domingo, 18 de abril de 2010

Queima das Fitas

Saber sofrer é uma arte. Seja dentro do relvado, nas bancadas, ou numa pastelaria rodeado de sportinguistas, que aplaudiram e festejaram efusivamente os golos da Académica. Contra tudo e contra todos, contra os adversários, os Xistras, os que jogam por fora das quatro linhas, as malas de dinheiro, as críticas, o "estão a perder gás", frase que ouço desde... Setembro, repito, contra tudo e contra todos. É por estas e por outras que este clube é "o maior de Portugal", país que por acaso é demasiado pequeno para um clube como o nosso.

Jorge Jesus apresentou um onze com algumas meias-surpresas: na defesa tudo normal, mas no meio-campo Rúben Amorim rendeu o exausto Ramires e Pablo Aimar foi o organizador de jogo, em vez de Carlos Martins. Na frente, as dúvidas eram mais que muitas: Saviola acabou por não recuperar, ficando de fora dos 18 convocados. Cardozo também não recuperou, mas jogou, visivelmente debilitado, um risco que Jorge Jesus correu e que era perfeitamente escusado, face à qualidade das opções que tem no banco. O paraguaio foi secundado por Weldon, ele que tinha ficado de fora no encontro com o Sporting após boa exibição com a Naval.

O Benfica entrou fortíssimo no jogo e logo nos primeiros instantes, Maxi Pereira tem uma fantástica arrancada pelo flanco direito ganhando um pontapé de canto. A bola não saiu mais daquele zona e de pontapé de canto ou lançamento, o Benfica acabou mesmo por conseguir o golo à passagem do terceiro minuto, autoria de Weldon, num cabeceamento defensável para Rui Nereu. O Benfica chegava-se à frente no resultado com inteira justiça.

A partir daí o jogo ficou repartido com naturalidade: por um lado, o Benfica começou a sentir a pressão da vitória que deixava o título a escassos minutos; por outro lado, a Académica, que apesar de ter um dos conjuntos de jogadores mais fracos desta Liga, sabe jogar bom futebol, ao contrário das equipas que estão abaixo do quinto lugar. O Benfica ainda dispôs de uma excelente oportunidade num lance onde Rui Nereu atirou contra o avançado benfiquista, mas o guardião português emendou o erro com boa defesa. A Académica, com um pouco de sorte à mistura, acaba por chegar ao golo que já começava a justificar, num remate de fora da área de Diogo Gomes, sendo que a bola ainda bateu nas costas da Javi Garcia, traindo desta maneira Quim, ele que tinha sofrido um golo semelhante contra a Dinamarca em Setembro de 2008.

O Benfica, com o empate, sabia que tinha um resultado que apesar de não ser favorável acaba por servir perfeitamente na luta pelo título, mas mesmo assim resolveu colocar o pé no acelerador e dispôs de mais bola e teve maior pendor ofensivo. O Benfica carregava e após uma boa ocasião para a Briosa dar a volta ao resultado, foi Di Maria, numa jogava individual sobre o lado esquerdo, que cruza para Weldon, que executa um remate de execução muito difícil e marca o golo. O Benfica estava novamente na liderança e chegava ao intervalo a vencer por justos 1-2.

Após o intervalo o jogo tornou-se mais monótono, o ritmo caiu claramente. No entanto foram do Benfica as melhores oportunidades, nomeadamente o remate falhado escandalosamente por Di Maria e ainda o tiraço de Carlos Martins, acabado de entrar, que embateu na base do poste esquerdo da baliza de Nereu. O jogo começava a ficar duro e com o resultado a dar vantagem ao Benfica pela margem mínima, os erros de Xistra começaram a ser mais que muitos e graves. Faltas não assinaladas, cartões amarelos perdoados, cartões amarelos mal mostrados, de tudo um pouco. A Académica até deveria estar a jogar com 10 desde meio da primeira parte, quando Weldon foi rasteirado intencionalmente e sem qualquer propósito de jogar a bola por parte do defesa dos estudantes, que assim interrompeu a cavalgada do brasileiro que seguia isolado para a baliza dos visitados. O Benfica continuou a carregar e o golo acabou mesmo por chegar, num bom remate de Rúben Amorim, que festejou como qualquer um de nós, adeptos, festejaria. À Benfica! O jogo estava praticamente ganho, 1-3 aos 80 minutos dava a segurança necessária. A azia crescia nos sportinguistas que ainda estavam na pastelaria.

