terça-feira, 31 de julho de 2012

Nélson Oliveira cedido ao Deportivo

Surpreendentemente, num negócio-relâmpago, o Benfica emprestou Nélson Oliveira (e Roderick) ao Deportivo, engrossando assim a lista de jogadores provenientes do campeonato português a actuar no recém-promovido Depor.

A notícia apanhou-me completamente de surpresa. Depois da época que fez ao serviço do Benfica, depois do destaque que conseguiu no mundial sub-20, depois da chamada ao Euro-2012 no qual foi, claramente, o 12º jogador da equipa de Paulo Bento, Nélson Oliveira parece dar um passo atrás na sua carreira. Às vezes é mesmo assim, é preciso dar um passo atrás para se dar dois em frente. Mas até para se dar um passo atrás tem de se olhar na direcção em que se caminha e, por isso mesmo, acho que este empréstimo não foi o mais feliz, por vários motivos:
  1. A Liga Espanhola é a melhor Liga do mundo. Não me parece que seja, no entanto, a que tem o futebol mais adequado para a explosão de talento de Nélson Oliveira. O jovem avançado gosta de partir da faixa para o centro, com alguma liberdade, e em força, mais ao estilo do que acontece no campeonato inglês, assemelhando-se no estilo de jogo (com as devidas diferenças, sobretudo de qualidade) a Thierry Henry.
  2. A pressão mediática em Espanha é muito maior para os jogadores do que sucede em Inglaterra. Na pátria do futebol, os jovens podem errar sem o peso de uma crítica excessiva, injusta, tendo possibilidade de voltar ao onze brevemente para mostrar que evoluíram.
  3. Não acredito que Nélson Oliveira tenha sido um pedido expresso do treinador do Coruña, mas antes uma colocação cirúrgica de Jorge Mendes, como foram outras realizadas neste mesmo clube. Assim sendo, será que Nélson Oliveira parte como primeira escolha do seu treinador? Ou será um daqueles jogadores eternamente proscritos por não ter sido pedido?
Nélson seria sempre a terceira escolha de Jesus para um onze onde cabem, no máximo, dois jogadores (e onde, acredito, actuará apenas um por diversas vezes). Não teria os mesmos minutos na Luz que terá, quase certamente, na Galiza. A sua colocação acaba por ser um mal menor, visto que vai poder ter mais tempo de jogo. Resta saber se evoluirá no sentido pretendido.

12 comentários:

Barata Tonta Carneiro disse...

Deixas-me confuso!!

Meddler disse...

Na mouche.

A Premierleague teria sido bem mais vantajosa. Mas há que acreditar que isto vai trazer benefício. No final, fazemos as contas.

Kroniketas disse...

E eis que de repente tornou-se fundamental manter Cardozo. Não me surpreenderia se um dia destes surgisse uma das taisa propostas "irrecusáveis" e o Cardozo saísse e ficássemos descalços no ataque. Vamos ver se a saída do Nelson Olivera nesta altura, sem o plantel estar fechado, a pretexto de que não tinha espaço para jogar com regularidade, não é uma burrice de todo o tamanho e se ainda não nos vai fazer falta e não vamos ter de procurar um avançado à pressa.

Mas como continuamos no reino da estupidez e duma "gestão" sem critério nem rumo, já nada me surpreende. No Benfica não se faz sequer navegação à vista, faz-se navegação ao sabor do vento.

Vladimir Kaspov disse...

Se for para ter mais minutos acho bem, custa-me menos assim do que passar a época no banco a "aprender". Espero que volte mais forte, bem como Roderick. Vou tentar acompanhá-los durante a época.

Carlos disse...

Se a ideia subjacente a todo este assunto é fazer de Nelson Oliveira um ponta de lança capaz de vingar no 11 do Benfica a curto/médio prazo, e portanto capaz de fazer estragos na nossa Liga, não faz sentido defender que Inglaterra é que era.

Em todos os sentidos, o futebol praticado em Portugal tem mais afinidades com o espanhol do que com o inglês.

De que valeria ao Nelson (e ao Benfica) ir para Inglaterra durante um ano usar sistematicamente as mesmas soluções que já conhece e em que é mais forte?

