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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Receita para a desgraça


Odeio atrasos. A falta de pontualidade é uma coisa que me irrita. Porquê chegar atrasado quando se pode chegar a horas? E porquê chegar propositadamente atrasado? Isso e as desculpas. Também não gosto de desculpas. Foi o trânsito? Saísses de casa mais cedo. Foi a greve de metro? Planeasses outra forma de vir. Não tiveste tempo? Devias ter organizado o teu tempo melhor.

É por isso normal que não tenha gostado do atraso de 45 minutos que o Benfica teve. Enquanto a Académica montava o seu double-decker lá atrás, o Benfica ainda estava nos balneários. E nas bancadas, a apoiar constantemente. Mas os jogadores, esses, ficaram no balneário. Sem vontade, sem querer, sem atitude. O Benfica da primeira parte foi um remate de Enzo, uma cabeçada de Lima e pouco mais. A ausência de Ola John, a falta de inspiração de Salvio, o vedetismo de Rodrigo e a ausência de qualidade de André Almeida explicam em grande parte o que foi o Benfica do primeiro tempo.

E enquanto a segunda parte decorria, já estava a ouvir as desculpas para um desfecho triste que parecia cada vez mais provável à medida que o tempo passava. Era o cansaço do jogo de quinta-feira (apesar de vários jogadores não terem efectuado esse mesmo jogo, mas enfim...), era o árbitro, era o anti-jogo, era o areal em que estava transformado o relvado da Luz, era a falta de sorte, era o azar, era a desinspiração, era isto, era aquilo. E a falta de atitude dos jogadores? Por que raio é que o Benfica se pôs a jeito? Isto era fácil de resolver no início, como quase sempre fazemos na Luz. Para quê viver este risco, para quê estar a jogar à roleta russa com meio revólver carregado? É isto que eu não percebo.

O Benfica, que tem o plantel que se sabe, sem soluções para as laterais e sem backup para o miolo do terreno, arriscou estupidamente hoje. Por falta de atitude. Hoje, juntámos todos os ingredientes para o desastre. Escapámos à bala. Mas ainda lhe tocámos de raspão.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um resumo e um detalhe (em defesa do Benfica!)

O Benfica desta noite foi um Benfica a medida do seu banco.

Uma exibição de altos e baixos:
Altos no ataque, com 3 golos marcados, porque o nosso banco é de luxo do meio-campo para a frente.
Baixos na defesa, com 2 golos sofridos, porque o nosso banco é fraco (para não dizer outra coisa) para trás do meio-campo.

Houve respeito pelo adversário e luta dos jogadores que tentaram agarrar as oportunidades que tinham.
Uma defesa com Jardel e Roderick não pode jogar com 50 metros nas costas, lamento JJ.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Notas Rápidas

1. Maxi. Horrível. Intratável na sua demanda de querer jogar em todas as posições no campo, menos cumprir a sua obrigação de defesa direito. Por mim, que jogue o Almeida contra o FC Porto que tem estado muito mais certinho e pragmático;

2. Lima. Total. Tudo o que é jogada de ataque, tende a passar ou a terminar nos seus pés. Leitura de jogo acima da média, capacidade físcia soberba e remate de qualidade, seja qual for o pé que estiver mais à mão. Titular frente ao Porto, pois claro;

3. Carlos Martins. Mais do mesmo. Continua com um Zidane na cabeça, mas com um Everson nos pés. Entrou com vontade, mas só isso não chega. Tem a atenuante de ter regressado agora de lesão, mas não me parece ser por aqui que poderemos esperar grandes soluções para esta época;

4. Kardec. Feliz. Nunca foi o cepo que muita gente sempre apregoou, apesar de também não ser nenhum craque. Hoje mereceu o golo e a assistência que deram a vitória ao Benfica, já que sempre foi um bom profissional.