Até final confirmou-se aquilo que eu mais temia. A maneira de defender os lances de bola parada é simplesmente horrível. Com a bola a 40 metros da baliza, o Benfica defende à zona praticamente dentro da pequena área. Isto é um convite a que o adversário meta a bola em cima da baliza. E quando temos um guarda-redes que é simplesmente péssimo em lances de bola aérea... a situação complica-se, muito mesmo. Quim andou às aranhas neste tipo de lances e o segundo golo que sofreu é de amador. A culpa não é apenas dele, até porque Jesus defendeu estes lances pessimamente. Tiero teve tempo, espaço, tudo para fazer o golo. Quim provavelmente não viu a bola partir, mas dispôs de tempo para se posicionar melhor. E a maneira de se fazer ao lance roça o patético. Mas já passou e não teve consequências de maior.

Vitória suadíssima do Benfica num terreno onde não perde há três décadas e meia, salvo erro. E com este resultado faltam apenas pontos, quatro míseros pontos para o título, quando ainda recebemos Olhanense e Rio Ave, tendo a deslocação ao Dragão pelo meio. Está quase, quase mesmo. Só um cataclismo de proporções épicas pode evitar o triunfo do Benfica neste campeonato.

9 comentários:

Vermelhusco disse...

Vitoria muito suada, e nota-se uma diferenca enorme entre a defesa sem o Luisao e com o Luisao.

Mais que o David Luiz, o esteio da nossa defesa e o Luisao.
O Weldon esta com o pe quente e deve ser o reforco mais rentavel do Benfica esta epoca em termos de custo/rendimento! :)

patriarca disse...

O 1º. Golo da academica é PRECEDIDO de falta, o jogador ajeitou a bola com o BRAÇO e depois rematou para o golo, portanto uma IRREGULARIDADE que deveria ter sido SANCIONADA pelo XISTREMA e só o não Foi porque era contra o Benfica, pois se fosse um jogador do Glorioso era logo sancionada. É que o Corrupto estava perto do lance e DE FRENTE PARA O JOGADOR INFRACTOR e fez que nada viu.
Mas NINGUÉM PÁRA O BENFICA.

Éter disse...

Esta forma de o Benfica defender seria excelente com um qualquer Van der Sar na baliza.

JNF disse...

O probelma é que em vez de Van der Sar tenho a impressão que está lá o Vai dar Frango.

magalhães.Sad.SLB disse...

Grande recepção ao Glorioso Benfica em Coimbra. Mais uma vez os adeptos foram gloriosos e empurraram o Benfica para a vitória.

A grande conquista está perto, cada vez mais perto… é preciso encher a Luz no sábado e vencer o Olhanense.

Força Benfica, Força Benfiquistas!!!

Carrega Benfica!!!

http://magalhaes-sad-slb.blogs.sapo.pt/

mariofarm disse...

Fui até coimbra assistir ao vivo a mais uma partida rumo ao título! Até parecia a Catedral,mas um pouco mais pequena, tal era a imensidão de vermelho... Levei a minha câmara de filmara e ia filmando ao longo do jogo.Ao fim deixei de filmar,por causa dos chuviscos e tive muita pena de não gravar o David Luiz junto do público a mostrar quanto gosta do Benfica.GRANDE DAVID LUIZ! FORÇA BENFICA!!

Anónimo disse...

COMEÇAM A IRRITAR-ME AS INJUSTIÇAS QUE COMETEM CONTRA o quim.

o guarda redes menos batido do campeonato. dos 16 golos sofridos vejam la

1 contra o maritimo, de penalty
1 contra o setubal autogolo, nada a fazer
1 contra o leiria, autogolo, nada a fazer
1 da academica com ressalto

ja so sobram 12... dos quais so em 2 ou 3 podia talvez fazer melhor. em 27 jogos... bela media.

e a melhor defesa do ano é dele em alvalade a remate do veloso. uma defesa à van der sar.

Olarilolé disse...

O pontapé que o Maxi dá no jogador da Académica que está no chão, não é para cartão???? Afinal não é só o Luisão que pode pontapear adversários....afinal TODOS podem....

Jotas disse...

Ganhamos e isso é o fundamental, é que a pressão na equipa, a ansiedade de querer ganhar e sentir o título cada vez mais perto, traz também consigo algum nervoso que por vezes não permite expressar tudo o que de bom se tem e faz com que se cometam alguns erros. Contudo, o caracter desta equipa, a sua entrega e a comunhão com os seus fantásticos adeptos, faz com que tudo isso seja ultrapassado e que com maior ou menor dificuldade se atinja o grande objectivo. Viva o Benfica.