgãos, a ausência novamente de uma resposta sobre esta matéria:
São competências do Coordenador da Câmara de Membros:
a) Dirigir os trabalhos, orientar os debates e as disposições regimentais e declarar o assunto discutido quando o entender suficientemente esclarecido;
b) Organizar as fichas de inscrição e requerimentos dos membros que integram e pretendem integrar o Grupo da Luz.
c) Organizar os jantares do Grupo da Luz previstos no Artigo 15º.
d) Dar conhecimento à Câmara de Membros de todos os documentos não reservados que lhe forem dirigidos;
e) Presidir à Comissão Eleitoral e organizar o Processo de eleições;
f) Mandar proceder às votações necessárias e proclamar os seus resultados;
g) Declarar os assuntos encerrados.
São competências da Direcção-Geral:
a) Representar o Grupo da Luz, nomeadamente em juízo;
b) Zelar pelo cumprimento dos Estatutos do Grupo da Luz;
c) Prosseguir as atribuições do Grupo da Luz, previstas no artigo 14º;
d) Cumprir e fazer cumprir as deliberações da Câmara de Membros;
e) Planear, dirigir e coordenar as atividades do Grupo da Luz.

Resumindo, não respondem ao que pedimos. Na primeira questão não dizem "quem" são, na segunda não especificam de onde se conheciam, na terceira evadem-se completamente à questão, na sexta idem e na sétima a mesma coisa. Se pensavam que isto é uma entrevista da Benfica TV a Vieira, daquelas em que o guião das perguntas e respostas é escrito por João (ou Juan?) Gabriel e dado a conhecer com dias de antecedência a Vieira e ao entrevistador improvisado, enganaram-se. Fizemos chegar essa ideia ao Grupo da Luz, especificando onde queríamos mais esclarecimentos, tal como qualquer jornalista faz ou deve fazer quando confrontado com uma resposta insatisfatória para si ou para os seus leitores ou ouvintes.


Mas o Grupo da Luz não acedeu ao nosso pedido, rejeitou e curiosamente, ao contrário do que Bruno Carvalho diz, até concordou em dar por terminada a entrevista sem a sua publicação.


Foi assim que aconteceu. Solicitámos uma entrevista, explicámos as regras, aceitaram mas, do outro lado, só nos responderam palha. E como não tomamos os leitores por burros, não servimos essa palha. Perceberam depois de todo este paleio quem é o Grupo da Luz e que ideias tem para o Benfica? Não, pois não? Pois, eu também estou assim.

Esta 5ª feira, pelas 20h30, vai decorrer uma Assembleia Geral no Pavilhão nº 2 do Sport Lisboa e Benfica com o objectivo de apreciar e votar o relatório de gestão e contas da época 2011/2012. O presidente do Grupo da Luz, Bruno Carvalho, o mesmo que afirmou que não iria a Assembleias-Gerais do clube, reconsiderou agora que, dada a gravidade da situação no Benfica, se deslocaria a essa AG para falar aos sócios mas não na condição de presidente do GdL (como se o cargo se pudesse dissociar assim de repente e por magia da personagem!). Gosto da coerência e espero que fale muito e bem. Por exemplo, no seu caso específico, gostaria que explicasse o porquê de não dar notícias sobre o candidato há duas semanas e meia, correndo o rumor (apesar de já me ter sido confirmado como uma certeza por gente que está por dentro do Grupo, mas chamemos-lhe ainda assim "rumor") de que não haveria candidato nenhum. Poderia também explicar publicamente as acusações que lhe foram dirigidas por parte do grupo Por Ti Benfica, de querer assumir à força a posição de presidente da SAD no impedimento de poder ser candidato à presidência do Benfica. Seria útil se esclarecesse também as ridículas intervenções que tem em público, pedindo a contratação de jogadores inalcançáveis à carteira do Benfica, como Ganso, Lisandro López e Anderson, ou pelo Facebook, onde sistematicamente dá tiros nos pés, mentindo a torto a direito, seja sobre a suposta visibilidade que tem nos media (que não tem, ou costumam aparecer notícias a seu respeito ou a respeito do Grupo nos principais diários desportivos?), seja sobre as ideias e os candidatos que diz ter e que não apresenta.