5. Aimar. Mnhec. Regressou de lesão e, por isso, não pôde por em prática aquilo que a sua qualidade lhe permite. Melhores dias virão e será importante na luta pelo título.

6. André Gomes. Classe. Há que entender que a real vantagem do André no nosso meio campo é a forma como pensa antes da bola lhe chegar aos pés e conseguir fazer uma leitura correcta do que se passa à sua volta. Por vezes erra passes fáceis e tem de corrigir esse aspecto. Mas hoje mostrou que é muito forte a fazer passes de ruptura entre linhas. Soubessem os nossos atacantes aproveitar as bolas que ele lhes meteu e o resultado teria sido outro. Depois tem outros argumentos que, por exemplo, o Carlos Martins nunca teve, como a técnica e a capacidade física.

7. Sobre o jogo, pouco há a dizer. Ganhámos bem num jogo em que podíamos ter goleado mais uma vez.

8. Venha daí o FC Porto e, desta vez, não é para borrar a cueca. O jogo é na Luz e, como diz o grande Schwarz, aqui quem manda é o Benfica. Desta vez temos de ser mesmo competentes, porque as arbitragens nem sempre desculpam as lições que temos levado do FC Porto nos últimos anos. Sem James (e não podemos negar de que é uma vantagem para o Benfica), temos tudo para confirmar ainda mais o favoritismo. Boa sorte para o Clássico, rapazes.

domingo, 23 de setembro de 2012

Benfica volta a chumbar em Coimbra

O mau aluno não aprende a lição. O Benfica chumbou pelo segundo ano consecutivo em Coimbra num jogo que teve inúmeras semelhanças com o do ano passado. Incompetência própria, azar à mistura, árbitro com a lição estudada e zero de fio de jogo. É confrangedor ver este Benfica. Mais confrangedor é ver que as pessoas estão satisfeitas com tudo o que há no clube, desde o futebol jogado, passando pela política de contratações e acabando em quem dirige a equipa em campo e fora dele.

O Benfica da primeira parte criou três oportunidades de golo e nessas três a bola foi ao poste. De resto, o que há a dizer? Não há ideias de jogo, não há fio de jogo. Há sim muita fé em Salvio, Maxi e em Melgarejo para que arranquem pelo flanco e tirem um cruzamento que Cardozo ou Rodrigo transformem em golo. Isto é futebol? É para isto que Jorge Jesus treina e é pago pelo Benfica? Não há ali nada. Quando o Benfica joga fora de casa é sempre isto que acontece. Uma sofreguidão desnecessária, uma exposição constante ao risco e a ausência de plano de jogo. Individualmente, Bruno César e Melgarejo apresentaram-se a um nível medonho, absolutamente intolerável. Incapazes de levar a equipa para o ataque, inúmeros passes falhados, más recepções de bola e péssimas decisões. Matic deve ser o jogador com mais de 1,90 metros que mais lances de cabeça perde, sejam ofensivos ou defensivos, em todos os campeonatos europeus. Cardozo voltou a ser Dr. Hyde. Enfim, desinspiração individual e ausência de sentido colectivo a mais para quem quer ser campeão. E muita falta de qualidade também.

No segundo tempo, com a expulsão de Rodrigo Galo, o Benfica teve praticamente 45 minutos com mais um elemento. Aí sim, conseguiu criar mais jogo ofensivo, mas quantidade não é sinónimo de qualidade. A Académica fechou-se e o Benfica achou que só pelas alas é que seria possível encontrar o caminho do golo. Errado. O destino das jogadas do Benfica era invariavelmente o mesmo, o cruzamento para dentro da grande área. Sabendo disto, a Académica fechou-se dentro da própria área e só teve de cortar de cabeça as investidas. Fácil. Não é preciso que Pedro Emanuel seja um mestre da táctica para perceber isto.

