
O Benfica acaba de contratar, à experiência,
dois promissores nigerianos que foram campeões mundiais de sub17. Parece excelente, se não tivermos em conta que se vão juntar a mais de uma dúzia de estrangeiros que actuam na equipa de Juniores. Não sou xenófobo, nem racista, até acho a globalização uma coisa muito bonita. Mas permitam-me que questione os propósitos de uma equipa de formação e prospecção de um clube do calibre do Benfica.
No último sábado, num jogo a contar para o Campeonato Nacional, os Juniores do Benfica actuaram com o seguinte onze: Rui Santos,
JoãoAlberto, Abel Pereira, João Pereira,
Airton Oliveira,
Abdoulaye Fall, Miguel Rosa,
Ismmael Yartei, André Carvalhas,
Wang Gang e Orphée Demel. Na segunda parte entraram
Lassana Camará, Leandro Pimenta e André Soares.
Os jogadores a laranja são os que não têm nacionalidade portuguesa. No onze inicial do Benfica podem ver-se 6 estrangeiros (2 brasileiros, 1 chinês, 1 ganês, 1 senegalês e 1 costa-marfinense) e apenas 5 portugueses. Acho muito bem que o Benfica desperte para os mercados internacionais (sobretudo o africano e o de leste), mas creio que tudo o que é em demasia pode ter consequências nefastas.
Contratar jogadores de qualidade, do estrangeiro, ainda em idade de formação, é uma política que tem dado resultados em grandes clubes, como o Arsenal e o Barcelona. É um facto, e o Benfica tem vindo a tentar fazê-lo, com maior ou menor acuidade. O problema é que o número de jogadores estrangeiros acaba por chegar em grande número, e só um pequeno lote é capaz de singrar na equipa principal. Prova disso é que alguns dos jogadores contratados no princípio da época já deixaram o clube.
É certo que muitos estão cá apenas à experiência, mas quem sai prejudicado são os nossos valores portugueses, e o colectivo que compete numa prova de regularidade. Manda o bom senso que não se critique a aquisição de estrangeiros, desde que eles tenham valor, mas parece que há um qualquer estigma em relação aos valores portugueses. Creio que só devemos recorrer ao mercado internacional, quando não há nos nossos quadros portugueses capazes de fazer o mesmo. Há grandes valores nos Juniores que podem e devem ser aproveitados. Não julgo é que a mentalidade do Benfica seja essa. Acho que estamos a contratar para vender, para fazer dinheiro. O Benfica não contrata para formar, nem para fornecer a equipa sénior; contrata na esperança de que lhe apareça um diamante semi-lapidado, que possa vender por uns bons milhões. E, para mim, não devem ser esses os objectivos de uma equipa de formação.
Acredito, ainda assim, que alguns destes jogadores podem lá chegar. Portugueses, ou não, está na altura de apostar nestes miúdos que são o futuro do Benfica.