Resta saber se o Grupo da Luz, fundado com o pressuposto de ser uma organização a longo prazo, se manterá activo após as eleições de Outubro. Se tal não se vier a concretizar, como desde já afirmo que penso, só se provará que este grupo foi instrumentalizado por um ex-candidato impreparado que se conseguiu auto-descredibilizar por duas vezes à procura de poleiro.

Concluindo, o Grupo da Luz recusa-se a assumir ideias e pensamentos, o que para quem quer concorrer à presidência do Benfica é, digamos, uma enorme contradição, e ainda ridiculariza na blogosfera quem questiona as decisões tomadas no seio do grupo com posts inócuos como este. Afinal de contas, quem é o Grupo da Luz e o que querem para o Benfica? Nem eles sabem.

sábado, 4 de agosto de 2012

Anda comigo ver os pavilhões

(uma tarde "normal" no Pavilhão da Luz)

Falta militância no Benfica actual. Por desinteresse generalizado dos adeptos, por conformismo com a actual situação do clube e também por falta de dinheiro. Na época passada, a assistência nos jogos de futebol só superou os 40 mil espectadores quando a equipa jogou um clássico ou no segundo terço da época, quando parecia que se ia sagrar campeã. E nos pavilhões o cenário foi igualmente triste, com poucos adeptos a assistir aos jogos da fase regular das secções de futsal, basquetebol, andebol, hóquei em patins e voleibol.

O que podemos fazer para inverter esta situação? Os bilhetes são muito baratos, custando apenas 3 euros para sócios e 6 euros para não-sócios. As equipas jogam relativamente bem apesar de em algumas modalidades a qualidade ter caído bastante, em paralelo com a do campeonato, nos últimos anos (basquete e hóquei, por exemplo), mas ainda assim em todas se luta para ganhar o título. Posto isto, a pergunta impõe-se: o que pode o Benfica fazer para levar mais adeptos ao pavilhão?

Há muito para fazer neste campo. É preciso pensar em ideias que levem mais adeptos aos pavilhões e que os aproximem mais do clube. Assim sendo, penso que há 4 pontos que o Benfica deveria rever para tornar mais real e efectiva a aproximação dos adeptos às modalidades de pavilhão:

  1. Calendarização dos jogos. O Benfica tem, nos últimos anos, revelado alguma atenção e preocupação relativamente ao dia e hora dos jogos, tentando, sempre que possível, colocar os encontros das diferentes modalidades de pavilhão no mesmo dia e de seguida. O problema é que cada vez menos adeptos se deslocam à Luz para verem, propositadamente, um jogo destes. A meu ver, a solução passa por marcar os jogos de pavilhão para algumas horas antes dos encontros de futebol. Por exemplo, no dia do Benfica x Braga, poderia ser agendado (se houvesse) um encontro das modalidades de pavilhão para duas horas e meia antes do começo do jogo de futebol. Assim, sempre iriam mais pessoas aos pavilhões. E nos dias de jogos em que a afluência esperada de adeptos fosse maior, até se poderia agendar dois jogos ao mesmo tempo, visto que ambos provavelmente teriam casa cheia.
  2. Bilhete de época. A quota modalidades é uma boa ideia para os adeptos, mas tenho dúvidas que a nível de receitas seja rentável. Reparem: cinco euros por mês durante doze meses são sessenta euros. Para todas as modalidades. É barato mas pode não fidelizar os adeptos às modalidades, até porque nem todos têm o mesmo interesse nas diferentes modalidades. Acho que seria mais racional e não necessariamente mais caro para [todos] os adeptos criar um Bilhete de Época (ou Red Pass) para cada modalidade. O preço poderia ser de 25 euros por época para a fase regular de cada modalidade, acessível a praticamente todos os bolsos. E consoante o número de Red Pass comprados por sócio, poderia ser feito um desconto. A título de exemplo: 1 Red Pass = 25€; 2 Red Pass = 50€ (25+25); 3 Red Pass = 65€ (25+25+15); 4 Red Pass = 80€ (25+25+15+15); 5 Red Pass = 90€ (25+25+15+15+10). Quem só quer ver uma modalidade acaba por pagar menos. Quem quer ver duas modalidades também paga menos, podendo ainda, por apenas 5 euros de diferença relativamente à actual quota modalidades, ver mais uma modalidade. Será que pedir 90 euros por época para ver todas as modalidades é muito? Sinceramente, não me parece. Contas feitas, são 11 jogos de basquetebol, 11 (+ 5) de andebol, 11 (+ 5) de voleibol, 13 de futsal e 15 de hóquei. Em termos de fase regular são 61 jogos garantidos, com a possibilidade de serem 71 se não ocorrer nenhuma hecatombe no andebol e no voleibol. Média inferior a 1,50€ por jogo. Depois faltam ainda os jogos das taças de todas as modalidades e os playoffs de futsal e basquetebol, cuja bilhética e a forma de pagamento teriam de ser revistas. Assim, desta forma, penso que se conseguia uma maior fidelidade entre adeptos e uma, duas ou três modalidades, tendo os pavilhões constantemente mais bem compostos.
  3. Relação com Federações e Desporto Escolar. Uma boa forma de publicitar o Benfica enquanto clube junto das gerações mais novas e de, ao mesmo tempo, promover o desporto escolar passa por conseguir levar os mais jovens e os praticantes das respectivas modalidades nas escolas aos pavilhões. Para tal, o Benfica poderia estabelecer protocolos com as escolas e ceder, ocasionalmente, bilhetes. Exemplo: a escola "A" de Lisboa tem vários alunos a frequentar andebol no Desporto Escolar. O Benfica poderia fornecer à escola ou ao professor responsável "X" bilhetes a serem distribuídos a esses alunos para assistirem aos jogos de andebol durante a época. Assim, desta forma, teríamos menos lugares vazios nos pavilhões e à custa de gente jovem que pratica aquele desporto. Esta parece ser uma boa forma de promover o desporto escolar, de ter os pavilhões mais compostos e de aproximar o Benfica dos mais jovens, criando gerações com ainda mais benfiquistas.
  4. Acho que o Benfica precisa de tornar os espectáculos mais apelativos. Mais que um jogo, deve ser um espectáculo. "Americanizá-los", por assim dizer. Já viram um jogo da NBA, na televisão ou ao vivo? Mais que um jogo, é uma festa onde as pessoas apoiam fervorosamente o seu clube e se divertem. Não é só por aqui que se vai conseguir trazer muito mais adeptos, mas era uma forma de tornar o espectáculo num verdadeiro espectáculo.


Este não é um post onde se fala da má gestão de Vieira, dos erros de Jesus, dos falhanços de Cardozo, das birras de Luisão ou dos frangos de Roberto. Procuramos encontrar soluções para um dos problemas do Benfica. Se quiserem contribuir com ideias na caixa de comentários, à semelhança do que fazem nos posts sobre o futebol, são mais que bem-vindos. Digam de vossa justiça e como poderemos trazer mais adeptos aos pavilhões.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sobre a veracidade do salário de Jorge Jesus

Se fosse para criar polémica, eu teria escrito que Witsel já está vendido ao Real Madrid por 20 milhões de euros e mais 3 canteranos em troca, que rumarão à Luz, desde Junho. Mas não o fiz por duas razões muito simples: primeira, porque a questão com que iniciei este post é mentira; segunda, porque a questão que apresentei no post abaixo é...