Falta Xistra, o grande artista. Não me vou alongar sobre o carácter desse quadrúpede, já todos conhecemos a peça e deveríamos esperar o que aconteceu. Errou clara e propositadamente nos dois penalties da Académica (o primeiro é efectivamente falta mas fora da área, no segundo não há infracção), errou também no do Benfica se a bola bate no braço direito de Rodrigo Galo (assim parece) e a sua equipa conseguiu deixar escapar um fora-de-jogo flagrante de pelo menos três metros. Quem não o conhece, que o compre. Quem o conhece, que lhe dê um daqueles enxertos de criar bicho. Ou então não, se calhar é melhor continuar a manifestar o "apoio inequívoco" que Vieira demonstrou a Fernando Gomes. Não há vergonha na cara dos nossos dirigentes nem na de quem apita jogos.

O Benfica perdeu dois pontos em Coimbra porque foi incompetente e porque não deixaram o nosso clube ganhar. Simples. E curiosamente existe um factor comum a ambos: o mesmo homem que delapidou desportivamente a equipa apoia também o presidente da Federação, responsável pelas questões de arbitragem. Depois acham estranho que coisas destas aconteçam. Olhem... paciência.

P.S. O inaugurador oficial das Casas (ainda ontem foi mais uma, em Aveiras), este ausente do jogo de Coimbra por "motivos de saúde". Folgo em saber que para as Casas (20 votos cada) estava fresco que nem uma alface.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pedidos para Coimbra

A vida está cara, mas não podia faltar ao jogo de Coimbra.

Só peço meia dúzia de coisas ao Jesus:

  • Por o Javi Garcia, nem que esteja de muletas;
  • Por o Capdevila, nem que esteja de muletas. Mas aceito como plano B a adaptação de um jogador ao lugar de lateral esquerdo. Se é uma posição para queimar, que se queime a dar ritmo e motivação a outros jogadores. A minha aposta cairia no Saviola;
  • Não poupar o Witsel. O seleccionador belga que vá mamar na quinta pata do Matic;
  • Poupar o Jardel para os treinos de meio da semana. Não vamos ter alguns internacionais a treinar, e ele precisa de estar fresco para os treinos. Que avance o Miguel Vitor;
  • Golear. É o mínimo que podemos exigir com o Benfica a jogar perante uma maioria Benfiquista em Coimbra, e após aquele espectáculo degradante de Guimarães.
Nem chegou à meia dúzia de pedidos. Carrega, Benfica !


PS: Quem é que raio no Benfica achou boa ideia jogar dia 2? Jogando dia 3 tínhamos ainda 72 horas até ao jogo do Zenit, e não arriscávamos jogar com dois jogadores nucleares todos partidos das selecções: Witsel e Maxi. Se correr mal, quero ver quem se chega à frente para assumir este erro estúpido...

sábado, 14 de agosto de 2010

Será amanhã, seis anos depois?

Parece que foi há uma eternidade, e foi quase. Foi na remota época de 2004/2005 que o Benfica se estreou com uma vitória na primeira jornada do campeonato pela última vez. De lá para cá, empates em Coimbra, no Bessa com o Leixões, Vila do Conde e Luz, com o Marítimo, e uma derrota no Bessa, com os axadrezados. Será amanhã, com a Académica que vamos quebrar a malapata da primeira jornada?

No ano passado escrevi um post semelhante sobre o assunto, onde disse que, nas últimas épocas, só naquela em que tínhamos ganho na primeira ronda tínhamos sido campeões. Este ano que passou, com Jorge Jesus, não foi preciso vencer na Luz o Marítimo para ganhar o campeonato. Mas agora, contra a Académica, todos queremos vencer, quanto mais não seja para colocar pressão nos nossos adversários desde o primeiro dia.

domingo, 18 de abril de 2010

Queima das Fitas

Saber sofrer é uma arte. Seja dentro do relvado, nas bancadas, ou numa pastelaria rodeado de sportinguistas, que aplaudiram e festejaram efusivamente os golos da Académica. Contra tudo e contra todos, contra os adversários, os Xistras, os que jogam por fora das quatro linhas, as malas de dinheiro, as críticas, o "estão a perder gás", frase que ouço desde... Setembro, repito, contra tudo e contra todos. É por estas e por outras que este clube é "o maior de Portugal", país que por acaso é demasiado pequeno para um clube como o nosso.

