quarta-feira, 31 de março de 2010

Vieira passa no "exame" de Miguel Sousa Tavares

Não foi propriamente difícil o "exame" que Miguel Sousa Tavares impôs a Luís Filipe Vieira. Fiquei surpreendido com a atitude do jornalista afecto ao FC Porto que, mesmo não escondendo a sua cor clubística, soube separar minimamente as águas, não obstante ser visível que esperava um ou outro deslize de Vieira para poder explorar esse assunto onde o presidente do Benfica se mostrasse menos confortável.

Claro que se espera de um jornalista que saiba levar a isenção ao máximo no seu trabalho. Sousa Tavares não o fez, mas, para meu espanto, e conhecendo o seu trabalho como conheço, fiquei surpreendido com a actuação do jornalista: não foi rude nem mal-educado e, sobretudo, foi um bom entrevistador, soube deixar falar, algo pouco comum na maioria dos jornalistas.

Sobre a entrevista em si, parecia existir pouca formalidade e um quase um pacto de não-agressão, mas um grande à-vontade entre ambos. Vieira começou muito bem ao deixar clara a sua posição em relação a José Eduardo Moniz, mas patinou no tema Rui Costa: parece que o ambiente entre ambos não é, ou pelo menos não foi, o melhor durante muito tempo, especialmente na questão Quique vs. Jesus. O presidente do Benfica teve tempo ainda para brilhar noutros temas, como Jesus, Falcao, Hulk, e ainda os dois onde se sente como peixe dentro de água, o Apito Dourado e a Economia do Benfica, com o famigerado e já aguardado ano de 2013, onde o encaixe por receitas televisivas será grandemente ampliado.

Soube ainda fazer uma diferenciação muito importante, a meu ver, entre o FC Porto e o seu presidente, Pinto da Costa, e ainda teve tempo para não fechar a porta, nem pelo contrário dar a mão a beijar, a Fernando Gomes, candidato a presidente da LPFP e mais que provável vencedor nessa corrida.

Resumindo, gostei da entrevista, do entrevistador, bela surpresa, e do entrevistado, que apesar de não ser tão eloquente como desejaríamos, sabe, ou melhor, tem vindo a aprender, o momento exacto para usar da palavra. Esteve bem Luís Filipe Vieira, ele que nesta entrevista ainda abriu a porta a mais uns quantos mandatos. Hoje saiu vencedor.

6 comentários:

sloml disse...

JNF, concordo integralmente com o post. A mim LFV surpreendeu-me pela positiva (e eu nunca fui seu apoiante; hoje, mudei a minha opinião).

Rearviewmirror disse...

Vi a entrevista do LFV, e gravei a do Ricardo Costa.
Já me contaram por alto como foi a do PC, e fico feliz por não ter perdido espaço na Box da meo com esse senhor.

A entrevista do LFV pareceu-me uma conversa de café entre 2 amigos bem dispostos, cada um a puxar a brasa á sua sardinha.
Foi entretida, e tirando a parte do presidente do Benfica ter dito que o JJ liga-lhe ás duas da manhã a pedir jogadores, ou que não falava com Quique nem Camacho, pouco ou nada há a salientar.

Em relação á entrevista á qual eu estava mais curioso, essa não me defraudou as espectativas.
Ricardo Costa teu o chamado "banho de bola", respondendo com carácter e clareza a todas as questões que a entrevistadora lhe pôs (umas com mais cabimento que outras).
Quando o futebol português quer "achincalhar" uma pessoa de tamanha inteligência e profissionalismo, é sinal que algo vai mal neste país.
Saliento meia duzia de pontos que me pareceram merecer destaque:

1. Se não fosse o RC a dizer, eu não saberia que ele já tinha dado mais conferencias de imprensa a explicar outros casos mediáticos do nosso futebol, nomeadamente os MEyong e Mateus. Ou seja, cai por terra aquela teoria da "sede de protagonismo". A culpa que ele tem é só uma: tentar fazer as coisas mais transparentes do que aquilo que são.O que em Portugal dá logo problemas.

2. Não sabia que o CJ teve 4 Presidentes durante o seu mandato. Da mesma maneira que não sabia que 85% dos recursos que chegaram ao CJ de decisões toamdas pelo CDL não sofreram alteração. Ou seja, só cerca de 10 acordãos dos 60 e poucos que chegaram ao CJ foram alterados.
Em 460 acordãos, o CJ rectificou 10.
É obra.