Quem quiser acreditar, acredita. Quem não quer, não acredita. Mas aprecio a certeza e convicção com que se negam as evidências. O povo português sempre foi cheio de certezas, até porque quando começam a surgir as grandes provas, o lusitano rende-se de imediato às mesmas. Exemplos? Ninguém duvida que os arguidos do processo Casa Pia são culpados. Ninguém duvida que os abates de sobreiros, a operação Furacão, as licenciaturas de Sócrates e de Relvas, as escutas do Apito Dourado, etc, etc, etc, são tudo processos em que os principais visados são efectivamente culpados e que, apesar de a justiça não ter [ainda] conseguido provar a culpa dos arguidos, a verdade (para os portugueses) é que o que se diz sobre estas pessoas é... verdade. O mesmo não se passa com o salário de Jesus. Mas mais que não duvidar da veracidade do que se sabe nestes casos, impressiona-me a leviandade com que se aborda o caso do ordenado do treinador do Benfica. Para alguns, esta informação não deveria ser divulgada porque é um assunto privado. Ok. E as escutas? Não são conversas privadas? E também se mostram incomodados com os dados publicados pela Football Finance acerca dos salários dos jogadores? É que, nestas coisas, temos de ser coerentes.

Para tentar ajudar as pessoas nesta assunto delicado que é o ordenado de Jorge Jesus, deixamos o email que recebemos de um habitué aqui do Eterno Benfica, que pediu para não ser identificado:

(a pessoa em questão referiu-me o valor do salário de Sá Pinto, mas, para não ferir mais susceptibilidades, não vou divulgar os números)

Uma vez mais, quem quiser acredita, quem não quiser não acredita. Mas face a todas estas provas e a todos os comentários a que tenho assistido, só me resta concluir que há benfiquistas que se vissem fotos das respectivas mulheres na cama com o melhor amigo, com o patrão ou com outro gajo qualquer, diriam que era tudo montagem, completamente falso, ou, em última análise, a mulher apenas estaria a confortar um amigo. Somos um povo com um coração grande. Pena que o cérebro não seja tão grande quanto o outro órgão.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A Palavra

Quanto vale a palavra de um homem? E os valores que defende?

Dizem que tudo tem um custo na vida. Para mim, há coisas que não posso vender. A palavra, a opinião, as ideias e os ideais, por exemplo. Outros não poderão dizer o mesmo. Foi com tristeza que assisti e compreendi que, com o passar dos anos, as pessoas mudam, muitas vezes não por convicção pessoal mas por interesse em obter algum benefício. É um processo comum em muitos seres humanos, mas particularmente truculento para os que observam esta metamorfose do lado de fora, especialmente quando se admira a pessoa em causa.

No Benfica, há muitos indivíduos desta espécie: advogados, políticos profissionais, eternos boys, foristas, bloggers e, ao que parece, um novo elemento está prestes a juntar-se à família. Até ao dia em que um Humberto Delgado tenha coragem para relatar o que viu e o que sabe que se passa lá dentro, este clube continuará adiado.

domingo, 22 de abril de 2012

Eusébio, dá um chuto nesta crise

«Vieirista é aquele que apoia o Benfica, pois Vieira é o presidente do Benfica, básico e elementar.»

Não interessa quem nem onde se disse a imbecilidade acima escrita. O que importa analisar é a transmissão desta inverdade ao longo dos anos. Para muitos benfiquistas, a defesa do presidente do clube é algo tão valioso quanto a própria vida. Tudo bem, estão no seu direito. Já a tentativa de silenciar e ridicularizar quem critica Vieira atinge, neste momento, níveis épicos de patetice. Não vi o Benfica vencedor e dominador dos anos 60. O único Benfica que conheci foi o dos anos 90. E para meu espanto, o salvador Vieira, em termos de títulos, pouco ou nada melhorou em relação ao registo da década de 90. Mas conheço a História deste clube, que tem na sua génese e na sua matriz a palavra "vencer". E no dicionário de Vieira, publicado pela primeira vez em 2001 e com novas edições em 2003, 2006 e 2009, "vencer" é uma palavra que não aparece. Por isso, por não conseguir colocar o Benfica no lugar que merece, tem de sair. É a minha opinião. Onze épocas ao serviço do clube: Porto - 8 campeonatos; Benfica - 2 campeonatos; Sporting - 1 campeonato. Pior fica se observarmos o número de troféus oficiais: Porto - 22 Benfica - 8; Sporting - 7, com a possibilidade de atingir os 9 ainda está época. Obrigado pelo primeiro mandato, o único verdadeiramente bom, mas estes últimos anos têm sido francamente maus. Fim de linha para ti também, caro Vieira.