Jorge Jesus apresentou um onze com algumas meias-surpresas: na defesa tudo normal, mas no meio-campo Rúben Amorim rendeu o exausto Ramires e Pablo Aimar foi o organizador de jogo, em vez de Carlos Martins. Na frente, as dúvidas eram mais que muitas: Saviola acabou por não recuperar, ficando de fora dos 18 convocados. Cardozo também não recuperou, mas jogou, visivelmente debilitado, um risco que Jorge Jesus correu e que era perfeitamente escusado, face à qualidade das opções que tem no banco. O paraguaio foi secundado por Weldon, ele que tinha ficado de fora no encontro com o Sporting após boa exibição com a Naval.

O Benfica entrou fortíssimo no jogo e logo nos primeiros instantes, Maxi Pereira tem uma fantástica arrancada pelo flanco direito ganhando um pontapé de canto. A bola não saiu mais daquele zona e de pontapé de canto ou lançamento, o Benfica acabou mesmo por conseguir o golo à passagem do terceiro minuto, autoria de Weldon, num cabeceamento defensável para Rui Nereu. O Benfica chegava-se à frente no resultado com inteira justiça.

A partir daí o jogo ficou repartido com naturalidade: por um lado, o Benfica começou a sentir a pressão da vitória que deixava o título a escassos minutos; por outro lado, a Académica, que apesar de ter um dos conjuntos de jogadores mais fracos desta Liga, sabe jogar bom futebol, ao contrário das equipas que estão abaixo do quinto lugar. O Benfica ainda dispôs de uma excelente oportunidade num lance onde Rui Nereu atirou contra o avançado benfiquista, mas o guardião português emendou o erro com boa defesa. A Académica, com um pouco de sorte à mistura, acaba por chegar ao golo que já começava a justificar, num remate de fora da área de Diogo Gomes, sendo que a bola ainda bateu nas costas da Javi Garcia, traindo desta maneira Quim, ele que tinha sofrido um golo semelhante contra a Dinamarca em Setembro de 2008.

O Benfica, com o empate, sabia que tinha um resultado que apesar de não ser favorável acaba por servir perfeitamente na luta pelo título, mas mesmo assim resolveu colocar o pé no acelerador e dispôs de mais bola e teve maior pendor ofensivo. O Benfica carregava e após uma boa ocasião para a Briosa dar a volta ao resultado, foi Di Maria, numa jogava individual sobre o lado esquerdo, que cruza para Weldon, que executa um remate de execução muito difícil e marca o golo. O Benfica estava novamente na liderança e chegava ao intervalo a vencer por justos 1-2.

Após o intervalo o jogo tornou-se mais monótono, o ritmo caiu claramente. No entanto foram do Benfica as melhores oportunidades, nomeadamente o remate falhado escandalosamente por Di Maria e ainda o tiraço de Carlos Martins, acabado de entrar, que embateu na base do poste esquerdo da baliza de Nereu. O jogo começava a ficar duro e com o resultado a dar vantagem ao Benfica pela margem mínima, os erros de Xistra começaram a ser mais que muitos e graves. Faltas não assinaladas, cartões amarelos perdoados, cartões amarelos mal mostrados, de tudo um pouco. A Académica até deveria estar a jogar com 10 desde meio da primeira parte, quando Weldon foi rasteirado intencionalmente e sem qualquer propósito de jogar a bola por parte do defesa dos estudantes, que assim interrompeu a cavalgada do brasileiro que seguia isolado para a baliza dos visitados. O Benfica continuou a carregar e o golo acabou mesmo por chegar, num bom remate de Rúben Amorim, que festejou como qualquer um de nós, adeptos, festejaria. À Benfica! O jogo estava praticamente ganho, 1-3 aos 80 minutos dava a segurança necessária. A azia crescia nos sportinguistas que ainda estavam na pastelaria.