Se houvesse um raciocínio e critérios objectivos inerentes à decisão de emprestá-lo ao Corunha (concedo que não tenha havido, infelizmente), seria sempre o de desafiar o jogador, colocando-o num contexto em que para vingar terá de melhorar em aspectos do jogo em que é menos forte (capacidade e timing de decisão, logo à cabeça).

Só veria como favorável o empréstimo a um clube inglês numa perspectiva de "marca-lá-15-golos-este-ano-a-ver-se-te-despachamos-para-o-Tottenham-por-10-milhões-para-o-ano-que-vem". Creio que todos preferimos ver o Nelson alguns anos como referência de ataque do nosso 11.

A talhe de foice, lembrei-me do Rodrigo, que passou um ano relativamente discreto no Bolton antes de fazer uma bela época no Benfica. Tenho a certeza de que se ele tivesse estado emprestado a um clube espanhol, teria feito mais furor e, quem sabe, até nem teria voltado ao Benfica, caso surgissem interessados. Mas tenho igualmente a certeza de que em Inglaterra potenciou aspectos ligados à vertente física do jogo que lhe permitem ser hoje um jogador mais intenso e capaz de juntar outros argumentos à sua imensa capacidade técnica.

Só os meus dois cêntimos, valem o que valem. Acredito que nada disto passe pela cabeça de quem decide estes empréstimos.

max disse...

O que também me parece é que talvez tenha sido o jogador a pedir para ser emprestado, acho que não devem ser atribuídas totais responsabilidades (para o bem ou para o mal) ao clube.

Mas também só me parece benéfico para o jogador se lá também não for a 3ª escolha e puder jogar mais vezes...

Como não sei quem são os avançados do Corunha não vou opinar sobre o assunto.

Cumps

xirico disse...

Neste momento não sei se seria a 3ª escolha,e isto porque Mora tem mais sentido de golo que o Nelson.

Anónimo disse...

E a negociata do Salvio. Ontem eles pagam 9 milhôes pelo Roberto hoje pagamos nós 8 pelo Salvio.

Grande troca de jogadores.

Luís

JNF disse...

Kroniketas,

"procurar avançado"? Com Cardozo, Rodrigo, Saviola, Mora, Hugo Vieira, Michel e Kardec? Ainda temos é de despachar pelo menos mais um ou dois!

Carlos,

isso não é assim. Pega no exemplo de Thierry Henry, um atleta com características semelhantes às de Nélson Oliveira. Depois de sair de França, rumou a Turim para jogar na Juventus e num campeonato italiano que nada tinha a ver com o seu estilo de jogo. Não vingou. Foi para Inglaterra e foram golos atrás de golos, sucessos atrás de sucessos durante anos. Saiu para Espanha e o rendimento caíu a pique. O facto de o futebol espanhol ser mais semelhante ao português que o inglês não vai fazer com que NO seja melhor jogador ao regressar ao Benfica depois de emprestado ao Depor do que se fosse emprestado a uma equipa da Premier. Já o exemplo que dás com o Rodrigo, estou de acordo contigo: o campeonato espanhol teria sido o ideal, por todas as razões, a começar pelo estilo de jogo.

Carlos disse...

JNF, não contesto que o futebol inglês é mais adequado às características do Nelson Oliveira.

Apenas sou da opinião de que o futebol espanhol tem muito mais a ensinar ao NO, numa perspectiva de o transformar num jogador completo e de nível mundial, do que o futebol inglês.

Se quisermos ser simplistas, é uma questão de escolha entre aperfeiçoar os pontos fortes (Inglaterra), ou corrigir os pontos fracos (Espanha).

Compreendo o exemplo de Thierry Henry, mas lamento que ele só tenha vingado em Inglaterra e não desejo isso para o Nelson Oliveira. :)

JNF disse...

Puxa, mas o Henry vingou cá de uma forma na Premier que foi "só" um dos melhores jogadores do mundo durante uns 4-5 anos. Quem dera ao Nélson!

Carlos disse...

Mas eu quero que ele vingue cá, não em Inglaterra... apenas isso. :)