3. Em relação ao caso Hulk, a explicação que ele deu em relação á diferença entre "terreno de jogo" e "recinto desportivo" foi clarissima.
Caiem assim por terra algumas das babuseiras que o Guilherme Aguiar debitou na segunda-feira em horário nobre.(ainda me pergunto como é que é possivel esse portista fanático ter estado á frente da Liga, mas adiante).
E RC defendeu que a decisão do CJ é aberrante, e que em ultimo caso, se não achariam enquadramento nos regulamentos, que se ilibasse o jogador, tal como defendeu Dias Ferreira no dia seguinte.

4. A história do tal "apito encarnado" e das declarações do Pinto da Costa no canal1 (que foram citadas durante a entrevista) em que o CD abriu um processo de inquérito, ele foi chamado a depor, e depois não falou, só me faz vir uma palavra á cabeça: Senilidade.

5. A outra história recambolesca de ele não ter atendido o telefone porque não se queria demitir, essa é de mais. O homem tava a dar aulas, o sacana.
Onde já se viu, não interromper uma aula para ir atender o telefone.
Parece que a unica culpa que o CDL teve, foi querer prestar solideriadade com o Dr. Herminio Loureiro e quiseram-se demitir também, ao que o ex-presidente da Liga rejeitou prontamente.

Meta-se o Fernando Gomes á frente da Liga e que fique o CJ a tomar conta disto.

www.averdadedaliga.blogspot.com

djeiti disse...

por acaso não considerei que o MST tivesse sabido estar e demonstrasse imparcialidade.
pode nao ter sido mal educado como normalmente, mas foi o suficiente para nao me ter permitido ver a entrevista pois ja me estava a irritar e fez-me mudar para o Bayern-Man Unt.
Gostei isso sim de ver o Ricardo Costa a falar. Apesar de suar do buço como gente grande, o homem demonstrou ter tomates, falou sem papas na lingua, meteu a entrevistadora "no bolso", defendeu-se de toda a mentira que tem sido dita e saiu por cima dizendo todas as verdades.
Eu não gostaria de ser da familia deste Senhor, que certamente tem recebido e continua a receber muitas ameaças por tentar a muito custo manter alguma transparência e seriedade (que ele próprio disse que quando lá chegaram viram que não havia e que poucos a queriam) por fazer cumprir as leis que os próprios clubes aprovam e depois não querem que sejam cumpridas. Numa palavra: Tomates!

Vermelhusco disse...

Eu nao vi a entrevista do LFV. So de ver os primeiros 5 minutos e ouvir aqquela voz de burro do entrevistador tive que mudar de canal.

Nao posso com o MST desde antes de ele escrever para A Bola e a sua clubite ser conhecida de todos. Alem de portista e arrogante e nojento como poucos portugueses e so chegou onde chegou por ser filho de quem e.

Li o apanhado geral da entrevista ao LFV, ao PdC e vi a entrevista do Ricardo Costa.
Pareceu-me que o LFV soube estar na entrevista, o PdC foi o trauliteiro e mentiroso do costume e o Ricardo Costa esteve simplesmente brilhante: soube estar na entrevista, desmontar todas as teses de que andou a perseguir os porcos.

No final da noite fiquei a considerar o PdC o perdedor. O seu discurso foi para os andrades ouvirem porque para o resto do Pais a credibilidade do personagem e nula.

Ponta Esquecida disse...

Sem dúvida que o Ricardo Costa esteve muito bem, assim como espero que esteja quando for aplicado o sumarissimo ao Rodriguez.

O LFV na minha opinião, não tinha necessidade nenhuma de dar qualquer entrevista muito menos a quem a deu...mesmo assim, foi a sua melhor entrevista como presidente do glorioso!

pontaesquecida.blogspot.com

iBenfiquista disse...

Viram os olhares dardejantes que o MST lançava ao LFV? Isso notou-se ainda mais no final da entrevista. O homem sentia-se impotente. E se pudesse trespassar o LFV, matando-o com o olhar, fazia-o. Lol.

Penso que algumas ilusões que tinha sobre o pouco futuro que o Benfica irá ter, ficaram na sarjeta. Para mal dos pecados dele e dos outros andrades.

Oxalá o Al Capone continue por muitos anos à frente dos andrades. E penso que o vai fazer. É bom sinal. Eles enterrar-se-ão cada vez mais. E quanto mais enterrados ficarem, mais difícil será, então, para sair do fosso. Prevejo-lhes um futuro negro. Mas merecido.