Até final confirmou-se aquilo que eu mais temia. A maneira de defender os lances de bola parada é simplesmente horrível. Com a bola a 40 metros da baliza, o Benfica defende à zona praticamente dentro da pequena área. Isto é um convite a que o adversário meta a bola em cima da baliza. E quando temos um guarda-redes que é simplesmente péssimo em lances de bola aérea... a situação complica-se, muito mesmo. Quim andou às aranhas neste tipo de lances e o segundo golo que sofreu é de amador. A culpa não é apenas dele, até porque Jesus defendeu estes lances pessimamente. Tiero teve tempo, espaço, tudo para fazer o golo. Quim provavelmente não viu a bola partir, mas dispôs de tempo para se posicionar melhor. E a maneira de se fazer ao lance roça o patético. Mas já passou e não teve consequências de maior.

Vitória suadíssima do Benfica num terreno onde não perde há três décadas e meia, salvo erro. E com este resultado faltam apenas pontos, quatro míseros pontos para o título, quando ainda recebemos Olhanense e Rio Ave, tendo a deslocação ao Dragão pelo meio. Está quase, quase mesmo. Só um cataclismo de proporções épicas pode evitar o triunfo do Benfica neste campeonato.

Quanto vale uma vitória contra o Benfica?

Muito, aparentemente muito, mesmo. O Pedro F. Ferreira, na Tertúlia Benfiquista, afirma-o. E a confirmarem-se os valores de que o Vermelhovzky fala n' O Antitripa, então a grande maioria dos jogadores da Briosa receberá mais neste dia do que recebe ao final de um mês de trabalho. E tendo Carlos "ele fica doente quando o Benfica ganha" Xistra a arbitrar este jogo, as coisas ficam feias.

Villas-Boas é um treinador muito inteligente, goste-se ou não. Apesar de ainda não ter atingido a tão almejada manutenção, o trabalho que está a fazer ao leme dos estudantes é notável. Na minha opinião, os de Coimbra, em termos de jogadores, têm um dos plantéis mais fracos desta Liga, a par do Vitória FC. E sabendo das ligações de AVB... muito cuidado, porque todo o cuidado é pouco. Se ganharmos em Coimbra, é praticamente impossível que o título nos escape. Mas o problema é esse mesmo, ganhar em Coimbra. Sem Luisão e com a dupla de avançados em dúvida, o Benfica tem aqui a grande oportunidade para dar a machadada final no campeonato. É hoje!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Todo-o-terreno

Para quem anunciava o fim do Benfica forte e goleador, este foi mais um balde de água fria. Com a possibilidade de alcançar o Braga no topo da tabela, o Benfica não deixou escapar tal oportunidade, realizando uma exibição todo-o-terreno, num relvado que a isso mesmo obrigava, fruto das condições climatéricas. Vitória frente a uma equipa em clara ascensão qualitativa e que possui aquele que é considerado por muitos como o neo-Mourinho, mas que demonstrou que, e apesar de eu também achar que pode alcançar patamares altíssimos, uma falta de classe e inteligência ao nível dos piores.

Nem a chuva, nem o frio, nem a hora e o dia, muito menos o facto de o jogo ter transmissão televisiva em canal aberto, fez com que os benfiquistas deixassem de ir ao estádio apoiar o seu clube. Ontem, foram mais 41.000, mas acredito que até poderiam ter sido mais.