Mas voltemos ao cerne da questão, à imagem e à frase que dão origem a este texto. Dezenas de pessoas na blogosfera, e por extensão milhares de benfiquistas lá fora, condenam os graffitis em que se critica Vieira. A única coisa que critico nas inscrições feitas é o facto de terem sido efectuadas em propriedade privada. Não discuto o conteúdo, até porque demonstra bem o meu estado de alma. O que eu não me lembro de ver é a mesma onda de indignação quando a situação se passou com Vale e Azevedo. Há pouco mais de dez anos, havia, como hoje, revolta e indignação. E também houve graffitis. E gente a apoiar Vale e Azevedo. Bendita internet cujo uso generalizado, especialmente no que ao acesso a blogs e fóruns diz respeito, só se tornou comum depois de 2005. Porque se houvesse, em 2000, a afluência às redes sociais e a todos estes novos meios de informação que temos hoje, se calhar veríamos os mesmos defensores de Vieira, que dizem nunca terem estado com Vale e Azevedo, a defender o pobre londrino esfomeado. São ciclos que se repetem, muitas vezes com as mesmas personagens a desempenharem os mesmos papéis. Afinal de contas, há dez anos, «Vale e Azevedista é aquele que apoia o Benfica, pois Vale e Azevedo era o presidente do Benfica, básico e elementar.», certo?

O benfiquista é um animal estranho. É capaz de dar 40% numas eleições a um corrupto perdedor mesmo depois de virem a público todas as intrujices em que esteve metido, quando concorria com um candidato apoiado por Eusébio e que trazia Mário Jardel na manga. E também vai ser capaz de reeleger um trafulha perdedor que atropela os estatutos do clube e que se serve da posição que ocupa para subir na vida sem dar ao clube um décimo daquilo que o Benfica lhe dá.

P.S. Como não gosto de alimentar novelas, nem estas nem as da TVI, o post abaixo deste fica sem comentários. Quem tiver alguma coisa a dizer, que o diga por email (eternobenfica@gmail.com). Agradecemos a compreensão. Ao redjan, obrigado pelos anos em que colaborou com o Eterno Benfica. Volta sempre.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ontem vi-te no Estádio da Luz... e estavas calado

Não é na internet que se apoia o Benfica, com textos bonitos e elogiosos sobre as fabulosas exibições de Emerson, mesmo quando ele enterra a equipa até ao pescoço. Apoiar é no estádio. E o que vi no Estádio da Luz contra o Sporting de Braga deixou-me perplexo. Num jogo decisivo, numa altura importantíssima do campeonato, dos 49 mil que se deslocaram à Luz, pouco mais de 10.000 estiveram à altura das circunstâncias.

O público não esteve com a equipa. O público não apoiou os jogadores. O que estavam as pessoas a fazer no estádio? Um frete? Um favor a alguém? Porque é que foram, mesmo? Se há falta de dinheiro, para quê estragá-lo num jogo do Benfica, onde ficam em cadeiras de plástico, ao frio? Sim, sim, "cada um vive o Benfica à sua maneira e blá blá blá", mas aquilo não era "viver o Benfica", aquilo era estar num funeral! Uma pessoa solta um palavrão e "aqui d'el rey" que há criancinhas e senhoras e temos de ser sensíveis. Não gostam? Vão à ópera. Quem foi à Luz testemunhou o ambiente lúgubre que se viveu no Estádio. Inacreditável.

E quem não fez melhor foi o speaker. É [quase] certo que o senhor só estava a cumprir ordens, mas... esta gente não pensa? Além de ser ridículo usar a instalação sonora do estádio para incentivar adeptos e/ou jogadores (como se faz no Restelo, Alvalade e... Braga), é condenável com uma multa (500 a 1000 euros, penso). Ainda se resultasse... mas nem isso. O público tomou Xanax antes de entrar para o estádio. Houvesse mais gente como este maluco e a Luz seria um local bem mais fácil para o Benfica jogar e ganhar.

P.S. "Parecem peixes debaixo de água"?