Há coisas mais graves que as hipotéticas vendas de Witsel, de Aimar ou de quem seja. Há acontecimentos mais tristes que as humilhações sucessivas que temos sofrido contra o Porto no último par de anos ou de décadas, que jogar mal, que perder. Mais triste que tudo isso é ver que o Benfica actual é isto: um clube sem liderança, sem rumo e sem identidade. Sem mística. Um clube ao contrário.A liderança começa no topo e acaba no balneário. Começando pelo balneário, já disse por mais que uma vez que não vejo em Luisão as capacidades de liderança que muitos vêem. Desde Veloso que tivemos apenas um capitão oficial digno da braçadeira que envergava: Nuno Gomes. O único que sabia o que aquela braçadeira e o que aquele símbolo valiam. Hoje, olhando para o plantel, vejo um bando de meninos que sonham com o dia em que representarão o Real Madrid, sendo o Benfica um trampolim para atingir esse fim, gente com pouco carácter e ainda outros que, mesmo sendo boas pessoas, não sabem mesmo o que o Benfica representa (ou deveria, pelo menos, representar). Mas, para mim, o Benfica não é isto nem tem de ser isto. E num clube onde o rei, ou ditador, melhor dizendo, é fraco, os seus subordinados também são fracos, sendo a mole humana que apoia um reflexo de quem lidera: um bando de fracos, de infelizes e de satisfeitos com segundos, terceiros lugares e agressões a árbitros. Até ao dia em que o Benfica não levar a devida varridela que tanto precisa, continuaremos a ser apenas uma pálida imagem do que fomos e do que devemos ser. Enquanto não aparece ninguém com valores, benfiquismo e coragem para ser oposição, casos de Bagão Félix, Luís Tadeu, Marques Mendes ou Fernando Tavares, continuaremos um clube adiado. Hoje, mais que nunca, o Benfica precisa de vocês. Apareçam.
E por falar em ausência de Mística, o que dizer desta obsessão chamada Porto? O Porto, o Porto, o Porto, o Porto, o Porto, sempre o Porto. Um jogador do Benfica agride um árbitro. Aparece logo alguém a dizer que um jogador do Porto já fez o mesmo. E andaremos nesta pescadinha de rabo na boca a tentar justificar as nossas atitudes. Lamento, mas ao irmos por este caminho só estaremos a ser como eles. Estaremos a ser tudo aquilo que durante anos abominámos e condenámos. Coerência e seriedade precisam-se. O actual Benfica parece o Porto dos anos 90, das peitaças nos fiscais-de-linha, mas em cópia barata, porque não se compram árbitros nem se ganham campeonatos. O que até faz sentido, tendo em conta as origens de Vieira (não é o Bairro das Furnas, mas o camarote das Antas e as negociatas do se querido e falido Alverca). O Benfica está entregue a incompetentes, gente mal intencionada e descontrolados mentais.
Ainda há dias, noutro post, falei da agressividade do Benfica na pré-época, antecipando que tal atitude demonstrava querer e atitude, bem como preparação avançada no processo de identificação da equipa como tal. Eu, que sou tão criticado por ter, supostamente, uma agenda contra o Benfica, surpreendo-me não raras ao ver que são mais as ocasiões em que erro por elogiar que por criticar. Esta foi só mais uma dessas ocasiões. O Luisão, ou simplesmente "4", como o trainmaniac e o Joga Bonito dizem, não merece ser capitão do Benfica. A atitude que teve hoje é só mais uma infeliz a juntar às várias que teve no passado. Evidencia um descontrolo emocional de principiante, ainda para mais na situação ridícula em que aconteceu (a merda de um jogo amigável). A par de Luisão, quem esteve tão mal quanto o "4" foi o palhaço incompetente (?) alemão, que se prestou a uma figura patética. O teatro protagonizado é evidente: Luisão dá-lhe um encosto e a "vítima" cai prostrada no relvado, deixando-se ficar por aí, de olhos fechados, em posição de atropelado, a fazer de morto. Porquê? - pergunto eu. Há dois motivos para o ter feito: ser puramente incompetente ou, e na sequência de uma expulsão que, penso, impediria Javi de jogar contra o Braga, estar ali a cumprir um papel de uma novela com um guião escrito por terceiros. Seja qual for a teoria correcta (a mais plausível ou a da conspiração), a verdade é que, apercebendo-se da figura de idiota que fez ao fingir de morto, decidiu acabar com a partida, alegando não haver condições para que se continuasse a realizar (olha... se calhar expulsando o Luisão poderia ter continuado, não?!).
Mas pior que livrar-se do proveito, é livrar-se da fama. O que se passou hoje em Dusseldorf já é notícia em todo o mundo. Jogamos nas provas europeias, somos e estamos mal vistos, os árbitros entrarão de pé atrás e aí, naturalmente, aparecem os Skominas. Os árbitros, queiramos ou não, apitarão o Benfica condicionais ("não são aqueles selvagens portugueses que agridem árbitros nos jogos amigáveis?" - pensarão eles). Gostem ou não, por muito que vos choque, somos mais mal vistos na Europa que o Porto, os verdadeiros corruptos. Actualmente, se perguntarem a um cidadão europeu com conhecimentos mínimos de futebol, o Porto é o clube que ganha e o Benfica é o clube que ganhava. Corrupção? Sabem lá eles o que é isso. Mais depressa lhes chega um email a casa com a agressão de um jogador do Benfica a um árbitro. E é isto que fica para a memória das pessoas.
Este é só mais um dia triste na História do Benfica. Infelizmente têm sido demasiados nos últimos 18 anos. O Benfica, o meu Benfica, não é isto nem tem de ser isto. Estes não são os valores do Benfica de Cosme Damião, de Coluna, de Humberto, de Veloso e de tantos outros. Enquanto o Benfica continuar a ser esta coisa, dirigida por estes seres abjectos, treinado por aquele inapto, com jogadores de conduta [cada vez menos] duvidosa e, acima de tudo, com adeptos que se revêem nestes comportamentos e atitudes, eu, lamento muito, mas não me consigo identificar com este clube. Este não é o meu Benfica. Pode ser o vosso, mas meu não eu. Agora olhem para os últimos 18 anos e vejam onde o vosso Benfica nos levou: títulos à Sporting, valores à Porto. O que se passou hoje em Dusseldorf não é mais do que o reflexo do que somos.
P.S. Hoje é "bar aberto", comentem o que quiserem que não há moderação. Tudo à grande.