Dificilmente o Benfica poderia ter entrado melhor no jogo. Logo aos seis minutos, após boa tabelinha com Saviola, Cardozo aparece isolado frente a Rui Nereu, ex-guarda-redes do Benfica, e faz o primeiro golo da partida. Tudo fácil, até porque a Académica não decidiu e
estacionar o autocarro. No entanto, os minutos seguintes seriam de dificuldades visíveis para o Benfica. Até bem perto da meia-hora, foi a Académica a controlar o jogo, muito devido à desconcentração visível do sector mais recuado do Benfca, que nas transições defesa-ataque perdeu a bola por demasiadas vezes. Amorim sentiu por diversas vezes dificuldades em fazer esquecer Javi Garcia, pois teve de assumir por mais vezes despesas no jogo ofensivo e não conseguiu ser a "balança" defensiva em que assenta o SLB quando actua o camisola 6 espanhol. Peixoto, naquela que foi uma das suas melhores exibições pelo clube só se soltou após o segundo golo e Maxi Pereira esteve melhor a atacar que a defender. Prova disso é o segundo golo marcado pelo Benfica, numa bela movimentação do lateral que culmina com um chapéu magnífico e irrepreensível de Saviola. Um golo de levantar qualquer estádio do mundo. A Académica sentiu o golo, o Benfica ganhou mais confiança e com trinta minutos o jogo ficou resolvido.

Com 2-0 no marcador o Benfica ganhou mais confiança e conseguiu arrancar para mais uma exibição muito personalizada na segunda parte. Com apenas dez minutos decorridos no segundo tempo, Óscar Cardozo aproveita uma bola solta por Rui Nereu após remate de Di Maria para fazer o terceiro. O jovem argentino esteve muito rematador, muito possivelmente devido a Jorge Jesus, que avisou-o, e muito bem, que deve marcar muitos mas muitos mais golos pelo Benfica. Contam-se pelos dedos de uma mão os golos que tem pelo nosso clube desde que chegou em 2007. Assim de repente lembro-me apenas de um contra o Poltava, outro ao Herta, um ao Nuremberga, outro ao Paços de Ferreira e um ao Braga. Mas fora isto, há que dizer que Angelito esteve novamente ao seu melhor nível, à semelhança de Ramires, eles que estiveram menos exuberantes nas últimas partidas.

Até final da partida apenas há a registar o quarto golo encarnado, terceiro da noite para Cardozo, que eleva assim para 14 tentos em apenas 11 jogos efectuados para a Liga. O Benfica foi manifestamente mais forte até final do jogo, pese embora uma ou outra boa chance para a Briosa, fruto de alguns desentendimentos entre Luisão e Quim, sobre quem deveria chegar à bola quando esta estava à entrada da área. Diga-se que o guarda-redes português teve uma noite tranquila, tendo por apenas uma vez sido chamado a intervir, num remate forte, mas à figura, numa bela defesa que levou o estádio a aplaudir o guardião.

3 pontos, mas uma vez, frente a um adversário que não tem capacidade para fazer o mesmo que no ano passado, mas que mesmo assim pode ir longe com alguns bons jogadores e com um treinador de qualidade que aprendeu com os melhores, mas que revelou uma ridícula falta de educação e profissionalismo com os jornalistas à entrada para a conferência de imprensa, exigindo-lhes que lhe perguntassem por um possível penalty a favor da AAC quando o resultado estava em... 3-0. Enfim, critérios.

Na próxima jornada, a que antecede o clássico frente ao Porto, o Benfica desloca-se a Olhão para jogar com a filial azul-e-branca. Não se tratará de um jogo fácil e adivinho que será mostrado o quinto amarelo a David Luiz, que está a abusar da dureza (foi amarelado nos últimos quatro jogos do Benfica), e que alguns jogadores do nosso clube sofrerão faltas brutais, à semelhança do que aconteceu há uns anos quando defrontámos o Estrela da Amadora em vésperas, precisamente, de um jogo com o FCP. Há que estar vigilante.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O click de Quique

Durante toda a semana Quique frisou que este Benfica não está ao nível que ele queria, dizendo mesmo que lhe faltava um "click". Pois bem, a equipa de "Clicke" Flores ontem demonstrou isso mesmo: falta ainda ver muito futebol apesar de não termos jogado com alguns dos melhores jogadores, mas, à semelhança do Benfica de Trapattoni, vamos ganhando, e isso é que interessa.

Ontem, em Coimbra, frente a uma Académica que já mantém o mesmo treinador há mais de um ano (algo muito invulgar na Briosa), o Benfica venceu mas não convenceu. Mas quem vai vencendo tantas vezes seguidas, vai convencendo, não é?

Quique surpreendeu no onze apresentado: Bynia foi titular no lugar do engripado Katsouranis, Amorim voltou a jogar como pêndulo no lado direito do meio-campo, David Luiz foi substituir Jorge Ribeiro e Nuno Gomes fez dupla com Cardozo por troca com a dupla Aimar - Suazo. De todas estas alterações, apenas a inclusão de David Luiz me surpreendeu, visto ter recuperado de uma lesão há pouco tempo e ainda por cima foi jogar para uma posição que não é a sua. Arriscou Quique, mas acho que a aposta não foi feliz.

Quem esteve muito bem foi o Reyes, o Amorim e o Nuno Gomes (por que é que não vão à selecção?). Estão todos em grande forma: o Reyes porque desequilibra de uma forma quase tão brilhante como o Simão Sabrosa, o Amorim porque equilibra a equipa, e o Nuno Gomes porque joga e faz jogar. É curioso ver o "21" jogar ao lado do Cardozo: um joga e não marca, o outro na joga, mas marca. Completam-se bem um ao outro, e desde que o Benfica ganhe, que joguem, isto sem esquecer Aimar e Suazo. Tudo somado, acho que temos equipa. Neste momento, pelas minhas contas, penso que temos 21 jogadores que podem ser titulares sem que haja grandes desequilíbrios na equipa.

De resto há que sublinhar a principal característica desta equipa: o pragmatismo. Este Benfica só joga q.b., nunca faz mais do que o necessário, e parece estar talhada para os grandes jogos, à semelhança de Trapattoni (como eu gosto de dizer isto). Com alguma sorte, talvez o resultado final seja o mesmo.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Quando não há café com leite

No dia em que veio a público o facto de a enteada de Pôncio Monteiro ir ser a juiza que presidirá ao caso Boavista x Estrela, que envolve a família Loureiro, cá está o Eterno Benfica de regresso às conspirações. (Ah, granda Pôncio, valeu a pena andares a comer a mãe da senhora magistrada.)

O que é certo é que o fóculporto continua a actuar, literalmente, nas barbas da senhora Maria José Morgado. Começa a ganhar contornos muito fortes uma nova forma de corrupção que já lhes deu frutos - vulgo, pontos - na época transacta. Consiste na cedência, por empréstimo, de "mais-valias" a clubes de segunda linha. O que aparentemente não teria nada de anormal, acaba por se tornar preocupante quando vemos constantemente esses jogadores com "crises intestinais" nas vésperas de defrontar o seu fcp. Ou então, quando vemos as equipas onde foram colocados a render-se à magia do futebol azul-e-branco-à-presidiário.

O que é alarmante é o massivo aumento de empréstimos por parte do fóculporto, em quantidades absolutamente industriais. Confiram a lista.

Ao Leixões: Ezequias, Paulo Machado, Vieirinha, Pitbull e Diogo Valente.

À Académica: Ivanildo e Hélder Barbosa.

Ao Guimarães: Rabiola, Maciel e Alan (carecem de confirmação).

Ao Setúbal: Bruno Gama.

Areias, Leandro do Bomfim, Bruno Vale, entre outros, ainda procuram colocação. Para o Varzim seguem três juniores. Há mais clubes à espera de ser contemplados. Haverão falhas nesta lista, apontem-nas por favor, e ajudem-me a mantê-la actualizada.